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O SACRAMENTO DA CONFISSÃO.
CONFESSAI-VOS BEM !!!
Parte X.
Outros efeitos admiráveis
D.
— Padre, todas as belíssimas coisas que o Sr. disse até
agora acerca da confissão, tratam só dos que estão sujeitos
a cometer pecados mortais, mas quem comete só faltas veniais
pode dispensar a confissão?
M.
— A confissão, meu caro, é muitíssimo útil, também
para aqueles que só cometem culpas veniais, porque,
mesmo quando ela não é indispensável para obter o perdão, é
sempre o melhor meio para apagar as faltas.
D.
— Desculpe, Padre, mas há muitos outros meios para cancelar
os pecados veniais: as orações, as esmolas, a água benta por
exemplo.
M.
— É verdade; e estes remédios chamam-se "sacramentais",
mas operam só ex opere operantis, ou seja, na medida, quase
sempre bem diminuta, da devoção de quem os recebe, enquanto
que, a confissão opera, ex opere operato, isto é, por si
mesma, em virtude dos méritos de Jesus Cristo, por essa
razão remite todas as faltas de modo mais seguro.
D.
— Então, também no que diz respeito aos pecados veniais, que
são no entanto matéria livre, isto é, que se podem ou não
confessar, a confissão é a melhor cura e a mais certa?
M.
— Justamente. E não é só isso: a
confissão não só remite os pecados e nos dá a vida eterna,
como também nos remite toda, ou parte da pena temporal que
pode ainda restar.
D.
— Deveras?
M.
— Isso é verdade de fé, por conseguinte devemos
acreditá-lo sem duvidar. Sim, a confissão remite
cada vez uma, duas, três e quem sabe lá quantas páginas da
pena temporal, que pode, dessa maneira, ser completamente
esgotada; é justamente o que nos ensina Santo Tomás doutor
da Igreja: "Quanto mais nos confessamos, tanto maior é
a porção da pena temporal remetida..." razão pela
qual pode acontecer que, à força de nos confessarmos, nos
seja remetida toda e qualquer pena.
D.
— Mas esta Padre, é a indulgência das indulgências...
M.
— Assim mesmo, esta é a
indulgência das indulgências para nós que não gostamos de
penitências e que, por isso, corremos o risco de chegarmos à
morte ainda com toda, ou quase toda a pena temporal por
descontar nas chamas terríveis do purgatório. Acertemos pois
nossas contas com a Justiça Divina enquanto ainda é tempo,
mediante a confissão freqüente.
Conta-se
que duas religiosas, muito devotas das almas do purgatório,
tinham prometido uma à outra, que a sobrevivente faria
abundantes orações para a que morresse antes. Depois da
morte de uma delas a outra, fiel à promessa, deu-se toda a
oração, penitências e jejuns pela alma da companheira. Mas
qual não foi a sua surpresa quando, logo no terceiro dia
depois do enterro, a morta, com o semblante calmo e
delicioso, toda sorridente, apareceu para lhe dizer:
— Não se
aflija por mim; eu já descontei tudo!
— De quê modo?
—
Com as confissões freqüentes e sinceras
feitas durante a vida.
Conta-se
também o fato de um religioso que, tendo morrido de repente,
quase de improviso, deixou os seus irmãos muito apreensivos,
com muito medo pelo que podia acontecer à sua alma. O
superior deu logo ordens para que se fizessem por ele
grandes sufrágios e se celebrassem muitas Missas. Depois de
poucos dias apareceu ele a um irmão e disse:
—
Irmão Bernardo, Irmão Bernardo, diga ao
Padre que agora chega, eu mesmo, durante a vida, pensei no
resto com muitas lágrimas derramadas frequentemente aos pés
do confessor.
D.
— Mas o senhor sabe, Padre, que estas coisas me convencem e
aumentam o meu amor à confissão freqüente?
M.
— Se assim fosse com você e com os outros!... A
confissão é ainda um tesouro muito escondido para muitos, e
um benefício por demais ignorado. Até aqui, porém, só
consideramos uma parte dos benefícios enormes que a
confissão traz consigo. Há muitos outros ainda,
inegavelmente superiores em número e beleza.
D.
— Oh,
continuemos a explorar essa mina de ouro e de pedras
preciosas, que eu antes não conhecia.
M.
— A confissão é o Sacramento Milagre, o maior remédio;
pois bem, esse remédio, não só destrói o pecado e livra a
alma da enfermidade, como traz também as maiores vantagens.
Antes de tudo restitui os bens perdidos com o pecado mortal.
D.
— O que perde um cristão quando comete um pecado mortal?
M.
— Quando um cristão comete um pecado mortal, dissipa um
patrimônio cuja importância não há cifra que exprima. Perde
"a graça de Deus". Essa alma cai morta, como
uma pomba, ferida pelo caçador. Perde "os méritos
adquiridos para o Paraíso". Fica como uma vinha
abatida e devastada pela tempestade. Perde "a
capacidade de merecer para a vida eterna". Fica como
um mísero mutilado, incapaz de ganhar seu pão.
D.
— E com a confissão, entramos de novo em posse de todos
esses bens?
M.
— Sim, mediante a absolvição sacramental, tornamos a
entrar em posse de tudo: e para que aqueles que, por
não ter pecados mortais, não venham a "lamentar essas
perdas", a mesma absolvição aumenta muito o valor e o número
dos méritos e das riquezas de que a alma já é possuidora.
D.
— Sabe, Padre, isto consola-me e me enche o coração de
esperança!
M.
— Oh! sim! Abri o coração à esperança, vós todas, pobres
almas que vos debateis no barro de vossas culpas de todos os
gêneros e gemeis, ao vos lembrardes do vosso passado.
Levantai bem alto o coração, porque
mediante essa cura sacramental, vos prometem que podeis
recuperar a ‘‘beleza e integridade do batismo”.
É digno de
nota o que se conta sobre um noviço dominicano. Uma noite,
tendo adormecido ao pé do altar, ouviu uma voz que lhe
disse: "Vai e raspa de novo com dor a tua cabeça".
Quando o jovem acordou, pensando no sonho teve a idéia de
que Deus queria aludir à confissão. Correu logo aos
pés de São Domingos, e fez uma dolorosa confissão de todas
as suas culpas. Pouco depois, quando foi descansar,
viu descer do céu um anjo que trazia numa das mãos uma
túnica muito alva e na outra uma coroa cravejada de pedras
preciosas, e que, dirigindo o vôo para ele o adornou com a
veste e lhe cingiu a fronte com a coroa.
Ainda
muito mais admirável é o que se lê na biografia de Santa
Margarida de Cortona. Depois de convertida de grande
pecadora em ferventíssima penitente, Jesus principiou a
amá-la de um amor singularíssimo, tanto que costumava
aparecer-lhe freqüentemente para a instruir, amparar e
encher de alegria. Durante essas belas aparições, Ele
costumava chamá-la com o nome de "pobrezinha". Um dia, a
santa levada pela confiança perguntou-lhe:
— Senhor,
porque me chamais sempre "pobrezinha?" Quando será que eu
ouvirei chamar-me com o nome de "filha?"
—
Quando tiveres feito de novo uma boa confissão, geral e
dolorosa, de todas as tuas culpas.
Bem
podemos imaginar que Margarida não tardou em satisfazer a
Jesus. Preparou-se logo com um
devoto retiro, e um exame diligente; mortificou-se e fez a
sua confissão com muitas lágrimas; depois da Comunhão viu
aparecer-lhe Jesus que a cobriu com um véu mais cândido que
a neve, e lhe repetiu muitas vezes: minha filha! minha
filha!
Assim o
Senhor demonstra quanto lhe é agradável a confissão e como
realmente Ele reveste com "a estola da graça batismal"
aqueles que se tornam dignos.
D.
— Agradecido, Padre: sendo assim, de agora em diante
mergulharei freqüentemente neste banho salutar do sangue de
Jesus, sem prestar atenção aos incômodos e ao respeito
humano, para que a minha alma retome o primitivo candor!
M.
— Muito bem! Faça isso por sua
conta, e não cesse de inculcar nos outros, o amor que cada
um deve ter, não só pela sua própria alma, mas ainda pela
salvação dos outros. Jesus recompensá-lo-á nesta vida e na
outra.
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Continua na parte XI
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