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O
Santo do Dia.
19 de Julho

São Serafim de Sarov
1759-1835
Prothor Moshnim nasceu em 1759, na cidade de Kursk, na
Rússia, onde seus pais eram comerciantes. Aos dez
anos, ficou muito doente. Nossa Senhora apareceu-lhe em
sonho prometendo que seria curado por ela. De fato, alguns
dias depois ele se recuperou, após tocar no quadro de Nossa
Senhora durante uma procissão.
Desde menino, gostava de ler o Evangelho, ir à igreja e
isolar-se para rezar. Confirmou sua vocação na idade de
dezoito anos, quando ingressou no Mosteiro de Sarov. Lá, fez
seus votos de abstinência, vigília e castidade. Costumava
isolar-se em uma choupana numa floresta próxima, dedicado às
orações e penitências. Mas durante três anos teve de ficar
numa cama, após adoecer gravemente. Novamente, a Virgem
Maria apareceu-lhe, dessa vez acompanhada por alguns santos,
e curou-o após tocá-lo.
Aos vinte e sete anos, recebeu o hábito de monge e tomou o
nome de Serafim, que em hebraico significa ardente.
Tinha o dom de ver os anjos, santos, Nossa Senhora e Jesus
Cristo também. Numa liturgia, viu o próprio Jesus entrando
na igreja junto com os anjos e santos e abençoando o povo
que estava na igreja. Serafim ficou tão atônito que por
muito tempo perdeu a voz.
Sete anos depois, ele se isolou no interior da floresta,
onde alcançou uma grande perfeição espiritual. Mas foi
atacado por ladrões e seriamente ferido. Mesmo tendo uma
constituição física muito forte, e na mão um machado, ele
não ofereceu nenhuma resistência. E como não tinha dinheiro
foi espancado, quase morrendo.
Em seguida, os ladrões foram detidos e no julgamento o monge
intercedeu por eles. Desde então, Serafim ficou curvado para
o resto da vida.
Depois desse episódio, iniciou um período de penitência.
Ficou durante mil dias e mil noites isolado na floresta. De
dia ficava ajoelhado numa pedra com as mãos erguidas para o
céu e à noite desaparecia dentro da floresta. Após outra
aparição de Nossa Senhora, quase no final de sua vida,
Serafim adquiriu o dom da transfiguração do Espírito Santo e
tornou-se um guia espiritual dentro do mosteiro.
Milhares e milhares de pessoas, de todas as classes sociais,
foram enriquecidas com os seus ensinamentos. Para todos,
apresentava-se radiante, humilde e caridoso. Dizia:
"Alegria não é pecado. Ela afugenta o cansaço, que pode se
transformar em desânimo; e não há nada na vida pior do que o
desânimo".
Serafim morreu deixando claro o ensinamento que seguiu a
vida toda: "É preciso que o Espírito Santo entre no
coração. Tudo aquilo que nós fazemos de bom por causa de
Cristo dá-nos a presença do Espírito Santo, mas a oração,
que está sempre ao nosso alcance, no-lo dá muito mais".
A igreja do Mosteiro de Sarov, na cidade de Krusk,
abriga os seus restos mortais.

Santo Arsênio
354-450
Arsênio, que pertencia a uma nobre e tradicional família de
senadores, nasceu no ano 354, em Roma. Segundo os registros,
ele foi ordenado sacerdote, pessoalmente, pelo papa Dâmaso.
Em 383, o próprio imperador Teodósio convidou-o para cuidar
da educação e formação de seus filhos Arcádio e Honório, em
Constantinopla. Arsênio permaneceu na Corte por onze anos,
até 394. Enfim, conseguiu a exoneração do cargo e
retirou-se para o deserto no Egito.
O mundo católico passava por muitas transformações.
Nos séculos anteriores, o martírio, a morte pela fé na
palavra de Cristo, era o melhor exemplo para a salvação da
alma. A partir do século IV, a "morte em vida" passou a ser
o sacrifício mais perfeito para a purificação, com o
aparecimento dos eremitas no Oriente. Eram cristãos e
isolavam-se no deserto, em oração e penitência, numa vida
solitária e contemplativa, como forma de servir a Deus.
No início, sozinhos, depois se organizavam em pequenas
comunidades. Havia apenas uma regra ascética, para
fixar o período de jejum e oração, mas que mantinha uma
rígida separação, inclusive de convivência entre eles
mesmos. Arsênio tornou-se um deles. O seu refúgio, no
deserto egípcio da Alexandria, era dos mais procurados pelos
cristãos, que buscavam, na sabedoria e santidade de alguns
ermitãos, conselhos e paz para as aflições da alma, mesmo
que para tanto tivessem de fazer longas e cansativas
peregrinações.
A antiga tradição diz que ele não gostava muito de
interromper seu exílio voluntário para atender aos que o
procuravam. Mas, para não usufruir o egoísmo da solidão
total, decidiu juntar-se aos eremitas de Scete, também no
deserto da Alexandria, os quais já viviam parcialmente em
comunidade, para não se isolarem totalmente dos demais seres
humanos.
Mas a paz e a tranqüilidade daqueles religiosos findaram com
a invasão de uma tribo das redondezas. Arsênio, então,
abandonou o local. Entre 434 e 450, viveu isolado, só nos
últimos anos aceitando a companhia de uns poucos discípulos.
Ele acabou recebendo de Deus o dom das lágrimas. Em
oração ou penitência, quando se emocionava com o Evangelho,
caia em prantos.
Morreu em Troc, perto de Mênfis, em 450.
A importância de santo Arsênio na história da Igreja
prende-se à importância da época em que nasceu e viveu. Foi
um dos mais conhecidos eremitas do Egito, sendo considerado
um dos "Padres do deserto". O seu legado chegou-nos por meio
de uma crônica biográfica e de suas sábias máximas, escritas
por Daniel de Pharan, um dos seus discípulos. Além de um
retrato estampando sua bela figura de homem alto e astuto,
feito pelo mesmo discípulo.
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