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A CATEQUESE
DO PAPA.
Atualidade e "força profética" do testemunho do Santo Cura
de Ars sublinhadas por Bento XVI na audiência geral desta
quarta-feira, com milhares de fiéis, em Castel Gandolfo
“Captar a força profética”
do Cura de Ars, sem o reduzir a mera expressão de
espiritualidade devocionista do século XIX: pediu Bento XVI,
na audiência geral, em Castel Gandolfo, perante milhares de
fiéis congregados no pátio interior da residência papal ou
apinhados na praça fronteiriça, por falta de espaço dentro.
Nos
150 anos da morte de João Maria Vianney, Bento XVI evocou em
breves traços a sua existência humana e sacerdotal.
“Nascido a 8 de Maio de 1786 de uma família pobre de bens
materiais, mas rica de fé, chegou à ordenação presbiteral
após muitas vicissitudes e incompreensões, graças à ajuda de
sacerdotes sapientes que não se detiveram a considerar
apenas os seus limites humanos, mas souberam olhar mais
longe, intuindo o horizonte de santidade que se perfilava
naquele jovem verdadeiramente singular, que sempre
manifestou uma elevadíssima consideração pelo dom recebido.
No
serviço pastoral, tão simples como também
extraordinariamente fecundo, este anônimo pároco de uma
longínqua aldeia do sul da França conseguiu de tal modo
identificar-se com o seu ministério que se tornou, mesmo de
uma maneira visivelmente reconhecível, imagem do Bom Pastor
que dá a vida pelas suas ovelhas.
A sua existência foi uma catequese viva que adquiria uma
eficácia particularíssima quando as pessoas o viam celebrar
a Missa, deter-se em adoração diante do Tabernáculo ou
passar muitas horas no confessionário. Ele reconhecia na
dedicação ao sacramento da Penitência o cumprimento natural
do apostolado sacerdotal
– sublinhou o Papa, que prosseguiu observando que os métodos
pastorais de S. João Maria Vianney poderiam parecer pouco
adaptados às atuais condições sociais e culturais.
Como
as poderia de fato imitar um padre hoje em dia, num mundo
tão mudado? Se é verdade que mudam os tempos e muitos
carismas são típicos da pessoa, irrepetíveis, há contudo um
estilo de vida e uma aspiração de fundo que todos somos
chamados a cultivar. Bem vistas as coisas, o que fez
do Cura de Ars um santo, foi o ser enamorado de Cristo
– observou Bento XVI .
“O verdadeiro segredo do seu sucesso pastoral foi o amor que
nutria pelo mistério eucarístico - anunciado, celebrado e
vivido – que se tornou em amor pelas ovelhas de Cristo, dos
cristãos e das pessoas que procuram a Deus”.
Há que
não reduzir a figura de São João Maria Vianney a um exemplo,
ainda que admirável, da espiritualidade devocionista do
século XIX – advertiu o Papa:
“É preciso, pelo contrário, captar a força profética
que caracterizava a sua personalidade humana e sacerdotal e
que é de altíssima atualidade. A 150 anos da morte, o
testemunho do Santo Cura de Ars continua a ser um válido
ensinamento para os padres e para todos nós”.
Imitando-o, os padres devem cultivar e fazer crescer, dia
após dia, uma íntima união pessoal com Cristo e devem
ensinar a todos esta união, esta amizade íntima com Cristo.
“Só os enamorados de Cristo podem tocar o coração das
pessoas e abri-las ao amor misericordioso do Senhor”.
Bento
XVI concluiu a catequese da audiência geral desta
quarta-feira, a primeira deste Verão, em Castel Gandolfo,
convidando a rezar “para que, por intercessão de São
João Maria Vianney, Deus conceda santos sacerdotes à sua
Igreja” e “para que cresça nos fiéis o desejo de sustentar e
coadjuvar o seu ministério.
Presente uma boa representação de fiéis de língua
portuguesa, de Portugal e do Brasil, a quem o Santo Padre
dirigiu uma saudação: “Amados peregrinos de língua
portuguesa, sede bem-vindos! A todos saúdo com grande afeto
e alegria, nomeadamente aos grupos que vieram de Palhaça e
do Brasil com o desejo de encontrar o Sucessor de Pedro. Com
votos de que vossas existências sejam uma catequese vivente
como foi a vida do santo Cura d'Ars, desça sobre vós, vossas
famílias e comunidades a minha Bênção”.
Fonte:Rádio Vaticano.
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