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A MEDIAÇÃO UNIVERSAL
DE MARIA SANTÍSSIMA.
Parte
– II.
A maioria do povo eleito tinha uma idéia
completamente errônea da genuína missão do Messias. Vivendo
num país pequenino e dominado pelos romanos, ansiava pela
vinda do SALVADOR que o viesse libertar do jugo estrangeiro.
Havia, porém, um pequeníssimo número de almas
privilegiadas, conhecedoras, através dos livros
Sagrados, da missão sofredora e redentora do MESSIAS,
que os libertaria da escravidão do demônio e dos pecados.
Entre essas almas santas, ocupava o primeiro lugar
a Santíssima Virgem de Nazaré. Escolhida desde
a eternidade para MÃE do Senhor, Imaculada desde a Sua
Conceição e preparada, com a Plenitude de todas as Graças e
Dons do Divino ESPÍRITO SANTO, para ser digna Morada do
Verbo Eterno, devia conhecer, pelo menos em linhas gerais, o
futuro do FILHO e o Seu próprio futuro. Embora Seu
conhecimento no Dia da Anunciação não fosse detalhado e
minucioso, contudo havia de ser suficiente para que o Seu
Sim à Encarnação do REDENTOR, fosse espontâneo, livre e
consciente.
O Arcanjo São Gabriel Lhe oferece, em Nome de DEUS,
para ser ELA a MÃE do DEUS-MESSIAS prometido e REDENTOR do
gênero humano: e Lhe pede Seu livre consentimento.
Neste momento DEUS LHE pede para ser a Mãe do REDENTOR! SER
MÃE do REDENTOR; porém, não consistia só em
Concebê-Lo, Gerá-Lo e Alimentá-Lo, mas também em
Acompanhá-Lo, em perfeita comunhão de sentimento e
dores, até a completa consumação da Obra Redentora.
Ao
aceitar a oferta e pronunciar as palavras: “Eis aqui a
escrava do SENHOR, faça-se em MIM segundo a tua palavra”,
MARIA Santíssima aceita ser Mãe do REDENTOR e também todas
as conseqüências sofredoras que esta Sua posição central,
nos mistérios da redenção humana, Lhe há de trazer.
O VERBO Eterno ao assumir a natureza humana no Seio
Castíssimo da Virgem, dá o primeiro passo como REDENTOR do
gênero humano, e, MARIA Santíssima ao tornar-se, por Sua
livre vontade, MÃE do SALVADOR, dá o primeiro passo
como Co-Redentora do gênero humano. Quando termina a
Virgem Santíssima as palavras do “Fiat”, o VERBO se
faz Carne, entra no mundo, e no mesmo instante faz a
oferta inicial de toda a Sua vida, dizendo: “Não
quiseste sacrifício nem oblação mas ME formaste um Corpo.
Holocaustos e sacrifícios pelo pecado não te agradam. Então
EU disse: Eis que venho (porque é de MIM que está escrito no
rolo do livro), venho ó DEUS, para fazer a TUA vontade.
(Sal. 39,7 ss).
(Hb.10,
5-7)
MÃE e FILHO, portanto, no momento da Encarnação se
ligam eternamente à Vontade soberana do PAI. Cumprir esta
vontade à risca, eis o programa de vida do FILHO e da MÃE.
Mais tarde dirá CRISTO a Seus discípulos que LHE ofereciam
comida: “...Tenho um alimento para comer que não
conheceis... Meu alimento é fazer a Vontade d’Aquele que Me
enviou, e cumprir a Sua Obra”. (Jo. 4, 32-34)
Mesmo do alto do Calvário, cravado cruelmente à
Cruz, moribundo, entrega a Sua Alma ao PAI depois do
“Consummatum est” “Tudo está consumado” (Jo.
19,30), isto é, depois de ter verificado que a Vontade de
DEUS fora integralmente cumprida, desde o instante da
Encarnação até ao derradeiro momento da última gota de
Sangue, do último suspiro. Assim também ocorreu com a
Santíssima Virgem.
O “Fiat” pronunciado no Dia da Anunciação, será o
único e total programa de Sua Vida. Sim, palavra singela, o
“Fiat”, mas que significa e exprime a mais absoluta entrega
e sujeição de todo o Ser e viver da Virgem à Vontade de
DEUS. Sim, palavra humilde, o “Fiat”, mas que deu inicio à
maior Obra jamais realizada pelo próprio DEUS. Sim, palavra
brevíssima, o “Fiat”, mas que não o esquecerão nem o rolar
dos séculos, nem o passar da eternidade. O “Fiat”
acompanhará sempre a Virgem Santíssima, num crescendo
vertiginoso, até alcançar o seu auge, na hora suprema da
consumação do Sacrifício da Cruz.
Em relação ao Mistério da Anunciação, os
santos padres e doutores da Igreja freqüentemente fazem a
comparação entre Eva e MARIA e, chamam MARIA Santíssima de
Nova Eva, seguindo o exemplo de São Paulo que chama a CRISTO
de Novo Adão.
Santo Ireneu, séc. II, opondo MARIA a EVA, diz:
“Assim como por uma virgem desobediente foi o homem
ferido, caiu e morreu, assim também por meio de uma Virgem
obediente à Palavra de DEUS, o homem recobrou a vida. Era
justo e necessário que Adão fosse restaurado em CRISTO, e
que Eva fosse restaurada em MARIA, a fim de que uma Virgem
apagasse e abolisse pela Sua obediência virginal a
desobediência de uma virgem.“ (Ir. Demonstr. Apost.
Praed., Vers. Weber, pg. 59-60).
O mesmo pensamento, em torno de MARIA, a Nova EVA,
é admiravelmente exposto, pelo grande Santo Efrem, quando
afirma:
“O Anjo desceu dos Céus e falou à Virgem
Santíssima: começou-se a tratar da reconciliação,
encaminhou-se o tratado de paz. Em vez da serpente
apresentou-se Gabriel, e em vez de Eva, a Virgem MARIA. Com
as palavras que dirigiu a MARIA, Gabriel desfez as palavras
que o execrável homicida dirigiu à virgem Eva. Eva assinou a
escritura da dívida, a Santíssima Virgem pagou a dúvida. Eva
tinha caído, MARIA Santíssima levantou-a de novo.” (Ephr.
Lamy. 3, 976-978).
São João Damasceno, o grande devoto e apóstolo das
imagens dos santos e da Virgem Santíssima, exprime idêntico
pensamento, dizendo:
“Eva tornou-se culpável de prevaricação e por
ela entrou a morte no mundo; MARIA santíssima, dando o Seu
consentimento, e sujeitando-se à vontade de DEUS, enganou a
serpente enganadora.” (Damasc. M.G. 96 ,671)
A mesma doutrina ensinavam os grandes doutores São
Jerônimo e Santo Agostinho. São Jerônimo escreveu:
“A morte por Eva, a vida por MARIA.”
(Hier. M. L. 22, 408)
Santo Agostinho: “Por uma mulher a morte, por
uma mulher a vida.” (Ang. M.L. 38, 1108)
Mas ninguém mais ternamente exprimiu este
pensamento do que o devotíssimo da Santíssima Virgem, São
Bernardo:
“Ouvistes, ó Virgem, o Anjo aguarda a Vossa
resposta; nós também esperamos. O preço de nossa salvação
está nas vossas mãos: se consentis, seremos salvos. Eis que
o mundo inteiro, prostrado a vossos pés, de vós espera. Das
vossas palavras está pendente a salvação de todos os filhos
de Adão.” (Bern. M.L. 183, 83-84).
Pelo
que acabamos de ler, vemos claramente que os santos padres
ensinam que MARIA Santíssima, por Seu livre consentimento à
Encarnação do VERBO Eterno, reparou o mal que Eva nos
causara; por intermédio de MARIA nos veio a salvação.
Preciosíssima é a doutrina do Papa Leão XIII sobre
a Anunciação, expressa na Encíclica “Octobri mense”, de 22
de setembro de 1891: “Querendo o Filho do Eterno PAI, para a
Redenção e honra do homem, vestir a sua natureza e contrair
com o gênero humano místicos esponsórios, não pôs em obra os
Seus desígnios senão depois de ter obtido o pleno e livre
consentimento d’Aquela que havia escolhido para MÃE e que
representava, em certo modo o gênero humano, conforme a
luminosa e acertadíssima sentença do Doutor Angélico:
“No dia da Anunciação era esperado o consentimento da
Santíssima Virgem em lugar de toda a natureza humana”.
De onde se pode, com não menos verdade e exatidão, afirmar
que nada desses tesouros de infinitas graças que o SENHOR os
trouxe, pois que a Verdade e a Graça vem de JESUS CRISTO,
nos foi comunicado senão por MARIA. E deste modo, como
ninguém pode ir ao PAI senão pelo FILHO, assim também, quase
de igual modo, ninguém pode ir a JESUS CRISTO, senão por Sua
MÃE.”
A mesma doutrina sabiamente destaca-a Leão XIII na
Encíclica “Fidentem piwnque”, de 20 de setembro de 1896:
“Esta dignidade (de Medianeira) cabe, em grau
muito elevado, à Santíssima Virgem, pois só ELA cooperou na
reconciliação do gênero humano como mais ninguém. E esta
cooperação inefável está contida, essencialmente, em Seu
consentimento, Sua prontidão de pequena serva confiante na
Obra Divina, em Seu Admirável “Fiat”: “Faça-se em MIM.””
O pensamento claro do grande Pontífice Leão XIII é
o seguinte: DEUS, fazendo depender do consentimento da
Virgem a Obra da Redenção, manifestou a disposição de Sua
Vontade de por nas mãos de MARIA Santíssima todo o tesouro
das Graças que JESUS nos veio trazer.
Na Encíclica “Octobri mense”, de 22 de setembro de
1891, continua Leão XIII:
“O Pai Celestial comunicou a MARIA Santíssima
sentimentos profundamente maternos, que não respiram outra
coisa senão amor perdão. Aos cuidados e solicitude de MARIA
recomenda JESUS, do alto da Cruz, todo o gênero humano, em
Seu discípulo João.
MARIA entrega-se aos filhos como MÃE, e como
herança do FILHO, a morrer em meio a imensos sofrimentos,
começa, com grande empenho, a empreender o Ofício Materno.
Foi este o Desígnio de DEUS com MARIA, aprovado pelo
Testamento de CRISTO. Desde o começo, os santos Apóstolos e
os primeiros fiéis lhe experimentaram a doçura.
Experimentaram-na e ensinaram-na os Padres da Igreja e, em
todas as épocas foi aceita por unânime consenso dos povos
cristãos.
Mesmo se a Tradição se calasse e se os Escritos
faltassem, romperia uma voz de todos os peitos cristãos e
clamaria com eloqüência suprema.
Não é
outra coisa do que fé divina que, por um impulso fortíssimo,
nos leva e arrebata com infinita suavidade para MARIA. Nada
mais antigo e mais grato que confiar em Sua proteção, em Sua
fidelidade, entregando-Lhe tudo o que é nosso: preces e
anseios, de modo que, por mais confiante que seja nossa fé
em DEUS, o que LHE for exposto por nós, indignos, logo se
torna caro e aceito, se for recomendado por Sua MÃE
Santíssima.
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