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DA PRECE DO SACERDOTE E DOS ANJOS
PELOS QUE OUVEM A SANTA MISSA.
É uma queixa geral, entre as
pessoas piedosas, de serem perseguidas pelas distrações
durante a oração.
Para isso, não conhecemos remédio melhor que a
freqüente assistência à santa Missa, onde nossa pobre oração
se une à de Jesus e a de seu sacerdote. Do mesmo modo que
uma moeda de cobre se torna bela e brilhante, quando imersa
no ouro em fusão, nossa oração, fraca e distraída, torna-se,
por esta maneira, atenta e fervorosa.
Por isso disse o sábio e piedoso bispo Fornero:
"A oração feita na Missa, em união com o Sacrifício, é
mais eficaz do que todas as outras, embora cheias de fervor
perfeito e longa duração".
Exporemos, neste capítulo, a razão de tão
consoladora doutrina.
O sacerdote que celebra deve orar não somente pelos
fiéis em geral e oferecer o Sacrifício por sua salvação, mas
é ainda obrigado a orar, particularmente, pelos assistentes
e apresentar-lhes as súplicas ao Altíssimo. Assim a oração
do começo, chamada "Coleta" e a "Secreta" que se segue ao
Ofertório, a "Post-Comunhão", e, em geral, todas as orações
em que o pedido é feito em nome de muitos, são ditas pelos
assistentes, por ti, portanto, se és do número deles, e te
são proveitosas como se estivesses só na igreja com o
sacerdote.
A fim de que saibas, minuciosamente, as orações em
que tens parte oficial, vamos enumerá-las umas após outras.
Ao começar a santa Missa, o ministrante recita o
"Confiteor", em nome do povo, sobre o qual o
sacerdote pronuncia a absolvição seguinte: "O Senhor
onipotente se compadeça de vós, e, perdoados os vossos
pecados, vos conduza à vida eterna! Assim seja". Em
seguida, subindo ao altar, continua: "Apagai, Senhor,
Vos suplicamos, nossas iniqüidades, para que mereçamos, com
pureza, entrar no lugar santo. Por Cristo Senhor Nosso.
Amém".
Ao "Kyrie", que é um grito, um pedido
de socorro à Santíssima Trindade; ao "Glória in
excelsis", como também à "Coleta", o
sacerdote fala em seu nome e no teu. Saúda a assembléia,
reunida ao redor do altar, com a santa saudação: "Dominus
vosbiscum - o Senhor esteja convosco!" Era a
saudação do Anjo a Gedeão; de Booz aos
ceifadores; do Arcanjo Gabriel à Santíssima Virgem. Por
estas palavras, oito vezes repetidas, o sacerdote deseja
salvação e bênção ao povo, porque, se Deus está conosco, que
pode nos faltar?
Ao "Credo" pronuncia, em seu nome e
em nome dos fiéis, a confissão da fé católica, em que
desejamos todos viver e morrer.
"A oblação do pão" diz:
"Recebei Pai Santo, onipotente e eterno Deus, esta Hóstia
imaculada que eu, indigno servo, vos ofereço, meu Deus vivo
e verdadeiro, por todos os meus inumeráveis pecados e
ofensas e negligências, por todos os presentes, e por todos
os fiéis cristãos, vivos e defuntos, para que a mim e a eles
aproveite e seja a salvação na vida eterna. Amém".
Quando deita a água e o vinho no cálice, diz: "Deus,
que criaste, maravilhosamente, a dignidade da humana
natureza e, mais admiravelmente, a reparaste, concede-nos,
por este mistério da água e do vinho, que sejamos consortes
da divindade daquele que se dignou de fazer-se partícipe de
nossa humanidade, Jesus Cristo, teu Filho, Senhor nosso que
contigo reina na unidade do Espírito Santo, Deus por todos
os séculos dos séculos. Amém".
A "oblação do cálice", o sacerdote
diz: "Oferecemos-te, Senhor, o cálice da salvação,
rogando-te a clemência, para que suba à presença da divina
Majestade o suave perfume, por nossa salvação e de todo o
mundo".
Depois do "Lavabo", diz o sacerdote,
inclinando-se: "Recebei, Santíssima Trindade, esta
oblação que te oferecemos em memória da Paixão e
Ressurreição e Ascensão de Jesus Cristo, nosso Senhor, e em
honra da Bem-aventurada Virgem Maria, do Bem-aventurado São
João Batista, dos Santos Apóstolos São Pedro e São Paulo, e
de todos os Santos; para que lhes seja em honra e a nós em
salvação, e estes, cuja memória celebramos na terra, se
dignem de interceder por nós no céu. Pelo mesmo Cristo,
Senhor nosso. Amém".
Voltando-se para o povo, continua: "Orai,
irmãos, para que o sacrifício vosso e meu seja aceito por
Deus onipotente"; e o ministrante responde:
"Receba o Senhor o sacrifício de tua mão, para louvor e
glória de seu nome e também para proveito nosso e de toda a
sua santa Igreja".
A "Secreta", oração misteriosa,
segue-se em voz baixa e, nela, o sacerdote reza também por
todo o povo. Ordinariamente são três, outras vezes mais, nas
grandes festas, uma apenas.
No "Prefácio", o sacerdote excita a
assembléia a unir os louvores aos seus, dizendo: "O
Senhor seja convosco. - Erguei os vossos corações! - demos
graças ao Senhor, nosso Deus! - verdadeiramente é justo,
conveniente e salutar que, sempre e em toda a parte, demos
graças, Senhor santo, Pai onipotente, Deus eterno, porque,
pelo Mistério do Verbo encarnado, resplandeceu, aos olhos de
nossa mente, uma nova luz de tua claridade; de sorte que,
enquanto conhecemos a Deus visivelmente, sejamos por ele
arrebatados ao amor das cousas invisíveis. E por isso, com
os Anjos e Arcanjos, com os Tronos e Dominações e com toda a
milícia do celestial exército, cantemos o hino de tua
glória, dizendo sem cessar: - Santo, Santo, Santo, Senhor
Deus dos exércitos! Cheios estão o céu e a terra de tua
glória. Hosana nas alturas! Bendito seja o que vem em nome
do Senhor! Hosana nas alturas!"
Logo depois começa o "Cânon", parte da santa Missa
que se reza em voz baixa, e da qual lembraremos somente o
"Memento" pelos vivos: "Lembrai-vos,
Senhor, de vossos servos e servas N. N. ..... e de todos os
circunstantes, cuja fé e devoção vos são conhecidas, pelos
quais vos oferecemos este sacrifício de louvor, por eles e
por todos os seus, pela redenção de suas almas, pela
esperança de sua salvação e incolumidade, e vos tributam os
votos, a vós, eterno Deus, vivo e verdadeiro".
Aprende, por estas palavras, a não te afligir, se
tua pobreza te priva de mandar celebrar Missas. Aquela que
ouves é oferecida em tua intenção pelo sacerdote que aplica
o mérito também a ti e aos teus, segundo tua piedade e teu
desejo.
O sacerdote continua: "Nós, que participamos
duma mesma comunhão, honramos, em primeiro lugar, a memória
da gloriosa sempre Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo, nosso
Senhor e Deus, e a dos Bem-aventurados Apóstolos e Mártires,
Pedro e Paulo... e todos os Santos; pedimos que nos
concedais, pelos seus merecimentos e rogos, que, em todas as
cousas, sejamos defendidos pelo auxílio de vossa proteção.
Por Cristo, Nosso Senhor. Amém".
As mãos estendidas sobre a oferta, o sacerdote
prossegue ainda: "Por isso vos pedimos, Senhor, que
recebais, favoravelmente, esta nossa oferta, e de toda a
Igreja; e que, enquanto vivermos, gozemos de vossa paz e,
depois, sejamos livres da eterna condenação e contados entre
o número de vossos escolhidos. Por Jesus Cristo Nosso
Senhor. Amém".
Depois da "elevação", diz:
"Portanto, Senhor, nós, teus servos e teu povo santo,
lembrando-nos da Paixão de Cristo, teu Filho e Senhor nosso,
de sua Ressurreição saindo vitorioso do sepulcro, e de sua
gloriosa Ascensão aos céus; oferecemos à tua gloriosa
Majestade, de teus mesmos dons e dádivas, a Hóstia pura, a
Hóstia santa, a Hóstia imaculada, o Pão santo da vida
eterna, e o Cálice da salvação perpétua. Sobre estes dons te
dignes lançar um olhar favorável e recebê-los benignamente,
assim como recebestes as ofertas do justo Abel, teu servo, e
o sacrifício de nosso patriarca Abraão, e o que te ofereceu
o sumo sacerdote Melquisedec, santo sacrifício, Hóstia
imaculada".
O sacerdote faz, depois, uma profunda reverência,
humilhando-se diante de Deus, e continua: "Ó Deus
onipotente, nós te suplicamos, com humildade profunda, que
mandes levar estes dons pelas mãos de teu santo Anjo, a teu
sublime altar, na presença de tua divina Majestade, para que
todos nós que, participando deste altar, recebamos o
sacrossanto Corpo e Sangue de teu Filho, fiquemos cheios de
toda a graça e bênção celestial. Pelo mesmo Cristo, Nosso
Senhor. Amém".
Ao "Memento" dos defuntos, o
sacerdote ora, em primeiro lugar, por todos os fiéis
defuntos, depois por todos aqueles em cuja intenção celebra
ou que lhe foram recomendados, e acrescenta: "E também
a nós pecadores, que esperamos na multidão de tuas
misericórdias, te dignes dar alguma parte e sociedade com
teus santos Apóstolos e Mártires: com João, Estevão, Matias,
Barnabé, Inácio, Alexandre, Marcelino, Pedro, Felicidade,
Perpétua, Águeda, Lúcia, Cecília, Anastácia, e com todos os
santos, em cuja companhia te rogamos nos admitas generoso,
não considerando nossos méritos, mas a tua indulgência. Por
Cristo, Nosso Senhor. Amém".
Em seguida, reza o "Padre-Nosso" por
si, e acrescenta: "Livrai-nos, te rogamos, Senhor, de
todos os males passados, presentes e futuros e, pela
intercessão da gloriosa sempre Virgem Maria e de teus
Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, de André e de todos
os Santos, dá-nos benigno a paz em nossos dias; para que,
ajudados com o socorro de tua misericórdia, vivamos sempre
livres do pecado e seguros de toda a perturbação. Pelo mesmo
Senhor nosso, teu Filho Jesus Cristo, que contigo vive e
reina em unidade com o Espírito Santo, por todos os séculos
dos séculos. Amém".
Depois faz a fração da sagrada Hóstia, dizendo:
"Esta mistura e consagração do Corpo e Sangue de Nosso
Senhor Jesus Cristo, aproveite-nos para a vida eterna.
Amém". - Inclinando-se então profundamente, diz três
vezes: "Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do
mundo, tende piedade de nós ... dai-nos a paz".
Depois da "Comunhão", seguem-se
algumas orações que o sacerdote reza por si, mas, antes de
abençoar os fiéis, diz ainda: "Agradável vos seja,
Santíssima Trindade, o obséquio de minha servidão, fazei que
este Sacrifício, que eu, indigno, Vos ofereci, aos olhos de
vossa Majestade, seja aceito por Vós, e por vossa
misericórdia se torne propiciatório para mim e todos aqueles
por quem o ofereci. Por Cristo Nosso Senhor. Amém".
Enfim, o sacerdote te abençoa em nome de Jesus
Cristo e de sua Igreja para que estejas preservado do mal
durante o dia.
Eis as orações que o ministro de Deus diz em teu
favor. Simples na aparência, têm, todavia, uma maravilhosa
eficácia, pois são inspiradas pelo divino Espírito Santo,
compostas e sancionadas pela santa Igreja. O sacerdote não
as diz em seu nome, porém em nome de Jesus Cristo e de toda
a cristandade, da qual é o representante. Com efeito, a
santa Igreja, isto é, todos os fiéis enviam o sacerdote como
seu representante ao altar e o encarregam de seus pedidos,
para que os exponha a Deus, durante a santa Missa, e
trate da felicidade eterna e temporal de todos os fiéis e,
em particular também, da libertação das almas
do purgatório.
As palavras deste sublime entretenimento
acham-se ditadas e encerradas no missal pela própria Igreja;
de maneira que, quando o sacerdote chega ao altar e se
apresenta diante da divina Majestade, Deus não o considera
mais como pecador, porém como embaixador da Igreja,
como representante de seu Filho, do qual traz as vestes e as
insígnias, e em nome do qual pronuncia as palavras da
consagração: "Isto é o meu
Corpo, isto é o meu Sangue".
Nestas condições, sua oração vale junto a Deus
tanto como a oração do próprio Jesus. E não somente ora o
sacerdote, mas oferece também um dom, uma jóia de valor
infinito: o Corpo e o Sangue
de Jesus Cristo. Este dom, Deus não o pode
repelir, nem recusar ao sacerdote os piedosos pedidos.
Unamos, pois, nossa fraca oração à do sacerdote e assim
tornar-se-á mais eficaz, mais nobre e obterá o que nunca
obteríamos sozinhos.
Talvez perguntes:
Todas as santas Missas são igualmente boas?
- Antes de responder, dizemos que deves bem
distinguir entre o sacrifício e a piedade de quem o oferece.
O sacrifício, sem dúvida, é igualmente santo e
agradável a Deus, tanto do bom como do mau sacerdote, pois
quem é oferecido, em todas as Missas, é o próprio Jesus
Cristo.
A celebração, isto é, a recitação das orações na
santa Missa, porém, não é igualmente agradável a Deus em
todas as Missas. Neste sentido, o maior ou menor
agrado depende do fervor e da devoção do celebrante.
O sacerdote bem o sabe e, por isso, pede em cada Missa,
freqüentemente, a Deus as suas graças, e aos assistentes,
que o ajudem com as orações, a fim de que seu
sacrifício seja agradável a Deus onipotente. É o
sentido do "Orate fratres": "Orai,
irmãos", diz o sacerdote voltando-se para o povo,
"para que o vosso sacrifício e o meu seja agradável a
Deus onipotente".
São Boaventura escreve: "Todas as Missas são
igualmente boas no que diz respeito ao divino Salvador, com
relação ao celebrante, porém, há Missas melhores e menos
boas".
O cardeal Bona acentua este pensamento, quando diz:
"Quanto mais santo e agradável a Deus for o sacerdote,
tanto mais agradável será o acolhimento reservado à sua
oração e ao seu sacrifício e mais útil a sua Missa, porque
se dá com a santa Missa o mesmo que se dá com as outras
obras pias: os frutos obtidos são proporcionais ao fervor".
É certo que os Anjos estão presentes à santa Missa.
A Igreja o afirma. O profeta real assim cantou:
"Ordenou a seus Anjos que te guardem em todos os teus
caminhos". Segue-se que os Anjos nos acompanham os
passos. Quando, porém, nos dirigimos para o altar do Senhor,
é, com mais alegria e maior satisfação, que desempenham o
ofício, afugentando os maus espíritos que querem
perturbar-nos a devoção, impondo-lhes silêncio ao cochichar
dissipado que chamamos distrações.
Há, pelo menos, o mesmo número de Anjos
presentes à santa Missa quanto de pessoas, visto que cada
assistente tem seu Anjo da guarda, ajudando-o a orar e
adorar a Jesus Cristo sobre o altar. Pede, pois, ao teu que
ouça a santa Missa por ti e contigo, e sua oração inflamada
suprirá as misérias da tua.
Além dos Anjos da guarda, príncipes da milícia
celeste estão, igualmente, presentes no altar, porque ao Rei
dos Anjos, descendo do céu, em pessoa, convém que seus
ministros rodeiem e lhe prestem homenagens.
Assistindo à santa Missa, podemos, pois, dizer a
Deus com o rei David: "Adorar-vos-ei, em vosso santo
tabernáculo, cantarei vossos louvores, na presença dos
espíritos celestes, e bendirei vosso santo nome"
(Sal. 137). Está, portanto, ajoelhado no meio destes
espíritos puros que ouvem a santa Missa contigo e oram,
ardentemente, por tua salvação.
"Lembra-te, ó homem, diz São João Crisóstomo,
junto de quem te achas, durante este misterioso Sacrifício.
Estás entre Querubins e Serafins, entre as Potências
celestes. Comporta-te, pois, de modo a não entristecê-los
com a tua impiedade, pelo contrário, regozija-os com o teu
fervor".
Quando o sacerdote celebra o sublime e temível
Sacrifício, os Anjos assistem-no e, com coro, elevam a voz
para cantar a glória daquele que se imola sobre o altar.
Neste momento, não oram somente os homens, mas os próprios
Anjos dobram os joelhos ante Deus e intercedem por nós,
e esta oração dos Anjos, é mais poderosa do que a nossa. É o
tempo propício, pois o santo Sacrifício está ao dispor
destas potências celestes. Entretanto, unidos os
nossos rogos aos dos Anjos, os nossos pedidos atravessam as
nuvens e são mais facilmente ouvidos do que se tivéssemos
orando em casa, sozinhos.
Os Anjos não somente estão presentes à santa Missa,
como também oferecem ao Altíssimo o santo Sacrifício e as
nossas orações. São João viu-os nesta sublime função e no-lo
refere assim: "Veio, então, o Anjo e pôs-se ante o
altar, trazendo um turíbulo de ouro; lhe foram dados muitos
perfumes, a fim de que fizesse a oferta das orações de todos
os Santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono de
Deus. E a fumaça dos perfumes, emanados das orações dos
Santos, subiu da mão do Anjo até a presença de Deus"
(Apoc. 8, 3 e 4).
Assim os Anjos apressam-se em recolher-te as
orações durante a santa Missa, para levá-las ao céu e
espalhá-las como perfume, em presença de Deus. E, se
estas orações são unidas às de Jesus Cristo e às dos Anjos,
seu perfume é infinitamente agradável à divina Majestade e
tem uma eficácia muito maior, que todas as orações feitas
fora da santa Missa. Novo motivo, pois, para assistires,
todos os dias, ao santo sacrifício, onde tão poderosos Anjos
te esperam e transmitem-te os votos a Deus, vivificando-os
com os seus santos ardores.
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