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LITURGIA GERAL

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CAPITULO IV.

 

O TEMPO SACRO

 

§ 61. A ANO ECLESIÁSTICO EM GERAL

 

 

245.   Servir a Deus não é só obrigação do indivíduo, mas também da comunidade. A veneração comum, porém, da divina Majestade supõe nos membros desta comunidade o conhecimento de uma hora fixa para o culto, e de um tempo determinado para certas funções cultuais. A esta exigência corresponde o ano eclesiástico.

 

1. Definição. Materialmente o ano eclesiástico é uma sucessão de 365 ou 366 dias. É formado à semelhança do ano civil, composto de 52 ou 53 semanas.

Liturgicamente, em sentido lato, designa os 52 domingos, cada qual com a sua semana (p. ex., Fer. 2 infra Dom. 8 post Pent.) e com as festas ocorrentes. Nesta acepção também o antigo testamento possuía ano litúrgico. Mas o novo testamento tem algo mais: a significação mística.

Misticamente, o ano eclesiástico é a repetição da vida de Cristo, baseada na celebração dos mistérios principais do divino Redentor. Portanto, o ano litúrgico em sentido estrito é o ano solar repetindo a vida de Jesus Cristo pelos tempos santos.

 

246.    2. História. O ponto de partida do ano litúrgico se acha no santo sacrifício da missa, em que "a obra da nossa redenção se celebra". Pois nele se renovam as obras principais desta redenção: a paixão, a ressurreição e a glorificação.

 

A formação do ano litúrgico, na qualidade de tempo sacro, deve-se atribuir à comemoração da obra da redenção em dias determinados. Tais eram os domingos e as festas de páscoa e pentecostes. Cada domingo (dies dominica) é dia de Nosso Senhor e lembra a sua ressurreição. Deste feito todo o ano litúrgico possui um caráter cristocêntrico e eucarístico. Aperfeiçoou-se pelo aumento sucessivo das festas; no século VII-VIII tinha a forma de hoje. Testemunha-o o sacramentário gregoriano, discrepando só no fato de contar 5 domingos do advento em lugar de 4. O jejum antes da páscoa havia já no II século, o qual pouco a pouco se estendeu.

 

247.    3. 0 costume de principiar o ano litúrgico com o advento começou no século XI, ocasionado quiçá pelos livros litúrgicos. Pois os antigos sacramentários trazem em primeiro lugar as missas do natal. Para tornar o uso destes livros mais cômodo, foi conveniente pôr as missas do advento antes da festa do natal. Assim fizeram em parte no século X, generalizando-se o costume no século XII. Tendo principiado o livro litúrgico com as missas do advento, a conseqüência foi dar início também ao ano eclesiástico pelo advento. Foi o que fizeram os liturgistas, entre eles já Beletho.

 

Na idade média havia vários modos de começar o ano: no dia do natal (25 de dezembro), 1° de janeiro, 1° de março, 25 de março, sábado santo, páscoa. Apesar de existirem os elementos do ano litúrgico, o nome "ano eclesiástico" ocorre pela primeira vez em 1589.

 

 

248.    4. A divisão do ano litúrgico em 3 ciclos é ainda mais nova do que o princípio dele com o advento. O ciclo do natal e o da páscoa são geralmente admitidos; não o é, porém, igualmente o ciclo de pentecostes. Afirmam alguns que nem pela história nem pela matéria se pode justificar este último. Mas deve-se distinguir. Se se toma o terceiro ciclo significando a terceira parte do ano eclesiástico sob o nome de "pentecostes", então este terceiro ciclo é inadmissível, por não ter nada com pentecostes, a não ser o nome dos domingos. Se, porém, se estabelece o terceiro ciclo com o nome de "Cristo Rei", então há razões suficientes para o admitir. (n. 425.)

 

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§ 62. A SEMANA

 

O DOMINGO

 

249.    A semana cristã é a continuação da semana israelítica. Mas o sábado, como dia do culto divino, foi substituído pelo domingo.

 

1. Os primeiros cristãos estavam acostumados a guardar o sábado, o último dia da semana. Depois de acabar este dia (mais ou menos às 6 horas da tarde), celebravam o santo mistério da missa e comunhão no primeiro dia da semana. Assim sabemos que S. Paulo reuniu os cristãos de Trôade para partir o pão eucarístico una sabbati, "no primeiro dia depois do sábado". Em Corinto (1 Cor 16, 2) os cristãos se reuniram pela primeira vez per unam sabbati. No Apocalipse de S. João (1, 10) este dia pela primeira vez é chamado: dia do Senhor (dies dominica, domingo).

 

Em breve o domingo foi recebido pelo uso geral, a ponto de ficarem as seitas mais antigas, p. ex., os ebionitas, com o domingo ao lado do sábado, ao qual deram preferência. O domingo foi chamado também dies solis, o dia do sol, pois que Jesus Cristo é o verdadeiro sol de justiça e santidade.

 

250.    2. A Igreja tem o poder de substituir o sábado pelo domingo. Pois Jesus Cristo aboliu as leis cerimoniais do antigo testamento pela sua morte. Por isso, avisa S. Paulo os cristãos perseguidos por não observarem as leis cerimoniais judaicas (Col 2, 16) que não se importassem com as festas da lua nova ou do sábado. Pois tudo isso era figura do futuro, que se achava cumprido em Jesus Cristo e por conseguinte não tinha mais força obrigatória.

 

251.    3. Motivos para celebrar o domingo.

1) A ressurreição de Jesus Cristo no primeiro dia da semana, mistério fundamental da fé cristã. Por isso nos domingos se recita o Sl 117, que traz as palavras da antífona pascoal: "Heec dies quam fecit dominus: exsultemus et lwtemur in ea." O Senhor mesmo aplicou estas palavras à sua ressurreição (Mt 21, 42): "Nunquam legistis in scripturis: a domino factum est istud et est mirabile in oculis nostris?" São Pedro alude ao mesmo salmo. (At 4, 11; 1 Ped 2, 7.) Por isso, as antífonas das Laudes e Horas menores vêm acompanhadas de 1 ou 3 aleluias como no tempo pascal; não se jejua nem se reza de joelhos, p. ex., as antífonas marianas, o anjo do Senhor. S. Agostinho explica este costume, dizendo (Ep. 55, 28): Stantes oramus, quod est signum resurrectionis.

2) O dia da criação do mundo. Lembrança disso há nas vésperas: Lucis Creator optime.

3) O dia dá descida do Espírito Santo. Por isso o domingo era "o dia da Liturgia" e o tipo de todas as festas, que durante o ano eclesiástico se celebravam com vigília e descanso dominical. (Piacenza, Reg. p. 29.)

 

252.    Sendo comemoradas assim as três Pessoas divinas no domingo, foi ele considerado como dedicado à SS. Trindade. Fala deste santo mistério o hino das matinas: "Primo die quo Trinitas Beata mundum condidit"; o responsório 8 com o Sanctus, Sanctus, Sanctus, o símbolo Quicumque, o prefácio da SS. Trindade.

 

Mas o domingo não foi igualmente por toda parte considerado primeiro dia da semana. Em vários países era o último dia da semana, porquanto esta começava pela segunda-feira. Pela legislação eclesiástica e civil o domingo se tornou dia de descanso no sentido cristão desde o século IV. Assistir à missa nos domingos tornou-se obrigação para todos os adultos desde o princípio do século IV. (Sínodo de Elvira, 306.)

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§ 63. DIVISÃO DOS DOMINGOS

 

253.    1. Classes. No missal, p. ex., o primeiro domingo do advento traz a rubrica: 1 classis. Semiduplex. É uma contradição aparente. Pois os domingos são classificados segundo a dignidade (p. ex., 1 classis) e o rito (p. ex., semiduplex).

a) Quanto ao rito, todos os domingos são semiduplex com exceção de 3: Dominica paschalis, Dominica iri Albis, Dominica Pentecostes.

b) Quanto à dignidade, distinguem-se maiores e menores ou comuns (per annum).

c) Os domingos maiores dividem-se em 2 classes conforme o seu respectivo privilégio de preferência.

aa. Os domingos da primeira classe são preferidos na ocorrência (portanto não nas vésperas) a todas as festas são 10: o 1° domingo do advento, os 4 domingos da quaresma e os 4 seguintes até ao domingo da pascoela, e pentecostes. As festas incidentes devem ser transferidas.

 

254.    bb. Os domingos da segunda classe são preferidos a todas as festas menos às de primeira classe. São 6: o 2°, 3° e 4° do advento, os três antecedentes à quaresma: setuagésima, sexagésima e qüinquagésima.

 

2. Privilégios. Todos os domingos têm os seguintes privilégios:

a) Neles nenhuma festa pode ser fixada para sempre. Exceções: festa da S. Família, da SS. Trindade, de Cristo Rei ou de outra festa por dispensa rara da S. C. dos Ditos.

b) Nenhuma festa pode ser transferida para um domingo.

c) Nenhum ofício de domingo se omite totalmente; quando impedido deve ser comemorado no ofício e na missa com seu prefácio próprio, ao menos por via de regra, e a missa impedida deve ser rezada na semana seguinte, conforme regras especiais.

 

3. Número. Nos livros litúrgicos são indicados 53 domingos e 53 ofícios de domingos. Se A é letra dominical ou (no ano bissexto) é uma delas (A g, bA), i. é, quando o 1° de janeiro cai num domingo, ou, no ano bissexto no sábado, lodos os 30 ofícios depois de pentecostes (24 mais 6 da epifania) têm o seu domingo, do contrário só 29, e um ofício antecipado no sábado com os direitos de domingo. Pois, neste caso, são só 52 domingos.

 

255.    4. Vacantes são os domingos sem ofício e sem comemoração. Ocorrem, às vezes, entre o dia 25 de dezembro e 13 de janeiro e são ocupados por festas.

Vagos (móveis) se chamam o 3°, 4°, 5° e 6° domingo depois da epifania, porque não são fixados num lugar certo, sendo celebrados, ora depois da epifania, ora depois de pentecostes.

 

256.   5. O primeiro domingo do mês é, na acepção civil, aquele que cai no dia primeiro do mês ou vem logo depois dele. Este cômputo é necessário, quando se trata de fixar uma festa num domingo determinado ou de ganhar indulgências concedidas para certo domingo do mês. No cômputo propriamente eclesiástico o primeiro domingo do mês é aquele que cai no dia primeiro ou que vem mais perto dele. Se o dia primeiro do mês cai numa segunda ou terça ou quarta-feira; o primeiro domingo é aquele que precede estes dias; se cai nos outros dias, é o domingo seguinte. Faz exceção o primeiro domingo do advento que é determinado em relação à festa de S. André. (30 de nov.) Este cômputo decide o princípio das lições da s. escritura no ofício divino.

§ 64. OS DIAS DA SEMANA

 

 

257.    1. Nomes. O nosso domingo era chamado pelos israelitas primeiro dia depois do sábado (una = prima sabbati), os dias seguintes eram designados com o número ordinal. Este modo foi recebido pela Igreja, mas modificado quanto ao primeiro e último dia, que tomaram o nome de domingo e sábado. Além disso a Igreja acrescentou ao número ordinal o termo feria, falando da Feria secunda, Feria tertia. Quis significar que os clérigos devem deixar o cuidado das outras coisas para "feriar" só para Deus. (In festo S. Silvestri, 31 dec.)

Os pagãos falavam do dies soils, lunce, martis, mercurii, jovis, veneris et saturni, termos às vezes empregados também pelos s. padres dos primeiros séculos.

 

258.    2. Dias principais. São os dias que, ainda hoje, no ano eclesiástico têm uma posição especial na quaresma e nas quatro têmporas: a quarta-feira, a sexta-feira e o sábado.

A sexta-feira, tanto no Oriente como no Ocidente, foi consagrada à paixão de Jesus Cristo. Foi neste dia que o Senhor foi pregado na cruz para satisfazer por nossos pecados. Em sinal de luto e penitência guardava-se nele o jejum.

A quarta-feira lembra a traição de Judas, que neste dia vendeu o divino Redentor por 30 siclos. Esta circunstância motivou o jejum de penitência na quarta-feira.

O sábado era celebrado no Ocidente do mesmo modo que no Oriente. No Ocidente encontramos pelo fim do século III o uso de jejuar no sábado. Provavelmente tem a sua origem no fervor dos cristãos que estenderam o jejum da sexta-feira até ao sábado (superponere jejunium). Nestes três dias mencionados nem em Alexandria nem em Roma havia missa. Eram dias de estação (statio), dias alitúrgicos. Provavelmente feria só é a tradução do hebraico sabbatum, descanso. Pois S. Jerônimo (Ad Gal. II, 4; ML 26 p. 378) chama a quarta-feira cristã quartam sabbati.

 

259.    3. O sábado, ao menos desde o fim do século X , é consagrado à Maria Santíssima.

Durandus (IV, c. 1, n.° 30-35) alega os motivos seguintes, que com reserva merecem ser mencionados.

1. Achava-se numa igreja de Constantinopla uma imagem da Virgem SS., diante da qual pendia uma cortina que a cobria toda. Esta cortina desaparecia na sexta-feira depois das vésperas sem alguém a tocar, só por um milagre de Deus, para que a imagem pudesse ser vista totalmente pelo povo. Depois das vésperas do sábado a cortina cobria outra vez a imagem e ficava assim até à sexta-feira seguinte. Por causa deste milagre determinou-se cantar sempre neste dia em honra da SS. Virgem.

2. Quando o Senhor estava morto e os discípulos desesperaram da ressurreição, naquele sábado só nela ficou toda a fé. Ela estava certa de que Cristo era filho de Deus e havia de ressurgir no terceiro dia.

3. O sábado é a porta do domingo, portanto a porta do céu, cujo símbolo é o domingo. Ora, Maria é a porta do céu. Por isto a festejamos no dia que precede o domingo.

4. A solenidade do filho (sexta-feira) deve seguir-se imediatamente a solenidade da mãe.

5. Convém que no sábado, em que Deus descansou da sua obra, haja alguma solenidade.

Quanto à 1ª razão é preciso notar que uma crença popular e ingênua pode ser a causa próxima de uma devoção fundada em motivos sólidos. A 2ª razão dificilmente se compõe com a promessa de que S. Pedro nunca havia de vacilar na fé. Bento XIV (de fest. c. 5, n. 8) diz: "Nem todos os teólogos defendem a sentença de que os apóstolos perderam a fé, a qual era firme só na Virgem SSma. Pois Pedro, negando a Cristo, não cometeu outra falta além de ter medo de confessar a Cristo aberta e livremente. A sua alma contudo estava isenta de qualquer erro. Nem Cristo teria encomendado sua mãe caríssima a S. João, se ele tivesse perdido a fé." (Suarez, de fide disp. 9. sect. 3.)

 

O mesmo papa (de fest. B. M. V. I. II c. 18 n. 2) escreve: Belarmino observa que Madalena estava abrasada de grande fogo de caridade como se vê em Jo. 19 e 20. Ora, a caridade não se pode separar da fé. Até acrescenta: Parece ser perigoso dizer que só na Virgem SSma. ficou a verdadeira Fé. Desta maneira a Igreja teria perecido. Pois uma pessoa não pode ser chamada Igreja, porquanto a Igreja é um povo e o reino de Cristo. (Bellarm. t. II. controvers. 1. '3, de eccl. mil . c. 17.)

A 4ª razão será a decisiva. Começou-se a jejuar na sexta-feira e continuou-se em honra da mãe. Stabat iuxta crucem fesu Mater eius. (Jo 19, 25.)

No Liber sacramentorurn do séc. VIII para cada dia da semana está assinalada uma missa votiva própria. Pois não havendo muitas festas de santos não era possível evitar a repetição da missa do domingo. Para aliviar a devoção pela mudança das fórmulas da missa e para achar auxílio nas necessidades por missas especiais formou-se o costume, fixado mais tarde por Pio V, de consagrar os dias da semana ao culto de Deus trino e dos santos segundo a dignidade indicada na ladainha de todos os santos: Deus, Maria, José e Apóstolos.

 

O domingo está consagrado à SS. Trindade, com preferência considerada na unidade da essência divina.

A segunda-feira, sendo Maria SS. venerada no sábado, dedicou-se à SS. Trindade, considerada expressamente na trindade das Pessoas divinas, a terça-feira aos anjos, que têm o terceiro lugar, a quarta-feira aos apóstolos que ocupam o quarto lugar no céu. Com o conhecimento mais profundo da dignidade de São José superior à dos apóstolos, a ele se deu o quarto lugar, logo depois dos anjos, e a sua missa votiva (1883) foi marcada também para a quarta-feira. A quinta-feira sempre esteve dedicada à SS. Eucaristia, a sexta-feira à cruz, o sábado à Maria SSma.

A missa do Espírito Santo se reservou para a quinta-feira, dia este, em que se realizou a ascensão de Jesus Cristo, de que dependia essencialmente a abertura da porta celestial e por conseguinte a descida triunfal do Espírito Santo. (lo 16, 7, Pref. de Sp. S.) A segunda-feira é o dia das almas.

 

O ensejo desta instituição parece ser uma suposta revelação divina em que se afirma ter outorgado Nosso Senhor aos condenados repouso de seus tormentos todos os domingos em honra de sua ressurreição. A notícia se acha no apocalipse apócrifo de São Paulo do séc. IV e tornou-se opinião muito espalhada. Com o correr dos séculos o privilégio dos condenados foi transferido para as almas do purgatório. Assim São Pedro Damião, seguindo, como ele diz, "a piedosa opinião de homens ilustres", ensina que as almas do purgatório no domingo estão livres dos sofrimentos' mas devem voltar para as penas na segunda-feira.

Por isso é mister socorrê-las neste dia. A Igreja, com a sua solicitude maternal, sem adotar esta opinião, prescreve, quando não obstam as rubricas, a oração "Fidelium" pelos defuntos e permite a missa conventual de réquie na segunda-feira. (Franz:Messe i. d. Mittel pág. 144 MI. 145 pág. 564; 427; Durand IV, 1 n. 29.) O fundamento dogmático decisivo para a Igreja é a comunhão dos santos. No domingo se comemora a Igreja triunfante, logo depois na segunda-feira a Igreja padecente, à maneira da festa de Todos os Santos e do dia de finados.

 

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§ 65. DIVISÃO DAS FÉRIAS

 

 

260.   1. Segundo a dignidade, as férias dividem-se em férias maiores e menores. Maiores são as férias do advento, da quaresma, das quatro têmporas de setembro, da segunda-feira das Rogações.

As férias maiores são privilegiadas ou não privilegiadas. As privilegiadas são 7: A quarta-feira das cinzas e os 6 dias da semana santa (S. R. C. 1.0 nov. 1931). São preferidas a todas as festas.

As férias maiores não privilegiadas são preferidas somente às festas simples e vigílias, mas são comemoradas nos ofícios de 9 lições.

Menores ou per annum são todas as férias fora das férias maiores. Não tem comemoração, quando se celebra outro ofício.

 

261.   2. Ofício. A féria menor não tem I vésperas, principia, portanto, pelas matinas e termina com as vésperas e completas do dia.

Precede um simplex, as vésperas são da féria respectiva, porquanto o simplex não tem II vésperas. Segue-se urna festa, embora simplex, o ofício da féria termina com a noa, e as vésperas são da festa seguinte, sem comemoração da féria. Ocorre um simplex ou simplificado numa féria maior, as vésperas do dia anterior são da féria, como no saltério, com comemoração do simplex ou simplificado. Pois não se rezam as vésperas de um ofício, que na sua maior parte é simplificado. Pars maior trahit minorem.

 

262.   3. Composição do ofício ferial. Invitatório, hino, os 9 salmos e antífonas (omitido o versículo do 1º, 2º noturno) e o versículo do 3º noturno da féria respectiva. Lições e responsórios do próprio do tempo; no fim da 3ª lição no tempo da páscoa — Te Deum, o qual fora deste tempo e na segunda-feira das rogações se omite. Nas laudes se rezam nas férias menores as antífonas e salmos da 1ª série; no advento, no tempo entre a setuagésima até à semana santa, nas vigílias comuns (exceto a vigília da ascensão), nas quatro têmporas, da 2ª série.

 

263.   A capítula da féria respectiva. A oração, se não houver própria, é a do domingo precedente. O sufrágio, fora do advento e do tempo da paixão (no tempo pascal commemoratio crucis), se não houver comemoração de um duplex, de uma oitava, ou de um oitavo dia simplex, item na sexta-feira depois da oitava da ascensão e na vigília de pentecostes.

As preces feriais recitam-se no advento, na quaresma até à semana santa, inclusive, nas quatro têmporas, mesmo se se fizer a comemoração de uma oitava, de um duplex ou semiduplex (A. B. VIII, 3).

 

264.   4. A prima é rezada como está indicado no ordinário e saltério.

a) Se nas laudes se tomou a série, a prima tem além dos 3 salmos costumados um quarto salmo, a saber, o primeiro da 1ª série de laudes, que havia sido omitido e substituído pelo Miserere.

b) A capítula é: Pacem; só nos dias de domingo antecipado e do tempo pascal: Regi.

c) Se houver preces feriais nas laudes, há-os também na prima; se não, há dominicais.

5. Terça, sexta, noa como no ordinário e saltério. Preces feriais, se houver na prima.

6. Vésperas como no ordinário, saltério, e próprio do tempo. Sufrágio e preces feriais como nas laudes.

7. Completas como no ordinário e saltério. Preces como na prima.

 

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§ 66. AS QUATRO TÊMPORAS

 

 

265.   1. Nome. Quatro têmporas ou só têmporas se chamam a quarta-feira, a sexta-feira e o sábado das 4 semanas seguintes: primeira da quaresma, primeira de pentecostes, terceira de setembro e terceira de dezembro; nestas semanas há jejum.

 

2. Origem. Influíram provavelmente vários elementos. Conforme uns autores as quatro têmporas são o vestígio da antiga semana cristã com 3 dias de jejum; conforme outros, foram instituídas para santificar o início das 4 estações do ano. Mais provável é que sejam resultado de várias reflexões.

a) A idéia de jejum algumas vezes por ano acha-se na escritura sagrada do antigo testamento. Estes textos são citados nas lições dos sábados das têmporas de setembro. O profeta Zacarias (8, 19) menciona quatro épocas de jejum para Israel. O Papa Leão Magno (Sermão 92; 79; 12) ensina que as têmporas fora da quaresma foram instituídas pelos apóstolos.

 

266.   b) Foi em Roma que primeiro se celebravam as 3 têmporas do verão, outono e inverno. O número 3 se explica por certas festas pagas que ocorriam três vezes por ano, feriae sementinae (inverno), feriae messis (verão), feriae vindemiales (outono). As têmporas contrabalançavam os excessos dos idólatras. Assim se explica o fato, um tanto estranho, de que o Oriente não conhece as têmporas. O Líber Pontificalis diz que o papa Calisto (+ 233) instituiu estas 3 têmporas.

 

c) S. Leão Magno menciona pela primeira vez as quatro têmporas relacionando-as com as 4 estações do ano. Deviam ser santificadas pelo jejum.

 

d) O Papa (Gelásio (+ 496) acrescentou as ordenações sacerdotais que ainda hoje se fazem nestes dias. (Cân. 1006, § 2) De Roma, as têmporas se propagaram para todas as igrejas de rito romano. A sua época só foi fixada por Urbano II (1095).

 

Como foi costume antigo cristão jejuar antes das ordenações (At 13, 2), a Igreja, guardando este costume, conferia as ordens nos dias de jejum. Segundo Durandus (II e 1 n.34) as quatro têmporas são as primícias do tempo, porque representam cada vez o inicio de uma nova estação do ano. Os clérigos são as primícias do povo cristão, porquanto estão em lugar dos levitas, os quais Deus reservou para si em troca dos filhos primogênitos de cada família. Por isso convém, que as primícias do povo cristão sejam consagradas a Deus junto com as primícias do tempo, as quatro têmporas.

 

267.   3. A Liturgia das têmporas tem na quarta-feira duas epístolas. A razão histórica é o antigo costume romano e de outras Liturgias de ler duas lições antes do evangelho.

 

Beletho (c. 90) e Durando (VI, c. 8 n. 2) explicam as duas lições com a antiga regra de que, no sábado depois de uma quarta-feira com duas lições na missa, se podem ordenar sacerdotes, e isto seis vezes por ano. Na quarta-feira os candidatos eram examinados e por isso na missa se acrescentava uma lição relativa ao sacerdócio, para significar que os ordenandos devem ser versados no antigo e novo testamento para poder instruir o povo.

 

Nos sábados das têmporas se lêem seis lições, mas provavelmente antes eram doze, como ainda no sábado santo, por causa do escrutínio dos catecúmenos antes do batismo. A quinta lição é sempre a chamada lectio de camino ignis do profeta Daniel. A sua significação é profunda. Como os três jovens passaram pela prova do fogo, assim os candidatos ao sacerdócio devem passar pelas provas exigidas pela Igreja, conforme a lei apostólica: Probentur primum et sic ministrent. (1 Tim 3, 10; Durando VI, c. 10, n. 3.) Depois. dela antigamente se realizavam todas as ordenações, ao passo que hoje são distribuídas pelas várias lições.

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Artigo I. Ciclo de natal

 

 

§ 67. O ADVENTO

 

268.   1. Prioridade dos ciclos. A formação do ano litúrgico teve início pelas festas de páscoa e pentecostes. Só mais tarde acrescentou-se o ciclo do natal, o qual consideramos em primeiro lugar.

 

2. Natureza do ciclo do natal. O ciclo principia pelo advento (= vinda), que abrange 4 semanas de preparação. As festas centrais deste ciclo são o dia de natal de N. S. Jesus Cristo e a epifania. A epifania é mais antiga e liturgicamente superior (2i. ordinis), o natal, porém, (3i. ordinis) tem a prioridade nos mistérios do Redentor e dá o nome ao ciclo. Objeto deste ciclo é a aparição de Cristo na gruta, na circuncisão, perante os magos, perante os discípulos em Caná, perante o povo no Jordão, perante Simeão no templo, perante os doutores (Dom. inf. oct. Ep.)

 

269.   3. História do advento. Na Espanha, já o sínodo de Saragossa (380) prescreveu 3 semanas de preparação para a epifania, em que se celebrava outrora o natal de Cristo. Em Tours, o bispo Perpétuo (+ 491) ordenou 6 semanas de preparação para o natal em 25 de dezembro. Em Roma, o advento é mencionado no Gelasiano (fins do século V). Os domingos do advento foram por muito tempo em alguns lugares 5, ainda hoje no rito ambrosiano são 6, em Roma 4 desde o V século. O rito grego não conhece o advento, mas sim um jejum de 40 dias.

 

O advento começa no domingo próximo à festa de Santo André. (30 de nov.) Se a festa ocorre na primeira metade da semana, o advento começa na festa ou no domingo precedente, do contrário, no seguinte. A razão mística porque Santo André introduz o ano eclesiástico é o seu empenho de conduzir seu irmão Pedro a Nosso Senhor. A razão natural é o cálculo das 4 semanas do advento. Pois este não pode começar em 26 de novembro, porque seriam mais que 4 semanas (29 dias), nem em 4 de dezembro, porque seriam menos que 4 semanas até a festa de Natal. Só o dia 30 de novembro regula o cálculo litúrgico entre 27-11 e 3-12.

 

270.   4. Caráter do advento.

1) É o tempo da preparação para o aniversário da vinda do Salvador, causa de novas graças. Pois só a esta se pode aplicar o invitatório nas vésperas de 24 de dezembro: Hodie scietis, guia veniet Dominus et mane videbitis gloriam ejus, repetido várias vezes; a antífona: Crastina die delebitur iniquitas terrae; em 21 de dezembro, a antífona: Quinta die veniet ad vos Dominus.

 

Esta idéia manifesta da vinda do Redentor inspira toda a Liturgia do advento.

No 1º domingo do advento, o Senhor está longe. A antífona das primeiras vésperas é: Nomen Domini venit de longínquo; Aspiciens a longe (1° Resp.); Prope est regnum Dei. (Evang.)

No 2° domingo: O desejo da Igreja é mais ardente, quase impaciente: Jerusalem, cito veniet salus tua, quare mcerore consumeris. (1.° Resp.) Tu es, qui venturas es. (Evang.)

No 3° domingo Gaudete: Prope est iam Dominus. (Invit.) Alegrai-vos. Pois o Senhor já está perto. Gaudete, Dominus enim propeest. (Capit.) Medias vestrum stetit. (Evang.)

No 4.° domingo: Pulchriores sunt oculi eius vino et dentes eius lacte candidiores (2° Resp.); Videbit omnis caro salutare Dei. (Evang.) Depois os textos do dia 21-24 de dezembro.

 

271.   2) 0 advento é o tempo de preparação para a segunda vinda de Jesus Cristo como muitos textos o provam, mas só em segundo lugar. Os hinos nas matinas, laudes e vésperas mencionam primeiro o nascimento de Jesus, em segundo lugar o último juízo, do mesmo modo a oração da vigília.

 

3) Na Liturgia se encontram continuamente os dois elementos: da penitência e da alegria.

a) Os sinais de penitência: no ofício do tempo, não se canta Te Deum; rezam-se as preces feriais; missa sem Glória com paramentos roxos, sem órgão, ornato simples do altar; o diácono e o subdiácono não usam dalmática nem tunicela (vestimenta laetitiae: Pontif.); em lugar delas se usa o estolão para o diácono nas igrejas maiores e as igrejas paroquiais, quanto a este efeito, são igrejas maiores (d. 3352 ad 7) ; nas outras o diácono e subdiácono vestem só alva, estola e manípulo. (Miss. rubr. XIX, 6, 7.)

b) Os sinais de alegria são: sempre aleluia; o vivo desejo do Redentor nas antífonas ad laudes nos domingos e na última semana; as antífonas O ad vésperas; no domingo Gaudete, em que os paramentos podem ser cor de rosa, é permitido o órgão e o uso da dalmática e da tunicela.

 

4) As regras litúrgicas mencionadas obrigam só nas funções litúrgicas do tempo, não obrigam porém nem nas festas nem nas funções extra-litúrgicas, p. ex., devoções e benção.

 

272.   5. O advento é símbolo do tempo antes do nascimento de Jesus Cristo. Os suspiros: Rorate, caeli, desuper et nubes pluant Iustum (Is 45, 8) e numerosas aspirações distribuídas por todas as partes do ofício e da missa claramente o provam.

 

6. O uso do presépio, antigamente muito espalhado no Brasil, merece ser preferido ao da árvore de natal, que é ornada também pelos incrédulos e pagãos modernos.

 

7. Entre os sinais de alegria deve-se contar o culto especial da SS. Virgem, devido a ela como mãe do Menino Deus. Nos responsórios e antífonas é ela muitas vezes mencionada; a oração de Beata está prescrita como comemoração comum, e em muitos lugares cantam-se as missas: Rorate. Durante o tempo do advento ocorrem duas festas solenes com suas oitavas.

 

273.   a. Imaculada Conceição, a 8 de dezembro, em honra de Maria, concebida sem pecado.

 

Os primeiros vestígios desta festa encontram-se no Oriente em meados do século VIII, no Ocidente no século IX; em Nápoles, na Inglaterra pelo ano 1100 já se encontra com o nome de "Conceição da B. V. Maria". Espalhou-se rapidamente. Sixto V, O. F. M. a introduziu no calendário romano, Clemente IX (+ 1670) acrescentou a oitava, Pio IX com imenso júbilo de todos os fiéis definiu em 1854 o dogma da Imaculada Conceição e elevou a festa a dia santo de guarda.

 

274.   b. Nossa Senhora de Guadalupe, no México, padroeira da América Latina, a 12 de dezembro; antigamente a 26 de fevereiro.

 

Em 1531 Maria SS. apareceu a um índio mexicano, João Diogo, e o encarregou de pedir ao bispo que mandasse construir um santuário em honra dela. Como o prelado desejasse uma prova da veracidade da mensagem, Maria Santíssima apareceu a Diogo outra vez, entregando-lhe rosas lindíssimas, apesar do inverno, tempo em que não havia flores. Na capa, em que as levou ao bispo, apareceu pintada a imagem da Mãe de Deus tal qual Diogo a tinha visto. Foi prova suficiente para se reconhecer que a mensagem era genuína. Erigiu-se um templo magnífico.

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§ 68. FESTA DO NATAL

 

 

De beleza e encanto admirável são as festas da igreja e merecem ser tratadas com esmerado cuidado. Com razão diz S. João Crisóstomo (In s. bapt. Salvat. MG 49 p. 365): "Muitos celebram as festas e conhecem os seus nomes, mas ignoram a sua origem histórica e ocasional. Merece isto a censura de proceder muito vergonhoso e ridículo."

 

1. O centro do ciclo do natal é a festa do nascimento de N. S. Jesus Cristo junto com a epifania, na qual antigamente, por algum tempo, foi comemorado o dia natalício do Redentor.

 

275.   Nenhuma festa do natal era conhecida nos 3 primeiros séculos. Concluímos este fato do silêncio dos escritores daqueles tempos, que, enumerando os dias da festa, mencionam só o domingo, a páscoa e o pentecostes, p. ex., Tertuliano e Orígenes. Este último até afirma que somente os ímpios, como os Faraós e Herodes, celebravam o dia do seu nascimento. O concílio de Nicéia não faz menção da festa do natal. Eusébio também não fala dela. Arnóbio (por volta de 300, Advers. gentes I c. 34; ML 5 p. 758) ria-se dos pagãos, porque celebravam o nascimento dos deuses. Em tal atmosfera a festa do natal era impossível.

 

2. Pela primeira vez é mencionada no dia 25 de dezembro no ano de 354 em Roma, no catálogo das festas, chamado: Depositio Martyrum, com a rubrica "VIII Kal. Ianuarü natus Christus in Betleem ludeae." Mas, há razões suficientes para supor que já no ano de 336 a festa foi celebrada neste dia. De Roma ela se estendeu rapidamente pela Itália, região de Antioquia, Capadócia, Constantinopla, Jerusalém, Egito e Armênia.

 

276.   3. A data de 25 de dezembro não é o dia natalício de Jesus Cristo, como todos o admitem. Clemente de Alexandria (Strom. I, 145) refere que uns o celebravam no dia 19 ou 20 de abril, outros em 20 de maio; outros preferiam o dia 28 de março ou a festa da epifania. Em Roma foi fixado para o dia 25 de dezembro. Quais fossem as razões de escolher este dia, não as sabemos.

 

a) Explicação levítica. Alguns autores quiseram aproveitar o s. evangelho, Lc 1, 5-8. Ali se diz que Zacarias era da tribo de Abia. As 24 tribos revezavam-se no serviço do templo numa ordem constante. Partindo, portanto, ou do princípio do serviço sacerdotal no novo templo ou do fim na destruição de Jerusalém e atribuindo á tribo Joiaribe, por certas razões, o primeiro lugar, calcula-se o tempo do nascimento de Nosso Senhor. Mas em vão. Pois todo o cálculo carece de fundamentos sólidos.

 

b) A explicação simbólica. Foi outrora opinião que Nosso Senhor morreu no dia 25 de março. Conforme o simbolismo dos números deveria também ser concebido no dia 25 de março e por conseguinte nascer no dia 25 de dezembro. Deve-se respeitar a habilidade de combinação do autor. Mas não se entende como uma idéia artificial possa produzir uma lesta litúrgica. Nem a base é sólida.

 

277.   c) A explicação histórica. Foi indicada já por Petavius (+ 1652), e é sentença comum. Consiste na substituição da festa pagã do sol natural pela festa cristã do Sol divino, Jesus Cristo. A base certa desta explicação é a festa pagã do sol invencível (solis invicti). Atesta-nos esta festa:

a) O calendário de Filócalo do ano 354 com a rubrica: "VIII Kal. Jan. N (atalis) invicti (Solis)."

b) O calendário do astrólogo Antioco do ano c. 200;

c) As festas celebradas no fim do ano pelo imperador Juliano em honra do Sol invictos.

d) Desta festa fala S. Agostinho (s. 190 in Nat. D.), mui provavelmente, dizendo: "Celebremos este dia não como os infiéis por causa deste sol, mas por causa daquele que fez este sol."

 

278.   Esta festa pagã, dedicada a Mitras, deus benfazejo, deus da luz, foi substituída pela festa cristã do natal de Nosso Senhor. Conforme a lenda pagã este deus da luz, sol invictos, nasceu à meia noite de 24 para 25 de dezembro, saindo de uma pedra. Foi adorado pelos pastores (circunstância provavelmente tirada do sto. evangelho). Adulto, venceu o touro inimigo, e, por causa disto, era o deus preferido pelos soldados (Dict. Arch. Mitras) e celebrado principalmente pelos imperadores no fim do século III.

 

O próprio Constantino, ainda pagão, mandou cunhar uma moeda com a inscrição: Soli invicto comiti (Pauly, Mitras), indicando que os imperadores se consideravam como deuses. O culto de Mitras era geral em todo o império romano desde a Inglaterra até à África e à Pérsia, como provam os numerosos santuários de Mitras encontrados nas escavações.

O progresso do cristianismo, o seu triunfo sob o domínio de um imperador cristão era incompatível com o sincretismo cultivado por muitas pessoas até então. Urgia uma decisão. Abolir a festa do sot invictos, que era festa do imperador, era impossível.

Portanto, os cristãos a transformaram numa festa litúrgica, método este que foi também aplicado em outras festas. Ficaram com o dia, eliminaram o Mitras e consagraram a festa ao nascimento de Nosso Senhor, no qual se verificam eminentemente todas as qualidades atraentes, que os pagãos atribuíam ao seu ídolo Mitras. Pois, Jesus Cristo é a verdadeira luz dos crentes, o Sol de justiça, nasceu da Virgem e foi adorado pelos pastores.

 

279.   Também contribuiu para esta substituição a figura do pequeno Mitras. Um altar pagão achado recentemente em Treves representa o nascimento deste deus da luz. É surpreendente a sua semelhança com o Menino Jesus, como se vê pela comparação da figura de Mitras com o do Menino Jesus, obra moderna. Todas estas circunstâncias lembravam o Menino Deus. As autoridades acharam nisto um estímulo para proceder à mudança, os cristãos, convertidos do paganismo, não tinham dificuldade em aceitá-la. Pois o dia 25 de dezembro conservava-se para o nascimento de Deus, não já de um Deus imaginário, mas do Deus vivo. Assim o dia 25 de dezembro não só não perdeu nada do seu brilho, mas foi enriquecido com nova glória. (Holzmeister, Cronologia, p. 39.)

 

A festa cristã foi o golpe de morte para Mitras, cujo culto decaiu rapidamente, e um novo triunfo do Menino Jesus, tão combatido pelos idólatras de Mitras. O mérito desta reforma cabe ao Papa Silvestre (314-335). Pois com boa razão se afirma que a festa do natal já existia no ano de 336. (Dict. d'arch. XII p. 912.) Júlio I reinou de 337-352. Por conseguinte não foi ele que introduziu esta festa, mas Silvestre, homem enérgico e reformador da Liturgia.

 

A lenda de Mitras tem o seu fundamento no solstício do inverno, a partir do qual o sol outra vez se levanta no hemisfério do norte. Chamar isto nascimento também é conforme ao nosso modo de falar: Nasce o sol todos os dias.

 

280.    4. Privilégios.

1) A recitação solene do martirológio.

2) As três missas já em uso antes do século VI. Têm elas a sua origem em circunstâncias locais de Roma (Braun s. v.) e simbolizam, conforme explicação posterior, o nascimento de Jesus Cristo do Pai, o seu nascimento temporal da Mãe, o nascimento místico nas almas. Por causa das 3 missas (Liturgias) o dia do natal é dia polilitúrgico.

 

A primeira missa (a "missa do galo" porque é rezada quando o galo canta pela primeira vez) não pode começar antes de meia-noite. Deve ser missa paroquial (cân. 821, § 2), portanto não privada, mas celebrada com assistência dos paroquianos. Nas casas religiosas e pias, um sacerdote pode dizer as três missas (1. c. 3) com as portas abertas a pessoas estranhas, segundo a interpretação de vários autores. (REB, 1942, p. 1002.) Durante (intra missam) todas as missas se pode distribuir a comunhão. (C. B. 224; Pont. C. Cod. 16.III.36.)

 

A segunda missa antigamente era rezada na igreja de S. Anastácia. Pio V a substituiu por uma missa em honra de Jesus Cristo, mas prescreveu da comemoração da santa.

O sacerdote que diz só uma missa, tome a primeira, se celebra de noite; a segunda, se de manhã; a terceira, se depois de nascer do sol. (d. 3354.)

A missa do galo foi introduzida provavelmente para igualar a festa de natal à solenidade da páscoa com vigília e missa noturna. Talvez influísse o costume de Jerusalém. Não remontará além do séc. IV.

 

 

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§ 69. A OITAVA DO NATAL

 

 

281.   1. A oitava do natal admite a celebração de festas de santos: de S. Estevão, S. João Evangelista, Ss. Inocentes, S. Tomás Becket, S. Silvestre. Fora de S. Tomás (I- 1170) nenhum é celebrado no dia histórico da sua morte. As festas, porém, são antigas: as de S. Estevão e S. João do séc. IV, a dos Inocentes do séc. V, a de S. Silvestre ao menos do séc. VII, talvez mesmo do séc. V ou IV.

 

As razões por que a estes santos foram reservados os dias imediatos ao natal de Cristo, eram, como parece, litúrgicas. A festa do natal é o inicio e o fundamento das outras festas solenes, diz S. João Crisóstomo. Por isso pareceu conveniente que fosse destacada por uma coroa de santos, dos mais célebres, dignos representantes da Igreja. Realmente, S. Gregório Nisseno (+ 394) contemporâneo da introdução da festa do natal a 25 de dezembro no Oriente, menciona no dia 26 S. Estevão, a 27 S. Pedro, João e Tiago, como representantes de todos os apóstolos, a 28 S. Paulo, logo os mais insignes santos da primitiva igreja. As únicas testemunhas da antiga série são S. João e S. Estevão, talvez, diz Beletho (c. 70), porque nestes dias foi consagrada uma igreja em honra deles. Durandus (VII, c. 42, n. 2) aduz razões místicas. Seguindo a S. Bernardo, chama a S. Estevão, S. João e aos Ss. Inocentes companheiros de Cristo.

 

O divino Redentor, diz ele, quer ser acompanhado de mártires de toda espécie: um mártir de desejo, S. João; outros só de fato, os Inocentes; quia non loquendo, sed moriendo Christum confessi stint (Brev.); e um mártir de desejo e de fato: S. Estevão. O dia 31 de dezembro é consagrado ao papa S. Silvestre, provavelmente porque prescreveu o dia 25 de dezembro para a festa de natal e mereceu assim ser comemorado durante a oitava. Mas a sua festa não é feriada, porque a aplicação da missa pelo povo não foi prescrita pela Igreja em honra de S. Silvestre, mas em agradecimento dos benefícios recebidos durante o ano que finda.

 

282.   2. A festa dos Inocentes tem caráter de luto, indicado pelos paramentos roxos, porque não entraram no céu e sim no limbo. Mas já Durandus rejeita esta explicação. (VII, e. 42, n. 11.) Adverte que S. João Batista também não entrou logo na glória e, contudo, a festa dele tem cor branca, Gloria e Te Deram. Por conseguinte, à razão verdadeira deve ser outra. É o luto das mães aflitas. "Vox in Rama audita est, ploratus et ululatus multus" (Evangelho do dia). No oitavo dia, porém, ou se cair no domingo ou for do rito de primeira classe, a festa é celebrada com os sinais de alegria e cor vermelha. Pois o domingo é dia de ressurreição e o número oito símbolo da perfeição, obtida pela glorificação celestial é a futura ressurreição. (Beletho c. 70.)

 

283.    3. A circuncisão de Nosso Senhor, a 1.° de janeiro. No oitavo dia depois do nascimento, o Menino Deus foi circuncidado. A festa encontra-se primeiro na Gália (567), na Espanha, no séc. VII, em Roma, não antes do séc. IX, sendo celebrado só o oitavo dia de natal. Foi introduzida:

 

1) Contra os abusos dos saturnais, festas licenciosas pagãs. É mencionada no sínodo de Tours (567) ;

2) Para santificar o começo do ano civil por uma festa cristã, substituindo-se o ídolo Jano (fama), deus da entrada do novo ano, por Jesus Cristo, a única "porta" (ianua) da felicidade;

3) Para encerrar a oitava de natal;

4) Para honrar a Maria Santíssima, dever de gratidão, porque nos deu o Redentor do mundo. Das Liturgias orientais, a grega, siríaca e jacobitica logo no dia 26 de dez. celebram a festa de Nossa Senhora. (Nilles, Kal. man. 1, 366; 466; II, 700; Stim. d. Z. 1904, p. 554.) No calendário romano ainda no séc. XII, além da missa da oitava, neste dia havia uma em honra da Mãe de Deus. (Beletho, c. 71.) Esta é a razão por que o ofício atual se compõe de elementos das festas da oitava, da circuncisão e de Maria Santíssima. Na circuncisão o Menino recebeu o nome. Por isso, a festa do SS. Nome de Jesus, concedida em 1530 aos Franciscanos e prescrita em 1721 para a Igreja universal, celebra-se no domingo que cai no dia 2, 3 ou 4 de janeiro, conforme as rubricas.

 

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§ 70. A FESTA DA EPIFANIA

 

284.    1. A epifania (apparitio; Dia de Reis) é urna festa coletiva dos três milagres: "hoje a estrela conduziu os magos ao presépio, hoje nas bodas a água se tornou vinho, hoje Cristo quis ser batizado por João no Jordão para nos salvar." (Ant. de Magnif.) Jesus, portanto, apareceu como Deus aos magos pagãos, aos apóstolos em Caná e ao povo israelita no Jordão.

 

2. No Oriente. Epifania era a festa do nascimento de Jesus Cristo, mas só depois do ano 300 (Holzmeister, p. 40), e do seu batismo. Depois foi acrescentado o milagre de Caná. No Ocidente também se comemorava neste dia o nascimento do Redentor, ao menos em um ou outro lugar, não em Roma. As palavras do prefácio e do communicantes da epifania: in substantia nostrce mortalitatis apparuit ou corporalis apparuit, não provam que em Roma a epifania era a festa do nascimento de Jesus Cristo, nem pela suposta antiguidade, por serem relativamente recentes, nem pela prioridade da composição, por serem em parte tomadas da festa do natal e suporem a existência desta festa. (LThK X, 777.) Mas, desde que o dia 25 de dezembro foi admitido como dia fixo do natal, o objeto principal da epifania é a adoração do Menino Deus pelos magos e a vocação dos pagãos á Igreja.

 

O dia da festa é a data de 6 de janeiro, tanto no Oriente como no Ocidente. Tem o seu fundamento na tradição dos basilidianos, seita gnóstica do princípio do II século. Que esta tradição mereça toda a confiança, não é certo. Ao menos toda a Igreja grega aceitou-a como verdadeira. (Holzmeister, Chron., p. 104.) A vigília aparece pelos fins tio século VII, a oitava no século VIII. Epifania era um termo conhecido entre os pagãos e significava a aparição do deus Apolo. Como termo cristão, (Diet. d'Arch. V, 199), epifania (ta epifania, neutr. pl.) é termo técnico e significa na teologia grega a incarnação do Filho de Deus, junto com o nascimento. A comemoração dos três mistérios da festa: adoração dos magos, bodas de Cana e o batismo de Jesus Cristo talvez seria ocasionada por costumes e festas dos pagãos, entre os quais os cristãos viviam. Celebravam-se neste dia. Mas a comemoração cristã não é cópia delas nem tem a mesma raiz que elas.

 

a) Adoração dos magos. Está em relação com a festa do nascimento de Jesus Cristo. A festa do natal no Oriente provavelmente está ocasionada pela festa pagã do equinócio do inverno, na qual os pagãos celebravam o nascimento do deus pagão Mon (sol), já multo tempo antes de Cristo. Disso nos fala Epifánio (séc. IV) dizendo que em a noite de 5 para 6 de janeiro, segundo o calendário juliano, os pagãos levavam uma criança pelo interior do templo com a exclamação: "a virgem deu à luz o aion." Um outro escritor posterior (cuja notícia foi confirmada, Diet. d'Arch. XII, p. 912) diz que isto se fazia no dia 24 para 25 de dezembro e que se gritava: "cresce a luz".

 

A solução da diferença das duas datas está no fenômeno astronômico da precessão do sol. O ponto equinocial se muda devagar continuamente. Em Alexandria atenderam na mudança e celebravam o nascimento do aion no dia 25 de dezembro. Nos outros lugares não sabiam nada da mudança do equinócio e continuavam a festejar o dia 6 de janeiro, ou melhor a noite de 5 para 6 de janeiro. Havia portanto no dia 6 de janeiro uma festa pagã do nascimento de um deus, cujo nome variava: Aion, Dionisio, Osiris, Dusares.

 

Para contrabalançar esta festa pagã os cristãos do Oriente celebravam a festa do Natal de Jesus Cristo, mas só depois do ano 300 mais ou menos. Quando em Roma a festa do natal foi fixada para o dia 25 de dezembro e a data romana era observada também no Oriente, para a festa da epifania restou do mistério de Belém só a adoração dos magos, e com eles a vocação dos gentios para o reino do Messias.

 

b) As bodas de Caná. No dia 5 para 6 de janeiro, conforme Epifânio relata, o povo pagão em muitos lugares celebrava a festa do nascimento do deus Dionisio. Era crença geral que neste dia a água tirada de fontes se transformava em vinho. Os sacerdotes pagãos por maquinismos artificiais sabiam imitar tais transformações. Em várias igrejas do Oriente, os fiéis neste dia tiravam água de poços e fontes, e mais tarde de rios, atribuindo-lhe forças milagrosas, conservando os costumes populares e sugestionados pelos pagãos. Para sobrepujar a festa pagã, aproveitar a idéia da água feita vinho e desviar a fantasia popular dos ídolos para o Redentor, a igreja celebrou o milagre histórico de Caná, em que se tirou água (de uma fonte e se converteu em vinho. Assim se explica o segundo elemento da Epifania.

 

c) Batismo de Cristo no Jordão. A Epifania, celebrada no dia 6 de Janeiro era a festa da aparição de Jesus Cristo em carne pelo nascimento corporal. Mas esta palavra significa também a aparição na glória, como aquela no batismo do Jordão, em que Ele revelou o seu nascimento eterno do Pai celeste. A idéia da água e do rio por outros motivos também no ligara a esta festa. Os basilidianos celebravam neste dia exclusivamente o batismo no Jordão. E assim se explica o terceiro mistério da resta cristã da Epifania. Em Jerusalém se explicava a reunião dos dois mistérios do nascimento e do batismo de Jesus Cristo no mesmo dia, pelas palavras da Sagrada Escritura, que no momento do batismo o Redentor "começou a entrar no seu 30° “ano de idade" (Lc 3, 23); celebrou portanto aproximadamente o aniversário do seu nascimento. (Diet. d'arch. V p. 199.)

 

Qual destes três elementos foi o primeiro a ocasionar a festa não é certo. Provavelmente foi o batismo, como parece constar pelo uso dos basilidianos. O segundo elemento foi o nascimento de Cristo; o qual substituiu o nascimento de Aion. O terceiro elemento foi a adoração dos magos, ocasionada pela fixação do natal para o dia 25 de dezembro na igreja romana. (Stimm d. Z. 1939, p. 207-225.)

 

 

285.   3. Por que se omite nas Matinas: Domine, labia mea, o invitatório e o hino e se começa logo pelo salmo do 1.° Noturno? Durandus (VI c. 16, n.° 8-9) responde que em algumas  igrejas se tem este costume, para indicar a prontidão, com que os pagãos vieram, quando a estrela apareceu. O invitatório não se diz, porque os pagãos não foram convidados, por um profeta falante, mas por uma estrela aluda, envergonhando os que ouvem pregadores e são vagarosos para crer e adorar Nosso Senhor. Esta interpretação é mística. A razão histórica parece ser o costume antigo de que fala Amalário de Metz: "nostra regio in pr es senti officio solita est unum omittere de consuelo more id est invitatórium. Invitatorius est psalmus Venite exultemos Domino." (ML 105 c. 21 p. 1275.) Omitir no início o sl. Venite é antigo costume galicano e remonta com a liturgia galicana até ao séc. V ou IV.

 

A antiguidade deste costume é comprovada:

a) pelo modo antigo da construção do oficio, prescrevendo os sl. 94, 95, 96 com números seguidos;

b) pelas diferentes traduções do sl. Venite, usadas uma por S. Bento no início do ofício, outra no terceiro noturno antes de S. Bento tomada do saltério galicano;

c) pela colocação do sl. Venite no início do ofício, só prescrita por S. Bento e não antes;

d) pela forma do ofício da oitava com o sl. Venite no início, introduzido no século VIII;

e) pelo teor do invitatório festivo do ofício do dia 6 de janeiro: Venite adoremus eum guia ipse est Dominus Deus nosier próprio para uma festa em que se veneram os dois mistérios do natal e da epifania, como existia na Gália no séc. IV, ao passo que nos ofícios posteriores se distinguem as duas festas: Christus natus est nobis; Christus apparuit nobis. O oficio do dia 6 de janeiro é o único de estrutura antiga conservado na Igreja. O invitatório é próprio dele e guarda ainda o nome: "antífona", de que fala S. Bento na sua regra, usando "antífona" em lugar de invitatório!

 

O Sl. 94 com o invitatório era cantado no terceiro noturno provavelmente por causa do povo, que na festa da epifania assistia ao ofício noturno (Ordo rom. XI; ML 78 p. 1035), mas só do terceiro noturno em diante. Assim o Sl. 94 servia de convite solene ao povo para tomar parte nas funções sagradas. Semelhante costume se conserva até hoje na festa de natal nas regiões de influência galicana. Canta-se o "Venite exsultemus" e o terceiro noturno e segue-se a missa de galo. Em algumas regiões na epifania o sl. "Venite" não se rezava no 7. 0 lugar no início do terceiro noturno, mas no fim do segundo, no 8° lugar. (Beletho c. 73.) É posição incompreensível para um salmo tão solene de convite, mas muito natural considerando a entrada sucessiva do povo na igreja no fim do segundo noturno, a fim de assistir ao terceiro noturno e às demais funções. O salmo de convite satisfaz neste caso perfeitamente ao seu fim.

 

O número dos magos nos antigos autores varia entre 3 e 12. Mas desde Leão Magno o número 3 é tradicional. Os nomes aparecem no séc. XI e são pura invenção.

 

286.    4. Funções especiais da epifania são a publicação solene das festas móveis, prescrita no Crer. Episcoporum e antigamente necessária por causa da dificuldade de calcular á data da páscoa; e algumas bênçãos de água (lembrança do batismo), de ouro, incenso, mirra e giz, e a incensação das casas. Os párocos todos os anos na festa da epifania anunciem ao povo as festas móveis segundo a fórmula publicada na folhinha brasileira. (C. B. n. 360 § 1.) Nesta mesma festa ou em outra determinada pelo ordinário do lugar, os curas d'almas, depois do sermão sobre a fidelidade em guardar o grande dom da fé, recitem junto com o povo em língua vulgar o símbolo apostólico e renovem os votos batismais. Todos os domingos e nas outras festas de guarda, antes da missa paroquial ou antes da catequese dos adultos, recitem junto com o povo com voz clara e distinta os atos de fé, esperança e caridade e de contrição. (C. B. n. 472.)

 

287.    5. Desde 1921, a festa da Sagrada Família, instituída por Leão XIII, foi prescrita para o domingo na oitava da epifania. A festa tem importância muito atual por ser a família cristã ameaçada de ruiva pelo bolchevismo.

 

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§ 71. PURIFICAÇÃO DE MARIA SS.

 

288.    1. 40 dias depois do natal, em 2 de fevereiro, celebra-se a festa da purificação de Maria. (Nossa Senhora das Candeias, da Luz, lumen gentium, dos Navegantes stella maris, da Candelária.) É festa do Senhor por ser a comemoração da apresentação do Menino Jesus no templo, de encontro com o santo velho Simeão. (Occursus Domini, ypapanté.) Os seus primeiros vestígios remontam até ao IV século. Em Jerusalém foi festa soleníssima, igual à páscoa, com procissão, sermão e missa (Etéria). Em Constantinopla foi introduzida antes de 518, em Roma, no século VI-VII.

 

2. Em Roma a procissão substituiu uma procissão pagã de lustração: amburbale (in ambitu urbis), um fato, que antigos autores afirmam. "Quam solemnitatem transtulimus in llr,norem Beata Virginis." (Serm. Corb. X séc.) Mais recente é a distribuição das velas. A procissão fazia-se antigamente com paramentos pretos, agora com paramentos roxos, e não se transfere para outro dia, caso a festa da purificação deva ser celebrada mais tarde.

 

A razão mais profunda da introdução desta festa é provavelmente um antigo costume romano baseado nos Sentimentos de piedade e medo. Pois sendo fevereiro o último mês de então estava consagrado ao culto dos mortos com a festa de parentalia. (Pauly VI, 2056 sq.) Portanto honravam os mortos, mas também como autores de males os temiam. Para se defender contra os males, a morte e o influxo de poderes invisíveis, as doenças, mormente a peste, a esterilidade (Geiásio I, 492-496; ep. contra Androm. ML 59, p. 110), era preciso purificar-se. Por ser este mês destinado à purificação, foi chamado februarius, nome este derivado de februare, que significa purificar.

 

A purificação se fazia todos os anos nos lupercalia no dia 15 de fevereiro e no amburbalia, no princípio deste mês. Nos lapercalia os sacerdotes pagãos e outros indivíduos passavam pela cidade batendo nas pessoas com quem se encontravam, homens e mulheres para expelir o "mal". Nos amburbalia os participantes (Pauly, I, p. 1817) levavam fachos ardentes, aproveitando o poder purificador do fogo e da luz. No fundo o dia da purificação foi uma lesta sanitária popular da primavera. (Cf. n. 101.)

 

Quando os cristãos começaram a celebrar o natal de Jesus Cristo, o costume pagão da purificação devia chamar a sua atenção para a purificação da ilibada Mãe de Deus, este mistério tão simpático, que coincidiu com a festa pagã e era muito própria para substituí-la. Celebraram-na no dia 14, depois no dia 2 de fevereiro já que se celebrava o natal no dia 6 de janeiro, ou 25 de dezembro.

 

O costume pagão romano facilmente se tornou conhecido no Oriente pelos muitos romanos que lá se achavam como magistrados, soldados ou romeiros e podia assim ocasionar a festa da purificação. Para os cristãos o mal se condensou no demônio e no pecado, que se deve expulsar pela penitência. Este é o fundamento provável da procissão da penitência em Roma. No Oriente a procissão tomou um caráter festivo. A festa portanto parece ter substituído uma festa pagã. Quando se celebrou a festa da purificação de Maria Virgem no dia 2 de fevereiro, o dia dos parentalia era livre para a festa de S. Pedro, que substituiu esta festa pagã. (Cf. 438.)

 

Na vida de S. Teodósio (séc. VI) conta-se que no tempo do imperador Marciano (450-457) a matrona romana Hiquélia deu a idéia de se levarem na procissão do dia 2 de fevereiro velas acesas em comemoração das palavras de Simeão: "luz para a iluminação dos gentios." (Stapper, Lit. p. 300.) Esta notícia parece confirmar a explicação acima dada sobre a origem da festa. Pois foi uma romana que teve a idéia das velas acesas, provavelmente porque tinha visto a mesma coisa em Roma. Gueranger cita em favor desta explicação (III, p. 519) Bento XIV, Menard, Rocca, Henschenius.

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§ 72. A BÊNÇÃO DAS VELAS, DA CINZA

E DOS RAMOS EM GERAL

 

 

289. Observações.

 

1. Nestas três funções deve dar a bênção o mesmo sacerdote que celebra a Missa (d. 2783 ad 2), com exceção do bispo. O cruciferário revestido de tunicela ou casula dobrada, conforme a cerimônia, deve ser diferente do subdiácono da missa, e deve levar a cruz no dia da Purificação, domingo de Ramos, quinta e sexta-feira santa. No dia de finados leva-o o subdiácono da missa. (d. 2642 ad 1.)

 

2. Paramentos:

 

a) Para o cel. amito, alva, cordão, estola roxa (cruzada por cima da alva), pluvial roxo, se houver (e não casula), sem manípulo (Rub. Miss. XIX, n. 4) ;

b) para o D e o S amito, alva, sem manípulo; para o diácono estola roxa, sem dalmática nem tunicela, mas in ecclesiis maioribus (p. ex., igrejas catedrais e colegiadas) planeta plicata (i. e, uma casula com a extremidade dobrada na parte anterior).

 

3. O C conserva sempre as mãos juntas ao Dominus vobiscum, Oremus, orações, fazendo inclinação à cruz nas palavras que a exigem. Quando a rubrica o mandar, faz o sinal da cruz sobre os objetos a benzer, pousando a mão esquerda sobre o altar.

 

290.    4. Se as funções se fazem com canto, todas as orações terminadas com conclusão longa têm o tonos ferialis, as de conclusão curta têm o de versículo.

5. Ao incenso diz-se a fórmula costumada: Ab illo benedicaris, borrifa-se com as palavras: Asperges me Domine hyssopo et mundabor, lavabis me et super nivem dealbabor, sem salmo nem Gloria Patri (Miss. et Rit.)

A aspersão e a incensação em todas as circunstâncias semelhantes se fazem em forma de cruz, i. é, primeiro no meio, depois do lado da mão esquerda, e por fim da direita.

6. No altar acendem-se mais de duas velas.

7. As funções solenes com D e S, conforme o missal e o Caer. Ep., são obrigatórias nas igrejas catedrais, colegiadas, paroquiais ou filiais que têm o número suficiente de ministros sacros. Nas igrejas paroquiais, onde estes faltam, usa-se o cerimonial simples: com clérigos ou ajudantes. (d. 2970 ad 5; 4049 ad 1.) Valem estas disposições também para o tríduo sacro da semana santa.

 

291.    8. Para as igrejas não paroquiais, deve-se distinguir entre as bênçãos e as funções da semana santa. As ditas bênçãos são lícitas sem licenças especiais por toda parte (d. 2123 ad 5), com cerimonial solene, se houver D e S (d. 3697 ad 17) ; do contrário, com cerimonial simples. As funções da semana santa com cerimonial solene pôde permiti-las o bispo (e para as ordens religiosas provavelmente o superior maior) sob duas condições:

1. que na igreja se conserve o SS. Sacramento;

2. que as funções não coincidam com as funções paroquiais e assim os fiéis possam assistir as funções na matriz. (Ver n. 323, 5.)

As funções da semana santa com cerimonial simples nas igrejas não paroquiais exigem um indulto da S. Congregação dos Ritos. (d. 4049 ad 1.)

 

9. O canto nas funções com cerimonial simples é permitido, de sorte que a paixão se possa ler e a parte depois de Munda cor cantar no tom do evangelho. (d. 4031 ad 2.) A mesma liberdade se tem em outras partes das funções, contanto que haja ao menos dois cantores aptos. (Mem. Rit.)

 

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§ 73. A BÊNÇÃO DAS VELAS

 

 

292.    1. Preparativos.

 

a) Junto do altar, do lado da epístola, mesa com as velas. Sendo preciso, os leigos podem ter nas mãos as velas a benzer. No altar, se for possível, não se põem flores, senão depois da procissão.

b) Sobre a credencia, fora do que é necessário para a missa, põe-se água benta com hissope, bacia, jarro com água e toalha para o C.

c) Na sacristia, os paramentos supra-indicados.

 

 

A BÊNÇÃO SOLENE

 

293.    1. O C, ao aceno do M. d. C., precedido dos ministros ou entre eles (neste caso seguram o pluvial), vai ao altar. Depois da genuflexão, o D e o S sobem com o C para o altar. O C beija o altar no meio e vai para diante do missal. O D e o S colocam-se à direita e à esquerda do C. É este o seu lugar em todas as funções. Quando o C levanta a mão para benzer, o D ergue-lhe o pluvial. Terminada a quinta oração, o D ministra o incenso, o qual o C põe no turíbulo e benze segundo o costume. O D oferece ao C o hissope com os devidos ósculos. O C asperge as velas e, tendo recebido o turíbulo, as incensa. Se o C fizer uma breve instrução sobre o rito desta bênção, poderá sentar-se num mocho no supedâneo do lado do evangelho.

 

Sentido da cerimônia. O clero e o povo toma devotamente a vela para associar-se à procissão em honra de Deus e de Maria, Virgem Mãe, para receber as chamas da caridade, o fogo do Espírito Santo, o próprio Cristo Rei (suscipe regem Christum) no símbolo da luz, e a saúde do corpo e da alma pela misericórdia divina e a intercessão da Mãe de Deus. (Orat. in bened. candel.)

 

294.    2. Distribuição. O C e os MM vão ao meio do altar e, sem inclinação ao altar, voltam-se para o povo. O D entrega a vela destinada ao C ao mais digno do clero, o qual a beija e, de pé, sem beijar a mão, sem estola (d. 2148 ad 5) a entrega ao C, que fica de pé e beija a vela. O C a entrega ao D e recebe do D uma outra que entrega ao dignior. Este a recebe (se não for cônego) ajoelhado no bordo do supedâneo, beijando primeiro a vela, depois a mão do C. (d. 2148 ad 5.) O D não pode entregar a vela ao C. Não estando portanto presente fora dos MM outro sacerdote, o D pousa a vela apagada em cima do altar. O C, de joelhos no meio do altar, a tira, beija e entrega ao D. Em seguida recebem as velas os MM, ajoelhados no bordo do supedâneo, beijando primeiro a vela, depois a mão do C. Entregam a vela aos AAc e sobem para os seus lugares, onde o D passa as velas ao C, e o S, à direita, sustenta o pluvial. A distribuição principia sempre do lado da epístola.

 

295.   Para receber as velas os clérigos vêm dois a dois (Cu'r. Ep. II, 17 n.° 2; 3), ajoelham-se no bordo do  supedâneo, beijando primeiro a vela, depois a mão do C. O povo recebe as velas na balaustrada do mesmo modo. As velas pedem ser distribuídas acesas ou apagadas. Assim que o C recebe a vela, os cantores entoam a antífona: Lumen, etc., que é continuada pelo coro. Depois da distribuição o C lava as mãos no supedâneo, se distribuiu as velas só no altar; se não, diante dos degraus no lado da epístola. Os MM erguem o pluvial. O C sobe entre o D e o vai para o lado da epístola e reza a antífona e a oração Se fôr depois da setuagésima, mas não num domingo, MM, tomando a posição da oração por detrás do C cantam Electamus; Levate.

 

296.    3. Procissão. Ainda no lado da epístola (d. 4198 ad I ), u C põe o incenso no turíbulo. O S vai receber a cruz da procissão (o crucifixo olha para onde o S olha) e coloca-se no meio dos AAc em frente do altar. O D entrega a vela acesa ao C com ósculos, pega na sua, pousa a mão esquerda no peito, volta-se para o povo e canta no tom de versículo: Procedamos in pace. O coro responde: In nomine Christi, imen. O C e o D descem ao fundo dos degraus, fazem genuflexão e põem o barrete. A procissão põe-se em marcha. Na frente vai o turiferário, em seguida o S acompanhado de leis Ac com castiçais, o clero, no último lugar o C e o D (não é preciso elevar a fimbria do pluvial). Durante a procissão cantam-se as antífonas do missal.

 

297.    Ao voltar a procissão o D entrega a sua vela ao Mestre de cerimônias, recebe a do C e a entrega ao M. de C.. O S entretanto coloca a cruz no seu lugar e põe-se à esquerda do C. Todos genufletem, põem o barrete e vão para a sacristia ou feita a genuflexão no degrau, para o banco.

Depois do canto da epístola, o clero e os fiéis acendem as suas velas. Logo que o C tem feito o sinal da cruz, às palavras: Sequentia, etc., recebe a vela com os devidos ósculos. Depois do evangelho todos apagam as velas. Acendem-nas de novo ao Sanctus e as conservam acesas até depois da comunhão, porém só se a missa é da purificação.

 

 

CERIMONIAL SIMPLES

 

 

298.    1. A bênção das velas. O C. paramentado (n. 292), sobe ao altar, beija-o no meio, vai ao missal e lê as orações todas, conservando sempre, também ao Oremus, as mãos juntas, e com as inclinações respectivas à cruz. Enquanto a mão direita benze, a esquerda pousa no altar. Ao pôr o incenso reza-se: Ab illo, etc., à aspersão: Asperges, etc., sem salmo. Depois de incensar, o C. vai ao meio e, de joelhos, toma a vela colocada no altar por um ajudante, beija-a e entrega-a ao ajudante, ou se estiver presente um sacerdote, recebe-a dele, beija-a e entrega-a ao ajudante. Se os cantores entoam: Lumen, etc., o C. distribui as velas. Se não houver cantores, o C. depois de entregar a sua vela, vai ao missal e recita a antífona e o salmo. A distribuição efetua-se como no cerimonial solene. Antes de ir à balaustrada, faz inclinação à cruz. Depois de ter lavado as mãos no supedâneo, se distribuiu as velas, só no altar; se não, diante dos degraus, recita: Exsurge, etc. Flectamus genua, etc., só se diz, quando o dia 2 de fevereiro incidir num dia da semana depois da setuagésima.

 

299.    2. A procissão. Incenso não há. O C (Mem. Rit. novo) recebe no lado da epístola a vela, vira-se para o povo e diz ou canta: Procedamus in pace; respondem os ajudantes: In nomine Christi. Amen. Na frente vai a cruz, depois o C. tendo feito genuflexão no plano, rezando as antífonas respectivas, com o barrete posto. Todos, menos o Ac que vai com a cruz, têm velas acesas, levando-as sempre na mão exterior, portanto, quem vai à esquerda, na esquerda. A procissão pode-se fazer dentro ou fora da igreja. Depois da procissão, o C. faz genuflexão ao altar e ajoelhado no degrau inferior termina as antífonas, entrega a vela ao ajudante e vai vestir-se para a Missa. Põem-se as flores no altar. Durante a Missa, os ajudantes têm as velas acesas ao evangelho e ao Sanctus até à comunhão, porém só se a Missa é da purificação.

 

Para a bênção de S. Brás (03 de fev.), as velas devem-se benzer segundo o Ritual Romano (Bened. non reserv. n. 7); a fórmula prescrita é: Per intercessionem Beati Blasü Episcopi et Martyris liberei te Deus a mato gutturis et a quolibet alio mato. In nomine P'atris et Filii et Spiritus Sancti. Amen. (d. 4387 ad 2.) A eniola é incarnada.

 

Pode-se dar também no próximo domingo seguinte, não só depios da missa, mas durante todo o dia, com ou sem velas acesas. (S. R. C. Brunen. 3-3-1936.)

Segundo alguns autores (Falise, Kieffer, Müller-Umberg) as procissões no dia 2 de fev. e no domingo de ramos em rigor não estão prescritas nas igrejas, onde não obrigação de côro. Com isto concorda a decisão da I H. C. (d. 26 ad 9) que tal procissão se possa omitir em circunstâncias especiais. Benzer as velas comuns não está prescrito. Podem-se benzer nas festas da purificação ou fora deste dia com a fórmula do ritual.

 

 

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Artigo II. O ciclo pascal

 

 

§ 74. O TEMPO ANTEQUARESMAL

 

 

300.   O mais antigo ciclo do ano eclesiástico é o ciclo pascal. O seu centro é a festa da páscoa. Começa no domingo da setuagésima e termina no sábado depois de pentecostes. O tempo antes da páscoa tem o caráter de penitência, que se mostra gradualmente, cada vez com mais rigor. Começa modestamente nos três domingos antequaresmais, aumenta na quaresma, cresce no tempo da paixão, torna-se mais intenso no domingo de ramos e alcança o auge no tríduo sacro da semana santa.

 

1. O tempo antequaresmal abrange os domingos da septuagésima, sexagésima e qüinquagésima. Setuagésima é propriamente o dia setuagésimo; mas designa também toda a época de 70 dias. Dominica in septuagésima (Missal) significa o primeiro domingo na época de 70 dias. No rito grego são realmente 10 semanas, portanto 70 dias de preparação para a festa da ressurreição. Na Igreja romana o nome não corresponde ao número, pois que são só 63 dias até à páscoa. Talvez o nome setuagésima tenha sido adotado do Oriente ou tenha sido formado por analogia com quadragésima, primeiro qüinquagésima, depois sexagésima e setuagésima, para designar o respectivo aumento de urna ou duas ou três semanas de jejum. Estes três domingos já existiam no século VI.

 

301.    2. Neste tempo a penitência é moderada. Só o canto de aleluia emudece como também o Te Deum e o Gloria da missa. A leitura do ofício tira-se do primeiro livro da sagrada escritura, porque o pecado de Adão tornou necessário o Redentor e porque em março principiava o ano civil, ao qual se acomodava a Igreja.

 

302.    3. Durante o tempo antequaresmal multiplicam-se os divertimentos de carnaval, muitas vezes ofensivos à religião. Para reparar ao divino Coração de Jesus as muitas injúrias, é permitido celebrar um tríduo eucarístico no domingo da qüinquagésima e nos dois dias seguintes, ou nos domingos da setuagésima ou sexagésima e dias seguintes. Quem visitar o SS. Sacramento nesta ocasião, comungar e rezar na intenção do papa, pode ganhar uma indulgência plenária. (Bened. XIV.)

 

4. A quarta-feira de cinzas. Nome e história. O nome tem o seu fundamento na bênção da cinza, feita de ramos do ano anterior. A distribuição da cinza tem a sua origem no antigo rito de impor neste dia cinza aos penitentes públicos. Tornou-se, porém, geral para todos os fiéis desde o fim do século XI, e é uma lembrança da humildade e da morte. Começa neste dia o jejum eclesiástico da quaresma. (Fer. IV in capite jejunii.)

 

 

 

§ 75. BÊNÇÃO DA CINZA

 

 

 

303.    1. Na bênção da cinza, que deve ser seca, e não misturada com qualquer líquido (d. 130), procede se em geral como na bênção das velas (n. 289). O C. recita de pé a antífona Exaudi nos. Vai ao meio do altar e voltado para o povo recebe de pé a cinza do dignior do clero, que se põe no segundo degrau. Se não estiver nenhum sacerdote, o C. volta-se para o altar e de pé (Missale novum) impõe-se a cinza a si mesmo, sem nada dizer. Depois recita a antífona Immutemur, etc., e impõe a cinza aos outros, dizendo: Memento homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris. Para isso a deixa cair sobre a cabeça, aos clérigos sobre a coroa, às mulheres no cabelo que aparece na fronte perto do véu, às religiosas sobre o véu, de nenhuma maneira na testa. (Sarmento, p. 15.)

 

As razões são:

 

a). A cruz pintada na testa ocasiona facilmente, riso (experientia teste);

b). O contato mediato não diminui a eficácia do sacramento da ordem, nem da água benta, portanto nem da cinza). No fim lava as mãos. (Cf. Kieffer, Solans.) Outro sacerdote revestido de sobrepeliz e estola pode ajudar o C. a impor a cinza.

 

Além do modo solene e simples da bênção das cinzas, é permitido, conforme a sentença comum dos autores, o modo privado, por conseguinte sem se fazer a bênção necessariamente no altar. A distribuição das cinzas já bentas depois de qualquer missa ou no domingo seguinte é uma como aprovação desse modo privado. O sacerdote começa neste caso pelo Dominus vob., reza as 4 orações do Missal e borrifa as cinzas com água benta, omitindo no antífonas e o incenso. (Solans II, n. 515, que cita Cavaglieri, Telruno, Falise e Appeltern.) Pode impô-la a si mesmo. Sobre o lugar e os paramentos os autores não prescrevem nada, Mas por causa dessa bênção particular não se pode omitir a bênção solene nas igrejas, em que é obrigatória. (Solans, De Herdt.)

Depois da missa privada qualquer sacerdote, revestido dos santos paramentos, pode distribuir as cinzas aos fiéis, porém não impor a si mesmo (d. 2704, 5.)

 

2. A cinza pode ser distribuída também no primeiro domingo da quaresma depois da missa ou independentemente dela, nas Igrejas paroquiais e (com licença do ordinário, para cada caso) nos oratórios das pias uniões, capelas rurais, ou outras, em que haja retiro para operários, sob duas condições:

1.° que na quarta-feira de cinzas se cumpra todo o rito da bênção e imposição da cinza;

2.° que a cinza distribuída no domingo seja tomada da mesma cinza, empregada naquele dia (d. 4373; 4387 ad 1).

 

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§ 76. A QUARESMA

 

 

304.    1. A quaresma (dia quadragésimo) significa primeiro, o último de 40 dias; depois da época de 40 dias, desde a quarta feira de cinzas até o meio dia do sábado santo.

Origem. A quaresma, segundo a doutrina dos santos padres foi instituída pela Igreja para imitar o exemplo do divino Redentor, que jejuou 40 dias no deserto. Começava antigamente no primeiro domingo da Quaresma, cuja secreta ainda guarda a lembrança disso dizendo: Sacrificium quadragesimelis initil solemniler immolamus. Como porém nos domingos não se jejua, no século VII acrescentaram-se 4 dias para se completar o número de 40 dias de Jejum. Assim o jejum e a quaresma principiam na quarta-feira de cinzas.

 

2. O fim da quaresma é indicado pelo Papa Leão Magno (2. Noet. I. Dom).

1º Celebrar o Sagrado Mistério da paixão e ressurreição com pureza de alma e de corpo;

2º Fazer penitência pelas culpas de outros tempos cometidas;

3º Exercer obras de piedade;

4º Atrair sobre si a misericórdia divina, avivar a confiança e renovar todo o homem interior.

 

305.    3. A preparação dos catecúmenos para o batismo era antigamente costume geral. Na quarta-feira depois do quarto domingo da quaresma recebiam o símbolo (Credo in Deum) para decorá-lo. O evangelho deste dia alude ao antigo costume. Conta como o cego curado por Jesus Cristo professou a sua fé com a mesma palavra: Credo, Domine.

O quarto domingo Laetare tem o seu nome da alegria, Ela Igreja por causa dos muitos filhos (Epístola: Multi filii; evangelho: 5000 homens nutridos, pela Igreja) que lhe nascerão no sábado santo, pelo santo sacramento do batismo. A casula cor de rosa permitida neste domingo tira a sua origem provavelmente da bênção da "rosa de ouro" em Roma.

A reconciliação dos penitentes públicos se fazia na quinta-feira santa. Na segunda, quarta e sexta-feira de toda a quaresma estavam obrigados a penitência mais rigorosa. Por isso se reza ainda nestes dias o trato: Domine non seeundum peccata nostra, com genuflexão.

 

306.    4. Um costume particular de Roma eram as estações (statio). Significa esta palavra:

a) O serviço de sentinela militar;

b) A reunião litúrgica dos cristãos, que se consideravam como soldados de Cristo;

c) Desde o século IV o culto divino solene celebrado com assistência das freguesias romarias. O clero reunia-se numa igreja determinada (collecta) e ia em procissão, cantando ladainhas, para a Igreja da estação. Estas procissões serviam para aumentar uma solenidade, p. ex., na páscoa; mas, as mais das vezes, tinham o caráter de penitência, como na quaresma ou nas quatro têmporas. O papa Gregório Magno mandou marcar no sacramentário (hoje missal) os dias e lugares das estações.

 

5. Leis litúrgicas:

 

a) Da quarta-feira de cinza até à quarta-feira da semana santa nas missas de féria diz se Oratio super populum, do modo seguinte: Terminadas as orações do Postcommunio, o C diz pela terceira vez: Oremos, como de costume; depois, sem se endireitar, conservando as mãos postas e a inclinação profunda à cruz: Humiliate capita vestra Deo; em seguida, terminada a inclinação, a oração com as mãos estendidas. (Rit. celeb. t. XI, n. 2.)

b) As outras regras litúrgicas como no advento (n. 271).

 

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