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Papa
Bento XVI:
Valor e importância
da Missão do Sacerdote
O Ano sacerdotal que teve início ontem, 19 de Junho,
Solenidade do Sacratíssimo Coração será "uma ocasião
propícia para aprofundar o valor e a importância da missão"
dos presbíteros. Disse o Papa durante o
Angelus de domingo, 14 de Junho, na Praça de São Pedro.
Queridos irmãos e irmãs!
Celebra-se hoje em diversos países, entre os quais a Itália,
o Corpus Christi, a festa da Eucaristia, na qual o
Sacramento do Corpo do Senhor é levado solenemente em
procissão. Que significa para nós esta festa? Ela não
faz pensar só no aspecto litúrgico; na realidade, o Corpus
Christi é um dia que inclui a dimensão cósmica, o céu e a
terra. Evoca antes de tudo pelo menos no nosso
hemisfério esta estação tão bonita e perfumada na qual a
Primavera começa a deixar lugar ao Verão, o sol é forte no
céu e nos campos amadurece o trigo.
As
festas da Igreja como as judaicas estão relacionadas com o
ritmo do ano solar, da sementeira e das colheitas. Em
particular, isto sobressai na solenidade de hoje, em cujo
centro está o sinal do pão, fruto da terra e do céu. Por
isso o pão eucarístico é o sinal visível d'Aquele no qual
céu e terra, Deus e homem se tornaram um só. E isto mostra
que a relação com as estações não é para o ano litúrgico só
um aspecto exterior.
A
solenidade do Corpus Christi está intimamente ligada à
Páscoa e ao Pentecostes: a morte e ressurreição de Jesus e
a efusão do Espírito Santo são os seus pressupostos.
Além disso, está imediatamente relacionada com a festa
da Trindade, celebrada no domingo passado.
Unicamente porque o próprio Deus é relação, pode haver
relacionamento com Ele; e só porque é amor, pode amar e ser
amado.
Assim
o Corpus Christi é uma manifestação de Deus, uma
confirmação de que Deus é amor. De uma forma única e
peculiar, esta festa fala-nos do amor divino, daquilo que é
e do que faz. Diz-nos, por exemplo, que ele se regenera ao
doar-se, se recebe ao entregar-se, nunca falta e não se
consuma como canta um hino de S. Tomás de Aquino: "nec
sumptus consumitur". O amor transforma todas as
coisas, e portanto compreende-se que no centro da
hodierna festa do Corpus Christi esteja
o mistério da transubstanciação,
sinal de Jesus Cristo que transforma o mundo. Olhando para
Ele e adorando-O, nós dizemos: sim, o amor existe, e dado
que existe, as coisas podem melhorar e nós podemos ter
esperança.
É a
esperança que provém do amor de Cristo que nos dá a força
para viver e enfrentar as dificuldades. Por isso cantamos,
enquanto levamos em procissão o Santíssimo Sacramento;
cantamos e louvamos a Deus que se revelou ao esconder-se no
sinal do pão repartido. Todos precisamos deste Pão, porque o
caminho rumo à liberdade, à justiça e à paz é longo e
cansativo.
Podemos imaginar com quanta fé e amor Nossa Senhora recebeu
e adorou no seu coração a sagrada Eucaristia!
Todas as vezes era para ela como reviver todo o mistério do
seu Filho Jesus: desde a concepção até à ressurreição. O
meu venerado e amado predecessor João Paulo II chamou-lhe
"Mulher eucarística". Aprendamos dela a renovar
continuamente a nossa comunhão com o Corpo de Cristo, para
nos amarmos uns aos outros como Ele nos amou.
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