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O SACRAMENTO DA CONFISSÃO.
CONFESSAI-VOS BEM !!!
Parte VII.
Segredo inviolável
D.
— Padre, será que alguma vez não acontece que o confessor
conte algum pecado ouvido na confissão?
M.
— Absolutamente nunca! Um tríplice segredo
fecha-lhe a boca; nisto entra a vontade de Deus que não
permite que se cometam faltas no que diz respeito a este
capítulo. De fato, a confissão existe há mil e
novecentos anos, e nunca aconteceu que um confessor, por
nenhum motivo, tenha divulgado um único pecado ouvido na
confissão.
Martinho Lutero que era um frade zeloso, renegou a sua fé,
fez-se protestante, tornou-se inimigo da igreja falou e
escreveu contra a Igreja calúnias infâmias sem fim, mas
nunca, nem uma vez sequer, falou de coisas ouvidas na
confissão.
Um
dia, achava-se ele numa estalagem com alguns amigos, estes,
vendo-o meio embriagado, tiveram a idéia de interrogá-lo,
justamente a esse respeito. Antes nunca o tivessem feito!
Lutero, de um momento para o outro, ficou furioso, e,
agarrando uma garrafa, teria quebrado a cabeça daqueles
malvados se eles, mais do que depressa, não tivessem fugido.
O segredo da confissão é inviolável, mesmo diante da
morte.
D.
— Até diante da morte?!
M.
— Certamente! Eis aqui um dos mil fatos que eu
poderia citar como prova:
Justamente durante a quaresma de 1873, um missionário famoso
pregava com grande sucesso numa das principais Igrejas de
Paris. No meio da multidão enorme que acorria para ouvi-lo,
havia também alguns incrédulos, os quais, tendo-o ouvido
falar sobre a inviolabilidade da confissão, quiseram fazer
uma experiência. Depois de terem combinado o plano, um deles
se finge de doente e outros dois procuram o sacerdote e o
convidam para acudir junto ao leito do enfermo.
O
missionário de Deus, concorda de pronto, e acompanha os dois
homens que, fazendo-o entrar num carro fechado, vendam-lhe
os olhos; depois de uma meia hora de corrida, fazem-no
descer na frente de um palacete, e subindo por uma escada o
introduzem em um apartamento junto a cabeceira de um homem
que se confessa realmente. Acabada a confissão, voltam os
dois companheiros e o fazem descer por escadas até um
subterrâneo, onde lhe tiram a venda e apontando-lhe duas
pistolas carregadas o intimam a referir o que ouvira na
confissão.
Muito
calmo o Missionário responde:
—
Os senhores, talvez, não sabem que a confissão é um
segredo?

"Um
tríplice segredo fecha-lhe a boca”
—
Deixe de desculpas! Aqui ninguém nos vê, ninguém nos ouve;
fale ou morrerá.
—
Se assim é, estou em suas mãos, disparem à vontade, e que
Deus seja testemunha do meu dever. Assim dizendo,
ajoelha-se, desabotoa a batina, e apresenta o peito às
balas.
Nesse
ponto a cena se transforma, os dois homens erguem-no,
pedem-lhe perdão pela dura prova a que o submeteram e
acrescentam: "Agora nós também acreditamos na
confissão e, dentro em pouco, estaremos de joelhos no
confessionário".
Vendaram-lhe novamente os olhos e o reconduziram de carro
até à casa, renovando as desculpas e promessas, que depois
foram mantidas.
D.
— Padre, todo o sacerdote, num caso desses, seria obrigado a
fazer o mesmo?
M.
— Certamente! E Deus não deixaria de dar-lhe a graça e
a força necessárias, não faltam mártires do sigilo
sacramental. Ouça:
São
João Nepomucemo era confessor da rainha Joana, mulher de
Venceslau, rei da Boêmia. Este por causa de injustas
suspeitas motivadas pelo ciúme, pretendia que João referisse
as culpas da rainha, ouvidas em confissão. Como o
Santo se opôs com inabalável resistência, o rei
impiedoso mandou que o trancassem numa prisão, onde seria
tratado com barbaridade extrema.
Finalmente, chamando-o à sua presença, depois de novas
promessas e ameaças ainda mais terríveis, ordenou que o
costurassem num saco de couro, fechado por uma corda, na
extremidade da qual deviam amarrar uma pedra pesadíssima, e
que o jogassem ao rio Moldava. Queria que lá em baixo, no
fundo do rio o padre morresse e apodrecesse, escondido de
todos.
Mas
oh! prodígio!... Naquela mesma noite o saco flutuava
levemente sobre as ondas, escoltado por uma luz vivíssima e
uma harmonia suave como vozes de anjos acompanhavao. Depois
de tirado das águas, enterraram-no com pompa e solenidade. E
quando, em 1729, quase quatrocentos anos mais tarde,
foi proclamado santo, a sua língua estava intacta, e
fresquíssima, como se fosse um prêmio do seu silêncio.
Foi
então que São João Nepomucemo foi chamado "o mártir do
segredo da confissão".
Não
faz muito tempo que, pelos jornais da Rússia, se espalhava a
notícia de um vigário condenado aos trabalhos forçados, como
assassino de um rendeiro do lugarejo. O seu fuzil
descarregado, encontrado na sacristia, atestava o crime.
Passaram-se vinte anos: o organista da paróquia está à
morte; chama o juiz e confessa que ele mesmo matara o
infeliz rendeiro para casar com a viúva, o que de fato se
dera.
Tinha
acusado o Vigário, e para provar-lhe a culpabilidade tinha
posto o fuzil na sacristia. Como meio seguro de impedir que
o Padre falasse, tinha-se confessado com ele, contando-lhe
tudo o que fizera. Diante disso, as autoridades telegrafaram
sem demora a Petersburgo, ordenando que o Vigário Kobjlowes
fosse posto em liberdade imediatamente. Responderam que o
Vigário tinha morrido havia já alguns meses. O heróico
padre tinha carregado à sepultura o segredo da confissão,
porque o Confessor pode ser um mártir, mas nunca será um
traidor. E agora, você está bem convencido do grande segredo
da confissão?
D.
—
Estou convencidíssimo! Mas esse segredo dura, porém até à
morte do penitente; depois, não há mais obrigação?
M.
—
O segredo perdura sempre, estando o penitente em vida e
depois da sua morte; é eterno, assim como Deus é eterno.
Isto deve inspirar-nos coragem e confiança absolutas, sem
limites, de confessar sinceramente os nossos pecados, desde
que podemos estar certos de que eles ficarão sepultados num
silêncio eterno. Se pelo contrário, nos deixarmos levar por
um pudor mal compreendido a escondê-los e a calá-los diante
do confessor, serão um dia manifestados diante de todo
o mundo no juízo universal, contra a nossa vontade, para a
nossa vergonha e para a nossa ruína irreparável.
Sinceridade, portanto, sinceridade!
D.
—
Então, Padre, procede mal quem diz: eu não ouso confessar os
meus pecados, porque tenho medo de que o Confessor os conte
a terceiros?
M.
—
Quem fala assim, mente a si mesmo e lança contra os
confessores a mais infame das calúnias.
D.
— Mais
uma pergunta: não pode o confessor servir-se em seu próprio
favor, das coisas ouvidas na confissão?
M.
—
Não, não pode, não deve fazê-lo absolutamente, e jamais o
fará. Pelo contrário, se acontecer que o confessor
venha a saber na confissão de uma culpa que já conhecia
anteriormente ou por tê-la visto ou porque lhe tenha sido
referida, nunca mais fala, nela, justamente para que não
pensem que ele se serviu da confissão e que violou o
segredo. Eis até a que ponto chega o sigilo sacramental.
> Continua na Parte VIII.
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