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O Poder de
São Miguel.
Bendizei ao Senhor ,
mensageiros de Deus,
heróis poderosos que cumpris suas ordens,
sempre atentos à sua palavra. (Sl 102, 20)
> A Divina Providência de Maria.
> Orações à São Miguel.
> Armadura Espiritual.
“Quem como
Deus?”
Travou-se um combate no Céu: Miguel e os seus Anjos lutaram
contra o Dragão. O Dragão e os seus anjos lutaram também,
mas foram derrotados e perderam o seu lugar no Céu para
sempre. Foi expulso o enorme Dragão, a antiga serpente,
aquele que chamam Diabo e Satanás, que seduz o universo
inteiro foi precipitado sobre a terra e os seus anjos foram
precipitados com ele. Depois ouvi no Céu uma voz poderosa
que dizia: «Agora chegou a salvação, o poder e a realeza do
nosso Deus e a autoridade do seu Ungido, porque foi
precipitado o acusador dos nossos irmãos, aquele que os
acusava dia e noite diante do nosso Deus. Eles venceram-no,
graças ao sangue do Cordeiro e à palavra do testemunho que
deram, desprezando a própria vida, até aceitarem a morte.
Por isso, alegrai-vos, ó Céus, e vós que neles habitais».
(Apocalipse 12, 7-12ª)
“Miguel”
em hebraico Mi-kha-el quer dizer “quem como Deus?”.
Era o
protetor do antigo povo de Deus (Dan 10, 13.21), e que
aparece agora como patrono e defensor da Igreja, o novo povo
de Deus.
“O
Dragão”. É identificado, com a “antiga serpente” que tentou
os primeiros pais, por isso se chama antiga; é “aquele que
chamam Diabo e Satanás”. Diabo é um nome grego
correspondente ao hebraico Xatan (aramaico xataná), que
significa caluniador, acusador, adversário.
“Revesti-vos da armadura de Deus, para que possais resistir
às ciladas do demônio. Pois não é contra homens de carne e
sangue que temos de lutar, mas contra os principados e
potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso,
contra as forças espirituais do mal (espalhadas) no ares”
(Ef 6,11-12).
A
indicação que São Paulo fala dos demônios é muito precisa,
porque os chama com o nome de sua ordem de classificação.
O
diabo, como todo o mundo angélico ao qual fazia parte, é um
espírito; não possui um corpo, não é sensível, deve se
servir de uma forma fictícia, que assume de acordo com o que
vai provocar. (Padre Gabriele Amorth).
O grande comentador das Sagradas Escrituras, Pe. Cornélio a
Lapide, jesuíta do século XVI, escreve:
"Muitos julgam que Miguel, tanto pela dignidade de natureza,
como de graça e de glória é absolutamente o primeiro e o
Príncipe de todos os anjos. E isso se prova, primeiro, pelo
Apocalipse (12, 7), onde se diz que Miguel lutou contra
Lúcifer e seus anjos, resistindo à sua soberba com o
brado cheio de humildade:
Quem (é) como Deus?
Portanto, assim como Lúcifer é o chefe dos demônios, Miguel
o é dos anjos, sendo o primeiro entre os serafins. Segundo,
porque a Igreja o chama de Príncipe da Milícia Celeste,
que está posto à entrada do Paraíso. E é em seu nome que se
celebra a festa de todos os anjos. Terceiro, porque Miguel é
hoje ao cultuado como o protetor da Igreja como outrora o
foi da Sinagoga. Finalmente, em quarto lugar, prova-se que
São Miguel é o Príncipe de todos os anjos, e por isso o
primeiro entre os Serafins, porque diz São Basílio na
Homilia De Angelis: ‘A ti, ó Miguel, general dos
espíritos celestes, que por honra e dignidade estais posto à
frente de todos os outros espíritos celestiais, a ti
suplico...' ". ( Cornélio A LAPIDE, Commentaria in
Scripturam Sacram, t. 13, pp. 112-114 )
A Santa
Igreja Católica e São Miguel.
O pensamento da Igreja sobre São Miguel.
Desfraldai o estandarte do ilustre Arcanjo, repeti o seu
grito:
“Quem é como DEUS?” (Pio XII em 8 de
maio de 1940)
O
pensamento da Igreja, a família de DEUS, no Novo Testamento,
acerca da ação de São Miguel em serviço deste povo, como
encarregado do Altíssimo para o defender e guardar, está bem
patente na liturgia universal segundo aquela norma
consagrada: “LEX ORANDI, LEX CREDENDI”, isto é, a lei que
rege a oração oficial da Igreja, aprovada pelo Sumo
Pontífice, é a lei que rege a nossa crença.
Além de
outros documentos sobre São Miguel, dos Papas antigos, Sua
Santidade João Paulo II na sua visita de 24 de maio de 1987,
ao Santuário de São Miguel, no Monte Gargano, na Itália,
fez um discurso. Não é uma encíclica, mas mostra-nos o
pensar da Igreja sobre a atualidade do culto ao Príncipe e
grande Chefe dos Anjos, no mundo de hoje.
Após o
encontro com a população, João Paulo II realizou uma breve
visita ao Santuário de São Miguel Arcanjo, templo ali
construído para recordar as 4 aparições de São Miguel numa
gruta da localidade, nos anos 490, 492, 493 e 1656.
Sua
Santidade João Paulo II faz eco neste discurso daquilo que
os últimos Pontífices têm dito ao povo cristão para que
recorra a São Miguel, nesta luta tremenda entre as forças do
bem e do mal, chefiadas, respectivamente, pelo glorioso
Arcanjo chefe dos exércitos do DEUS Altíssimo e satanás,
chefe dos demônios, os anjos caídos. O triunfo final e
completo será de São Miguel com os seus Anjos, como dizem as
Escrituras santas, que pelejaram contra o dragão, o diabo e
os seus seguidores, precipitando-os para sempre nos abismos
infernais.
Sua
Santidade Pio IX, de gloriosa memória, escreveu: “São
Miguel é quem tem maior capacidade para exterminar as forças
malditas, filhos de satanás, que juraram a ruína da
sociedade cristã”.
Sua
Santidade S. Pio X, disse em 18 de setembro de 1903:
“DEUS, na primeira luta, venceu, servindo-se do Arcanjo São
Miguel; devemos, portanto, acreditar firmemente que a
luta atual terminará triunfante e também como outrora com o
socorro e ajuda deste Arcanjo bendito”.
Foi por
estar convencido da realidade desta terrível luta final, que
o predecessor de S. Pio X, o grande Papa Leão XIII,
mandou que obrigatoriamente no fim de todas as Missas
rezadas, os sacerdotes rezassem a oração a São Miguel
que ele mesmo compôs, fez publicar e
enviadas aos Ordinários em 1886.
O Papa
Pio XII, conhecido como Pastor Angélico, proclamou em 8 de
maio de 1940, que era urgente hoje, mais do que nunca,
recorrer à proteção de São Miguel, lembrando que ele é o
protetor e o defensor da Igreja e dos fiéis, o guardião do
Paraíso, o apresentador das almas junto de DEUS, o Anjo da
Paz e o vencedor de satanás”.
A visão diabólica do Papa Leão XIII.
Muitos
de nós recordamos que, antes da reforma litúrgica do
Concílio Vaticano II, os celebrantes e os fiéis, no fim
de cada Missa, ajoelhavam-se para rezar uma oração a Nossa
Senhora (Salve Rainha) e outra a S. Miguel Arcanjo.
Reportamo-nos ao texto desta última porque é uma oração
bonita que pode ser rezada por toda a gente para seu próprio
benefício:
“São Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate, sede nosso
auxilio contra a malícia e ciladas do demônio. Exerça Deus
sobre ele império, como instantemente vos pedimos, e Vós,
Príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai
no Inferno a Satanás e os outros espíritos malignos que
vagueiam pelo mundo para perder as almas. Amém”.
Como é que nasceu esta oração?
Transcrevo um artigo que foi publicado na revista:
Ephemerides Liturgicae escrito pelo Pe. Domenico Pechenino
em 1955, a págs. 58-59.
Uma manhã, o grande Pontífice Leão XIII tinha
celebrado a Santa Missa e estava a assistir a uma outra de
ação de graças, como de costume.
De
repente, viu-se ele virar energicamente a cabeça, depois de
fixar qualquer coisa intensamente, sobre a cabeça do
celebrante. Mantinha-se imóvel, sem pestanejar, mas com uma
expressão de terror e de admiração, tendo o seu rosto mudado
de cor. Adivinhava-se nele qualquer coisa de estranho, de
grande.
Finalmente voltando a si, bate ligeira, mas energicamente
com a mão, levanta-se. Dirige-se ao seu escritório
particular. Os mais próximos seguem-no com preocupação e
ansiedade. E perguntam-lhe em voz baixa: Santo Padre, não se
sente bem? Precisa se alguma coisa? Responde: “Nada, nada”.
Daí a
uma meia hora manda chamar o Secretário da Congregação dos
Ritos, e estendendo-lhe uma folha de papel, manda fazê-la
imprimir e enviar a todos os Ordinários do mundo. Que
assunto continha? A oração que rezávamos no fim da missa
com o povo, com a súplica a Maria e a invocação ardente ao
Príncipe das milícias celestes, implorando a Deus que
precipite Satanás no inferno.
Naquele escrito ordenava-se igualmente que as orações fossem
rezadas de joelhos. Também foi publicado no jornal La
Settimana del Clero, em 30 de Março de 1947, não sendo
citada a fonte que deu origem à notícia. Será contudo notada
a maneira insólita como esta oração, enviadas aos Ordinários
em 1886, foi mandada rezar.
Para
confirmar aquilo que o Pe. Pechenino escreveu, dispomos do
testemunho irrefutável do Cardeal Natalli Rocca, que na sua
carta pastoral para a Quaresma, emanada de Bolonha em 1946,
diz:
“Foi mesmo Leão XIII quem redigiu esta oração.
A fase (Satanás e os outros espíritos malignos) que vagueiam
pelo mundo para perder das almas tem uma explicação
histórica que o seu secretário particular Mons. Rinaldo
Angeli, nos contou várias vezes:
Leão XIII teve verdadeiramente a visão de espíritos
infernais que se adensavam sobre a cidade eterna (Roma); e
foi desta experiência que nasceu a oração que ele quis toda
a Igreja rezasse. Esta oração rezava-a ele com voz viva e
vibrante:
ouvimo-la muitas vezes na Basílica do Vaticano.
Mas
isto não é tudo: ele escreveu também por suas próprias mãos
um exorcismo especial que figura no Ritual Romano (ed. 1954,
tit. XII, c.III, pág.863 e seg.). Recomendava aos bispos
e aos sacerdotes que rezassem muitas vezes estes exorcismos
nas suas dioceses e paróquias. Ele próprio o fazia
muitas vezes durante o dia.
Também
é interessante ter em conta um outro acontecimento que
reforça ainda mais o valor desta oração que se rezava no fim
de cada Missa. Pio XI quis que, ao serem rezadas estas
orações, se pusesse uma intenção particular pela Rússia
(alocução de 30 de Junho de 1930). Nesta alocução, depois de
ter lembrado as orações pela Rússia que ele próprio tinha
pedido a todos os fiéis a quando da festa do Patriarca S.
José (19 de março de 1930) e, depois de ter lembrado a
perseguição religiosa na Rússia, concluiu com estas
palavras:
“E para que todos possam sem fadiga e sem
obstáculos continuar esta santa cruzada, decidimos que as
orações que o nosso bem amado predecessor Leão XIII ordenou
aos sacerdotes e aos fiéis que rezassem depois da Missa,
sejam ditas por esta intenção particular, isto é, pela
Rússia. Que os bispos e o clero secular e regular tomem
ao seu cuidado informar os fiéis e aqueles que assistem ao
Santo Sacrifício, e que não se esqueçam de lhes lembrar
estas orações (Civiltà Cattolica, 1930, vol.III).
Conforme se pode constatar a presença aterrorizadora de
Satanás foi claramente tida em conta pelo Pontífice; e a
intenção que Pio XI, tinha acrescentado, visava mesmo o
fundamento das falsas doutrinas difundidas no nosso século,
que envenenaram não só a vida dos povos mas também dos
próprios teólogos. Se a disposição tomada por Pio XI não foi
respeitada, a falta deve-se àqueles a quem tinha sido
confiada; inseria-se perfeitamente no âmbito dos avisos
carismáticos que o Senhor havia dado à humanidade através
das aparições de Fátima, embora mantendo-se independente
desta: Fátima ainda era desconhecida do mundo. (Pe.
Gabriele Amorth.)
O Exorcismo de Leão XIII,
que nos mostra a ação nefasta do maligno, nos nossos dias,
vê como é necessário recorrer à poderosa intercessão da
Virgem Maria e de São Miguel, no ataque contra as forças do
mal, quer se trate de males físicos como da alma. Inimigo
dos homens, satanás tem inveja deles e ainda quando parece
ajudá-los favorecendo-lhes uma vida de dinheiro,
sensualidade e sorte, é sempre tendo em mira a sua
condenação eterna.

Aparição de São Miguel Arcanjo
no Monte Gargano na Itália.
Nos fins
do século V, quando na Cátedra de São Pedro regia a Igreja o
Papa São Gelásio, um pastor que apascentava seu gado no alto
do Monte Gargano, na Itália, província da Apúlia, querendo
obrigar um novilho a sair de uma caverna onde se refugiara,
desferiu lá dentro uma flecha, a qual retrocedeu com a mesma
velocidade, vindo ferir quem a lançara.
Este fato
causou admiração nos que presenciaram este acontecimento e a
notícia foi longe e chegou também aos ouvidos do Bispo de
Siponto, cidade que ficava no sopé da montanha.
Julgou
ele tratar-se de algum misterioso sinal da parte de DEUS e
ordenou um jejum de três dias em toda a diocese, pedindo ao
SENHOR se dignasse revelar-lhe do que se tratava. DEUS
escutou as orações do Prelado e, passados três dias,
apareceu-lhe o Arcanjo São Miguel declarando-lhe que o
SENHOR queria que a ele, Anjo tutelar da Igreja, e aos
outros Anjos, se edificasse naquela caverna, onde se
manifestou o prodígio, uma igreja em sua honra, para
reavivar a fé e a devoção dos fiéis no seu amor e proteção,
como Anjo custódio da Igreja Católica.

Tendo o
Bispo comunicado ao povo a visão que tivera e o que lhe fora
pedido, foi ele próprio, com muita gente, observar o local.
Encontraram uma caverna espaçosa em forma de templo, cavada
na rocha, com uma fenda natural na abóbada, de onde jorrava
a luz que a iluminava. Nada mais era preciso que pôr um
altar-mor para celebrar os Divinos Mistérios. Levantado o
altar, o Bispo consagrou-o. Todos os povos vizinhos acudiram
para a cerimônia cheios de alegria e a festa durou vários
dias.
Nunca
mais até hoje se deixou de celebrar ali a Santa Missa, como
também os outros ofícios litúrgicos, e DEUS consagra este
lugar através dos séculos, com graças e milagres de toda a
espécie, em favor dos que lá acorrem, doentes de corpo e
alma, mostrando quanto Lhe é grata a devoção em honra do
glorioso arcanjo São Miguel que defendeu, quando da revolta
de lúcifer, a fidelidade ao DEUS Uno e Trino, soltando este
grito: QUEM É COMO DEUS?

O Santuário de São Miguel no Monte Gargano
O Santuário do glorioso Arcanjo na gruta do Monte Gargano, é
considerado um dos mais célebres e devotos de todo o Mundo.
A Igreja, para atestar este fato histórico, marcou para o
Calendário Litúrgico Universal a Festa Comemorativa desta
aparição, no dia 8 de maio. Esta festa foi obrigatória para
toda a igreja até a nova reforma litúrgica após o Concílio
Vaticano II. Atualmente, só é obrigatória na diocese de
origem e em alguns calendários particulares.
O Monte Gargano onde está este santuário, fica perto do
convento de Nossa Senhora da Graça, onde viveu e morreu o
célebre estigmatizado Padre Pio de Pietrelcina, falecido há
pouco, em odor de santidade.

Mais duas aparições no Monte Gargano
Dois anos depois da primeira aparição do Arcanjo São Miguel
no Monte Gargano, quando da invasão da armada do rei godo
Odoacro, São Lourenço, Bispo de Síponto, diocese a que
pertencia Gargano, subiu ao local para pedir proteção a São
Miguel que ali pedindo ao povo que o acompanhasse na oração
e no jejum e se aproximasse dos Sacramentos da Confissão e
da Comunhão.
Na aurora do dia 29 de setembro do ano 492, estando o Bispo
em oração, apareceu-lhe São Miguel, prometendo-lhe a vitória
mas dando ordens para que não se atacasse o inimigo antes
das quatro horas da tarde, a fim de que o sol fosse
testemunha do seu poder.
À hora fixada, os sipontinos saíram da cidade ao encontro
dos bárbaros. O céu estava sereno. Mas eis que se ouviu um
grande trovão, uma nuvem espessa cobriu o Monte Gargano. São
Miguel desprendeu dessa nuvem flechas inflamáveis e fez
compreender que a tempestade fustigava os bárbaros que,
espavoridos, fugiram em debandada. Estas flechas não
atingiram os sipontinos que perseguiam os invasores até
perto de Nápoles.
O Bispo com o povo subiram à gruta do Arcanjo e todos viram,
à entrada, os traços dos pés de um homem, gravados na rocha,
indicando a presença de São Miguel. Com lágrimas nos olhos,
todos beijaram comovidos estes traços, que eram testemunhas
da presença angélica que os defendera.

Terceira Aparição
A terceira aparição de São Miguel deu-se deste modo: No dia
8 de maio de 493, São Lourenço, o Bispo de Siponto foi com o
povo ao Monte Gargano, à entrada da gruta, para agradecer a
DEUS, a aparição de São Miguel. Tinha um grande desejo de lá
entrar para celebrar o Santo Sacrifício da Missa, mas por
respeito, não entrou.
Como o Papa São Gelásio se encontrava numa localidade perto,
onde fora no seu múnus pastoral, mandou-lhe emissários a
expor-lhe o assunto de transformar a gruta num santuário.
O Santo Padre disse que se devia escolher o dia 29 de
setembro, dia da vitória sobre os godos, para se dedicar a
igreja localizada na gruta, fazendo dela um templo em honra
a São Miguel e aos Anjos.
Recomendou que se fizessem preces públicas para conhecer a
vontade do Arcanjo. Estas preces foram ouvidas e São Miguel
apareceu pela terceira vez a São Lourenço, Bispo de Siponto,
e disse:
"Cessa
de pensar mais, decide-te a consagrar a minha gruta que eu
escolhi para meu domínio e que consagrei com os meus Anjos;
tu verás os sinais
ardentes desta consagração, a saber: a minha imagem colocado
por mim, o altar
edificado pelos Anjos, meu manto e minha Cruz. Esta noite,
tu e mais sete bispos,
entrareis na minha gruta para aí rezardes com a minha
assistência. Amanhã celebrarás
o
Santo Sacrifício da Missa e comungarás com o povo. Haveis de
ver quantas bênçãos
espalharei neste tempo."
Tudo se fez como São Miguel recomendou. Penetrando na gruta,
viram a imagem milagrosa de São Miguel lutando contra
lúcifer, o altar armado com uma Cruz de cristal com cinco
palmos, um manto cor de púrpura, símbolo do Amor de DEUS, e
no fundo uma fonte milagrosa.
O Bispo celebrou a Missa, deu a Sagrada Comunhão ao povo. Em
seguida, mais três altares foram consagrados na gruta. O
Papa mandou então que este fato passasse a ser celebrado na
Igreja Universal no dia 29 de setembro de cada ano.
Lugar sagrado e célebre
A Basílica de São Miguel no Monte Gargano, é a única no
Mundo que ele próprio e os seus Anjos consagraram.
Este local é ainda hoje um dos mais célebres da cristandade
e onde se realizam mais conversões e curas do corpo e da
alma. A assistência religiosa está atualmente confiada aos
filhos de São Bento, os monges beneditinos.

Muitos Sumos Pontífices têm ido em peregrinação a este
Santuário, e no dia 24 de maio de 1987, ali esteve também o
nosso Papa João Paulo II.
Revelações a uma fiel
Palavras ditas por
JESUS
CRISTO
à Carmela de Milão, célebre carismática dos nossos dias,
filha espiritual do célebre Santo Padre Pio de Pietrelcina,
falecido em odor da santidade, já canonizado:
"Invoca muitas vezes o arcanjo São Miguel que se encontra à
cabeça dos 9 coros angélicos, e que o meu Vigário, pela
vontade do ESPÍRITO SANTO, quis estabelecer como defensor da
Igreja. Dirige muitas vezes o teu pensamento para ele,
porque grande é o seu poder e a sua força. Ele é o terror
dos anjos rebeldes que venceu na terrível batalha dos Anjos
bons contra os maus e que os precipitou no abismo.
Ele defendeu infatigavelmente a Igreja contra as heresias e
ajuda toda a alma que o invoque com devoção e amor, a vencer
as batalhas da vida, sobretudo, contra os demônios. Ele é o
Arcanjo da humildade e alegra-se em ensinar a prática desta
virtude aos homens que lhe pedem.
O seu brado: "QUEM É COMO DEUS?" que significa o seu nome, é
mais adequado para exprimir a virtude tão necessária da
humildade, que consiste no conhecimento da grandeza de DEUS
ante o vosso nada. Pela sua intercessão pede a humildade
para todos os homens da Terra.
Reza-lhe não só pela Igreja, mas também por todas as nações,
para que ele de novo traga a paz ao Mundo, onde os demônios
vão semeando uma horrenda carnificina. Estabelece-o como
defensor da tua casa, para que ele afaste o maligno e todos
os males, sejam eles quais forem."
As Crenças do povo cristão em são Miguel Arcanjo.
A Igreja
tem permitido que as crenças nascidas da tradição cristã a
respeito do glorioso Arcanjo São Miguel, tenham livre curso
na piedade dos fiéis e na elaboração dos teólogos.
A
primeira crença
é a de que São Miguel era, no Antigo Testamento, o defensor
do povo escolhido — Israel; e hoje o é do novo povo
escolhido — a Igreja. Tal piedosa crença está em consonância
com o que é dito no livro de Daniel: “Eis que veio em meu
socorro Miguel, um dos primeiros príncipes... Miguel. que é
o vosso príncipe” — isto é, dos judeus (10, 13 e 21). “Se
levantará o grande príncipe Miguel, que é o protetor dos
filhos do teu povo” — de Israel (12, 1). Essa crença é muito
antiga, sendo já confirmada pelo Pastor de Hermas, célebre
livro cristão do século II, no qual se lê: “O grande e
digno Miguel é aquele que tem poder sobre este povo” (os
cristãos). Ademais, tal crença é partilhada pelos
teólogos e pela própria Igreja, que a manifesta de muitas
maneiras.
A
segunda crença
geral é a de que São Miguel tem o poder de admitir ou não as
almas no Paraíso. No Oficio Romano deste Santo no antigo
Breviário, São Miguel era chamado de “Praepositus paradisi”
— “Guarda do paraíso”, ao qual o próprio Deus se dirige nos
seguintes termos: “Constitui te Principem super omnes
animais suscipiendas” — “Eu te constituí chefe
sobre todas as almas a serem admitidas”. E na Missa
pelos defuntos rezava-se: " Signifer Sanctus Michael
representet eas in lucem sanctam” — "O ' Porta-estandarte
São Miguel, conduzi-as à luz santa”.
A
terceira crença,
ou melhor, opinião, é a de que São Miguel ocupa o primeiro
lugar na hierarquia angélica. Sobre este ponto há
divergência entre os teólogos, mas tal opinião tem a seu
favor vários Padres da Igreja gregos e parece ser
corroborada pela liturgia latina, que se referia ao glorioso
Arcanjo como "Princeps militiae coelestis quem
honorificant coelorum cives” — "Príncipe da milícia celeste,
a quem honram os habitantes do Céu"; e pela liturgia
grega que o chama “Archistrátegos“, isto é,
"Generalíssimo."
Por que Deus permite o mal?
Por que
Deus permite as catástrofes mais ou menos freqüentes, as
doenças, a morte, enfim? Como pode um pai deixar sofrer
assim os seus filhos? Não tem Ele poder para impedir o mal?
E se não Lhe falta poder, onde está a sua bondade, se não o
impede?
Ensina São Tomás
que Deus não permite o mal físico senão de um modo
inteiramente acidental, como ocasião para os justos
exercerem a virtude da constância, praticarem a caridade
para com os menos favorecidos ou doentes, etc. Por
outro lado, Ele permite alguns males físicos como pena
devida ao pecado, como forma de restabelecer a justiça
ultrajada pelas faltas voluntárias.
Com
relação à morte, longe de ser o termo da vida, ela é a
passagem para uma nova vida, onde a felicidade é completa,
sem mesclar de sofrimento e onde se atinge o Sumo Bem, que é
o próprio Deus. Assim uns ressuscitarão para a felicidade
completa e outros para a condenação eterna segundo nossa
peregrinação por esta terra.
Quanto ao
mal moral ou pecado, Deus não pode querê-lo nem mesmo
indiretamente; mas Ele pode tirar, como do mal físico, algum
bem, como por exemplo, do pecado do perseguidor a
manifestação da constância dos mártires.
A
possibilidade do mal moral — ensinam os filósofos — é ao
mesmo tempo a conseqüência de um grande bem, a liberdade;
e a condição de um bem ainda maior, o mérito.
As
criaturas racionais (os anjos e os homens), por serem
dotados de inteligência, possuem o livre
arbítrio, a liberdade de escolher entre bens
possíveis. A capacidade de livre escolha decorre da natureza
inteligente desses seres, do conhecimento que eles têm de
várias ações, de seus fins últimos e dos meios para chegar a
eles. A liberdade mesmo imperfeita é a mais bela
prerrogativa do ser racional; é pois digno da
bondade divina tê-la concedido.
Deus não
podia suprimir no anjo e no homem a possibilidade de fazerem
o mal, a não ser recusando-lhes a liberdade ou dando-lhes
liberdade incapaz de falhar; na primeira hipótese, eles
ficariam rebaixados ao nível dos irracionais, o que seria
indigno de criaturas espirituais; na segunda, eles se
tornariam iguais a Deus, o que é um absurdo.
Deus quer
que a criatura racional observe suas leis, não como o animal
desprovido de razão, que age seguindo os meros instintos,
mas moralmente e meritoriamente; ora, sem a
possibilidade do mal moral, não haveria mérito na prática do
bem, pois não há mérito senão se faz o bem podendo não
fazê-lo.
Deus quis que os anjos e os homens fossem os agentes de sua
própria felicidade ou se tornassem responsáveis pela própria
desgraça, escolhendo por si mesmos se colaboravam ou não com
a graça divina.
Quando os anjos pecaram e quando os homens pecam, fazem um
uso desviado de sua liberdade;
Deus, porém, não tolhe a liberdade de suas criaturas
racionais em razão do seu uso desviado, porque é próprio a
Ele criar e não destruir; seria contrariar-se a si mesmo
fazer criaturas livres e depois tolher-lhes a liberdade
quando a usam mal. Por outro lado, a existência de
seres racionais não-livres é absurda.
O mal, como conseqüência do pecado.
A estas
considerações de ordem filosófica, o Cristianismo acrescenta
os dados revelados por Deus. Estes não somente confirmam as
descobertas da razão, conferindo-lhes uma certeza absoluta,
mas, indo além, nos dão os meios de saber ao certo aquilo
que de outro modo não passaria de mera suposição: como o mal
manifestou concretamente entre os anjos e os homens.
O
Cristianismo rejeita toda e qualquer forma de dualismo (dois
deuses): tudo quanto existe provém de um só e único
princípio, DEUS ÚNICO puro e bom.
Sendo
Deus substancialmente bom e santo, tudo quanto provêm dele
tem que ser, necessariamente, bom em si mesmo. Por isso,
todas as criaturas, em si mesmas, são boas e aptas para
propósitos do Criador.
Assim,
lemos no primeiro livro da Bíblia:
“E
Deus viu toas as coisas que tinha feito. e eram muito boas”
(Gen 1, 31).
O livro
do Eclesiástico completa:
“Todas as obras do Senhor são boas e cada uma delas, chegada
a sua hora, fará seu serviço" (Ecl, 39, 39).
E o livro
da Sabedoria explicita:
“Deus não fez a morte, nem se alegra com a perdição dos
vivos. Porquanto criou Êle criou todas as coisas para que
subsistissem e não havia nelas nenhum veneno mortífero, nem
o domínio da morte existia sobre a terra” (Sb, 1, 13-14).
Diz ainda
a Escritura que “foi na soberba que teve início
a perdição” (Tob 4, 14).
Parte dos
anjos se revoltou contra Deus, e foram expulsos do Céu,
transformando-se em demônios; do mesmo modo, nos primeiros
pais desobedeceram o Criador com o pecado original perderam
o estado de inocência e de integridade, sendo expulsos do
Paraíso terrestre.
Como decorrência do pecado original, houve uma debilitação da natureza humana,
tornando-se o homem mais vulnerável às paixões e às seduções
do demônio, e mais inclinado ao pecado; em castigo desse
mesmo pecado, Deus permitiu que o sofrimento se abatesse
sobre o homem e a terra se lhe tornasse ingrata.
No
Gênesis, depois da narração da primeira desobediência,
vêm as palavras do Criador ao primeiro homem:
“Porque deste ouvidos à voz de tua mulher e comeste da
árvore de que eu te tinha ordenado que não comesses, a terra
será maldita por tua causa; tirarás dela o sustento com
trabalhos penosos todos os dias da tua vida. Ela te
produzirá espinhos e abrolhos” (Gen 3, 17-18).
E o
inspirado autor do Eclesiástico escreve, numa alusão ao
pecado original:
“Da
mulher nasceu o princípio do pecado e por causa dela é que
todos morremos" (Ecl 25, 33).
O
Apóstolo São Paulo resume magnificamente essa doutrina sobre
o pecado original, nos seguintes termos:
“Assim como por um só homem o pecado entrou no mundo e, pelo
pecado, a morte, assim também a morte atingiu todos os
homens, porque todos pecaram...Pois o salário do pecado é a
morte” (Rom 5, 12, 23).
Em
virtude da Redenção operada por Jesus Cristo, entretanto, o
sofrimento e a morte podem ser aproveitados pelo homem como
meio de aperfeiçoamento moral, de santificação. É assim que
o mesmo São Paulo exclama: “A morte foi tragada na
vitória ( de Cristo). Morte, onde está a tua vitória? Morte,
onde está teu aguilhão?” E prossegue: “Sejam
dadas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor
Jesus Cristo. Por isso, meus irmãos amados, sêde firmes,
constantes, progredi sempre na obra do Senhor, sabendo que o
vosso esforço não é inútil no Senhor (1 Cor 15, 54-58).
Está
esperança que nos dá a força para lutar contra a ação do mal
em nós mesmos e no mundo. E é a doutrina a respeito do
pecado original que nos esclarece quanto á origem histórica
do mal e quanto ao verdadeiro sentido da presença do mal no
mundo. Do contrário, o problema do mal ficaria insolúvel e
nos atiraria no desespero da incompreensão e da revolta.
A queda dos anjos maus e rebeldes.
"Tu, desde o principio, quebraste o meu
jugo, rompeste os meus laços e
disseste: — Não servirei!”
(Jer 2,20)
DEUS
CRIOU OS ANJOS num alto estado de perfeição natural e além
disso os elevou à ordem sobrenatural. É de fé que todos os
espíritos angélicos foram criados bons.
Essa é uma
conseqüência obrigatória da verdade de fé, de que
todos os espíritos angélicos foram criados por Deus,
atestada pelo símbolo niceno-constantinopolitano ( o Credo
da Missa), o qual proclama: “Creio em Deus Pai
Todo-poderoso, criador ... das coisas visíveis e
invisíveis”; essa verdade foi ainda definida nos Concílios
IV de Latrão e I Vaticano.
A Sagrada
Escritura, com efeito, chama-os “filhos de Deus" (Jó
38, 7), “santos” (Dan 8, 13), “anjos de luz” (2 Cor
11, 14). Entretanto, os próprios Livros Sagrados se referem
a “espírito imundos” (Lc 8, 29); “espíritos
malignos” (Ef 6, 12); “espíritos piores" (Lc 11,
26); e outras expressões análogas.
Isto
indica que certos anjos tornaram-se maus, tiveram sua
vontade pervertida. Em suma: pecaram.
A batalha no Céu.
“Tu,
desde o princípio, quebraste o meu jugo, rompeste os meus
laços e disseste: — Não servirei!” (Jer 2, 20).
Este
versículo do Profeta Jeremias sobre a revolta do povo eleito
contra Deus tem sido aplicado à revolta de Lúcifer.
Movimento de rebelião de Lúcifer “Não servirei!” —
respondeu São Miguel com o brado de fidelidade: “Quem é
como Deus!” (significado do nome Miguel em
hebraico).
No
apocalipse, São João descreve essa misteriosa batalha que
então se travou no céu:
"E
houve no céu uma grande batalha: Miguel e os seus anjos
pelejavam contra o dragão, e o dragão com os seus anjos
pelejavam contra ele; porém estes não prevaleceram e o seu
lugar não se achou no céu. E foi precipitado aquele grande
dragão, aquela antiga serpente, que se chama o Demônio e
Satanás, que seduz todo o mundo; e foi precipitado na terra
e foram precipitados com ele os seus anjos” (Apoc 12,7-9).
O próprio
Jesus dá testemunho dessa queda: “Eu via Satanás cair
do céu como um relâmpago” (Lc 10, 18). “(O Demônio) foi
homicida desde o principio, e não permaneceu na verdade" (Jo
8,44).
Poder dos anjos bons sobre os demônios.
Ensina São Tomás que os anjos bons, mesmo que por natureza pertençam a uma hierarquia
inferior à de algum demônio ( por exemplo em ralação a
Satanás), sempre têm um domínio sobre os anjos decaídos.
Pois os anjos gozam de perfeição da amizade de Deus, da qual
estão privados os demônio; e esta perfeição é superior à
mera excelência natural, a única que permanecesse nos
demônios
( Suma Teológica, 1,q. 109,a.4. )
Por isso observa o Cardeal Lepicier:
" A sabedoria de Deus torna-se ainda mais manifesta , quando
consideramos que ele colocou os espíritos malignos debaixo
do domínio dos anjos bons e deu a cada homem, neste mundo,
um anjo bom que o ilumina, guia os seus passos e o defende
contra os seus inimigos. Por isso, os assaltos do inimigo
das almas são aniquilados pela intervenção daqueles
espíritos que se conservam fiéis a Deus, e o demônio acaba
por contribuir para a maior glória do Criador".
(Cardeal A. LÉPICIER, op. cit., p. 241. )
Os anjos podiam pecar?
Como
poderia o anjo ter pecado, uma vez que ele não está sujeito
às paixões ou ao erro no entendimento, como nós homens?
"Como
compreender semelhante opção e rebelião a Deus em seres de
tão viva inteligência?” — pergunta João Paulo II.
O
Pontífice responde:
“Os Padres da Igreja e os teólogos não hesitam em falar de cegueira,
produzida pela supervalorização da perfeição do próprio ser,
levada até o ponto de ocultar a supremacia de Deus, a qual
exigia, ao contrário, um ato de dócil e obediente submissão.
Tudo isto parece expresso de maneira concisa nas palavras:
"Não servirei" (Jer 2, 20), que manifestam a radical
e irreversível rejeição de tomar parte na edificação do
reino de Deus no mundo criado. Satanás, o espírito rebelde,
quer seu próprio reino, não o de Deus, e se levanta como o
primeiro adversário do Criador, como opositor da
Providência, antagonista da sabedoria amorosa de Deus”
(Apud Mons.C. BALDUCCI, El díablo, p. 20.)
E o Papa explica que os anjos, por serem criaturas racionais,
são livres, isto é, têm a capacidade de escolher a favor ou
contra aquilo que conhecem ser o bem: “Também para os
anjos a liberdade significa possibilidade de escolha a favor
ou contra o bem que eles conhecem, quer dizer, o próprio
Deus”.
(João Paulo II, Mcm, ibidem.)
Criando
os anjos racionais e livres, quis Deus que eles - com o
auxílio da graça — fossem os agentes de sua própria
felicidade ou de sua perda, caso cooperassem ou resistissem
à graça. Para que merecessem a felicidade eterna,
submeteu-os a uma prova.
É de fé que todos os espíritos angélicos foram submetidos a uma prova.
Entretanto, não sabemos qual teria sido essa prova. Os
teólogos procuram excogitar qual teria sido.
O pecado dos anjos maus.
Qual
teria sido a prova a que foram submetidos os anjos? E qual
teria sido o pecado dos que sucumbiram à prova?
Um pecado de soberba.
Acredita-se comumente que tenha sido um pecado de orgulho,
de soberba, pois a Escritura diz que “foi na soberba que
teve início toda a perdição” (Tob 4, 14).
Santo Atanásio (séc. IV) o afirma explicitamente:
"O grande remédio para a salvação da alma é a humildade. Com efeito,
Satanás não caiu por fornicação, adultério ou roubo, mas foi
o seu orgulho que o precipitou ao fundo do inferno.
Porque ele falou assim: "Eu subirei e colocarei meu trono
diante de Deus e serei semelhante ao Altíssimo" (Is 14, 14).
E é por essas palavras que ele caiu e que o fogo eterno se
tornou sua sorte e sua herança”. (Apud Card. P. GASPARRI,
Catechisme Catholique pour Adultes. p. 345.)
Em que teria consistido essa soberba?
Segundo
São Tomás de Aquino, essa soberba consistiu em que os anjos
maus desejaram diretamente a bem-aventurança final, não por
uma concessão de Deus, por obra da graça, e sim por sua
virtude própria, como mera decorrência de sua natureza.
Desse modo, quiseram manifestar sua independência em relação
a Deus; eles recusaram assim a homenagem que deviam a Deus
como seu criador e desejaram substituir-se a Ele e ter o
domínio sobre todas as coisas: ser como deuses (cf.Gen 3,5).
São Tomás
faz igualmente referência à seguinte passagem de Isaías —
referente ao rei de Babilônia, mas geralmente aplicada a
Satanás — para ilustrar o pecado dele e dos anjos maus que o
acompanharam na revolta: “Como caíste do céu, ó astro
brilhante [em latim: “Lúcifer”J, que, ao nascer do dia
brilhavas? ... Que dizias no teu coração: ... serei
semelhante ao Altíssimo” (Is 14, 13-14).
O pecado
de Lúcifer e dos anjos que se revoltaram com ele teria sido,
pois, um pecado de soberba, ou seja de complacência na
própria excelência, com menoscabo da honra e respeito
devidos a Deus.
Estes
elementos se encontram em todo pecado — explica o Pe.
Bujanda — pois quem ofende a Deus prefere a própria vontade,
em vez da vontade divina, e nela se compraz.
Revelação da Encarnação
Não está
formalmente revelado no que consistiu exatamente a prova dos
anjos; os teólogos fazem hipóteses teológicas, como a de São
Tomás, exposta acima.
Francisco Suárez, teólogo jesuíta do século XVII, levanta outra
hipótese: a prova dos anjos teria consistido na revelação
antecipada por Deus, da Encarnação do Verbo. Os anjos maus
se teriam revoltado contra a submissão em que ficariam em
relação à natureza humana do Verbo Encarnado, a qual,
enquanto natureza, seria à natureza angélica.
Uma variante dessa hipótese é a que afirma que Lúcifer e os anjos
revoltados não quiseram submeter-se à Mãe do Verbo
Encarnado, pela sua dignidade ficaria colocada acima dos
próprios anjos, embora inferior a eles por natureza.
Essa
hipótese, entretanto, está ligada a uma outra questão: se o
Verbo se teria encarnado mesmo sem o pecado de Adão. Suárez,
com algumas adaptações, segue a opinião de Duns Escoto e de
Santo Alberto Magno, a qual sustenta que sim; São Francisco
de Sales também participa dessa opinião.
São
Tomás, porém, é de outro parecer. Argumenta ele:
"Seguindo a Sagrada Escritura, que por toda a parte apresenta como
razão da Encarnação o pecado do primeiro homem, é
conveniente dizer-se que a obra da Encarnação está ordenada
por Deus como remédio contra o pecado. De tal modo que, se
não existisse o pecado não teria havido a Encarnação, embora
a potência divina não esteja limitada pelo pecado, podendo,
pois, Deus encarnar-se, mesmo que não houvesse o pecado”
(Suma Teológica, 3, q. 1, a. 3.)
São
Boaventura reconhece que a opinião de São Tomás é mais
consoante com a Fé, enquanto a outra favorece mais a razão.
(In III Sent.,Dist.I,a.2,q.2.)
Embora
ambas as opiniões sejam sustentáveis, o comum dos Doutores
acha que a hipótese de São Tomás é mais provável, sendo
predominante entre os Santos Padres.
Santo
Agostinho afirma: “Se o homem não tivesse caído não se teria
feito carne” (Serm. 174,2.)
Em favor
dela fala igualmente o Símbolo dos Apóstolos, isto
é, o Credo, quando proclama: “O Qual
[o Verbo], por nós homens, e por nossa salvação,
desceu dos céus “. Também a liturgia pascal, que
canta: “Ó culpa feliz, que nos mereceu um tal
Redentor!"
O Pe.
Christiano Pesch S.J. diz que a posição tomista de tal modo
se tornou comum, que hoje há poucos defensores da esposada
por Suárez, quanto à Encarnação do Verbo.
Daí
decorreria que a hipótese de Suárez com relação ao pecado
dos anjos ficaria também prejudicada.
(C. PESCH
53, De Angelis, III, p. 71; cf. também Mons. P. PARENTE.
Incarnazioni, col 1.751; I. SOLANO, De Verbo incarnato, pp.
15-24).)
A obstinação dos demônios.
Nós
homens temos certa dificuldade psicológica em compreender
que os demônios, por um só pecado, tenham sido condenados
eternamente, enquanto Adão e Eva puderam ser perdoados. Por
isso, desde os primeiros tempos do Cristianismo, não
faltaram autores que sustentaram a possibilidade de
reconciliação dos anjos decaídos com Deus.
Essa doutrina foi condenada pela Igreja e São Tomás explica
a razão pela qual isso não é possível:
em primeiro lugar porque a prova a que os anjos foram
submetidos, a fim de merecerem a bem-aventurança eterna,
teve para eles o mesmo efeito que tem para nós homens a
morte; ou seja, encerra o período em que podemos adquirir
méritos, e nos introduz na vida eterna, imutável por
natureza. Os anjos bons, tendo sido fiéis, passaram a gozar
da bem-aventurança eterna; os anjos maus ou demônios foram
precipitados no inferno por toda a eternidade.
Em
segundo lugar, por causa da natureza angélica: os anjos, uma
vez feita uma escolha, não podem voltar atrás, seja para o
bem, seja para o mal. Porque eles não estão sujeitos à
mobilidade das paixões humanas, sua inteligência é perfeita,
de modo que eles não podem fazer escolhas provisórias, como
o homem. Antes de fazer uma escolha, o anjo é perfeitamente
livre; feita esta, sua vontade adere a ela para sempre, pois
todas as razões que o levaram a fazer essa escolha já
estavam perfeitamente claras para ele antes que a fizesse.
Orações a São Miguel Arcanjo.
Oração a São Miguel.
“São Miguel Arcanjo, protegei-nos no combate, sede nosso
auxilio contra a malícia e ciladas do demônio. Exerça Deus
sobre ele império, como instantemente vos pedimos, e Vós,
Príncipe da milícia celeste, pelo divino poder, precipitai
no Inferno a Satanás e os outros espíritos malignos que
vagueiam pelo mundo para perder as almas. Amém”.
CONSAGRAÇÃO A SÃO MIGUEL ARCANJO
Príncipe
nobilíssimo da hierarquia Angélica, valoroso guerreiro do
Altíssimo, amante zeloso da glória do Senhor, terror dos
anjos rebeldes, amor e delícia de todos os anjos justos, meu
diletíssimo Arcanjo São Miguel.
Desejando
pertencer ao número dos vossos devotos e servos, ofereço-me
todo a vós, dou-me e dedico-me e coloco todo o meu ser,
todos os meus interesses, minha casa, minha família e quanto
possuo sob a vossa proteção. É pequena a oferta da minha
servitude não sendo eu senão um miserável pecador, mas
grande é o afeto do meu coração.
Lembrai-vos de que de hoje em diante estou sob o vosso
patrocínio, e vós deveis em toda a minha vida assistir-me;
procurar-me o perdão dos meus muitos pecados; alcançar-me a
graça de amar de todo o coração ao meu Deus, ao meu amado
Salvador Jesus, a minha doce Mãe Maria e, ainda,
conseguir-me o que for necessário para chegar à coroa da
glória.
Defendei-me sempre dos inimigos da minha alma, especialmente
no último momento da minha vida. Vinde então, príncipe
gloriosíssimo, assistir-me no último combate e, com a vossa
arma poderosa, atirai para longe de mim, no abismo do
inferno, a aquele anjo prevaricador e soberbo que
prostrastes um dia num combate no Céu. Amém.
O Rosário de São Miguel Arcanjo.
Início:
Deus, vinde em nosso auxílio;
Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.
Glória ao Pai...
Primeira Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos
Serafins, para que o Senhor Jesus nos torne dignos de sermos
abrasados de uma perfeita caridade. Amém.
Ao primeiro coro de Anjos: Glória ao Pai, Pai-Nosso e três Ave-Marias...
Segunda Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos
Querubins, para que o Senhor Jesus nos conceda a graça de
fugirmos do pecado e procurarmos a perfeição cristã. Amém.
Ao segundo coro de Anjos:
Glória ao Pai, Pai-Nosso e três
Ave-Marias...
Terceira Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos
Tronos, para que Deus derrame em nossos corações o espírito
de verdadeira e sincera humildade. Amém.
Ao terceiro coro de Anjos:
Glória ao Pai, Pai-Nosso e três
Ave-Marias...
Quarta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das
Dominações, para que o Senhor nos conceda a graça de dominar
nossos sentidos, e de nos corrigir das nossas más paixões.
Amém.
Ao quarto coro de Anjos:
Glória ao Pai, Pai-Nosso e três
Ave-Marias...
Quinta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das
Potestades, para que o Senhor Jesus se digne de proteger
nossas almas contra as ciladas e as tentações de satanás e
dos demônios. Amém.
Ao quinto coro de Anjos:
Glória ao Pai, Pai-Nosso e três
Ave-Marias...
Sexta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro admirável das
Virtudes, para que o Senhor não nos deixe cair em tentação,
mas que nos livre de todo o mal. Amém.
Ao sexto coro de Anjos:
Glória ao Pai, Pai-Nosso e três
Ave-Marias...
Sétima Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos
Principados, para que o Senhor encha nossas almas do
espírito de uma verdadeira e sincera obediência. Amém.
Ao sétimo coro de Anjos:
Glória ao Pai, Pai-Nosso e três
Ave-Marias...
Oitava Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos
Arcanjos, para que o Senhor nos conceda o dom da
perseverança na fé e nas boas obras, a fim de que possamos chegar a possuir a glória do Paraíso.Amém.
Ao oitavo coro de Anjos:
Glória ao Pai, Pai-Nosso e três
Ave-Marias...
Nona Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos
os Anjos, para que sejamos guardados por eles nesta vida
mortal, para sermos conduzidos por eles à glória eterna do
Céu. Amém.
Ao nono coro de Anjos:
Glória ao Pai, Pai-Nosso e três
Ave-Marias...
Ao final, reza-se:
Um
Pai-Nosso em honra de São Miguel Arcanjo.
Um
Pai-Nosso em honra de São Gabriel.
Um
Pai-Nosso em honra de São Rafael.
Um
Pai-Nosso em honra de nosso Anjo da Guarda.
Antífona:
Ó gloriosíssimo São Miguel, chefe e Príncipe dos exércitos
celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos
rebeldes, amado da casa de Deus, nosso admirável guia depois
de Cristo; Vós, cuja excelência e virtudes são
eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos de todos os males, nós
todos que recorremos a vós com confiança, e fazei pela vossa
incomparável proteção, que adiantemos cada dia mais na
fidelidade em servir a Deus. Amém.
S: Rogai por nós, bem-aventurado São Miguel, Príncipe da Igreja de
Cristo.
R: Para que sejamos dignos de suas promessas. Amém.
Oração:
Deus,
Todo Poderoso e Eterno, que por um prodígio de bondade e
misericórdia para a salvação dos homens, escolhestes para
Príncipe de Vossa Igreja, o gloriosíssimo Arcanjo São
Miguel, tornai-nos dignos, nós vo-lo pedimos, de sermos
preservados de todos os nossos inimigos, a fim de que na
hora da nossa morte nenhum deles nos possa inquietar, mas
que nos seja dado de sermos introduzidos por ele, São
Miguel, na presença
da Vossa Poderosa e Augusta Majestade, pelos merecimentos de
Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.
A
Ladainha de São Miguel Arcanjo.
Senhor, tende piedade de nós
Jesus Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós
Jesus Cristo, ouvi-nos
Jesus Cristo, atendei-nos
Pai Celeste que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho Redentor do mundo que sois Deus, tende
piedade de nós.
Espírito Santo que sois Deus, tende piedade de
nós.
Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende
piedade de nós.
Santa Maria, Rainha dos Anjos, rogai por nós.
São Miguel, rogai por nós,
São Miguel, cheio de graça de Deus, rogai por
nós.
São Miguel, perfeito adorador do Verbo Divino,
rogai por nós.
São Miguel, coroado de honra e de glória, rogai
por nós.
São Miguel, poderosíssimo Príncipe dos exércitos do
Senhor, rogai por nós.
São Miguel, porta e estandarte da Santíssima
Trindade, rogai por nós.
São Miguel, guardião do Paraíso, rogai por nós.
São Miguel, guia e consolador do povo Israelita,
rogai por nós..
São Miguel, esplendor e fortaleza da Igreja
militante, rogai por nós.
São Miguel, honra e alegria da Igreja triunfante,
rogai por nós.
São Miguel, luz dos Anjos, rogai por nós.
São Miguel, baluarte da verdadeira fé, rogai por
nós.
São Miguel, força daqueles que combatem pelo
estandarte da Cruz, rogai por nós.
São Miguel, baluarte da verdadeira fé, rogai por
nós.
São Miguel, força daqueles que combatem pelo
estandarte da Cruz, rogai por nós.
São Miguel, luz e confiança das almas no último
momento da vida, rogai por nós.
São Miguel, socorro muito certo, rogai por nós.
São Miguel, nosso auxílio em todas as adversidades,
rogai por nós.
São Miguel, mensageiro da sentença eterna, rogai
por nós.
São Miguel, consolador das almas do Purgatório, Vós a
quem o Senhor incumbiu de receber as almas depois da
morte,
rogai por nós.
São Miguel, nosso Príncipe, rogai por nós.
São Miguel, nosso Advogado, rogai por nós.
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do Mundo,
perdoai-nos Senhor
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do Mundo,
ouvi-nos Senhor
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do Mundo,
tende piedade de nós, Senhor
Jesus Cristo ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos.
Rogai por nós glorioso São Miguel, Príncipe da Igreja
de Jesus Cristo,Para que sejamos dignos das Suas
promessas. Amém.
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