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Papa Bento
XVI.
"PAZ COMEÇA PELO RESPEITO
POR QUEM É DIVERSO DE NÓS"
01.01.2010: Cidade do Vaticano,
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O
pontífice presidiu esta manhã, na Basílica de São Pedro, a
missa que, em coincidência com o primeiro dia do ano civil,
celebra a Solenidade de Maria, Mãe de Deus, e
ao mesmo tempo, o 43º Dia Mundial da Paz.
Concelebraram com o papa os cardeais Tarcisio Bertone,
secretário de Estado, e Renato Raffaele Martino, presidente
emérito do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz.
“A paz
começa com o olhar respeitoso, que reconhece na face do
outro uma pessoa, independente da cor de sua pele, da sua
nacionalidade, língua ou religião”
–
lembrou Bento XVI em sua homilia. Para o papa,
“somente se tivermos Deus no coração, somos capazes de
reconhecer na face do outro um irmão na humanidade”.
O papa
convidou todos a realizar projetos de paz, depor as armas de
todo tipo e esforçarem-se, juntos, para construir um mundo
mais digno do homem. Recordando o sofrimento de tantas
crianças atingidas por guerras em muitas partes do mundo,
disse que “o rosto destes pequenos inocentes é um
apelo silencioso à nossa responsabilidade”.
Dirigindo-se aos embaixadores de todos os países
representados junto à Santa Sé, o papa advertiu:
“No
dia dedicado a Maria, Mãe de Deus, a imagem da ternura
encontra o seu trágico contrário nas dolorosas imagens de
tantas crianças e de suas mães à mercê de guerras e
violências: deslocados, refugiados, migrantes forçados.
Faces marcadas pela fome e pelas doenças, faces desfiguradas
pela dor e pelo desespero”.
Em
referência ao 43º Dia Mundial da Paz, o pontífice evocou com
veemência a responsabilidade de quem vive na terra para com
a preservação da Criação:
“Se o
homem se degrada, degrada o ambiente em que vive; se a
cultura tende para um niilismo, não teórico, mas prático, a
natureza pagará as conseqüências. Existe um nexo direto
entre o respeito do homem e a salvaguarda da Criação”
–
disse.
Assim
– continuou – “é importante sermos educados desde
pequenos ao respeito do próximo, mesmo quando é diferente de
nós, e à responsabilidade ecológica, baseada no respeito do
homem e de seus direitos e deveres fundamentais”.
Bento
XVI pediu que sigamos o exemplo das crianças de hoje, cada
vez mais em contato com coetâneos de várias nacionalidades,
que despertam em nós a ternura e a alegria por uma inocência
e uma irmandade que nos parecem evidentes:
“Apesar das suas diferenças, choram e sorriem do mesmo modo,
têm as mesmas necessidades, comunicam espontaneamente,
brincam juntas... As faces das crianças são como um reflexo
da visão de Deus sobre o mundo. Por que então tirar os seus
sorrisos? Por que envenenar os seus corações?”.
Em sua
homilia deste início de ano, Bento XVI re-propôs o conceito
de ‘ecologia humana’, usado pela primeira vez por João Paulo
II, fortemente propagado por papa Ratzinger em sua
encíclica 'Caritas in veritate', e retomado na
mensagem para o Dia Mundial da Paz 2010: “Se queres
cultivar a paz, preserva a criação”.
“O
homem é capaz de respeitar a criatura na medida em que traz
no próprio espírito um pleno sentido da vida; de outro modo
será levado a desprezar a si mesmo e ao que o circunda, a
não ter respeito pelo ambiente em que vive, pela Criação.
Quem sabe reconhecer no cosmos os reflexos do rosto
invisível do Criador, é levado a ter maior amor pela
criatura e maior sensibilidade pelo seu valor simbólico”.
Fonte:
Rádio Vaticano.
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