22.11.09: Reflexões de
Bento XVI neste domingo ao meio-dia, na Praça de São Pedro,
por ocasião do Ângelus, a propósito da celebração da
solenidade de Cristo Rei do Universo.
Bento
XVI começou por observar que esta solenidade litúrgica,
embora de instituição relativamente recente, tem profundas
raízes bíblicas e teológicas. O título de “rei”,
referido por Jesus, é muito importante nos Evangelhos e
permite uma leitura global da sua figura e da sua missão de
salvação. Partindo da expressão “rei dos Judeus”, chega-se à
de rei universal, Senhor do cosmos e da história, muito para
além das expectativas do próprio povo hebraico.
“É a cruz o sinal paradoxal da sua realeza, que consiste na
vitória da vontade de amor de Deus Pai sobre a desobediência
do pecado. É precisamente oferecendo-se a si mesmo no
sacrifício de expiação que Jesus se torna o Rei universal,
como Ele próprio declarará ao aparecer aos Apóstolos depois
da ressurreição. ‘A mim foi-me dado todo o poder no céu e na
terra’.”
Mas em
que coisa consiste o “poder” real de Jesus? – interrogou-se
o Papa. “Não é o poder dos reis e dos grandes deste
mundo. É o poder divino de dar a vida eterna, de libertar do
mal, de derrotar o domínio da morte.” “É o poder do Amor,
que sabe tirar o bem do mal, enternecer um coração
endurecido, levar a paz ao mais áspero conflito, acender a
esperança na escuridão mais tenebrosa. Este Reino de Graça
nunca se impõe, e respeita sempre a nossa liberdade”.
Após
as Ave-Marias, Bento XVI invocou a beatificação, neste
domingo, em Nazareth, da Irmã Maria Alfonsina Ghattas,
nascida em Jerusalém, em 1843, de uma família cristã.
“Teve
o mérito de fundar uma Congregação formada só por mulheres
do lugar, para o ensino religioso, para vencer o
analfabetismo e elevar as condições da mulher daquele tempo
na terra onde o próprio Jesus exaltou a dignidade delas.
Ponto central da espiritualidade da nova Bem-aventurada é a
intensa devoção à Virgem Maria, modelo luminoso de vida
inteiramente consagrada a Deus”. Para a Beata Maria
Alfonsina, sublinhou o Papa, “o Santo Rosário era a
sua oração contínua, a sua âncora de salvação, a sua fonte
de graças”.
“A beatificação desta tão significativa figura de mulher é
de particular conforto para a Comunidade católica na Terra
Santa e um convite a confiarmo-nos sempre, com firme
esperança, à Divina Providência e à materna proteção de
Maria”.
A
concluir, o Santo Padre referiu ainda a celebração, neste
sábado, 21 de Novembro, memória da Apresentação de Maria ao
Templo, a “Jornada pro orantibus, a favor das monjas
de clausura. Dirigindo-lhes uma especial saudação, Bento XVI
convidou todos a ajudar à sustentação das mesmas, nas suas
necessidades. E agradeceu publicamente as comunidades
monásticas que se têm sucedido, no pequeno mosteiro do
interior da Cidade do Vaticano: Clarissas, Carmelitas,
Beneditinas e agora, desde há pouco tempo, Visitandinas.
Fonte: Rádio Vaticano.