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A MEDIAÇÃO UNIVERSAL
DE MARIA SANTÍSSIMA.
Parte V.
Ao entrarmos na exposição da segunda parte da
Mediação Universal de MARIA Santíssima, que diz
respeito à intercessão e distribuição de todas as Graças que
DEUS concede ao mundo por Sua Mediação, seja-nos permitido
exultar de alegria por tão amoroso e misericordioso Desígnio
do Todo-Poderoso!
A nós, pobres filhos de Eva, que caminhamos neste
vale de exílio, cercados de paixões, perigos, tentações,
perseguições infernais e que muitas vezes nos sentimos
ladear os abismos da condenação eterna, só de pensar que nos
Céus temos uma MÃE Onipotente pela Sua intercessão, nos
enche o coração e a alma de radiosas esperanças de que, na
hora extrema, encontramos Misericórdia, perdão e salvação
eterna.
“Oh! Coração de JESUS, o oceano infinito de bondade
e amor, permiti que vos rendamos infinitos agradecimentos
por terdes entregue nossa salvação eterna ao Coração
Imaculado de Vossa Excelsa MÃE e incomparável MÃE nossa. Oh!
Coração Divino, estes vossos extremos de carinho e terno
amor filial para com o Refúgio dos Pecadores, encoraja,
anima e entusiasma até aqueles pobres desesperados que já
estão dominados pelo terror da desgraça e condenação
eternas.
Salve, bendito e misericordioso Decreto da Mediação
Universal, salve Medianeira de Todas as Graças!”
Para melhor compreensão da consoladora doutrina, é
importante meditarmos nos seguintes princípios:
1° - É DEUS que quer que recebamos tudo por
MARIA:
O misericordioso decreto de que não recebamos
Graças, senão por intermédio da Onipotente intercessão de
MARIA Santíssima, dependeu única e exclusivamente da Vontade
de DEUS.
“A Vontade de DEUS é que recebamos tudo por
MARIA”. É esta a célebre palavra de São Bernardo,
que enfeixa a doutrina da Mediação Universal, e que depois,
através dos séculos, a Igreja repete, sem cessar, pela boca
dos doutores, santos escritores e principalmente pelos Sumos
Pontífices.
Bem pudera DEUS dispensar a cooperação da Virgem
nos mistérios da Redenção, mas SUA Suprema Vontade
quis que ELA fosse a Co-Redentora, na Encarnação e Morte do
SALVADOR, e que agora fosse, no Céus, a Medianeira de todas
as Graças.
Sim, é Vontade de DEUS que recebamos tudo por
MARIA. Vontade de DEUS que a primeira Graça da Redenção, na
ordem sobrenatural, outorgada a São João Batista, ainda no
seio materno, fosse concedida por intermédio de MARIA.
Vontade de DEUS que os pastores e Reis Magos
encontrassem o Menino JESUS nos braços de MARIA.
Vontade de DEUS que o primeiro Milagre, na ordem
natural, fosse feito por JESUS, a pedido de MARIA, nas bodas
de Caná.
Vontade de DEUS que a Virgem fosse Co-Redentora ao
pé da Cruz.
Vontade de DEUS que os Apóstolos se preparassem e
recebessem o ESPÍRITO SANTO ”cum MARIA MATRE JESU” com MARIA
MÃE de JESUS.
E essa Divina Vontade continua agora a conceder
Graças e favores do Céus, somente por intermédio de Sua MÃE
Santíssima, que constituiu Medianeira de Todas as Graças.
2° - Quais são as Graças que dependem da Mediação Universal?
Dependem deste Divino Decreto todas as Graças
atuais, isto é, todos os auxílios que nos tornam possível a
consecução de nosso fim último sobrenatural, quer sejam
auxílios naturais ou sobrenaturais; quer sejam internos ou
externos. Dependem também diretamente os bens materiais e a
remoção de males temporais, que tem relação direta com a
salvação eterna.
A graça santificante, as virtudes
sobrenaturais e os dons do Divino ESPÍRITO SANTO, são objeto
indireto da Mediação Universal.
Pois a Graça santificante, tanto a sua primeira
infusão, como o seu aumento, é fruto direto da digna
recepção dos santos Sacramentos e das boas obras.
Mas para recebermos dignamente os santos
Sacramentos e para praticarmos boas obras, são necessárias
as Graças atuais, e estas nos alcança a Virgem Medianeira,
com o fim de que recebamos a Graça santificante ou que ela
em nós aumente.
3° - A Mediação Universal não exclua a invocação dos Santos:
Dentro dos princípios acima expostos, a doutrina da
Mediação Universal não admite nenhuma exceção. MARIA
Santíssima é de fato a Medianeira de Todas as Graças, como
inúmeras vezes afirma o Papa Pio XI:
“É a Rainha de todas as Graças, é a
Medianeira de todas as Graças.”
Mesmo quando nos dirigimos aos santos, e pela
intercessão deles obtivemos Graças e até Milagres, nunca é
sem a intercessão também da Medianeira. Acontece, muitas
vezes, que DEUS e a própria Santíssima Virgem, querendo
glorificar e honrar determinado Santo (a), aguardam as
súplicas pela intercessão deste ou desta bem-aventurada,
para então conceder a Graças solicitada.
Quando, pois, obtivemos Graças, favores e Milagres
pela invocação dos santos, sempre é exigida a intercessão da
Medianeira. Ouçamos o que ensinam a este respeito os Sumos
Pontificas Bento XV e Pio XI.
Quando a Congregação dos Ritos (na época) hesitou,
durante anos, em atribuir à Bem-Aventurada Joana D’Arc um
dos Milagres propostos para a sua canonização, por ele ter
ocorrido em Lourdes, Bento XV assim se manifestou:
“Se em todos os Prodígios convém reconhecer a
Mediação de MARIA, pela qual, segundo a Vontade Divina, toda
a Graça e todo o benefício nos vem, não se pode negar que
esta Mediação se manifestou, de modo muito particular, num
dos Milagres precitados.
Entendemos que o SENHOR assim O permitiu, para nos
sugerir que nunca devemos deixar de pensar em MARIA, ainda
mesmo quando um Milagre pareça dever atribuir-se à
intercessão de um bem-aventurado ou santo.
Até quando DEUS se compraz em glorificar os Seus
santos, é preciso supor sempre a intercessão d’Aquela que os
padres chamam “Medianeira dos medianeiros” - “Mediatrix
mediatarum ommium.”
A mesma doutrina focaliza admiravelmente o Papa Pio
XI na Encíclica sobre o santo Rosário, de 29 de setembro de
1937:
“Convidamos a todos os fiéis para conosco
agradecerem à MÃE de DEUS por termos recuperado a saúde.
Como em outra parte já havemos dito, atribuímos esta Graça à
intercessão de Santa Teresinha de Menino JESUS, mas sabemos
também que tudo quanto nos vem de DEUS, o recebemos das mãos
de MARIA Santíssima.”
4° - Para obter Graças, MARIA é a Mediadora, mesmo não sendo
invocada.
Apesar de DEUS não conceder favor algum senão por
MARIA, contudo, não é necessário lembrarmos sempre deste
importante fator, para sermos socorridos por ELA. Pois MARIA
é MÃE, e que MÃE...! Por isso intercede sem cessar pelos
filhos, mesmo quando não é invocada. Basta lembrar os
gentios que se salvam pela Maternal intercessão da Virgem, e
nem sequer a conhecem.
Com que singeleza e amor terno dizia o grande Cura
de Ars, São João Maria Viawey:
“Quando chegar o fim do mundo, NOSSA SENHORA
há de ficar muito aliviada. Mas até lá, mal sobe para onde
há de se voltar. É como uma mãe que tem muitos filhos: está
continuamente ocupada em atender ora a um, ora a outro.”
E confessava ingenuamente que tantas vezes tinha ido beber à
fonte, que, se ela não fosse inesgotável, de há muito teria
secado. (R. Plus
S.I. _ MARIA em nossa História Divina-, pág. 169, 170)
5° - MARIA intercede por toda Graça, em particular para cada
homem.
Esta preciosíssima verdade nos ensina o Papa Leão
XIII, na Encíclica “Magnae Dei Matris”, de 08 de dezembro de
1892, eco da Tradição dos Santos Padres e Doutores:
“MARIA, muito melhor que nenhuma outra mãe,
conhece e vê os socorros de que necessitamos para viver, os
perigos públicos e particulares que nos ameaçam, as
angústias e males que nos oprimem, e, sobretudo, a luta
encarniçada que havemos de sustentar com os inimigos da
salvação.
Nestas e em outras dificuldades da vida, melhor do
que ninguém, pode ELA generosamente, pois deseja
ardentemente, proporcionar a Seus filhos queridos,
consolação, força e toda a espécie de auxílios.”
“Bendita seja a grande MÃE de DEUS, MARIA Santíssima,
Refúgio dos pecadores, Consoladora dos aflitos, Socorro
muito certo!”
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