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S. S. O PAPA BENTO XVI
Inicia
viagem apostólica ao Reino Unido.
16.09.10 – Edimburgo: Bento
XVI já se encontra no Reino Unido, onde chegou no final da
manhã de hoje a Edimburgo – Escócia – primeira etapa da sua
17ª viagem apostólica internacional. A visita de quatro dias
culminará no domingo, dia 19, com a beatificação do Cardeal
John Henry Newman, em Birmingham – Inglaterra.
O avião do Papa decolou do aeroporto romano de Ciampino às
8h15 locais (3h15 de Brasília), e aterrisou em Edimburgo às
10h30 horário britânico (6h30 de Brasília). O Pontífice está
acompanhado do Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal
Tarcisio Bertone; do Substituto da Secretaria de Estado, Dom
Fernando Filoni, e de membros desse departamento.
Esta é
a 17ª viagem internacional de Bento XVI, a 11ª a um país
europeu. Trata-se da segunda vez que um papa viaja ao Reino
Unido. João Paulo II visitou o país em 1982. O Reino Unido
tem 4,2 milhões de católicos, numa população de 61 milhões
de habitantes.

Ao
término da cerimônia de boas-vindas e de sua visita de
cortesia à Rainha Elizabeth no Palácio Real de Holyroodhouse,
marcada por uma reunião a portas fechadas entre ambos,
pontífice e monarca discursaram, no parque do castelo, a
autoridades políticas, representantes da sociedade civil e
das Igrejas Anglicana e Católica, além de membros do
parlamento escocês.

Discurso de S.S o Papa Bento XVI às autoridades.
Majestade,
Obrigado por vosso gentil convite para visitar
oficialmente o Reino Unido e por vossas amáveis palavras de
boas-vindas em nome do povo britânico. Ao agradecer
a Vossa Majestade, estendo minha saudação a todo o povo do
Reino Unido e ofereço minha amizade a todos e a cada um.
Tenho o prazer de começar minha viagem saudando os membros
da Família Real, agradecendo em particular a Sua Alteza Real
o Duque de Edimburgo a amável acolhida que me dispensou no
aeroporto de Edimburgo. Expresso meu agradecimento
igualmente aos atuais Governos de Vossa Majestade, assim
como aos anteriores, e a quantos trabalharam com eles para
tornar possível esta ocasião, incluindo Lord Patten e o
ex-secretário de Estado Murphy. Também agradeço vivamente o
trabalho do grupo parlamentar de todos os partidos em
relação à Santa Sé, que contribuiu imensamente para o
fortalecimento das relações de amizade entre a Santa Sé e o
Reino Unido.
Ao começar minha visita ao Reino Unido na capital histórica
da Escócia, saúdo em particular ao primeiro-ministro Salmond
e os representantes do Parlamento escocês. Como as
Assembléias do País de Gales e Irlanda do Norte, que o
Parlamento escocês cresça para ser uma expressão das boas
tradições e da cultura própria dos escoceses, e se esforce
em servir a seus melhores interesses com um espírito de
solidariedade e preocupação pelo bem comum.
O nome de
Holyroodhouse,
a residência oficial de Vossa Majestade na Escócia, recorda
a "Santa Cruz" e evoca as profundas raízes cristãs que ainda
estão presentes em todas as áreas da vida britânica. Os reis
da Inglaterra e Escócia têm sido cristãos desde tempos muito
antigos e contam com santos
proeminentes, como Eduardo, o Confessor e Margarida da
Escócia.
Como Vós sabeis, muitos deles exerceram conscientemente suas
funções de governo à luz do Evangelho e, desta maneira,
modelaram profundamente a nação em torno do bem.
Assim,
a mensagem cristã
tem sido uma parte integral da língua, pensamento e cultura
dos povos destas ilhas há mais de mil anos. O respeito de
vossos antepassados pela verdade e justiça, misericórdia e
caridade, surge de uma fé que continua sendo uma força
poderosa para o bem de vosso reino e para um maior benefício
de cristãos e não cristãos igualmente.
Muitos exemplos dessa força do bem encontramos ao longo da
história da Grã-Bretanha. Inclusive em tempos relativamente
recentes, devido a figuras como William Wilberforce e David
Livingstone, a Grã-Bretanha interveio diretamente para deter
o tráfico internacional de escravos. Inspiradas pela fé,
mulheres como Florence Nightingale serviram aos pobres e aos
enfermos e estabeleceram novos métodos na assistência de
saúde, que posteriormente espalharam-se por toda parte. John
Henry Newman, cuja beatificação celebrarei em breve, foi um
dos muitos cristãos britânicos de sua época cuja bondade,
eloqüência e compromisso honraram seus compatriotas.
Todos eles, e como eles muitos outros, inspiraram-se em uma
fé forte, que cresceu e se alimentou nestas ilhas.
Também agora, podemos recordar como a Grã-Bretanha e seus
líderes enfrentaram a tirania nazista,
que desejava eliminar
Deus da sociedade e negava nossa humanidade comum a muitos,
especialmente aos judeus, a quem não consideravam dignos de
viver.
Recordo também a atitude do regime em relação aos
pastores cristãos ou religiosos que proclamaram a verdade no
amor, opuseram-se aos nazistas e pagaram com suas vidas essa
oposição.
Ao
refletir sobre as lições sombrias do extremismo ateu do
século XX, jamais esqueçamos como a exclusão de Deus, da
religião e da virtude da vida pública conduz, em última
análise, a uma visão parcial do homem e da sociedade e,
portanto, a uma visão "restritiva da pessoa e seu destino"
(Caritas
in veritate, 29).
Faz sessenta e cinco anos, a Grã-Bretanha teve um papel
fundamental na formação do consenso internacional do
pós-guerra, que favoreceu a criação das Nações Unidas e
marcou o início de um período de paz e prosperidade na
Europa até então desconhecido. Nos últimos anos, a
comunidade internacional tem acompanhado de perto os
acontecimentos na Irlanda do Norte, que conduziram à
assinatura do Acordo de Sexta-Feira Santa e a restituição
das competências da Assembléia da Irlanda do Norte.
O
Governo de Vossa Majestade e o Governo da Irlanda,
juntamente com os dirigentes políticos, religiosos e civis
da Irlanda do Norte, ajudaram no surgimento de uma solução
pacífica do conflito. Encorajo todos a continuar caminhando
juntos com coragem o caminho traçado para uma paz justa e
duradoura.
Ao
olhar para o exterior, o Reino Unido continua sendo,
política e economicamente, uma figura-chave no âmbito
internacional. Vosso governo e vosso povo são criadores de
ideias que influenciam muito além das Ilhas Britânicas. Isso
vos impõe uma especial obrigação de atuar com sabedoria para
o bem comum.
Da
mesma forma, dado que vossas opiniões têm uma audiência tão
ampla, os meios de comunicação britânicos têm uma
responsabilidade mais grave que a maioria e uma maior
oportunidade para promover a paz das nações, o
desenvolvimento integral dos povos e a difusão dos
autênticos direitos humanos. Que todos os britânicos
continuem vivendo em harmonia com os valores de honestidade,
respeito e imparcialidade que lhes mereceram a estima e
admiração de muitos.
Na atualidade,
o
Reino Unido esforça-se para ser uma sociedade moderna e
multicultural.
Que esse compromisso exigente mantenha sempre seu respeito
por aqueles valores tradicionais e manifestações culturais
que formas mais agressivas de secularismo já não apreciam ou
sequer toleram. Que isso não enfraqueça a raiz cristã que
sustenta vossas liberdades; e que
esse patrimônio, que sempre buscou o bem da nação,
sirva constantemente de exemplo para o vosso Governo e
vosso povo frente aos dois bilhões de membros da
Commonwealth
e a grande família das nações de língua inglesa em todo o
mundo.
Que Deus abençoe a Vossa Majestade e a todos os habitantes
de vosso reino. Obrigado.
Fonte:
Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.
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