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Na homilia da Missa em Westminster
O Papa exortou os fiéis a assumirem todas as
responsabilidades do seu compromisso batismal.
18.09.2010 - LONDRES:
A viagem apostólica de Bento XVI ao Reino Unido decorre
inteiramente neste sábado em Londres. Iniciou com reuniões
com o primeiro-ministro, vice-primeiro-ministro e líder da
oposição, prosseguindo com a celebração da eucaristia
na catedral de Westminster, perante milhares de
pessoas que encheram por completo o local.
Entre
os presentes, um pequeno grupo de fiéis da Missão Católica
Portuguesa da capital inglesa.
O Papa
foi acolhido no local por D. Vincent Gerard Nichols,
Arcebispo de Westminster, o coração católico de Londres. D.
Vincent Nichols manifestou a “gratidão” de todos os
presentes pela visita e manifestação “lealdade” e “devoção”
pela figura do Papa.
Bento
XVI iniciou a sua reflexão partindo do fato de esta se
encontrar dedicada ao Preciosíssimo Sangue, “sinal da
misericórdia redentora de Deus derramada no mundo mediante a
paixão, morte e ressurreição do seu Filho, nosso Senhor
Jesus Cristo”. Quem entra neste edifício religioso –
observou – fica impressionado com “o grande crucifixo
que domina a nave, representando o corpo de Cristo esmagado
pelo sofrimento, subjugado pela dor, vítima inocente cuja
morte nos reconciliou com o Pai. Os braços abertos do Senhor
parecem abraçar toda esta igreja, elevando para o Pai a
assembléia dos fiéis congregado à volta do altar do
sacrifício”.
O
sangue de Cristo derramado na sua paixão e que brota do seu
coração trespassado é “o manancial da vida da Igreja”,
como sublinha o evangelista João. Através do seu sofrimento
e morte – como recorda a Carta aos Hebreus – Jesus é
“o mediador de uma nova aliança” no seu sangue, como a
Igreja celebra no sacrifício eucarístico.
“A
realidade do sacrifício Eucarístico sempre esteve no coração
da fé católica. Posto em causa no séc. XVI, foi solenemente
reafirmada no Concílio de Trento, no contexto da nossa
justificação em Cristo. Aqui na Inglaterra… muitos
defenderam incansavelmente a Missa, muitas vezes a caro
preço, dando vida àquela devoção à Santíssima Eucaristia que
tem sido uma característica do catolicismo nestas terras”.
“O
sacrifício Eucarístico do Corpo e Sangue de Cristo
compreende por sua vez o mistério da paixão de nosso Senhor
que continua em cada época nos membros do seu Corpo místico,
a Igreja. O grande crucifixo que aqui nos domina
– observou o Papa – recorda-nos que Cristo, nosso
eterno sumo sacerdote, une quotidianamente os nossos
sacrifícios, os nossos sofrimentos, as nossas necessidades,
esperanças e aspirações aos infinitos méritos do seu
sacrifício”.
Neste
contexto, Bento XVI referiu “os mártires de todos os
tempos”, assim como aqueles “irmãos e irmãs
que ainda hoje sofrem discriminações e perseguições pela sua
fé cristã”, e ainda todos os que unem quotidianamente os
seus sofrimentos aos de Cristo, como os doentes, idosos,
deficientes e todos os que sofrem na mente e no espírito.
“Aqui
penso também nos imensos sofrimentos causados pelo abuso de
crianças, especialmente na Igreja e da parte dos seus
ministros. Exprimo o meu profundo pesar, sobretudo às
vítimas inocentes destes crimes inclassificáveis, juntamente
com a esperança de que o poder da graça de Cristo, o seu
sacrifício de reconciliação, dará às suas vidas profunda paz
e cura.”
Reconheço também, convosco, a vergonha e humilhação que
todos temos sofrido por causa destes pecados. Convido-vos a
oferecê-las ao Senhor, confiando que este castigo
contribuirá para a cura das vítimas, para a purificação da
Igreja e para a renovação da sua secular tarefa de formação
e cuidado dos jovens. “Exprimo a minha gratidão pelos
esforços feitos para enfrentar este problema
responsavelmente, e peço a todos vós que mostreis a vossa
solicitude pelas vítimas e solidariedade para com os vossos
sacerdotes”.
Na
parte final da homilia, ao exortar os fiéis a
assumirem todas as responsabilidades do compromisso
batismal, participando na missão de Cristo, o Papa
referiu expressamente “as intuições e os ensinamentos” de
John Henry Newman:
“Possam as profundas idéias deste grande inglês continuar a
inspirar todos os discípulos de Cristo nesta terra a
conformarem-se com ele em todos os seus pensamentos,
palavras e ações, atuando incansavelmente para defender
aquelas imutáveis verdades morais que, retomadas, iluminadas
e confirmadas pelo Evangelho, estão na base de uma sociedade
verdadeiramente humana, justa e livre”.
Fonte:
Rádio Vaticano.
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