
Mensagem de S.S. O Papa Bento XV
em ocasião do
XIX Dia Mundial do Enfermo.
18.12.10 - Cidade do Vaticano:
O Papa Bento XVI enviou neste sábado, 18, uma mensagem em
ocasião do XIX Dia Mundial do Enfermo, que acontecerá no dia
11 de fevereiro de 2011, em memória da Bem Aventurada Virgem
de Lourdes.
“Por
suas chagas fostes sarados”
(1Pd 2, 24.)
Queridos irmãos e irmãs!
Todo
ano, em memória da Beata Virgem de Lourdes, que se celebra
no dia 11 de fevereiro, a Igreja propõe o Dia Mundial do
Doente. Tal circunstância, como queria o venerável
João Paulo II, torna-se ocasião propícia para refletir sobre
o mistério do sofrimento e, sobretudo, para render
mais sensibilidade às nossas comunidades e à sociedade civil
em relação aos nossos irmãos e irmãs doentes;
Se cada homem é nosso irmão, ainda mais o fraco, o sofredor
e o necessitado de cuidados devem ser centro da nossa
atenção, para que nenhum deles se sinta esquecido ou
marginalizado;
de fato, a medida da humanidade se determina essencialmente
na relação com o sofrimento e os sofredores.
Isso vale para o singular como para a sociedade. “Uma
sociedade que não consegue aceitar os sofrimentos e não é
capaz de contribuir, mediante a compaixão, para garantir que
o sofrimento seja compartilhado e levado também
interiormente, é uma sociedade cruel e desumana”
(Carta Encíclica. Spe Salvi, 38).
As
iniciativas que serão promovidas nas singulares Dioceses em
ocasião deste Dia, sejam de estímulo e redenção sempre mais
eficaz no cuidado para com os que sofrem, na perspectiva
também a celebração em modo solene, que se realizará em 2013
no Santuário mariano de Altötting, na Alemanha.
1.
Tenho também no coração o momento no qual, no curso da
visita pastoral em Torino, pude refletir e rezar diante do
Santo Sudário, diante daquele envolto de sofrimento,
que nos convida a meditar sobre Aquele que suportou sobre si
a paixão do homem de cada tempo e lugar, também os nossos
sofrimentos, as nossas dificuldades, e os nossos pecados.
Quantos fiéis, no curso da história, passaram diante daquele
pano sepulcral, que envolveu o corpo de um homem
crucificado, que em tudo corresponde aquilo que o Evangelho
nos transmite sobre a paixão e morte de Jesus!
Contemplar-lo é um convite a refletir sobre aquilo que
escreve São Pedro:
“Por suas chagas fostes
sarados” (1Pd 2, 24 ).
O Filho de Deus sofreu,
morreu, mas ressuscitou, e propriamente por isso aquelas
feridas tornam-se o sinal da nossa redenção, do perdão e da
reconciliação com o Pai; tornam-se, porém, também um teste
para a fé dos discípulos e para a nossa fé:
cada
vez que o Senhor fala da sua paixão e morte, esses não
compreendem, recusam, se opõem.
Para eles, como para nós, o sofrimento permanece sempre
carregado de mistério, difícil de aceitar e carregar.
Os dois discípulos de Emaus caminham tristes por causa
dos eventos ocorridos naqueles dias em Jerusalém, e somente
quando o Ressuscitado percorre a estrada com eles, se abrem
a uma visão nova (Lc 24,13-31).
Também
o apóstolo Tomás mostra a dificuldade de crer na via da
paixão redentora: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal
dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu
lado, de modo algum acreditarei” (Jo 20:25)
Mas
diante de Cristo que mostra as suas chagas, a sua resposta
se transforma em uma comovente profissão de fé: Meu
Senhor e meu Deus! (Jo 20:28).
Aquilo que antes era um obstáculo intransponível, pois era
sinal do aparente falecimento de Jesus, torna-se no encontro
com o Ressuscitado, a prova de um amor vitorioso:
“Somente um Deus que nos ama ao ponto de tomar sobre si
as nossas feridas e nossa dor, sobretudo a dor inocente, é
digno de fé” (Mensagem
Urbi et Orbi, Páscoa de 2007).
2.
Queridos doentes e sofredores,
é propriamente por meio
das feridas de Cristo
que podemos ver, com os olhos da esperança, todos os males
que afligem a humanidade.
Ressurgindo, o Senhor não tirou o sofrimento e o mal do
mundo, mas venceu as raízes. Combatendo a arrogância do mal
com a onipotência do seu amor. Nos indica, então, que a via
da paz e da alegria é o Amor: “Como
eu
vos amei,
amai-vos também uns aos outros” (Jo
13,34).
Cristo, vencedor da morte, está vivo em meio a nós. E como
São Tomás, digamos também: “Meu Senhor e meu Deus!”,
sigamos nosso Mestre na disponibilidade de gastar a
vida para os nossos irmãos (cf. 1Jo 3,16 ),
tornando-nos mensageiros de uma alegria que não teme a dor,
a alegria da Ressurreição.
São
Bernardo afirma: “Deus não pode padecer, mas pode
simpatizar”. Deus, a Verdade e o Amor em pessoa,
quis sofrer por nos e conosco; se fez homem para poder
compartir com o homem, de modo real, em carne e sangue.
Em cada sofrimento humano, então, está Aquele que
condivide o sofrimento e a resistência; em cada sofrimento
se difunde
consolatio, a consolação do amor participante
de Deus para surgir a estrela da esperança (Cf.
Carta Encíclica. Spe
Salvi, 39).
A vós,
queridos irmãos e irmãs, repito esta mensagem, para
que testemunhem
por meio do vosso sofrimento, a vossa vida e da vossa fé.
3.
Olhando para nosso encontro em Madri, em agosto de 2011,
para a Jornada Mundial da Juventude, gostaria também de
enviar um pensamento especial aos jovens, especialmente
àquele que com eles vivem a esperança da doença.
Frequentemente a Paixão,
a Cruz de Jesus causam medo, porque parecem ser a negação da
vida. Na realidade, é exatamente o contrário! A Cruz é o
“sim” de Deus ao homem, a expressão mais alta e mais intensa
do seu amor e a fonte de onde brota a vida eterna.
Do
coração transpassado de Jesus frota esta vida divina.
Somente Ele é capaz de libertar o mundo do mal e é capaz de
fazer crescer o seu Reino de justiça, paz e amor ao qual
todos aspiram (cfr
Mensagem para a Jornada Mundial da Juventude 2011,
3).
Queridos Jovens, aprendam a “ver” e a “encontrar”
Jesus na Eucaristia, onde está presente de
modo mais real para nós, afim de se fazer alimento
para o caminho, mas saibam reconhecer-lo e servir-lo também
nos pobres, nos doentes, nos irmãos sofredores e nas
dificuldades, que precisam da vossa ajuda (cfr
ibid., 4).
A todos vocês jovens, doentes e saudáveis,
repito o convite a criar pontes de amor e solidariedade,
para que nenhum se sinta só, mas perto de Deus e parte da
grande família dos filhos seus (cfr
Audiência Geral, 15 de novembro de 2006).
4.
Contemplando as chagas de Jesus, o nosso olhar se
volta ao seu Santíssimo Coração, no qual se manifesta a
expressão maior do amor de Deus. O Sagrado
Coração é Jesus crucificado, com o lado aberto pela lança da
qual jorra sangue e água (cfr Jo
19,34), “símbolo dos sacramentos da Igreja,
porque todos os homens, atraídos ao Coração do Salvador,
alcancem com alegria a fonte perene da salvação” (Missal
Romano, Prefácio da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus).
Especialmente vocês, caros doentes, sentem a proximidade
deste Coração carregado de amor e descrevem com fé e com
alegria tal fonte, orando: “Água da ferida de Cristo,
lava-me. Paixão de Cristo, fortifica-me. Oh bom Jesus,
responda-me. Em suas feridas, abrigo-me”
(Oração de São Inácio de Loyola).
5.
Ao terminar esta minha Mensagem para o próximo Dia Mundial
do Doente, desejo exprimir o meu afeto a todos e a cada um,
sentindo-me participar dos sofrimentos e das esperanças que
vivem cotidianamente em união com Cristo crucificado e
ressuscitado, para que vos doa a paz e a cura no coração.
Junto a Ele, e ao lado de vocês, a Virgem Maria, que
envocamos com confiança a
Saúde dos enfermos e
Consoladora dos sofrimentos.
Aos pés da Cruz se realiza para ela a profecia
de Simão: o seu coração de Mãe foi transpassado
(cfr Lc
2,35).
Do
abismo de sua dor, participação àquela do Filho, Maria foi
capaz de acolher sua nova missão: se tornar a Mãe de Cristo
nos seus membros. Na hora da Cruz, Jesus lhe apresenta cada
um de seus discípulos dizendo-lhe: “Eis teu filho”
(Jo,26-27). A compaixão materno para com o Filho, torna-se
compaixão materna para com cada um de nós nos nossos
cotidianos sofrimentos (cfr
Homilia feita em Lourdes,
15 de setembro de 2008).
Queridos irmão e irmãs,
este
Dia Mundial do Doente, convida também as Autoridades, afim
que invistam sempre mais energias nas estruturas sanitárias
que são de ajuda e de sustento aos sofredores, sobretudo,
aos pobres e necessitados, e, voltando o meu
pensamento a todas as Dioceses, envio uma afetuosa saudação
aos Bispos, aos sacerdotes, às pessoas consagradas, aos
seminaristas, aos operadores sanitários, aos voluntários, e
a todos aqueles que dedicam com amor ao cuidar e aliviar os
sofrimentos de cada irmão e irmã doente, nos hospitais ou
casa de repouso, nas famílias: nos vultos dos doentes sabeis
ver sempre o Vulto dos vultos: aquele de Cristo.
A
todos asseguro a minha recordação nas orações, enquanto
concedo, a cada um, uma especial Benção Apostólica.
Fonte:
Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé
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