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O SACRAMENTO DA CONFISSÃO.
CONFESSAI-VOS BEM !!!
Parte XIII.
Confiança no confessor
D.
— Padre, como deve ser a confiança no confessor?
M.
— Deve ser ingênua, sem inquietação ou duplicidade.
Em outras palavras, devemos, abrir-lhe o nosso íntimo sem
reserva alguma, devemos agir justamente como as crianças que
sentem a necessidade de dizer tudo aos que procuram a sua
felicidade.
D.
— O que significa abrir-lhe o nosso íntimo?
M.
— Significa que devemos contar-lhe tudo, os pecados,
os defeitos e as más inclinações, quando prejudicam a
consciência, seja quanto ao passado, seja quanto ao
presente.
O
demônio, diz santo Inácio, age com os incautos como os
jovens dissolutos com as moças tolas que querem seduzir.
Temem que as infelizes contem aos pais as palavras, as
confidências, os dizeres argutos que usam. Assim o demônio
emprega toda a astúcia possível para que não demos a
conhecer ao confessor as suas artimanhas e os seus enganos..
D.
— O demônio teme essa nossa confiança, por que ela corta
todos os seus laços e descobre todos os seus enganos: não é
verdade, Padre?
M.
— Justamente! E para sufocá-la ou diminuí-la enche as
almas de dúvidas, temores, suspeitas, desconfianças contra o
próprio confessor. É preciso, portanto, ter coragem e
mostrar ao padre até essas insídias e tentações da nossa
alma.
D.
— Mas o confessor não se aborrecerá com essas misérias?
M.
— Cada um tem o direito de manifestar o que interessa à
própria consciência e por isso a confiança deve ser
ilimitada sem reservas salvaguardando sempre duas coisas:
a caridade para com o próximo e o respeito pelo
confessor.
D.
— Padre, os tais que deixam de confessar-se, ou então se
confessam de quando em quando, porque têm medo de não saber
dizer tudo e bem, como desejariam, fazem mal?
M.
— Fazem muito mal! E nas mesmas condições estão os que
querem lembrar-se de tudo, querem compreender tudo, saber
explicar tudo, e, por não serem capazes ficam inquietos e
angustiados. Quando fazemos tudo o que está ao nosso
alcance. Deus pensará no resto.
D.
— E o confessor também, não é?
M.
— Certamente! Nós nos apresentamos a um Pai, o qual
saberá interpretar e até mesmo adivinhar o que não estamos
em condição de bem lembrar, compreender e explicar. Ele
saberá interrogar-nos convenientemente e nos ajudará do
melhor modo.
D.
— Quê diremos, Padre, dos que não gostam de ser
interrogados?
M.
— É preciso dizer que sabem que estão doentes e não
desejam ser curados, por conseguinte nunca poderão sarar.
D.
— O que significa sem inquietação ou duplicidade?
M.
— Significa que a confissão deve ser feita sem
artifícios ou rodeios. Faltam a isso as pobres almas que,
impelidas de um lado pela necessidade de manifestarem-se
inteiramente, e do outro pelo medo de falarem demais,
procuram um meio termo. Recitam exórdios estudados,
recorrem a expressões gerais, abstratas, vagas, acusam-se e
desculpamse, dizem e negam, de modo que o pobre confessor
acaba não entendendo nada.
D.
— Quanta miséria! E para que esses rodeios?
M.
— Porque têm medo de sair perdendo, de se desonrarem,
nem eu sei como. Coitados, não sabem que são justamente a
espontaneidade e a sinceridade de se dizerem culpados que
predispõem o coração do Confessor à compaixão e ao perdão,
enquanto que os artifícios obtêm o efeito contrário.
D.
— Aqui vem o provérbio: "Quem se acusa, Deus desculpa; quem
se desculpa Deus acusa", não é mesmo, Padre?
M.
— Justamente! Um dia um homem chegou para se confessar com
D. Bosco, justamente por timidez, em lugar de acusar os
próprios pecados tratava de desculpá-los. O servo de Deus
que como Santo, lia na fronte e na alma de seus penitentes,
o ouviu algum tempo, mas depois, interrogando-o, perguntou
amavelmente.
—
Desculpe-me, mas o senhor veio para se acusar ou para se
desculpar?
— Oh,
Padre, para me acusar!
—
Então acuse-se e diga sem mais: eu pensei assim e
assim... fiz assim e assim... aconteceu isto, isso, aquilo.
E assim dizendo, expôs todas as suas misérias; depois
acrescentou:
—
Queira desculpar-me; se adivinho é porque não quero que
cometa um sacrilégio e vá para o inferno, desde que
"a quem se acusa Deus desculpa e a quem se desculpa
Deus acusa".
O
coitado, muito confundido, mas mais do que satisfeito por se
ver livre de tamanho peso, não acabava mais de beijar a mão
de D. Bosco, e de agradecer-lhe por tê-lo tirado de tão
grande atrapalhação.
D.
— Mas nem todos são como D. Bosco, nem todos podem ler no
pensamento e no coração.
M.
— Justamente por isso é necessário confessar-se sempre
claramente, sem rodeios nem desculpas, para que o Confessor
possa compreender e perdoar... e, sobretudo, para que não
seja enganado.
Conta-se que o Papa Gregório XVI, tendo ido visitar a
penitenciária de "Civitavecchia", perguntava a cada um dos
condenados o motivo pelo qual se achava ali. Todos,
naturalmente, respondiam:
— Por
nada, Santidade... Foi uma injustiça... Nós estamos
inocentes! Finalmente encontrou um que, todo choroso e muito
humildemente, respondeu:
—
Ah! Santidade... Eu sou um miserável... Culpado de crimes
infames... justamente condenado... O Papa, então voltando-se
para o diretor da penitenciária, disse:
—
O lugar deste bandido não é no meio de tantos inocentes.
Tire-o daqui e mande-o para casa.
D.
— Ótimo! Viva a sinceridade! E agora, Padre, diga-me, eu
ouvi dizer que a confissão deve ser breve, em que consiste
essa brevidade?
M.
— Consiste em começar sem mais nada pelas coisas
importantes; depois, sem temor de que o confessor conheça ou
compreenda demais, devemos passar pouco a pouco para as
coisas menores, sem hesitação ou interrupção.
D.
— Nesse caso, enganam-se os que medem o valor da confissão
pela duração da mesma, e acreditam que, tanto maior o tempo
passado no confessionário, tanto mais bem feita a confissão?
M.
— Enganam-se, porque há confissões ótimas apesar de
muito breves e há confissões de pouquíssimo valor apesar de
durarem muito. É sempre breve a confissão em que não se diz
nada de inútil; e é sempre muito longa aquela em que se diz
mesmo uma única palavra inútil ou inoportuna. Assim dizem os
Santos.
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Continua na parte XIV.
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