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LITURGIA GERAL

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CAPÍTULO II.

 

OS SANTOS SINAIS

 

Artigo I. Atitudes

 

§ 31. POSIÇÕES DO CORPO

 

107.    Não há dúvida que a atitude exterior do corpo influi sobre a atitude interior e que, aproveitando a alma o seu corpo, procura imprimir-lhe posição tradutora dos seus pensamentos.

 

1. De pé.

 

 1) Significação: Ficar em pé revela reverência, prontidão, alacridade, afeição, confiança, alegria: Se estais de pé em oração (Mc 11, 25), em sinal de reverência. Aarão está de pé diante de Deus e serve-O (Dt 18, 5), em razão do ministério sacerdotal e sua dignidade. Aarão estava de pé entre os mortos e vivos (Nm 16, 45), servindo de intercessor. Os ministros estavam de pé ao serviço do rei. (Est 7, 9.)

 

2) Uso. O celebrante está de pé no sacrifício e na maior parte das funções sacerdotais, como intercessor e medianeiro. O povo está de pé para ouvir o evangelho (prontidão, alegria) e rezar o Credo; também durante o tempo da páscoa e no domingo, que é renovação semanal da ressurreição; e no ofício aos cânticos Benedictus e Magnificat, por serem partes do evangelho. (Durandus V, c. 4, n. 28.)

 

3) Barrete. De pé, em desempenho de uma função litúrgica, nunca se põe o barrete, com exceção do sermão. Por isso, durante a missa solene é litúrgico primeiro sentar-se, depois cobrir a cabeça, ou vice-versa tirar primeiro o barrete, depois levantar-se. Tirar o barrete é a primeira coisa que se faz, ao chegar ao altar, pôr o barrete a última, ao sair do altar. Para se cobrir ou descobrir, serve-se da mão direita, pega-se no barrete pelo lado direito, e põe-se na cabeça, de modo que a ponta dobrada fique do lado esquerdo. (Baldeschi, Martinucci.)

 

108.    2. Genuflexão.

 

1) Explicação. Permanecer de joelhos durante a oração é símbolo de adoração, de humildade e de angústia, de penitência. A genuflexão é simples ou dupla.

 

2) A genuflexão ordinária ou simples faz-se dobrando o joelho direito, sem inclinação da cabeça nem do corpo, sem demora, tocando o chão próximo ao calcanhar esquerdo. Sendo prescrita ao pronunciar muitas palavras, p. ex., Et incarnatus est, a genuflexão se faz devagar.

 

a) Os que estão revestidos de paramentos fazem a genuflexão sôbre os degraus, exceto à chegada e à retirada do espaço do côro (d. 2682 ad 49; 4198 ad 3); os ministros inferiores dobram sempre o joelho até o chão.

b) Saúda-se por uma genuflexão simples a 'cruz do altar nas funções litúrgicas (in actu functionis tantum, d. 3792 ad 11), a cruz da procissão durante a absolvição dos defuntos com exceção do celebrante, bispo, cônego.

c) Nunca se dobra um só joelho, quando não se tem de levantar imediatamente.

d) Só o celebrante faz a genuflexão pondo as mãos sobre o altar, e fá-lo sempre assim.

 

109.   3) A genuflexão dupla faz-se pondo em terra, primeiro o joelho direito, depois o esquerdo, segue-se inclinação medíocre do corpo e, por fim, levantar-se. (d. 4179 ad 1.) Faz-se diante do SS. Sacramento exposto ao entrar e ao sair do espaço do côro; ou, para mudar os paramentos, passando-se do meio do altar para a credência ou de lá voltando ao meio do altar. (d. 2682 ad 49.) Fora disso, usa-se a genuflexão simples.

 

3. Prostração.

 

Fazer prostração quer dizer lançar-se de bruços no chão. É considerada como sinal de humildade, da dor mais profunda, da súplica de maior instância. Esteve em uso na antiguidade; Nosso Senhor (Mt 26, 39) "caiu sobre a sua face". No rito romano é cerimônia rara, p. ex., no principio das funções da sexta-feira santa, na missa do sábado santo e vigília de pentecostes, na colação das ordens maiores.

 

110.    4. Assentar-se.

 

1) Significação. Sentar-se em solenidades é sinal de dignidade, mas também de condescendência dos prelados; compete às autoridades eclesiásticas e civis.

 

2) O bispo está sentado no ato do batismo solene, da confirmação e da ordenação; desde os primeiros séculos o bispo tinha a sua cadeira na Abside da igreja.

 

3) O sacerdote está assentado na administração do sacramento da penitência como juiz, no rito de absolver da excomunhão fora da confissão, na missa solene durante o kyrie, glória, seqüência, credo.

 

 

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§ 32. POSIÇÕES DE PARTES DO CORPO

 

 

111.    I. A inclinação.

 

1) Etimologia. Deriva-se da palavra latina inclinare = dobrar, diminuir, abater, humilhar.

 

2) Interpretando as expressões do missal, do cerimonial dos bispos e os decretos da S. Congregação dos Ritos, p. ex.: alirluantulum inclinatus, inclinatus, pro f undies inclinatus, caput inclinat, os autores distinguem três classes:

 

a) a inclinação profunda do corpo, inclinando-se os ombros de tal forma que as mãos em cruz possam facilmente locar os joelhos;

 

b) a inclinação medíocre ou média do corpo, de sorte que, ficando em pé, se possa ver a ponta dos pés; estando de joelhos, faça-se uma inclinação profunda da cabeça com inclinação dos ombros (d. 4179 ad 1) ;

 

c) a inclinação da cabeça, subdividindo-se em três classes: a profunda, ao nome de Jesus, Gloria Patri, Oremus: é sinal de adoração; a média, ao nome de Maria: é hiperdulia, devida à mãe de Deus; a mínima, ao nome de um santo ou do papa reinante: é símbolo de veneração e respeito.

 

3) Uso.

a) A inclinação profunda da cabeça faz-se à cruz do altar (no evangelho ao livro); na exposição do SS. Sacramento e depois da consagração a inclinação da cabeça se faz ao SS. Sacramento, também no evangelho (d. 3875 ad 4).

 

b) A inclinação da cabeça, devida ao nome de Maria e dos santos, faz-se em geral ao livro, isto é, ao nome nele contido. Se, porém, a imagem principal (não lateral) representa a Virgem SS. ou o santo respectivo, a inclinação faz-se a esta imagem. (d. 3767 ad 25.)

 

Em alguns lugares a rubrica não menciona a inclinação devida nu SS. Nome de Jesus: Rit. cel. t. VII n. 4 (Ofertório); t. X n. 2 e 6 (fração da hóstia e comunhão do sacerdote); Rituale t. IV c. 2 n. 5 (comunhão dos fiéis). Daí alguns autores derivam a regra, que o sacerdote pode omitir a inclinação ao SS. Nome de Jesus, quando está ocupado com outra cerimônia. A S. R. C. prescreveu (d. 2850 ad 1) a inclinação num destes casos, na comunhão do sacerdote. (t. X n. 6.) Por isso outros autores prescrevem a inclinação em todos os casos mencionados. Referem-se além disso ao C. E. (1. II c. VIII n. 46) que diz: cum profert nomen leso, vel Marice inclinat se."

 

112.   c) Ao nome de Maria e do papa faz-se inclinação em todas as missas, também nas de réquie, sempre que ocorrerem; ao nome dos outros santos, quando se diz a missa deles ou comemoração propriamente dita (d. 2572 ad 20; não na oração A cunctis, nem ao nome de Cosme e Damião na oração ferial da quinta-feira depois do 3.° domingo da quaresma), e isto sempre que ocorrer, menos no título da epístola e do evangelho. (d. 3767 ad 25.) Vale isso também para as missas votivas e da vigília (d. 4281 ad 2), porém não de réquie. Ainda que a comemoração de um santo, durante a oitava da sua festa se deva omitir por causa da ocorrência de uma festa de 2.a cl., contudo, ao nome do santo, se faz inclinação (d. 4116 ad 1) ; é uma espécie de comemoração. Se, porém, a festa de um santo se omite, também a inclinação ao seu nome se deixa. Ocorrendo vários nomes, faz-se inclinação prolongada.

 

d) Não se faz inclinação se o nome não designar o santo senão no sentido acomodatício; por conseguinte, não se faz ao nome de Jesus na 3.a antífona das vésperas do SS. Nome de Jesus, nem ao nome de Maria no evangelho e na comunhão da festa da assunção da Virgem (d. 2872 ad 6), nem ao nome de José na epístola da festa do seu patrocínio; tão pouco ao nome Trinitas, Spiritus Sanctus, S. Angelorum; o antigo n. 40 do d. Tuden. (d. 2572), em que a inclinação ao nome da SS. Trindade se chamou conveniente, foi ab-rogado pelos Decr. authent. (Schober, Missa S. Alf., p. 42.)

 

e) Ao nome do bispo faz-se inclinação na oração do aniversário da eleição e sagração, se ele assiste à missa. (d. 2049 ad 3. Solans 1 n. 167, que cita S. Afonso, Merati, Cavalieri, Baldeschi, etc.)

 

113.   f) Se se está de joelhos, não se faz inclinação da cabeça (p. ex., ao nome de Jesus, Gloria Patri) a não ser que esteja prescrita, p. ex., ao Et incarnatus est na missa solene (d. 4179). É uso romano fazer inclinação ao Tantum ergo até veneremur cernui inclusive, para que a posição do corpo combine com as palavras do hino. (Gardellini, Clement. 24, n. 9.)

 

114.    II. Os olhos.

 

Levantar os olhos é recorrer a Deus que está nas alturas, confiar nEle: A vós que estais no céu, levantei os olhos. (Sl 122, 1.) Baixá-los é sinal de humildade: o publicano não ousava levantar os olhos (Lc 18, 13); Nosso Senhor levantou os olhos. (Jo 11, 41.)

 

115.    III. O ósculo litúrgico. (Beijo Litúrgico)

 

1. Significação.

 

a) Em geral é símbolo e expressão da caridade sobrenatural, de veneração e reverência. (Jesus e Simão, Lc 7, 45.)

b) na Liturgia, significa caridade fraterna na missa antes da comunhão e na ordenação sacerdotal.

c) veneração denota o Ósculo do altar consagrado que representa Jesus Cristo, do evangeliário (Laus tibi, Christe, símbolo de Cristo), da patena, da cruz na sexta-feira santa, das velas, dos ramos.

d) é sinal de reverência o Ósculo na mão do bispo ou sacerdote, nas funções litúrgicas;

e) revela gratidão o ósculo na mão, quando se recebe alguma coisa do bispo ou sacerdote.

f) o costume de beijar o do papa deriva-se provavelmente do costume das nações orientais. Inocêncio III explica (1. II, c. 27) "tit summo pontifici summam exhibeant reverentiam et eum ithus ostendant vicarium esse, cujus pedes osculabatur nuttier."

 

2. Uso.

 

a) Recebendo um objeto, beija-se primeiro a mão daquele de quem se recebe, depois o objeto recebido; oferecendo-se alguma coisa, beija-se primeiro esta, depois a indo do celebrante.

b) Ao receber a vela ou o ramo bento, beijam-se primeiro estes objetos bentos, depois a mão do celebrante, por causa da veneração devida a eles em conseqüência da bênção.

c) Os ósculos do incenso e do barrete omitem-se em presença do SS. Sacramento exposto.

 

116.    IV. As mãos.

 

1) Estender e elevar as mãos.

 

a) Origem. Este gesto de oração é geral em todas as nações. É expressão da alma aflita ou necessitada ou jubilosa, que se dirige a Deus, para pedir alguma coisa, confiar nEle, agradecer-Lhe. Por isso também os cristãos o conservaram. Nas catacumbas ainda existem pessoas representadas com este gesto, as chamadas Orantes. Os cristãos viam nesta atitude a imitação de Nosso Senhor, que morreu na cruz com os braços abertos.

 

b) Uso. No rito romano se emprega durante a missa nas partes mais antigas: orações, prefácio, cânon; na consagração da igreja, do altar e outras funções pontificais. Mas, no oficio e na administração dos sacramentos e sacramentais, foi suplantado pelo gesto das mãos postas.

 

c) História. Na idade média o sacerdote, depois da consagração, estendia os braços horizontalmente, representando assim a imagem de Jesus Cristo crucificado. Os dominicanos, os cartuxos e a igreja de Lião ainda conservam esta atitude. Um vestígio dela se conserva no rito romano no uso de cruzar os polegares.

 

2. Pôr as mãos.

 

a) Origem. Este gesto era desconhecido na Liturgia até ao século VIII. Na vida pública, p. ex., na Alemanha, era sinal de homenagem e sujeição. O vassalo prometia fidelidade ao rei pondo as mãos juntas nas mãos dele. Já no século 12 este modo de rezar era geral.

 

b) Uso. Este gesto liturgicamente se faz, juntando as duas mãos estendidas e cruzando os polegares diante do peito. O outro modo de juntar as mãos com os dedos entrelaçados não é litúrgico.

 

117.    3. Imposição das mãos.

 

 a) Origem. Usava-se no antigo testamento; em o novo, Nosso Senhor muitas vezes se servia desta cerimônia.

 

b) Significação. Em geral denota comunicação de graças. aa) É rito visível do sacramento da confirmação e da ordem. bb) É sacramental, comunicando conforto espiritual e corporal, no rito da visita aos doentes (Ritual). cc) É exorcismo no rito do batismo e do exorcismo solene. dd) É símbolo da oblação de si mesmo e do povo em união com o sacrifício de Nosso Senhor no Hanc igitur.

 

4. Bater no peito.

 

a) É símbolo da consciência culpada; já era conhecido pelos israelitas. (Lc 18, 3.)

b) Usa-se na missa, ao Confiteor, Nobis quoque, Agnus Dei, Domine non sum dignos; fora da missa, nas ladainhas e ao Confiteor. Faz-se com a mão direita, quer estendida, quer meio aberta, sem ruído.

 

118.    5. Sinal da cruz.

 

a) Origem. Desde os primeiros tempos cristãos os fiéis usaram o sinal da cruz, o qual, segundo Tertuliano, remonta aos apóstolos e foi provavelmente instituída por Nosso Senhor. (Suarez in 3 q. 58, art. 4, disp. 51, sect. 2; Lapide, Ben. XIV.) Ele conta que os cristãos empregavam a cada passo o sinal da cruz.

 

b) Modo de fazê-lo. No principio, provavelmente com referência ao Apocalipse (7, 2 e 9, 4), faziam a cruz com um dedo da mão direita sobre a fronte, no século IV sobre a fronte e a boca, no século XII, na fronte, na boca e no peito. Faz-se agora (persignar-se) com a polpa (e não com a unha) do polegar. A grande cruz (desde a idade média) faz-se passando a mão estendida (Rubr. Miss.) da fronte ao peito no meio, e do ombro esquerdo ao ombro direito.

 

Maldonado, natural da Espanha, diz que os três sinais da cruz se fizeram por causa dos arianos, outrora muito numerosos naquele país. Os católicos quiseram declarar por todos os modos, que não eram arianos; por isso fizeram o mesmo sinal da cruz três vezes, professando desta forma a igualdade das três pessoas divinas. (zacaria II, 2 disp. II § XIV.)

 

119.    c) Uso. A pequena cruz emprega-se na recitação do evangelho, no rito do batismo, no exorcismo e em todas as unções. A grande cruz faz-se em todas as bênçãos e frequentemente na missa; na missa solene 53 vezes. A fórmula Trinitária que acompanha a cruz remonta até idade média (c. século VI). Nas funções litúrgicas emprega-se relativamente raras vezes e só, se não são prescritas outras palavras.

 

d) Significação. É sacramental e comunica a graça de Deus e proteção contra os perigos, doenças e o demônio. Símbolo da fé na SS. Trindade e na redenção. Depois da consagração da missa, relembra que no sacrifício da missa se renova o sacrifício da cruz. Portanto, não é, nem pode ser ato de benzer a Nosso Senhor presente na santa hóstia (ver n. 511). A cruz sobre o evangeliário diz que a fonte do evangelho é o crucificado. O povo faz o sinal da cruz também, pronunciando o Gloria Patri. Com toda a razão. Pois é fórmula Trinitária e conclusão de parte da oração, imitando a cruz no fim dos Hinos glória e credo.

 

Artigo II. Elementos materiais.

 

Na bênção real distinguimos a bênção e o objeto capaz mia bênção, ou o elemento. De alguns elementos materiais levemos tratar.

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§ 33. A ÁGUA

 

120.    1. Uso. A água usa-se na Liturgia para obter a água batismal, a água benta e a água gregoriana (na consagração da igreja),' para misturá-la com o vinho no ofertório da missa e para diferentes purificações.

 

2. Significação.

a) Em geral a água é o símbolo da pureza interior e moral.

b) A respeito da mistura da água e do vinho na missa, diz o catecismo romano (P. II, c. 4, q. 15): "A igreja de Deus sempre misturou água com vinho.

1. porque Nosso Senhor o fez, como se prova pela autoridade dos concílios e pelo testemunho de S. Cipriano;

2. porque por esta mistura Se renova a lembrança do sangue e da água que saíram do seu lado;

3. porque "as águas", como se lê no Apocalipse (17, 5), designam os povos; por isso a água acrescentada ao vinho significa a união do povo fiel com Cristo, a Cabeça."

 

3. História. Purificações religiosas havia-as entre os pagãos e israelitas. Os cristãos adotaram este rito. Costumavam lavar as mãos todas as vezes que rezavam. Para este fim serviam as fontes existentes no átrio das basílicas.

 

4. A água benta é sacramental e comunica às pessoas e aos objetos aspergidos proteção contra os espíritos infernais e auxílio divino à alma. Era conhecida no Oriente já no século IV, no Ocidente no século V.

 

A experiência dos santos confirma a veracidade das palavras da igreja. S. Teresa de Avila (Vida c. 31) diz da água benta: "Muitas vezes fiz a experiência de não haver nada de que fogem mais os maus espíritos sem voltar. Fogem também da cruz, mas voltam logo. O poder da água benta deve ser grande." Em outro lugar (Cartas I, 33) diz: "E' preciso aspergi-la em redor de si." A mesma experiência fez a beata A. M. Taigi. Apareceu à porta de sua casa um cardeal. Confundida por tal honra, levanta-se, beija-lhe a mão e pede-lhe a bênção. O cardeal dá-lhe conselhos, p. ex. de mudar de vida, de desistir das suas austeras penitências, de gozar a vida como os outros. A beata reconheceu o demônio, benzeu-se e atirou água benta contra o tal purpurado, que desapareceu com toda a pressa.

 

 

§ 34. O PÃO

 

121.    1. História. No antigo testamento o pão era matéria de sacrifício, já antes do culto mosaico. Pois Melquisedeque ofereceu o sacrifício de pão e vinho, o qual foi tipo do pão eucarístico. O pão litúrgico no culto cristão, antigamente, era oferecido pelos fiéis. Tinha a forma de bolos chatos, redondos, triangulares, ou anulares. As hóstias em forma de moedas foram introduzidas no século XI. (Braun, s. v.)

 

2. Significação. O pão representa:

 

a) toda a vida humana; a vida corporal, por ser o alimento principal; a vida espiritual, por ser o produto da inteligência e da vontade;

b) a união do fiel com Jesus Cristo e dos fiéis entre si, por ser confeccionado de muitos grãos moídos, que todos formam um único pão.

 

3. No Ocidente o pão era ázimo, isto é, feito sem fermento, ao menos desde o séc. VIII e, desde então está prescrito pela lei eclesiástica. (Cân. 816.) No Oriente é lícito só o fermentado. (Cf. n. 490.)

 

Pela tradição da Igreja sabemos que Jesus Cristo prescreveu para a consagração pão de trigo sem determinar o modo da preparação. Por isso tanto o pão ázimo como o fermentado é matéria válida. (Conc. Flor.) Nos primeiros séculos parece que se usava um e outro indistintamente. Desde o séc. VIII-XI, a igreja oriental prescreveu o pão fermentado, interpretando neste sentido as palavras de S. João (13, 1) que Jesus antes da festa da páscoa" instituiu o SS. Sacramento; por conseguinte tinha pão fermentado. A igreja ocidental prescreveu o pão ázimo, porque os três outros evangelistas dizem que N. Senhor instituiu a S. Eucaristia "no primeiro dia dos ázimos". Em todo caso os quatro evangelistas falam do mesmo dia da semana.

 

Uma das soluções desta diferença aparente é a seguinte: Quando a páscoa israelitica caia no sábado, o cordeiro pascal se devia matar ao pôr do sol (Deut. 16, 6) da sexta-feira. Mas esta hora já era sábado, em que não era licito trabalhar, p. ex. matar os cordeiros. Por isso era permitido antecipar a matança dos cordeiros para o "pôr do sol" da quinta-feira e comer o cordeiro ou na sexta-feira, ou antecipadamente na quinta-feira. Nesta solução da ceia antecipada é fácil conciliar os evangelistas. A "festa da páscoa" de S. João começou ao "pôr do sol" da sexta-feira. "Antes da festa" é portanto o "pôr do sol" da quinta-feira. O primeiro dia dos ázimos dos outros evangelistas era a mesma quinta-feira. Por conseguinte todos os evangelistas designam o mesmo dia para a instituição do SS. Sacramento (Holzmeister, chronologia), e a interpretação dos gregos é "completamente falsa". (Leo IX M L 143 p. 775.) Esta convicção do papa é doutrina comum no ocidente, mas não é dogma (Calmet, dissert. in noviss. pascha) que o pão na última ceia foi ázimo.

 

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§ 35. O PÃO SACRIFICAL

 

 

122.    1. Matéria válida para a preparação das hóstias é só a farinha de trigo assim como vem do moinho. Não importa, se contém partes da casca dos grãos.

Matéria inválida seria a massa da qual pela lavagem feita ou pela água corrente, ou junto com a manipulação, se tira o glúten e outras partes do grão e resta só o amido. Pois o pão assim preparado não é de farinha no sentido comum. Da mesma maneira o glúten não é matéria válida pela mesma razão.

 

2. A preparação do pão para a Eucaristia outrora era às vezes muito solene e inspirada na fé viva. No convento dos monges beneditinos de Hirsau, quatro religiosos coziam as hóstias, sendo três deles diáconos ou sacerdotes revestidos de alva. (Eisenh. lI, p. 132.) Muitos sacerdotes seculares preparavam as hóstias pessoalmente. Pois este serviço só se pode entregar a pessoas conscienciosas e bem instruídas, para que, por ignorância ou mal entendida arte, não se forneça pão inválido.

 

123.    Tempo útil para as hóstias. São seguras as seguintes regras:

 

I. Regra. As hóstias a consagrar devem ser recentes (cân. 1272), isto é, cozidas quanto muito vinte dias antes. É citado nos Decr. auth., t. IV, p. 280.

 

II. Regra. Hóstias consagradas devem-se renovar frequentemente (cân. 1272), isto é, depois de oito, quanto muito quinze dias, se o lugar e o tempo não forem úmidos.

 

III. Regra. Entre a cozedura da hóstia e a sua distribuição na s. comunhão não devem passar mais de 30 dias.

 

 

§ 36. O VINHO

 

 

124.    1. História. O vinho era estimado por todas as nações cultas como alimento, remédio e matéria de sacrifício.

 

Na parábola do bom samaritano, o vinho misturado com óleo é o remédio para as chagas e contusões do infeliz viajante. O rei Melquisedeque ofereceu no seu sacrifício além do pão também vinho. Na Liturgia do antigo testamento era inseparável dos sacrifícios pacíficos e holocaustos (1,5 — 3 litros); mas não havia um sacrifício só de vinho. Na ceia pascal não podia faltar.

 

2. Na Liturgia do novo testamento, a) foi introduzido pelo divino Redentor. É matéria essencial do sacrifício eucarístico, e era oferecido antigamente pelos fiéis; b) é um dos elementos (água, sal, vinho e cinza) de que se compõe a água gregoriana prescrita na consagração das igrejas e altares; c) é benzido na festa de S. João Evangelista e em muitos lugares distribuído aos fiéis com as. palavras: "Bebe o amor de S. João."

 

3. Significarão. a) Tem as mesmas significações que o pão, representando toda a vida humana e a união dos fiéis com Jesus Cristo e entre si, por ser composto de sumo de muitos bagos; b) no ofertório significa o SS. Sangue que N. Senhor derramou da chaga do seu lado; c) simboliza a natureza divina unida à humana simbolizada pela água na mistura de água e vinho; d) simboliza a divindade de Jesus Cristo, pela bênção unida com a igreja material e espiritual na consagração da igreja (Durandus I. c. 7, n.° 9);" e) simboliza o amor divino (Cant. 8, 2).

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§ 37. A LUZ

 

 

125.    1. História. Todas as nações fizeram uso da luz no exercício do culto. 1) Os persas adoravam o fogo e a luz. Os gregos e os romanos conservavam-na nos seus templos. 2) Os israelitas mantinham no átrio do templo de Jerusalém o fogo perpétuo (Lv 6, 6) sobre o altar do holocausto e, no interior do santuário, o castiçal de 7 braços. (Êx 25, 31.)

 

Os primeiros cristãos empregavam a luz a) por necessidade, porquanto o serviço divino se celebrava de noite ou nas catacumbas; b) por razões estéticas: a profusão da luz dá à testa mais realce, iluminando e enfeitando; c) por razões simbólicas: a luz simboliza Deus na sua essência, que "é luz" (1Jo 1, 5), santidade, majestade e fonte de vida; "o Deus incarnado”, "a verdadeira luz" (Jo 1, 9), a sua presença real na missa e na exposição do Santíssimo; a sua presença santificadora no canto solene do evangelho, na administração dos sacramentais, na liturgia do côro; a sua presença glorificadora na veneração dos santos e no rito do enterro: "clarifique-os na eterna luz." (Ver n. 378.)

 

126.    2. Uso. Na Liturgia aparece a luz na forma:

 

a) de vela acesa durante o sacrifício da missa. Acender velas em honra dos deuses era também costume pagão. Por isso, Vigilâncio (Hier. adv. Viv. c. 4) critica os cristãos, que a modo dos pagãos acendiam velas na igreja; mas foi refutado por S. Jerônimo. As velas eram postas acesas ou diante, ou atrás, ou acima, nunca sobre o altar. Este modo de as pôr sobre o altar só foi introduzido no século XI. No batismo, na colação das ordens menores e maiores, nos funerais, nas procissões, na exposição do SS. Sacramento e em muitas outras funções litúrgicas, a vela está prescrita.

 

b) Vela de elevação. (Rub. gen. tit. 20.) Indica aos fiéis a presença de Nosso Senhor no altar; usa-se ainda na Espanha, na França e no México.

 

c) Círio pascal; dele se fala em outro lugar (n. 178). d) A lâmpada do SS. Sacramento, como tal usada desde o século XIII, prescrita pelo sínodo de Worcester em 1240.

 

É símbolo da presença de Jesus Cristo no altar e símbolo da caridade dos fiéis para com o seu Redentor amantíssimo: "ut lampas hominlbus [ex ecclesia] recedentibus cultus aliquam et amoris professionemhibere pergat." (Synod. Vienn. Lac.. V. 163.)

 

127.    Luz elétrica. A luz elétrica ou de gás não é permitida entre as velas estritamente litúrgicas no altar, nem em lugar das lâmpadas ou velas que devem arder diante do SS. Sacramento ou das relíquias dos santos. Nem é lícito colocar lâmpadas elétricas na parte interior do trono (nicho) da exposição, para que os fiéis possam ver melhor a Santa Hóstia. Para outras partes da igreja, e em outros casos, a iluminação elétrica é permitida conforme o prudente arbítrio do ordinário, contanto que se guarde em tudo a gravidade devida à santidade do lugar e à dignidade da sagrada Liturgia. (d. 4322.)

 

Por conseguinte, lâmpadas elétricas de diferentes cores não estão proibidas para as imagens de Nosso Senhor no altar ou para o ornamento exterior do tabernáculo na exposição do Santíssimo (d. 4210), mas sim para as imagens e nichos de santos no altar ou para as banquetas, onde estão os castiçais. (d. 4322.)

 

 

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§ 38. INCENSO

 

 

128.    1. História. O incenso é uma resina aromática distilada em lágrimas por uma árvore da família das terebintáceas (boswellia serrata). Pode-se dizer que todo o mundo, pelo menos o mundo culto, conhecia o incenso para o uso doméstico e religioso.

a) Os pagãos. Na vida dos mártires se fala não raras vezes da tentativa dos pagãos de seduzir os cristãos para a apostasia, pelo incenso queimado aos ídolos.

b) Os israelitas por preceito divino deviam oferecer o sacrifício de incenso sobre o altar de ouro no interior do templo. (Lv 2, 2.)

c) Os cristãos, para evitar a suspeita de idolatria, no princípio não empregavam o incenso na Liturgia, mas sim na vida profana. Desde o século IV foi usado como perfume para os lugares litúrgicos. Era costume profano queimar incenso diante de pessoas de autoridade. Destes costumes se deriva o rito de incensar pessoas litúrgicas, altares e objetos.

 

129.    2. Uso. Hoje o incenso é queimado na missa solene, na bênção com o SS. Sacramento, nas procissões, na bênção do altar, de velas, de cinza, de ramos, nos funerais. O incenso ao Benedictus e Magnificat explica-se por serem estes cânticos partes do evangelho, o qual exige incenso. 5 grãos de incenso são colocados no círio pascal (5 chagas); três grãos no sepulcro das relíquias do altar (aroma da santidade).

 

3. Significação. O ato de incensar exprime:

a) adoração direta diante do SS. Sacramento;

b) adoração indireta diante do altar, do evangeliário; da cruz, do s. lenho da cruz, por serem objetos especialmente relacionados com o Redentor, por sua natureza, ou pela consagração;

c) veneração diante das imagens dos santos;

d) reverência, quando feito a pessoas ou ao corpo inânime dos fiéis;

e) comunicação de pureza (também ao altar manchado por assim dizer pelas distrações e outras faltas dos ministros), de santidade (Accendat... ignern amoris... ), de auxílio às almas como espécie de oração dirigida a Deus e oferta em favor delas, de proteção contra as influências do demônio;

f) símbolo da oração que sobe como fumaça aromática ao trono do Altíssimo. O incenso nunca serve exclusivamente para aumentar a solenidade.

 

O incenso não se benze, quando só o SS. Sacramento é incensado, pois que o Autor da santidade não é capaz de purificação.

 

 

§ 39. O ÓLEO

 

 

130.    1. História. O óleo litúrgico é óleo de oliveira. Servia no antigo testamento para a consagração do altar, de sacerdotes, profetas, reis, e fazia parte dos sacrifícios. Em o novo testamento é mencionado como meio de honrar o hóspede (Lc 7, 46) e pessoas de estima (Maria Madalena), de curar doentes (Mc 6, 13). Já as Liturgias antigas contêm fórmulas para benzer o óleo.

 

2. Uso. No rito moderno distinguem-se três espécies de óleos santos: o óleo dos enfermos (oleum infirmorum, O. I.), óleo dos catecúmenos (Oleum catechumenorum, O. C.; Sanctum Oleum, S. O.; Oleum exorcizatum, O. E.; Oleum puerorum, O. P.) e o crisma (Sanctum chrisma, S. C.) O crisma é óleo misturado com bálsamo. Os dois outros são óleo puro.

 

131.    As cerimônias soleníssimas da consagração dos óleos, durante a missa pontifical na quinta-feira santa, remontam à idade média.

 

a) O óleo dos enfermos constitui a matéria do sacramento dos santos óleos ou extrema unção; nome este que convém evitar entre nós. Pois há pessoas que se assustam rio ouvir "Extrema" e rejeitam a "Extrema Unção"; aceitam, porém, os "santos óleos". Dá saúde corporal e espiritual e constitui a unção real para o trono eterno. (Kern, de extr. ) id .)

 

b) O óleo dos catecúmenos servia na antiguidade cristã, como o crisma, para a unção dos catecúmenos. Chamava-se óleo do exorcismo, porque devia proteger o catecúmeno contra o demônio. Por isto, no rito do batismo a unção com este óleo se faz antes do batismo. Na idade média era empregado para as unções nas ordenações, nas coroações de reis na consagração das igrejas.

 

132.    c) O crisma remonta, como o óleo dos catecúmenos, ao principio do terceiro século e se chamava "óleo de ação de graças". É matéria do sacramento da confirmação. Significa a santificação pelo Espírito Santo e sua presença na alma. Por isso a unção com o crisma se faz depois do batismo. É empregado para benzer a água batismal, para à consagração dos bispos, das igrejas, dos altares, dos cálices, dos sinos.

 

Antigamente os fiéis podiam guardar e empregar o óleo dos enfermos. Hoje isto não é lícito. Mas, em compensação, no Ritual, há uma fórmula para benzer óleo destinado ao uso dos fiéis.

 

 

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§ 40. A CINZA

 

 

133.    1. História. Já no antigo testamento a cinza era sinal de penitência. Implorando os israelitas o auxílio divino contra Holofernes, puseram "cinza sobre a cabeça". (Jdt 4, 16.) "Ai de ti, Corozoim... Tiro e Sidônia teriam feito penitência em saco e cinza." (Mt 11, 21.) A cinza de vaca vermelha era empregada para preparar "a água da expiação". Quem tocara num cadáver e ficara assim impuro, se tornava puro pela aspersão com esta água. (Nm 19, 5; Heb 9, 13.)

 

2. Significação. Contendo a cinza elementos cáusticos purificadores, simboliza o efeito purificador da penitência e da dor. Lembra que o homem volta à cinza e à terra, torna-o humilde, indicando a sua origem humilde.

 

134.    3. Uso. a) Na quarta-feira de cinzas, impõe-se cinza benta na cabeça dos fiéis, para se lembrarem da humildade com que devemos fazer penitência. Esta cerimônia empregava-se antigamente para os penitentes públicos. Quando a penitência pública caiu em desuso, sujeitavam-se, ao menos desde o século X, sacerdotes e fiéis a este ato de humildade. No ano de 1091, a imposição de cinza foi prescrita por Urbano II (Braun, s. v.) para todos. É sacramental.

 

b) A cinza entra na composição da água gregoriana usada na consagração das igrejas. Nesta ocasião se fazem através do corpo da igreja duas faixas de cinza espalhada ao modo de cruz grega, em que o bispo escreve as, letras gregas e latinas do alfabeto: Este rito significa que Jesus Cristo tomou posse do santuário.

 

 

§ 41. O SAL

 

 

135.    1. História. Nos sacrifícios pagãos romanos punha-se sempre na vítima farinha grossa misturada com sal, a sancta mola, como diz Horácio. O sal, tipo da estabilidade (Lv 2, 13) impede o estrago da comida e dá-lhe sabor. (Col 4, 6.) Por isso era ajuntado ao sacrifício como expressão do desejo de agradar a Deus. Nos sacrifícios mosaicos o sal era muitas vezes empregado. O profeta Eliseu (4 Rs 2, 19) tornou potável a água ruim pelo sal que nela deitou e conferiu fertilidade para a terra, onde foi posto.

 

2. Uso. a) No rito do batismo alguns grãos de sal se põem na boca do catecúmeno com as palavras: Accipe sal sapientiae; propitiatio sit tibi in vitam aeternam. O sal significa, portanto, a sabedoria, a graça da fé, que leva o catecúmeno para a vida eterna.

b) É elemento constitutivo da água benta e gregoriana. Tem, portanto, força para purificar e santificar.

 

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§ 42. SEDA, LINHO, LÃ, CERA

 

 

136.    I. Seda é a matéria mais preciosa para os paramentos. Mas deve ser natural, não artificial. Está prescrita para:

1) Os paramentos da missa (d. 3779 ad 1 e 2, o qual proíbe linho, lã e algodão) ou mais exato para a casula (d. 2769 V. ad 3) ; estola, manipulo e bolsa costuma-se fazer também de seda, mas prescrito não é;

2) O véu do cálix (Rit. cel. I., 1 ) , provavelmente para dispensar o saco de pano de linho em que se levava o cálice para o altar (Eph. lit. 1924. Burkard p. 6);

3) O forro do tabernáculo, se não está dourado o interior (d. 3254 ad 7);

4) O véu do subdiácono na missa solene (C. E. I, 10 n. 5) e do ministro de mitra (C. E. I, 11. n. 6);

5) O véu da âmbula (Rit. IV, 1 n. 5);

6) O véu (bôltia) da píxide para a comunhão dos doentes (Rit. IV, 4 n, 12);

7) O véu para o vaso do óleo dos enfermos (Rit. V, 2 n. 2). Ver n. 288. Permitida é seda para o cordão. (d. 2067 ad 7.)

 

137.    II. Linho ou cânhamo. O pano de linho é fabricado das fibras da planta de linho. Sendo mais caro do que o de algodão, prepara-se um tecido mais barato de algodão e linho proibido porém para a pala, corporal, alva, amito e as toalhas do altar. (d. 2600.)

É prescrito pano de linho puro ou cânhamo para o corporal e a pala (Rit. ce l. I, 1), sanguinho, alva, amito, toalhas do altar (d. 2600) toalha para a credencia (Rit. cel. II. 5; C. E. i c. 12 n. 19); no Brasil para o manustérgio e o cordão (C. P. n. 797. A. L. n. 904.)

É conveniente para a sobrepeliz, roquete, toalhas para a comunhão. (A. L. n. 904.)

É permitido para o cordão (d. 2067 ad 7) e conopeu (d. 3035 ad 10).

É proibido para a casula. (d. 2769 V. ad 3.) Para o manipulo, estola, dalmática, tunicela e pluvial não há prescrições quanto à matéria do pano. Conveniente é seda. Ver n. 219; 162; 165.

Engomar os corporais é permitido. (d. 3767.) (Fattinger p. 148 e sq.)

 

III. Lã. Os paramentos (sacra paramenta) feitos de pano de lã são proibidos. (d. 3035.) 0 cordão de lã é permitido. (d. 3118.) Ver n. 217. Pode ser da cor dos paramentos. (d. 2194 ad 3.)

 

O rigor nestas prescrições baseia-se no antigo costume da Igreja e nas profundas significações ligadas a estas matérias. "Quanto aos sagrados paramentos e alfaias conserve-se o que desde o principio da Igreja foi introduzido por causa das significações reais e místicas." (d. 2600.)

 

138.    IV. Cera.

 

1. A matéria, ver n. 933. O círio pascal e as duas velas exigidas para a missa devem ser na maior parte de cera. (d. 4147.) Para o círio pascal esta porcentagem é necessária para evitar a contradição entre a cera do círio e as palavras do Exsultet: "Nutre-se de cera líquida... produzida pela abelha mãe."

Para as velas da missa, o ato mais santo da religião, assim como a S. R. C. exige dos metais o precioso ouro e dos tecidos a preciosa seda, assim também das matérias de iluminação, a mais estimada, a cera. Por isso foi proibido para a missa o uso de sebo (d. 3063), de estearina (d. 4257), de gás (d. 4097), e da luz elétrica (d. 3859). Sebo está excluído do uso litúrgico, estearina é permitida fora do altar, luz elétrica no altar só para a iluminação. (Ver n. 124.)

 

2. O simbolismo. A cera no uso litúrgico simboliza o puríssimo corpo de Jesus Cristo, nascido da Virgem Mãe, como a cera virgem provém das abelhas virgens ("apis mater eduxit", Exsultet). Simboliza o sacrifício do cristão que, vivendo para N. Senhor se consome na chama da caridade divina.

A luz elétrica não contém tão perfeitamente esta significação. No círio pascal e na vela em geral a mecha significa a alma, a cera o corpo, a chama a divindade do Redentor. (Uurandus VI. c. 80, n. 3.)

 

139.    Experiências para provar a genuinidade destas matérias sem substâncias químicas.

 

1. Seda. Fios de seda pura e lã encrespam-se na chama e formam no fim uma bolinha. As fibras vegetais (algodão, linho) ardem como mecha ou fio de linho. Seda e lã cheiram a chifre ou cabelo queimado. Sendo misturada seda ou lã com fibras vegetais, a bolinha fica em brasa por algum tempo por causa às fibras vegetais ainda não queimadas. Sendo a seda artificial mais pesada, o fio não forma Molinha, mas queima-se quase em forma de fio por causa das matérias misturadas.

 

2. Pano de linho, molhado com azeite puro e esfregado um pouco, torna-se transparente; pano de algodão fica imutável.

 

3. Cera. Quando se passa o dedo sobre cera pura, tem-se a impressão de tocar numa peça de cautchu e o dedo não desliza facilmente sobre a superfície. Cera pura amassada pega no dedo; mas se for parafina e estearina, tem-se a impressão de gordura. Cera pura dificilmente se pode cortar; estearina com maior facilidade. Quando ao tocar na parte superior de uma vela acesa a margem fica pegada no dedo, cera é genuína; quando se quebra, há mistura com parafina ou estearina.

Para saber se há sebo, faz se uma parte da vela em pedaços do tamanho de lentilhas, aquece-se em água pura até o grau de calor necessário para derreter o sebo suficiente para poder amassar a cera. Se houver sebo, aparece na superfície da água em gotas, bem visíveis depois de tornar-se fria a água.

 

CAPÍTULO III.

 

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OS SANTOS LUGARES

 

 

Ao número dos santos lugares pertencem os edifícios e lugares destinados às funções litúrgicas, pela bênção ou consagração, com todos os utensílios. Estes são as igrejas, os altares, as alfaias e paramentos, e o cemitério.

 

 

§ 43. OS SANTOS LUGARES NA ANTIGUIDADE CRISTÃ

 

 

140.    1. O cenáculo. O primeiro santo lugar no sentido mencionado nem foi o suntuoso templo de Jerusalém, nem alguma das 400 sinagogas desta cidade, mas uma casa privada, o cenáculo. O próprio Deus humanado o santificou pela sua presença e pelo seu sacrifício, que ali ofereceu e instituiu.

 

2. Casas particulares.

a) Os apóstolos imitaram a Nosso Senhor por necessidade. Em Jerusalém, reuniam-se os cristãos convertidos do judaísmo no templo, no pórtico de Salomão, onde faziam as suas orações em comum. Mas o sacrifício da missa e a comunhão realizavam-se nas "casas" (At 2, 46), em casas particulares. Eram muitas, por causa dos milhares de fiéis.

 

b) Em outras cidades procederam os apóstolos da mesma forma. Em Trôade os novos cristãos se reuniram para "partir o pão" eucarístico no "terceiro cenáculo", num andar superior. (At 20, 9.) Foi na casa particular de cristão abastado.

 

3. Casas especiais: Orígenes (In Mt 2) conta que, na perseguição de Maximino Thrax (235 238), foram destruídas as igrejas dos cristãos. Portanto havia igrejas.

 

141.    Em Roma os ricos patrícios puseram à disposição dos cristãos os seus palácios. Estas novas igrejas conservavam o nome do proprietário, p. ex., Titulus Equitii. Só mais tarde as igrejas receberam o nome de santos. Segundo Optato de Mileve, já antes de Constantino existiam 40 igrejas em Roma.

 

As catacumbas não eram o lugar das reuniões ordinárias dos cristãos, nem mesmo durante as perseguições. Cabiam pouco mais ou menos umas 150 pessoas em cada uma delas. Eram, portanto, muito pequenas para os milhares de cristãos romanos. Só de vez em quando havia missa nas catacumbas, p. ex., nos aniversários da deposição dos mártires ou de fiéis. Fora disto, reuniam-se nas igrejas. Com a liberdade do culto católico desenvolveram-se também os edifícios litúrgicos, as "casas de Deus".

 

Os edifícios do culto tornam-se santos pela bênção litúrgica, ou a bênção com as orações prescritas (benedictio) ou a sagração com as unções (consecratio, Cân. 1165). No principio da Igreja se oferecia o santo sacrifício em qualquer lugar decente. A primeira sagração de um templo, de que temos notícia, é a da catedral de Tiro (314), mencionada pelo historiador Eusébio. (L. Th. K. V, 1054.)

Nas igrejas consagradas, no aniversário da consagração, devem arder, a começar pelas vésperas, doze velas, diante das cruzes da unção, pelo dia inteiro e só nele. (d. 3876, ad 6.) As velas são sustentadas pelos castiçais dos apóstolos, chamados assim porque simbolizam os doze apóstolos. Se as cruzes não existem mais, devem-se pintar de novo em sinal da consagração feita. (d. 3545.)

 

 

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§ 44. NOMES DOS EDIFÍCIOS LITÚRGICOS

E SUAS ESPÉCIES

 

 

142.    1. Igreja (italiano: chiesa; francês: église; alemão: kirche, da palavra grega kyriaké = casa do Senhor; inglês: church) da ,palavra latina ecclesia, e grega ekklesía. É o termo mais usado entre o povo, na Liturgia e no direito, canônico. A palavra grega ekklesia (de kalein = chamar) na antiguidade clássica significa a assembléia do povo, em o novo testamento:

a) A totalidade dos que foram chamados por Deus à salvação em Jesus Cristo (1 Cor 10, 32);

b) Uma parte da, Igreja geral, p. ex., da cidade de Roma (Rom I, 7) ;

c) O lugar, onde se reúnem os membros da Igreja.

 

2. Basílica existe desde o princípio do século IV. Pois já Constantino empregou este nome.

 

Deriva-se da palavra grega basiliké, a casa régia, e designava qualquer edifício magnífico. E porque Jesus Cristo é "o rei dos séculos", os cristãos chamaram as casas de Deus, basílicas, casas do (basileus) rei divino. Nos tempos modernos basílica designa uma igreja espaçosa ou de estilo próprio ou dotada de privilégios especiais.

 

3. Catedral. Deriva-se de cathedra, trono do bispo. Designa hoje a igreja episcopal de qualquer forma.

 

143.    4. Oratório, derivado de orare (rezar), é um nome muito próprio da casa de Deus. Casa de oração chamava Jesus Cristo o templo de Jerusalém. (Mt 21, 30.) Antigamente designava uma igreja, às vezes também, um oratório privado. O concílio de Laodicéia, p. ex. (c. 380), proibiu aos bispos e sacerdotes celebrar o santo sacrifício nos oratórios privados. Em Roma e Constantinopla não existia uma proibição absoluta. Muitos oratórios privados havia na Gália nos séc. V e VI.

 

No direito canônico, o termo: oratório é restringido a um edifício litúrgico diferente da igreja. (Cân. 1188, ti 2.) Distinguem-se oratórios públicos, semi-públicos e privados. Nos oratórios semi-públicos podem-se celebrar todas as funções eclesiásticas, se não obstarem as rubricas ou o Ordinário tiver excetuado algumas. (Cân. 1193.)

 

144.    5. Capela é diminutivo de capa = manto pequeno. Designava especialmente a capa pequena de S. Martinho de Tours que estava em poder dos reis merovíngios, considerada como a mais preciosa relíquia e conservada num oratório pequeno. Por isto este oratório foi chamado capela. O nome passou para outros oratórios. No Brasil é quase sinônimo de oratório: público e semi-público.

 

6. Martyrium. Esta palavra designava o sepulcro de um mártir; depois a igreja construída sobre ele.

 

7. Memória. Servia este termo para designar a inscrição sepulcral; depois passou para o sepulcro e ao edifício construído sobre ele. Justifica-se também pelo fato de que no altar estão incluídas relíquias de mártires, cuja lembrança (memória) se faz em todas as missas celebradas naquele altar.

 

8. Confessio (derivada de confiteor: confessar, porque os mártires morreram pela confissão da fé) é o mesmo que martyrium. Designa principalmente os sepulcros nas basílicas maiores de Roma, p. ex., S. Pedro no Vaticano.

 

 

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§ 45. OS ESTILOS MAIS IMPORTANTES

 

 

 

145.    Os vários elementos necessários para o culto divino exterior são os mesmos em todos os tempos e em todos os lugares. Mas o modo de agrupá-los é diferente segundo a época, a índole do povo e a formação religiosa e artística da população. Distinguem-se 4 estilos principais: o estilo antigo-cristão ou de basílicas, o romano, o ogival, o estilo da renascença.

 

1. O estilo das basílicas tem cinco caracteres distintivos:

1) o adro;

2) a quadra oblonga no interior;

3) várias naves;

4) abside;

5) teto ou madeiramento aparente. Por mil anos as igrejas mais importantes foram construídas neste estilo exclusivamente.

 

O adro (atrium; Lemos, Enciclopédia, s. v.) colocado diante da entrada, tem à volta uma galeria. No meio está urna pia (poço), onde se faz a purificação antes de se entrar no edifício litúrgico. Neste adro tinham de ficar os penitentes. Ao fundo do adro está um largo pórtico (narthex) com batistérios e tendo 3 ou 5 portas correspondentes às 3 ou 5 naves do interior. A fachada eleva-se acima do pórtico em forma de frontão (triângulo ou curva) e com janelas. O interior é dividido em 3 ou 5 naves por colunatas. O telhado era um teto ou madeiramento aparente. Ao fundo da basílica há um hemiciclo com meia cúpula. Este hemiciclo tem a cadeira do bispo e é guarnecido de bancos destinados ao clero (presbyterium). Na frente do hemiciclo está o altar, colocado por cinta de uma cripta (Martyrium, confessio) onde estão as relíquias do santo. O altar é encimado por um baldaquino (ciborium). Diante do altar está reservado um certo espaço, separado da nave por uma balaustrada e formando o coro. Nas grandes basílicas há uma nave transversal ou transepto que limita as naves principais. Então a nave do meio termina em frente do transepto por um arco colossal, chamado "arco triunfal". Por fora a basílica é muito singela, o interior, porém, riquíssimo.

 

146. 2. O estilo romano tem três caracteres distintivos:

1) a decomposição e aliviamento dos suportes;

2) a constituição das abóbadas;

3) a torre.

 

O estilo romano ficou com a forma essencial da basílica e modificou coisas acessórias. A arquitrave que une duas colunas é transformada em arco, arquivolta. O estilo romano possui várias miudezas cristãs por sua natureza: a planta mostra a forma da cruz, porque o transepto nunca falta; a cripta, ao menos nas igrejas maiores, com altar e o corpo de um santo. A torre está unida ao edifício pela arquitetura, ao passo que na basílica não há ou está separada. As maiores igrejas possuem duas ou quatro torres e urna cúpula. Em oposição à basílica, também o exterior mostra decoração arquitetônica. Especialmente a porta principal está encimada por uma janela redonda (rosaça) riquíssima, que significa provavelmente "a rosa mística", Maria Santíssima.

Não raras vezes havia junto ao adro um corredor chamado cruzeiro, porque passava por ali a procissão de aspersão com água benta, precedida da cruz procissional.

 

3. Os caracteres distintivos do estilo ogival ou gótico:

1) o arco quebrado;

2) o arcobotante;

3) a abóbada de nervuras. Ogiva é uma figura formada pelo cruzamento de dois arcos iguais que se cortam na parte superior. Estilo ogival é o estilo caracterizado pelo emprego sistemático da ogiva. Foi chamado gótico na Itália, numa época em que tudo o gele vinha do norte era considerado bárbaro e rude.

 

Desenvolveu-se pouco a pouco devido à necessidade de aumentar as dimensões das igrejas, sem abandonar o plano das basílicas, e de remediar a instabilidade da abóbada romana nas suas quedas repetidas, resultantes da falta de estabilidade. As criptas desaparecem, o coro é mais baixo e não raras vezes rodeado de muitas capelas. Há várias épocas. A arte gótica na sua perfeição é muito própria para o culto divino pela predominância da linha vertical sobre a horizontal, pelo arrojo das formas e a riqueza dos ornatos.

 

4. Os caracteres do estilo da renascença são:

 

1) Predomínio da linha horizontal e com ela grandes arquitraves, frisos e cornijas;

2) colunas de formas antigas;

3) abóbadas redondas com profusão de obras de estuque;

4) cúpulas cilíndricas;

5) frontões triangulares ou de segmentos circulares;

6) exclusão da linha reta: nas janelas, torres (S. Pedro, Roma). Todos os estilos são tolerados pela Igreja, contanto que guardem "as leis da arte sacra". (Cân. 1279.)

 

 

§ 46. O CEMITÉRIO

 

 

147.    Santo lugar é também o cemitério:

1) pela bênção solene do bispo;

2) pela presença dos restos mortais de muitos santos que gozam da visão beatifica ou ao menos estão certos de alcançá-la.

a) Cemitério deriva-se da palavra grega koimeterion = lugar de descanso, ou dormitório, de koimasthai = dormir. É nome usado só pelos cristãos. Pois Nosso Senhor chamou de sono a morte natural, tão temida pelos pagãos. Lembra, portanto, a vida futura. No princípio do cristianismo os fiéis eram sepultados nos jazigos da família ou no cemitério público. Mas já nos primeiros tempos havia cemitérios cristãos, e Tertuliano (De anima, c. 52) usa esta palavra. Em Roma os cristãos eram sepultados em geral nas catacumbas; fora de Roma, em geral nos cemitérios. Mas ocorrem exceções. Desde o século IV se admitiram sepulturas nas igrejas ou próximo das igrejas. Agora só os bispos, abades, cardeais, prelados nullius e pessoas da família real podem ser sepultados na igreja. (Cân. 1205.)

 

b) O nome polyandrum acha-se no rito da bênção do cemitério. Deriva-se de pollys = muitos e anér = homem. Designa o lugar onde muitos homens são sepultados.

 

c) O termo "mausoléu" no sentido do cemitério ocorre no rito da reconciliação do cemitério. Deriva-se do monumento do rei Mausolo da Cária (376-352 a. C.), admirável pela beleza, uma das "sete maravilhas do mundo". Em alguns lugares era costume dos fiéis visitar no domingo, em procissão, o cemitério colocado próximo da igreja. (Vigourel, p. 65.)

 

d) Nada obsta a que lâmpadas também elétricas ardam sobre os túmulos, ou estes estejam enfeitados com flores, contanto que não sejam prejudicadas as pias orações, que principalmente aproveitam aos fiéis defuntos. (C. B. n. 338, § 4.)

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§ 47. O ALTAR

 

 

148.    Um lugar santo é o altar cristão. Chamavam-no sanctus, divinos, regalis, tremendus. S. João Crisóstomo: admirabilis. S. Gregório Nisseno ensina que o altar é tão santo que nem todos, mas só os sacerdotes, e estes só com reverência, o podem tocar. Beijavam-no. Os imperadores Teodósio e Valentiniano proibiram trazer armas nas igrejas e junto dos altares. Leigos e mormente mulheres não se podiam aproximar dele. Desde o século IV o altar tinha o privilégio de asilo.

 

1. O altar fora do cristianismo. Se os cristãos contrabalançaram a influência sedutora das festas pagãs pela influência benéfica das festas cristãs nos mesmos dias, é mais provável que os altares pagãos não deixassem de influir no desenvolvimento ao altar cristão.

 

149.    a) O altar pagão. Houve altares, desde o princípio do gênero humano. Os pagãos construíram altares aos seus deuses, às virtudes personificadas e deificadas, a homens e ao Deus desconhecido (At 17, 23), às vezes de grande altura: o altar de Zeus olímpico de cerca de 30 m. Em geral eram feitos de pedra, como se vê no grande número deles escavados em Pompéia, em forma de coluna com um, dois, três degraus erigidos por toda parte; alguns eram portáteis.

Eram consagrados, como Macróbio relata, com solenidade. Acendiam fogo santo, incenso, aspergiam-no, faziam sacrifícios pomposos e organizavam jogos. As vezes eram cercados de grades de ferro e possuíam o privilégio de asilo em favor de escravos, vencidos e até mesmo de criminosos.

 

150.    b) O altar israelítico no deserto, feito por ordem de Deus, era de madeira de cedro, cheio de terra. Estava no átrio do santuário. No interior achava-se o altar do incenso, de madeira de acácia dourada. (Êx 29, 36.) Tinha o privilegio de asilo. (3 Rs 1, 50.) No templo de Salomão havia um altar de metal de 20X20 côvados e 5 côvados de altura; no templo herodiano o altar media 40X40 côvados e 15 côvados de altura (talvez 26X26 m e 9 de altura).

 

151.    2. O altar cristão. Altare = altar deriva-se de alto elevado, porque o altar sempre estava elevado acima do chão.

 

a) O altar-mesa.

 

1) O altar de Jesus Cristo, em que celebrou a primeira missa, foi a mesa do cenáculo. É um altar completamente novo. Em culto algum o altar do sacrifício servia de mesa aos sacerdotes e aos que tomavam parte no culto. O altar e a mesa dos convivas sempre estavam separados. Nosso Senhor criou, portanto, novo tipo de altar. ELE mesmo escolheu a forma especial, a mesa santa. Quis indicar que o novo testamento não tem nada com o antigo testamento neste particular. Ensinou que o sacrifício do novo testamento é sempre ceia celestial.

 

152.    2) O altar no primevo cristianismo.

 

Era também mesa. São Paulo fala da "mesa do Senhor". (1 Cor 10, 21.) Mas era Mesa simples, de madeira, sem consagração especial. Pois S. Cipriano menciona que na presença dos sacerdotes ."foi posto o altar". (Ep. 45, 2.) Portanto antes não estava. "Santa mesa" se chamava o altar, mormente no Oriente, e ainda hoje o único altar da igreja grega tem este nome: he hagia trapeza = a santa mesa. Ainda hoje o altar papal na basílica de Latrão em Roma é de madeira. Mas a opinião (de que S. Pedro se serviu dele (Breviário, 9 Nov. lect. 6) não tem fundamento sólido; é de origem mais recente. (Braun p. 20.)

 

Houve muito cedo altares de pedra. Pois São João Crisóstomo (hom. 20 in 2 Cor n. 3) diz: "Este altar é por sua natureza só pedra, foi, porém, santificado recebendo o corpo de Cristo." Só no século VI aparece o primeiro preceito eclesiástico de fazer o altar de pedra.

 

153.    b) O altar-arca. Depois de Constantino a veneração dos mártires floresceu muito. Onde havia corpo de mártir, construíam-se altares sobre o seu túmulo. Na falta de corpo punham relíquias de um santo no altar feito em forma de arca côncava, retangular. As vezes era fechado (Braun, s. v.) por uma porta, às vêzes uma abertura pequena permitia contemplar as relíquias. (Coelho II, 215.)

 

O rito de incluir relíquias de mártires no altar provavelmente não deriva de suposto costume antigo de dizer a missa sobre o túmulo dos mártires nas catacumbas. Tem o seu fundamento na escritura sagrada (Ap c. 9): Vidi subtus altare animas interfectorum propter verbum Dei, e na relação e mística analogia entre Nosso Senhor, Cabeça dos mártires e seus membros. Morreram por Ele, morto na cruz, por isso descansem debaixo dÊle, morto misticamente no altar. (d. 2777 S. Aug.)

 

c) O altar-bloco. Enchendo a arca com material criaram o altar em forma de bloco maciço, igual em largura e comprimento à mesa do altar. Conhecido já na cristandade antiga, tornou-se cada vez mais geral, e é hoje o mais usado.

 

d) O altar-sarcófago é uma espécie de altar-bloco, cujo corpo tem a forma de um sarcófago. Foi empregado no tempo da renascença, que preferiu as linhas ondeadas.

 

 

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§ 48. OS ACESSÓRIOS DO ALTAR

 

 

154.    Partes essenciais do altar cristão são: o suporte (stipes), a mesa (mensa) e o sepulcro. Unicamente a estas partes se refere a legislação eclesiástica. Os altares sejam de mármore ou pedra, não, porém de madeira sem licença escrita do ordinário do lugar; e a pedra de ara seja colocada convenientemente (C. B. n. 326), p. ex., não muito rente à borda do altar nem muito afastada dela. A arte e piedade cristã não se limitavam ao mais indispensável; criaram ornamentos para realçar o santo lugar do altar.

 

a) O cibório.

 

1) Etimologia. Não é certa. Alguns derivam este termo da palavra grega kyborion = a casca de um fruto egipcíaco, que servia às vezes de vaso para beber; outros, da palavra grega kibotos, diminutivo kibotarion = pequena arca.

 

2) Cibório (ciborium, umbraculum, Braun, p. 25) é um dossel, sustentado em geral por colunas, construído por cima do altar; tem várias formas: de cúpula, pirâmide, telhado. Pode ser de madeira ou de pedra. É muito próprio do altar, onde está o trono de Deus. Tanto no Oriente como no Ocidente remonta ao século IV, mas nunca foi geral.

 

155.   b) O baldaquino.

 

1) Etimologia. Deriva-se de Bagdá, cidade de onde vieram os estofos preciosos de seda (baldaquini).

2) O baldaquino (caelum, pallium, pannus) substituiu, desde o século XII, ao cibório. É um dossel de forma retangular, de madeira ou de tela, estendida sobre o altar, fixa por um lado na parede, ou de forma cônica, suspenso do teto da igreja. O Caeremoniale Episcoporum (I, 12, n. 13) diz que cada altar-mor deve ter cibório ou baldaquino. Mas esta determinação não se observa fora da Itália em quase nenhum lugar e até na Itália só em bem poucas igrejas.

 

156.    c) O retábulo.

 

1) Etimologia. Retábulo deriva-se de retro = atrás e tabula = quadro feito de madeira plana.

2) O retábulo é construção feita de pedra ou de madeira, colorada na parte posterior do altar. Apresenta ou uma imagem ou série de imagens e levanta-se a altura considerável.

3) Origem. Tem sua origem no fato de terem sido transferidas para a parte superior do altar as imagens que desde a antiguidade enfeitavam a parede atrás do altar. Em igrejas pobres ou em altares provisórios é substituído pelo retro-frontal e é, uma colgadura ou um tapete mais ou menos rico.

 

157.    d) Os degraus. Se o altar é baixo, basta um degrau, chamado supedâneo (suppedaneum, predella); se é alto, costuma-se pôr vários degraus.

 

No Oriente o altar não tem degraus. No Ocidente o uso dos degraus do altar era desconhecido ou pouco freqüente até ao século X. No decurso do tempo tornou-se quase geral. Deram ao altar-mor 2, 3 ou mais degraus, ao altar lateral ao menos um. Para qualquer altar está prescrito ao menos um degrau. (d. 1265 ad 4; Decr. t. V p. 395.) O C. B. exige para o altar-mor ao menos três degraus, para os outros ao menos um. (C. B. n. 326 § 2.) No antigo testamento o altar não podia ter degraus. (Ex 20, 26.)

 

 

§ 49. DIVISÃO DOS ALTARES

 

 

158.    Há no rito romano, liturgicamente, quanto à estabilidade, três espécies de altares: fixos, quase-fixos e portáteis.

 

1. O altar fixo (C. P. 786) deve ser "sagrado pelo bispo", feito de uma mesa de pedra inteiriça, unida com cal ou cimento à sua base também de pedra, ou muro de alvenaria, aderente ao pavimento ou parede. Em todo o caso as colunas, que sustentam a mesa, devem ser de pedra natural. O altar fixo (cân. 1201) deve ser dedicado a um mistério ou a um santo, não pode ser dedicado a um bem aventurado, sem indulto papal.

 

159.    2. 0 altar quase fixo é "altar semelhante ao fixo, construído de madeira ou de outra matéria, aderente a parede, a uma coluna, ou ao pavimento, tendo embutida no meio da mesa uma pedra de ara igualmente sagrada. Liturgicamente, o altar quase fixo não é altar fixo, mas só altar portátil. Mas pelo direito canônico se distingue deste e se assemelha ao altar fixo: a) a ereção do altar quase fixo requer a licença do bispo; b) pode e deveria ter um título como o altar fixo (cân. 1201) ; c) este título só pode ser mudado com licença do bispo; d) pode ter anexo o privilegiam altaris e uma fundação.

 

160.   3. O altar portátil ou pedra de ara (altare portatile, petra sacra, ara) é formado de uma pedra natural, inteiriça, bastante grande para que nela se possam colocar a hóstia e o cálix. (Cân. 1198, § 3.)

Os altares portáteis são mencionados pela primeira vez no princípio do século VI, são porém mais antigos, porquanto se fala deles como de objeto conhecido. Era formado de madeira ou pedra, sem relíquias, às vezes de tão pouca extensão que só parte pequena da hóstia e do cálix nele cabia.

 

161.   4. Quanto ao uso, o altar se chama:

a) altar-mor (altare maius, principale), ou lateral (altare minus, laterale);

b) altar paroquial (altare parochiale), do povo (altare laicorum) em oposição ao altar no coro dos monges ou dos cônegos.

 

Privilegiado se chama o altar:

 

1) em que, se pode dizer certa missa votiva em dias proibidos pelas rubricas, p. ex., a de Nossa Senhora num santuário dela;

2) em que o celebrante pelo santo sacrifício pode aplicar uma indulgência plenária a um defunto. Por altar privilegiado simplesmente sempre se entende o privilegiado em favor das almas.

 

O C. B. declara que o altar-mor das igrejas catedrais e paroquiais é altar privilegiado todos os dias e para sempre, contanto que não haja outro. Este altar tenha a inscrição: Altare privilegiatum quotidianum perpetuum. (Cân. 918, § 1; C. B. n. 250.)

Antigamente havia em cada igreja um só altar. Mas já Constantino erigiu, dizem, na igreja de Latrão, sete altares. Na idade média aumentou o número dos altares, de sorte que, na catedral de Magdeburgo, p. ex., se contavam 48 altares. Pio VI defendia a pluralidade dos altares na mesma igreja contra o sínodo de Pistóia (Denzinger, n° 1531), que desejava só um altar em cada casa de Deus, estigmatizando esta tentativa como "temerária e injuriosa" para a Igreja.

 

162.    5. Simbolismo do altar. O altar é símbolo:

 

a) de Jesus Cristo. A Igreja manda dizer no rito do subdiaconato aos ordinandos: "O altar da Santa Igreja é Cristo mesmo. Atesta isto S. João, dizendo no seu Apocalipse, ter visto um altar de ouro erigido diante do trono, no qual e pelo qual as ofertas dos fiéis são consagradas a Deus Padre."

 

b) do coração humano. "Pelo altar entende-se o nosso coração, que está no meio do corpo como o altar está no meio da igreja. A respeito deste altar manda o Senhor: Sobre o meu altar arderá sempre o fogo. O fogo é a caridade e esta sempre arderá em nosso coração." (Durandus I, c. n.° 14.) Outros dizem que o altar é o símbolo do presépio (Crisost. ho rn . s. Philog. n. 3) ou da cruz. (S. Tomás III, q. 83, a. 1.)

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§ 50. ORNAMENTOS DO ALTAR

 

 

163.    I. As toalhas do altar.

 

O altar cristão, ao menos durante as funções litúrgicas, está sempre coberto de toalhas brancas (mappa, tobalea) por causa de asseio, decência e reverência devida ao SS. Sangue que por acaso se derrame.  Pertencem aos paramentos mais antigos, mencionados expressamente no século IV. Primeiro foi julgada necessária só uma, mais tarde os sínodos exigiram duas, e mesmo cinco. (Braun, die lit. Param. 186.) O missal de Pio V (Rub. Gen. XX) prescreve três toalhas de cânhamo - ou de linho branco. As duas inferiores, que podem ser substituídas por uma dobrada, cobrem toda a mesa; a de cima deve chegar à terra dos dois lados do altar. (d. 4029, ad 1.) Devem ser benzidas pelo bispo.

 

Para proteger as toalhas e enfeitar o altar fora da missa e exposição do SS. Sacramento tem-se o costume de cobri-lo com um véu ou guarda-pó. O elenco dos utensílios sacros (C. P. p. 706, n. 39) enumera: "Duas cobertas para cada altar." A cor e o material são de livre escolha.

 

164.    II. O corporal é o pano sagrado destinado a receber o corpo sacramentado de Jesus Cristo. Simboliza o santo sudário. É sem dúvida, o mais antigo de todos os paramentos. No século IX era tão grande que dois diáconos estavam encarregados de estendê-lo no altar. Uma das extremidades servia para cobrir o cálix. Os cartuxos ainda guardam este rito. Na Igreja universal, porém, cobriram o cálix primeiro com um corporal dobrado, que depois foi substituído pela pala.

 

Convém bordar uma cruz pequena rente à orla do corporal do lado do celebrante (não no meio do quadrado anterior). Assim, se evita por a sagrada hóstia em diferentes lados e o perigo de se perderem com mais facilidade partículas sagradas. Tamanho: 50 cm de cada lado pouco mais ou menos.

 

III. A pala (de palliare = esconder, cobrir, pala = cortina) feita de pano de linho, serve para cobrir o cálix. Confecciona-se ou de várias camadas de linho bem engomadas, para ficar tesa, ou de duas peças de linho cosidas em forma de bolsa, tendo no meio um cartão, ou de um cartão coberto, em baixo, de linho, e em cima, de seda de qualquer cor, nunca, porém, preta; também pode ter bordados, menos os sinais de morte. (d. 3832, ad 4.) Deve ser benta. Tamanho: 15X18 cm, pouco mais ou menos.

 

IV. O sanguinho ou purificador é peça de linho (d. 3455 ad 2) de área de 45X50 cm de comprimento e 30 de largura, com o qual o sacerdote, depois da comunhão, purifica o cálix, a patena, sendo preciso, a boca e os dedos. Pode ter nas duas extremidades renda ou bordados. Dobra-se em três partes, ficando a bainha por baixo, quando se coloca sobre o cálix. Não é bento.

 

Sempre foi uso limpar e enxugar o cálix. Um pano especial para isto se encontra já no século XI. Mas o uso de levá-lo para o altar só, se generalizou na reforma do missal por Pio V.

 

165.    V. O simbolismo. Desde o século V as toalhas do altar foram consideradas símbolo dos lençóis, em que foi amortalhado o corpo sagrado de Jesus Cristo. Durandus (IV c. 29) dá explicações minuciosas sobre o corporal e a pala. Segundo ele, significam:

1) os panos sepulcrais de Cristo. De propósito, diz ele, foi determinado que o santo sacrifício não se ofereça em seda ou pano tinto, mas em linho puro, Como o corpo de Jesus Cristo foi amortalhado em pano puro de linho;

2) a Igreja, que é o corpo de Jesus Cristo e a qual por muitos sofrimentos é conduzida à alvura da vida eterna;

3) o mesmo Jesus Cristo: como a hóstia fica unida ao corporal e deposta sobre o altar, assim a carne de Jesus Cristo unida à divindade é pregada na cruz;

4) O corporal, por causa da sua cor branca, indica a pureza da alma, a qual é sempre indispensável a quem quer comungar. No rito da ordenação do subdiácono a Igreja diz: as palas e os corporais do altar são os membros de Cristo, a saber os fiéis, dos quais o Senhor se cerca como de vestes preciosas.

 

166.    VI. Frontal (de frontale, ornamento da fronte). Antigamente o altar se elevava no meio do coro, de sorte que a conveniência exigia que se cobrisse o suporte de todos os lados (pallium, antependium). Mais tarde, quando o altar foi encostado à parede da ábside, era bastante enfeitar o lado anterior. É este o destino do frontal.

 

Confeccionava-se de ricos estofos, de panos pintados e bordados, posteriormente de prata, de metal dourado com obras de filigrana e ornamentos artísticos.

Quando e onde nos tempos modernos o próprio suporte do altar foi transformado numa jóia de arte e de bom gosto, dispensava-se o frontal, o que ainda se pode observar. (Manuale Lit. Victor de App. p. 58: muitos autores citados.)

A sua cor deve corresponder, se for possível, à cor litúrgica do dia. (Rub. gen. XX.)

 

167.    VII. A cruz do altar. É uma cruz com a imagem de Jesus crucificado (crux cum imagine SS. Crucifixi, C. E. 12, 11), que se deve colocar durante a missa no altar e elevar acima dos castiçais. (C. E. 12, 11.) Pode ser substituída por um crucifixo grande no retábulo ou parede detrás do altar. (d. 1270 ad 2.) Em todo caso a cruz deve ser visível ao Celebrante e ao povo. (Decr. tom. 5, p. 133; 2621 ad 7.) O Decreto de 20 de dez. de 1659, que declarava suficiente a cruz sem a imagem de Jesus Cristo, foi revogado.

 

Não pode ser colocada no lugar onde se expõe o SS. Sacramento na custódia, nem no corporal que serve para a exposição (cl. 3567 ad 3), nem no trono de degraus, nem acima do altar (super Altari, C. B. - n. 327, § 1), nem diante da porta do sacrário; porém sobre o sacrário. (d. 4136 ad 2; C. B. 1. c.)

 

 

168.   No Oriente a cruz do altar era conhecida desde o século VI; no Ocidente, desde o século XI. No século XII foi costume em Roma por a cruz processional, nos dias de estação, sobre o altar. No século XIII seguiu-se o preceito de Inocêncio III de colocar a cruz entre dois castiçais (De sacr. alt. myst. II, 21); este preceito foi renovado no missal (Rub. Gen. XX) por Pio V. A cruz tem por fim designar o altar como o lugar do sacrifício perpétuo de Jesus Cristo, lembrar a identidade do sacrifício da cruz e da missa, e avivar nos corações a caridade para com o amoroso Redentor.

 

169.    VIII. A sacra (tabella secretarum), abreviação de sacra consecrationis fórmula, é quadro pequeno com as palavras da santa consagração em tipo grande, e algumas outras orações. Serve para auxiliar a memória do celebrante. Na idade média era desconhecida. O uso da sacra do meio começou pela metade do século XVI, das duas outras sacras, que no missal não são prescritas, mas exigidas pelo costume, no século XVII. Os bispos usam em lugar delas um livro próprio, Cânon Missae.

 

170.    IX. Estante e almofada. Entre os requisitos do altar, o missal (R. Gen. XX) menciona a almofada (cussinus, pulvinum.) Servia para resguardar as capas artísticas dos sacrarnentários e missais, como também para facilitar a leitura. Desde o século XIII foi empregada para o missal em geral. O C. E. permite substituir a almofada por uma estante, a qual já era usada no século XIII. (Braun, Lit. Handl., s. v.)

 

Cobrir a pequena estante para o missal com véu, não é proibido nem prescrito. (Cf. Mem. Rit. Sab. S. "uma almofada branca para o missal, quando não se usa uma estante".) Serve porém para adorno do altar.

 

171.    X. Os relicários, imagens e flores.

 

1. O culto das relíquias dos mártires remonta até aos primeiros tempos do cristianismo. No século V também as relíquias dos confessores eram veneradas. Relicários preciosíssimos são testemunhas deste culto. Pela sua beleza eram muito próprios para enfeitar a igreja. Desde o século IX foram postos sobre o altar. O cerimonial dos bispos (C. E. 1. 1, c. 12, n. 12) recomenda que nas solenidades se coloquem, entre os castiçais, relicários ou imagens de prata ou de outra matéria, de tamanho conveniente.

É louvável expor nas igrejas para a veneração as imagens de Jesus Cristo e dos santos. Mas para que sirvam ao mesmo tempo de adorno e de instrução religiosa devem corresponder às prescrições litúrgicas.

 

Nas igrejas, mesmo nas isentas, sem licença escrita do ordinário do lugar não é permitido colocar estátuas novas ou insólitas, quadros pintados, inscrições e quaisquer monumentos ou introduzir obra nova. Mais que uma estátua ou imagem do mesmo santo sob o mesmo título não se permita na mesma igreja nem no mesmo altar, embora com diverso título. (C. B. n. 397.)

 

Imagens de papel são proibidas nas igrejas, mas se permitem oleografias coladas em tela. (C. B. 398.) Os donativos ou oblações votivas tenham o seu lugar na igreja, mas doravante só se aceitem aqueles em forma de coração. (C. B. 401.)

 

Nas grandes festas a decoração da igreja seja moderada e vistosa. Panos de menos preço e flores de papel são proibidas. (C. B. n. 356.)

 

Nas igrejas se podem admitir distintivos ou bandeiras que não pertençam a associações manifestamente contrárias à religião católica ou com estatutos reprovados, e quando os distintivos ou bandeiras não mostrem emblema por si proibido ou reprovado. (C. B. n. 374, § 2.)

 

172.    2. O costume de enfeitar as igrejas com plantas e flores já foi louvado por S. Jerônimo e S. Paulino de Nola. S. Agostinho (De Civ. Dei, 22, 8) menciona flores que adornavam um altar. O C. E. recomenda as flores para adorno dos altares (I, 12, 12), em primeiro lugar flores naturais, só em segundo lugar flores de seda.

 

O C. B. (n. 328) diz: Enfeitem-se os altares com as relíquias dos santos e flores, as quais, porém, não se coloquem diante da porta do tabernáculo ou em cima da mesa do altar. As flores sejam, se for possível, naturais e frescas ou ao menos de seda ou artísticas; nunca, porém, de papel ou celulóide, as quais são proibidas absolutamente.

 

173.    3. O C. E. distingue 3 modos litúrgicos de adornar: o modo festivo, o menos festivo e o simples.

 

A. O modo festivo (C. E. I, 12, 11) consiste no emprego de castiçais de prata ou de metal dourado mais altos do que nos dias comuns, de relicários, imagens, flores e tapetes.

B. O modo simples (C. E. II, 11, 1 simplex) não admite ornato festivo, nem imagem, mas só a cruz e os castiçais. É de obrigação:

 

a) para a missa de réquie solene. (C. E. II, 11, 1.)

b) para dias em que há ofício de ea no tempo do advento, da quaresma e da paixão (C. E. II, 20, 3; Victor de App. p. 59; Martinucci, 1. 2, n. 1, sine vasis floreis; Mem. Rit. tit. 2. c. 1, n.° 1 absque vasis florum), com exceção dos domingos Gaudete e Lcetare, em que o ornato dos altares é permitido.

 

174.    C. O modo menos festivo (C. E. II, 20, 2, simplicior), sendo distinto do modo simples, que explicitamente exclui as flores, este modo evidentemente as permite. Tal modo de adornar é usado nos dias de ofício festivo ritus duplicis et semiduplicis (Martinucci, 1. 2, c. 6, art. 1, n. 3) do advento e da quaresma. Pois, segundo C. E., o advento e a quaresma empregam o modus simplicior. (C. E. II, 20, 2.)

 

O mesmo vale para a semana da paixão. Pois Martinucci diz: "apparatus exterior congruat cum festo, a não ser que seja dia de luto, p. ex., domingo da paixão" (1. 2, c. 1, n. 6). O Memoriale Rituum exige (Dom. Palmar. c. 1. n. 3): "Rami Palmarum, loco florum"; supõe, por conseguinte, que nos dias anteriores da paixão se punham flores nos altares, ao menos, havendo uma festa.

Cappello diz que "não é proibido" (vetitum non est) enfeitar, mesmo no tempo da quaresma, os altares com flores, mas não convém. Pois é tempo "de tristeza e de penitência." (Theol. mor. I, n. 778.)

Por ocasião da primeira comunhão das crianças, as flores se permitem também nos dias de e a (tempore Quadragesimae, d. 3448 ad 1). Diante da porta do tabernáculo não se pode colocar um vaso com flores ou coisa semelhante, mas este deve-se pôr em lugar mais baixo. (d. 2067 ad 10; cf. n. 932.)

 

O altar da exposição do SS. Sacramento sempre se enfeita com flores (Rubrica F. V. Cxna Dni), mesmo para a bênção.

 

175.    4. Todas as cruzes e imagens de Nosso Senhor Jesus Cristo e dos santos devem estar cobertas com véu roxo, véu da paixão, desde as primeiras vésperas do domingo da paixão. (C. E. II, 20, 3; Miss. Sabb. ante Dom. Pass.; cl. 1275 ad 3.)

 

Entendem-se as imagens sobre os altares. Pois, à pergunta: "an non solum Cruces et imagines Salvatoris, sed etiam omnes imagines Sanctorum, que super altaribus reperiuntur, tegi debent?", respondeu a S. R. Congregação: Debent tegi omnes imagines. Este inciso: omnes imagines é a resposta à pergunta e compreende só "imagines Salvatoris et omnes imagines Sanctorum super altaribus". Não modificando nada, a S. Congregação dos Ritos aprova a restrição: super altaribus. Portanto, não está prescrito que se cubram com véu as imagens fora do altar.

 

176.   Nem parece segundo o espírito da Igreja, respeitadora da beleza clássica, meter as imagens dos santos fora do altar, em sacos roxos, sendo impossível outro modo de velá-las. Na catedral de S. Pedro em Roma as imagens dos santos em a nave não são cobertas com véu.

 

No mês de março, em honra de S. José, a Sua estátua que está fora do altar, pode ficar descoberta e os altares podem ser ornados com flores. (d. 3448 ad 11.) Portanto, é permitido colocar uma imagem de S. José numa espécie de altar semelhante ao que se costuma erigir em honra de Maria Santíssima no mês de maio, e enfeitá-lo com flores. Com maior razão outras imagens fora do altar e menos visíveis podem ficar sem véu. As imagens da via sacra não se precisa cobrir. (d. 3638 ad 2.)

 

177. 5. O uso das imagens.

a) As imagens dos santos podem ser veneradas por toda parte; as imagens dos bem-aventurados, onde a sua missa é permitida ou houver indulto; as imagens dos servos de Deus ainda não beatificados só podem ser representadas nas paredes e janelas fora do altar e sem emblema de santidade. (d. 3835; 1156; 1130.) É proibido representar o Espírito Santo em forma humana quer com o Pai e Filho quer separada. (S. Off. 14.3.1928. Eph. lit. 1928 p. 197.)

 

178.   b) O altar fixo não exige a imagem do orago. (d. 2752 ad 5; 7.) Se, porém, alguma se põe, deve ser a do orago. (d. 4191 ad 4.) Uma imagem na janela não serve de imagem de altar; por isso não recebe inclinação durante a missa, se ocorrer o nome do santo nela representado. As imagens dos santos e as relíquias colocadas entre os castiçais devem ser incensadas na missa e nas vésperas. (d. 2375 ad 3.) Nunca podem ser postas no trono da exposição (d. 3589) sobre o tabernáculo, de sorte que este sirva de peanha (d. 2613 ad 6), nem ser levadas na procissão do SS. Sacramento. (d. 3878; 3997.) No mesmo altar haja uma só imagem principal; outra secundária é apenas tolerada. (C. B. n. 327, § 2.)

 

179.    XI. O tabernáculo (= tenda, morada) é espécie de armário para guardar o SS. Sacramento. O seu desenvolvimento foi muito lento e passou por diferentes fases.

 

1. Sem tabernáculo. Nos primeiros tempos, os cristãos eram muito fervorosos e comungavam todos durante a missa. O que restava do pão eucarístico era distribuído entre as crianças. Além disso os fiéis podiam levar o SS. Sacramento para casa e guardá-lo (Tertull. Ad uxor. 2, 5) e comungar. O tabernáculo na Igreja não era necessário.

 

2. Tabernáculo fora da igreja num quarto contíguo.

 

a) Na igreja oriental. Nas constituições apostólicas (IV-V sec.) foi determinado que as hóstias consagradas restantes fossem guardadas no pastofório. Era isto um quarto (sacristia) ou um nicho (armário).

 

180.    b) No ocidente este lugar se chamava sacrarium ou Secretariam (= lugar para esconder, depor os vasos sagrados e os paramentos; VII ord. rom.) Ainda no século XVI vigorava o costume de guardar assim o SS. Sacramento.

 

3. Tabernáculo dentro da igreja, mas fora do altar.

 

a) Na primeira metade do século XII, guardava-se o SS. Sacramento num armário encaixado na parede ou num nicho. Continuou este uso até ao século XVII.

b) Na época do estilo ogival, mormente nos séculos XIV-XVI, construíam-se torrezinhas muito artísticas, às vezes bastante altas, do lado do evangelho, para conservar o SS. Sacramento. Ainda no século XIX vigorava este costume.

 

181.    4. O tabernáculo sobre o altar.

 

a) Nos séculos IX e X colocava-se em alguns lugares unia espécie de tabernáculo sobre o altar, em que se guardava o viático para os enfermos.

b) Nesta época reinava, na França e na Inglaterra principalmente, o costume de conservar o SS. Sacramento num vaso suspenso por cima do altar. Em algumas igrejas permaneceu este método até aos séculos XVIII e XIX. Ainda está em vigor, com licença da S. Congregação dos Ritos, em Amiens.

c) A este vaso deram à forma de uma pomba, que pendia do cibório ou de um suporte semelhante ao báculo episcopal. No interior cabiam só poucas hóstias. Além disso não estavam bem fechados.

 

182.    d) Bem fechado. O 4° concílio de Latrão (1215) prescreveu que a S. Eucaristia fosse bem guardada debaixo de chave. Não exigiu, porém, que o tabernáculo fosse inamovível.

 

e) O ritual romano (1614) determinou que o tabernáculo fosse colocado sobre o altar, insinuando que ficasse inamovível. Este modo de conservar o SS. Sacramento não era novo. Na catedral de Colônia existe um altar do século XIV com o tabernáculo fixo; é o mais antigo.

 

183.   f) A recente legislação (cân. 1269) prescreve que a S. Eucaristia seja guardada num tabernáculo, fabricado com primor, de todos os lados solidamente fechado, inamovível colocado no meio do altar, decentemente coberto (cân. 1269, § 2), com o conopéu. (Rit. IV, 1, n.° 6.) Conopéu (mosquiteiro) significa a coberta do tabernáculo em forma de tenda. Muitas vezes se reduz a uma cortina (pavilhão, respeito) diante da porta do tabernáculo. O seu uso é obrigatório.

1) apesar do costume contrário (d. 4137);

2) apesar da preciosidade do tabernáculo (d. 3520) ;

3) apesar da cortina interior que é somente tolerada sob a condição de que o tabernáculo esteja coberto pelo pavilhão. (d. 3150.)

 

O conopéu pode ser feito de pano de algodão, lã, ou cânhamo, de cor sempre branca ou conveniente ao tempo e à festa, exceto a cor preta (d. 1615), que se substitui pela cor roxa nas exéquias. (d. 3035, ad 10.) Mas no altar em que está exposto o SS. Sacramento deve ser branco. (d. 1615, ad 7, 8, 9; 2673.) Não se deve tolerar pôr na porta do tabernáculo em lugar do conopéu um anteparo de metal, de pano bordado ou oleografia com símbolos da sagrada Eucaristia ou santo nome de Jesus, ou imagem de Maria Santíssima. (Decret. t. V. p. 481; C. B., n. 384, § 1.) Deve ser feito de pano tecido, sendo proibida a renda e obra de crochê. (S. R. C., 11 de julho de 1940.)

 

É proibido fazer os tabernáculos por detrás do altar. (C. B. n. 327, § 3.) O interior seja forrado de seda branca ou melhor de lâminas. (C. B. n. 384, § 1.) A chave seja de ouro ou prata, se for possível (C. B. n. 212, § 1), e guardada conforme as seguintes normas prescritas pela Santa Se (A. A. S., 1938, p. 98-107):

aa) O sacerdote encarregado de guardar a chave do tabernáculo está obrigado a isto sob pecado grave. Tem estrita obrigação de nunca deixar a chave do tabernáculo no altar ou na porta do tabernáculo nem mesmo durante o tempo das funções litúrgicas. Findas estas a chave ou é guardada pelo reitor da igreja em casa ou ele a leva sempre consigo, evitando, porém, o perigo de perdê-la; ou é colocada na sacristia num lugar seguro e oculto, fechado com outra chave, a qual deve ser guardada como foi dito. Se ele se ausenta, deve confiar a guarda da chave a outro sacerdote. Se a chave fica na sacristia; debaixo de outra chave, pode entregar esta última ao sacristão durante a ausência.

 

bb) Nos conventos das religiosas a chave não pode ser guardada dentro da clausura (inter septa), mas o deve ser na sacristia num lugar seguro, sólido e oculto, fechado com duas chaves. Uma delas é guardada pela superiora da comunidade ou pela irmã que faz as vezes dela, e outra por uma irmã, p. ex., a sacristã, de sorte que seja necessário o concurso das duas para abrir o lugar mencionado.

 

cc) Nos oratórios de seminários, colégios, hospitais, etc., o diretor, no for sacerdote, deve guardar a chave do tabernáculo. Se não for sacerdote, o diretor espiritual ou o capelão deve guardá-la com cuidado, para que não venha a cair nas mãos de outras ressoas.

 

dd) Nos oratórios privados a guarda da chave se entrega à família. O bispo pode dispor de outra maneira.

 

ee) Todas as vezes que houver roubo sacrílego, em que a S. Eucaristia for violada, o bispo deve meter em processo o pároco ou o sacerdote secular ou regular, ainda mesmo que seja isento encarregado da guarda da SS. Eucaristia e mandar as atas para a S. Congregação e propor o castigo talvez merecido.

 

ff) Responsável é sempre o sacerdote encarregado e não se admite a desculpa de que outro sacerdote foi negligente. Pois ele é que dá ocasião para o sacrilégio por sua culpa.

 

184.    XII. As balaustradas do coro. São conhecidas desde o século IV. Tem por fim:

1) "Separar o presbitério do corpo da igreja". (C. P., p. 708, n.° 13.) É o lugar reservado ao clero (d. 157; 175 et alia);

2) designar o recinto do altar como santuário;

3) separar o santuário do lugar do povo;

4) impedir o transtorno das funções sagradas;

5) indicar que oferecer o sacrifício eucarístico é privilégio reservado aos sacerdotes.

 

O feitio e a altura têm sido nas várias épocas muito diferentes. Agora a balaustrada serve também de mesa da comunhão para o povo. A toalha com que está coberta "representa a sagrada mesa". (C. P., p. 55, n.° 225.) Os objetos e alfaias indispensáveis enumera a C. P., p. 683. Convém (C. P., n.° 813) que haja nas sacristias uma tabela com os nomes do titular, do prelado diocesano e a oração imperada.

Titularis Ecclesiae __________________

Episcopus ________________________

Imperata ________________________

 

185.    XIII. Castiçais. Os castiçais, destinados para sustentar velas de cera, eram usados na antiguidade e pelos cristãos dos primeiros séculos. Na vida do papa Silvestre conta-se que o imperador Constantino ofereceu sete candelabros de bronze para o serviço do altar. Colocavam-se no pavimento ao lado do altar e eram sustentados por acólitos. Até o séc. IX não se tem notícias de castiçais postos no altar.

 

Podem ser iguais, embora segundo o C. E. (i, c. 12, n. 1 i) não devem ser iguais, decrescendo em altura desde a cruz para os dois lados; pois parece que neste caso o preceito do C. E. não se deve tomar rigorosamente, diz a S. R. C. (d. 3035 ad 7; t. V. p 56.) Não precisam estar na mesa do altar, mas podem ficar na banqueta. (d. 3759 ad 2.) Não podem ser substituídos por castiçais de sete braços a modo do castiçal mosaico (d. 3137 ad 4), nem por dois, postos dos dois lados na parede (d. 3137 ad 1), nem cobertos de um pano ou tecido no tempo da missa e dos ofícios. (d. 3059 ad 11.) Ao evangelho os acólitos não podem usar tochas em vez de castiçais. (d. 3333 I, 2.)

 

O seu número prescrito é diferente conforme o número das velas prescritas para a função litúrgica. São dois, quatro ou seis. O sétimo deve-se acrescentar, quando o bispo diocesano celebrar a missa pontifical. Na missa estritamente privada devem ser duas velas nem podem ser mais para o celebrante inferior ao bispo. (d. 2984.)

Podem-se acender mais de duas:

1) na missa do bispo;

2) na missa conventual (d. 3065);

3) nas missas paroquiais ou semelhantes nos dias de festa e quando se trata de missas celebradas em lugar de missa solene ou cantada, por ocasião de real ou costumada festividade, p. ex., a missa da comunidade nas casas religiosas. (Cappello I, n: 740; 774.) Missa paroquial neste caso é qualquer missa que se diz para o povo satisfazer a sua obrigação nos domingos e festas. (Cappello 1. c.)

Nas missas cantadas de réquie se devem acender ao menos quatro velas. (d. 3029 ad 7.)

Para as missas solenes com ministros sacros são prescritas seis velas (C. E. I, c. 12, n. 11), mas não é proibido pôr mais. Diante das imagens ou relíquias de santos, que há no altar, se pode empregar número maior de velas por serem acesas por causa do culto e não do celebrante. (Zualtli, Solans.)

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§ 51. CORO E NAVE

 

 

186.    1. Côro ou presbitério (de presbyter = sacerdote) é espaço próximo do altar, em geral mais elevado que a nave da igreja. É separado da nave pela balaustrada. Nas catedrais e outras grandes igrejas, presbitério é o nome do espaço do altar, destinado às funções sagradas; coro designa o recinto destinado ao clero que recita o ofício divino. Tem duas ou mais linhas de bancos de madeira, dispostos no mesmo ou em diferente nível, munidos de divisões, cadeiras (stalla). O assento levantado apresenta uma saliência (misericórdia), que serve de apoio ao que está de pé.

 

187.    2. Vários móveis devem guarnecer o coro.

a) A credência (abacus), mesa do lado da epístola destinada aos objetos necessários às funções litúrgicas. “Somente para as missas solenes (C. E. I, 12, 19) costuma-se cobri-la com uma toalha branca que desça até ao chão e a envolva ao redor."

b) O banco (scamnum), do lado da epístola, bastante longo, em que se assentam o celebrante e os 2 ministros. Deve ser coberto por um estofo conveniente, p. ex., da cor dos paramentos (C. E. I, 12, 22); encosto permitido. (Cf. d. 4165 ad 4.)

 

188.    c) Tamboretes ou mochos (scabella) são assentos sem encosto. A forma não está prescrita. Servem em vez do banco. "Banco ou tamboretes para se sentarem os ministros sagrados nas missas cantadas." (C. P., p. 705, n° 31.) Para os ministros não paramentados é mais conveniente o banco.

 

d) O trono episcopal. Sobe-se para a cadeira episcopal por 3 degraus.

 

e) O faldistório, um assento de braços, sem espaldar, de que o prelado se serve, fora do trono, para se assentar ou ajoelhar.

 

189.    3. A nave da igreja está destinada aos fiéis. Em regra geral os homens ocupam o lado da epístola e as mulheres o lado do Evangelho. Assim é uso desde a antiguidade cristã como o testemunha o "Testamento de N. S. Jesus Cristo" (sec. V, Braun, Handl., p. 202), e assim o deseja a Igreja. (Cân. 1262, § 1.)

 

Os bispos do Brasil querem (C. P. n.° 781) "que haja nos templos completa separação de homens e mulheres, sendo conveniente para isso a colocação de uma grade, alguns metros acima da entrada principal da igreja, e em toda a sua largura. Assim disposto o interior da igreja, os homens ficarão acima do arco cruzeiro, e abaixo dessa grade, e as mulheres entre essa grade e o arco cruzeiro, em toda a largura do templo."

 

190.    a) O púlpito é o lugar destinado à pregação. Antigamente os bispos pregavam do seu trono. Mas no século IV usavam para a explicação da doutrina cristã o ambão (de anabainein = subir), uma tribuna pequena contígua à balaustrada do coro. Mais tarde o colocaram em a nave da igreja.

 

O púlpito fixo remonta até aos últimos tempos da idade média (Braun, Lit. Hand.) e era construído exclusivamente para a pregação, ao passo que o ambão era reservado para o canto da epístola e do evangelho. Em muitas igrejas, mormente nas catedrais, há dois púlpitos, para que o pregador possa ser visto do celebrante, seja ele bispo ou simples sacerdote. "O pavimento do púlpito regularmente não deve exceder a dois metros acima do pavimento da igreja." (C. P., n.° 805, ad 1.)

 

191.    b) Pia batismal. Antigamente existiam igrejas destinadas ao batismo. No meio estava a fonte batismal (fons baptismalis, piscina), um tanque de alvenaria, para o qual se descia por degraus. Ali se fazia o batismo por imersão. Quando o batismo dos adultos se tornou mais raro, usavam-se bacias que se chamavam também fontes batismais (tons baptismalis). Desde o século XII se começou a colocá-la num suporte e a dar-lhe a forma mais agradável de cálix. É a pia batismal moderna. Mas nem a forma nem o material está prescrito pela lei universal, contanto que o material seja sólido. (Rit. Rom. tit. II, n. 46.)

 

192.    O batistério seja fechado e cercado de grades, munido de fechadura e chave. Quando comodamente pode ser, seja nele pintada ou colocada uma imagem de Jesus Cristo batizado por S. João Batista e tenha uma pia de mármore bem fechada, de sorte que poeira ou outras imundices não possam penetrar no interior. (C. B. n. 178, § 1.)

 

193.    c) Piscina ou sacrarium.

1) C. P. n.° 803. Em todas as igrejas deve haver uma piscina ou sacrarium, construída por detrás do altar ou na sacristia ou outro lugar cômodo.

 

Para isso abra-se na terra uma grande cova ou poço com pão paredes de alvenaria e um orifício fechado com uma pedra ou tampo de madeira ou de ferro, fácil de abrir. Ai se lança tudo o que as rubricas do ritual e do missal mandam deitar na piscina, como as cinzas dos santos óleos, dos ornamentos e vestes sacras queimados, o algodão e o miolo de pão que houverem servido para limpar a unções dos santos óleos e os dedos dos sacerdotes, a água batismal, benta antigas, a água com que se houverem purificado os corporais, os sanguinhos, etc. Na piscina não se deita nada de profano. (C. P. L. A., n° 894.) Se os objetos queimados, por serem muitos, não cabem nela, é preciso pô-los em outro lugar benzida ou onde não há perigo de profanação. (Mach-Ferr. II p. 166.)

 

194.    2) História. Antigamente (Braun, Lit. Handl. sacrarium, piscina) estava próximo do altar, de sorte que a água da ablução na missa, era logo lá despejada. Aí o sacerdote lavava as mãos e o cálix. Compunha-se de poço feito na terra, comunicando por um cano com uma bacia adaptada ao muro na altura de um metro mais ou menos acima do pavimento. Ainda hoje se pode construir assim colocando a bacia na sacristia.

 

195.    3) No rito da ordenação do subdiácono a piscina se chama baptisterium, porque muitas vezes está construída no lugar do batismo.

 

4) Durandus (Rat. 1. 1, e. 1, n.° 39) diz: "Perto do altar, que significa Cristo, põe-se a piscina ou bacia para lavar, isto é, a Misericórdia de Cristo, em que se lavam as mãos pelo batismo e pela penitência."

 

196.    d) A pia de água benta é conhecida ao menos desde a idade média.

 

O seu uso provavelmente se deriva da cerimônia de aspergir o povo com benta nos domingos. Este costume intensificou-se mormente no século VIII Para ter a aspersão da água benta também nos dias de semana, e colocava-se um vaso com água benta à disposição do povo. Destarte cada um podia fruir a bênção da água benta, tomando-a com o sinal da Cruz, (Cf. C. P., n. 804.)

 

197.    e) O confessionário, na forma de hoje, foi introduzido depois do Concílio Tridentino.

1) Nos séculos anteriores o confessor se assentava num banco diante do qual o penitente se ajoelhava no chão. O lugar não estava prescrito; de preferência, porém, era diante do altar. Esta forma primitiva foi modificada, colocando-se entre o confessor e o penitente uma tábua, depois uma grade.

 

2) O confessionário deve ser munido de grade fixa ou ralo pouco perfurado entre o penitente e o confessor (cân. 909, § 2), também para os homens salvo o cân. 910, § 2. (C. B. n. 245, § 1.)

 

As confissões de mulheres podem-se ouvir de manhã depois das Ave-Marias, contanto que a igreja e confessionário sejam bastante iluminados. De tarde depois das Ave-Marias não se ouçam confissões de mulheres salvo nas missões e grandes concursos com as cautelas oportunas. (C. B., n. 242.)

As confissões das mulheres surdas, com as cautelas necessárias, ouçam-se num lugar anexo à igreja e patente, onde haja um confessionário segundo o modelo prescrito. (C. B. n. 244.)

O confessionário do lado do penitente tenha uma imagem do Crucifixo e seja colocado em lugar patente e visível. (C. B. n. 245, § 2.)

 

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§ 52. OS SINOS

 

 

198.    1. Etimologia. Sino deriva-se de signum (= sinal), Porquanto com ele se dava o sinal para os Ofícios da igreja. Chamaram-no também campana = campa e o diminutivo de campainha, por ser célebre o bronze da Campagna, de que eram fabricados. O termo "nola" não tem nada com a cidade de Nola, mas deriva-se da raiz céltica noll = soar.

 

2. História.

a) No antigo testamento a veste do sumo sacerdote era guarnecida de campainhas, por ordem de Deus.

 

Os chineses, babilônios, gregos e romanos conheciam a campa e a campainha e se serviam delas para o uso doméstico como hoje. Em Atenas os sacerdotes da Prosérpina chamavam o povo com campainhas para o sacrifício em honra dela.

 

199.   b) Depois das perseguições os cristãos empregaram, entre outros instrumentos, também os sinos para convocar os fiéis. Em prova disso Bona (R. lit., I, e. 22) e Barônio (Annales, an. 58, n. 104) alegam o costume geral dos pagãos de chamar com a campa os operários para o trabalho, o público para os banhos, de acordar os escravos de manhã. Portanto deviam ser grandes essas campas e locadas em lugar elevado. O imperador Augusto mandou pôr sinos no alto do templo de Júpiter no Capitólio. Os sacerdotes judaicos davam de uma alta torre o sinal para começar o sábado. Os cristãos terão aproveitado esse uso geral.

 

Os monges serviam-se deles para marcar a hora. Foi por meio dos monges que se espalharam os sinos. No século VI já os achamos como objetos litúrgicos; encontravam-se também sinos com cordas. 200 anos depois o seu uso tornou-se geral.

 

No Oriente, de onde provavelmente se propagou para o Ocidente, o sino era menos conhecido. Em seu lugar se empregava o simantron, tábua em que se batia com um martelo. Coisa semelhante possuimos, nos últimos dias da Semana Santa, na matraca. É um instrumento de madeira, composto de tabuazinha e martelo movediço que, agitado, serve para dar sinais.

 

c) Os sinos foram fabricados, primeiro reunindo-se chapas de metal, mais tarde pela fundição.

 

200.    Na missa a campainha se deve tocar duas vezes: ao Sanctus e à elevação (Missal). Mas é costume tocá-la no princípio da consagração (d. 4377), em muitas igrejas ao ofertório, ao Domine, non sum dignas, e à pequena elevação.

 

A campainha não se pode tocar na missa com o Santíssimo exposto, nem em outras missas durante a exposição. (d. 3157 ad 10; 3448 ad 2.)

 

201.    d) Sobre a finalidade do sino escreve Durandus (1. 1. c., 4, n. 1) : "Toca-se o sino, para que os fiéis sejam convocados para o prêmio; cresça neles a fé viva; sejam protegidos os frutos, as almas e o corpo dos fiéis, afastado o exército dos adversários e todas as ciladas dos inimigos; sejam mitigados o fragor do granizo, a procela dos turbilhões, o ímpeto das tempestades e dos raios; os terríveis trovões e as ventanias acabem, os espíritos das tormentas e os poderes do ar sejam derribados... Tudo isto se acha na bênção dos sinos."

 

Os sinos bentos não podem ser empregados para o uso exclusivamente profano, exceto por necessidade ou com licença do Ordinário ou por costume legítimo. (Can. 1169, § 4; S. C. Conc. 28.3.31 requisita tempestive et habita proprii Ordinarii licentia.) "Sempre que o bispo vai a qualquer igreja ou por ela passa, repicam os sinos." (P. C. 704, n° 54; d. 3888 ad 1.) O dobre fúnebre não se tolera nos domingos e outras festas, nas quais é proibida a missa cantada de réquie absente cadavere, nas igrejas onde, na ausência dele, por costume se celebra o ofício dos defuntos ou a absolvição dos defuntos. (C. B. n. 324, § 3.)

 

202.   O Pálio (baldaquino, sobrecéu) é pano oblongo, sustentado por varas para ser levado a mão. Está prescrito para a procissão com o Santíssimo e com o Santo Lenho (relíquia da S. Cruz), e para o bispo, quando é recebido solenemente.

A umbela é um pálio pequeno, um baldaquino, semelhante aos chapéu do sol, de cor branca, debaixo do qual o sacerdote leva o SS.. Sacramento em certas ocasiões.

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53. 0 VESTUÁRIO LITÚRGICO EM GERAL

 

 

203.    Origem e desenvolvimento das vestes litúrgicas.

 

I. Vestuário comum I-IV século.

 

Nos primeiros séculos o vestuário dos sacerdotes nas funções sacras era o profano. Pois:

a) Jesus Cristo não deu nenhuma prescrição de usar vestes especiais nas funções litúrgicas. ELE mesmo disse a primeira missa no cenáculo sem mudar de vestes;

b) os apóstolos O imitaram. Nem quiseram tomar os ricos paramentos do culto mosaico, provavelmente avisados pelo fundador da Igreja. Pois nunca houve tentativa de introduzir vestes sacras judaicas. O Concílio Tridentino parece indicar este fato, dizendo (Trid. s. 22, c. 5): A Igreja instituiu segundo a doutrina e disciplina apostólica cerimônias e menciona também as vestes;

c) a autoridade eclesiástica não criou por uma única lei o vestuário litúrgico; pois conhecemos a época aproximada da origem dos vários paramentos;

d) prescreveu, porém, desde muito cedo um vestuário de cerimônia de forma profana. Pois os cânones de Hipólito (Duchesne Orígenes 545) exigem do bispo, dos sacerdotes, dos diáconos e dos leitores "vestes brancas, mais belas do que as do povo" para as funções litúrgicas;

e) a lei natural impõe a obrigação de tratar as coisas santas com respeito. Bem conhecidas eram as leis severas do antigo testamento quanto a este particular, as cerimônias na corte imperial e nos sacrifícios em honra dos ídolos. É esta consideração a fonte primária do vestuário litúrgico do novo testamento.

 

204.    II. O vestuário litúrgico do IV-VIII século. (Braun, Lit. Handl. Kleidung.)

 

Nesta época efetuou-se:

a) a diferença entre a veste profana e a veste litúrgica. Pois a moda abandonou a antiga túnica ampla e preferiu as vestes curtas. A Igreja, porém, guardou o vestuário majestoso de outrora e o desenvolveu, acrescentando distintivos;

b) entre a veste clerical (Sínodo de Agde em 506) e a litúrgica (sínodo de Narbonne em 589);

c) entre as vestes dos diferentes graus hierárquicos;

d) o modo de vestir os paramentos por cima das vestes profanas;

e) o costume de benzer o vestuário litúrgico.

 

205.   III. O vestuário vigente do VIII-XX século.

 

1. Mudanças.

 

a) Poucos paramentos foram acrescentados aos já existentes, p. ex., o pluvial (a capa de asperges), a sobrepeliz e alguns paramentos pontificais.

b) Mudou-se o feitio e a classificação determinada quanto ao uso litúrgico.

 

2. Classificação.

 

Comuns a todos os clérigos são: a sobrepeliz, o amito, a alva com cordão, a capa de asperges, o barrete e o solidéu. Todos os outros paramentos são próprios só dos clérigos de ordens maiores e usados principalmente na missa.

 

206.   IV. As vestes eclesiásticas (C. P., n° 1309-1319) são as seguintes:

 

Batina preta, cabeção fechado pela parte posterior, capa romana, faixa preta com franjas, sobretudo eclesiástico, chapéu eclesiástico, voltinha lisa, sendo proibido o colarinho secular. Aos clérigos, que por causa de viagem se servem de cavalo, permite-se veste eclesiástica de cor preta ou de outra cor conforme o juízo do Ordinário do lugar, a qual chegue ao menos até ao joelho. Os sacerdotes, que vão administrar os sacramentos em casas particulares rurais, podem administrá-los vestindo tal veste e usando a sobrepeliz e a estola como de costume. Traje civil só é permitido nas regiões onde é proibido vestir a batina. (C. B. n. 19, § 3.)

 

 

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§ 54. AS CORES LITÚRGICAS

 

 

207.   1. Desenvolvimento.

 

O cânon das cores litúrgicas não se conhecia na antiguidade cristã, porquanto nesta época a veste litúrgica era branca, conforme o uso geral profano. Nem se deriva das cores litúrgicas do antigo testamento. Pois não existiam vestes litúrgicas de cor predominante, mas só vestes guarnecidas de ornamentos de várias cores.

 

Os primeiros vestígios de um cânon das cores litúrgicas acham-se no tempo dos carolingios. Essencialmente, está fixo desde o século XII, abrangendo em Roma o branco, o vermelho, o verde e o preto como cores primárias; o escarlate, o amarelo, o roxo, como secundárias. Mas havia muita confusão nas cores e no seu emprego. Pio V suprimiu as cores secundárias e estabeleceu para a Igreja universal o cânon das cinco cores primárias: branco, vermelho, verde, roxo e preto, admitindo a cor de rosa em dois dias: (Graudete e Laetare. (Rub. Gen. 18, 1.)

 

208.   2. Origem e simbolismo.

 

A origem das cores litúrgicas deve-se procurar no simbolismo, que naquele tempo (700-900) estava muito em voga. Quiseram exprimir o caráter das festas ou épocas por cores convenientes, deixando-se guiar pelo senso comum.

O branco é símbolo da pureza, da graça santificante, da alma pura, da alegria.

O vermelho simboliza o fogo, o sangue, por conseguinte o amor divino e o martírio.

O verde é a cor da esperança da vida (domingos).

O roxo significa a penitência, lembrando as contusões de cor roxa.

O preto é símbolo de luto.

Das cores dos paramentos trata o missal por miudo nas rubricas (Rub. Gen. 18, 19). Além disso, nos capítulos seguintes, indicar-se-ão as cores prescritas para as várias funções.

 

209.   3. Restrições.

 

Outras cores são proibidas, p. ex., a cor amarela ou de ouro. (d. 3779 ad 3; 3191 ad 4.) Tela de ouro puro substitui as cores branca, vermelha e verde (d. 3646 ad 2); tela de prata, a cor branca.

 

Permitem-se todos os matizes de uma cor, contanto que a cor claramente possa distinguir-se. Os paramentos de várias cores, em que nenhuma delas predomina, são proibidos. (d. 2769, V, 2.) Nos ornamentos, porém, p. ex., de flores, arabescos, outras cores se permitem. Nos paramentos pretos não podem ser postos emblemas fúnebres (caveiras, ossos cruzados, cruzes brancas (d. 4174 ad 1); pois onde está Cristo, aí está a vida e a ressurreição.

 

 

§ 55. A BÊNÇÃO DOS PARAMENTOS

 

 

210.   1) A benção do vestuário litúrgico é mencionada pela primeira vez pela metade do século IX. Era reservada ao bispo.

 

2) Objetos da benção. Devem ser benzidos:

a) indumenta sacerdotatia (indumentária sacerdotal; Rit. Rom. VIII, 20). Por este nome se entendem, conforme o Pontifical Romano: a casula, a estola da missa e qualquer outra, o manípulo, a alva, o amito, o cordão;

b) a pala, o corporal (c. 22), as toalhas do altar (c. 21); o tabernáculo, a píxide para levar o SS. Sacramento aos enfermos, a âmbula, a custódia e a lúnula com a fórmula Rit. VIII, 23; d. 4035, ad 4.

 

Devem ser sagrados o cálix e a patena.

c) Podem ser benzidas: a capa de asperges, a dalmática, a tunicela, a sobrepeliz. O simples uso de paramentos não lhes confere a bênção. (Cân. 1148, § 2; d. 3162 ad 7.)

O sanguinho, o véu do cálix e a bolsa não são bentos. (d. 2572 ad 12.)

A pala pode-se benzer sem o corporal. A fórmula da benção se deve recitar como está no Ritual quer seja uma pala ou mais que uma, seja com o corporal ou sem ele. (d. 3524 ad 3.)

 

211.    3) Sujeito da bênção.

a) Podem consagrar o cálix e a patena os bispos e os sacerdotes delegados para isso pela Santa Sé; fora disso a sagração é inválida. (Cân. 1147, 1.)

 

b) Podem benzer as vestes litúrgicas (cân. 1304):

1. Além dos bispos e cardeais, todos os párocos para as igrejas e oratórios situados no território da sua freguesia; os reitores das igrejas para as suas igrejas.

2. Os sacerdotes delegados pelo ordinário do lugar dentro dos limites da delegação e da jurisdição do delegante.

3. Os superiores religiosos e sacerdotes da mesma ordem delegados por eles, para as suas igrejas e oratórios próprios e para as igrejas das religiosas sujeitas a eles.

Se um sacerdote desse uma bênção reservada sem delegação, a bênção seria ilícita, mas válida (can. 1147, § 3). O sacerdote delegado não pode tomar as fórmulas do Pontifical, mas só as do Ritual, e estas sem mudança (d. 3524 ad, 2).

 

 

§ 56. TRATO DOS PARAMENTOS

 

 

212.   1. As vestes litúrgicas perdem a bênção (cân. 1305)

 

a) se sofrerem tais lesões e mudanças que percam a forma primitiva e já não sejam julgadas aptas para o seu uso (p. ex., 1. desfazendo as costuras, de sorte que deixem de existir na forma em que foram bentas; 2. renovando-as pela metade. Braun, Lit. Handl. p. 101; 315; Solans-Casanueva I ri.° 90; Kieffer, p. 138, se o cordão se rompe de sorte que nenhuma parte serve para cingir-se o C. Mach-Ferr. I p. 398.) O foro renovado de uma veste litúrgica não exige nova bênção.

 

b) Se tiverem sido empregadas para usos inconvenientes ou se tiverem sido postas à venda pública.

 

213.   2. Os vasos que contêm o SS. Sacramento ou, depois de usados, ainda não tiverem sido purificados, só podem ser tocados pelos sacerdotes e diáconos revestidos liturgicamente, e devem ficar colocados sobre o corporal. Tocar no sanguinho, pala, corporal usados na missa e ainda não lavados e no cálix é permitido só aos clérigos e as pessoas encarregadas da guarda deles, por conseguinte também a dois ou mais sacristães auxiliares (ab i.is) adidos ao sacristão-mor, p. ex., nos colégios. Uma obrigação sob pecado para os leigos, de não tocar nestas coisas sagradas, não está contida no cânon, a não ser no caso de desprezo ou escândalo. (Cappello I n. 804.)

 

Os sanguinhos, palas e corporais, empregados na missa, não podem ser entregues a leigos nem sequer a religiosos para serem lavados, antes de serem abluídos por um clérigo de ordens maiores; a água desta primeira ablução deite-se na piscina ou, se a não houver, no fogo. (Cân. 1306.)

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§ 57. O SIMBOLISMO DAS VESTES LITÚRGICAS

 

 

214.    1. Muito cedo começaram a achar nas vestes sagradas significações simbólicas. Os primeiros vestígios remontam ao século VII. Originaram-se pouco a pouco quatro explicações simbólicas do vestuário litúrgico: nos séculos VIII - XII a explicação moral; no século XII a dogmática e alegórica; no século XIII a histórico-representativa.

 

2. Fala-se de explicação moral, quando se vê nas vestes simbolizadas as virtudes, que mais devem ornar o sacerdote e que são indicadas nas orações que acompanham o ato de vesti-las: o amito, a fortaleza; a alva, a mundicia da alma; o cordão, a castidade; o manípulo, a compunção e as lágrimas de penitência; a estola, a fé, a esperança e a humildade; a casula, a caridade.

 

3. A alegórica considera as vestes litúrgicas como armas do sacerdote: O amito simboliza o capacete; a alva, a couraça; o cordão, o arco e a flecha; a estola, a lança; o manípulo, a clava de combate; a casula, o escudo. (Cf. Eph. Lit. 1933, p. 368.)

 

4. A explicação histórica lembra as vestiduras de Nosso Senhor na paixão: o amito, o véu com que velaram a santa face; a alva, o vestido branco de escárneo; o cordão, as cordas; o manípulo, o flagelo; a estola, o manto de púrpura ou a cruz; a casula, a cruz.

 

5. A explicação dogmática, a que menos se cultivou, considera os vários mistérios da vida e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo e suas relações com a Igreja. (Braun, Lit. Handl., p. 334.)

 

 

 

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§ 58. AS PRINCIPAIS VESTES LITÚRGICAS

 

 

215.    1. O Amito (amictus, humerale) era o nome de um pano usado pelos romanos, que cobria o pescoço e os ombros. Faz parte do vestuário litúrgico desde o século VIII. Desde o século XI introduziu-se o costume de pô-lo sobre a cabeça e depois vestir a casula, descê-lo e adaptá-lo em redor do pescoço. Nos séculos XV-XVIII perdeu-se este costume, que ainda se conserva apenas em algumas ordens religiosas, p. ex., de S. Francisco, S. Bento, S. Domingos.

Agora tem forma retangular (não quadrado) feito de pano de linho, com a cruz no meio da orla entre as extremidades (Cappello I n. 807) (accipiens circa extremitates osculatur illud in medio ubi est Crux, Rit. miss. I, 3). É usado debaixo da alva.

 

216.   2. A alva (alba sc. tunica, tunica linea) é a tunica  lataris (camisia) do vestuário profano romano. Deve ser feita de linho puro ou cânhamo (d. 2600), ampla e tão comprida (c. 1,70 m) que, arregaçada, desça até ao tornozelo. As mangas (50-60 cm) e a orla podem ser bordadas ou enfeitadas de rendas (desde o século XVI).

 

A alva é proibida aos leigos, mesmo regulares (d. 1111 ad 6) ; aos sacerdotes, usando a estola sobre ela para presidir aos ofícios (d. 1777 ad 3), a não ser que precedam ou sigam imediatamente à missa (d. 3574 ad 3); para expor e repor o SS. Sacramento (d. :1697 ad 12); para as procissões e é prescrita a sobrepeliz debaixo das casulas, dalmáticas e tunicelas (d. 1619 ad 9; C. E. I, 15 n. 6); é permitida, como também a casula, dalmática e tunicela, na procissão do Corpo de Deus (d. 2362 ad 1; C. E. II, 33 ri. 5) ; está prescrita não só para o diácono e subdiácono, mas também para o celebrante na bênção com o SS. Sacramento. (d. 3799 ad 1.)

 

217.   3. O cordão deriva-se do cordão ou cinto romano, que servia para colher a túnica comprida. Pode ser branco ou da cor dos paramentos, fabricado de linho ou seda ou lã (d. 2067; 3118; 2194), 3,50 - 4 m de comprimento, se for duplo.

 

São proibidos na América Latina os cordões de algodão (C. P. p. 683), ou em forma de faixa. "Visto que pelo cordão são simbolizadas as cordas e os açoites, com que Cristo Nosso Senhor foi atado e flagelado, reprovamos completamente os cordões feitos de pano mais ou menos enfeitado, assemelhando-se antes a um cinto ou a uma faixa. Podem, porém, ser tolerados tais cordões já em uso até que sejam imprestáveis. d. 4048." (Conc. Am. Lat. ti. 905.)

 

218.    4. A sobrepeliz (superpelliceum, por ser vestida sobre a peliça de agasalho no inverno), era túnica talar comprida de clérigos, devido ao seu fim, com mangas largas. Aparece a primeira vez no século XI. No século XIV começaram a encurtá-la. Cota é o nome da sobrepeliz na Itália. (Braun, lit. Handi., p. 329; Instr. Clem., § XI, n. 8.)

 

Existem várias formas; nenhuma foi reprovada. Comprimento c. 1 m incluídas as rendas. As mangas, contando desde a abertura para o pescoço, 64 cm. É permitida a cantores leigos. (d. 3248 ad 4.) Distingue-se do roquete (raiz alemã Rock), que tem as mangas estreitas. Este é insígnia prelatícia e não pode substituir a sobrepeliz na administração dos sacramentos e sacramentais. (d. 3784, ad 2.)

 

 

219.   "Os amitos, alvas, sanguinhos, corporais, palas, manustérgios, toalhas de altar e cíngulos devem ser de linho, e convém que sejam mudados frequentemente para servirem sempre limpos." d. 2600. (C. P., n. 797, Conc. A. L. n. 904.) Convém que sejam de linho também as sobrepelizes, roquetes, mapas para a s. comunhão e outros mapas. (Conc. A. L. n. 904.)

 

220.    5. O manipulo (manipulus, mapula = paninho) era outrora o lenço para o uso costumado. Com o tempo se tornou o lenço de cerimônia, levado na mão e empregado pelos cônsules e pretores romanos para dar o sinal do princípio das carreiras no circo e para transmitir ordens. Para dirigir as assembléias litúrgicas, também o pontífice romano o usou, de sorte que foi um distintivo dele e de clérigos, a quem ele o concedeu. Pouco a pouco tornou-se uma faixa.

É hoje uma faixa de um metro de comprimento e 5-10 cm de largura, as extremidades pendentes mais largas. Põe-se sobre o braço esquerdo, sendo segurado por fitas ou pela estreiteza da abertura para o braço. Só no século XVIII se fizeram os manípulos desformes com as extremidades em forma de pá. É prescrita uma cruz no meio.

O manípulo nunca se põe quando se usa a capa de asperges. (Rub. Gen. XIX, 4.)

 

221.   6. A estola (stola, orarium).

 

1) No princípio a estola provavelmente era uma tira de tecido de linho ou lã destinada a resguardar o pescoço. No Oriente aparece como faixa no século IV; já como distintivo, no Ocidente no século VI. Antigamente era muito comprida, agora é de 1,20 - 1,25 m, 5-10 cm de largura com três cruzes. Na missa o bispo a traz sempre suspensa no pescoço e a deixa cair direita por diante. O sacerdote a tem da mesma maneira sobre a sobrepeliz, mas cruzada no peito sobre a alva; o diácono, a tiracolo.

 

2) O uso da estola é obrigatório:

 

1) na missa;

2) na administração dos sacramentos (salvo a penitência, Rit. Rom. 1, 1; 7) e sacramentais;

3) para o oficiante num enterro ou numa procissão;

4) para pregar, se é costume (d. 3157 ad 6); é proibida, porém, para o sermão fúnebre (d. 2888);

5) quando o sacerdote ou o diácono toca num vaso sagrado com o SS. Sacramento;

6) quando eles recebem a sagrada comunhão (cor branca ou outra) (d. 3499; Rit. IV c. 2 n. 4; Decr. t. V p. 149). Na comunhão privada os diáconos devem (debent) trazer a sobrepeliz e a estola a tiracolo. Mas o Ritual não exige a sobrepeliz. A estola do pregador seja da cor do ofício do dia correspondente (d. 3764 ad 13).

 

222.    3) O uso da estola é permitido:

 

1) ao oficiante no ofício dos defuntos (d. 3029 ad 4 e 5);

2) aos sacerdotes que, como diretores de confrarias (sodalitatum, d. 2763; confraternitatum, d. 2653) acompanham uma procissão ou um enterro; sendo, porém, proibido aos párocos (d. 2769, VI, 2) e diretores de pias uniões (piaram associationum, d. 3191 ad 2), p. ex., apostolado da oração;

3) aos sacerdotes e diáconos, que assistem à adoração do SS. Sacramento publicamente exposto (d. 2709 ad 2) ;

4) para assistir a um sacerdote durante a missa nova (d. 3515 ad 7).

 

223.   7. A dalmática (veste oriunda da Dalmácia) é uma túnica comprida com mangas longas e largas, adornada de duas bandas de cor (de púrpura) verticais na parte anterior e posterior, era no século II, em Roma, o vestido exterior das classes nobres. Parece que já no século IV foi adotada para o uso litúrgico. No princípio, de côr branca, era insígnia distintiva do papa e dos seus diáconos, pouco a pouco também fora de Roma foi introduzida pelos bispos e diáconos. Nos séculos IX e X começaram a encurtá-la; no século XI, a introduzir dalmáticas de côr. Ao lado foram golpeadas e até as mangas rocadas.

 

224.   8. A tunicela (tunicella) era antigamente uma túnica comprida como a dalmática, mas distinguia-se dela por ser menos ampla, com mangas estreitas e sem bandas. (Braun, it. Handl., p. 357.) Desenvolveu-se do mesmo modo que a dalmática, da qual hoje não se diferencia. Somente para a tunicela do subdiácono a missa pontifical o C. E. prescreve mangas um pouco mais compridas e mais estreitas do que para as dalmáticas. (C. E. I, 10, 1.)

 

225.    9. A casula (casula, planeta).

 

1) História. A casula deriva a sua origem da antiga paenula, um manto de pano sem mangas, em forma de sino ou tenda (casula = casa pequena) que cobria todo o corpo, com uma abertura no meio, por onde se enfia a cabeça, um poncho redondo. Chamava-se também planeta (do verbo grego planao = errar, girar), porque as fímbrias eram flutuantes e se acomodavam sobre os braços (Durandus III c. 7 n. 1), ou como diz S. Carlos Borromeu, por causa da sua amplitude. (Instr. 3. Conc. Mediol.)

 

Cedo foi recebida entre as vestes litúrgicas, comum a todos os clérigos até ao século IX-X. O diácono vestia a casula nos dias de penitência, dobrada para dentro na frente (planeta plicata), do evangelho até à comunhão enrolada numa faixa que repousava no ombro esquerdo. Assim as mãos ficavam livres para as funções. Hoje põe o estolão nos dias enumerados nas Rub. Gen. XIX, 6.

A casula não era, portanto, paramento exclusivamente da missa. Só quando por volta do ano 1000 começaram a usar a capa de asperges para muitas funções litúrgicas, é que a casula ficou reservada para a missa.

No século XIII começaram a diminuí-la acima dos braços, de sorte que recebeu a forma de escapulário. Esta casula simplificada na época do estilo barroco tornou-se moderna. Não é lícito, sem licença da S. Sé, introduzir ou empregar casulas de feitios não conforme à casula romana. (d. 4398.)

 

226.   2) Modificações. Os ornamentos das casulas não estão prescritos e por isso são diferentes.

 

a) Na Itália põe-se uma peça transversal entre o bastão vertical anterior e a abertura no meio da casula, que desce em forma de trapézio até ao peito. Assim, origina-se uma cruz semelhante à letra T (crux commissa). Na parte posterior aplica-se uni bastão com enfeites.

b) Na Espanha só se usam bastões, sendo a parte posterior alargada de 45 cm em cima para 60-65 cm em baixo.

c) Além dos Alpes, a casula tem na parte anterior um bastão, na parte posterior uma cruz retangular, antigamente em forma de cruz imissa. A respeito do tamanho da casula romana simples não existe nenhuma prescrição. O comprimento convém ser de 1,05 - 1,15 cm e a largura de 65-67 cm.

 

227.    A casula descrita nos livros litúrgicos é a casula ampla de que fala o Coeremoniale (1. II, c. 8, n. 19) : Episcopus induitur planeta, qucn hinc inde super brachia aptatur et revolvitur oiligenter, ne illum impediat: "O bispo é revestido da casula, que em ambos os lados se acomoda sobre os braços e se retorce diligentemente para não impedi-lo." Para se verificarem as expressões "acomodar" e "retorcer", forçoso é, como a experiência ensina, supor uma largura igual à da chamada casula gótica. Do contrário é impossível retorcê-la, porquanto não existe matéria para ser retorcida ou possa impedir o celebrante. É a chamada casula de S. Carlos Borromeu, de 1,50 de comprimento, 1,50 de largura. (Gerardy.)

 

A casula romana ampla não é a gótica do d. 4398, por não terminar em pontos ogivais, nem está compreendida no d. 4398. Pois, segundo este decreto, a casula gótica foi abandonada desde os tempos do concílio tridentino; ora a ampla foi prescrita por Clemente VIII no C. E. de 1600, depois do concílio tridentino "para o uso comum dos bispos" (Bulla Cum novissimis), e por outros pontífices seguintes. Segundo Wernz-Vidal (lus can. 1934, t. IV, n. 429) esta casula é conforme ao uso romano: nem esta lei litúrgica das bulas veio a ser expressamente corrigida (can. 2). O povo gosta das casulas amplas.

O C. B., aprovado por Pio XII, trata da casula no d. 408 e tem o dispositivo seguinte: "Na confecção e no emprego dos paramentos para o sacrifício da missa e as funções sagradas, não é permitido, sem consultar a S. Sé, afastar-se do uso aceito pela igreja."

Devido a esta alusão ao d. 4398 da S. R. C., feita pelo C. B., e a outros decretos mais recentes, as casulas góticas já não se podem confeccionar sem licença da S. Sé. Mas considerando o costume da S. Sé em casos semelhantes e a licença dada nesta matéria em caso particular (P. S. M. 22.4.1939) e em conformidade com a d. 3945 da S. R. C. aprovando a regra que "os decretos tem o alcance de servirem de norma e exemplo nos mesmos casos e em casos semelhantes na Igreja universal", é solidamente provável que sem mais se possa considerar dada a licença necessária para aproveitar os paramentos já usados até serem imprestáveis.

 

228.    3) A matéria para a casula é a seda. (Rit. miss. I, 1. "velo serico"; d. 3628.) Permite-se meia seda. (Tecido de seda e algodão; d. 3543.) São proibidos tecidos de musselina (d. 1287) e percale (linho e algodão; d. 2769, V, 3), de lã (d. 3779 ad 1) ou com fios de vidro. Permitem-se ornamentos pintados ou bordados (d. 3576) e imagens pintadas em tela de linho ou algodão e aplicadas aos paramentos de seda. (d. 3628.) Antigamente, às vezes, usavam-se casulas de lã, algodão, linho, couro (séc. XVIII), de palha para a missa da noite santa.

 

4) A casula se usa:

1. Para a missa;

2. conserva-se para a pregação durante a missa;

3. para a exposição privada e solene do SS. Sacramento;

4. para a bênção na exposição privada com a âmbula (d. 3833 ad 3);

5. para a celebração do casamento, se a missa se seguir imediatamente (d. 3158 ad 3) ;

6. pode-se vestir sôbre a sobrepeliz para impôr as mãos aos diáconos na administração do presbiterato (Pont. Rom.);

7. na procissão de corpo de Deus.

 

229.    10. O Pluvial (capa de asperges, pluviale) derivada (Braun, Lit. Handl) da capa clerical e monástica dos séculos VIII e IX, é um manto aberto com capuz, para se proteger contra o frio e a chuva (pluviale). O capuz desde o século XI era só um ornamento, o que aumentou no século XVII até à metade da veste.

O pluvial, a veste litúrgica do clero, prescrita ou permitida em muitas funções, é proibida aos leigos. (d. 3248 ad 1.)

 

11. O véu de ombros encontra-se no século VIII. É o pano, com que o subdiácono ou acólito (patenarius) envolvia os vasos sagrados. Não é veste nem precisa da bênção. Aos sacerdotes é proibido o gremial. (d. 3268, ad 4.)

 

230.   12. O barrete (biretum). Origem. Os primeiros vestígios do barrete aparecem pelo ano de 1000. Era um gorro hemisférico ou cilíndrico. As palas levantadas se usavam desde o fim do século XV. O barrete de 4 palas levantadas, insígnia dos laureados, é proibida para as funções sacras (d. 2877 ad 1) no rito romano; é permitido pelo costume francês, alemão e inglês.

 

O barrete não é ornamento litúrgico (d. 2877). É proibido:

1. ao pregador, estando exposto o SS. Sacramento;

2. ao oficiante ou celebrante exercendo (p. ex., bênção, Libera) urna função sacra qualquer (Rit. Rom. t. VIII, c. 1, n.° 7);

3. durante o oficio na recitação do Padre Nosso, absolutio, benedictio, dos cânticos e do símbolo Quicumque.

 

É prescrito:

1) para o celebrante que vai para o altar ou volta dele, sendo ao chegar a primeira cerimônia tirar o barrete, e ao voltar a última pôr o barrete;

2) só os clérigos paramentados, ao menos com estola, podem levar o barrete posto, passando pela igreja (d. 2184 ad 3, ratione habita paramentorum);

3) nenhum clérigo, fora do oficiante, pode levá-lo nas procissões, p. ex., das Rogações, sendo lícito, porém, o solidéu;

4) ninguém pode levá-lo na procissão teofórica, sendo proibido também o solidéu. (d. 2769, VI, 1; 2.)

 

 

 

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§ 59. AS VESTES PRELATÍCIAS E PAPAIS

 

 

231.   1. As vestes prelatícias são:

1. o roquete;

2. a murça, pequena capa com capuz;

3. a capa magna, um manto com cauda muito comprida;

4. o mantelete, espécie de pequeno manto para uso fora da diocese;

5. a cruz peitoral, que encerra relíquias de mártires;

6. o anel no dedo anular (4° dedo) da mão direita. Mas só os cardeais, bispos, abades e protonotários apostólicos tem o direito de usá-lo nas funções litúrgicas. (d. 3821.)

7. o solidéu e o barrete roxo.

 

2. As vestes pontificais:

1. as meias de cerimônia, que o bispo calça sobre as meias ordinárias;

2. as sandálias de seda da cor litúrgica;

3. as luvas;

4. a mitra;

5. o báculo;

6. o gremial, que se põe sobre os joelhos do bispo sentado, na missa pontifical;

7. o pálio para o arcebispo.

 

3. As vestes papais, além das vestes pontificais, são:

1. a falda, espécie de saia de seda branca;

2. o subcíngulo, espécie de manípulo;

3. o fanon de seda branca sobre a casula;

4. a tiara;

5. o anel de pescador.

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§ 60. OS VASOS LITÚRGICOS

 

 

232.    1. O santo cálix (Calix sanctus. Ordo rom. III n. 16). Entre os vasos litúrgicos o mais antigo e mais santo é o cálice. Desde o dia, em que Nosso Senhor o usou pela primeira vez para o sacrifício da missa, sempre foi empregado no santo sacrifício, excluindo-se qualquer outro vaso. Por isso os antigos (liturgia galicana) chamaram a quinta-feira santa natalis calicis, quia tune calix a profano uso ad sacrum Christo auctore translatus est.

 

1) Matéria.

 

a) No decorrer dos séculos tem havido cálices de madeira, mármore, barro, bronze, chifre, âmbar, vidro, marfim, estanho, chumbo, cobre, prata e ouro.

b) Nos primeiros séculos os cálices de vidro eram freqüentes, por serem baratos. Pois refere S. Irineu (Adv. haer. 1, 13) que o povo podia distinguir de longe a cor do vinho consagrado pelo herege Marco. Porém neste tempo existiam já cálices de ouro, os quais no século V se tornaram bastante freqüentes, ao lado de outros de matéria barata. O sínodo de Tibur (895) proibiu oferecer o santo sacrifício em cálices de madeira.

c) A lei eclesiástica exige para o cálix ouro e prata, ou ao menos a copa de prata dourada no interior (Rub. Miss. II, 1 n. 1). Por motivo de pobreza ou outra necessidade, admite-se também o estanho (Rub. Miss. III, 10, 1) e bronze de alumínio. (Pius IX, 9. 12. 1866; Cappello, de sacr. n.° 798.)

 

233.   2) A forma.

 

a) essencial. Certas partes não faltam em nenhum cálix: a copa, que contém o SS. Sangue, o nó para se pegar e o pé.

b) a forma acidental. Antigamente, até ao século XIII, havia cálices com asas, ao lado de outros sem asas. Esta forma era a mais usada. Com as várias épocas da arquitetura mudou a construção do cálix. A forma romana tem a copa hemisférica, a gótica a copa cônica ou semelhante a uma pêra, o barroco tem a forma bojuda.

c) já no século II e III distinguia-se bem o cálix profano do cálix litúrgico, o qual era enfeitado com imagens (bom pastor), pintadas, esmaltadas e gravadas, e pedras preciosas.

 

234.   3) Uso. Distinguiam-se:

 

a) calix sanctus, stationarius para a missa;

b) o calix maior ou ministerialis, em que estava o SS. Sangue para a comunhão dos fiéis;

c) o calix offertorii ou scyphus, em que os acólitos reuniam o vinho oferecido pelos fiéis;

d) o calix baptismalis, em que se ministrava leite e mel para o batizados (daí o Introito Fer. III post. Pascha: "Introduxit vos Dominus in terram fluentem lac et mel, all.");

e) o calix viaticus, para a viagem;

f) o cálix para a sepultura dos bispos e sacerdotes, de ordinário de estanho, chumbo, madeira, cera, mas também de ouro.

 

235.   4) Complementos do cálix.

 

a) A caninha (fistula), com que os fiéis bebiam o SS. Sangue do cálix; ainda é usada na missa papal solene.

b) A patena (grego: patané = bacia) é inseparável do cálix; é tão antiga como o cálix e da mesma matéria que ele. Antigamente era muito maior, porque as hóstias eram maiores e se deviam partir sobre ela. Conhece-se uma patena de 25-30 libras (c. 12 k).

 

236.   5) Consagração e execração.

 

O cálix da missa deve ser consagrado pelo bispo, como é costume desde o VI-VII século. Um cálix, empregado bona fide para a celebração da missa, não fica por isso consagrado. (Cân. 1147, § 1.)

 

O cálix é execrado:

1. se perdeu a primitiva forma;

2. se foi aproveitado para fins indecorosos ou posto à venda. (Cân. 1305, § 1; 2.)

Execrado é o cálix que tem uma fenda no fundo, que foi quebrado em duas partes, a não ser que tenha sido construído para desarmar. Sendo gastada a douradura é obrigação grave dourá-lo de novo, mas a nova consagração omite-se.

 

237.   6) Simbolismo.

 

O cálix com a patena é o símbolo do sepulcro do divino Redentor (Pontif. Rom.) Daí a cerimônia, aliás inexplicável, que se faz na quinta-feira santa: a hóstia que deve ser conservada para a sexta-feira santa se põe no cálix, cobre-se com a pala e coloca-se por cima a patena. Primeiro se põe a pala, que significa o lençol envolvendo o santo corpo do Senhor, depois a patena, i. é, a pedra do sepulcro.

 

O cálix de ouro representa (Durandus I c. 3 n° 45) os tesouros de sabedoria escondidos em Jesus Cristo, e por isso também o amor diviuo: diligentes me diligo (Prov. 8, 17), e o amor do Coração divino. A abertura do cálix simboliza a chaga aberta neste santo Coração, do qual sai o divino sangue que se bebe, ut ditem diligentes me. (Prov. 8, 21.)

 

A patena significa a cruz (Durandus IV, c 30, n° 25), em que repousa o corpo de Nosso Senhor. A cruz que se costuma gravar rente a uma das bordas, além de ter um fim prático, lembra acertadamente este mistério da paixão.

 

238.    7) Construção e conservação do cálix.

 

1) O artífice  tem plena liberdade nos seus desenhos. Existe, porém, um decreto S. R. C. (30.7.1922) prescrevendo "que os novos cálices não se afastem da forma usual, por causa do perigo de derramar o SS. Sangue e causar admiração." (d. 4371.)

 

2) Para servir bem ao celebrante, o cálix tenha:

 

a) uma altura não inferior a 17 cm (altura conveniente) nem superior a 22 cm por causa do equilíbrio;

b) a copa nem muito larga nem muito bojuda em baixo e estreita em cima, nem com bordos muito grossos, mas sim finos, nem seja guarnecido com ornamentos até quase à borda;

c) o nó não tenha bordas cortantes, nem seja semeado de pontas agudas; sendo furado é difícil a limpeza.

d) o pé seja largo, pesado, munido de uma cruz, para indicar o lugar da copa, por onde se bebeu o SS. Sangue;

d) a patena a mais cômoda tendo a forma de um segmento esférico e uma cruz para saber o lado por onde pegá-la sem perigo de se perderem partículas eucarísticas;

e) o seu diâmetro exceda o da copa de 4 cm, sobressaindo por dois cm sobre a copa;

f) evite-se a umidade que estraga a douradura dos vasos sagrados, limpando-os bem e conservando-os num estojo ou pano mole;

g) não se usem meios fortes para limpá-los. O melhor é álcool em pano de lã com sabão ordinário ou benzina ou sumo de tomate.

 

239.   2. A píxide (ciborium, pyxis, tabernaculum) ou âmbula (ampulla) na forma moderna existe desde o século XIII.

 

1) História.

 

Nos séculos anteriores usava-se para conservar o SS. Sacramento uma cápsula redonda com tampa feita de metal, marfim ou madeira. Daí o nome. Cibório (ciborium) derivam uns de cibus, porque este vaso contém a comida celestial, outros de ciborium ou baldaquino que cobria o altar e em que muitas vezes estava suspenso o vaso com o SS. Sacramento. (Capello 2 , de sacr. n.° 395.)

 

2) Matéria.

 

Conforme o Ritual (IV, I, 5) e o Cân. 1270 pixide deve ser feita de matéria sólida e decente (sólida Ilecentique inateria).

a) Não se diz qual seja esta matéria. Convém que seja de ouro, prata, ou, se de estanho, cobre, seja dourada por dentro. (C. B. 212 § 2.) Não existe, porém, nenhuma obrigação a este respeito, porquanto nem o direito canônico, nem outra lei litúrgica qualquer o prescreve. (Cappello 1. c.)

 

A Carta Pastoral 1915; n.° 215, diz: "O SS. Sacramento se conserve em âmbula de ouro ou de prata, dourada ao menos no interior da copa, coberta sempre com o véu de seda apropriado, o mais rico que for possível e repousando sobre um corporal, em tabernáculo ou sacrário decente. Matéria decente não é nem ferro, nem chumbo, nem bronze, nem marfim. O vidro nem é matéria decente, nem sólida." (d. 3511.)

 

240.    b) Deve ser fechada com a tampa coberta por um véu de seda branca (Rit. I. c.) Por isso não é suficiente cobri-la com a pala ou corporal senão por necessidade ou por breve tempo.

c) Deve ser benta (Rit. Miss. II, 3) pelo bispo ou sacerdote delegado. Contudo S. Afonso (n. 385) chama provável a opinião dos doutores que negam a necessidade da bênção, de sorte que, praticamente, um sacerdote que usasse uma píxide não benta (secluso contemptu) excluindo o caso de desprezo, não cometeria pecado. No tabernáculo, a pixide deve ser colocada sobre o corporal, conforme o costume. De verdadeira obrigação não consta (Cappello 1. c. n." 396 sqq. C. P. supra). Deve ser benta com a mesma fórmula a pixide para levar a comunhão aos doentes. (Fórmula: tabernaculum Rit. VIII, c. 23.)

 

241.    3. Custódia (monstrantia, tabernaculum,- ostensorium).

 

a) A custódia foi introduzida no século XIV por ocasião da festa de Corpo de Deus. Além disso no século XV começou-se a fazer a exposição do SS. Sacramento no altar para a adoração pública.

 

No princípio levava-se o SS. Sacramento na procissão fechado na pixide, costume guardado por falta de custódia em alguns lugares até ao século XVII. Para tornar visível a S. Hóstia, aproveitavam- se os relicários em forma de torres, feitas para a exposição das relíquias; mais tarde deu-se a estes vasos de exposição a forma de altar, de sol radiante ou de uma outra forma artística. Prescrito é só que a custódia seja munida "de uma cruz" (d. 2957).

 

A Carta Pastoral (1915, App. VI, p. 466) prescreve: A custódia ou ostensório, em cuja sumidade deve haver cruz, há de ser de metal sólido, dourado ou prateado, o mais rico possível, com raios em redor do lugar da sagrada Hóstia, deixando-a bem visível (d. 2957).

 

242.   b) A luneta, em que se põe a S. Hóstia na custódia, deve ser de ouro ou de prata dourada, benta pelo bispo ou por um sacerdote expressamente delegado. Pode ter a forma de um crescente, com uma abertura, em que entra a S. Hóstia; ou de lua ou circunferência, com dois cristais bem transparentes, separados completamente por um círculo de ouro ou de prata dourada, sobre o qual descansa a S. Hóstia; pois os, vidros não devem tocar nela. (d. 3974. C. P. L. A., n.° 373.)

 

243.   c) para consagrar a hóstia grande, embora esteja bem visível entre os vidros, deve-se abrir a luneta (d. 3524 ad li ) . Mas não deixaria de ser válida a consagração, se o sacerdote se esquecesse de abri-la.

 

Para conservar a Hóstia grande que deve ser removida de oito em oito dias (C. E. I, VI, 2. C. P. L. A. n.° 370), há vários modos: se a custódia couber no sacrário, lá poderá ficar (De Herdt); se não couber, o que parece ser o mais ordinário, coloca-se só a luneta no sacrário. Se a luneta tem vidros, é simplesmente colocada dentro do sacrário (d. 3974). Sendo um crescente, é melhor guardar esta Hóstia com o crescente numa âmbula especial.

 

244. 4. As galhetas são mencionadas pela primeira vez no século V em statuta ecclesice antiqua. (Denzinger n.° 153. 154.) Lá se prescreve que o subdiácono receba uma galheta com água, o acólito uma galheta vazia para levar o vinho para a missa: "Urceolum vacuum ad suggerendum vinum in cucharistiam sanguinis Christi".

Esta fórmula, acrescentando só: vinum "et aquam", é ainda unida, embora o bispo entregue ao novo acólito uma galheta só. Como se explica essa dissonância? O acólito mais tarde foi encarregado de levar também a água para o altar, e por isso a forma foi mudada em vinum et aguara. A rúbrica, porém, não foi mudada e  prescreve ainda hoje: entregar uma só galheta ao ordenando. (Pontif.)

 

As galhetas devem ser de vidro (Rit. Miss. XX). Tolera-se o costume de se servir de galhetas de ouro e prata. (d. 3149.) Prescrito é o prato em que são colocadas as galhetas.

 

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