
BÊNÇÃO URBI ET ORBI.
Mensagem de Natal de S. S. Bento XVI - 2010
25.12.2010 -
Cidade do Vaticano: -
Ao meio-dia deste
sábado Bento XVI assomou ao Balcão central da Basílica
Vaticana para a tradicional Mensagem natalina e a oração "Urbi
et Orbi" (à cidade de Roma e ao mundo).
"Verbum caro factum
est – o Verbo fez-Se carne"
(Jo 1,
14).
Queridos irmãos e irmãs, que me ouvis em Roma e no mundo
inteiro, é com alegria que vos anuncio a mensagem do Natal:
Deus fez-Se homem, veio habitar no meio de nós.
Deus não está
longe: está perto, mais ainda, é o
"Emanuel", Deus conosco.
Não é um desconhecido:
tem um rosto, o rosto de Jesus.
Trata-se de uma mensagem sempre nova, que não cessa de
surpreender,
porque ultrapassa a nossa esperança mais ousada.
Sobretudo porque não se trata apenas de um anúncio: é
um acontecimento, um fato sucedido, que testemunhas
credíveis viram, ouviram, tocaram na Pessoa de Jesus de
Nazaré! Permanecendo com Ele, observando os seus
atos e escutando as suas palavras, reconheceram em Jesus o
Messias; e, ao vê-Lo ressuscitado, depois que fora
crucificado, tiveram a certeza de que Ele, verdadeiro homem,
era simultaneamente verdadeiro Deus, o Filho unigênito vindo
do Pai, cheio de graça e de verdade (cf.
Jo 1, 14).
"O
Verbo fez-Se carne".
Fitando esta revelação, ressurge uma vez mais em nós a
pergunta: Como é possível? O Verbo e a carne são
realidades opostas entre si;
como pode a Palavra
eterna e onipotente tornar-se um homem frágil e mortal? Só
há uma resposta possível: o Amor.
Quem ama quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido, e
a Sagrada Escritura apresenta-nos precisamente a grande
história do amor de Deus pelo seu povo, com o ponto
culminante em Jesus Cristo.
Na
realidade,
Deus não muda: mantém-se fiel a Si mesmo.
Aquele que criou o mundo é o mesmo que chamou Abraão e
revelou o seu próprio Nome a Moisés: Eu sou Aquele que
sou… o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó… Deus
misericordioso e compassivo, cheio de amor e fidelidade
(cf. Ex
3, 14-15; 34, 6).
Deus não muda: Ele é
Amor, desde sempre e para sempre. Em Si
mesmo, é Comunhão, Unidade na Trindade, e cada obra e
palavra sua tem em vista a comunhão. A encarnação é o
ápice da criação. Quando no ventre de Maria, pela
vontade do Pai e a ação do Espírito Santo, se formou Jesus,
Filho de Deus feito homem, a criação atingiu o seu
vértice. O princípio ordenador do universo, o
Logos,
começava a existir no mundo, num tempo e num espaço.
"O
Verbo fez-Se carne".
A luz desta verdade manifesta-se a quem a acolhe com fé,
porque é um mistério de amor.
Somente aqueles que se
abrem ao amor, são envolvidos pela luz do Natal.
Assim sucedeu na noite de Belém, e assim é hoje
também. A encarnação do Filho de Deus é um
acontecimento que se deu na história, mas ao mesmo tempo
ultrapassa-a. Na noite do mundo, acende-se uma luz nova, que
se deixa ver pelos olhos simples da fé, pelo coração manso e
humilde de quem espera o Salvador. Se a verdade fosse apenas
uma fórmula matemática, em certo sentido impor-se-ia por si
mesma. Mas, se
a Verdade é Amor, requer a fé, o "sim" do nosso coração.
E que
procura, efetivamente, o nosso coração, senão uma Verdade
que seja Amor?
Procura-a a criança, com as suas perguntas tão desarmantes e
estimuladoras; procura-a o jovem, necessitado de encontrar o
sentido profundo da sua própria vida; procuram-na o homem e
a mulher na sua maturidade, para orientar e sustentar os
compromissos na família e no trabalho; procura-a a pessoa
idosa, para levar a cumprimento a existência terrena.
"O
Verbo fez-Se carne".
O anúncio do Natal é luz também para os povos, para o
caminho coletivo da humanidade. O "Emanuel", Deus
conosco, veio como Rei de justiça e de paz. O
seu Reino – bem o sabemos – não é deste mundo,
e todavia é mais importante do que todos os reinos deste
mundo. É como o fermento da humanidade: se faltasse,
definhava a força que faz avançar o verdadeiro progresso, o
impulso para colaborar no bem comum, para o serviço
desinteressado do próximo, para a luta pacífica pela
justiça.
Acreditar em Deus, que quis compartilhar a nossa história, é
um constante encorajamento a comprometer-se com ela,
inclusive no meio das suas contradições; é
motivo de esperança para todos aqueles cuja dignidade é
ofendida e violada, porque Aquele que nasceu em Belém veio
para libertar o homem da raiz de toda a escravidão.
A luz
do Natal resplandeça novamente naquela Terra onde Jesus
nasceu, e inspire Israelitas e Palestinos na busca de uma
convivência justa e pacífica. O anúncio consolador da vinda
do Emanuel mitigue o sofrimento e console nas suas provas as
queridas comunidades cristãs do Iraque e de todo o Oriente
Médio, dando-lhes conforto e esperança no futuro e animando
os Responsáveis das nações a uma efetiva solidariedade para
com elas. O mesmo suceda também em favor daqueles que, no
Haiti, ainda sofrem com as consequências do terramoto
devastador e com a recente epidemia de cólera. Igualmente
não sejam esquecidos aqueles que, na Colômbia e na
Venezuela, mas também na Guatemala e na Costa Rica, sofreram
recentemente calamidades naturais.
O
nascimento do Salvador abra perspectivas de paz duradoura e
de progresso autêntico para as populações da Somália, do
Darfour e da Costa do Marfim; promova a estabilidade
política e social em Madagáscar; leve segurança e respeito
dos direitos humanos ao Afeganistão e Paquistão; encoraje o
diálogo entre a Nicarágua e a Costa Rica; favoreça a
reconciliação na Península Coreana.
A
celebração do nascimento do Redentor reforce o espírito de
fé, de paciência e de coragem nos fiéis da Igreja na China
continental, para que não desanimem com as limitações à sua
liberdade de religião e de consciência e, perseverando na
fidelidade a Cristo e à sua Igreja, mantenham viva a chama
da esperança.
O amor do "Deus conosco" dê perseverança a todas as
comunidades cristãs que sofrem discriminação e perseguição,
e inspire os líderes políticos e religiosos a empenharem-se
pelo respeito pleno da liberdade religiosa de todos.
Queridos irmãos e irmãs, "o Verbo fez-Se carne",
veio habitar no meio de nós, é o Emanuel, o Deus que Se
aproximou de nós. Contemplemos, juntos, este grande
mistério de amor; deixemos o coração iluminar-se com a luz
que brilha na gruta de Belém! Boas-festas de Natal para
todos!
Fonte: Boletim da Sala de
Imprensa da Santa Sé.
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