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As virtudes heróicas do
Beato João Paulo II
UMA TOCHA DE FÉ
O instinto do povo não se enganava quando, desde o início do
pontificado de João Paulo II, via no Papa Wojtyla um
homem de Deus. A fé notava-se-lhe no calor sereno e
viril da voz, no olhar profundo, afetuoso e calmo, na paz
com que abraçava o seu serviço sacrificado e incansável e
com que aceitava as adversidades, doenças e dores como
vindas da mão de Deus.
A fé, uma fé segura, sólida e feliz, pode-se dizer que lhe
saía por todos os poros do corpo e da alma. Acreditava mesmo
em Deus, acreditava mesmo em Jesus Cristo, único Salvador do
mundo; acreditava plenamente no chamado de todos à salvação
que está em Cristo Jesus; acreditava, com confiança de
filho, na intercessão da santíssima Virgem Maria, em cujos
braços maternos se abandonara muito cedo, declarando-se
Totus tuus! -”Todo teu!”.
A ORAÇÃO, ESPELHO DA FÉ
Diz-se, com toda a razão, que a oração é o espelho da
fé. É pela oração que a alma se une a Deus, em plena
intimidade; é pela oração amorosamente contemplativa que os
traços de Cristo se imprimem na alma; é pela oração que os
olhos vêem o mundo, a história, os homens - cada homem - com
a própria visão de Deus; e é pela oração que se pode chegar
a dizer, como São Paulo: Eu vivo, mas já não sou eu; é
Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu
a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por
mim (Gál 2, 20).
Pois bem, João Paulo II vivia literalmente mergulhado
na oração. E isso, mesmo para os que o ignoravam, se
notava de uma forma indisfarçável. Desde o início do seu
pontificado - continuando, aliás, com seus antigos hábitos
de padre e de bispo - levantava-se às 5,30 horas e, depois
de se arrumar, ia imediatamente à capela para fazer mais de
uma hora de oração íntima, ajoelhado diante do sacrário,
perante um crucifixo e uma imagem da Virgem Negra de
Czestokowa [1].
No seu penúltimo livro, Levantai-vos! Vamos![2], o próprio
Papa fala da alegria de ter a capela tão perto das
dependências onde trabalhava: “A capela fica tão próxima
para que na vida do bispo tudo - a pregação, as decisões, a
pastoral - tenha início aos pés de Cristo, escondido no
Santíssimo Sacramento [...]. Estou convencido de que a
capela é um lugar de onde provém uma inspiração particular.
É um privilégio enorme poder habitar e trabalhar no espaço
dessa Presença, uma Presença que atrai, como um potente
ímã”. “Todas as grandes decisões - comentava um dos seus
ajudantes - tomava-as de joelhos em frente ao santíssimo
Sacramento”.
A capela era, realmente, o ímã constante,
irresistível, do dia-a-dia de João Paulo II. Nela, além da
oração matutina e da celebração da Santa Missa, rezava todos
os dias a Liturgia das Horas. Na capela, muitas
vezes, das 9,30 às 11,00 horas, dedicava-se a escrever,
anotando sempre no cabeçalho de cada folha uma oração
abreviada, uma jaculatória. Na capela, guardava o que ele
chamava a “geografia da sua oração”, pois, no interior da
parte de cima do genuflexório, as freiras que cuidavam da
casa pontifícia deixavam centenas de folhas datilografadas,
com pedidos de oração pessoal enviados por carta ao Papa por
fiéis de todo o mundo, intenções pelas quais fazia questão
de rezar. Conta-se que um dos seus secretários, o Pe. John
Magee, procurou certa data o Papa nos seus aposentos e não o
encontrou. Foi-lhe indicado que o procurasse na capela, mas
não o viu.
Sugeriram-lhe, então, que olhasse melhor, e lá descobriu
efetivamente o Papa, prostrado no chão, em adoração, diante
do Sacrário.
Esse clima de oração estendia-se, como uma onda cálida, a
todas as atividades do dia. João Paulo II rezava
constantemente: entre as diversas reuniões, a caminho das
audiências, no carro, num helicóptero… Num terraço do
Palácio Apostólico, onde mandara colocar as catorze estações
da Via Sacra, praticava essa devoção todas as sextas-feiras
do ano e, na Quaresma, todos os dias. Rezava o terço em
diversos momentos da jornada, até completar o Rosário.
Um detalhe simpático: só dedicava ao descanso, após o
almoço, uns dez minutos; depois dos quais, enquanto outros
repousavam, passeava pelos jardins do Vaticano rezando o
terço [3].
COM OS OLHOS DA FÉ
A oração, a intimidade com Deus, é a condição imprescindível
para que permaneçam abertos e argutos os olhos da fé. Na
Missa inicial do Conclave, dia 18 de abril de 2005, o
cardeal Ratzinger dizia uma verdade grande e simples:
“Quanto mais amamos Jesus, tanto mais o conhecemos”. E na
Missa de exéquias, o mesmo cardeal dizia: “O amor de Cristo
foi a força dominante em nosso querido Santo Padre. Quem o
viu rezar, quem o viu pregar, sabe disso”.
Isso explica a serena firmeza com que João Paulo II se
empenhou sem descanso, ao longo dos seus vinte e seis anos
de pontificado, em aprofundar na autêntica doutrina católica
- muitas vezes chegando, como exímio filósofo e teólogo que
era, a profundidades deslumbrantes - e em difundi-la por
todo o mundo. A fé, enraizada no amor, dava-lhe
autenticidade. Todos sabiam que pregava sobre aquilo em que
firmemente acreditava, sobre aquilo que vivia, sobre aquilo
que sinceramente amava e sentia, quer fossem as verdades da
fé relativas ao Redentor do homem, ao Espírito Santo, à
Eucaristia, ao sacramento da Reconciliação, ao sentido do
sacerdócio, à missão maternal de Maria…, quer às verdades
morais que exprimem o plano de Deus sobre a família, sobre a
dignidade inviolável da vida desde o primeiro instante da
concepção até à morte natural, sobre o valor permanente dos
Mandamentos do Decálogo, etc.[4]
Muitos experimentavam o impacto dessas verdades, e mudavam.
Outros, vibravam com elas e admiravam o Papa, mesmo que não
se decidissem a praticá-las. Alguns, desorientados, as
contestavam. Mas afora uns poucos sectários, todos - a
começar pelos não católicos e os não crentes - captavam que
o Papa tinha, nas suas falas, a transparência de Deus, a
“longitude de onda” da Palavra de Deus. Era como se vissem
nele, feito realidade, o louvor que Cristo dirigiu a Pedro
em Cesaréia de Filipe: Feliz és Simão, filho de Jonas,
porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas
meu Pai que está nos Céus (Mt 16, 17), bem como a oração que
Jesus fez por Pedro na Última Ceia: Simão…, eu roguei por
ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, uma vez
convertido, confirma os teus irmãos (Lc 22, 32).
COM A FORTALEZA DA FÉ
A fé, quando autêntica, é uma certeza amorosa que, depois de
elevar até Deus a alma agradecida, aninha-se no coração e o
torna capaz de amar a todos. Aí está a diferença entre fé e
fanatismo, entre convicção e “fundamentalismo”. O fanático,
o fundamentalista exasperado, não é capaz de compreender os
que não pensam como ele; despreza-os e chega a odiá-los.
Pelo contrário, quem tem a alma iluminada pela fé de Jesus
Cristo só sabe amar e, como ama loucamente Jesus, que veio
ao mundo - como Ele dizia a Pilatos - para dar testemunho da
verdade (Jo 18, 37), conjuga em perfeita harmonia a firmeza
na fé (sem “espaço para cedências nem para um recurso
oportunista à diplomacia humana” [5]), com a compreensão e o
afeto sincero para com os que divergem e erram. A afirmação
da sua fé nunca foi, em João Paulo II, uma imposição irada,
mas um convite, como o que marcou o início do seu
pontificado: “Não tenhais medo! Abri as portas a
Cristo!”
Assim foi João Paulo II, forte na fé - como pedia São Pedro
(I Pd 5, 9), de quem foi sucessor -, “com uma fé corajosa e
sem medo, uma fé temperada na provação, pronta para seguir
com generosa adesão qualquer chamado de Deus”[6]; e, ao
mesmo tempo, um homem de braços abertos, disposto
incansavelmente a sofrer todas as dificuldades, e até mesmo
vexames e desprezos (como sucedeu, por exemplo, com alguns
episódios indelicados na Nicarágua marxista, em Cuba e na
Grécia), para avançar passo a passo, sem nunca desfalecer,
pelo caminho do diálogo com os representantes das outras
confissões cristãs, com os não-cristãos e com os
não-crentes.
Numa breve biografia sobre João Paulo II, o então cardeal
Ratzinger terminava dizendo: “Hoje também os espíritos
críticos sentem com uma clareza sempre maior que a crise do
nosso tempo consiste na «crise de Deus», no desaparecimento
de Deus do horizonte da história humana. A resposta da
Igreja deve ser uma só: falar sempre menos de si mesma e
sempre mais de Deus, dando testemunho dEle e sendo a porta
para Ele. Este é o verdadeiro conteúdo do pontificado de
João Paulo II que, com o passar dos anos, torna-se sempre
mais evidente” [7].
UMA TOCHA DE CARIDADE
“AMOU ATÉ O FIM”
Os últimos anos, os últimos meses, os últimos dias de João
Paulo II, evidenciaram de uma maneira impressionante e
crescente, aos olhos de todos, que aquele ancião doente,
combalido, encurvado, sofredor, cada vez mais limitado,
depois de ter dado a vida inteira ao serviço de Deus e de
seus irmãos os homens, estava disposto a entregar até a
última gota, até o último alento, enquanto Deus não viesse
buscá-lo.
Seguindo as pegadas de Cristo, decidiu-se a levar a sua
caridade, o seu amor, até ao extremo, como Jesus, de quem
diz o Evangelho que, tendo amado os seus que estavam no
mundo, amou-os até o fim (Jo 13, 1).
Ele próprio deixara escritas no seu testamento, no ano 2000,
as seguintes palavras: “Segundo os desígnios da Providência,
foi-me concedido viver no difícil século que está ficando no
passado e agora, no ano em que a minha vida alcança os
oitenta anos, é necessário perguntar-me se não chegou a hora
de repetir com o bíblico Simeão: «Nunc dimittis» [refere-se
à oração do ancião Simeão que, no dia da apresentação do
Menino Jesus no Templo, diz a Deus que agora já o pode levar
em paz deste mundo: cfr. Lc 2, 29]“.
O escrito continua: “No dia 13e de maio de 1981, o dia do
atentado contra o Papa durante a audiência geral na Praça de
São Pedro, a Divina Providência me salvou milagrosamente da
morte. O mesmo único Senhor da vida e da morte me prolongou
esta vida e, em certo sentido, voltou a dar-ma de novo. A
partir desse momento, pertence-lhe ainda mais [...].
Peço-lhe que me chame quando Ele quiser. «Se vivemos,
vivemos para o Senhor; e se morremos, morremos para o
Senhor… Somos do Senhor (Cf. Rm 14,8)». Espero que até que
possa completar o serviço petrino [de sucessor de Pedro] na
Igreja, a Misericórdia de Deus me dê forças para este
serviço”.
E assim foi. A sua entrega foi como a de uma lamparina que
se extingue só depois de consumir-se inteiramente. Mas, à
medida em que sua vida se ia apagando, o seu amor
resplandecia com mais força. Quem não se lembra do seu
derradeiro esforço por se comunicar, por levar a Palavra aos
fiéis, naquele dia de abril em que, o rosto emoldurado pela
janela de onde tinha falado tantas vezes, só pôde abrir a
boca para exprimir silenciosamente a dor, a agonia, as
lágrimas silenciosas de um pastor esgotado, que já não mais
conseguia articular uma palavra?
Deixou-nos assim um reflexo extraordinário da imagem do Bom
Pastor, que dá a vida pelas suas ovelhas (Jo 10, 11). Na
homilia das exéquias, o Cardeal Ratzinger recordava essa
figura evangélica em que João Paulo II ficava retratado:
“Foi sacerdote até o final, porque ofereceu a sua vida a
Deus por suas ovelhas e por toda a família humana, numa
entrega cotidiana ao serviço da Igreja e, sobretudo, nas
duras provas dos últimos meses. Assim se converteu em uma só
coisa com Cristo, o Bom Pastor que ama as suas ovelhas”.
“AQUELE QUE DÁ A VIDA POR SEUS
AMIGOS”
Eis aqui outras palavras de Cristo, na Última Ceia, que
ajudam a captar essa tocha de caridade: Ninguém tem maior
amor do que aquele que dá a vida por seus amigos (Jo 15,
15).
Cristo deu a vida com a sua dedicação infatigável aos homens
- Não vim para ser servido, mas para servir e dar a vida
para salvação de muitos (cfr. Mt 20, 28) -, mas a sua
entrega chegou ao ápice no sacrifício da Cruz. Com efeito,
foi na Cruz, quando já do corpo dilacerado escorriam as
últimas gotas do sangue derramado para a remissão dos
pecados (Mt 26, 28), que Jesus pôde dizer: Tudo está
consumado! (Jo 19, 30).
Nos últimos anos, João Paulo II foi-se configurando, cada
vez mais plenamente, com Jesus sofredor, com a sua Paixão e
Morte, viveu uma intensa “consciência” do valor salvador da
Cruz , que ele sempre amara: “Nunca me aconteceu - escrevia
- de colocar com indiferença a minha Cruz peitoral de bispo.
É um gesto que sempre acompanho com a oração. Há mais de
quarenta e cinco anos que a Cruz pousa em meu peito, ao lado
do meu coração. Amar a Cruz quer dizer amar o
sacrifício”[8].
À medida que os seus sofrimentos físicos foram aumentando,
até envolvê-lo, por assim dizer, como uma espessa malha
torturante, o Papa foi compreendendo com mais profundidade
que a sua dor, em união com a de Jesus crucificado, seria,
por desígnio divino, a nova forma de cumprir a missão de
pastor de um rebanho imenso, espalhado pelo mundo, entre
perigos, incertezas e ameaças.
Deixemos a palavra, mais uma vez, ao cardeal Ratzinger, na
homilia das exéquias de João Paulo II: “Precisamente nesta
sua comunhão com o Senhor que sofre, o Papa anunciou,
infatigavelmente e com renovada intensidade, o Evangelho, o
mistério do amor até o fim”. E, neste ponto, o cardeal
citava palavras do próprio João Paulo II no seu último livro
“Memória e Identidade” (págs. 189-190): “Cristo, sofrendo
por todos nós, conferiu um novo sentido ao sofrimento,
introduziu-o em uma nova dimensão, em uma nova ordem: a do
amor… É o sofrimento que queima e destrói o mal com a chama
do amor, e até do pecado tira um florescimento multiforme de
bem”.
É tocante perceber como João Paulo II ia crescendo nessa
profunda visão sobrenatural. Após a queda no banheiro, em 28
de abril de 1994, com graves fraturas, o Papa sofreu uma
nova intervenção cirúrgica na Policlínica Gemelli, que, no
entanto, não pôde resolver satisfatoriamente o problema.
Passou, então, a usar bengala. As dores não cederam, ao
contrário. Os movimentos tornaram-se mais trôpegos e
penosos.
Quando voltou a dirigir-se aos fiéis presentes na Praça de
São Pedro, à hora do Ângelus, em 29 de maio, agradeceu
publicamente a Cristo e Maria o “dom do sofrimento”, que via
como “um dom necessário”. Explicava-lhes, falando
especialmente às famílias: “Meditei vezes sem conta sobre
tudo isso durante a minha estadia no hospital… Compreendi
que tenho de conduzir a Igreja de Cristo até este terceiro
milênio através da oração, de vários programas de atuação,
mas vi que não é suficiente: tem de ser guiada pelo
sofrimento, pelo ataque de há treze anos [o atentado de Ali
Agca] e por este novo sacrifício [...]. O Papa tinha de ser
atacado, o Papa tinha de sofrer, de modo que todas as
famílias e o mundo possam ver que existe um Evangelho mais
grandioso: o Evangelho do sofrimento, pelo qual o futuro é
preparado, o terceiro milênio das famílias, de cada família
e de todas as famílias” [9]
No dia primeiro de abril, pressentindo-se um próximo
desenlace, o Arcebispo Angelo Comastri, Vigário para o
Estado da Cidade do Vaticano e grande amigo do Papa, foi
chamado com urgência ao quarto do pontífice agonizante.
Diante dele, como comentou depois pela Rádio vaticana,
experimentou uma emoção indescritível: “Ao vê-lo no leito do
sofrimento, disse-lhe: «És verdadeiramente o Vigário de
Cristo até o final, na paixão que estás vivendo, de modo tão
edificante que comove o mundo». O Papa - continuou a narrar
-, com a sua dor, escreveu a encíclica mais bela da sua
vida, fiel a Jesus até o final”, a “encíclica nunca escrita”
[10].
A sua morte espantou o mundo, pois viu nela um “Evangelho da
vida”. O Papa alegre, que amou entranhadamente a juventude,
pouco antes de expirar soube que multidões de jovens rezavam
e velavam a sua agonia ao pé da sua janela, e então disse,
com um fio de voz apenas perceptível: “Vi ho cercato, adesso
siete venuti da me, e per questo vi ringrazio” (”Eu procurei
vocês, jovens, agora vocês vieram ter comigo; e por isso
lhes dou as graças”). Foram as últimas palavras que
pronunciou.
“A MIM O FIZESTES”
A tocha ardente e clara do exemplo de caridade de João Paulo
II ficaria incompleta se não acenássemos, pelo menos, a um
dos empenhos mais característicos do seu pontificado: a
veneração, o imenso respeito, o amor pela “dignidade do
homem, de cada homem, de cada mulher”. Extasiava-se ao
pensar no “milagre da pessoa, da semelhança do homem com
Deus Uno e Trino”[11]. Tinha assimilado plenamente as
palavras de Cristo: Tudo o que fizestes a um destes meus
irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes (Mt 25,
40).
Daí a sua defesa vigorosa da vida, desde que começa a
alvorecer recém-concebida, e a fortaleza com que se opôs a
qualquer destruição ou rebaixamento do ser humano como se
fosse um objeto, desde as manipulações genéticas e
experiências destrutivas de embriões e fetos, e o uso do
corpo como mero instrumento de prazer, até a defesa da morte
natural digna - de que deu exemplo com sua própria morte -,
que rejeita como uma indignidade a eutanásia direta,
expediente egoísta e cômodo de uma sociedade hedonista que
só pensa em livrar-se de problemas do modo mais expeditivo.
Sofria ao constatar que, na sociedade materializada atual,
“o homem ficou só”, e que a sua liberdade divinizada,
transformada num ídolo sem Deus, sem verdades nem valores
firmes, acaba sendo uma fonte de “nefastas conseqüências
morais, cujas dimensões são às vezes incalculáveis”[12].
Só sabia ver as pessoas, cada uma delas, sob a luz de Deus.
“Eu simplesmente rezo por todos a cada dia. Basta encontrar
uma pessoa, oro por ela, e isso facilita sempre o contato
[...]. Sigo o princípio de acolher cada um como uma pessoa
que o Senhor me envia e que, ao mesmo tempo, me confia”
[13].
E quando se tratou de um assassino a soldo, que friamente
fez tudo para matá-lo, que ficou frustrado ao ver que o Papa
sobrevivia ao atentado e que jamais esboçou sequer um pedido
de perdão? O seu amor não mudava. O valor que dava a cada
pessoa humana não mudava, e até mesmo atingia o cume do
amor, conseguindo perdoar de todo o coração, devolver bem
por mal, amor por ódio, bondade por maldade. Desde o
primeiro instante, após o atentado, João Paulo II perdoou
Mehmet Ali Agca e rezou por ele. Voltou a dar o perdão
publicamente, na primeira audiência que pôde ter com os
fiéis. Foi visitá-lo na prisão e ofereceu-lhe seu abraço
sincero. Várias vezes, como contava o secretário particular
do Papa, Mons. Stanislaw Dziwisz, “recebeu a mãe e os
familiares de Agca e perguntava freqüentemente por ele aos
capelães da prisão” [14].
Esta é, mais uma vez, a luz de Cristo, a tocha fascinante de
amor cristão, irradiando sobre o mundo inteiro pelo exemplo,
pela chama de amor de um homem de Deus: Senhor - perguntou a
Jesus o “primeiro Pedro” -, quantas vezes devo perdoar a meu
irmão, quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?
Respondeu Jesus: «Não te digo até sete vezes, mas até
setenta vezes sete»” (Mt 18, 21-22).
UMA TOCHA DE ESPERANÇA
«AINDA QUE ATRAVESSE O VALE ESCURO, NÃO TEMEREI…»
Desde que iniciou a sua preparação para o sacerdócio, Karol
Wojtyla foi colocado por Deus numas circunstâncias
dramáticas, em que só podia ser fiel à sua vocação
“atravessando o vale escuro”, como diz o Salmo 23. A sua
terra, a Polônia, esteve dominada durante boa parte do
século XX pelas duas “ideologias do mal”[15]que mais
acirradamente se propuseram aniquilar o Cristianismo: o
nazismo e o marxismo-leninismo. A “aventura” heróica,
empolgante, que significou para o seminarista, o padre e o
bispo Wojtyla a vida no ambiente de guerra, de ditaduras e
perseguições desencadeadas por essas duas ideologias está
bem descrita nas boas biografias já existentes[16].
O perigo nazista foi derrotado em 1945, mas a sombra do
marxismo totalitário e ateu cresceu e pairou opressivamente
sobre a Polônia dominada, e ameaçava o mundo inteiro até a
sua decomposição e queda, acontecida no final dos anos
oitenta.
Contudo, quase vinte anos antes dessa falência do “comunismo
real”, outras sombras escuras estavam surgindo, densas e
igualmente agressivas contra Cristo e a sua Igreja, contra a
fé e a moral cristãs: as sombras do materialismo hedonista e
consumista do ocidente, cada vez mais alicerçado na
ideologia laicista, que hoje ataca a Igreja quase com a
mesma ferocidade ideológica que o nazismo e o marxismo.
João Paulo II, no seu livro evocativo “Memória e
identidade”, comenta que, ao cessarem os campos de
extermínio - os campos de concentração nazistas e os
gulagcomunistas, assistimos hoje ao “extermínio legal de
seres humanos concebidos e ainda não nascidos; trata-se de
mais um caso de extermínio decidido por parlamentos eleitos
democraticamente, apelando ao progresso civil das sociedades
e da humanidade inteira. E não faltam outras formas graves
de violação da Lei de Deus; penso, por exemplo, nas fortes
pressões [...] para que as uniões homossexuais sejam
reconhecidas como uma forma alternativa de família, à qual
competiria também o direito de adoção. É lícito e mesmo
forçoso perguntar-se se aqui não está atuando mais uma
ideologia do mal, talvez mais astuciosa e encoberta, que
tenta servir-se, contra o homem e contra a família, até dos
direitos humanos” [17]
A essa realidade, é preciso somar o fato de que João Paulo
II assumiu a cátedra de Pedro em tempos (que vêm se
prolongando, em parte, até aos nossos dias) em que a crise
do chamado “falso pós-Concílio” grassava na Igreja, gerando
um ambiente amplamente estendido de desorientação doutrinal,
disciplinar e moral, em que não faltavam erros graves e
rebeldias mesmo entre os eclesiásticos.
O quadro seria de molde a encolher os ânimos e suscitar o
uma visão pessimista do futuro. Pois bem, é justamente sobre
estas sombras de fundo que resplandece mais, com fulgor de
santidade, a esperança alegre, serena e segura que animou,
em todos os momentos, a alma e o trabalho de João Paulo II,
até ao dia da sua morte. Nunca nele se viu um gesto de
desalento, uma lamúria, um comentário negativo ou amargo.
Viu-se sempre, pelo contrário, um otimismo juvenil,
criativo, inabalável, fundamentado numa fé igualmente jovem,
renovada e inquebrantável.
NÃO TENHAIS MEDO: ABRI AS PORTAS
A CRISTO!
O otimismo do Papa não era coisa temperamental, nem era uma
“posição” adotada para ajudar os fiéis a superar tempos
difíceis. Era a manifestação da esperança sobrenatural
cristã, que vive apoiada em Deus. Essa esperança possuía
raízes profundamente fincadas na alma de João Paulo II.
Todos os que vivemos, de perto ou de longe, a surpresa da
eleição de João Paulo II, guardamos a lembrança do dia 22 de
outubro de 1978, data do início solene do seu pontificado.
Como, depois, nos dias da sua morte, uma multidão
apertava-se na Praça de São Pedro. O Papa começou a
pronunciar a sua homilia, no meio de um silêncio total.
Pouco depois de iniciá-la, os fiéis sentiram um
estremecimento no coração, porque João Paulo II, esboçando
um leve sorriso, encarou o povo de frente e, com um ar
jovial, seguro, tranqüilo, lançou com voz clara e forte um
apelo: - “Não tenhais medo! Abri as portas ou, melhor,
escancarai as portas a Cristo!”
Este apelo, que conclamava os católicos e os homens de boa
vontade a olhar para o futuro com esperança, tornou-se para
o Papa como que o “refrão” do seu pontificado. Dezesseis
anos mais tarde, em 1994, ele mesmo glosou essas palavras
numa entrevista concedida ao jornalista Vittorio Messori,
transcrita no livro “Cruzando o limiar da esperança”[18]:
“Não tenhais medo!, dizia Cristo aos Apóstolos (Lc 24, 36) e
às mulheres (Mt 28, 10), depois da Ressurreição [...].
Quando pronunciei estas palavras na praça de São Pedro não
me podia dar conta plenamente de quão longe elas acabariam
levando a mim e à Igreja inteira. Seu conteúdo provinha mais
do Espírito Santo, prometido pelo Senhor Jesus aos Apóstolos
como Consolador, do que do homem que as pronunciava.
Todavia, com o passar dos anos, eu as recordei em várias
circunstâncias. Tratava-se de um convite para vencer o medo
na atual situação mundial [...]. Talvez precisemos mais do
que nunca das palavras de Cristo ressuscitado: “Não tenhais
medo!”. Precisa delas o homem [...], precisam delas os povos
e as nações do mundo inteiro. É necessário que, em sua
consciência, retome vigor a certeza de que existe Alguém que
tem nas mãos a sorte deste mundo que passa; Alguém que tem
as chaves da morte e do além; Alguém que é o Alfa e o Ômega
da história do ser humano. E esse Alguém é Amor, Amor feito
homem, Amor crucificado e ressuscitado. Amor continuamente
presente entre os homens. É Amor eucarístico. É fonte
inesgotável de comunhão. Somente Ele é que dá a plena
garantia às palavras: «Não tenhais medo».”
É emocionante verificar que a mesma esperança da primeira
mensagem de João Paulo II animou a sua última mensagem. No
domingo, dia 3 de abril de 2005, a primeira vez em que era
celebrado o “Domingo da Divina Misericórdia”,
o arcebispo Sandrini leu à multidão congregada na praça de
São Pedro a última alocução preparada com antecedência pelo
Papa, que falecera no dia anterior. Ele desejava ter podido
pronunciá-la no encontro tradicional da hora do Angelus
desse dia (do Regina Caeli, pois era tempo pascal): “…À
humanidade - dizia - , que às vezes parece perdida e
dominada pelo poder do mal, do egoísmo e do medo, o Senhor
ressuscitado oferece a sua misericórdia como dom do seu amor
que perdoa, reconcilia e reabre o ânimo à esperança. É um
amor que converte os corações e doa a paz. Quanta
necessidade tem o mundo de compreender e acolher a Divina
Misericórdia! Senhor, que com a vossa morte e ressurreição
revelais o amor do Pai, nós acreditamos em Ti e hoje te
repetimos com confiança: «Jesus, confio em Ti! Tem
misericórdia de nós e do mundo inteiro!»”. A mensagem
terminava convidando a “contemplar com os olhos de Maria o
imenso mistério desse amor misericordioso que brota do
coração de Cristo”.
OS SEGREDOS DA ESPERANÇA
A Epístola aos Hebreus diz que “a fé é o fundamento da
esperança” (Hb 11, 1). Assim foi, sem dúvida, na vida de
João Paulo II.
No livro “Cruzando o limiar da esperança”, o Papa
pergunta-se: “Por que não devemos ter medo?”. E responde:
“Porque o ser humano foi redimido por Deus [...].Deus amou
tanto o mundo que entregou seu Filho Unigênito (Jo 3, 16).
Este Filho continua na história da humanidade como Redentor.
A revelação divina perpassa toda a história do ser humano, e
prepara o seu futuro… É a luz que resplandece nas trevas(cfr.
Jo 1, 5). O poder da Cruz de Cristo e da sua Ressurreição é
maior que todo o mal de que o homem poderia e deveria ter
medo” - conclui, grifando explicitamente a última frase
[19].
Na verdade, é nesta última frase que se encerra todo o
segredo da esperança cristã. O biógrafo Jorge Weigel,
referindo-se a um comentário feito pelo dissidente iugoslavo
Milovan Djilas, no sentido de que aquilo que mais lhe havia
impressionado no Papa foi perceber que era um homem
totalmente destemido, esclarecia o verdadeiro caráter dessa
coragem: “Trata-se de uma audácia inequivocamente cristã. Na
fé cristã o medo não é eliminado, mas transformado através
de um encontro pessoal profundo com Cristo e com a sua Cruz.
A Cruz é o lugar onde todo o medo humano foi oferecido pelo
Filho ao Pai, livrando-nos a todos do medo” [20].
Alguns anos depois, em 2005, João Paulo II corroborava essa
interpretação. No livro “Memória e Identidade”, diz:
“Porventura não é o mistério da Redenção [da Cruz, da Morte
e da Ressurreição de Cristo] a resposta ao mal histórico que
retorna, sob as mais variadas formas, nos acontecimentos do
homem? Não será a resposta também ao mal do nosso tempo?
[...]. Se olharmos, com olhos mais clarividentes, a história
dos povos e das nações que passaram pela prova dos sistemas
totalitários e das perseguições por causa da fé,
descobriremos que foi então precisamente que se revelou com
clareza a presença vitoriosa da Cruz de Cristo [...], como
promessa de vitória [...]. Se a Redenção constitui o limite
divino posto ao mal, isso se verifica apenas porque nela o
mal fica radicalmente vencido pelo bem, o ódio pelo amor, a
morte pela ressurreição” [21].
Cristo vence o mundo do mal, do pecado, vence o Inimigo,
vence a morte. E a sua vitória é nossa: Esta é a vitória que
vence o mundo, a nossa fé (I João 5, 4).
Com essa mesma esperança bem fundada, o Papa entrava - e nos
ajudava a entrar com ele - no novo milênio, oferecendo-nos,
na Carta apostólica “Novo millennio ineunte” (”No início do
novo milênio”), de 6 de janeiro de 2001, todo um programa
vibrante e otimista para o período que se iniciava. Também
nessa Carta, a alegre esperança brotava da fé em Cristo
Redentor, ressuscitado, vivo, que “não nos deixou órfãos” (cfr.
Jo 14, 18), que nos prometeu “estar conosco todos os dias
até o fim do mundo” (cfr. Mt 28, 20). “Agora é para Cristo
ressuscitado que a Igreja olha” - escrevia. “Passados dois
mil anos desses acontecimentos (Paixão, Morte e Ressurreição
de Cristo), a Igreja revive-os como se tivessem sucedido
hoje. No rosto de Cristo, ela - a Esposa - contempla o seu
tesouro, a sua alegria [...]. Confortada por essa
experiência revigoradora, a Igreja retoma agora o seu
caminho para anunciar Cristo ao mundo no início do terceiro
milênio: ele é o mesmo ontem, hoje e sempre(Hb 13, 8)” (n.
28).
UM LUMINOSO AMANHECER
Quem lê esse documento (e é importante relê-lo e meditá-lo
muitas vezes!), pode ter inicialmente a impressão de um
excesso de otimismo. O Papa fala com tanto entusiasmo do
futuro da Igreja! Vê o mundo como um mar aberto diante dos
cristãos, imenso, fabuloso, um mar para o qual Cristo acena,
enquanto olha para nós e nos lança para ele com mesma
palavra de ordem que dirigiu a Pedro, pescador, no mar da
Galiléia, após uma noite triste de fracassos: Duc in altum!
- Avança para águas mais profundas e lança as tuas redes
para a pesca! (Lc 5, 3-4).
Esperança não é ilusão. Otimismo não é fechar os olhos e
achar que tudo é azul. O Papa João Paulo II tinha plena
consciência da presença abundante do mal no nosso mundo, da
grande quantidade de joio, de planta daninha, misturada no
meio do bom trigo. Mas não se esquecia de que Jesus, com a
parábola do trigo e o joio (cfr. Mt 13, 24 ss.), quis
garantir-nos que haverá trigo e promessa de belas colheitas
até o fim do mundo. O pessimista vê o joio. O otimista vê o
trigo, e sente a responsabilidade de cuidá-lo, aumentá-lo,
estendê-lo, fazê-lo crescer. “O modo como o mal cresce e se
desenvolve no terreno sadio do bem - escreve o Papa Wojtyla
- constitui um mistério; e mistério é também aquela parte de
bem que o mal não conseguiu destruir e que se propaga apesar
do mal, e cresce no mesmo terreno [...]. O trigo cresce
juntamente com o joio e, vice-versa, o joio com o trigo. A
história da humanidade é o palco da coexistência do bem e do
mal. Isto significa que, se o mal existe ao lado do bem,
então está claro que o bem, ao lado do mal, persevera e
cresce”.[22].
Da mesma forma, na Carta Mane nobiscum Domine para o Ano da
Eucaristia (2005), João Paulo II reafirmava o otimismo da
Carta do novo milênio, sem deixar de registrar o fato de que
o mal, não só não diminuiu, como até parece ter crescido em
vários aspectos, desde que o novo milênio começou.
Evoca nessa Carta as celebrações do Jubileu do ano 2000 e
diz: “Sentia que essa ocasião histórica se delineava no
horizonte como uma grande graça. Não me iludia, por certo,
que uma simples passagem cronológica, ainda que sugestiva,
pudesse por si mesma comportar grandes mudanças. Os fatos,
infelizmente, se encarregaram de pôr em evidência, depois do
início do milênio, uma espécie de crua continuidade dos
acontecimentos precedentes e, com freqüência, dos piores
dentre esses”. Mas nem por isso deixa de incentivar os
cristãos a “testemunhar com mais força a presença de Deus no
mundo”, e proclama, “mais convencido que nunca”, a certeza
de que Cristo “está no centro, não apenas da história da
Igreja, mas também da história da humanidade” e de que, por
isso, só “nele o homem encontra a redenção e a plenitude”
[23].
João Paulo II já está com Deus, na vida que não morre mais.
Mas a sua esperança continua a ser luz que ilumina os olhos
da alma e enche de coragem o coração. O novo Papa Bento XVI
sente-se devedor dessa esperança e quer ser o novo porta-voz
dela. Na sua primeira mensagem, dirigida na Capela Sixtina
aos cardeais que o elegeram, em vinte de abril de 2005,
disse: “Tenho a impressão de sentir a mão forte do meu
Predecessor, João Paulo II, que estreita a minha. Parece que
vejo seus olhos sorridentes e que ouço as suas palavras,
dirigidas neste momento particularmente a mim: «Não tenhais
medo!».
A bandeira da esperança de João Paulo II continua
desfraldada: “Sigamos em frente com esperança” - repete-nos.
“Diante da Igreja abre-se um novo milênio como um vasto
oceano onde se aventurar com a ajuda de Cristo. O Filho de
Deus, que se encarnou há dois mil anos por amor do homem,
continua também hoje em ação [...]. Agora Cristo, por nós
contemplado e amado, convida-nos uma vez mais a pormo-nos a
caminho [...], convida-nos a ter o mesmo entusiasmo dos
cristãos da primeira hora. Podemos contar com a força do
mesmo Espírito que foi derramado no Pentecostes e nos impele
hoje a partir de novo sustentados pela esperança, que não
nos deixa confundidos (Rm 5, 5)” [24]
No verão de 1997, João Paulo II convidou a passar uns dias
com ele, em Castelgandolfo, um casal de amigos poloneses,
velhos companheiros na juventude da luta pela fé e a
liberdade, Piotr e Teresa Malecki. “O quarto deles - relata
George Weigel - ficava mesmo por baixo do seu e, todas as
manhãs antes de amanhecer, sabiam pelo baque surdo da sua
bengala que já se tinha levantado. Certo dia, na hora do
café da manhã, o Papa perguntou-lhes se o barulho os
incomodava. Não, responderam, de qualquer forma já tinham de
se levantar para a missa. «Mas,Wujek[25] - perguntaram -,
por que você se levanta naquela hora da manhã?»
“Porque - disse Karol Wojtyla, 264º bispo de Roma - gosto de
contemplar o amanhecer”[26] .
Trecho do livro “A força do exemplo”. [27]
[1] Cfr. George Weigel, Testemunho da Esperança, Bertrand
Editora, Lisboa, 2000, pág. 227
[2] Ed. Planeta, São Paulo 2004, págs. 147-148
[3] Cfr. George Weigel, obra citada, págs. 227, 228 e 337; e
Carl Bernstein e Marco Politi, Sua Santidade, Ed. Objetiva,
Rio de Janeiro 1996, págs. 383 e 540
[4] Os documentos de João Paulo II (Encíclicas, Exortações
apostólicas, Cartas, etc.) podem ser consultados no site
www.vatican.va. Há também várias coleções de encíclicas
publicadas no Brasil: Encíclicas de João Paulo II, Ed.
Paulus, São Paulo 2003;João Paulo II. Encíclicas, Ed. LTr,
3ª edição, São Paulo 2003
[5] João Paulo II, Levantai-vos! Vamos!, citado, pág. 186
[6] Ibid.
[7] Joseph Ratzinger, João Paulo II. Vinte anos na história,
Ed. Paulinas, São Paulo 2000, pág. 31
[8] Levantai-vos! Vamos!, pág. 193
[9] Cfr. George Weigel, obra citada, pág. 582
[10] Revista Nuestro Tiempo, n. 610, abril 2005, págs. 38 e
39
[11] Levantai-vos! Vamos!, pág. 102
[12] Memória e identidade, citado, págs. 21 e 55
[13] Levantai-vos! Vamos!, págs. 76-77
[14] Apêndice de Memória e Identidade, pág. 185
[15] Ver João Paulo II, Memória e Identidade, pág. 15 e ss.
[16] Ver, por exemplo, a citada biografia de George Weigel,
Testemunho de esperança
[17] Obra citada, págs. 22-23
[18] Livraria Francisco Alves editora, Rio de Janeiro 1995,
págs. 201 ss.
[19] Obra cit., pág. 202
[20] Testemunha de esperança, cit., pág. 696
[21] Obra cit., págs. 30-33
[22] Memória e Identidade, já citada, pág. 14
[23] Carta apostólica Mane nobiscum Domine, 07.10.2004, nn.
6 ss.
[24] Carta apostólica Novo millennio ineunte, n. 58
[25] Durante a perseguição comunista, quando fazia excursões
com jovens, o padre Woytila, para evitar problemas com a
polícia, pedia aos jovens: - Não me chamem padre, “me chamem
wujek” (tio), frase conhecida de uma célebre epopéia
polonesa do escritor Henryk Sienkiewicz.
[26] George Weigel, Testemunha de esperança, citado, pág.
696
Fonte: padrefaus.org
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