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CARTA DE UM PÁROCO A SEUS
PAROQUIANOS.
UM
PÁROCO DA DIOCESE DE FONTANARADINA DI SESSA AURUNCA, NA
PROVINCIA DI CASERTA, ITÁLIA - DECIDIU NÃO CELEBRAR MAIS A
MISSA NOVA SEGUNDO O MISSAL DO PAPA PAULO VI - O NOVUS ORDO.
Depois
de ter experimentado por anos a pobreza do Novus Ordo Missae
e de ter assistido às miríades de ofensas que tantos padres
cometem a cada dia contra Nosso Senhor no curso da Missa
(mesmo involuntariamente), ele se deu por conta de que a
crise que a Santa Igreja atravessa há anos é devido
essencialmente ao abandono da sua milenar liturgia.
Depois
de uma profunda e sofrida reflexão, ele decidiu por retornar
ao uso dos livros litúrgicos em vigor até 1962,
valendo-se do indulto perpétuo concedido pelo Papa São Pio V
com a Bulla Quo primum tempore,
plenamente consciente dos enormes problemas com os quais
teria que se confrontar: por amor a Cristo, pela Santa
Igreja e por amor à alma de seus paroquianos. Para
fazer com que todos compreendessem o verdadeiro significado
de sua decisão, ele endereçou aos seus paroquianos três
cartas, quase que um verdadeiro compêndio das suas
sofridas reflexões.
Estas
duas últimas, ele fez questão de participar ao seu Bispo,
recebendo em troca incompreensões e repreensões
disciplinares e então pensou em submeter a sua decisão ao
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal
Ratzinger, de quem recebeu compreensão e apoio espiritual.
O seu
caso ainda está à espera de uma solução satisfatória, e ele,
depois de um período de afastamento, está de volta à sua
paróquia. A nossa esperança é que o Padre Louis se
torne um exemplo pra muitos sacerdotes que, embora
compartilhando de suas reflexões, consideram impossível
assumirem posições corajosas. Cremos não exagerar quando
afirmamos que amadureceu o tempo para que ocorra um
retorno a verdadeira teologia do santo sacrifício da missa
como sempre foi celebrado, mesmo já passado mais de 40 anos
do concílio vaticano II. Período esse semelhante a aquele
que o povo hebreu caminhou no deserto rumo a terra
prometida.
As cartas do Pe. Demornex foram distribuídas na Diocese de
Sessa Aurunca.
Sua
Em.za Rev.ma Card. Joseph Ratzinger
Prefetto della Congregazione per la Dottrina della Fede
00120 Cittàà del Vaticano - tel. 06/69.88.32.96.
Sua
Em.za Rev.ma Card. Darìo Castrillòòn Hoyos
Prefetto della Congregazione per il Clero
Piazza della Città Leonina, 1 - 00193 Roma - Tel.
06/68.30.70.88
Sua
Ecc.za Rev.ma Mons. Antonio Napoletano
Vescovo di Sessa Aurunca
Piazza Duomo, 2 - 81037 Sessa Aurunca (CE) - tel.
0823/93.71.67
Rev.
Padre Louis Demornex,
81037 Fontanaradina di Sessa Aurunca (CE)
tel. 0823/70.51.13
PRIMEIRA CARTA
Por que
retornar à Missa de São Pio V?
Do Rev. Padre Louis Demornex a seus paroquianos.
O
motivo determinante é a questão dos Fragmentos consagrados
que estão sendo profanados de todos os modos possíveis:
1 - Na distribuição da comunhão:
- Sem
a patena, os Fragmentos caem pelo corpo do comungante ou
pelo chão e são pisados, varridos e dispersos;
-
Dada a Hóstia na mão, restam Fragmentos grudados na mão do
Comungante (Por quê até 1989 era sacrilégio tocar o
Santíssimo e hoje isso virou ato de devoção? Onde está a
verdade?);
-
Nem sequer falamos do modo com que certas pessoas guardam a
Partícula ou a levam embora com as mais diversas intenções.
2 - Depois da Comunhão, o Sacerdote:
-
não purifica mais as mãos e nem se lava, mas simplesmente
joga fora a água;
-
grande desleixo no modo de purificar a patena ou a pisside
com o purificatório, pelo qual os Fragmentos acabam ficando
grudados no tecido e dispersos.
Tudo isso nos faz pensar numa mulher que joga o fruto da sua
concepção na lata do lixo.
3- Ora todos esses modos de agir há algum tempo atrás eram
considerados sacrílegos. E por que não são mais?
- Ou
não crêem mais que cada Fragmento seja Jesus Cristo inteiro
e portanto são heréticos.
- Ou
crêem e são sacrílegos.
Nós
Católicos cremos na
"transubstanciação", termo que
significa a mudança de uma substância para uma outra.
Por exemplo, se o chumbo se tornasse ouro, mudaria sua
substancia para aquela do ouro, de Pb se tornaria Au, até
mesmo no nível do átomo que é a menor partícula,
infinitamente pequena. Todos compreendem que um miligrama de
ouro ou um quintal de ouro é sempre ouro.
O mesmo se dá com a Santa Missa:
da substância do pão se passa para a substância
do Corpo do Senhor e a
ciência nos ajuda a compreender exatamente que tal passagem
ocorre até mesmo a nível do "infinitamente pequeno".
Esta é a fé de sempre mantida pela Igreja Católica,
Dogma de fé que jamais poderá ser mudado já que o
Dogma é a eterna Verdade revelada.
E então como é possível justificar novidades tão negativas?
De onde saiu um modo de agir tão irreverente, senão de um
rito que leva a este triste êxito? Eis por que eu tive
que tomar distância de um rito que de tantos modos profana o
Santíssimo (comunhão na mão, tabernáculos removidos e
esquecidos, Eucaristia na mão de "ministros
extraordinários", quer seja homens ou mulheres, Missas
inventadas, inculturadas etc.).
É absolutamente impossível seguir tal anarquia e pretender
espelhar a fé Católica constante.
Portanto tudo isso me obriga a tomar uma decisão:
rechaçar todas essas novidades, por amor à Verdade, à
Eucaristia, à Igreja e às vossas almas que têm direito à
salvação por meio da graça.
Vocês
me perguntarão porque demorei tanto a chegar a estas
conclusões. Pois bem, eu busquei comunicar a fé católica
através desses novos ritos, eu busquei rezar a Missa voltado
para o povo por dois anos na esperança de exprimir também
assim a fé Católica.
Mas
a Missa voltado para o povo se torna obrigatoriamente oferta
ao povo, na sua língua, com os seus cânticos. Torna-se
um banquete, um convívio de festa, de fraternidade, uma
reunião calorosa, dinâmica, participativa, alegre, enfim
uma coisa da terra. Eu assisti certos ritos assim
alegres e festivos que verdadeiramente, ainda que tivessem
uma aparência simpática, faziam com que fosse
impossível ver ali o Sacrifício do Calvário renovado na sua
tremenda dramaticidade.
Temos então que nos confrontar com duas realidades
totalmente diversas:
A -
A Missa oficial atual; que se assemelha a um
banquete, a uma comunhão fraterna entre os presentes para
rezarem juntos celebrando a memória da última ceia de Jesus
com os seus discípulos, pela qual Jesus está presente
espiritualmente em meio aos fiéis (cf. art. 7 do missal
romano). Sendo este rito dirigido aos fiéis, é lógico que
deve ser dito em alta voz, em uma língua compreensível (até
mesmo dialetos), freqüentemente inventado ou improvisado,
variando segundo o lugar, hora, estação, idade dos
presentes, a sua classe. Sem falar da música!
Mas
vocês estão seguros de que em todas essas variações,
caprichos, evoluções, improvisações, fantasias está
sendo sempre expresso integralmente o dogma, a Verdade
Católica?
Vocês
estão seguros de atingirem a plenitude da graça que
provém do rito perfeito definido pela Igreja por ocasião do
Concílio de Trento?
Desta
anarquia, desordem, criatividade, confusão litúrgica surge
obrigatoriamente a confusão espiritual do povo cristão
que criou uma religião do comodismo: entrar numa igreja
com vestes indecentes, bater papo sem nenhum constrangimento
diante do Santíssimo, sem nem mesmo uma pequena genuflexão,
uma saudação, simplesmente como se não existisse. E
sobretudo pegar a Hóstia com a mão como se fosse um pedaço
de pão ordinário, sem o menor cuidado com os Fragmentos, sem
a Confissão prévia, fazer de tudo durante a Comunhão sem
nenhuma disciplina moral ou espiritual, freqüentemente em
estado de pecado mortal, o qual, por outro lado já dizem que
não existe mais.
Quantas surpresas diante do tribunal de Deus ! Realmente é
de causar tremor!
Por
outro lado, o fato de que o rito dessa Missa seja praticado
até mesmo por protestantes de tendência anglicano-calvinista
(altar voltado para o povo) demonstra que ela não exprime
mais o dogma Católico.
Vejam o que disse Lutero sobre a Missa Católica:
«Afirmo que todos os homicídios, os furtos, os adultérios
são ainda menos piores do que esta abominável Missa (Sermão
do 1E° domingo de Advento). Quando a Missa for derrubada,
penso que teremos derrubado o inteiro papado. (Tratado
contra Henricum)».
Na sua carta ao Santo Padre Paulo VI, o cardeal Ottaviani,
Prefeito do Santo Ofício
(não
um analfabeto qualquer, portanto, uma pessoa em posto de
responsabilidade) disse a propósito da nova Missa: «O
Novus Ordo Missae representa, seja no seu todo como nos
particulares, um impressionante afastamento
da teologia da Santa Missa,
tal qual ela foi formulada na sessão XXII do Concilio
Tridentino», e anexou a essa carta um breve exame
critico o qual até hoje não recebeu resposta.
B -
A Missa Católica,
que é a renovação não cruenta do único sacrifício do
Calvário, onde Jesus, por meio de si mesmo como Sacerdote,
se oferece a Deus Pai para obter o perdão dos pecados dos
vivos e dos mortos, é o mistério terrível desta Vítima
divina e eterna que renova a expressão máxima de sua
compaixão pela humanidade arruinada, corrupta, atraída mais
para o mal do que para o bem, excluída do Paraíso, presa à
própria malícia e ao demônio.
A
Missa católica é portanto súplica,
a oferta do Redentor que se faz pecado para lavar no seu
Sangue os nossos pecados.
Esta Missa deve ser seguida com respeito,
profundo silêncio, contemplação devota, participação
comovida do coração que contempla e se une à ação do seu
Redentor que ali se apresenta, feito pecado, ao justo Juiz
que sobre tudo faz um exame exato, e intercede a nosso favor
para que sejamos perdoados.
Jesus diz ao Pai:
«Pai, olha para esta perfeita adoração, para esta
perfeita reparação que te ofereço com o meu Sangue puríssimo
tirado de uma Virgem para que se tornasse purificação dos
pecados de todo o mundo. Olhando para o meu Sangue, o meu
amor, a minha dor, a minha oração, perdoa-lhes, esqueça-Se
de seus pecados, olhe apenas para mim que te amo com amor
eterno, perfeito, infinito, que os amo mais do que minha
própria vida, por isso os tornei preciosos porque foram
comprados a preço do meu próprio Sangue divino.»
E nós
expectadores, adorantes desta súplica, devemos unir nossos
corações ao coração de Jesus que fala por nós, a nosso
favor. Deixemo-lo falar com as palavras e os
gestos que a Igreja definiu e canonizou através dos séculos.
Eis aqui alguns documentos da Igreja, referentes à Missa:
-
Concílio de Trento: decreto e cânones sobre a Missa:
Cap. 4:
«E
porque as coisas santas devem ser administradas santamente
e, de todas, este é o sacrifício mais santo: A Igreja
Católica, para que esse pudesse ser oferecido e recebido
dignamente com todo o respeito, estabeleceu desde muitos
séculos o sagrado cânon, de tal forma purificado de qualquer
erro, que não contém nada que não exale grande santidade e
piedade e não eleve a Deus a mente daqueles que o oferecem.
Este, de fato, é composto seja das mesmas palavras do
Senhor, seja da Tradição apostólica e também de tudo o
quanto foi estabelecido piamente pelos Santos Pontífices.»
(nE°
1745).
O culto de adoração, a oferta do sacrifício é portanto algo
definido pela Igreja, desde sempre e não pode ser
modificado, alterado, proibido.
-
Da
Bulla Quo primum tempore de São Pio V de 14 de julho de
1570:
«Já
que é soberanamente oportuno que, na Igreja de Deus, haja
uma só maneira de salmodiar e um só rito para celebrar a
Missa, parecia-nos necessário providenciar, o mais cedo
possível, o restante desta tarefa, ou seja, a edição do
Missal. Para tanto, julgamos dever confiar este trabalho a
uma comissão de homens eruditos. Restituíram o mesmo Missal
na sua antiga forma segundo a norma e o rito dos santos
Padres.»
« A
Missa não poderá ser cantada ou recitada de outro modo senão
aquele prescrito pelo ordenamento do Missal por nós
publicado.»
«
Por Nossa presente Constituição, que será valida para
sempre, Nós decretamos e ordenamos, sob pena de nossa
indignação, que o uso de seus missais próprios seja supresso
e sejam eles radical e totalmente rejeitados; e, quanto ao
Nosso presente Missal recentemente publicado, nada jamais
lhe deverá ser acrescentado, nem supresso, nem modificado.»
«
Além disso, em virtude de Nossa Autoridade Apostólica, pelo
teor da presente Bula, concedemos e damos o indulto
seguinte: que, doravante, para cantar ou rezar a Missa em
qualquer Igreja, se possa, sem restrição seguir este Missal
com permissão e poder de usá-lo livre e licitamente, sem
nenhum escrúpulo de consciência e sem que se possa
encorrer em nenhuma pena, sentença e censura, e isto para
sempre. Da mesma forma decretamos e declaramos que os
Prelados, Administradores, Cônegos, Capelães e todos os
outros Padres seculares, designados com qualquer
denominação, ou Regulares, de qualquer Ordem, não sejam
obrigados a celebrar a Missa de outro modo que o por Nós
ordenado; nem sejam coagidos e forçados, por quem quer que
seja, a modificar o presente Missal, e a presente Bula não
poderá jamais, em tempo algum, ser revogada nem modificada,
mas permanecerá sempre firme e válida, em toda a sua força.
»
«
Assim, portanto, que a ninguém absolutamente seja permitido
infringir ou, por temerária audácia, se opor à presente
disposição de nossa permissão, estatuto, ordenação, mandato,
preceito, concessão, indulto, declaração, vontade, decreto e
proibição.»
«
Se alguém, contudo, tiver a audácia de atentar contra estas
disposições, saiba que incorrerá na indignação de Deus
Todo-poderoso e de seus bem-aventurados Apóstolos Pedro e
Paulo.»
Por
outro lado, como vocês puderam ver, o rito celebrado é um
rito antigo confirmado pela imemorável tradição, canonizado
pelo Concílio de Trento e por São Pio V, que muitos de vocês
ainda recordam.
- Pelo Direito Canônico:
Antigo Código:
Titulus XII, De delictis contra religionem
Can.
2320 - Qui species consecratas abiecerit vel ad malum finem
abduxerit aut retinuerit, est suspectus de hææresi; incurrit
in excommunicationem latææ sententiææ specialissimo modo
Sedi Apostolicæ reservatam; est ipso facto infamis, et
clericus prææterea est deponendus.
(Quem profanar as espécies consagradas, apoderar-se delas ou
retê-las com fins sacrílegos, torna-se suspeito de heresia,
incorre na excomunhão latææ sententiææ reservada de modo
especialíssimo à Sede Apostólica; o réu é ipso facto infame
e além disso, se for um eclesiástico, deve ser deposto).
Novo Código:
Can
1367 - Qui species consecratas abicit aut in sacrilegum
finem abducit vel retinet, in excommunicationem latææ
sententiææ Sedi Apostolicææ reser-vatam incurrit; clericus
prææterea alia poena non exclusa dimissione e statu
clericali, puniri potest.
(Quem profana as espécies consagradas, ou então as carrega
ou as conserva com objetivo sacrílego, incorre na excomunhão
latææ sententiææ reservada à Sede Apostólica; o clérigo além
disso pode ser punido com outra pena, não excluída a
demissão do estado clerical).
Quem
duvidará que a essa práxis atual da comunhão na mão não se
possa aplicar esse cânon? Isso é o mesmo que dizer que
muitos sacerdotes e bispos se encontram excomungados pela
Igreja Católica! Os fatos são fatos e contra fatos não há
argumentos! É bem verdade que não jogam fora os Fragmentos
com propósito maligno, todavia sabem que os Fragmentos
caem , sabem que em cada um desses Fragmentos
está Deus Sacramentado. O que diríamos então de uma
mãe que joga seu filho pela janela sem nenhuma maldade, sem
querer? Se não é criminosa, é louca!
O
horror, o ódio, a ojeriza absoluta pela Missa Tridentina tem
qualquer coisa que ultrapassa a lógica, o raciocínio e até
os motivos pastorais. Esta Missa moderna é um pesadelo,
um pecado mortal que faz-nos recordar os comentários
altamente teológicos de Lutero:
«Quando a missa for derrubada, estou convencido de que
juntamente com ela conseguiremos derrubar o inteiro papismo.
O papismo, de fato, se apóia sobre a missa como sobre uma
rocha, todo inteiro, com os seus mosteiros, bispados,
colégios, altares, ministérios e doutrina, em uma palavra ,
com todo o seu bojo. Tudo isso cairá necessariamente quando
cair a sua missa sacrílega e abominável. Eu declaro que
todos os bordéis, os homicídios, os furtos, os assassinatos
e os adultérios não são nada em comparação com aquela
abominação que é a missa papista.» (Para quem tem uma
obsessão por reabilitar Lutero!).
Como explicar esse fanatismo contra a Santa Missa?
Chamam-na "nostalgia pelo passado":
Mas
será que um rito...
-
Feito segundo "a norma e o rito dos Santos Padres", isto é
desde os primeiríssimos séculos da Igreja,
-
Que santificou a Igreja e foi celebrado pelos maiores
santos,
-
Que
reflete o eterno presente de Deus, isto é sem passado nem
futuro, sempre idêntico a si mesmo,
-
Regulado pela norma habitual e à qual se anexa uma lei
escrita, totalmente aprovada por atos infalíveis,
-
Universalmente celebrado na sua língua sacra e "estabelecido
há muitos séculos",
Pode por acaso este rito estar sujeito a um gosto
(nostalgia) ou desgosto pessoal?
Estes
sentimentalismos e preferências são a característica
do protestantismo, religião criada pelos gostos e pela
soberba do homem, não revelada do Alto.
Acusam-na de "imobilismo litúrgico".
Na
verdade, se deveria admirar a sua "estabilidade" ao longo
dos séculos, como coisa não humana e sim divina, prova da
sua perfeição. Certamente que não possuem o menor senso de
humor estes "instáveis", os quais, sob o pretexto da
participação, da compreensão por parte do povo, usando
termos científicos como: "atualização contínua, inculturação,
aprofundamento, a formação permanente etc., dão asas a todos
os seus anseios por novidades, tomando por lei tudo que não
passa de capricho do momento.
E quando uma comunidade condena seu próprio passado,
chamando de saudosistas aqueles que ainda o amam,
seguramente acontecerá que num certo amanhã, esta mesma
comunidade acabará por renegar também o seu presente.
Assim fazem os instáveis:
para ocultar a sua fragilidade, estão sempre em busca,
escrevem livros competentes, fazem elocubrações eruditas,
mas nada disso diminui o fato de que o mutante está sempre
em necessidade, de agora em diante necessidade de uma
contínua fuga avante, efeito de uma instabilidade de
caráter, de um desejo de protagonismo, de uma ambição de
escrever e reescrever a história, com contínuas correções ao
ponto que no final agem etsi Deus non daretur, "como se na
Missa não se importassem mais se Deus está presente ou não,
se nos fala e se nos escuta " (CARD. RATZINGER, La mia vita).
E no
final eis o "patatrac"! O último achado: a comunhão na
mão.
Todavia, desta vez a coisa se torna grave. São profanações
claras e evidentes. Di-lo a Fé, a piedade cristã, o Direito
Canônico.
Descobre-se que não sabem mais quem é Deus.
Celebram com convicção e algumas vezes com dignidade, mas um
rito pessoal, onde a "comunidade celebra a si mesma, sem que
valha a pena " (CARD. RATZINGER, La mia vita).
"Sejam bons atores",
é o que tem dito ultimamente o bispo de B. aos seus
sacerdotes.
É
verdade, no teatro, os atores buscam envolver emotivamente
os expectadores, caso contrário, que tipo de atores seriam?
Cria-se, portanto, comunhão, transmissão de uma mensagem.
Com efeito, na busca da comunicação de homem para
homem (sumpaqeia) estão tão atarefados que se
esquecem, por distração, da dimensão vertical do
Sagrado.
O
Sacerdote vai em busca do povo com grande afã, deve agradar
ao povo, necessita do povo, não pode mais celebrar sem o
povo.
Por
outro lado, o Sacerdote se colocou no lugar onde antes se
encontrava Deus, manifestando assim a sua sede de poder, de
aparecer, de presidir, de comandar, de ser valorizado.
E o
povo dá sua opinião: "como ele celebra bem", "mas ele não
acaba nunca!", "pelo menos esse aí celebra rápido!", "parece
que essa Missa não anda". Ouvimos de tudo, já que se trata
dos ritos e das fantasias do celebrante.
"Se o sal perde o seu sabor... para nada mais serve senão
para ser lançado fora e calcado pelos homens"
(Mt., 5, 13). O Sacerdócio é pisoteado juntamente com a
Santíssima Eucaristia, já que agora são os leigos que mandam
no Sacerdote: "Dá- me a hóstia na mão porque eu tenho
esse direito". O sacerdote então é obrigado pelo leigo a
cometer uma profanação.
Dir-me-ão que estão todos de acordo entre si. É verdade, mas
na anarquia.
Dir-me-ão que estão todos juntos nisso. É verdade, mas a
maioria não faz a Verdade.
Há
quem corre na frente, quem permanece atrás, quem empurra e
quem freia quem segue despreocupado a novidade do momento, a
sugestão mais aceitável. Do rito da missa ao repertório dos
cânticos (até isso de acordo com o local) se assiste a uma
babel de funções, todas, cada uma mais disputada do que a
outra, uma verdadeira confusão. Cada paróquia se torna um
gueto com os seus ritos próprios, cânticos e usanças....
Como no ecumenismo: unidade na diversidade, de fato
são todos irmãos: na confusão..
A Igreja Católica ao invés diz: unidade na Verdade.
A estabilidade litúrgica, a uniformidade dos ritos plasma
cada sacerdote como numa estampa única, uniforme, fabricada
na antiguidade, conservada e transmitida íntegra pela
Autoridade.
O
sacerdote se aniquila no rito porque nele é a Igreja que
celebra. E então se pode estar seguro de que o dogma é
transmitido, vivido, a graça se torna presente e é eficaz.
Em todos os lugares da Terra, o sacrifício é único, única a
língua, único o canto, e portanto única a casa onde se
encontram todos os católicos, irmãos na Verdade, na
verdadeira adoração, na celebração de um rito puro, santo,
completo, inspirado por Deus, agradável a Deus, alma da
Igreja, luz dos corações. Rito que não tem nada de humano,
totalmente despojado de elementos e tonalidades terrestres.
"Imobilismo" significa estabilidade, solidez, eternidade,
verdade, segurança.
Quando
no "Russicum" (Roma), foi proposto pelo Reitor de se cantar
em italiano a epístola e o Evangelho, os romanos se
encarregaram de imprimir os textos em italiano para os
fiéis, desde que os textos fossem cantados em slavone.
Não me
parece que nos outros ritos exista um movimento litúrgico de
tipo latino, isto é "ecumênico-evolucionista manipulado pela
base e imposto pela Autoridade".
De
qualquer modo é claro que esta mentalidade atual não tem
nada a ver com a mentalidade católica.
A ruptura é evidente, primeiramente na mentalidade e depois
nos fatos.
« A promulgação da proibição do missal que havia se
desenvolvido por séculos, desde o tempo dos sacramentos da
antiga Igreja, comportou uma ruptura na história da
liturgia, cujas conseqüências só podiam ser trágicas...»
« Estou convencido de que a crise eclesial na qual nos
encontramos hoje se deve em grande parte à decadência da
liturgia. »
« A reforma litúrgica produziu danos extremamente graves
para a fé.»
(trechos de CARD. RATZINGER, La mia vita, ed. San Paolo,
1997).
É
provável também que a crise mundial dependa da abolição do
sacrifício perpétuo. De fato no mesmo período (anos 70):
-
cerca de cem mil sacerdotes e bispos abandonaram o
sacerdócio;
-
Foram aprovadas leis sobre o divórcio e sobre o aborto (em
abril de 1997 só a Itália superou mais de um milhão de
mortos por abortos e o total de abortos em todo o mundo
supera o número de vítimas de todas as guerras da história
humana e depois ainda fingem que a pena de morte já foi
abolida!)
- As
Brigadas vermelhas e o terrorismo na Itália;
- A
droga;
- O satanismo.
"Porque o mistério da iniquidade já está em ação, apenas
esperando o desaparecimento daquele que o detém. Então o tal
ímpio se manifestará."
(II
Tess., 2, 7-8).
Teria sido esta reforma a causa desta apostasia?
Seria o Sacrifício da Missa o obstáculo que detinha o
adversário?
«Caros
filhos e filhas, Nós queremos mais uma vez convidá-los a
refletirem sobre esta novidade que é o novo rito da missa, o
qual será utilizado na celebração do santo sacrifício, a
partir do próximo domingo, dia 30 de novembro, primeiro
domingo do Advento. Novo rito da missa! É uma mudança que
toca uma venerável tradição multisecular. Esta mudança se dá
sobre o desenvolvimento das cerimônias da missa.
Constataremos talvez um certo mal estar porque no altar, as
palavras e os gestos não serão mais idênticos àqueles que
estávamos de tal forma habituados que quase nem mais
prestávamos atenção... Devemos nos preparar para estes
múltiplos incômodos que são inerentes a todas as novidades
que mudam os nossos hábitos.
« Os
sacerdotes que celebram em latim, privadamente poderão
utilizar até o dia 28 de novembro de 1971, seja o Missal
Romano, seja o novo rito. Se usarem o Missal Romano,
poderão. Se usarem o novo rito, deverão seguir o texto
oficial» (PAOLO VI, Alocução da audiência geral do dia 26
de novembro de 1969).
Portanto, o rito moderno é oposto ao rito romano
tradicional.
Padre
Louis Demornex.
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