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O SACRAMENTO DA CONFISSÃO.
CONFESSAI-VOS BEM !!!
Parte V.
Deus perdoa sempre.
D.
— Porém, se alguém reconhece a tempo as suas faltas e se
confessa bem, Deus perdoa sempre não é verdade, Padre?
M.
— Sim, Deus perdoa sempre a quem volta arrependido.
Você se lembra da parábola do "Filho pródigo?"
D.
— Ouvi-a mais de cem vezes e acho-a sempre lindíssima e.
muito consoladora. Conte-ma, Padre.
M.
— O infeliz rapaz foge de casa, gasta todos os seus bens em
excessos. Reduzido à miséria extrema é obrigado a ser
guardião de porcos, e reparte com os animais imundos os
restos de comida, para não morrer de fome. Por fim cansado
de uma vida tão mesquinha, cheio de remorso, resolve voltar
para junto do pai. Vence a vergonha e decidido exclama: "Surgam,
et ibo ad patrem meus.
— Erguer-me-ei irei para junto de meu pai".
De fato volta, e assim que chega atira-se aos pés do pai
implorando: Pai, perdão, porque pequei.
O
pobre pai, que desde o triste dia em que o filho partira,
não tinha conhecido nem paz nem sossego, não o repele:
abre-lhe os braços, ergue-o, aperta-o contra o peito,
beija-lhe a fronte, cobre-o com o próprio manto para que
ninguém o veja naquele estado. Ordena aos servos: Corram,
tragam as roupas mais belas para que eu vista de novo o meu
filho; tragam os anéis de ouro e os colares preciosos para
que eu o enfeite.
E
vocês, diz a outros, matem a vitela mais gorda e preparem um
grande jantar. Convidem parentes e amigos, chamem também os
músicos; quero uma grande festa, porque meu filho que estava
perdido voltou! Poucas horas depois, já cada coisa está em
ordem: cheia a sala, postas as mesas. O filho que, pouco
antes causava dó, aparece todo enfeitado, radiante de
alegria, ao lado do pai. E, sentado no lugar de honra,
torna-se o "rei da festa".
Você sabe quem é ele? É o pobre pecador, e seu pai é Jesus.
Cada vez que o mais infeliz pecador atira-se aos pés de
Jesus e diz, arrependido: "Padre, perdoai-me porque pequei"
a mesma cena se repete.
O confessor, que representa Jesus, ergue o infeliz;
aperta-o nos braços, dá-lhe o beijo do perdão, reveste-o da
graça santificante, adorna-o com seus conselhos,
leva-o ao casamento de Jesus que é a Comunhão.
Assim, o coitado que, poucos minutos antes, era escravo do
demônio e presa do inferno, torna-se o rei da festa porque,
como você sabe, Jesus mesmo disse: "Há mais regozijo
no céu por um pecador que se converte do que por noventa e
nove justos que já vivem na graça de Deus!"
D.
– Bendita seja a Confissão! Ela é realmente o sacramento do
perdão e do consolo. Mas por que nem todos se confessam?

"Bendita seja a confissão!
Ela é realmente o sacramento do perdão e do consolo."
M.
— Porque não conhecem, não amam Jesus suficientemente.
Ah! Se todos pudessem vê-lo como O viu e ouviu aquela mulher
do Evangelho...
D.
— A pobre adúltera, não é? Conte, Padre, esse também é um
fato consolador.
M.
— Um dia, foi apresentada a Jesus uma mulher surpreendida em
adultério para que Ele a condenasse, segundo a lei, a ser
lapidada. Ele, vendo-a toda envergonhada, abaixou-se e
começou a escrever na poeira palavras misteriosas, e, ao
mesmo tempo que Ele escrevia, os acusadores se retiravam
confusos e cabisbaixos. Quando todos já se tinham ido, Jesus
levantou-se, e virando-se para a mulher pecadora, disse-lhe:
— Ninguém te condenou?
—
Ninguém, respondeu a mulher, tremendo.
— Pois bem, nem eu tão pouco te condenarei: vai em paz e não
peques mais.
Eis aí
meu caro, a vontade de Jesus: não condenar, mas perdoar; e,
mesmo que todo o mundo nos condenasse, Ele nos absolveria,
satisfeito se não tornarmos a pecar.
D.
— Mas, Padre, Ele era Jesus, ou seja, Deus; mas estará o
Confessor sempre disposto a perdoar?
M.
— Sim, o Confessor perdoa sempre, mesmo que se trate
de qualquer falta enorme, porque ele representa Jesus.
Ouve o que nos conta um dos maiores oradores franceses,
Monsabré.
Lá
pelo fim da terrível Revolução, que causou tantas vítimas e
derramou tanto sangue inocente, um velho miserável, tão
pobre quanto tinha sido mau, estava moribundo, num imundo
sótão de Paris. Acode à sua cabeceira um jovem sacerdote:
Ele o recebe com grande temor, e, depois de angustiosos
suspiros, começa a contar:
— Ouví-me, Padre, e Deus queira que possais não me
amaldiçoar.
Eu era criado de uma família nobre, que me enchera de
benefícios. Quando chegaram os dias terríveis da Revolução,
o meu coração ingrato correspondeu-lhes com a mais
monstruosa traição. Combinando com os revolucionários,
revelei-lhes o esconderijo dos meus patrões, acompanhei-os
ao patíbulo e apoderei-me dos seus haveres, que esbanjei em
pagodes. Ah, Padre, eu sou um monstro. Veja-os, veja-os; são
os meus patrões, tão amáveis, tão bondosos... e, enquanto
falava abriu um estojo que continha os retratos dos antigos
amos.
Horror! O sacerdote reconheceu naqueles retratos seu pai e
sua mãe...
Então
a cena foi espantosa. O ministro de Deus, rijo, pálido,
trêmulo, olhava chorando para o assassino de sua família. O
moribundo como um espectro, erguia-se na cama, e mostrando o
peito nú e descarnado, gritava: "Vingai-vos, vingai-vos!..
Mas o
zeloso sacerdote lembrou-se de que, naquele momento, tão
trágico para ele, não era mais um homem, mas o representante
de Jesus Cristo. Caindo em cima do assassino, pôs-lhe o
Crucifixo sobre os lábios para sufocar os gritos de
desespero e:
— "Meu amigo, meu filho, meu irmão, disse, enganas-te. Eu
sou Jesus Cristo, e Jesus Cristo perdoa".
E,
sempre abraçando o pecador, absolve-o e consola-o, e o
mendigo morre perdoado e abençoado nos braços daquele cuja
vida envenenara.
D.
— Padre, depois de ouvir esses fatos, será que alguém ainda
teme manifestar os seus pecados ao confessor? Oh! a
Confissão é realmente o sacramento do perdão e das
consolações. Eu gostaria de ter mil línguas para gritar para
o mundo inteiro: experimentem e vejam o quanto Jesus é bom.
M.
— Portanto, nada de medo, nada de vergonha;
confessem-se sempre bem não só para fugir do inferno, mas
também para ter nesta vida consolações e paz, porque de uma
boa confissão pode depender todo o nosso futuro.
A
beata Ângela Foligno tinha cometido, na juventude, certas
faltas que não tinha ousado confessar. Continuou assim por
muito tempo, mas como o remorso da consciência não a deixava
tranqüila nem de dia nem de noite, depois de ter rezado
muito, resolveu fazer finalmente com coragem, uma confissão
sincera de todos os pecados e sacrilégios.
A
acusação franca proporcionou-lhe a maior glória, porque além
da paz e da alegria do coração, teve a força de se tornar
santa. Há mais de seiscentos anos que honrada pela Igreja e
pelo mundo inteiro com o título do Beata.
A
Venerável Maria Fornari, romana, conta que, quando criança,
teve a infelicidade de cometer algumas faltas contra a
modéstia. Assim que lhes percebeu a gravidade, absteve-se
delas, mas, por vergonha, nunca ousou confessá-las e assim
foi ajuntando sacrilégios a sacrilégios. Vivendo sempre com
o coração angustiado, resolveu tornar-se freira. Entrou no
convento de Lodi, na Úmbria: fez a vestição, fez a profissão
religiosa, porém sempre com o inferno no coração. Que
miseráveis e angustiosos eram seus dias! Finalmente durante
a novena da Assunção sentiu no coração um desejo muito
grande de pedir a Maria Santíssima a graça tantas vezes
implorada inutilmente. Fez o pedido com tanto ardor, que, no
mesmo instante, sentiu uma força tão grande que pôde
manifestar as suas culpas, não só ao Confessor, mas a toda
Comunidade.
Reparou tudo com uma confissão geral, e começou a viver uma
vida tão santa que mereceu a honra de ser elevada ao altar.
Por aí
você vê meu caro, que, mediante a Confissão, Jesus não só
perdoa, mas nos dá a possibilidade de nos tornarmos santos.
É por isso que, muito acertadamente, os teólogos dizem
que a confissão é o principal meio de santificação .
D.
— Oh, Padre, reze por mim, afim de que eu possa aproveitar
da Confissão.
> Continua na Parte VI.
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