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ADORAÇÃO EUCARÍSTICA JMJ
2011.
20.08.2011 – Madri:
Segundo declarações do Diretor da Sala de Imprensa da Santa
Sé, Pe. Federico Lombardi, Bento XVI interrompeu a leitura
de sua homilia durante a Vigília porque a chuva provocou uma
pane no microfone e em alguns monitores, mas o papa estava
decidido a continuar a Vigília. Bento XVI ficou
contente porque a adoração eucarística pôde-se realizar em
um clima de recolhimento e espiritualidade, à altura
de outras ocasiões análogas, como em Colônia, em 2005.
Sendo
assim, o texto da homilia é dado como lido, e publicamos
abaixo sua íntegra, como traduzido em português pela
Secretaria de Estado do vaticano:
Saúdo-vos a todos, e de modo particular aos jovens que me
formularam as perguntas, agradecendo-lhes a sinceridade com
que expuseram as suas inquietações, que exprimem de certo
modo o anseio de todos vós por alcançar algo de grande na
vida, algo que vos dê plenitude e felicidade.
Mas,
como pode um jovem ser fiel à fé cristã e continuar a
aspirar a grandes ideais na sociedade atual?
No evangelho que escutamos, Jesus dá-nos uma resposta a esta
importante questão: «Assim como o Pai Me tem amor,
assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor» (Jo
15, 9).
Sim,
queridos amigos, Deus ama-nos. Esta é a grande verdade da
nossa vida e que dá sentido a tudo o mais. Não somos fruto
do acaso nem da irracionalidade, mas, na origem da nossa
existência, há um projeto de amor de Deus. Assim
permanecer no seu amor significa viver radicados na fé,
porque esta não é a simples aceitação dumas verdades
abstratas, mas uma relação íntima com Cristo que nos
leva a abrir o nosso coração a este mistério de amor e a
viver como pessoas que se sabem amadas por Deus.
Se
permanecerdes no amor de Cristo, radicados na fé,
encontrareis, mesmo no meio de contrariedades e sofrimentos,
a fonte do júbilo e a alegria.
A fé não se opõe aos vossos ideais mais altos; pelo
contrário, exalta-os e aperfeiçoa-os. Queridos jovens, não
vos conformeis com nada menos do que a Verdade e o Amor, não
vos conformeis com nada menos do que Cristo.
Precisamente agora, quando a cultura relativista dominante
renuncia e menospreza a busca da verdade, que é a aspiração
mais alta do espírito humano, devemos propor, com coragem e
humildade, o valor universal de Cristo como Salvador de
todos os homens e fonte de esperança para a nossa vida.
Ele,
que tomou sobre si as nossas aflições, conhece bem o
mistério do sofrimento humano e mostra a sua presença
amorosa em todos aqueles que sofrem.
Estes, por sua vez, unidos à paixão de Cristo, participam
intimamente da Sua obra de redenção. Além disso, a nossa
atenção desinteressada pelos doentes e aos desamparados,
sempre será um testemunho humilde e silencioso do rosto
compassivo de Deus.
Queridos amigos, que nenhuma dificuldade vos paralise:
Não tenhais medo do mundo, nem do futuro, nem da vossa
fraqueza. O Senhor concedeu-vos viver neste momento da
história, repleto de grandes possibilidades e oportunidades,
para que, graças à vossa fé, continue a ressoar o nome de
Cristo em toda a terra.
Nesta
vigília de oração, convido-vos a pedir a Deus que vos ajude
a descobrir a vossa vocação na sociedade e na Igreja e a
perseverar nela com alegria e fidelidade. Vale acolher
dentro de nós o chamado de Cristo e seguir com coragem e
generosidade o caminho que Ele nos proponha.
A
muitos, o Senhor chama ao matrimonio, no qual um homem
e uma mulher, formando uma só carne (cf. Gn 3, 24),
se realizam numa profunda vida de comunhão. É um horizonte
de vida ao mesmo tempo luminoso e exigente; um projeto de
amor verdadeiro, que se renova e consolida cada dia,
partilhando alegrias e dificuldades, e que se caracteriza
por uma entrega da totalidade da pessoa. Por isso,
reconhecer a beleza e bondade do matrimonio significa estar
conscientes de que o âmbito adequado à grandeza e dignidade
do amor matrimonial só pode ser um âmbito de fidelidade e
indissolubilidade e também de abertura ao dom divino da
vida.
A
outros, diversamente, Cristo chama-os a segui-Lo mais
de perto no sacerdócio ou na vida consagrada. Como é belo
saber que Jesus vem à tua procura, fixa o seu olhar em ti e,
com a sua voz inconfundível, diz também a ti: «Segue-Me»
(cf. Mc 2, 14).
Queridos jovens, para descobrir e seguir fielmente a forma
de vida a que o Senhor chama cada um de vós, é indispensável
permanecer no seu amor como amigos. E, como se mantém a
amizade se não com o trato freqüente, o diálogo, o estar
juntos e o partilhar anseios ou penas? Dizia Santa Teresa de
Ávila que a oração não é outra coisa senão «tratar de
amizade – estando muitas vezes tratando a sós – com Quem
sabemos que nos ama» (Livro da Vida, 8).
Convido-vos, pois, a ficardes agora em adoração a
Cristo, realmente presente na Eucaristia; a dialogar
com Ele, a expor na sua presença as vossas questões e a
escutá-Lo.
Queridos amigos, rezo por vos com toda a minha alma;
suplico-vos que rezeis também por mim. Peçamos-Lhe, ao
Senhor, nesta noite que, atraídos pela beleza do seu amor,
vivamos sempre fielmente como seus discípulos. Amem.
Fonte:
Rádio Vaticano.
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