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I PARTE.

 

LITURGIA GERAL

 

§ 22. O ESPÍRITO LITÚRGICO

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78.     Antes de tratar cientificamente da Liturgia, com divisões e enumerações, é bom dar alguns esclarecimentos sobre o espírito litúrgico, de que é mister imbuir-se para avaliá-la devidamente.

O espírito litúrgico que consiste em estudar, estimar, explicar, promover e defender a Liturgia tem a base, mormente em certos princípios gerais. Podem resumir-se em quatro:

 

1. A Liturgia é obra do Espírito Santo. Di-lo Sisto V: Sacri ritos et coeremonice, quibus Ecclesia a Spiritu Sancto edocta ex apostolica traditione et disciplina utitur." (Bula Immensa, 1588.) Conseqüência: respeito.

2. A Liturgia é serviço eucarístico; pois o centro da liturgia é a Eucaristia. Diz o cardeal Bona (De reb. lit. 1. 2, c. 14, § 5) : "Este era o espírito religioso dos nossos antepassados, que todas as funções sagradas eclesiásticas, a administração dos sacramentos e quaisquer bênçãos se realizassem durante a missa. Pois a última perfeição e consumação de tudo é a Eucaristia, da qual recebem a sua força, energia e santidade." Conseqüência: Amor.

 

3. A Liturgia é a casa de ouro, de perfeita harmonia. Numa casa há inúmeros objetos, que ninguém considera avulsos, mas pertencentes ao edifício na sua perfeição. Assim, as múltiplas partes da Liturgia são outros tantos ornamentos da construção total da Liturgia. Conseqüência: Estima profunda. Poetas, p. ex., Dante, Calderon, mesmo os protestantes Schiller e Goethe se inspiraram na sua beleza para composições de alto vôo. É a glória da Igreja, objeto de inveja dos acatólicos.

 

4. A Liturgia é a vontade concretizada da Esposa de Cristo, a Igreja, formando o cerimonial da corte do Rei de eterna majestade. Ora, "devemo-nos conformar com a Igreja", como ensina S. Inácio nas suas regras, "ut cum Ecclesia sentiamus". (Aprovadas por Paulo III, 1548.) Conseqüência: acatamento.

 

5. Divisão: Na Liturgia há vários elementos comuns a funções litúrgicas diferentes. Não convém tratar deles repetidas vezes. Por isso formam o objeto da Liturgia geral. Partindo da definição dada, é preciso falar de pessoas e ações. Tratamos, portanto:

1) das santas palavras, pronunciadas pelas pessoas;

2) dos santos sinais;

3) dos santos lugares, onde se usam as ações e palavras;

4) dos santos tempos que modificam as ações e palavras.

 

 

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CAPÍTULO I

 

AS SANTAS PALAVRAS

 

§ 23. ORIGEM DAS LÍNGUAS LITÚRGICAS

 

 

79.     1. No princípio da Igreja nenhuma língua fora proibida para a Liturgia nem por Nosso Senhor nem pelos apóstolos. Jesus Cristo celebrou a missa no cenáculo provavelmente em língua aramaica, que era o idioma popular. Os apóstolos ter-Lhe-ão seguido o exemplo.

 

2. Contacto com os pagãos. Logo que se iniciou a evangelização dos pagãos, as duas línguas mais faladas, a latina e a grega, foram admitidas na Liturgia. Assim, as três línguas, em que estava escrito o título da santa cruz, hebraica (aramaica), grega e latina, serviram à Liturgia.

 

3. Contacto com os conquistadores. No decurso dos séculos houve mudanças nacionais consideráveis. No Ocidente a migração dos povos causou a mistura de vários idiomas. A Igreja não podia continuamente mudar a sua língua litúrgica em favor de línguas nascentes.

 

No Oriente o islamismo, com sua língua arábica, sufocou quase completamente as línguas nacionais. De mais a mais, os povos, que aceitavam a religião cristã, em geral não possuíam os termos necessários para exprimir os mistérios sublimes do cristianismo. A Igreja devia, portanto, guardar a sua língua litúrgica própria, que uma vez para sempre tinha escolhido.

 

80.     4. As línguas romanas. Em Roma, nos três primeiros séculos, a Liturgia era celebrada em grego. Há várias circunstâncias justificadoras desta asserção:

1) a língua oficial na administração romana era a grega;

2) os cristãos em Roma entendiam o grego, pois a epístola aos romanos foi escrita em grego;

3) os papas e os escritores cristãos em Roma, p. ex., S. Justino, Taciano, escreveram em grego; a Liturgia, de S. Hipólito de Roma está redigida em grego;

4) ainda hoje na missa papal solene o evangelho e a epístola se cantam em grego e latim. Esta cerimônia, no princípio, era necessária por causa dos fiéis que só entendiam o grego. Depois foi conservada para significar que a Igreja católica abrange todos os povos. Restos da língua grega há em várias partes da Liturgia, p. ex., Kyrie, ágios o theós.

 

81.     5. Mas também a língua latina estava em uso provavelmente já no primeiro século. Pois a ítala, tradução latina da bíblia feita em meados ou princípio do II século, servia para as leituras sagradas nas reuniões eclesiásticas. A língua da versão, porém, não era a clássica, que se evitava por lembrar o paganismo, mas sim a língua vulgar.

Além das duas línguas mencionadas admitiram-se a siriaca, arábica, cóptica, etiópica, armênia, eslávica, românica. Esta última é a única língua viva; todas as outras são línguas mortas. (Gasparri, Euchar., II, n.° 852; Wernz-Vidal IV n. 397.)

 

§ 24. A VANTAGEM DA LÍNGUA LATINA NA LITURGIA

 

82.     A língua litúrgica latina é:

 

1. Uma língua venerável. Pois é o produto do desenvolvimento histórico e secular, consagrada pelo uso multissecular.

2. Uma língua estável. A Igreja conserva-a por saber que as suas palavras são a expressão fiel da fé católica. Tal certeza não teria com traduções continuamente reformadas e adaptadas à língua viva. Os gregos, apesar de separados da Igreja romana, guardaram a sua fé quase completamente devido em grande parte à sua Liturgia antiga.

3. Língua fixa. A língua latina é muito aperfeiçoada, com termos próprios, formados pela legislação romana.

 

4. Língua misteriosa e santa. É convicção geral que, para um ato tão santo como a missa, a língua quotidiana é menos conveniente. Os hereges, faltos de respeito de Deus, introduzem logo a língua vulgar na Liturgia. Seguindo o exemplo do Concílio Tridentino, Alexandre VII (1661) nem sequer permitiu a tradução do missal em francês. Hoje isto se concede; mas nega-se a licença de usar a língua vulgar na Liturgia, principalmente da missa. Existe o perigo de serem abusadas pelo povo baixo as palavras que contêm os divinos mistérios.

 

5. Língua unitiva. A diversidade das línguas separa os homens, a língua comum une-os. A língua latina une as igrejas particulares entre si e com Roma.

6. Língua civilizadora. Todos os membros do clero devem aprender latim, e por isso podem aproveitar para a sua formação esmerada os autores clássicos antigos e a doutrina profunda dos santos padres da Igreja.

7. Língua internacional. Não só o clero entende a língua latina, mas também leigos a cultivam e empregam, p. ex., na ciência médica, física e mesmo no comércio (catálogo) e a preferem às línguas artificiais (esperanto).

 

83.     8. Mas, dizem, o povo não entende nada da missa. Responde-se: A missa é uma ação, não um curso de instrução religiosa. No Calvário não havia explicações. O altar é um Calvário. Todo cristão sabe o que significa: imolar-se. Além disso, o Concílio Tridentino (sess. 22) encarrega os sacerdotes "que frequentemente expliquem alguma coisa do que se lê na missa". Mas "etsi missa magnam contineat populi fidelis eruditionem, non tamen expedire visum est Patribus, ut vulgari passim língua celebraretur."

 

 

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§ 25. PRECES

 

 

Para o culto público, além da língua comum, são também necessárias fórmulas comuns. Há muitas. Mencionemos aqui as mais gerais:

 

84.     1. Padre Nosso. É a oração mais santa, mais sublime, mais essencial, mais geral e mais substanciosa de todas as orações.

 

1) É privilégio dos batizados; somente eles podiam rezá-lo publicamente nas reuniões dos fiéis; faziam-no pela primeira vez logo depois do batismo. Daí o uso de rezá-lo na administração deste sacramento. Emprega-se também em outros sacramentos e bênçãos.

2) É dever dos batizados; já a "doutrina dos doze apóstolos" prescrevia que os cristãos o rezassem três vezes por dia.

3) É parte integrante de todas as Liturgias da missa.

 

Quanto os cristãos estimavam o Padre Nosso e sua dignidade de filhos de Deus, vê-se do criptograma achado por toda parte, da Inglaterra até o Egito e a Pérsia, e mesmo em Pompéia, destruída no ano 79, doze anos depois da morte de São Pedro. Por muito tempo resistiu a todos os esforços de decifrá-lo. Tem a forma seguinte:

 

R O T A S

O P E R A

T E N E T

A R E P O

S A T O R

 

 

É ao mesmo tempo símbolo da fé, sinal da cruz e princípio do Padre Nosso.

1. Símbolo da fé. Significa: Deus criador (Sator) é o Senhor (tenet) do céu (rotas = sol) e da terra (arepo = arado) e de tudo o que nela há (opera).

2. Substitui o crucifixo, tão odiado pelos pagãos, pela letra T e pela figura:

 

T

E

T E N E T

E

T

 

 

3. Significa o Padre Nosso, quando se distribuem as letras do seguinte modo:

 

A

.

P

A

T

E

R

A.  P A T E R N O S T E R  .O

O

S

T

E

R

.

O

 

 

A e O no fim dos braços da cruz significam Alfa e Omega, i, é, Nosso Senhor Jesus Cristo, que se chama Alfa e Omega, o primeiro e o último, princípio e fim.

A explicação dada é a que mais se justifica.

 

85.     2. Ave Maria.

 

1) Origem: compõe-se das palavras do arcanjo S. Gabriel e de Santa Isabel dirigidas a Maria Santíssima. Desta forma já se empregava na Liturgia de S. Tiago, depois da consagração. Na Liturgia latina aparece no século IX na qualidade de ofertório do 4.° domingo do advento, lugar que ainda hoje ocupa. A palavra "Jesus" ou "Jesus Cristo" foi acrescentada no fim do século XIV; a petição Santa Maria, no século XV. Pio V prescreveu a fórmula atual.

 

2) Uso: faz parte da Liturgia na recitação do breviário, nas orações pelos moribundos e no exorcismo solene.

 

86.     3. Símbolo dos apóstolos.

 

1) Uso: emprega-se no ofício divino, no rito do batismo e da ordem, no exorcismo solene.

 

2) Etimologia: deriva-se da palavra grega symbállo: componho. Era costume grego que, fazendo dois amizade, quebrassem um caco de vaso em duas partes, ficando cada um com uma parte. Ao encontrarem-se mais tarde, podiam verificar a amizade, compondo as duas partes. Assim, pelo símbolo, se conhece o amigo de Deus, o verdadeiro cristão.

3) Apostólico: comparando as variações conhecidas do símbolo, chega-se forçosamente à conclusão que remonta ao tempo dos apóstolos.

 

4) História: os catecúmenos recebiam o símbolo oralmente algum tempo antes do batismo (traditio), e deviam rezá-lo no ato do batismo (redditio). Os santos padres recomendavam a recitação do símbolo como grande proteção contra o demônio e as tentações. S. Agostinho diz: Recite-se ao menos duas vezes por dia. Daí o rito de rezá-lo na prima e nas completas.

O símbolo Quicumque contém em breves frases a doutrina da fé na SS. Trindade e na incarnação de Jesus Cristo.

 

Chama-se símbolo atanasiano há séculos. Porém é certo que S. Atanásio não é o seu autor. Quem o seja, não consta. Remonta até o século V ou VI e é recitado no ofício da festa da SS. Trindade desde o século IX, e no exorcismo contra o demônio. Na reforma de Pio X se conservou o antigo nome por respeito à antiguidade do nome e em abono do "pai e regra da fé ortodoxa", como os SS. Padres chamaram a S. Atanásio. (Piacenza, Regulaa, p. 134.) Por antonomásia, atanasiano é o mesmo que católico.

 

87.     4. Orações.

 

1) A brevidade é própria da Liturgia romana; manifesta-se especialmente nas orações, que em todas as partes da Liturgia ocorrem. O que, p. ex., outras Liturgias dizem em dez linhas, a romana exprime em três.

 

2) Estrutura. Em geral nas orações se distinguem três partes: a invocação (Deus), o motivo (qui... beatum Joseph sponsum....), a petição (presta).

 

3) O convite para a oração é Oremus; dirige-se aos fiéis. Às vezes, p. ex., nos dias de penitência, acrescenta-se: Flectamus genua...., "de joelhos". Ao ouvir Levate, "levantai-vos", todos se levantam.

 

4) A pessoa invocada: a maior parte das orações dirige-se a Deus Padre. Há outras, relativamente poucas, que se dirigem a Deus Filho; na Liturgia galicana este modo não era raro. Ao Espírito Santo não se dirige nenhuma (Eisenhofer, I, 205; Jungmann, p. 102), na forma de Coleta.

 

A maior parte das orações dirige-se a Deus Padre:

 

a) Porque Nosso Senhor nos ensinou a rezar: Padre Nosso (Mt 6);

 

b) Porque Ele é o nosso medianeiro (Jo 6). Por isso é muito conveniente se dirija à primeira Pessoa. Há outras relativamente poucas que se dirigem a Deus Filho. Na Liturgia galicana este modo de oração não era raro; esta Liturgia estava em vigor na Gália, Burgúndia e Lombardia, regiões estas muito empestadas pelos arianos. Contra eles se professava a fé na divindade de Jesus Cristo, dirigindo as orações à segunda Pessoa "para que se não cresse que só o Pai pudesse ser invocado. Com palavras expressas." (Bellarm., de Missa 11, cap. 16.)

 

Ao Espírito Santo não se dirige nenhuma oração, i. é, coleta. (Durand., IV, c. 15, n. 11; Eisenh., I, 205; Iungmann, 102.) "Pois o Espírito Santo é o Dom e ao dom não se pede o dom, mas antes ao seu doador: portanto se pede ao Pai e ao Filho e a Eles se dirige a petição como aos doadores, e não ao Espírito Santo, o qual é o Dom e de ambos procede igualmente." (Durand, loco cit.)

 

88.     5) A conclusão: É longa ou breve: se na oração se mencionar o Filho divino a conclusão é Per eundem ... ou Qui tecum. Se, como Pessoa, é mencionado o Espírito Santo, conclui-se: in unitate eiusdem. A conclusão breve é, p. ex., Per Christum dominum nostrum; Qui vivis et regnas in scecula sceculorum. Usa-se em geral fora da missa e do ofício divino, quando se não prescreve o contrário.

 

Oremus diz-se na missa, se há duas ou mais orações, antes da primeira e antes da segunda, mas não das outras.

A conclusão reza-se depois da primeira e mais urna vez depois da última oração; as exceções estão notadas no missal.

 

89.     5. As orações de forma eucarística (ação de graças).

 

1) Estrutura. São estas orações as mais festivas. A introdução é igual ao princípio do prefácio da missa. Compõe-se em geral de duas partes: da ação de graças e da petição; esta difere conforme a ocasião.

 

2) Uso. Empregam-se nos momentos mais solenes, p. ex., na ordenação de diácono, de presbítero, na sagração de bispo, na coroação de uma rainha, na bênção dos ramos, da água batismal, do círio pascal, na consagração de igrejas e altares.

 

3) História. São em parte muito antigas. O Leonino já consigna tais orações na colação de ordens maiores. Modelo delas é a oração eucarística da missa; prova disso é o fato de serem na Liturgia dos coptos e nestorianos estas orações interrompidas pelo Sanctus, como na missa.

 

90.      6. Ladainhas.

 

1) Etimologia: Ladainha, litania, deriva-se da palavra grega litania = oração. Já no século IV significava oração de caráter de penitência, (Propitius esto, Parce nobis, repetição do Kyrie) e passou a ter, desde o séc. VI, o sentido de procissão, em que estas invocações se repetiam. Intercalaram-se depois nas repetições do Kyrie breves invocações e petições, em forma de oração revezada.

 

2) História. Orações em forma de ladainhas eram conhecidas entre os pagãos e israelitas (Sl 135), no Oriente cristão do século IV (Ektenias). No Ocidente a ladainha mais antiga e, por séculos, a única, modelo para todas as outras, é a ladainha de todos os santos, do século VI. Somente no século XVI, apareceu a ladainha lauretana. Nos últimos tempos foram aprovadas para o uso litúrgico a ladainha do S. Coração de Jesus, do SS. Nome de Jesus, de S. José.

 

A repetição das invocações nas rogações e no sábado santo tem a sua origem na litania septena, quina, terna da idade média, nas quais as invocações se repetiam sete, cinco ou três vezes. A forma abreviada, usada no sábado santo e da vigília de pentecostes, é proibida fora destes dois dias. ' (d. 2709 ad 1.)

 

91.     7. Exorcismos.

 

1) Etimologia. Deriva-se da palavra grega exorkizo = fazer jurar alguém, adjurar (Caifás). Mas no tempo dos apóstolos se empregou também no sentido de "expulsar". (At 19, 13.)

 

2) Origem. Jesus Cristo deu aos apóstolos o poder de expulsar os demônios. (Mt 10, 1.)

 

3) Diferença entre oração e exorcismo. O exorcismo efetua-se não só com orações e bênçãos, mas especialmente por uma ordem categórica dirigida ao demônio. (Exi ab eo, immunde Spiritus.)

 

4) Espécies. a) O pequeno exorcismo do batismo, que já ocorre no III século; e da bênção da água e dos santos óleos na quinta-feira santa, usado já no Gelasiano. b) O grande exorcismo, prescrito no Ritual, para livrar os possessos do poder do demônio, é conhecido desde o século VIII; chama-se também solene. Seu uso depende da licença do bispo; mas também é lícito e eficaz o exorcismo privado, p. ex., pelo uso do SS. Nome de Jesus. (Noldin, theol. mor., ed. 18, n.° 54.)

 

92.     8. Preces.

 

Tais se chamam especialmente alguns versículos que, às vezes, se dizem antes da oração, principiando pelo Kyrie eleison ou pelo Pater foster. (Rubr. Gen. 34, 1.) São antiqüíssimas, talvez apostólicas. Pois S. Paulo (1 Tim 2, 1) diz: Insisto antes em que se façam preces, orações, funções religiosas e ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todas as autoridades. S. Ambrósio, S. Agostinho, S. João Crisóstomo são unânimes em ver neste texto da sagrada escritura a prescrição apostólica das preces públicas pelas autoridades. (Piacenza, Lit., p. 446.)

 

No versículo: Domine, salvam fac regem, a palavra rex significa o príncipe, qualquer que seja, ou o presidente do território. Esta interpretação é conforme ao vocábulo rex e a história do versículo. Pois o texto do breviário de Pio V Dómine, salvam fac regem nostrum N., foi mais tarde reformado para o texto moderno. É sinal de que a súplica se faz por todas as pessoas constituídas em autoridade quase real. A intenção de cada uma das preces é clara pelo teor das palavras. O versículo Convertere Domine usquequo tinha outrora a rubrica: Pro pcenitentibus.

 

As preces dominicais rezam-se na prima e nas completas dos ofícios semi-duplo e simples e das férias comuns; não se dizem durante as oitavas, ou quando é comemorado ofício duplo. Chamam-se, dominicais, porque no antigo breviário eram inseridas na prima do domingo. As preces feriais dizem-se nas laudes, horas e vésperas das vigílias comuns (Rubr. Gen. 34) e nas férias maiores, portanto no tempo do advento, da quaresma, da paixão, nas quatro têmporas de setembro, na segunda-feira das rogações. Não se omitem nas férias privilegiadas, em que é comemorado ofício duplo ou de oitava (A. B. VIII, n° 3), que se celebra por antigo privilégio. (d. 3362.)

 

93.     9. O sufrágio do novo breviário foi introduzido por Pio X, que substituiu as várias comemorações de outrora por uma única. Fora do tempo do advento, da paixão e da páscoa, deve ser rezado sempre nas laudes e vésperas, exceto os duplex e dias infra octavam, embora só comemorados. Omite-se o sufrágio nos tempos mencionados, para concentrar toda a atenção em Nosso Senhor: Tu solus Sanctus, Tu solus Dominus, Tu solus Altissimus; por isso no tempo da páscoa se reza a comemoração da cruz. Remontam os sufrágios antigos até ao tempo de Gregório Magno. (Cf. n." 844.)

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§. 26. LIÇÕES

 

 

94.      1. Lições grandes. Ocorrem na missa dos catecúmenos e nas matinas.

 

Na missa dos catecúmenos, as lições são treze no sábado santo, sete na vigília de pentecostes e no sábado das quatro têmporas, três nas quartas-feiras das quatro têmporas, na quarta-feira depois do 4° domingo da quaresma, na quinta e, sexta-feira da semana santa; nos outros dias, duas: epistola e evangelho.

 

Nas matinas há nove lições nos ofícios duplos e semi-duplos; três nos ofícios da festa e oitava de páscoa e pentecostes, das festas simples e da féria.

 

2. Lição breve. É leitura curta substituindo em prima o capítulo da regra que se lia na reunião quotidiana (capítulo) dos monges e cônegos; nas completas, uma leitura edificante feita entre as vésperas e as completas.

 

3. Capítula. É leitura de poucas linhas da escritura sagrada nas laudes, horas pequenas, vésperas e completas, sem indicação do livro de que foi tirado, e sem bênção; corresponde às lições maiores das matinas.

 

 

§ 27. COMPOSIÇÕES LITÚRGICAS EM VERSOS

 

 

95.     Composições em versos são os salmos, hinos e cânticos. (Col 3, 16.) Segundo a opinião de vários s. padres a diferença entre os salmos e cânticos é só exterior: os salmos eram cantados com acompanhamento de instrumentos de música, os cânticos sem eles. (Vigouroux, D. Bibl.) Para o breviário, a diferença consiste em que os salmos são tirados do saltério, os cânticos da escritura sagrada fora do saltério, os hinos são de autores não inspirados. (LThK.)

 

I. Os salmos. São os 150 cantos do livro dos Salmos do antigo testamento, e desde os tempos apostólicos usados na Liturgia cristã.

1. Na missa entram só os salmos: Iudica-me, e uma parte do si. 25: Lavabo. Os salmos do intróito, ofertório, gradual, trato e comunhão foram reduzidos a uns versículos.

 

2. No ofício divino são hoje como sempre o centro, em redor do qual tudo está agrupado. A distribuição dos salmos pelos vários dias tem divergido muito; uns recitavam todos os dias todos os salmos, outros distribuíam-nos em dois dias. No rito ambrosiano estão distribuídos em duas semanas; no rito romano, a exemplo de S. Bento, numa semana.

3. Nos sacramentais são empregados em número maior: na consagração de igreja, de altar, na bênção de cemitério. Igualmente, se recitam nas procissões, no exorcismo.

 

96.      II. Cânticos. São cantos bíblicos no ofício divino, extraídos da sagrada escritura. Na Liturgia romana um deles, o canto dos três jovens na fornalha ardente, faz parte da missa nos sábados das quatro têmporas.

 

Os três cânticos do novo testamento: Magnificat (Lc 1, 46), Benedictus (Lc 1, 68), Nunc dimittis (Lc 2, 29) receberam lugar de destaque no fim das laudes, vésperas e completas. Os do antigo testamento são equiparados aos salmos e têm nas laudes o 4° lugar.

 

97.      III. Hinos. 1. Etimologia. Deriva-se da palavra grega ýmnos = canto de louvor. Designa, em sentido lato qualquer canto de louvor, de ação de graças, de petição, seja em versos seja em prosa, p. ex., Te Deum, Gloria, Sanctus, salmos, cânticos; no sentido restrito, os cantos do ofício divino.

 

2. História. No Oriente os hinos entraram na Liturgia na segunda metade do século IV; no Ocidente, por influência de S. Ambrósio e S. Bento. Em Roma foram recebidos só no século XIII.

3. Uso. Nenhum hino é recitado nas matinas da festa da epifania, nos três últimos dias da semana santa, na festa da páscoa com a oitava, nem no ofício dos defuntos. Todos os outros ofícios em cada hora têm um hino: em matinas e horas menores antes dos salmos, nas outras depois dos salmos.

 

O Te Deum é hino de júbilo efusivo, de gratidão solene e de popularidade geral. Historicamente consta que S. Ambrósio e S. Agostinho não são os seus autores. O hino formou-se a pouco e pouco e recebeu a forma de hoje mui provavelmente do bispo S. Nicetas de Remesana (Bela Palanca, aldeia na Jugoslávia), c. 414. Pois as palavras da glorificação do Padre eterno encontram-se em parte no século III, do Filho no século IV, e foram acrescentadas por S. Ambrósio. As súplicas com exceção do versículo: Dignare, Domine... são tirados dos salmos, na tradução da Vulgata. É muito freqüente no breviário e para ação de graças.

 

Regra geral para o breviário:

1) recita-se nos domingos e festas e nus férias de cor branca no tempo pascal;

2) omite-se nos ofícios de cor roxa e nas férias de cor verde. Portanto se reza: a) em todas as festas, exceto a dos Inocentes, se cal num dia de semana ou não é de 1ª classe; b) nos domingos depois da epifania e pentecostes; c) nas férias do tempo pascal, exceto a féria segunda das rogações. Em outros ofícios não se reza.

 

98.      IV. Seqüências.

 

1) Origem. Seqüência (de sequor = seguir) significava a continuação em neumas longas da última nota do aleluia do Gradual, chamado jubilas alleluiaticus. Por ser. de difícil execução, organizou-se um texto silábico, correspondente às notas e que se chamou seqüência. As vezes faltava a simetria do texto, de maneira que este pouco se diferençava da prosa; por isso davam à seqüência o nome de prosa. Finalmente se criaram seqüências independentes do aleluia, com melodias próprias, que , ocuparam o lugar costumado depois do gradual.

 

2) Uso. Das muitas seqüências da idade média, Pio V conservou cinco: Victimce paschali (Páscoa; autor Wipo, capelão de Conrado II); Veni Sancte Spiritus (Pentecostes; autor: Langton, Arcebispo de Cantuário, + 1288, o que consta de documento publicado em 1913); Lauda Sion (Corpo de Deus, autor: S. Tomás de Aquino); Stabat Mater (Nossa Senhora das Dores, autor: provavelmente S. Boaventura); Dies irce (réquiem, autor: Tomás de Celano, OFM, + 1255).

 

99.      V. Trato.

 

1) Natureza. Trato se chama um texto composto de poucos versos, que substitui às vezes o aleluia do gradual (setuagésima) ou a este mesmo (quatro têmporas); nem sempre tem caráter de penitência (Jubilate, Qüinquagésima).

 

2) Etimologia. Dizem uns que este texto se chama tractus, porque era cantado sem alternação, a seguir, de um trago. Alguns modernos recorrem a melodia semelhante da música grega antiga e dizem que é "continuação" (tractus) do Gradual.

 

100.    VI. Responsório.

 

1) Origem. O responsório era primitivamente a resposta do côro a um salmo recitado por um ou mais cantores, que tinham um papel predominante.

 

2) Uso. No ofício o responsório é um canto que se segue à recitação das lições nas matinas e à capitula nas horas menores e nas completas (responsório breve). Compõe-se do responso (parte repetida) e do verso. Já era conhecido no século IV.

 

101.    VII. Versículos. Antífona.

 

1. Versículo é um texto composto de verso com resposta. Serve, p. ex., de introdução às orações, às horas, ao prefácio. Deles se formam as preces.

 

2. Antífona. 1) Origem. Deriva-se do grego e significa: contra-voz, eco; designava o modo de salmodiar em 2 coros. 2) Uso. Hoje, a antífona se chama um texto curto antes e depois de cada salmo do ofício, que indica a melodia do salmo e exprime sua idéia principal, ou tem relação com o mistério da festa respectiva.

 

Antífonas de O' são as sete antífonas assinaladas às vésperas dos sete últimos dias antes da vigília da festa de natal. Começam todas por O'. Nelas a Igreja exprime o desejo pelo nascimento do Salvador. Delas tem o nome o Festa de Nossa Senhora de O', no dia 18 de dezembro, chamada também Festa de Nossa Senhora do Parto. Há quem opine que tem a sua origem na festa da anunciação, antigamente celebrada em alguns lugares neste dia e depois transferida.

 

3. Antífonas marianas. Antigamente, depois das horas canônicas, se rezava o ofício pequeno em honra da Virgem Maria. Talvez este costume tenha dado o ensejo para se rezar no fim do ofício divino as antífonas marianas. O número 4 é devido aos antigos liturgistas. (P. ex., Seleto ç. 55; Durandus VI, c. 1.) Imitando as 4 estações do ano civil, distinguiram o tempo do natal, da paixão, da ressurreição de Nosso Senhor e da peregrinação da Igreja neste mundo.

 

Para o inverno com a festa do natal, é marcada a antífona Alma redemptoris Mater. Autor é provavelmente Hermanus Contractus (Germano, o entrevado), monge de Reichenau, + 1054. Reza-se desde o começo do advento até à festa da purificação (2 de fevereiro). Para a primavera, destina-se Ave, regina coloram. Por isso é que se fala tanto da luz, que, depois das trevas do inverno, de novo aparece mais esplêndida; da beleza, porque então nascem as flores. O nexo com o tempo da paixão, em que esta antífona se recita, é só exterior. Nada se diz dos sofrimentos de Nosso Senhor. O autor é desconhecido. (Séc. 12?)

 

A primavera popular principiava em fevereiro (Hofstaetter-Peters Sachwlirterbuch, 1930, I, p. 588), como provam usos e adágios populares. Com razão a antífona começa a ser recitada nas vésperas que seguem a procissão da luz e da primavera. Servia no século XII como antífona na festa da Assunção de Nossa Senhora (Eisenh.), mas os pensamentos são muito semelhantes aos da antífona "Adorna thalamum" que é do século VIII. (Cf. n. 288.)

 

Ao verão corresponde Regina cceli lcetare. Ao menos pelo fim do tempo pascal já se sente o calor do verão, embora não do verão astronômico. A antífona remonta ao menos até ao século 12. No outono, tempo da peregrinação neste vale de lágrimas, se reza a Salve, Regina. O autor muito provavelmente é Hermanus Contractus. As palavras o clemens, o pia, etc., já eram conhecidas antes do tempo de S. Bernardo, e não se podem atribuir a uma inspiração momentânea dele.

 

Estas antífonas distinguem-se pela beleza da linguagem e da melodia, pelo arrojo dos pensamentos, pelo afeto da confiança filial. São homenagem jubilosa dos filhos desterrados à mãe celestial e amorosa. Quem na recitação privada, por motivos razoáveis, reza o ofício sem interrupção, acrescenta a antífona mariana no fim das completas. Quem o separa, diz a antífona no fim das laudes, ou se acrescentar outras horas, no fim da última hora e das completas. (Rubrica; d. 4384 ad 2.)

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§ 28. ACLAMAÇÕES

 

 

102.   Aclamações são uma expressão de homenagem, devoto, como, p. ex., no fim da consagração episcopal (Ad muitos annos). Aqui entendemos as fórmulas breves, com que o povo acompanha as funções do celebrante.

 

I Dominus vobiscum. É a saudação litúrgica romana. Os bispos, nos dias em que há Glória, dizem: Pax vobis, depois do Kyrie da missa.

1) Origem. Dominus vobiscum era saudação comum do povo israelita. (Rute 2, 4.) Pax vobis disse Nosso Senhor. (Jo 20, 19.)

 

2) Resposta: Et cum spiritu too usa S. Paulo. (2 Tim 4, 22.) Em si estas palavras significam: "Contigo". Mas João Crisóstomo já entende pela palavra "espírito" o Espírito Santo, que pela ordenação é comunicado ao sacerdote. A Igreja favorece esta explicação; pois podem usar esta saudação só aqueles que, pela imposição das mãos do bispo, receberam o Espírito Santo.

 

3) O efeito desta saudação é, para o povo, a comunicação das graças divinas. O celebrante dever-se-ia lembrar de pedir a renovação das graças sacerdotais recebidas na ordenação.

4) No ofício dos três últimos dias da semana santa não se emprega esta saudação, para exprimir o horror da saudação com que Judas traiu o amabilíssimo Redentor. (Durandus, VI, c. 72, n. 6.)

 

103.    II. Amém.

 

1) Origem. É palavra hebraica, que significa no antigo e novo testamento "em verdade", "assim seja", exprimindo aprovação, confirmação e consentimento.

 

2) História. Estava muito em uso no culto israelítico. Nosso Senhor e os apóstolos frequentemente se serviram dele. Era afirmação da fé, se antigamente o cristão, recebendo a comunhão da mão do sacerdote que dizia: Corpo de Cristo, respondia: Amém. O mesmo sentido tem Amém no fim do símbolo dos apóstolos.

 

No oficio não se acrescenta ao Padre Nosso, se este se diz todo em voz alta (Preces das laudes e vésperas), ou quando se entoa em voz alta: Pater noster... e se termina com: Et ne nos. Acrescenta-se, porém, ao Padre Nosso prescrito no princípio e no fim das horas, que se reza todo em voz baixa.

 

104.    III. Aleluia.

 

1) Origem. Deriva-se de Halél, louvor ou louvar; halelú, louvai; halelú-iavé, louvai a Deus. Por conseguinte é ato de amor de Deus. Passou do culto israelítico para o culto cristão. Representa um grito de alegria no começo de muitos salmos, no Apocalipse (19, 1-7), mesmo na vida privada dos primeiros cristãos.

 

2) Uso. Emprega-se na missa, principalmente depois da epístola, no ofício muitas vezes, profusamente no tempo da páscoa.

 

3) Proibição: por isso é sinal de penitência e de luto a supressão do aleluia. Na setuagésima, omite-se desde as primeiras vésperas. Diz Durandus: "No sábado alguns o suprimem na sexta, outros em a Noa, outros nas vésperas, outros nas matinas do domingo, outros na prima; melhor, porém, se omite nas vésperas." (Durandus. VI, c. 23, n. 18.)

 

IV. Deo gratias. Ocorre este texto na epístola de S. Paulo. (1 Cor 1,5, 52.) Como fórmula de agradecimento estava em uso já no segundo século. E' expressão de gratidão pelas graças recebidas na missa, depois do Ite, missa est; pelo benefício da palavra divina depois da epístola, das lições e do último evangelho.

 

V. Ad multos annos. Esta aclamação ocorre no fim da sagração de um bispo.

 

Com estas palavras, repetidas três vezes, o bispo recém-consagrado deseja muitos anos de vida ao bispo consagrante. É ato de homenagem e de gratidão. Com semelhantes aclamações foram honrados os papas e imperadores.

 

 

§ 29. DOXOLOGIA

 

 

105.   1) Origem. Doxologia é termo composto das palavras gregas doxa (glória) e logos (língua) e significa qualquer fórmula para glorificar a Deus uno, trino, ou a Deus Padre, ou ao Pai e Filho. Há muitas na escritura sagrada e na Liturgia.

 

2) Espécies. a) doxologia maior, ou o Glória da missa; b) doxologia menor: Gloria Patri et Filio et Spiritui Sancto, chamada doxologia trinitária.

 

3) História. Já se encontra o Gloria Patri no século II. Insistiram os católicos em equiparar as três Pessoas divinas por "e", para excluir a heresia dos arianos.

 

4) A segunda parte: Sicut erat, já foi usada no século IV.

 

5) Uso. Diz-se no fim de todos os salmos no ofício; não, porém, nos três últimos dias da semana santa, "porque na paixão de Cristo se escondeu a glória de Cristo." (Durandus VI, c. 72, n. 5.)

 

 

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§ 30. MÚSICA SACRA

 

 

106.   1. A música sacra abrange também o canto responsorial e antifonal. Já tratamos do responsório e da antífona. Resta ainda falar da música litúrgica em geral, do cantochão.

 

2. Etimologia. Cantochão é hoje o mesmo que canto gregoriano. Chão é a palavra latina planus = plano, liso, não interrompido; pois o cantochão não tem compasso e se compile de notas iguais em valor.

 

3. Excelência.

1) É a expressão exata do texto litúrgico, e por isso verdadeira oração. (Eugen Schmid, Die neuen musikalischen Vorschriften, p. 25.)

2) É obra de arte perfeita, de riqueza excepcional em motivos musicais e tem, quando se trata de canto sem acompanhamento, o primeiro lugar.

3) Pio X diz (d. 4121) : "As qualidades que deve possuir o canto litúrgico: santidade, excelência de forma e universalidade, encontram-se no mais alto grau no canto gregoriano, que é por conseguinte o canto próprio da Igreja romana, o único que ela herdou dos antigos padres, que conservou ciosamente... que propôs diretamente, como seu, aos fiéis. Por estas razões o canto gregoriano foi considerado sempre modelo acabado da música sacra, podendo-se estabelecer com todo o direito a seguinte lei geral: Uma composição é tanto mais sagrada e litúrgica para a Igreja, quanto mais se aproxima, pelo andamento, pela inspiração e pelo gosto, da melodia gregoriana; e é tanto menos digna do templo, quanto mais se afasta deste supremo modelo."

4) Autoridades contemporâneas, que conhecem a música moderna, competentes, portanto, para dar um parecer decisivo, falam muito a favor do cantochão.

 

Mozart dizia que sacrificaria com gosto todo o seu renome, se pudesse dizer-se compositor do prefácio gregoriano.

Jean Jacques Rousseau, célebre incrédulo, ocupou-se muito com a música, na qual achou por vezes o único meio de ganhar a vida. Assim disse: "Deve-se ter, não digo só nenhuma piedade, mas, absolutamente, nenhum gesto, para preferir nas igrejas a música ao cantochão. O canto gregoriano é muito preferível a esta música mole, teatral, tosca e chata que em algumas igrejas lhe substituem sem guardar seriedade, nem gosto, nem decoro, nem o respeito devido ao lugar que, deste modo, fica profanado."

 

Halevy, afamado compositor de óperas, discípulo de Cherubini, diz: "Como podem os sacerdotes católicos, possuidores do canto gregoriano, a mais linda melodia religiosa que existe no mundo, permitir nas suas igrejas a pobreza da nossa música moderna?"

Quase da mesma forma fala o célebre compositor de óperas, Luis Spohr, afirmando que não pode compreender como os "católicos permitem estragar a música sacra, porquanto no canto gregoriano possuem música eclesiástica genuína e verdadeira."

O festejado compositor musical Ambros declara: "O canto gregoriano é o estilo especifico da Igreja, e, se alguém quer o único que indubitavelmente é eclesiástico. Está na Igreja, formou-se para as necessidades da Igreja e, aquela força especial que em cada música reside, e não foi feita mas forma-se (p. ex., no canto popular), também é própria dele. Como parte integrante da liturgia possui seu valor inestimável para todos os tempos."

 

Uma revista musical de Berlim, "Echo", diz que "no canto gregoriano, a par da maior singeleza e unidade, reina a maior variedade. Texto e melodia forma uma só coisa, resolvendo perfeitamente o problema de manifestar os sentimentos do coração pelos sons, e conservando para todo o verdadeiro perito musical o seu valor intrínseco, que é incomparável."

Berlioz, + 1869, igualmente célebre como critico e compositor, autor de um "Requiem" que não tem igual em majestade, e por isso entendido de profissão, diz que nada na música se pode comparar com o efeito do canto gregoriano "Dies irm".

O célebre compositor de Operas Gounod gostava de falar das perfeições do canto gregoriano, do qual era grande admirador. (Krutschek, die Kirchenmusik, p. 97. O Seminário, 1929, p. 86.)

 

4. História.

O cantochão remonta até aos primeiros tempos cristãos; pois Nosso Senhor cantou na última ceia os salmos costumados. A primeira Igreja tomou da sinagoga o canto do templo, o qual foi enriquecido por elementos gregos. .

 

5. Obrigação.

O cantochão é obrigatório na Liturgia, na forma restaurada. (Lei de Pio X e Pio XI. O Seminário, 1933, p. 148.)

 

6. Pio X admite também em segundo e. terceiro lugar. O polifonia clássica no culto, bem como a música mais moderna, contanto que esta, ofereça composições de tal seriedade e gravidade, que sejam dignas da Liturgia sacra.

 

Não se permita que as bandas de música entrem na igreja; e fora dela, guardem completo silêncio no tempo da consagração. (C. B. n. 364, § 2.)

 

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