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AS APARIÇÕES DE NOSSA SENHORA
EM CUAPA -
NICARÁGUA – 1980.
Onde Aconteceu:
Em Cuapa, Nicarágua ( América Central ).
Quando:
Em 1980.
A
Quem:
Ao
Vidente Bernardo Martinez.
Os
Fatos:
Cuapa é um pequeno vale, localizado no município de Juigalpa,
em Chontales. Seus habitantes são pequenos criadores de
gado. É um lugar calmo com pequenos montes próprios da
região.
O Sinal de Luzes
Foi em
uma antiga capela de cuapa que os sinais começaram no final
do mês março de 1980.
Ao
entrar na sacristia, Bernardo Martinez encontrou uma luz
acesa. Achou que fora a Sra. Auxiliadora Martinez quem a
tivesse deixado acesa. No inicio de abril novamente,
encontrou na capela outra luz acesa. Então culpou a Sra.
Socorro Barea.
Não
pensou que pudesse ser sinais vindos do céu e por isso ia
discutir com essas senhoras, o custo da eletricidade pois as
chaves da capela estavam aos cuidados de Bernardo Martinez,
quem deveria ser o mais cuidadoso. E essa era sua
preocupação.
Ao
estar com elas viu que as estava culpando de algo sem que
elas tivessem culpa. Então pensou em não dizer nada.
No dia
15 de abril de 1980, viu a imagem toda iluminada. Pensou que
eram os meninos que estavam jogando na praça, que tivessem
quebrado as telhas e que assim a luz entrava sobre a imagem.
Também pensou em cobrar deles pelas telhas e pelo custo dos
reparos, porque já os havia cobrado por isso antes; desde
então não havia cobrado de novo. Pensou também que eles
tivessem invadido a capela, porque Bernardo morava longe e
pensou:
Agora que não estava aqui, eles jogaram e quebraram as
telhas.
Quando
Chegou mais perto para ver, e viu que não havia nenhum
buraco no teto; foi para fora para ver se era por causa das
janelas que a luz de fora estava entrando e não podia ver
nada; voltou para perto da imagem para ver se alguém havia
colocado nela um rosário fosforescente. Olhou as mãos, os
pés, o pescoço!!! Não havia nada. A luz não vinha de nada,
vinha dela, da imagem. Foi um grande mistério para Bernardo
Martinez, com a luz que vinha dela podia andar pela capela
sem tropeçar. E era de noite, quase oito horas da noite,
pois chegou tarde.
Compreendeu que era uma coisa estranha e que não era uma
coisa comum, então ficou tão emocionado por vê-la tão
iluminada. A via linda a imagem.
Foi
tocar o sino da igreja porque chegou uma hora atrasado, e
com o incidente da iluminação ficou ainda mais tarde para a
reza do Rosário. Tudo aquilo estava gravado na mente de
Bernardo e pensou: Vou levar a culpa por isso. Pensado nisso
lembrou de uma coisa que sua avó costumava dizer quando
ainda era criança: Nunca seja uma lâmpada na rua e uma
escuridão em casa.
Compreendeu o seu pecado: queria que os outros fizessem paz,
mas eu estava brigando em minha própria casa. Disse isso,
pois havia ajudado a resolver um problema na cidade de Cuapa.
Houve
uma divisão entre as pessoas porque muitos se opuseram à
chegada dos cubanos para um programa de educação. Os
opositores principais eram os homens jovens que iam ensinar.
Eles disseram que poderíamos fazer tudo por nós mesmos:
professores, estudantes do centro escolástico e voluntários
da cidade. Os jovens estavam tão violentos com isso que
diziam: Se o padre deseja que cubanos venham aqui, é melhor
que ele volte para a Itália.
Mas,
pouco a pouco, conversando com o sacerdote arranjou tudo sem
violência. Pois nenhum cubano veio a Cuapa para o programa
de educação. Mas na Comarca del Silencio houve um problema
com um jovem que ficou doente, e eles tiveram que trazer um
cubano para substituí-lo. E no fim o cubano, vendo os
pedintes agradecendo a Deus pela comida, disse: “Não
digam isso... falem como nós falamos, 'Graças a Fidel que eu
comi.”
Isso
foi uma prova de que tinha bons motivos para não querer
cubanos em Cuapa porque este jovem foi ensinado a colocar o
”homem“ no lugar de DEUS.
Pensou
sobre tudo isso e voltou ao pensamento de que poderia ajudar
a trazer a paz lá, mas em sua própria casa não estava
fazendo isso. E dessa forma decidiu pedir perdão diante de
todas as pessoas.
Depois
do pedido público de desculpas, contou a todas as pessoas
que estavam lá, rezando o Rosário, o que havia visto: a
imagem iluminada. Mas pediu para elas manterem segredo. Isso
não aconteceu. O segredo se espalhou por toda Cuapa e
Bernardo sofreu muito por causa disso, porque alguns o havia
ridicularizado.
Uma
das irmãs na comunidade foi para Juigalpa e contou ao
sacerdote que é também reitor. Assim que ele chegou a Cuapa,
ele perguntou a Bernardo:
- Que
novidades você tem?
-
Bernardo respondeu: Nenhuma.
E
ele insistiu:
- Você
tem alguma!
Um dia
chegando à casa da Sra. Consuelo Marin, ela perguntou sobre
o ocorrido. Bernardo Contou a ela tudo o que havia
acontecido, e ela respondeu que acreditava, e era para dizer
à Virgem que ela queria vê-la iluminada. Ela prometeu que a
faria saber se a visse de novo.
O
sacerdote, pároco da cidade, num outro dia novamente
perguntou a Bernardo; e disse tudo o que haviam contado a
ele. Ele lhe disse que sim, que era tudo verdade. O Pároco
pediu para contar tudo a ele. Bernardo contou. O Sacerdote
perguntou o que ele rezava. Ele respondeu que o Rosário e
três Ave-Marias à Virgem Santa, desde que era pequeno. E que
sua avó ensinou a chamá-La sempre quando tinha qualquer
problema, dizendo:
Não me
deixe minha Mãe. Ela também ensinou a dizer:
É
Maria nossa Auxiliadora, doce farol do mar.
Desde
que aprendi a amar, Ela é o amor de minha alma.
Ela
guiou todos os passos de minha infância.
E por
isso, desde minha infância meu amor por ELA permanece.
Ela me
ensinou de memória, porque ela não sabia ler.
O
padre então disse para rezar e perguntar à Virgem Santa se
havia alguma coisa que ELA queria de nós, e para Se
manifestar mais claramente. Assim Bernardo fez, mas rezou
assim:
Mãe
Santíssima, por favor não peça nada de mim. Eu tenho muitos
problemas na igreja. Faça seus pedidos a outra pessoa,
porque eu quero evitar mais problemas. Eu tenho muitos, no
momento. Não quero mais outros. Foi isso o que disse à
Virgem Santa.
Com o
passar dos dias, as pessoas se esqueceram sobre a iluminação
da imagem. Bernardo de sua parte continuou com sua oração
como ordenou o padre.
Assim
foi que a Virgem Santíssima preparou Bernardo, assim como um
lavrador prepara a terra. Com aquela confissão pública que
fez diante de seus irmãos para os quais pediu perdão.
Estava
havendo uma mudança em sua vida. Ele mudou; com isso ELA o
preparou.
A Primeira Visão
Conta Bernardo como aconteceu:
No
início de maio, eu estava triste devido a problemas
financeiros, problemas no emprego e até problemas
espirituais. E me sentia aborrecido. Até mesmo disse de
manhã que desejaria morrer. Eu não queria existir. Eu havia
trabalhado muito pelas pessoas da cidade e podia ver que
elas não gostaram de nada. Eu não tinha vontade de
continuar.
Na
capela eu varri, tirei o pó, lavei as toalhas do altar e as
alvas, por isso eu era caçoado, era chamado de bobo. Mesmo
minha própria família, meus irmãos de sangue, diziam que eu
não prosperei financeiramente por causa de meu envolvimento
com as coisas na sacristia. Que eu me tornei sacristão, mas
sem ganhar dinheiro por isso. Comecei a trabalhar na casa de
Deus desde que fui capaz de usar um pano e uma vassoura. Na
época eu era muito pequeno. Fiz isso porque daquela maneira
eu servia o Senhor.
De
qualquer forma, agora em Cuapa tudo estava mudado, porque
varrer a capela é uma honra. Agora é uma honra! As toalhas
do altar são lavadas num piscar de olhos; antes que você se
dê conta, elas foram lavadas e passadas.
Voltando a como eu me sentia no início de maio, eu mal dormi
na noite do dia sete. A noite toda me sentia quente e me
levantei sentindo esse calor. Comi alguma coisa e disse pra
mim mesmo: Vou ao rio pescar para me sentir mais fresco e
tranqüilo.
Levantei cedo de manhã com um saco e um facão de mato. Fui
para o rio, e me senti feliz, contente em um ambiente
agradável. E não me lembrei de nada.
Quando
era meio dia não voltei porque sentia tranqüilidade, alegria
e não sentia fome. À uma hora choveu e fui para baixo da
árvore; comecei a rezar o Rosário. Quando a chuva ia
parando, eu terminava o Rosário. Eu estava todo molhado,
minhas roupas todas encharcadas. Peguei os peixes que
estavam na areia, coloquei no saco, e fui para uma mangueira
para ver se as frutas estavam maduras.
Foi
para um morro cortar um galho para juntar coyoles. Logo
depois, foi para uma árvore de jocotes para pegar jocotes.
Pensei que devia estar atrasado. Olhei para o sol porque não
tinha relógio. Para nós no campo, o sol é nosso relógio onde
vemos as horas. Era três da tarde. As horas foram como
minutos. Disse a mim mesmo: É tarde.
Lembrei que tinha que alimentar os animais e então ir à
cidade para rezar o Rosário com as pessoas às cinco horas da
tarde. Saí dos jocotes em direção à árvore de coyoles,
quando de repente vi um relâmpago. Pensei e disse a mim
mesmo: Vai chover. Mas fiquei espantado porque não havia
visto de onde tinha vindo o relâmpago.
Parei
mas não pude ver nada; nenhum sinal de chuva.
Logo
depois fui para perto de um lugar em que havia algumas
rochas. Andei uns seis ou sete passos. Foi quando vi outro
relâmpago, mas foi para abrir minha visão e ELA se
apresentou.
Eu
então fiquei pensando se isso poderia ser algo ruim, se era
a mesma imagem da capela. Mas eu A vi piscar. ELA era
linda...
Havia
uma pequena árvore de Norisco sobre as rochas e sobre aquela
árvore estava a nuvem, era extremamente branca. Soltava
raios em todas as direções, raios de luz como o sol. Na
nuvem estavam os pés de uma linda senhora. Seus pés estavam
descalços. O vestido era longo e branco. Ela tinha um cordão
celestial em torno do peito. Mangas longas. Cobrindo-a
estava um véu de uma cor creme pálido com bordados dourados
nas bordas. Suas mãos estavam postas juntas sobre o peito.
Parecia como a imagem da Virgem de Fátima. Estava imóvel.
Não
conseguia correr para gritar. Não senti medo. Estava
surpreso. Pensei e disse: O que estou vendo? Poderia ser a
mesma imagem da Virgem que eles trouxeram e colocaram aqui
para mim; a imagem da capela para brincar comigo porque
disse que a vi iluminada. É um truque? Mas não! Eu os teria
visto carregando-a. Então passei a mão sobre meu rosto
porque pensei que estava vendo como em um sonho. E disse:
Pode ser que esteja dormindo, mas não tropecei em nada.
E
quando removi minhas mãos do rosto, vi que Ela tinha pele
humana e que Seus olhos se moveram e Ela piscou. Então
disse, em meus pensamentos porque não conseguia mover minha
língua, eu disse: Ela está viva, não é uma imagem! Ela está
viva! Minha mente era a única coisa que conseguia mover. Eu
me senti amortecido, minha mandíbula e minha língua como se
estivessem dormindo; tudo imobilizado, como disse somente as
idéias se movendo em minha cabeça.
Estava
nesse pensamento quando ela estendeu os braços como na
Medalha Milagrosa que nunca havia visto, mas que me
mostraram mais tarde. Ela estendeu os braços e de suas mãos
emanaram raios de luz mais fortes que o sol... Ela deixou as
mãos levantadas e os raios que vinham de Suas mãos atingiram
meu peito. Quando Ela parou de emitir a luz foi que me
encorajei a falar, ainda que gaguejando.
Eu lhe
perguntei:
Qual o seu nome?
Ela me
respondeu com a voz mais doce que já ouvi de qualquer
mulher, disse que
seu nome era Maria. Eu vi como Seus lábios se
moveram. Então disse: Ela está viva! Ela falou! Ela
respondeu a minha pergunta! Eu não podia imaginar que
pudéssemos conversar que poderia falar com Ela.
Eu
então lhe perguntei de onde Ela vinha.
Ela me
respondeu com a mesma doçura.
Eu vim do céu. Sou a Mãe de Jesus.
Ouvindo isso eu imediatamente lhe perguntei (lembrando o que
o sacerdote me havia dito) eu lhe perguntei:
- O
que a Senhora quer?
Ela
me respondeu:
- Eu quero que o Rosário seja rezado todos os dias.
Então
interrompi e Lhe disse:
-
Sim, nós estamos rezando. O padre trouxe para nós as
intenções da paróquia de San Francisco para que nos possamos
unir a eles.
Ela me
disse:
- Eu quero que seja rezado permanentemente, na família
incluindo as crianças que tiverem idade o suficientes para
compreenderem, para ser rezado numa hora em que não houver
problemas com o trabalho da casa.
Ela me
disse que o Senhor não
gosta de orações feitas correndo ou mecanicamente.
Disse
ELA: Recomendou a oração do Rosário com a leitura de
citações bíblicas e que puséssemos em prática a Palavra de
Deus.
Quando
ouvi isso, pensei e disse:
-
Como? porque não sabia que o Rosário era bíblico.
Foi
por isso que Lhe perguntei:
-
Onde estão as citações bíblicas?
Ela me
disse para procurá-las na Bíblia e continuou a dizer:
-
Amem-se uns aos outros. Cumpram com suas obrigações.
Façam a paz. Não peçam a paz a Nosso Senhor porque se vocês
não a fazem não haverá paz.
Depois
Ela me disse:
- Renovem os cinco primeiros sábados. Vocês receberam muitas
graças quando todos faziam isso.
Antes
da guerra costumávamos fazer isso. Íamos à confissão e
comunhão todo primeiro sábado do mês, mas como o Senhor já
havia nos libertado do derramamento de sangue em Cuapa, não
continuamos com essa prática.
Então
Ela disse:
- A Nicarágua sofreu muito desde o terremoto. Ela está
ameaçada com ainda mais sofrimento. Ela continuará a sofrer
se vocês não mudarem.
E após
uma pequena pausa, disse:
- Rezem, rezem meu filho, o Rosário, pelo mundo todo. Diga
aos crentes e não crentes que o mundo está ameaçado por
graves perigos. Pedi ao Senhor que abrande Sua justiça, mas,
se vocês não mudarem, apressarão a chegada da Terceira
Guerra Mundial.
Depois
que Ela disse estas palavras, compreendi que eu teria que
dizer isto às pessoas e Lhe disse:
-
Senhora, eu não quero problemas; tenho muitos na igreja.
Diga isto para outra pessoa.
Ela
então me disse:
- Não, porque Nosso Senhor o escolheu para dar a mensagem.
Quando
Ela me disse isso, vi que a nuvem em que estava se
levantava, e lembrei-me do que a Sra. Consuelo Marin tinha
dito e disse a Ela: Senhora, não vá porque quero ir contar à
Sra. Consuelo porque ela me disse que queria vê-La.
Ela me
disse:
- Não. Nem todos podem Me ver. Ela Me verá quando a levar ao
céu, mas ela deve rezar o Rosário como pedi.
E
depois de dizer isso, a nuvem não demorou mais. Ela ergueu
os braços como na imagem da Assunção que vi tantas vezes na
catedral de Juigalpa. Ela olhou para cima em direção ao céu
e a nuvem A elevou.
Como
estava em um raio de luz, quando atingiu uma certa distância
ELA desapareceu. Então peguei o facão, o saco, e o ramo. Fui
cortar os coyoles e pensei em não dizer a ninguém. Em não
dizer nada do que tinha visto ou ouvido.
Fui à
capela para rezar o Rosário e não disse nada. Quando voltei
para casa, me senti triste. Meus problemas aumentaram com
aquilo.
Rezei
o Rosário novamente e pedi à Mãe Santíssima que me
libertasse das tentações porque pensei que era isso uma
tentação.
Durante a noite ouvi uma voz me dizendo que eu deveria
contar. Acordei novamente, e de novo rezei o Rosário. Eu não
tinha paz. Não contei a ninguém porque não queria que as
pessoas falassem. Já estavam falando porque eu tinha visto a
imagem iluminada. Pensei: Agora será pior. Nunca vou ter
paz.
Foi
por isso que não queria contar a ninguém. E não voltei ao
local das aparições. As mangas e jocotes foram perdidos. Fui
para o rio, mas por outro caminho. Vou para o rio todo dia
para nadar e para dar água ao bezerro que tenho.
Durante este período em que guardei segredo, um grande peso
parecia ter caído em mim e eu ouvia algo como uma voz que me
dizia para contar. Mas eu simplesmente não queria contar.
Como o sofrimento era cada vez maior, procurei maneiras de
me distrair. Mas nada era uma distração. Procurei meus
amigos para me divertir mas sempre no meio da diversão eu
ouvia a voz e a tristeza voltava. Eu estava ficando magro e
pálido. As pessoas me perguntavam o que havia de errado, se
eu estava doente. Eu dizia que não. Passaram assim oito
dias.
Dia 16
de maio eu estava indo dar água ao bezerro. Eu estava
cruzando o pasto, sem conseguir ver o bezerro. Eu andava com
um bastão. Quando estava perto de um Guapinol, já no meio do
pasto, com o sol forte como se direto sobre minha cabeça, vi
um relâmpago. Era meio-dia. Em plena luz, porque, como
disse, era um dia quente e ensolarado, havia uma luz ainda
mais forte, mais do que a luz do meio-dia.
Naquele relâmpago, ELA se apresentou. Eu A vi da mesma forma
que no dia 8 de maio, com suas mãos juntas, e então Ela as
estendeu. E ao estender as mãos, os raios de luz vieram em
minha direção. Eu fiquei olhando para Ela. Permaneci quieto,
mas disse para mim mesmo:
É ELA!
É a mesma. A mesma Senhora aparece de novo para mim. Pensei
que Ela tinha vindo se queixar por tudo o que Ela me disse
para contar. Eu me senti culpado por não ter falado como Ela
me pediu da primeira vez, e na minha cabeça eu disse:
Eu
não vou ao lugar onde Ela apareceu porque Ela aparece lá, e
agora Ela aparece para mim aqui. Que situação, Ela estará me
seguindo onde quer que eu esteja.
Estava
com isso na cabeça, quando ELA me disse com um tom de sua
voz suave, mas com uma entonação como de repreensão:
- Por que você não disse o que lhe enviei a dizer?
Então
respondi:
-
Senhora, é que estou com medo. Estou com medo de ser o
ridículo das pessoas, medo de que riam de mim, de que não
acreditem em mim. Aqueles que não acreditarem nisto, vão rir
de mim. Dirão que estou louco.
ELA
então me disse:
- Não tenha medo. Vou ajudá-lo, e diga ao padre.
Dizendo isso, houve outro relâmpago e Ela desapareceu. Então
continuei a andar e vi o bezerro que antes não conseguia
ver. Eu o levei ao rio, dei um pouco de água, e voltei para
casa. Eu me arrumei para ir à capela e então rezei o
Rosário.
Pensei
em dizer somente para Sra. Lilliam Ruiz de Martinez para a
Sra. Socorro Barea de Marin. Foi o que fiz. Eu tinha mais
confiança nelas do que em qualquer outra pessoa na
comunidade de Cuapa. Eu as chamai à parte e lhes contei tudo
o que tinha visto e ouvido. Elas então me repreenderam.
Era a
primeira vez que eu recebia uma repreensão sem responder
nada, porque sempre tentava me livrar com minhas idéias. E
eu resmungava. Prometi a elas que contaria no dia seguinte.
Fui para casa e me deitei para dormir. O dia seguinte
amanheceu e senti uma alegria estranha. Todos os problemas,
como me pareceu, havia se dissipado.
No dia
17 de maio. Naquele dia eu contei a todos que vieram a minha
casa. Eu lhes contei e eles me ouviram. Alguns acreditaram,
outros ouviram curiosos e fingiram acreditar, outros não
acreditaram e riram. Mas não me importou. Quando chegou a
hora de rezar o Rosário, rezamos e depois eu lhes contei
tudo. Novamente notei a mesma coisa: alguns acreditaram,
outros não, outros ficaram ouvido maravilhados, espantados,
outros, analisando, outros permaneceram em silêncio, outros
riram e disseram que eu estava maluco. Cada um de acordo com
o que sentia. Mas nada disso era importante para mim. Eu me
senti feliz por contar tudo.
Dia 19
de maio fui a Juigalpa de manhã e contei ao padre como a
Senhora me havia dito. Contei a ele tudo o que havia visto e
ouvido. Ele me escutou. E então me disse:
-
Seria alguém que quer assustar você naqueles morros?
Eu lhe
disse que não. Eu disse, não, porque havia uma possibilidade
de fazer isso no rio e nos montes em que havia ido cortar o
ramo, mas no meio do pasto, onde passo, não havia como. Nada
pode ser escondido. É campo aberto. Então ele me disse:
-
Poderia ser uma tentação que lhe persegue?
Eu lhe
disse que não. Não sabia por que podia somente relatar a ele
o que havia visto e ouvido; mas com relação à tentação, eu
não poderia dizer por que não sabia. Ele então me disse para
ir ao lugar onde as aparições ocorreram e para rezar o
Rosário lá, fazer o sinal da cruz quando A visse e para não
ter medo, porque se fosse algo mau ou bom, nada iria me
acontecer. Ele também disse para não contar a ninguém o que
visse ou ouvisse, depois. Mas o que já havia visto, eu
poderia contar ao povo de Cuapa.
A Segunda Visão
Dia 8
de junho eu fui ao local onde ocorreram as aparições, porque
ELA me havia pedido para ir lá. Cheguei e rezei o Rosário
com algumas pessoas, mas a Senhora não veio. Eu voltei me
sentindo desconsolado.
Durante a noite, em sonhos, ELA se apresentou. Era a mesma
que durante o dia estava no mesmo lugar onde A vi pela
primeira vez. Eu rezei o Rosário. Ao final do Rosário,
novamente vi os dois relâmpagos e ELA apareceu.
Em meu
sonho eu Lhe disse:
- O
que a Senhora quer, minha Mãe?
- ELA
me deu a mesma mensagem que tinha dado da primeira vez, e
depois Lhe fiz alguns pedidos que tinha, porque agora as
pessoas me recomendavam coisas para dizer a Ela.
Ela me
respondeu dizendo:
- Alguns serão atendidos, outros não.
E
fiquei sem saber quais seriam atendidos e quais não. Os
pedidos que o povo de Cuapa me fazia eram variados: alguns
pediam coisas que eram mais ou menos materiais; tais como
ter sorte no trabalho, ser curado de uma doença, e outros
problemas. Outros pediram coisas espirituais; tais como, ter
paciência, amor a Deus, Fé, perseverança na oração, ser
capaz de amar os que não gostam de mim e os que prejudicam
aqueles a quem amo. Quando voltei, fui incapaz de dizer as
pessoas quais seriam realizados e quais não.
Nossa
Senhora apareceu sobre a pequena árvore de Norisco como da
primeira vez. Ela olhava para o leste. À Sua esquerda, perto
da pilha de rochas em que nasceu a pequena árvore, havia
dois cedros. Atualmente um deles não existe mais, porque as
pessoas tiraram o tronco pedaço a pedaço; o outro também
estava desaparecendo. Do pequeno Norisco nada resta; ele
desapareceu completamente. À direita dela, mas um pouco mais
longe, há quatro palmeiras de coyole. Entre a primeira e a
segunda, como quem vem do rio, há um grande espaço.
Erguendo Sua mão direita, Ela indicou aquele espaço e disse:
- Olhe para o céu.
Eu
olhei naquela direção. O Jocaro que fica em frente, entre as
duas palmeiras, não impediu que eu pudesse ver, porque ele
tem poucos troncos e é baixo. Ela mostrou algo como um filme
no espaço que eu falei. Vi um grande grupo de pessoas
vestidas de branco que caminhavam na direção em que o sol
nasce. Estavam banhadas em luz e muito felizes; elas
cantavam. Eu podia ouvi-las, mas não compreendia as
palavras. Era uma festa celestial. Tanta felicidade... Tanta
alegria... Como eu nunca havia visto. Nem mesmo em uma
procissão eu havia visto tal coisa. Seus corpos radiavam
luz. Senti como se tivesse sido transportado. Nem eu mesmo
posso me explicar. No meio de minha admiração, eu A ouvi me
falar:
- Veja, estas são as primeiras comunidades quando começou o
Cristianismo. São os primeiros catecúmenos; muitos deles
foram mártires. Vocês querem ser mártires? Você mesmo deseja
ser um mártir?
Naquele momento eu não sabia exatamente o significado de ser
um mártir, agora sei, porque tenho perguntado. É aquele que
professa Jesus Cristo abertamente em público, que é uma
testemunha Dele, até mesmo dando sua vida, mas respondi que
sim. Depois daquilo vi outro grupo, também vestido de branco
com alguns rosários luminosos nas mãos. As contas eram
extremamente brancas e irradiavam luzes de diferentes cores.
Um deles carregava um grande livro aberto. Ele lia e depois
de escutarem eles meditavam em silêncio. Pareciam estar em
oração. Depois desse período de oração silenciosa, eles
rezavam o Pai Nosso e dez Ave-Marias. Rezei com eles.
Quando
o Rosário terminou, Nossa Senhora me disse:
- Estes foram os primeiros para quem dei o Rosário. Essa é a
forma em que desejo que todos vocês rezem o Rosário.
Respondi à Senhora que sim, faríamos assim. Algumas pessoas
me disseram que isso provavelmente tem a ver com os
Dominicanos. Não conheço essa ordem religiosa, e até hoje
nunca vi alguém dessa ordem.
Depois
disso, vi um terceiro grupo, todos em vestes marrons. Mas
estes eu reconheci como sendo semelhantes aos Franciscanos.
Sempre o mesmo, com Rosários e rezando. Quando eles passavam
depois de terem rezado, a Senhora me disse:
- Estes receberam o Rosário das mãos dos primeiros.
Depois
disso, um quarto grupo chegava. Era uma grande procissão;
agora, vestidos como nós. Era um grupo tão grande que era
impossível contá-los. Nos primeiros eu via muitos homens e
mulheres; mas agora, era como um exército em tamanho, e eles
tinham Rosários nas mãos. Estavam vestidos normalmente, em
todas as cores. Fiquei feliz por vê-los. Quando alguém se
veste diferente de outras pessoas, se sente algo estranho.
Vendo o primeiro grupo não me senti atraído a eles por causa
disso. Eu os admirei, mas não me senti como se estivesse em
seu meio, tal como quando vi o último grupo. Logo senti que
poderia entrar naquela cena porque estavam vestidos como eu.
Mas
olhei para minhas mãos e as vi negras. Eles, por sua vez,
irradiavam luz como os outros que apareceram antes. Seus
corpos eram bonitos. Então disse:
-
Senhora, vou com estes porque estão vestidos como eu.
Ela me
disse:
- Não. Você ainda está em falta. Você deve dizer às pessoas
o que tem visto e ouvido.
E ela
acrescentou:
- Eu lhe mostrei a Glória de Nosso Senhor e vocês a terão se
forem obedientes a Nosso Senhor, à Palavra do Senhor; se
perseverarem na oração do Santo Rosário e colocarem em
prática a Palavra do Senhor.
Depois
de haver dito isso, a Visão da Glória de Deus desapareceu e
a nuvem que A sustinha A elevou até o Céu. Ela parecia, como
disse a imagem da Assunção. E dessa forma, foi como se a
nuvem que a elevava desaparecesse.
Eu
havia sido proibido pelo padre de dizer o que via e ouvia, e
contei apenas a ele. Tomei o ônibus cedo na manhã do dia 9
de junho e contei ao padre. Pensei que, uma vez contado a
ele, ele então iria me dar a permissão, e ele disse que não,
que eu mantivesse em segredo.
Então
comecei a sentir uma tremenda tristeza que mal podia
suportar, e continuei a ouvir uma voz que me dizia para
contar. Comecei a sofrer como antes. Mas escolhi obedecer ao
padre e não relatei nada até que a permissão fosse dada.
E isso
aconteceu no dia 24 de junho, que é festa do patrono de
Cuapa, então eu pude contar apenas para as pessoas daquela
vila. Naquele dia a igreja estava cheia de gente, e fui
esperar para encontrá-lo e pedir permissão. O padre me disse
"não" duas vezes, e da terceira vez aceitou que eu contasse.
A Terceira Visão
No dia
8 de julho fomos ao local onde ocorreram as aparições, fomos
cerca de quarenta pessoas. Rezamos e cantamos, mas não A vi.
Implorei em minhas orações para que A visse novamente.
À
noite, enquanto dormia, tive um sonho. Sonhei que estava no
local das aparições rezando pelo mundo. Em meu sonho me
lembrei que Nossa Senhora havia me dito para rezar pela
Nicarágua e pelo mundo todo porque sérios perigos o
ameaçavam. E então, lembrando disso e do que o padre me
havia dito, quando eu lhe contei sobre a mensagem da Virgem
Santíssima; para rezar especialmente pelos religiosos,
religiosas, sacerdotes e pelo Papa. Lembrando disso tudo,
comecei a rezar; comecei a confiá-los a Deus. E confiei o
mundo todo rezando o Rosário.
Havia
um rapaz de Cuapa que estava preso. Ele havia se
desentendido em uma festa; acusaram-no de ser um
contra-revolucionário e o levaram preso depois da guerra.
Sua irmã me pediu para interceder por ele. Ela estava muito
triste porque ela não podia falar com ele sozinha quando o
visitava na prisão. Além disso, não os deixavam sozinhos
para conversar.
Depois
de terminar o Rosário, lembrei-me de que não havia rezado
por esse rapaz, e pensei:
-
Vou rezar por ele, mas o Rosário está me tomando muito
tempo...
Pensei
assim em meus sonhos porque acreditei estar no lugar das
aparições. Disse pra mim mesmo:
-
Tenho que ir pra casa; será muito tarde quando voltar... vou
rezar apenas três Ave-Marias.
No
sonho eu me ajoelhei e ergui as mãos; novamente olhei para
cima rezando pelo rapaz. Quando baixei os olhos e olhei para
as rochas onde a Virgem Santíssima havia aparecido, vi um
anjo. Ele estava vestido com uma longa túnica branca; ele
era alto e muito jovem. Seu corpo parecia banhado em luz.
Tinha o corpo físico de um homem adulto. Não tinha adornos,
manto, nem coroa. Simples mas jovial. Seus pés não estavam
sobre uma nuvem. Estava descalço. Ele tinha um comportamento
amigável, gentil, e de grande serenidade.
Senti
uma reverência quando estava diante dele, mas meus
sentimentos com relação a ele eram diferentes do que sentia
diante de Nossa Senhora... Como se ELA fosse alguém maior...
Ela maior que ele. Não sei explicar... De qualquer forma,
apesar do fato Dela inspirar em mim maior respeito, isto é,
com um grande respeito, uma grande referência, muito mais do
que senti com relação ao anjo.
Com
ELA eu era corajoso o suficiente para fazer perguntas; e
falei com ELA e fiz pedidos. Com o anjo eu mal falei.
Ouvi o
anjo me dizer:
- Sua
oração foi ouvida.
Após
um momento de silêncio ele acrescentou:
- Vá e diga à irmã do prisioneiro para ir e consolá-lo no
domingo, porque ele está muito triste; para aconselhá-lo a
não assinar um documento; que irão pressioná-lo a assinar um
papel no qual ele assume responsabilidade por uma soma de
dinheiro; ele é inocente.
Diga que ela não deve se preocupar, que será capaz de falar
com ele sozinha por um longo tempo; que ela será tratada de
maneira amigável.
Diga para ir segunda-feira no quartel-general da polícia de
Juigalpa para completar todos os passos para sua libertação
porque ele será solto naquele dia.
Diga para pegar 1.000 córdobas porque estabelecerão uma
fiança.
Então
lhe disse que tinha outro pedido de uma prima que mora em
Zelaya. Ele veio a Cuapa para me ver e pedir que eu falasse
à Virgem Santíssima sobre dois problemas: problemas em casa
como resultado do vício da bebida e problemas com o trabalho
devido a mudanças trazidas pela Revolução.
Ela
queria saber como resolver o vício do alcoolismo com seu pai
e seu irmão, porque os problemas resultantes em casa eram
causados pela violência deles quando bebiam muito. Ela
também queria saber o que podia fazer com seus problemas no
trabalho como professora. Ela me explicou que não queria
perder o emprego, mas parecia que pouco a pouco faziam com
que negasse sua fé. Nisso ela sofria muito porque não queria
perder o emprego, muito menos negar sua fé.
Por
isso disse ao anjo que tinha dois pedidos de uma prima para
a Santíssima Virgem; e sem entrar em detalhes, eu lhe disse
que era com relação a problemas em casa por causa do vício
da bebida de seu pai e irmão, e também problemas no
trabalho. Não entrei em maiores detalhes. O anjo me
respondeu dizendo:
- As
pessoas ao redor deles devem ser pacientes com eles, e não
devem reclamar quando estiverem inebriados.
Depois
ele acrescentou:
Vá
e diga a eles para parar com o vício, para fazê-lo pouco a
pouco e que desse modo o desejo os deixará.
Ele
então disse para avisar meu primo que iriam assaltá-lo;
iriam baleá-lo no pé, ferindo seu calcanhar esquerdo; e que
mais tarde iriam matá-lo. Ouvindo isso, fiquei tão assustado
que disse ao anjo:
-
Essa sentença sobre meu primo não pode ser revogada pela
oração de vários Rosários?
Ele
respondeu:
-
Não. Será assim que
ele morrerá, mas se ele ouvir seu conselho sua vida pode ser
prolongada.
Então,
ele acrescentou para minha prima:
Ela
não deve ter medo. Deve ficar firme como está. Não deve
deixar seu emprego porque como professora que tem fé em
Nosso Senhor ela pode fazer muito bem às pessoas.
E
continuou, dizendo:
-
Não vire as costas aos problemas e não amaldiçoe ninguém.
O anjo
disse ao final, e desapareceu. Eu acordei.
Logo
comecei a rezar o Rosário, sem ser distraído pelo que
sonhei. Depois comecei a pensar em todo o que havia sonhado.
Eu me lembrei de tudo o que sonhei. Eu me lembrei de tudo
como se tivesse sido impresso em mim.
Não
sabia o que pensar. Mas escolhi contar à irmã do prisioneiro
em segredo porque tinha medo de que aquilo não acontecesse.
As pessoas estavam comentando sobre a Glória de Deus que eu
havia visto no dia 8 de junho e diziam:
Quem foi e quem retornou? Bernardo está maluco. Deveríamos
levá-lo ao asilo.
Por
isso eu estava com medo. Contei à Sra. Socorro, dizendo que
era apenas para ela saber. Contei no dia seguinte. Ela me
perguntou como isso poderia ser se ela não podia falar com
ele sozinha? Disse a ela ter confiança no Senhor e ir fazer
tudo o que o anjo havia dito.
Rezamos junto o Rosário pelo irmão dela que estava preso.
Fomos
vê-lo no domingo, 13 de julho. Ela ficou na cadeia sozinha
com ele por muito tempo, e por causa disso ela pode lhe
dizer para não assinar o documento. Todos foram gentis com
ela.
Quando
retornou a Cuapa, no mesmo domingo à tarde, ela pediu um
empréstimo de 1.000 córdobas de um homem que nunca empresta
nada sem impor alguma coisa. Ele deu o dinheiro a ela sem
nenhuma garantia, sem nenhuma nota promissória, e até disse
a ela:
Se
quiser mais, eu dou mais.
Apresentaram o documento para o rapaz, mas ele se recusou a
assinar. A Sra. Socorro veio na segunda-feira ao
quartel-general da polícia em Juigalpa para completar todos
os passos necessários para ver se o libertavam. Ela
encontrou as pessoas do quartel-general muito amistosas.
Libertaram o irmão e estabeleceram uma fiança de 1.000
córdobas. Ela lhes disse que era pobre e que poderiam baixar
um pouco a fiança, e reduziram 200 córdobas. Tudo foi
cumprido.
Logo
saíram e voltaram a Cuapa, e vieram a minha casa para
expressar sua gratidão. Eu lhes disse para não agradecerem a
mim, mas ao Senhor e à Santíssima Virgem. Sugeri a eles que
viesse rezar o Rosário. A Sra. Socorro estava muito feliz e
me perguntou se ela podia contar às pessoas. Eu disse que
sim. Muitos vieram a acreditar por causa deste evento, que
para mim e para outros foi como ganhar uma recompensa ou ser
libertado.
Ele
saiu da Prisão na segunda-feira, 14 de julho, e no dia
seguinte fui a Zelaya para lhes dizer sobre a mensagem
recebida. Falei aos três. Ela acreditou em mim e me disse
que poderia continuar trabalhando como professora. Meu tio
escutou e me prometeu que tentaria deixar o vício pouco a
pouco. Depois fui a cavalo diretamente para o rancho de meu
primo, mas ele não acreditou em mim. Ele não acreditou em
nada. Ele ouviu, mas sem respeito. Ele estava indiferente
comigo e mesmo duro, porque em um tom de voz insultuoso ele
me disse:
Primo, você está procurando algum modo de tomar uma bebida?
Voltei
para casa triste e rezei o Rosário por ele. Poucos dias
depois ouvi dizer que ele havia sido roubado e sua casa
invadida. Retornei a Zelaya para lhe aconselhar e dizer para
vender seu rancho e voltar a Cuapa. Assim ele evitaria
aqueles incidentes. Ele não prestou atenção em mim, apesar
de que o que eu lhe havia contado na visita anterior já
havia sido cumprido em parte: eu lhe falei sobre um roubo.
Eles roubaram dois burros dele. Eu lhe falei sobre um
assalto. Eles arrombaram a porta uma noite e o roubaram de
novo.
Eu lhe
disse que seu calcanhar esquerdo seria ferido. E assim foi.
Durante esta segunda visita a Zelaya, ele mesmo me mostrou o
ferimento mas ele não acreditou. Disse que foi coincidência.
Ele não mudou.
Novamente voltei a Cuapa me sentindo triste. Desconsolado!
Rezei o Rosário por ele.
Dois
meses e um dia mais tarde, isto é, dia 9 de setembro de
1980, a cunhada dele, que mora em Cuapa, que não acreditava
em nada do que eu dizia, recebeu um telegrama avisando-a de
que meu primo havia sido encontrado morto. À meia-noite
daquele mesmo dia, que foi também o dia que seguiu a quarta
visão, o cadáver dele chegava a Cuapa.
Tudo o
que o anjo havia dito foi cumprido ao pé da letra.
Eu
tinha um encontro com a Senhora, mas ele não aconteceu. Não
pudemos chegar lá porque o rio estava cheio. A correnteza
estava muito forte e transbordava devido a ventos fortes.
Uma chuva muito forte caiu desde a noite do dia 17, ao dia
seguinte... Choveu sem parar até o dia 18 de agosto. Era
impossível atravessar!
Eu
estava acompanhado por um grupo de pessoas, todas mulheres.
Chegando à margem do rio tentamos atravessar, mas vimos que
era muito perigosa a travessia. Seria impossível mesmo com
cavalo.
Eu
disse: Mesmo sozinho, vou atravessar.
Mas
olhei e disse: Não! Não posso fazer isso sozinho! A
corrente irá me carregar, está tão forte!
Continuou a chover. Estávamos totalmente ensopados pela
chuva. Então disse às pessoas: A Virgem Santa, a Mãe
Santíssima, irá nos ouvir onde quer que estejamos.
Paramos de tentar cruzar o rio para chegar ao local das
visões. Sentamo-nos nas rochas ao longo do rio; outros
permaneceram em pé. Então rezamos o Rosário e cantamos
muitas canções. Na volta não sentíamos frio nem estávamos
tristes.
Quando
se tornou possível atravessar, voltamos ao local das
aparições. Mas nada aconteceu, nem senti que a Senhora
viria. Senti em não vê-La. Agora já estava familiarizado com
a idéia Dela chegar. Eu me sentia feliz por esperá-La e
ainda mais ao vê-La.
Outra
coisa que aconteceu durante este mês foi que pude ver que o
padre não acreditava em mim. Por educação ele tentava não
demonstrar isso, mas não, ele não acreditava. Ele nunca
mostrou nenhum interesse em ir ao local em que as aparições
aconteciam.
Entretanto, um dia ele chegou à capela, celebrou a Missa, e
depois me disse que queria ir ao local onde as aparições se
davam. Mas me disse para não apontar o caminho e para não
falar com ele.
E foi
assim. Chegamos ao local. Pude ver que ele olhava para todos
os lados ao redor. Ele olhava como se reconhecendo alguma
coisa. Depois, indicou o ponto preciso: Este é o lugar
que estava em meu sonho na noite passada.
Com
isso ele mudou. Antes disso notava que ele não aceitava.
Pude perceber isso. Mas não o julguei, pois talvez ele tenha
sido um instrumento para saber a verdade.
Ao
final de agosto, um dia lhe disse: Padre! Estou triste
porque não pudemos cruzar o rio por causa da forte
correnteza. Será que Ela esperava que atravessássemos o rio
no dia 8 de agosto? Será que Ela não vai voltar?
Ele me
disse: Reze e ela aparecerá novamente.
Ele
disse isso com convicção.
A Quarta Visão
Dia
oito de setembro fui ao local das aparições esperando o
encontro que não havia acontecido em agosto.
Novamente fui acompanhado por várias pessoas; havia também
algumas crianças. Estávamos rezando o Rosário, e assim que
terminamos, eu vi um relâmpago. Somente a luz dele foi
vista. Estava claro; não havia sinal de chuva. Pensei e
disse:
A
Senhora está para chegar!
Outro
sinal era a grande alegria interior quando estou para vê-La.
Então
vi um segundo relâmpago que é sempre o que A faz aparecer e
eu A vi sobre uma nuvem.
A
nuvem estava sobre o Morisco que já estava sem folhas e o
povo de Cuapa estava tirando-as pouco a pouco da pequena
árvore.
Dessa
forma, sobre tudo isso, estava a Virgem Maria. Eu a vi como
uma criança. Linda! Mas pequena! Ela estava vestida em uma
túnica de cor creme pálido. Não tinha um véu, nem coroa, nem
manto. Nenhum adorno ou bordado. O vestido era longo, com
mangas longas, e tinha um cordão rosa na cintura. Seu cabelo
caía até os ombros e era castanho. Os olhos também, embora
muito mais claros, quase da cor do mel. Toda Ela irradiava
luz. Parecia como a Senhora, mas era uma criança.
Eu
olhava para Ela maravilhado sem dizer uma palavra, e então
ouvi Sua voz como de uma criança, uma criança de sete, oito
anos. Com uma voz extremamente suave Ela me deu a mensagem;
totalmente idêntica. Ao final, pensei que, como Ela era uma
criança, seria mais fácil para ela permitir-se ver pelos
outros que me acompanhavam. Esse era meu esforço. Disse a
mim mesmo:
Os
outros devem poder vê-La!
E Lhe disse:
-
Permita-se ser vista para que todo o mundo acredite. Estas
pessoas que estão aqui querem vê-La
As
pessoas podiam me ouvir, mas não a Ela. Falei bastante com
Ela tentando fazer com que se permitisse ver, mas depois de
me ouvir Ela disse:
- Não.
É suficiente que você lhes dê a mensagem porque para aquele
que acredita será suficiente, e para aquele que não
acredita, mesmo que me veja ele não acreditará.
Estas
palavras Dela foram cumpridas. Agora posso ver a descrença
ou a fé de uma pessoa. Há indivíduos que crêem sem procurar
ver nenhum sinal; a mensagem é suficiente para eles, eles a
recebem. Alguns têm grandes necessidades, eles não pedem um
milagre, não pedem curas, preferem acreditar no Senhor. Já
outros através dos sinais vieram a acreditar.
Conheci um homem que, cheio de alegria, me disse:
Bernardo! Agora acredito que a Virgem apareceu. Você é
feliz! Eu também A vejo!
Ele
indicou o lugar. Era na velha capela, onde era o altar
antes. Poucos metros além estava outro homem que, ao ver-me
passar, me disse cheio de indiferença:
É
verdade que está lá. Mas não é nada mais do que seres de
outros planetas.
Isto
ocorreu no dia 7 de maio de 1981, véspera do primeiro
aniversário da primeria aparição.
Então
não insisti mais que Ela permitisse que fosse vista, mas
falei a respeito da igreja que as pessoas queriam construir
em Sua honra. Padre Domingos nos disse que essa era uma
decisão que ele não poderia tomar, e que devíamos contar à
Santíssima Virgem. Por isso apresentei esta questão a ELA.
Por que um homem de Matagalpa já nos havia dado C$80,00
córdobas para esse fim. Ela me respondeu dizendo:
- Não.
O Senhor não quer igrejas materiais. Ele quer templos vivos,
que são vocês mesmos.
Restaurem o sagrado templo do Senhor. Em vocês está a
satisfação do Senhor.
E Ela
continuou, dizendo:
-
Amem-se. Amem uns aos outros. Perdoem-se uns aos outros.
Façam a paz. Não peçam por ela antes.
Façam a paz!
Eu
perguntei o que deveria fazer com as C$80,00 córdobas que
tinha em minhas mãos. Eu me perguntava se deveria
devolvê-las. Ela me disse para doá-las para a construção da
capela em Cuapa. E acrescentou:
-
Deste dia em diante, não aceite nem um centavo para nada.
Depois
disse para não chamar "igreja" a coisas materiais porque a
igreja e os templos somos nós mesmos; que as capelas são
casas de oração. Às vezes, por hábito, me engano e digo
igreja em vez de capela.
Nesse
momento, me veio uma dúvida na cabeça. Eu havia pensado em
perguntar a Ela sobre esta dúvida porque não sabia se
continuava no catecumenato. Fiz isso para saber o que Ela me
aconselhava. Ela me disse:
- Não.
Não deixe. Sempre continue firme no catecumenato. Pouco a
pouco você compreenderá tudo o que o catecumenato significa.
Como um grupo da comunidade meditem sobre as beatitudes,
longe de todo o barulho.
Mais
tarde ela acrescentou:
- Não
vou retornar no dia 8 de outubro, mas no dia 13.
Então
a nuvem A elevou. Como das outras vezes...
A Quinta Visão
Em
outubro, no dia oito, fomos ao local das aparições.
Eu
sabia que Ela não apareceria como já me havia dito.
Todo o
povo as pessoas agora me seguiam, como que quisessem rezar o
Rosário perto da pilha de rochas. Eles desejavam fazer isso
por devoção.
No dia
13, que era uma segunda-feira, tínhamos uma devoção na
capela às dez da manhã. Depois, um grupo de cerca de
cinqüenta pessoas foi ao local das aparições. Uma pequena
peregrinação. Fomos rezando o Rosário e cantando. Ao chegar,
arranjamos as flores que as pessoas haviam trazido, sobre as
rochas. começamos outro Rosário. O céu parecia como se fosse
chover, com grandes nuvens ameaçadoras, Pareciam de chuva.
Quando
estávamos no terceiro mistério, O do Nascimento do Filho de
Deus, senti a mesma emoção que sempre sentia quando na hora
de vê-La se aproximar. Mas achei melhor não perturbar a reza
do Rosário. Ao final cantamos Minha Rainha do Céu.
Repetíamos a parte que diz: Brilhante Estrela do Dia,
dê-me a graça de poder cantar a Ave Maria, quando de
repente um círculo luminoso se formou sobre o chão. Todos,
sem exceção, o viram; era como um arco que tivesse caído e
marcado esse círculo luminoso no chão. A luz veio de cima. A
luz que veio era como um ponto de luz que, ao tocar o chão
se espalhasse.
Vendo
como esta luz caía sobre as cabeças de todos que lá estavam,
olhei novamente para cima e vi um círculo que se havia
formado também no céu. Como quando dizemos aqui:
Há
um anel em volta da lua
ou
há um anel em volta do sol.
Esse
círculo soltava luzes de cores diferentes, sem sair do sol.
Não estava naquele lugar, pois o sol já se estava pondo.
Uma
menininha, segura pela mão da mãe, tentou se soltar dizendo
à mãe que a Senhora a chamava. A mãe a segurou ainda mais
firmemente e não a deixou se mover. A própria criança me
contou isso depois da aparição.
Eram
três da tarde. Era possível sentir uma suave brisa.
Agradável! Como uma chuva refrescante, mas que não nos
molhava. Enquanto observávamos isso, estávamos em silêncio e
continuávamos vendo aquele círculo de luz que soltava luzes
coloridas exatamente no centro, onde o sol está ao meio-dia.
De
repente, um relâmpago, assim como das outras vezes; logo, um
segundo. Baixei meus olhos e vi Nossa Senhora. Desta vez, a
nuvem estava sobre as flores que havíamos trazido, e sobre a
nuvem os pés de Nossa Senhora. Linda! Ela estendeu Suas mãos
e raios de luz atingiram a todos nós.
Eu, ao
ver Nossa Senhora lá com os braços estendidos, disse às
pessoas: Vejam! Lá está ELA!
Ninguém respondeu nada. Então disse à Nossa Senhora para que
fizesse com que A visse, que todos os presentes queriam
vê-La. Ela disse:
- Não. Nem todos podem me ver.
Novamente eu disse às pessoas:
Nossa Senhora está na pilha de rochas sobre as flores.
Eu
pude ouvir algumas das pessoas chorando. Pude ouvir soluços.
Uma senhora cujo nome é Mildred me disse: Posso ver apenas
uma sombra, como uma estátua, sobre as flores. Novamente
insisti com a Senhora para que todos a vissem e Ela
novamente me disse que não.
Então
novamente disse às pessoas:
Olhem para as flores sobre as rochas.
Ninguém me respondeu.
Então
eu disse para a Senhora:
-
Senhora, permita que eles A vejam para que acreditem! Porque
muitos não acreditam. Ele me dizem que é o demônio que
aparece para mim. E que a Virgem está morta e voltou ao pó
como qualquer mortal. Permita que eles A vejam, Nossa
Senhora!
Ela
não respondeu nada. Ela levantou as mãos ao peito em uma
posição semelhante à da imagem de Nossa Senhora das Dores a
imagem que é carregada em procissão durante a Semana Santa.
E assim como aquela imagem, Seu rosto se tornou pálido, Seu
manto mudou para uma cor cinza, Seu rosto se tornou triste e
Ela chorou. Eu chorei também. Eu tremia de vê-La daquele
jeito.
Eu Lhe
disse:
-
Senhora, perdoe-me pelo que eu Lhe disse! Sou culpado! A
Senhora está brava comigo. Perdoe-me! Perdoe-me!
Ela
então me respondeu dizendo:
- Não
estou brava nem ficarei brava.
Eu
perguntei:
- E
por que chora? Eu a vejo chorando.
Ela me
disse:
-
Entristece-Me ver a dureza do coração dessas pessoas. Mas
você terá que rezar para elas para que elas mudem.
Eu não
podia falar. Continuei a chorar. Senti que meu coração
estava sendo esmagado. Eu estava muito triste como se fosse
morrer da dor ali mesmo. Meu único alívio era através do
choro. Não continuei a insistir para que Ela permitisse ser
vista. Senti que era culpado por Lhe ter dito isso. Não
suportava vê-La chorar. Enquanto eu continuava a chorar, Ela
me deu a mensagem:
-
Rezem o Rosário,
meditem os mistérios.
Ouçam
a Palavra de Deus que está neles.
Amem-se. Amem uns aos outros.
Perdoem uns aos outros.
Façam
a paz. Não peçam por paz sem fazer a paz; porque, se vocês
não a fazem, não é bom pedir por ela.
Cumpram suas obrigações.
Ponham
em prática a Palavra de Deus.
Procurem maneiras de agradar a Deus.
Sirvam
o seu próximo, pois dessa forma vocês O agradarão.
Quando
Ela terminou de dar a mensagem, eu me lembrei dos pedidos do
povo de Cuapa.
Eu Lhe
disse:
-
Senhora, tenho muitos pedidos, mas me esqueci deles. Há
muitos. A Senhora sabe todos eles.
Ela
então me disse:
- Eles
Me pedem coisas que não são importantes. Peçam por fé para
que tenham a força para que cada um possa carregar sua
própria cruz. Os sofrimentos deste mundo não podem ser
suprimidos. Os sofrimentos são a cruz que vocês devem
carregar. A vida é assim. Há problemas com o marido, com a
esposa, com os filhos, com os irmãos. Falem, conversem para
que esses problemas sejam resolvidos em paz. Não se voltem à
violência. Jamais voltem à violência. Rezem pela fé para que
tenham paciência.
Dessa
maneira, Ela me deu a entender que se com fé podemos pedir
para sermos libertos de um sofrimento, seremos libertos se
aquele sofrimento não for a cruz que temos que carregar; mas
quando o sofrimento é a cruz da pessoa, então ele será
mantido como um peso para a glória. Por isso Ela nos disse
para pedir por fé para receber fortaleza e paciência.
Depois
Ela me disse:
- Você
não mais me verá neste lugar.
Pensei
que nunca mais a veria novamente, definitivamente, e comecei
a gritar:
Não
nos deixe, minha Mãe!
Não nos deixe, minha Mãe!
Não nos deixe, minha Mãe!
Eu
falava por aqueles que não estavam falando, então Ela me
disse:
- Não
fique aflito. Estou com todos vocês embora não possam me
ver. Sou a Mãe de todos vocês, pecadores. Amem-se.
Perdoem-se. Façam a paz, porque se não a fizerem não haverá
paz. Não se voltem à violência. Jamais se voltem à
violência.
A
Nicarágua tem sofrido muito desde o terremoto e continuará a
sofrer se todos vocês não mudarem. Se vocês não mudarem,
apressarão o início da Terceira Guerra Mundial.
Reze,
reze, meu filho, pelo mundo todo. Uma mãe nunca se esquece
de seus filhos. E Eu não me esqueci do que vocês sofreram.
Sou a
Mãe de todos vocês, pecadores.
Carta do Revmo. Bispo de Juigalpa, Monsenhor Pablo Antonio
Vega, sobre as aparições de Cuapa, Nicarágua:
Cuapa
é um pequeno vale, pertencente à municipalidade de Juigalpa,
em Chontales. Seus habitantes são os menores proprietários
de gado. É um lugar tranqüilo com pequenos montes, típicos
da região de Chontales.
Já faz
três anos que um dos camponeses da região chegou comunicando
uma mensagem que ele disse ter recebido de Maria em uma
série de sonhos e aparições.
Discernir a verdade destes fatos depende mais dos sinais
extraordinários de Deus que a simples análise dos eventos.
Mas
andaram circulando versões que não representam os eventos e
que distorcem o conteúdo da mensagem. Por esse motivo, por
causa do dever e obrigação de proteger a integridade da
piedade dos fiéis e a verdade dos eventos, em minha posição
como Bispo da região, achei-me na obrigação de assegurar a
autenticidade dos eventos para ser capaz de assistir no
discernimento do real valor atribuído à mensagem.
Com
este propósito em vista, busquei a colaboração de algumas
pessoas para colher com o maior detalhe possível e do
testemunho pessoal daquele que teve as visões, um relato dos
eventos, sem omitir o testemunho adjunto que poderia
confirmar os eventos declarados verbalmente.
Em
primeiro lugar, é nossa intenção esclarecer o conteúdo da
mensagem para sermos capazes de estabelecer sua concordância
com a mensagem evangélica, que como Igreja somos obrigados a
aclamar publicamente e desenvolvê-la com toda sua força e
plenitude.
O
"relatório" que apresentamos mantém o conteúdo preciso e a
linguagem usada pelo indivíduo que recebeu as visões.
De
nossa parte, ficamos surpresos com a ênfase dada às
responsabilidades que cabem ao homem na tarefa de "fazer a
paz" e de "construir o mundo"; uma ênfase religiosa que não
é típica da religião popular, que costuma deixar tudo para
Deus.
Esperamos que o relatório que apresentamos sirva como
convite à reflexão sobre as obrigações sociais que
freqüentemente são totalmente esquecidas por muitos de
nossos cristãos.
Juigalpa, 13 de novembro de 1982
Mons. Pablo Antonio Vega M.
Bispo de Juigalpa
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