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BENTO XVI no Chipre.
"A CRUZ OFERECE ESPERANÇA SEM LIMITES AO NOSSO MUNDO
DECAÍDO"
Nicósia, 05.06.10
– O último compromisso deste sábado do papa em terras
cipriotas teve como cenário a Igreja da Santa Cruz,
onde Bento XVI celebrou à Eucaristia, depois de ter sido
saudado pelo patriarca latino de Jerusalém, Dom Fouad Twal.
"Na
alegria da vitória redentora de Cristo, saúdo todos vocês
reunidos na Igreja da Santa Cruz e agradeço-lhes pela
presença":
com essas palavras, o pontífice introduziu sua homilia,
agradecendo o calor da acolhida que lhe foi reservada e as
palavras de saudação do patriarca latino de Jerusalém, além
da presença do Custódio da Terra Santa, Fr. Pierbattista
Pizzaballa.
"O
centro da celebração de hoje é a Cruz de Cristo. Muitos
poderiam ser tentados a perguntar por que nós, cristãos,
celebramos um instrumento de tortura, um sinal de
sofrimento, de derrota e de falência. É verdade que a cruz
expressa todos esses significados. E, todavia, aquele que
foi elevado na Cruz para a nossa salvação, representa também
o definitivo triunfo do amor de Deus sobre todos os males do
mundo"
– disse o papa.
Referindo-se à primeira leitura, que evoca a queda e
prefigura a redenção de Cristo, Bento XVI fez a seguinte
reflexão: "Como punição pelos próprios pecados, o povo
de Israel, enquanto padecia no deserto, foi picado por
serpentes e poderia salvar-se da morte somente voltando o
olhar ao símbolo que Moisés havia elevado... Vemos,
claramente, que o homem não pode salvar a si mesmo das
conseqüências do pecado. Não pode salvar a si mesmo da
morte. Somente Deus pode libertá-lo da sua escravidão moral
e física. E como Deus amou tanto o mundo, enviou o seu Filho
unigênito não para condenar o mundo – como a justiça teria
exigido – mas para que através d'Ele o mundo pudesse ser
salvo."
"A
cruz, portanto – argumentou Bento XVI – é algo maior e mais
misterioso de quanto possa parecer à primeira vista.
Indubitavelmente é um instrumento de tortura, de sofrimento
e de derrota, mas ao mesmo tempo, expressa a completa
transformação, a definitiva revanche sobre esses males, e
isso a torna o símbolo mais eloqüente da esperança que o
mundo jamais viu."
A cruz
– prosseguiu o papa – "fala a todos aqueles que
sofrem: oprimidos, doentes, pobres, marginalizados e às
vítimas da violência, e lhes oferece a esperança de que Deus
pode transformar seu sofrimento em alegria; seu isolamento
em comunhão; sua morte em vida. Oferece esperança sem
limites ao nosso mundo decaído."
"Um
mundo sem cruz – acrescentou ainda o Santo Padre – seria um
mundo sem esperança, um mundo em que a tortura e a
brutalidade permaneceriam sem freio, o fraco seria explorado
e a avidez teria a última palavra. A desumanidade do homem
em relação ao homem se manifestaria de maneiras ainda mais
horrendas, e não se poderia pôr fim ao ciclo maléfico da
violência. Somente a cruz pode acabar com esse ciclo."
Concluindo sua homilia, o papa confiou uma tarefa aos
presentes. "Caros irmãos sacerdotes, caros religiosos
e caros catequistas, a mensagem da cruz foi confiada a nós,
de modo que possamos oferecer esperança ao mundo. Quando
proclamamos Cristo crucificado, não proclamamos a nós
mesmos, mas a Ele. Não oferecemos a nossa sabedoria, não
falamos dos nossos méritos, mas nos fazemos canais da Sua
sabedoria, de Seu amor e de Seus méritos salvíficos."
"Sabemos que somos apenas vasos de argila – refletiu o
pontífice – e, todavia, surpreendentemente, fomos escolhidos
para ser arautos da verdade salvífica que o mundo precisa
ouvir. Jamais nos cansemos de surpreender-nos diante da
graça extraordinária que nos foi dada; jamais deixemos de
reconhecer a nossa indignidade, mas, ao mesmo tempo, de nos
esforçarmos para nos tornarmos menos indignos do nosso nobre
chamado, de modo a não enfraquecer a credibilidade do nosso
testemunho mediante os nossos erros e as nossas quedas."
Fonte:
Rádio Vaticano.
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