
Papa Bento XVI
O Matrimônio é indissolúvel
entre o homem e a mulher.
07.11.10 – Barcelona:
Bento XVI presidiu a celebração eucarística, neste domingo,
na Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, na Espanha, no
âmbito de sua 18ª Viagem Apostólica Internacional.
O Papa consagrou a Basílica da Sagrada Família, em
construção desde 1882, e recordou, em sua homilia, o
arquiteto espanhol Antoni Gaudí, que projetou esse templo.
Queridos irmãos e irmãs no Senhor,
Neste dia santo para o Senhor teu Deus, não chores...
“A alegria do senhor é a nossa força” (Neemias 8:
9-11). Com a as palavras da primeira leitura que
proclamamos, eu desejo cumprimentar todos vocês que
participam desta celebração.
Estendo meus cumprimentos afetuosos para a majestade o Rei e
a Rainha da Espanha que desejo que sejam um conosco.
Estendo meus cumprimentos de gratidão para o Cardeal Luís
Martínez Sistach, Arcebispo de Barcelona, agradeço as
palavras de boas vindas e por ter me convidado para celebrar
na Igreja da Sagrada Família, uma magnífica obra da
engenharia, arte e fé.
Eu
também cumprimento o Cardeal Ricardo María Carles Gordó,
Arcebispo Emérito de Barcelona, os outros Cardeais presentes
e meus irmãos bispos, especialmente, o bispo auxiliar desta
Igreja local, e aos padres, diáconos, seminaristas,
religiosos e religiosas, e leigos que participam desta
solene cerimônia.
Também
estendo um cumprimento respeitoso para as autoridades
nacionais, regionais e locais presentes. Bem como os membros
das comunidades cristãs que compartilham nossa alegria e
gratidão em Deus.
Hoje
marca uma importante etapa na longa história de esperança,
trabalho e generosidade que transpassa pelos séculos. Queria
neste momento me dirigir com alegria a cada um que foi
promotor para a execução deste trabalho (Igreja Sagrada
Família), os arquitetos, os trabalhadores e todos que
contribuíram generosamente para a construção deste edifício.
Nós lembramos também Antoni Gaudí, um criativo
arquiteto e um cristão praticante que foi a alma e o artesão
deste projeto. Ele manteve a tocha da fé até o fim da vida,
uma vida vivida com dignidade e absoluta austeridade.
Este evento também é dedicado para a terra da Catalonia que
ao longo da história, especialmente, no fim do século XIX
deu com abundância santos, fundadores, mártires e poetas
cristãos. Esta é uma história de santidade, artística e de
criação poética, nascida pela fé, que recolhemos e
presenteamos a Deus no dia de hoje com uma oferta na
Eucaristia.
A alegria que sinto presidindo esta cerimônia se torna maior
quando soube que este santuário, desde o seu início, tinha
uma relação especial com São José.
Eu tenho sido movido pela fé de Gaudí que confiava em São
José, pois em muitas dificuldades que ele tinha ao construir
este santuário ele exclamava: “São José irá terminar
esta Igreja!”. É uma alegria ter sido São José quem
providenciou tudo para a construção deste santuário. Já que
meu nome batismal é José.
Esta
Igreja é fruto da fé e da inteligência humana, que deu
origem a este trabalho de arte. Este é um sinal
visível do Deus invisível, como estas torres que apontam
para a direção da luz, Aquele que é a luz, a luz absoluta e
a beleza em si.
Neste lugar Gaudí desejou unificar as inspirações vinda de
três livros que o alimentou como um homem, como um crente e
como um arquiteto: o livro da natureza, o livro da
Sagrada Escritura e o livro da liturgia. Deste modo,
ele trouxe junta a realidade do mundo e da história da
salvação, como contada na Bíblia e feita nesta presente
liturgia. Ele fez pedras, árvores e a vida humana parte da
Igreja para que toda criação se reúnem em louvor a Deus, mas
ao mesmo tempo ele trouxe imagens sagradas para colocar as
pessoas diante do mistério de Deus reveladas no nascimento,
paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Deste
modo, ele brilhantemente ajudou na construção da nossa
consciência humana, ancorada no mundo ainda aberto a Deus,
iluminado e santificado por Cristo. Nisso, ele realizou uma
das tarefas mais importantes dos nossos tempos: a superação
da divisão entre a consciência humana e da consciência
cristã, entre a vida neste mundo temporal e estar aberto
para a vida eterna, entre a beleza das coisas e Deus como
beleza. Antoni Gaudí fez isto não com palavras mas com
pedras, linhas, planos e pontos. Na verdade, a
beleza é uma das maiores necessidades da humanidade, é a
raiz de onde os galhos da nossa paz e os frutos da nossa
esperança brotam. Beleza também revela de Deus,
porque, como ele, uma obra de beleza é pura gratuidade, que
nos chama à liberdade e que nos afasta do egoísmo.
Temos
dedicado este espaço sagrado a Deus que se revelou e se deu
a nós em Cristo para que definitivamente Deus seja próximo
ao homem. A revelação da Palavra, a humanidade de Cristo e a
sua Igreja são três supremas expressões da sua manifestação
e sua doação para humanidade.
Assim
diz São Paulo na segunda leitura: “Segundo a graça que
Deus me deu, como sábio arquiteto lancei o fundamento, mas
outro edifica sobre ele. Quanto ao
fundamento, ninguém pode pôr outro diverso daquele que já
foi posto: Jesus Cristo”. O Senhor Jesus é a pedra
que suporta o peso do mundo que mantém a coesão da Igreja e
traz junto em ultimato a unidade e toda realização da
humanidade. Nele temos Deus palavra e presença e a Igreja
recebe dele a vida, o ensinamento e a missão.
A
Igreja por si mesma não é nada, ela é chamada a ser sinal e
instrumento de Cristo, na pura docilidade para autoridade
dele e em total serviço para seu mandato. O único Cristo é a
fundação da sua única Igreja. Ele é a rocha que a nossa fé é
construída. Construída na fé, lutemos juntos para mostrar
para o mundo a face de Deus, que é amor e o único que pode
responder nossos anceios.
Esta é
a nossa grande tarefa mostrar um Deus que é paz e não
violência, é o Deus da liberdade e não da coesão, da
harmonia e não da discórdia.
Nesse
sentido, considero que a dedicação da igreja da Sagrada
Família é um evento de grande importância, num momento em
que o homem diz ser capaz de construir sua vida sem Deus,
como se Deus não tinha nada para lhe dizer. Nesta obra,
Gaudí nos mostra que Deus é a verdadeira medida do homem,
que o segredo da autêntica originalidade consiste, como ele
mesmo disse, em voltar a sua origem que é Deus. Gaudí,
abrindo o seu espírito a Deus, foi capaz de criar na cidade
um espaço de fé, beleza e esperança, que conduz o homem ao
encontro com Aquele que é a verdade e a beleza em si.
O
arquiteto expressa seus sentimentos com as seguintes
palavras: "A igreja [é] a única coisa digna de
representar a alma de um povo, pois a religião é a realidade
mais elevada no homem".
Esta
afirmação de Deus traz com ele a suprema afirmação e
proteção da dignidade de cada e de todos os homens e
mulheres: “Não sabeis que sois templo de Deus?... O
templo de Deus é santo, e você é um templo”. ( I Cor
3; 16-17). Aqui encontramos a alegria junto com a verdade e
dignidade de Deus e a verdade e dignidade do homem.
Assim, consagramos o altar da Igreja, que tem Cristo como o
fundador. Nós apresentamos ao mundo um Deus que é amigo dos
homens e convidamos estes homens e mulheres a serem amigos
de Deus. Tocamos nesta realidade no caso de Zaqueu de quem
hoje o evangelho fala (Lucas 19:1-10).
Se permitimos Deus entrar em nossos corações e em nosso
mundo, se permitimos Cristo viver em nossos corações, não
nos arrependeremos. Faremos a experiência da alegria de
compartilharmos sua própria vida que é o objetivo do seu
infinito amor.
A
Igreja surgiu da iniciativa da Associação dos Amigos de São
José, que queriam dedicá-la a Sagrada Família de
Nazaré. O lar formado por Jesus, Maria e José
que sempre foi considerada uma de escola de amor, oração e
trabalho. Os promotores desta Igreja queria promover
o amor no mundo e a vivência na presença de Deus, como a
Sagrada Família vivia. A vida mudou muito e com isso um
enorme progresso foi feito nas esferas técnica, social e
cultural. Nós não podemos simplesmente ficar satisfeitos com
esses avanços. Ao lado deles, há também os que
precisam ser os avanços morais, como na proteção e
assistência às famílias, na medida em que o amor generoso e
indissolúvel entre um homem e uma mulher é o contexto eficaz
e fundamento da vida humana em sua gestação, parto,
crescimento e morte natural. Somente onde o
amor e a fidelidade são a verdadeira liberdade presente pode
nascer e resistir.
Por
esta razão, a Igreja defende adequados meios
econômicos e sociais para que as mulheres possam encontrar
na casa e no trabalho o seu pleno desenvolvimento, que
homens e mulheres que contraem o matrimônio e formar uma
família recebe um apoio decisivo do Estado, que a vida das
crianças pode ser defendida como sagrada e inviolável desde
o momento da sua concepção, que a realidade do nascimento
ser dado o devido respeito e recebem apoio jurídico, social
e legislativa. Por este motivo a Igreja resiste a qualquer
forma de negação da vida humana e dá seu apoio a tudo o que
iria promover a ordem natural na esfera da instituição da
família.
Ao
contemplar com admiração este espaço sagrado de beleza
maravilhosa, de tanta história cheia de fé, peço a Deus que
na terra de testemunhas Catalunha nova da santidade pode
levantar-se e florescer, e apresentar ao mundo o grande
serviço que a Igreja pode e deve oferecer à humanidade:
ser um ícone da beleza divina, uma chama ardente de
caridade, um caminho para que o mundo creia no único que
Deus enviou (cf. Jo 6:29).
Queridos irmãos e irmãs, como eu dedico esta esplêndida
igreja, imploro o Senhor de nossas vidas que, a partir
deste altar, que agora será ungido com óleo santo e sobre a
qual o sacrifício do amor de Cristo vai ser consumido, pode
haver um dilúvio de graça e caridade sobre a cidade de
Barcelona e do seu povo, e sobre todo o mundo. Que
estas águas fecundas encher de fé e vitalidade apostólica
desta arquidiocese da Igreja, seus pastores e seus fiéis.

Por
último, gostaria de elogiar a proteção amorosa da Mãe
de Deus, Maria Santíssima, Rose de Abril, Mãe de
misericórdia, todos os que entram aqui e todos os que por
palavras ou por obras, em silêncio e oração, tem
tornado possível esta maravilhosa arquitetura. Que Nossa
Senhora acolha as alegrias e aflições de todos os que virão
no futuro a este lugar sagrado, para que aqui, como a Igreja
reza quando dedicando edifícios religiosos, os pobres podem
achar graça, da liberdade oprimida verdade e todos os homens
assumir a dignidade de filhos de Deus. Amém.
Fonte:
Boletim da Sala da Imprensa da Santa Sé.
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