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A SANTA MISSA É O HOLOCAUSTO MAIS EXCELENTE.
Havia, na antiga lei, quatro espécies de
sacrifícios: o holocausto ou sacrifício latréutico,
pelo qual se reconhecia o soberano domínio de Deus; o
sacrifício de louvor e de reconhecimento; o
sacrifício pacífico, quer fosse eucarístico, quer
impetratório, pelo qual se atraíam os benefícios de Deus;
e o sacrifício expiatório, em que Deus era
honrado como Juiz; era oferecido pela remissão dos pecados e
pela expiação das culpas. Cada um destes sacrifícios tinha
um rito particular.
Desde a criação do mundo até a vinda do Messias,
inumeráveis holocaustos foram oferecidos ao Senhor, e a
Sagrada Escritura afirma que agradavam a Deus. A lei
de Moisés ordenava aos judeus o sacrifício perpétuo ou
sacrifício da manhã e da tarde, que consistia na imolação de
um cordeiro. Nos sábados, o número era
dobrado. Em cada lua nova, imolavam sete cordeiros, duas
cabras e um carneiro. O mesmo número devia ser oferecido
durante oito dias, na Páscoa e no Pentecostes. Na festa dos
Tabernáculos, o número das vítimas aumentava, eram quatorze
cordeiros, treze cabras, dois carneiros e um bode que se
imolavam cada dia durante todo o oitavário.
Além destas oblações obrigatórias, cada um
apresentava ainda, segundo sua piedade, ou suas posses,
bois, cabras, ovelhas, carneiros, pombas, vinho, incenso,
pão, sal e óleo.
Citamos tudo isto para mostrar como eram custosos
os sacrifícios impostos aos patriarcas e aos sacerdotes
judeus, bem que não trouxessem a Deus senão uma exígua
honra, e não merecessem senão pequena recompensa, como disse
São Paulo em sua Epístola aos Hebreus. Não obstante,
agradavam a Deus, porque eram símbolos do Sacrifício
incruento de Jesus Cristo.
Comparai com tudo isto o nosso holocausto que
é pouco custoso, fácil de oferecer, sendo, entretanto, o
sacrifício mais agradável a Deus, o mais precioso para o
céu, o mais útil para o mundo, e o mais consolador para o
purgatório.
Se um homem tivesse imolado todas as vítimas que
foram sacrificadas desde o começo do mundo até Jesus Cristo,
sem dúvida, teria rendido uma grande homenagem a Deus.
Mas que seria este culto comparado ao que rendemos à
divina Majestade por uma só Missa?
Eis como São Tomás de Aquino expõe a essência e o
fim do nosso holocausto: "Confessamos, pelo santo
Sacrifício, que Deus é o autor de toda a criatura, o fim
supremo de toda a beatitude, o Senhor absoluto de todas as
coisas, a quem oferecemos, como testemunho de nossa
submissão e adoração, um sacrifício visível, que figura a
oferenda invisível, pela qual a alma se dá inteiramente a
Deus como a seu princípio e a seu fim".
O holocausto somente pode ser oferecido a Deus, que
o reservou para si: "Eu sou o Senhor, é este o nome
que me é próprio. Não darei a outrem a minha glória, nem
consentirei que se tribute aos ídolos o louvor que só a mim
pertence" (Is. 42, 8).
Esta proibição do Senhor de oferecer sacrifícios
a outros, diz, claramente, que o santo Sacrifício da
Missa não poderia ser oferecido a nenhuma criatura, nem a
Santa Virgem, nem aos Santos; jamais poderíamos
oferecer-lhes a santa Missa.
Eis neste sentido a doutrina do Concílio de Trento:
"Embora a Igreja tenha costume de celebrar a Missa em
honra e memória dos Santos, não ensina que lhes seja
oferecido o sacrifício, porém, a Deus, que os coroou"
(Sess. 22, c. 3). Também o sacerdote não diz: "São
Pedro, São Paulo, ofereço-vos este Sacrifício", mas,
agradecendo a Deus de lhes haver concedido a vitória,
implora-lhes o socorro, a fim de que se dignem interceder
por nós, no céu, enquanto lhe celebramos a memória na terra.
Sendo a vida de Jesus Cristo mais nobre do que a de
todos os homens, sua morte foi mais meritória e preciosa aos
olhos de Deus. E, visto que o Salvador renova sua
morte em cada Missa, segue-se que Deus Pai recebe do santo
Sacrifício maior honra e glória do que se todo o gênero
humano lhe fosse imolado em holocausto.
Que é a santa Missa senão uma embaixada à
Santíssima Trindade, para oferecer-lhe uma oferta de valor
inestimável, pela qual reconhecemos-lhe a soberania e lhe
testemunhamos nossa inteira submissão?
Esta oferta quotidiana é Jesus Cristo, o
próprio Filho de Deus, o único que conhece a infinita
Majestade do Senhor e a honra que lhe é devida. Ele
somente pode, com efeito, render esta honra e lha rende
dignamente, imolando-se sobre o altar. E Jesus Cristo, a
adorável vítima, dá-se-nos tão inteiramente, que nos é
possível oferecê-lo ao Deus três vezes santo, como nosso
próprio bem.
Pobres pecadores,
prestamos-lhe, deste modo, o culto e a honra que lhe é
devida. Sem a santa Missa, ficaríamos eternamente devedores
de Deus.
Caro leitor, não desejais oferecer cada manhã o
mais precioso dos dons a teu Senhor e Deus? Que desculpa
terás, no dia do juízo, de tua negligência?
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