|

O RELÓGIO DA PAIXÃO
DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.
07:00
ÀS 08:00
hs.
HERODES DEVOLVE JESUS A PILATOS.
JESUS DE NOVO DIANTE DE PILATOS
Erguem-se, juntos, os reis da terra, e os príncipes se unem
para conspirar contra o Senhor e contra seu Cristo.
(Sal
2, 2)
...
Reenviou-o a Pilatos. Naquele mesmo dia, Pilatos e Herodes
fizeram as pazes, pois antes eram inimigos um do outro.
(Lc
23, 11-12)
PILATOS PELA SEGUNDA VEZ DECLARA JESUS INOCENTE
... O Deus de nossos pais glorificou seu servo Jesus, que
vós entregastes e negastes perante Pilatos, quando este
resolvera soltá-lo.
(At
3,13)
“Não acho nELE crime algum”
(Jo
18, 38)
Pilatos convocou então os príncipes dos sacerdotes, os
magistrados e o povo, e disse-lhes: Apresentastes-me este
homem como agitador do povo, mas, interrogando-o eu diante
de vós, não o achei culpado de nenhum dos crimes de que o
acusais. Nem tampouco Herodes, pois no-lo devolveu.
Portanto, ele nada fez que mereça a morte. Por isso,
soltá-lo-ei depois de o castigar.
(Lc
23, 13-16)
BARRABÁS OU JESUS?
... Vós renegastes o Santo e o Justo e pedistes que se vos
desse um homicida.
(At 3,
14)
“Qual quereis que eu vos solta: Barrabás ou JESUS?”
(Mt
27, 17)
Disse-lhe Pilatos: ...Mas é costume entre vós que pela
Páscoa vos solte um preso. Quereis, pois, que vos solte o
rei dos judeus? Então todos gritaram novamente e disseram:
Não! A este não! Mas a Barrabás!
(Barrabás
era um salteador.) (Jo 18, 38-40)
Pai
Nosso..., Ave Maria..., Glória ao Pai...
Pela sua dolorosa Paixão; tende Misericórdia de nós e do
mundo inteiro.
Meu
Jesus, perdão e Misericórdia, pelos méritos de Vossas santas
Chagas.
Segundo as Visões de Anna Catharina Emmerich:
Origem de Via Sacra.
Durante toda a acusação perante Pilatos, a Mãe de Jesus,
Madalena e João ficaram no meio do povo, num canto das
arcadas do fórum ouvindo com profunda dor a gritaria raivosa
dos acusadores. Quando Jesus foi conduzido a Herodes, João
voltou com a SS. Virgem e Madalena por todo o caminho da
Paixão. Foram até à casa de Caifás e a de Anás, atravessando
Ofel, até chegarem a Getsêmani, no monte das Oliveiras e em
todos os lugares onde Ele caíra ou onde lhes tinham causado
um sofrimento, paravam e em silêncio choravam e sofriam com
Ele.
Muitas
vezes a SS. Virgem se prostrava no chão, beijando a terra
onde Jesus caíra, Madalena torcia as mãos e João, chorando,
consolava-as, levantava-as e continuava com elas o caminho.
Foi esse o começo da Via Sacra e da contemplação e veneração
da Paixão de Jesus, antes mesmo que estivesse terminada.
Foi
nessa ocasião que começou, na mais santa flor da humanidade,
na Santíssima Virgem Mãe de Deus e do Filho do homem, a
devoção da Igreja às dores do Redentor; já naquele momento,
quando Jesus ainda trilhava o caminho doloroso da Paixão, a
Mãe cheia de graça venerava e regava com lágrimas as pegadas
de seu Filho e Deus. Oh! Que compaixão! Com que violência
lhe entrou a espada no coração, ferindo-o sem cessar! Ela,
cujo bem-aventurado seja O trouxera, que concebera,
acariciara e nutrira o Verbo, que era desde o
princípio com Deus e era mesmo Deus; ela, que em si
Lhe tivera e sentira a vida, antes que os homens, seus
irmãos, Lhe recebessem a bênção, a doutrina e a salvação,
ela participava de todos os sofrimentos de Jesus, inclusive
a sua sede da salvação dos homens, pela dolorosa Paixão e
Morte.
Assim
a Virgem puríssima e Imaculada inaugurou para a Igreja a Via
Sacra, para juntar em todos esses lugares os infinitos
merecimentos de Jesus Cristo, como se juntam pedras
preciosas ou colhê-los como se colhem flores à beira do
caminho e oferecê-los ao pai Celeste, por aqueles que crêem.
Tudo que tinha havido e haverá de santo na humanidade, todos
que têm almejado a salvação, todos que já uma vez celebraram
compadecidos o amor e os sofrimentos do Senhor, fizeram esse
caminho com Maria, choraram, rezaram e sacrificaram no
coração da Mãe de Jesus, que também é terna Mãe de todos os
seus irmãos, os fiéis da Igreja.
Madalena estava como que alucinada pela dor. Tinha
um imenso e santo amor a Jesus; mas quando queria verter a
alma aos pés do Salvador, como Lhe vertera o óleo de nardo
sobre a cabeça, abria-se um horrível abismo entre ela e o
Bem-Amado. O arrependimento dos pecados, como a gratidão
pelo perdão, lhe eram sem limites e quando o seu amor queria
fazer subir a ação de graças aos pés do Divino Mestre, como
uma nuvem de incenso, eis que O via maltratado e conduzido à
morte, por causa dos pecados dela, que Ele tomara sobre si.
Então
se lhe horrorizava a alma, diante de tão grande culpa, pela
qual Jesus tinha de sofrer tão horrivelmente;
precipitava-se-lhe no abismo do arrependimento, que não
podia nem exaurir, nem encher; e de novo se elevava, cheia
de amor e saudade, para seu Mestre e Senhor e via-O sofrendo
indizíveis crueldades. Assim tinha a alma cruelmente
dilacerada, vacilava entre o amor e o arrependimento, entre
a sua gratidão e a dolorosa contemplação da ingratidão do
povo para com o Redentor; todos esses sentimentos se lhe
manifestavam no rosto, nas palavras e nos movimentos.
João sofria em seu amor; conduzia a Mãe de seu
Santo Mestre e Deus, que também o amava e sofria por ele;
conduzia-a, pela primeira vez, nas pegadas da Via Sacra da
Igreja e lia-lhe na alma o futuro.
Pilatos e a Esposa
Enquanto Jesus era conduzido a Herodes e lá o cobriam de
insultos e escárnio, vi Pilatos ir ao encontro da esposa,
Cláudia Prócula. Encontraram-se numa pequena casa,
construída sobre um terraço do jardim, atrás do palácio de
Pilatos. Cláudia estava muito incomodada e comovida. Era
mulher alta e esbelta, mas pálida; vestia um véu, que lhe
pendia sobre as costas, contudo viam-se-lhe os cabelos,
dispostos em redor da cabeça e alguns adornos; tinha também
brincos, um colar e sobre o peito um broche, em forma de
agrafe, que lhe prendia o longo vestido de pregas. Conversou
muito, tempo com Pilatos, conjurando-o por tudo que lhe era
santo a não fazer mal a Jesus, o Profeta, o mais Santo dos
santos e contou-lhe parte das visões maravilhosas que vira,
a respeito de Jesus, durante a noite.
Enquanto ela falava, vi-lhe grande parte das visões
que tivera; mas não me lembro mais exatamente da ordem em
que se seguiram. Recordo-me todavia, que viu todos os
momentos principais da vida de Jesus; viu a Anunciação
de N. Senhora, o Nascimento de Jesus, a adoração dos
pastores e dos Reis Magos, as profecias de Simeão e Ana, a
fuga para o Egito, a matança dos inocentes, a tentação no
deserto, etc. Viu-lhe quadros da vida pública, virtudes e
milagres; viu-O sempre rodeado de luz e teve visões
horríveis do ódio e da maldade de seus inimigos; viu-Lhe os
inúmeros sofrimentos, o amor e a paciência sem limite, a
santidade e as dores de sua santa Mãe.
Para
mais fácil compreensão, eram esses quadros ilustrados com
figuras simbólicas e pela diferença de luz e sombra. Essas
visões lhe causaram indizível angústia e tristeza; pois
todas essas coisas lhe eram novas, penetraram-lhe no coração
pela verdade intuitiva; parte das visões mostraram-lhe
acontecimentos que se deram na vizinhança de sua casa, como
por exemplo a matança das crianças inocentes e a profecia
de Simeão no Templo. De minha própria experiência sei bem
quanto um coração compassivo sofre em tais visões; pois
compreende melhor os sentimentos de outrem quem já os sentiu
em si mesmo.
Ela tinha sofrido desse modo durante a noite e
visto muitas coisas maravilhosas e compreendido muitas
verdades, umas mais, outras menos claramente, quando foi
acordada pelo barulho da multidão, que conduzia a Jesus.
Quando mais tarde olhou para fora, viu o Senhor, objeto de
todas as coisas maravilhosas que vira durante a noite,
desfigurado e cruelmente maltratado pelos inimigos, que o
conduziam através do fórum, ao palácio de Herodes. Esse
espetáculo, após as visões da noite, encheu-lhe o coração de
angústia e terror. Mandou imediatamente chamar Pilatos, a
quem contou, com medo e pavor, muitas das coisas que vira,
porque não tinha compreendido tudo ou não o sabia exprimir
em palavras; mas pedia e suplicava e estreitava-se-lhe de um
modo tocante.
Pilatos ficou muito admirado e até sobressaltado
pelo que a esposa lhe contou, comparava-o com tudo que ouvia
cá e lá sobre Jesus, com a raiva dos judeus, com o silêncio
do Mestre e as firmes e maravilhosas respostas que lhe dera
às perguntas; ficou perturbado e inquieto; deixou-se, porém,
em pouco vencer pelas insistências da mulher e disse-lhe:
“Já declarei que não acho crime nesse homem; não O
condenarei, já percebi toda a maldade dos judeus”. Ainda
falou sobre as declarações que Jesus tinha feito contra si
mesmo e até tranqüilizou a mulher, dando-lhe um penhor, como
garantia da promessa. Não sei mais se foi uma jóia ou um
anel ou sinete que lhe deu por penhor. Assim se separaram.
Conheci Pilatos como homem confuso, ambicioso,
indeciso, orgulhoso e vil ao mesmo tempo; sem verdadeiro
temor de Deus, não recuava diante das ações mais
vergonhosas, se delas esperava qualquer lucro e ao mesmo
tempo era um vil covarde, que se entregava a toda espécie de
ridículas superstições, procurando a proteção dos deuses,
quando se achava em situação difícil. Vi-o também nessa
ocasião muito perturbado; estava continuamente diante dos
deuses, aos quais oferecia incenso, numa sala secreta da
casa e dos quais pedia sinais.
Também
esperava outros sinais supersticiosos, por exemplo,
observava como comiam as galinhas; mas todas essas coisas
pareciam tão horríveis, tenebrosas e infernais, que recuei
tremendo de horror e não as posso mais contar exatamente.
Tinha ele as idéias confusas e o demônio sugeria-lhe ora
uma, ora outra coisa. Primeiro opinou que devia soltar
Jesus, por ser inocente; depois pensou que os deuses se
vingariam, se salvasse Jesus; pois havia estranhos sinais e
declarações, que provavam ser o Nazareno um semideus, e
sendo assim, podia fazer muito mal aos deuses.
“Talvez”, disse consigo, “seja uma espécie de Deus dos
judeus, que deve reinar sobre tudo; alguns reis dos
adoradores dos astros, vindos do oriente, já vieram uma vez
a Jerusalém, procurar tal rei; talvez este pudesse elevar-Se
acima dos deuses e do imperador e eu teria uma grande
responsabilidade, se Ele não morresse. Talvez a sua morte
seja o triunfo dos meus deuses”. Mas depois se recordou dos
sonhos maravilhosos da mulher, que antes nunca vira Jesus e
isso lançou um grande peso na balança oscilante de Pilatos,
em favor da libertação do Mestre e decidiu-se de fato nesse
sentido.
Queria
ser justo; mas não o podia, porque tinha perguntado: “O que
é a verdade?” e não esperava a resposta: “Jesus
Nazareno, o rei dos judeus, é a verdade”. Havia
tanta confusão nos pensamentos do Procurador romano, que eu
não o podia compreender e ele mesmo também não sabia o que
queria; senão certamente não teria consultado as galinhas.
Juntava-se no entanto cada vez mais no mercado e na
vizinhança da rua pela qual Jesus fora conduzido a Herodes.
Havia, porém, uma certa ordem, pois o povo reunia-se em
certos grupos, segundo as cidades ou regiões donde vieram à
festa. Os fariseus mais encarniçados de todas as regiões
onde Jesus tinha ensinado, estavam com os patrícios,
esforçando-se por excitar contra Jesus o povo instável e
perplexo. Os soldados romanos estavam reunidos em grande
número no posto de guarda, diante do palácio de Pilatos,
outros tinham ocupado todos os pontos importantes da cidade.
Jesus reconduzido a Pilatos
Cada vez mais enfurecidos, tornaram os príncipes
dos sacerdotes e os inimigos de Jesus a trazê-Lo de novo de
Herodes a Pilatos. Estavam envergonhados de não lhe ter
conseguido a condenação e ter de voltar novamente para
aquele que já O tinha declarado inocente. Por isso tomaram
na volta outro caminho, cerca de duas vezes mais longo, para
mostrá-Lo naquela humilhação em outra parte da cidade, para
poder maltratá-Lo tanto mais pelo caminho e dar tempo aos
agentes de concitarem o povo a agir conforme as maquinações
tramadas.
O caminho pela qual conduziram Jesus era mais
áspero e desigual; acompanharam-nO, estimulando os soldados
sem cessar a maltratá-Lo. A veste derrisória, o longo saco,
impedia o Senhor de andar; arrastava-se na lama, várias
vezes caiu, embaraçando-se nele e era levantado cada vez com
arrancos nas cordas, pauladas na cabeça e pontapés. Sofreu
nesse caminho indizíveis insultos e crueldades, tanto
daqueles que o conduziam, como também do povo; mas Ele
rezava, pedindo a Deus que não O deixasse morrer, para poder
terminar a sua Paixão e nossa Redenção.
Eram oito horas e um quarto da manhã, quando o
sinistro cortejo chegou, vindo do outro lado, (provavelmente
de leste) ao palácio de Pilatos, atravessando o fórum. A
multidão do povo era enorme; estavam reunidos em grupos,
conforme as regiões e cidades de procedência e os fariseus
corriam entre o povo, excitando-o. Pilatos, lembrando-se
ainda da revolta dos galileus descontentes, na Páscoa do ano
anterior, tinha concentrado cerca de mil homens, que
ocuparam o pretório ou posto de guarda, as entradas do fórum
e do palácio.
A SS. Virgem, sua irmã mais velha, Maria Helí, a
filha desta, Maria Cleofé, Madalena e algumas outras
mulheres piedosas, cerca de vinte, assistiram aos
acontecimentos que se seguiram; ficaram sob as arcadas, de
onde podiam ouvir tudo e aproximavam-se furtivamente de vez
em quando. João estava a princípio também presente.
Jesus, coberto com a veste derrisória, foi
conduzido através da multidão, entre os escárnios do
populacho; pois a escória e os mais perversos de entre o
povo foram colocados na frente dos fariseus, que lhes davam
o exemplo, ultrajando Jesus. Um palaciano de Herodes já
tinha chegado antes, com a mensagem para Pilatos, de que
Herodes lhe ficava muito grato pela atenção, que, porém, no
afamado sábio galileu encontrara apenas um bobo mudo; que O
tinha tratado como tal e mandara reconduzí-Lo novamente a
Pilatos. Este ficou satisfeito de saber que Herodes estava
de acordo e não condenara Jesus; mandou levar-lhe de novo
cumprimentos e assim se tornaram amigos, de inimigos que
eram, desde o desabamento do aqueduto.
Jesus foi novamente conduzido pela rua ao palácio
de Pilatos; empurraram-nO, para subir a escada que conduzia
ao terraço; mas pelos brutais arrancos dos soldados, pisou
na longa veste e caiu com tal violência sobre os degraus de
mármore, que os salpicou de sangue sagrado. Os inimigos do
Mestre, que tinham de novo ocupado os assentos, ao lado do
fórum e o populacho romperam na gargalhada por essa queda de
Jesus e os soldados empurraram-nO a pontapés pelos últimos
degraus.
Pilatos estava recostado no seu assento, que se
parecia com um pequeno leito de repouso; a pequena mesa
estava ao lado; como dantes, estavam também agora com ele
alguns oficiais e outros homens, com rolos de pergaminho.
Ele se dirigiu ao terraço, do qual falava ao povo e disse
aos acusadores de Jesus: “Vós me entregastes este homem como
agitador do povo à revolta; interroguei-O diante de vós e
não O achei réu do crime de que O acusais. Também Herodes
não lhe achou crime algum; pois vos mandei Herodes e vejo
que não foi condenado à morte. Portanto mandá-Lo-ei açoitar
e depois soltar”.
Levantou-se, porém, entre os fariseus violenta murmuração e
clamor e a agitação e distribuição de dinheiro entre o
povo tomou mais intensidade. Pilatos tratou-os com
muito desprezo e expressões satíricas; entre outras, disse
essa: “Não vereis por acaso correr bastante sangue inocente
ainda hoje, na hora dos sacrifícios?”
|