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A SANTA MISSA É A MAIS DOCE ALEGRIA
DA MÃE DE DEUS E DOS SANTOS.
Nosso Senhor disse, uma vez, ao Bem-aventurado
Alano: "Da mesma maneira que a divina Sabedoria
escolheu uma virgem, entre todas, para ser a Mãe do
Salvador, assim instituiu o sacerdócio para distribuir ao
mundo, em todo o tempo, os tesouros da redenção pelo santo
Sacrifício da Missa e pelos santos Sacramentos. Eis a maior
alegria da minha Mãe, as delícias dos Bem-aventurados, o
socorro mais seguro dos vivos e a melhor consolação das
almas do purgatório" (Alanus rediv. part. E, c. 27).
A Mãe de Deus e todos os Santos gozam duma
felicidade dupla: da bem-aventurança essencial e da
bem-aventurança acidental.
A primeira consiste na vida e na posse de Deus,
conforme o grau de glória, em que foram confirmados, no
momento de sua entrada no céu. Esta bem-aventurança
essencial não pode aumentar nem diminuir. A bem-aventurança
acidental consiste nas horas particulares que Deus, os
outros Santos ou os homens rendem aos felizes habitantes do
céu. Podemos acreditar, por exemplo, que, quando lhes
celebramos a festa aqui na terra, eles recebam, no céu,
honras particulares e todas as nossas orações e boas obras
feitas em sua honra lhes sejam apresentadas por nossos
Anjos, como um ramalhete de perfume delicioso.
O Evangelho indica esta crença claramente, por
estas palavras de Nosso Senhor: "Assim vos digo que
haverá júbilo entre os Anjos de Deus por um pecador que faz
penitência" (Lc. 15, 10). Esta alegria renova-se
pelo bom Pastor, pelos Anjos e pelos Santos a cada volta de
uma ovelha desgarrada, porém, cessa logo que o pecador deixa
de novo o aprisco por uma recaída no pecado.
Este
curto esclarecimento fará compreender em que sentido a santa
Missa é a maior alegria de Maria Santíssima. É a maior
alegria acidental e ultrapassa todas as outras felicidades
desta ordem.
Se, em honra da Rainha do Céu, recitasse o terço, o
ofício, as ladainhas, ou entoasse cânticos, enquanto um
outro assistisse, piedosamente, à santa Missa, este
cumpriria um ato de religião muito superior e causaria um
prazer, infinitamente maior, à Santíssima Virgem.
O que torna ainda a santa Missa muito cara à Mãe de
Deus, é o zelo que tem pela glória de Deus, que a divina
Majestade faz consistir, sobretudo, na salvação das almas.
Pelo santo Sacrifício do Altar, prestamos à augusta Trindade
a única homenagem digna dela e lhe oferecemos, ao mesmo
tempo, o preço da redenção do gênero humano. Ainda uma
vez, que prazer agradável, suave, perfeito para Maria
Santíssima ver-nos cercar o altar, onde seu amado Filho é
adorado, onde choramos os pecados, onde contemplamos a
dolorosa Paixão e onde o precioso Sangue é derramado sobre
nossas almas!
Daí ainda expor a vantagem da santa Missa para os
outros Santos.
Devemos homenagem aos Santos. São amigos de Deus
que os honra; seguem a Cristo vestido de branco,
"porque disso são dignos" (Apoc. 3, 4) e é deles que
Nosso Senhor diz: "Quem vos glorifica, a mim
glorifica" (II Reis, 2, 35). Durante a vida fugiram
das honras, desprezaram-se a si próprios, sofreram, com
paciência, as injúrias, os insultos, as perseguições dos
maus. Por essa razão, Deus manifesta-lhes a inocência e a
virtude e quer que sejam reverenciados por toda a
cristandade.
Sob a inspiração do Espírito Santo, a Igreja
exprime a admiração pelos filhos vitoriosos com os ofícios
próprios do breviário, com cânticos, prédicas, procissões,
peregrinações, mas, principalmente, pelo Sacrifício da
Missa. - "Assim será honrado a quem o Rei dos Céus
quiser honrar".
Na verdade, a honra mais excelente é prestada aos
Santos pelo santo Sacrifício do Altar, se mandamos
celebrá-lo, ou se o assistimos com a intenção de
aumentar-lhes a honra acidental. - Para honrar a um
príncipe, dá-se, às vezes, uma representação teatral, e,
ainda que, na peça, não se faça menção dele, o príncipe não
deixa de experimentar prazer. Da mesma maneira, apesar de,
na santa Missa, representar-se apenas a vida e a paixão do
divino Salvador, os Santos sentem grande alegria e delícias
singulares, quando este espetáculo se realiza em sua honra,
e todo o céu se regozija.
Quando o sacerdote pronuncia o nome dos Santos, o
coração se lhes enternece, porque, observa São João
Cirsóstomo, tendo o rei alcançado a vitória, o povo,
querendo exaltar-lhe os feitos, nomeará também os
companheiros d'armas do herói que, valentemente, destroçou o
inimigo. Da mesma forma, é grande honra para os Santos serem
nomeados, em presença de seu divino Mestre, do qual se
celebram, como em triunfo, a paixão e morte, ouvindo louvar
as vitórias alcançadas sobre o inimigo infernal. O escritor
Molina diz sobre este assunto: "Não podemos ser mais
agradáveis aos Santos do que oferecendo o santo Sacrifício
em seu nome à Santíssima Trindade, em reconhecimento das
graças que receberam, em lembrança dos méritos adquiridos"
(Tract. 4, c. 10).
Observa que não se oferece o santo Sacrifício a São
Miguel nem aos outros Anjos, mas a Deus Pai. Não
encontrarás, em nenhum lugar, que o Santo Sacrifício possa
ser oferecido à Maria Santíssima, aos Anjos ou aos
Bem-aventurados. É sempre oferecido em honra da
Santíssima Trindade; apenas se menciona o nome dos
felizes habitantes do céu, porque, diz Santo Agostinho,
"não é aos Mártires que erigimos altares, mas unicamente
a sua memória". Qual o sacerdote que disse jamais no
altar em que se acham as relíquias dos Santos: "A vós, São
Paulo, a vós, São Pedro, oferecemos o Sacrifício?". Nunca.
Jamais.
O Concílio de Trento usa quase dos mesmos termos:
"Se bem que a Igreja tenha o costume de celebrar a
santa Missa em hora dos Santos, não pretende oferecê-la aos
Santos, porém a Deus, que os coroou". Também o
sacerdote não diz: "Ofereço-vos este sacrifício, oh!
São Pedro, São Paulo", mas agradecendo a Deus a
vitória concedida a tal Santo pede àqueles de quem
celebramos a festa na terra que intercedam por nós no céu.
Aproveita, pois, caro leitor, do excelente poder de
aumentar a felicidade acidental dos habitantes do céu,
oferecendo o santo Sacrifício em honra da Santíssima
Trindade e, na elevação da Sagrada Hóstia, dize a Deus:
"Ofereço-Vos Vosso querido Filho para maior glória e
alegria do Bem-aventurado N. ...".
Para
este fim, antes de ir à igreja, tem cuidado de consultar o
calendário sem jamais esquecer teu padroeiro, e, na hora da
morte, bendirás o dia em que abraçaste esta prática.
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