|

Fiéis se reuniram no Circo Máximo de Roma para homenagear o
Papa que neste domingo será beatificado (Foto: Antonio
Calanni/ AP Foto)
Vigília para lembrar João Paulo II reuniu 200 mil pessoas em
Roma.
30/04/2011: Depois da vigília, fiéis se dirigiram a oito
igrejas que ficarão abertas. Cerimônia de beatificação
começa às 5h (horário de Brasília).
Em uma
noite que lembrava as grandes vigílias presididas por João
Paulo II, cerca de 200 mil pessoas se reuniram neste sábado
no Circo Máximo de Roma para homenagear o papa Karol Wojtyla,
que neste domingo será proclamado beato.
"Ele
já era santo em vida", afirmou emocionado Joaquín Navarro
Valls, o espanhol que durante 22 anos foi seu porta-voz e
que neste sábado, ao lado do antigo secretário particular
Stanislaw Dziwisz, homenageou Wojtyla junto a dezenas de
milhares de fiéis de vários países.

Navarro definiu a vida de João Paulo II como "uma obra
prima" e afirmou que mostrou aos jovens o "significado
do amor".
Já
Stanislaw Dziwisz revelou que só viu o papa polonês bravo
duas vezes. A primeira foi em Agrigento, sul da Itália,
quando levantou a voz contra a máfia e a outra durante um
angelus no Vaticano nos dias anteriores à primeira guerra do
Iraque.
"Digo
não à guerra, ela não resolve nada. Eu vivi a guerra e sei o
que é", afirmou João Paulo II, cujas palavras foram
recordadas por seu secretário e atual cardeal da Cracóvia
(Polônia), que acrescentou: "Ele tinha razão, aquela guerra
não resolveu nada".
A
vigília também contou com o discurso da freira francesa
Marie Simon Pierre, de 51 anos, cuja cura do Mal de
Parkinson que sofria, de maneira inexplicável para a
ciência, abriu as portas para a beatificação de Karol
Wojtyla. A religiosa destacou sua "humildade, força e
coragem", bem como seu "exemplo para aceitar o sofrimento".
"João
Paulo II estava junto dos fracos, dos pobres, dos pequenos.
Era um defensor da vida, da família, da paz",
disse a freira, que fez um apelo para que a França não perca
as raízes cristãs.
O
vigário de Roma, Agostino Vallini, afirmou que da vida de
Wojtyla "aprendemos o testemunho da fé, uma fé
arraigada e forte, livre de medos e de compromissos,
coerente até o último suspiro, forjada pelas provações, o
cansaço e a doença".
Apesar
da chuva que caiu durante a tarde, os fiéis encheram o Circo
Máximo, iluminado com dezenas de milhares de velas trazidas
pelos participantes.
A
vigília começou com um vídeo do ano 2000 de João Paulo II
durante a Jornada Mundial da Juventude de Roma e prosseguiu
com o canto de "Jesus Christ you are my life", interpretado
pelo Coro de da Diocese de Roma e da Orquestra do
Conservatório de Santa Cecilia
Em
seguida, foi feita uma conexão com cinco santuários aos
quais o papa era muito ligado: o de Nossa Senhora de
Guadalupe, no México; Fátima em Portugal; Lagniewniki na
Polônia, Kawekamo-Bugando na Tanzânia e Notre Dame do
Líbano.
"Se
vê, se sente, o papa está presente", cantaram os milhares de
fiéis reunidos no santuário mexicano.
A
vigília foi dividida em duas partes. A primeira, a
"Celebração da Memória", começou com uma procissão de 30
jovens romanos com tochas que homenagearam a imagem de Maria
Salus Populi Romani, a patrona de Roma, presente no ato,
seguida pelos discursos de Navarro Valls, Marie Simon Pierre
e Dziwisz.
A
segunda parte foi a "Celebração dos Mistérios Luminosos do
Santo Rosário", que foram introduzidos por João Paulo II
durante seu Pontificado. O rosário foi recitado em conexão
direta com os santuários aos quais Wojtyla era relacionado.
Em
Guadalupe as orações foram pela esperança e a paz dos povos,
em Fátima, pela Igreja; em Lagniewniki, pelos jovens; em
Kawekamo-Bugando, pela família; e em Notre Dame do Líbano,
pela evangelização.
Ao
final, o papa Bento XVI deu a bênção apostólica do Vaticano.
Depois
do encerramento da vigília, os fiéis se dirigiram a oito
igrejas de Roma que ficarão abertas por toda a noite na
chamada "Notte bianca di preghiera" (noite branca das
orações).
Às
5h30 do horário local (meia-noite de Brasília) deste
domingo, será aberto o acesso à Praça de São Pedro, onde às
10h (5h de Brasília) começará a cerimônia de beatificação,
presidida por Bento XVI.
Fonte:
G1.
|