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Ângelus do Papa Bento XVI.
"O Anjo do Senhor anunciou a Maria"
18.12.2011 - Cidade do Vaticano:
O Papa
Bento XVI encontrou-se na manhã deste domingo com os fiéis e
peregrinos presentes na Praça São Pedro para a habitual
oração mariana do Angelus. Na alocução que precedeu a
oração, numa manhã fria, típica de inverno, o Santo Padre
recordou que neste quarto e último domingo do Advento, a
liturgia nos apresenta este ano, a narração do anúncio do
Anjo a Maria.
Queridos irmãos e irmãs!
Neste quarto e último domingo do Advento, a liturgia
apresenta-nos a narração do anúncio do Anjo a Maria.
Contemplando o ícone estupendo da Virgem Santa, no momento
em que recebe a mensagem divina e dá a sua resposta, somos
interiormente iluminados pela luz de verdade que emana,
sempre nova, daquele mistério. Em particular, gostaria
de deter-me brevemente na importância da virgindade de
Maria, no fato de que Ela concebeu Jesus permanecendo
virgem.
No
pano de fundo do acontecimento de Nazaré está a profecia de
Isaías. "Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e
o chamará Deus Conosco" (Is
7,14). Essa antiga promessa encontrou cumprimento
superabundante na Encarnação do Filho de Deus. De fato, não
somente a Virgem Maria concebeu, mas o fez por obra do
Espírito Santo, isto é, de Deus mesmo. O ser humano que
começa a viver no seu ventre partilha da carne de Maria, mas
a sua existência deriva totalmente de Deus. É plenamente
homem, feito de terra – para usar o símbolo bíblico –, mas
vem do alto, do Céu.
O fato de que Maria conceba permanecendo virgem é, portanto,
essencial para o conhecimento de Jesus e para a nossa fé,
porque testemunha que a iniciativa foi de Deus e, sobretudo,
revela
quem
é o concebido.
Como diz o Evangelho: "Por isso o ente santo que
nascer de ti será chamado Filho de Deus" (Lc
1,35). Nesse sentido,
a
virgindade
de Maria e a
divindade
de Jesus se garantem reciprocamente.
Eis
porque é tão importante aquela única pergunta que Maria,
"muito perturbada", dirige ao Anjo: "Como se fará
isso, pois não conheço homem?" (Lc
1,34). Na sua simplicidade, Maria é sapientíssima: não
duvida do poder de Deus, mas quis compreender melhor a sua
vontade, para configurar-se completamente a essa vontade.
Maria é infinitamente superada pelo Mistério, mesmo que
ocupe perfeitamente o lugar que, ao centro desse, lhe foi
dado. O seu coração e a sua mente são plenamente
humildes, e, exatamente pela sua singular humildade,
Deus espera o "sim" dessa jovem para realizar o seu projeto.
Respeita a sua dignidade e a sua liberdade. O "sim" de Maria
implica o conjunto de maternidade e virgindade, e deseja que
tudo n'Ela dirija-se para a glória de Deus, e para que o
Filho que nascerá d'Ela possa ser todo dom de graça.
Queridos amigos, a virgindade de Maria é única e irrepetível;
mas o seu significado espiritual diz respeito a cada
cristão. Esse, substancialmente, está ligado à fé:
de fato,
quem
confia profundamente
no amor de Deus, acolhe
em si a Jesus,
a sua vida divina,
pela ação do Espírito Santo. É esse o mistério do Natal!
Desejo a todos vós que o vivam com íntima alegria.
Fonte:
Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.
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