
Raniero,
deixa a última pregação
do Advento ao Papa Bento XVI
Maria, mãe e modelo do sacerdote.
18.12.09: Frei Raniero
Cantalamessa mostra a relação especial que há entre Maria e
o sacerdote.
Este foi o tema abordado por
frei
Raniero Cantalamessa na terceira e última
pregação de Advento ao Papa Bento XVI e aos membros da Cúria
Romana, na Capela “Redemptoris Mater”, no Vaticano.
O pregador da Casa Pontifícia se deteve sobre a ligação
especial que une Maria e os sacerdotes, chamados a viverem e
doarem com alegria a fé em Cristo.
Qual é a relação entre Maria e o sacerdote? Quais relações
existem entre a maternidade de Maria e o sacerdócio
apostólico? Frei Raniero Cantalamessa partiu destas
perguntas em sua última pregação de Advento e também indicou
uma forte analogia entre Maria e o sacerdote:
"Maria, por obra do Espírito Santo, concebeu Cristo e,
depois de tê-lo nutrido e carregado em seu ventre, deu à luz
em Belém; o sacerdote, ungido e consagrado pelo Espírito
Santo na ordenação, é chamado também ele a preencher-se de
Cristo para depois dar a luz e fazê-lo nascer nas almas
mediante o anúncio da palavra, da administração dos
sacramentos".
Se esta é portanto uma analogia no plano objetivo, da graça,
destacou, há também uma analogia no plano subjetivo. E
sublinhou que o sacerdote "Não pode limitar-se a
transmitir aos outros um Cristo que aprendeu nos livros que
não se tornou carne de sua carne e sangue do seu sangue":
"A
relação pessoal, comum a Maria e ao sacerdote, se resume na
fé. Maria, escreve Agostinho, por fé concebeu e por fé deu à
luz!
(fide
concepit, fide peperit); também o sacerdote pela fé leva
Cristo em seu coração e mediante a fé o comunica aos
outros".
Frei Cantalamessa se deteve assim sobre o "sim" de Maria a
Deus, que não foi, certamente, um ato de fé fácil.
"Maria se encontrou em uma solitude absoluta. Quem poderia
dizer aquilo que ela sabe? Aquilo que aconteceu? Não há em
quem confiar a não ser em Deus. E Maria, como toda
adolescente em Israel que estava se aproximando do
casamento, sabia bem o que estava escrito na lei de Moisés,
no Deuteronômio - capítulo 22, e isto é, que se descobrissem
que a moça no dia das bodas não era virgem devia ser levada
para a porta da casa paterna e apedrejada pelo povo do
vilarejo”.
Deus – destaca frei Cantalamessa – "não tira nunca as
criaturas dos consensos, escondendo-lhes as conseqüências”.
O vemos em todos os grandes chamados de Deus. E lembra que
Simeão dirá a Maria que uma espada lhe traspassaria a alma.
Então Maria se coloca diante de nós como modelo que se doa
com alegria. "Maria disse amém a Deus, um amém total,
com todo o significado que esta palavra tem na Bíblia, ao
ponto que Deus se torna o amém: 'Eu, Pai, porque assim é do
vosso agrado'. Maria disse verdadeiramente um pleno 'sim' a
Deus, de tal maneira que pode abraçar a vontade de toda a
humanidade. Naquele momento representava todos nós.
Portanto, a fé de Maria, veneráveis padres e irmãos, é um
ato de amor, de docilidade e livre, porque Deus quer só atos
livres, mesmo que suscitados pela graça de Deus”.
E reafirma que, como evidenciado pelo Concílio Vaticano II,
a grandeza de Maria é a fé. Maria caminhou na fé, progrediu
nela. Portanto todos “devem e podem imitar Maria em
sua fé, mas de maneira toda especial deve fazê-lo o
sacerdote”.
“O que os fiéis colhem imediatamente em um sacerdote e em um
pastor, é se este crê - se crê naquilo que diz e naquilo que
celebra. Quem, do sacerdote busca antes de tudo Deus,
percebe logo; quem não busca dele Deus, pode ser facilmente
enganado e induzido ao engano. O próprio sacerdote,
fazendo-o sentir importante, brilhante, ao passo com os
tempos, enquanto que, na realidade, é um 'bronze que soa e
um címbalo que retine'",
acentuou.
O pregador da Casa Pontifícia comentou, portanto, que há
duas brevíssimas palavras que Maria pronunciou no momento da
anunciação que são ditas pelo sacerdote no momento de sua
ordenação: “Eis me aqui” e “Amem”. Exatamente
deste “sim”, deste “Amém” deve partir o sacerdote:
“A
renovação espiritual do sacerdócio católico, desejado pelo
Santo Padre, será proporcionado pelo deslanche com o qual
cada um de nós, sacerdotes e bispos da Igreja, seremos
capazes de pronunciar de novo um alegre: 'Eis-me aqui' e
'Sim, eu quero!', fazendo reviver a unção recebida na
ordenação. Jesus entrou no mundo dizendo: “Eis, que venho,
para fazer, ó Deus, a vossa vontade!' (Hb 10, 7). Nós o
acolhemos, neste Natal, com as mesmas palavras: 'Eis, que
venho, Senhor Jesus, para fazer vossa vontade!”.
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