|

Ângelus do Papa Bento XVI
JESUS FAZ JUSTIÇA AOS POBRES E OPRIMIDOS
14/02/2010: Cidade do Vaticano,
O
Santo Padre – após a visita da manhã deste domingo ao Centro
da Caritas diocesana de Roma, na Estação Termini – ao
meio-dia assomou à janela de seus aposentos que dá para a
Praça São Pedro, para rezar com os milhares de fiéis,
peregrinos e turistas presentes na praça, a tradicional
oração mariana do Ângelus.
Na
alocução que precedeu a oração dominical, o papa deteve-se
sobre a liturgia deste domingo comentando o Evangelho das
Bem-aventuranças. De fato, referindo-se à leitura do
Evangelho de Lucas (6, 20-26), Bento XVI ressaltou que Jesus
se deteve com os Doze num lugar plano e onde se reuniram
outros discípulos e pessoas vindas de todos os lugares para
ouvi-lo.
Erguendo então os olhos para os seus discípulos, disse:
"Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino
de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque
sereis saciados. Bem-aventurados vós, que agora chorais,
porque haveis de rir. Bem-aventurados sereis quando os
homens vos odiarem, quando vos rejeitarem, insultarem e
proscreverem vosso nome como infame, por causa do Filho do
homem."
Por
que os chama bem-aventurados? – perguntou-se o papa:
"Porque a justiça de Deus fará de modo que eles sejam
saciados, alegrados, ressarcidos por toda falsa acusação,
numa palavra, porque os acolhe desde já no seu reino. As
bem-aventuranças se baseiam no fato que existe uma justiça
divina, que eleva quem foi injustamente humilhado e rebaixa
quem se exaltou (cfr Lc 14, 11). De fato, o evangelista
Lucas, após os quatro "bem-aventurados vós", acrescenta
quatro advertências: "ai de vós, ricos... ai de vós, que
agora estais saciados,... ai de vós, que agora rides" e "ai
de vós, quando todos vos bendisserem", porque, como afirma
Jesus, as coisas serão invertidas, os últimos se tornarão
primeiros, e os primeiros últimos (cfr Lc 13,30)."
"Essa
justiça e essa bem-aventurança – explicou – se realizam no
"Reino dos céus"... que terá o seu cumprimento no fim dos
tempos, mas que já está presente na história. Onde os pobres
são consolados e admitidos ao banquete da vida". De fato,
"ali se manifesta já agora a justiça de Deus".
O
papa, encorajando aqueles que em todas as partes do mundo se
empenham gratuitamente em obras de justiça e de amor,
recordou que exatamente ao tema da justiça dedicou a sua
Mensagem para a Quaresma, que terá início na próxima
quarta-feira: e convidou todos a lerem e a sua Mensagem e a
meditarem sobre ela:
"O
Evangelho de Cristo responde positivamente às expectativas
de justiça do homem, mas de modo inesperado e surpreendente.
Ele não propõe uma revolução de tipo social e política, mas
a revolução do amor, que já realizou com a sua Cruz e a sua
Ressurreição. Sobre elas se fundam as bem-aventuranças, que
propõem o novo horizonte de justiça inaugurado pela Páscoa,
graças à qual podemos nos tornar justos e construir um mundo
melhor."
Em
seguida, elevou a sua oração à Virgem Maria que todas as
gerações proclamam "bem-aventurada", porque acreditou na boa
notícia que o Senhor lhe anunciou:
"Deixemos-nos conduzir por ela no caminho da Quaresma, para
nos livrarmos da ilusão da autossuficiência, para
reconhecermos que precisamos de Deus, da sua misericórdia, e
entrarmos assim no seu Reino de justiça, de amor e de paz."
Após a
oração do Ângelus, o papa dirigiu suas felicitações
às populações da Ásia, mas não só, pensando em particular na
China e no Vietnã, que celebram neste domingo o final do ano
lunar:
"São
dias de festa, que aqueles povos vivem como ocasião
privilegiada para reforçar os vínculos familiares e de
gerações. Desejo a todos que mantenham e cresçam a rica
herança de valores espirituais e morais, que se arraigam
firmemente na cultura daqueles povos."
Dirigindo-se, em várias línguas, aos diversos grupos de
fiéis e peregrinos presentes, saudou os poloneses recordando
a festa de hoje dos santos Cirilo e Metódio, padroeiros da
Europa.
Falando aos de língua portuguesa, eis o que disse:
"A
minha saudação estende-se também aos peregrinos de língua
portuguesa, nomeadamente ao Senhor Cardeal Dom José
Policarpo com os seus fiéis do Patriarcado de Lisboa, a quem
agradeço a visita de hoje e a oração diária pelo Sucessor de
Pedro. Possam irradiar a santidade de Cristo pelos caminhos
da vida, particularmente no seio da família e comunidade
cristã, que de coração abençôo."
O
Santo Padre concedeu a todos a sua bênção apostólica.
Fonte:
Rádio Vaticano.
|