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CELEBRAÇÃO DO
SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA.
PAPA ABRE SÍNODO PARA O ORIENTE MÉDIO
10.10.10 - Cidade do Vaticano,
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O Papa Bento XVI celebrou na manhã deste domingo na Basílica
de São Pedro, no Vaticano, a Santa Missa de abertura do
Sínodo especial dos Bispos para o Oriente Médio, que se
concluirá no próximo dia 24 de outubro. O tema desse Sínodo
é “A multidão dos que haviam crido era um só coração e
uma só alma” (At 4, 32). A Santa Missa foi
concelebrada pelos Padres Sinodais, entre os quais o
Patriarca de Antioquia, Cardeal Nasrallah Pierre Sfeir e o
Patriarca caldeu da Babilônia, Carderal Emmanuel III Delly.
Na
presença 135 Padres Sinodais representantes de 16 Estados,
além de Jerusalém e Territórios Palestinos, Bento XVI no
início da sua homilia deu graças a Deus pela primeira
Assembleia Sinodal em torno do Bispo de Roma e Pastor
Universal, dos Bispos da região do Oriente Médio. “Tal
singular evento demonstra o interesse de toda a Igreja pela
preciosa e amada porção do Povo de Deus que vive na Terra
Santa e em todo o Oriente Médio”, afirmou o Papa.
Em
seguida o Santo Padre agradeceu ao Senhor da História, que
permitiu, apesar das dificuldades, que o Oriente Médio
pudesse ver sempre, desde os tempos de Jesus até hoje, a
continuidade da presença dos cristãos. “Naquelas
terras a única Igreja de Cristo se expressa na variedade de
Tradições litúrgicas, espirituais, culturais e disciplinares
das seis venerandas Igrejas Orientais Católicas sui iuris,
bem como na Tradição latina”, afirmou o Papa.
Após
saudar aos Patriarcas de cada uma das Igrejas presentes,
saudou todos os fiéis confiados aos seus cuidados pastorais
nos respectivos países e também na diáspora. O pensamento de
Bento XVI dirigiu-se em seguida à Palavra de Deus deste
domingo que oferece um tema de meditação que se aproxima de
modo significativo do evento sinodal.
A
leitura do Evangelho de Lucas nos leva ao episódio
da cura dos dez leprosos, dos quais um apenas, um
samaritano, retorna para agradecer a Jesus. Em
conexão com esse texto, a primeira leitura, extraída do
Segundo Livro dos Reis, narra a cura de Naamã,
chefe do exército sírio, também ele leproso, que é curado
imergindo-se sete vezes nas águas do rio Jordão, segundo a
ordem do profeta Eliseu. Também Naamã retorna
ao profeta e, reconhecendo nele o mediador de Deus, professa
a fé no único Senhor. Portanto, dois doentes de
lepra, dois não judeus, que são curados porque acreditam na
palavra do enviado de Deus. Curam-se no corpo, mas se
abrem à fé, e esta os cura na alma, isto é, os salva.
“Deus
é amor
- disse o Papa - e quer que todos os homens participem
de sua vida; para realizar esse desígnio Ele, que é Uno e
Trino, cria no mundo um mistério de comunhão humano e
divino, histórico e transcendente: e o cria com o
"método" – por assim dizer – da aliança, ligando-se aos
homens com amor fiel e inexorável, formando um povo santo,
que se torne uma bênção para todas as famílias da terra (cf
Gn 12,3). Revela-se assim como o Deus de Abraão, de
Isaac e de Jacó (cf Es 3,6), que quer conduzir o seu
povo à "terra" da liberdade e da paz. Essa "terra" não é
deste mundo; todo o desígnio divino excede a história, mas o
Senhor o quer construir com os homens, para os homens e nos
homens, a partir das coordenadas de espaço e de tempo em que
eles vivem e que Ele mesmo deu.
“Com uma sua especificidade – continuou o Papa - faz parte
de tais coordenadas, o que nós chamamos de "Oriente Médio".
Também essa região do mundo Deus a vê a partir de uma
perspectiva diferente, se diria, "do alto": é a terra
de Abraão, de Isaac e de Jacó; a terra do êxodo e do retorno
do exílio; a terra do templo e dos profetas; a terra em que
o Filho Unigênito nasceu de Maria, onde viveu, morreu e
ressuscitou; o berço da Igreja, constituída para levar o
Evangelho de Cristo até os confins do mundo. E nós,
como fiéis, - continuou Bento XVI - nos voltamos para o
Oriente Médio com esse olhar, na perspectiva da história da
salvação. É a ótica interior que me conduziu nas viagens
apostólica à Turquia, à Terra Santa – Jordânia, Israel,
Palestina – e a Chipre, onde pude conhecer de perto as
alegrias e as preocupações das comunidades cristãs. E o Papa
acrescentou:
“Também por isso acolhi de bom grado a proposta de
patriarcas e bispos de convocar uma Assembléia sinodal para
refletir juntos, à luz da Sagrada Escritura e da
Tradição da Igreja, sobre o presente e sobre o
futuro dos fiéis e das populações do Oriente Médio. Olhar
para esta parte do mundo na perspectiva de Deus significa
reconhecer nela o "berço" de um desígnio universal de
salvação no amor, um mistério de comunhão que se realiza na
liberdade e, por isso, pede aos homens uma resposta.
Abraão, os profetas, a Virgem Maria são os protagonistas
dessa resposta, que, porém tem o seu cumprimento em Jesus
Cristo, filho dessa mesma terra, mas descido do Céu.”
D'Ele,
- continuou o Santo Padre - de seu Coração e do seu
Espírito, nasceu a Igreja, que é peregrina neste mundo, mas
Lhe pertence. A Igreja é constituída para ser, entre os
homens, sinal e instrumento do único e universal projeto
salvífico de Deus; ela realiza essa missão
simplesmente sendo ela mesma, isto é, "comunhão e
testemunho", como recita o tema da Assembléia
sinodal que hoje se abre, e que faz referência à célebre
definição lucana da primeira comunidade cristã: "A
multidão dos que haviam crido era um só coração e uma só
alma" (At 4,32). Sem comunhão não pode haver
testemunho: o grande testemunho é justamente a vida de
comunhão. Jesus o disse claramente: "Disso todos
saberão que sois meus discípulos: se tiverem amor uns pelos
outros" (Jo, 13,35).
Em
seguida o Papa falou da finalidade da Assembleia sinodal:
“A
finalidade dessa Assembléia sinodal é prevalentemente
pastoral.
Embora não podendo ignorar a delicada e por vezes dramática
situação social e política de alguns países, os Pastores das
Igrejas no Oriente Médio desejam concentrar-se nos aspectos
próprios de sua missão. A esse respeito, o Instrumentum
laboris, elaborado por um conselho Pré-sinodal a cujos
Membros agradeço veementemente pelo trabalho feito,
ressaltou essa finalidade eclesial da Assembléia,
ressaltando que ela pretende, sob a condução do
Espírito Santo, reavivar a comunhão da Igreja Católica no
Oriente Médio. Em primeiro lugar, dentro de cada uma delas,
entre todos os seus membros: Patriarca, Bispos, sacerdotes,
religiosos, pessoas de vida consagrada e leigos. E depois,
nas relações com as outras Igrejas”.
Ademais, - disse ainda o Papa - essa ocasião é propícia para
prosseguir construtivamente o diálogo com os judeus, aos
quais, a longa história da Aliança nos liga de modo
indissolúvel, bem como com os muçulmanos. Além disso, os
trabalhos do Encontro sinodal são orientados ao testemunho
dos cristãos a nível pessoal, familiar e social. Isso requer
reforçar a sua identidade cristã mediante a Palavra de Deus
e os Sacramentos. E o Papa fez um auspício:
“Todos
fazemos votos de que os fiéis sintam a alegria de viver na
Terra Santa, abençoada pela presença e pelo glorioso
mistério pascal do Senhor Jesus Cristo. Ao longo dos séculos
aqueles Lugares atraíram multidões de peregrinos e também
comunidades religiosas masculinas e femininas, que
consideraram um grande privilégio poder viver e dar
testemunho na Terra de Jesus. Apesar das
dificuldades, os cristãos da Terra Santa são chamados a
reavivar a consciência de serem pedras vivas da Igreja no
Oriente Médio, nos Lugares Santos da nossa salvação. Mas
viver dignamente na própria pátria é, em primeiro lugar, um
direito humano fundamental: por isso é necessário favorecer
condições de paz e de justiça, indispensáveis para um
desenvolvimento harmonioso de todos os habitantes da
região”.
Portanto, frisou Bento XVI, todos são chamados a dar a sua
contribuição: a comunidade internacional, apoiando um
caminho confiável, leal e construtivo rumo à paz; as
religiões presentes na região, em promover os valores
espirituais e culturais que unem os homens e excluem toda
expressão de violência. Os cristãos continuarão dando a sua
contribuição não somente com as obras de promoção social,
como através dos institutos de educação e de saúde, mas,
sobretudo, com o espírito das Beatitudes evangélicas, que
anima a prática do perdão e da reconciliação. Em tal
compromisso eles terão sempre o apoio de toda a Igreja, como
atesta solenemente a presença aqui dos Delegados dos
Episcopados de outros continentes.
O Papa
concluiu suas palavras confiando os trabalhos da Assembleia
sinodal para o Oriente Médio aos numerosos santos e
santas daquela terra abençoada e invocou para ela a
constante proteção da Bem-aventurada Virgem Maria, a
fim de que os próximos dias de oração, de reflexão e de
comunhão fraterna sejam portadores de bons frutos para o
presente e o futuro das caras populações do Oriente Médio.
Fonte:
Rádio Vaticano.
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