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O SACRAMENTO DA CONFISSÃO.
CONFESSAI-VOS BEM !!!
Parte IX.
Efeitos admiráveis
D.
— Padre, além do perdão dos pecados, a confissão traz mais
outras vantagens?
M.
— Traz; e muitíssimas e surpreendentes.
Nós todos temos três inimigos implacáveis, deploráveis e
obstinados, os quais, dia e noite armam ciladas contra a
nossa alma. São eles: a concupiscência, o
demônio e o mundo. Da infância ao túmulo,
perseguemnos sempre, onde quer que estejamos e ceifam
inúmeras vítimas de todas as idades e condições. Ai de
quem não se previne com o remédio divino, que é a confissão.
D.
— E a confissão consegue vencer esses inimigos?
M.
— Uma confissão isolada, não; é preciso que seja
repetida freqüentemente. Esses inimigos, feridos uma vez com
a confissão, não morrem, mas tornam a tentar a prova, mais
maliciosos do que antes, modificam e multiplicam os seus
lagos para nos causar danos maiores. Oh! quantos, apesar de
sinceramente arrependidos, tornam a cair, depois de breves
intervalos, nas mesmas faltas.
São
Felipe Néri conta que um jovem o procurou, resolvido a
abandonar, custasse o que custasse, certos pecados impuros,
que tinha o hábito de cometer. Ele ouviu-o, e, vendo a
firme vontade que tinha de se emendar, absolveu-o em nome de
Jesus Cristo e lhe disse que fosse em paz, e que, se por
acaso, aquilo acontecesse de novo, voltasse logo para se
confessar.
No dia
seguinte, eis de novo o rapaz aos pés de São Felipe.
— Padre, o demônio foi mais forte do que eu, tornei a cair
na mesma falta.
— Você está arrependido?
— Sim, padre.
— Pois bem, eu o absolvo, vá em paz, mas na primeira
recaída, volte.
No terceiro, no quarto, no quinto dia, ei-lo sempre de novo
aos pés do Santo confessando as recaídas de sempre, e assim
aconteceu doze, treze vezes com intervalos mais ou menos
longos, até que finalmente venceu o seu defeito, tornou-se
tão puro e tão casto que São Felipe o acolheu entre os seus
filhos e ele se tornou um apóstolo zeloso. E assim, a
confissão, constantemente repetida, acabou por ser a mais
forte, venceu o demônio impuro e os seus mais obstinados
assaltos.
D.
— Padre, podem se repetir tais casos de recaída?
M.
— Por infelicidade podem, principalmente com os
jovens.
D.
— E então?
M.
— Então, é preciso repetir cada vez e sem perda de
tempo, a confissão. Assim como uma única injeção não
chega para matar o bacilo do tifo e da tuberculose, uma só
confissão não é suficiente para paralisar o micróbio
da concupiscência que circula no nosso sangue.
A confissão tem uma força toda especial contra a
sensualidade tanto que, segundo o que dizem pessoas
eminentes, quase não se pode crer na castidade daqueles que
não se confessam, sejam quais forem o estado e as condições
em que se encontram. Conservar-se-ão afastados de
certos excessos, mas não terão a integridade absoluta de
costumes sem a confissão freqüente.
D.
— Será então por esse motivo que a confissão é recomendada
sobretudo à juventude?
M.
— Assim é, porque é precisamente no coração da juventude que
aparece mais em realce toda a eficácia vitoriosa da
confissão. Nesse terreno virgem, revela-se como o "talismã
preservativo" da corrupção. Oh! Que lindo espetáculo
apresenta perante Deus e os homens tantos jovens,
encaminhados em tempo à freqüência deste Sacramento.
D.
— Então, era com razão que São José Cottolengo e São João
Bosco a inculcavam com tanta insistência nos seus
institutos?
M.
— Sim, D. Bosco, e com ele os melhores educadores,
compreenderam que, quando se quer livrar a infância de ambos
os sexos da perda da inocência, não há caminho mais
seguro do que a confissão freqüente.
D.
— Parece-me que o Papa Pio X também decretou alguma coisa em
relação à confissão das crianças.
M.
— Bendita seja a santa e muito querida memória deste
Pontífice vigilante, que, para remediar tantos abusos e
hábitos que tomaram pé por culpa de extravagantes e
perigosas interpretações, estabeleceu pelo decreto de 8 de
Maio de 1910, que a idade para a Confissão e Comunhão é
aquela em que a criança começa a julgar por si mesma, isto é
mesmo antes dos sete anos. Determinou também que o
hábito de não confessar ou de não absolver as crianças
chegadas ao uso da razão é, sob todos os pontos de vista,
repreensível, recaindo toda a responsabilidade sobre os
pais, sobre o confessor, sobre os institutos e sobre o
Vigário.
D.
— De modo que, segundo o senhor, Padre, a confissão
freqüente é indispensável a todos, pequenos e grandes?
M.
— Sim, é indispensável a todos. Se
quiserem realmente vencer o inimigo mortífero da alma,
previnam-se contra qualquer espécie de impureza? Querem que
essas mesmas vitórias sejam alcançadas pelos que dependem de
vocês? Vão, conduzam, e mandem à confissão.
Experimentem e vejam o quanto Jesus é poderoso.
Um dia
um sacerdote, Vigário de uma cidade importante do Monferrato,
foi procurar São João Bosco. Assim que chegou, desatou em
pranto. O Santo ergue-o, e, amorosamente começou a
interrogá-lo sobre a razão de tal angústia.
— D.
Bosco! Estou resolvido a abandonar a minha Paróquia, vejo
que não posso fazer nada de bem, os meus esforços são
correspondido com indiferença e frieza sempre crescentes.
Por toda a parte abundam a blasfêmia, o modo de falar
desonesto, o desrespeito dos dias santificados, os maus
hábitos, a dança, o escândalo. D. Bosco, aconselhe-me, por
piedade!
—
Desde quando reina este estado de coisas?
—
Desde muitos anos, e vai sempre piorando.
— O
senhor rezou, fez rezar?
—
Imagine, Padre, se eu não havia de rezar! Muitas vezes fiz
votos, mas tudo foi inútil.
— Mas
seus paroquianos vão à Igreja, freqüentam os Sacramentos?
— Vão
à Igreja freqüentam bastante os Sacramentos, mas depois...
— As
confissões são bem feitas?
—
Qual nada! Esse é o meu maior desgosto!...
— Pois
bem, faça assim: Volte para casa sossegado, e, de agora em
diante faça sermões Unicamente sobre a excelência da
confissão bem feita.
O
zeloso sacerdote obedeceu e quando, depois de três anos,
encontrou D. Bosco na sala de espera da estação de Asti,
jogou-se novamente aos pé e beijando-lhe a mão com afetuosa
efusão, não acabava mais de lhe agradecer pelo conselho
iluminado que lhe dera.
—
Pus em prática o que me aconselhou, e a paróquia mudou
como por encanto; proporciona-me sempre novas e indizíveis
consolações.
D.
— D. Bosco era um santo, não era mesmo Padre?
M.
— Era um homem repleto de espírito de Deus, mas
conhecedor do mundo, investigador profundo dos corações e,
como S. Felipe Néri, batalhava com zelosa constância pela
confissão freqüente, a qual, se é muito pouco praticada, e
não sempre com proveito, é porque é muito pouco conhecida.
Ela, além de ser o remédio por excelência, é ainda o
Sacramento milagre,
capaz de sozinha, refrear o mundo inteiro.
D.
— Será possível?
M.
— Eis aqui uma amostra num outro fato histórico de D. Bosco:
No ano
de 1855, S. João Bosco tinha pregado três dias os Exercícios
Espirituais aos jovens da "Generala", de Turim, que é um
instituto correcional dos indisciplinados. Tendo-os
confessado todos, pediu e obteve depois de muita
insistência, do próprio ministro Urbano Rattazzi, a licença
de conduzi-los todos, em número de 350, a um passeio até o
parque real de Stupidini, a quatro milhas de distância de
Turim.
A mais
espontânea alegria durou até à tardinha e na hora de voltar
para casa, ninguém deixou de responder à chamada. É
impossível descrever a surpresa de todos, que não podiam
explicar como é que um pobre padre sozinho, sem guardas nem
soldados, tinha podido manter em ordem e submissos tão
grande número de internados, não sabiam que o grande
segredo de D. Bosco era a confissão.
D.
— É verdade, a confissão é poderosa. Oh! Se os pais o
reconhecessem como educariam melhor a juventude, e como
haveria maior respeito, obediência e moralidade nas próprias
famílias!
M.
— Sem dúvida! De fato, não tenho medo de exagerar dizendo
que, confessando com pessoas que freqüentam a confissão,
dificilmente encontramos um pecado mortal! Confessando só
duas, as quais só se confessam de vez em quando,
dificilmente não se encontram pecados mortais.
D.
— Uma casa que se varre frequentemente, como um
vestido que se escova sempre, como o rosto que se lava
diariamente se conservam limpos; o mesmo se dá com a alma
que se confessa com freqüência: não é Padre?
M.
— Justamente.
> Continua na Parte X
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