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OS NOVÍSSIMOS -
OS ÚLTIMOS FINS DO HOMEM.
"Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro se no fim
perde a sua alma".
Mt
16,26
"Em tudo o que fazes lembra-te do teu fim e jamais pecarás."
Ecle 7,4
"É bom pensar nos novíssimos todos os dias... porque este
pensamento é eficacíssimo para nos fazer evitar o pecado."
S.Pio
X, Catecismo Maior.
A
MORTE
A
origem da Morte
O que
é a morte
Significado da Morte
A
Morte e Maria
A
Morte, o Moribundo e a Família.
O JUÍZO
PARTICULAR
O CÉU
A
Eternidade
A
Desigualdade
O INFERNO
Doutrina da Igreja Católica
O Pecado Mortal
A Eternidade do Inferno
Desigualdade do sofrimento dos condenados
O inferno segundo S. Faustina Kowalska (canonizada por
João Paulo II)
O inferno segundo os videntes de Fátima, Portugal.
O inferno segundo S.Teresa de Ávila, doutora da Igreja
O inferno segundo
S.Josefa Menendez.
O inferno segundo Santa Catarina de Sena
Porque Deus criou o
inferno?
O que fazer para não ir para o inferno
A Imaculada Virgem Maria e o Inferno
Síntese sobre o Inferno.
Conclusão
O
PURGATÓRIO
Natureza do Suplício do purgatório
Objeto da Purificação
Duração do purgatório
A MORTE
Origem da Morte
A morte na ordem atual de salvação é conseqüência punitiva
do pecado (de fé)
Em seu
decreto sobre o pecado original nos ensina o concílio de
Trento que Adão, por ter transgredido o preceito de Deus,
atraiu sobre si o castigo da morte com que Deus o tinha
ameaçado e transmitiu esse castigo a todo o gênero humano.
cf Dz788 s ; Dz 101, 175.
Dz
788. « Se alguém não confessar que o primeiro homem
Adão, depois de transgredir o preceito de Deus no paraíso,
perdeu imediatamente a santidade e a justiça em que havia
sido constituído; e que pela sua prevaricação incorreu na
ira e indignação de Deus e por isso na morte que Deus antes
lhe havia ameaçado e com a morte na escravidão e, debaixo do
poder daquele que tem o império da morte (Heb 2, 14), isto
é, o demônio, e que Adão por aquela ofensa foi segundo o
corpo e a alma mudado para pior – seja excomungado.»
Dz
789. « Se alguém afirmar que a prevaricação de Adão
prejudicou a ele só e não à sua descendência; e que a
santidade e justiça recebidas de Deus, e por ele perdidas,
as perdeu só para si e não também para nós; ou [disser] que,
manchado ele pelo pecado de desobediência, transmitiu a todo
o gênero humano somente a morte e as penas do corpo, não
porém o mesmo pecado, que é a morte da alma – seja
excomungado, porque contradiz o Apóstolo que diz: Por um só
homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte e
assim a morte passou para todos os homens, no qual todos
pecaram. (Rom 5, 12).»
Ainda
que o homem seja mortal pela sua natureza já que o seu ser
está composto por partes distintas, sabemos pelo testemunho
da revelação que Deus dotou o homem, no paraíso, do dom
preternatural da imortalidade corporal. Mas, no castigo de
ter quebrado a ordem que tinha imposto para o provar, o
Senhor infligiu-lhe a morte, com que já antes o tinha
intimidado. Gen2,16-17 «Podes comer do fruto de todas
as arvores do jardim; mas não comas o da árvore do
conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que o
comeres, certamente morrerás»
S.Paulo ensina que a morte é castigo do pecado de Adão;
« Por isso, tal como por um só entrou o pecado no mundo
e, pelo pecado, a morte, assim a morte atingiu todos os
homens, uma vez que todos pecaram...» Rom 5,12
« Portanto como pela falta de um só, veio a condenação
para todos os homens, assim também pela obra de justiça de
um só veio para todos os homens a justificação que dá a
vida.» Rom 5,18 « É que o salário do pecado é
a morte;» Rom 6,23.
O que é a morte?
A morte é a separação da alma do corpo.
O
corpo é entregue à terra e aí se desfaz. Regressa ao pó
donde saiu. Gn 3,19. Mas a nossa alma, não se desfaz, é
imortal. Imediatamente depois da morte, a nossa alma
comparecerá perante o Deus vivo Criador supremo de tudo
quanto existe e aí será julgada. « Está determinado
que os homens morram uma só vez, e depois disto será o
juízo» Heb 9,27.
Pertence ao depósito da fé que a alma é a forma substancial
do corpo
(Denz 481). Pois bem, na morte rompe-se essa união
substancial existente entre a alma e o corpo. O corpo sem o
seu principio vital, do qual depende intrinsecamente fica
sem vida e converte-se automaticamente em cadáver...Diz a
sagrada escritura: « Lembra-te do teu Criador nos dias
da mocidade, antes que venham os dias da desgraça...Antes
que o fio de prata se rompa e o copo de ouro se parta, antes
que o jarro se quebre na fonte a roldana rebente no poço,
antes que o pó volte à terra de onde veio e o espírito
[=alma] volte a Deus que o concedeu.» (Eclesiastes
12,1,6-7)
Significado da morte.
Com a chegada da morte cessa o tempo de merecer e desmerecer
e a possibilidade de converter-se (sentença certa).
Esta
doutrina da Igreja elimina a doutrina dos "origenistas" que
defendiam que os homens e os anjos condenados acabariam por
se converter e finalmente possuiriam a Deus. Diz o
Magistério da Igreja em Denz. 211 « Se alguém disser
ou sentir que o suplício dos demônios e dos homens é
temporal e que terá fim algum dia, verificando-se a
restituição e reintegração dos demônios e dos homens ímpios,
seja anátema.» Vigilio, Papa (contra Origenes)
Também
elimina a doutrina da "transmigração das almas" ou
reencarnação muito difundida, segundo a qual a alma depois
de abandonar o corpo atual, entra noutro corpo distinto até
encontrar-se totalmente purificada para conseguir a
bem-aventurança.
O
sínodo de Constantinopla no ano 543 DC reprovou esta
doutrina; Dz 211. É doutrina fundamental da Sagrada
Escritura que a retribuição que se recebe na vida futura
dependerá dos merecimentos ou desmerecimentos adquiridos
durante a vida terrena. Segundo Mt, 25,34ss o soberano Juíz
faz depender a sua sentença do cumprimento ou omissão das
boas obras na terra. O rico Epulão e o pobre Lázaro acham-se
separados no mais além por um abismo insuperável (Lc 16,26).
O tempo que se vive sobre a terra é "o dia", o tempo de
trabalhar; depois da morte vem a "noite", quando já ninguém
pode trabalhar" (Jo 9,4).
S.Paulo ensina : «Porquanto todos nós teremos de
comparecer manifestamente perante o tribunal de Cristo, a
fim de que cada um receba a retribuição do que tiver feito
durante a sua vida no corpo, seja para o bem, seja para o
mal» 2 Cor 5,10. Por isso nos exorta o Apóstolo a
fazer o bem «enquanto temos tempo» Gal 6,10;
cf Ap. 2,10.
Assim
com a morte termina para a alma o tempo de proba ou o
"estado de viajante" e penetra para sempre no "estado final
ou eterno" aonde já não pode merecer nem pecar. Com a morte
se chega ao estado de término, que permanecerá imutável por
toda a eternidade. Mais além da morte não existe
possibilidade de mudar o destino que o homem mereceu ao
morrer.
A Morte e Maria
Diz-se
que um dia uma alma eleita, perguntou ao Bom Deus:- Porque
certas almas que vivem no vosso amor, temem a morte? Não é
ela a porta do Paraíso? Eis o que Jesus respondeu:
" Minha Filha, a morte é temível porque é o castigo do
pecador. Mas há uma luz que ilumina: minha Mãe! Na agonia da
morte, quando o inimigo se levanta para roubar-me almas, eis
que minha Mãe brilha, qual luzeiro luminoso e mostra-lhes
que é mãe também dos pecadores e que há de advogar por eles
ante o tribunal divino!
Se meus filhos, quando recitam " Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte"
rezassem bem na vida, não teriam medo de morrer.
Quem é verdadeiro devoto de minha Mãe, morre com um sorriso
nos lábios, porque Ela assiste a todos os meus filhos na
hora da morte. Nesta hora suprema Ela vem assistir aos
pobres pecadores para ver se ainda consegue abrandar os seus
corações endurecidos. Como Me alegram os corações que nela
confiam, porque ainda tenho esperança de salvá-los!
Quem conhecer esta Mãe amável e a invocar na vida com
confiança, no meio da agonia, encontrará este farol
luminoso, que lhe mostrará as portas do paraíso"
Maria!
é a mais Bela Flor do altíssimo. Ela é a mais bela flor do
Céu e da Terra, « humilde e elevada acima de qualquer
criatura». Nenhum outro ser a poderá jamais igualar.
Ela é a loucura de Deus, o delírio de Deus. Objeto da
complacência divina. Ela nunca conheceu, mesmo por um
instante, a escravidão de Satanás. Satanás odeia Maria, a
Filha de Deus, a Mãe de Deus, o objeto das delícias divinas,
a obra prima da Omnipotência, da Omnisciência e da
Omnipresença Divina. Diante dela se inclinam as tropas
angélicas e todos os santos do Paraíso. Maria põe em fuga
todas as potências tenebrosas e com o seu pé esmaga, todas
as vezes que quer, a cabeça da serpente venenosa, Satanás.
« Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre a tua
linhagem e a linhagem dela. Ela te esmagará a cabeça e tu
lhe ferirás o calcanhar.» Gn 3,15
Feliz
de ti se invocas a Virgem Imaculada, a Porta do Céu no
momento da tua morte e lhe suplicas que interceda por ti
junto do Altíssimo. Sim, feliz de ti! Pois já estás a
caminho do Paraíso. Se conhecêssemos o poder da Oração
de Maria, junto do trono do Altíssimo! Por isso
recomendo-te. Pensa em Maria, fala com Maria, Ora a Maria,
suspira por Maria e entrega-te a Maria, durante toda a tua
vida, mas de forma especial na hora da morte! E quando
chegar a tua hora final sobre esta terra, invoca Aquela que
é o Refúgio dos Pecadores e serás salvo.
Lembra-te de Maria e Ela lembrar-se-á de ti junto do
Altíssimo.
Diz
Santo Afonso Maria de Ligório que: « é impossível que
alguém devoto de Maria se condene, se procura obsequiá-la e
encomendar-se ao seu patrocínio... Aqueles devotos com
desejo de emenda, juntam a fidelidade em obsequiar e
encomendar-se à Mãe de Deus. Destes afirmo, que moralmente
falando, não é possível que se condenem.» e
Acrescenta: «...Oh Virgem benditissíma! Tão impossível
é que se salve, o que de Ti se aparta, como perder-se o que
se vale de Ti.» Glórias de Maria, Cap VIII.
A Morte, o Moribundo e a Família.
É dever dos familiares fazer tudo quanto é possível e está
ao seu alcance para salvar a alma do moribundo sob pena de
pecado grave ou mesmo mortal.
É
conveniente chamar o Sacerdote para que o enfermo ou
moribundo receba a absolvição dos seus pecados, apenas
iniciada a gravidade da situação ainda que não exista,
todavia, perigo de morte próxima.
Infelizmente, existe um miserável e estúpido costume,
anti-cristão [ que a tantas almas terá custado a sua
salvação eterna] de só chamar o Sacerdote no último
instante, alegando os familiares que não se pode melindrar o
enfermo falando-lhe de confissão ou extrema unção, chamando
para isso o sacerdote pois poderia induzir o doente que está
próxima a sua morte. Este é um dos maiores crimes que se
podem cometer, daqueles que clamam vingança ao Céu e que não
ficarão sem castigo já neste mundo e depois no outro.
Existem famílias tão néscias e insensatas que preferem que o
enfermo vá tranquilamente para o inferno sem assustar-se, do
que ir para o Céu, mesmo que para isso se lhe deva dizer,
caritativamente, a verdade. Isto é o cúmulo da cegueira e
insensatez! Ai dos que tenham sobre a sua consciência
semelhante crime. Terão que dar contas terríveis a Deus...
«... Morrirás sem te dares conta? Quem são os moribundos
inconscientes? Chamo eu assim, aqueles desgraçados que,
gravemente enfermos, mas enganados pelos seus parentes,
ocultam-lhes a gravidade da sua enfermidade e a aproximação
do seu fim, não sabem que vão morrer até que morrem; nem
caiem na conta que vão ao Juízo de Deus até que estão nele.
Seus parentes e amigos, seu Pai, sua Mãe, seus irmãos,
cruéis e ímpios apesar de vê-lo a caminhar para a morte,
para não alarmá-lo, não o avisam, nem lhe trazem um
Sacerdote, nem lhe procuram os últimos sacramentos, nem o
avisam que se prepare. Oh, Que terrível desgraça e terrível
castigo do Justo Juíz, que permite que os próprios amigos e
parentes sejam cúmplices criminais da condenação de tantos
moribundos! Quem dirá os que se condenaram porque seus
parentes não lhes avisaram a tempo que recebessem os
sacramentos?...»
P.Vilarinho, Caminhos da Vida, nº 11, Como se morre.
Advertimos, por outro lado, que a recepção dos santos
sacramentos em perigo de vida é um verdadeiro mandamento da
Santa Igreja, que obriga tão gravemente, como ouvir missa
aos domingos e dias festivos. De maneira que o enfermo grave
que recusa recebê-los ou os familiares que para não o
assustar ou por qualquer outro pretexto estúpido não o
avisam a tempo - sobretudo se o enfermo não se dá conta por
si mesmo de que está gravemente enfermo - cometem, sem
dúvida alguma, um verdadeiro pecado mortal. Cf Royo Marin ,
Teologia da Salvação, A morte, nº 179.
O JUÍZO PARTICULAR
Imediatamente depois da morte tem lugar o Juízo particular
no qual a Justiça divina decide a sorte eterna dos que
faleceram (sentença próxima da fé). Ao separar-se do corpo a
alma humana é imediatamente julgada por Deus.
Em substância o juízo, consiste na apreciação dos
méritos ou desméritos contraídos durante a vida terrestre,
em virtude dos quais o Supremo Juiz pronuncia a sentença que
decide o nosso destino eterno. As almas não
comparecem perante o Divino Juiz localmente, à maneira de um
tribunal terrestre, mas intelectualmente, não para ser
objeto de debates contraditórios, mas para receber a
correspondente sanção.
Não haverá juízos de discussão, mas somente de retribuição.
O Deus vivo, dá à alma a consciência clara dos seus
méritos ou desméritos. Da mesma forma a sentença
será puramente interior, de forma que fica impressa na
inteligência de cada um. Ir a tribunal diante de Deus
significa que a alma reconhece interiormente diante de Deus
o que ela é, o que vale, o que fez, o que usou bem ou mal
e disto se segue, por conseguinte a sua sorte eterna.
Opõem-se esta doutrina à teoria ensinada por diversas
seitas antigas e modernas segundo a qual, apoiando-se em
(Ap. 20, 1ss) e nas profecias do Antigo Testamento sobre o
futuro reino do Messias, sustinha que Cristo e os justos
estabeleceriam sobre a terra um reinado de mil anos antes de
venha a ressurreição universal e só então virá a
bem-aventurança definitiva.
A doutrina do Juízo particular não foi definida
diretamente, mas é pressuposto do dogma de que as almas dos
defuntos vão imediatamente depois da morte ao céu ou ao
inferno ou ao purgatório.
O Catecismo da Igreja Católica diz no nº 1022 «Cada
homem recebe, na sua alma imortal, a retribuição eterna logo
depois da sua morte, num juízo particular que põe a sua vida
na referência de Cristo, quer através duma purificação, quer
para entrar imediatamente na felicidade do Céu, quer para se
condenar imediatamente para sempre.
No entardecer da nossa vida, seremos julgados sobre o amor
S.João da Cruz, Ditos 64 »
A Sagrada Escritura fornece-nos um testemunho indireto do
juízo particular, pois ensina que as almas dos
defuntos recebem a sua recompensa ou o seu castigo
imediatamente depois da morte; cf Eclo. 1,13;
11,28s. O pobre Lázaro é levado ao seio de Abraão
imediatamente depois da sua morte, enquanto o rico epulão é
entregado também imediatamente aos tormentos do inferno
(Lc 16,22s).
O Redentor moribundo diz ao bom ladrão: «Hoje estarás
comigo no paraíso» Lc 23,43. Judas foi ao
"lugar que lhe correspondia" At 1,25. Em Ezequiel,
diz Deus « Por isso, Eu vos julgarei a cada um segundo
a sua maneira de agir.» Ez 18,30. Para S.Paulo, a
morte é a porta da bem aventurança em união com Cristo. Fl,
1,23: «desejo morrer para estar com Cristo»
Impressionante mas é verdade! Por detrás de meia dúzia de
dezenas de anos, neste mundo, esconde-se uma Eternidade
formidável... E já não existe retorno. Estamos já a caminho.
A felicidade em Deus é a nossa vocação.
Renunciar a ela é um crime punido com a infelicidade
eterna, pois significa renunciar a Deus e ao Amor Infinito
que nos é oferecido em Cristo Crucificado.
Deus não morreu numa cruz, no meio de tormentos inarráveis
para a inteligência humana, para que o homem vivesse como um
demônio, isto é, separado de Deus... Quem Ama é grato. E
quem ama a Deus sabe dizer obrigado, com a vida e com a
inteligência. Se Deus nos pede que obedeçamos à sua Lei para
nos dar a vida eterna, porque não fazê-lo, em lugar de
arriscar uma eternidade maldita? Para quê tentar a Deus?
Quem como Deus? Ai daqueles que resolvem enfrentar
Deus. Sabemos o que aconteceu a Satanás!
Acreditemos ou não, estamos a caminho e dentro em breve
encontrar-nos-emos com Aquele que nos moldou e criou à sua
imagem e semelhança. Ai daqueles que nada quiseram com Deus
em Vida.
O Deus que não quiseram conhecer em Vida, dizia Sto
Agostinho, não os reconhecerá na Morte e para eles será a
sentença: «Não vos conheço!» Mt 25,12
O CÉU
As
almas dos justos que no instante da morte se encontram
livres de todo a culpa e pena de pecado entram no Céu (de
Fé).
O papa
Benedito XII declarou na sua constituição dogmática
Benedictus Deus (1336) que as almas completamente
purificadas entram no céu e contemplam imediatamente a Deus,
vendo-O "cara a cara", pois o Deus Vivo, se lhes manifesta
aberta e imediatamente, de maneira clara e sem velos. As
almas em virtude dessa visão - visão beatífica - são
verdadeiramente felizes e têm a vida eterna e eterno
descanso; Dz 530; cf Dz 40,86,693,696.
O
Concilio de Florença ensina que «... as almas dos que
morrem sem necessidade de purificação, ou depois de
realizá-la no purgatório, são imediatamente recebidas no Céu
e vêm claramente a Deus uno e trino, tal como é; uns, no
entanto, com mais perfeição do que outros, conforme a
diversidade de merecimentos» Denz 693
A título
de exemplo, se alguém contemplar o mar da praia, não o vê em
toda a sua imensidade e profundidade; mas é evidente que vê
o mar, tal e qual ele é em si mesmo. Apesar de tudo, este
exemplo é bastante imperfeito, pois o que contempla o mar
desde a praia não vê o mar em toda a sua imensidade, mas os
bem-aventurados no céu vêm toda a essência divina, mas sem
esgotar a sua infinita cognoscibilidade, isto é, os
infinitos modos de conhecer a Deus. É como que, se elevados
acima do mar, pudessem contemplar todo o mar, mas penetrando
na profundidade do mar em grau desigual.
Os
eleitos do céu vêm a Deus na sua totalidade, mas não
totalmente. Assim, os eleitos no Céu vêm claramente a Deus
tal como é em si mesmo: uno em essência e trino em pessoas,
com todos os seus atributos essenciais. Contudo, uns
contemplam-no com mais perfeição que outros, em função dos
méritos adquiridos na vida humana.
O Céu
consiste na visão imediata de Deus: 1Jo 3,2: «seremos
semelhantes a Ele porque o veremos tal qual é». A
escolástica insiste no caráter sobrenatural da visão
beatifica e exige uma especial iluminação de entendimento a
que chamou a "lumen gloriae", ou luz de glória que seria um
dom sobrenatural e habitual do entendimento que o capacita
para o ato da visão de Deus. Cf Sum. Th. I 12, 4 e 5
Jesus
apresenta a felicidade celeste debaixo de uma imagem de um
banquete de bodas, Mt 25,10; cf Mt 22, 1 ss; Lc 14,15ss,
qualificando esta bem-aventurança de «vida» ou
«vida eterna»; cf Mt 18, 8s;19,29;25,46;Jo
3,15ss;
A
condição para alcançar a vida eterna e conhecer a Deus e a
Cristo: «esta é a vida eterna, que te conheçam a ti,
único Deus verdadeiro, e ao teu enviado Jesus Cristo»
Jo, 17,3. Aos limpos de coração, lhes promete que verão a
Deus: «Bem Aventurados os limpos de coração, porque
eles verão a Deus» (Mt 5,8).
S.Paulo
insiste no caráter misterioso do Céu : «Nem olho viu,
nem ouvido ouviu, nem veio à mente do homem o que Deus
preparou para os que o amam» 1Cor 2,9;cf 2 Cor 12,4
S. Pio X
no seu Catecismo dizia "O Céu é o gozo eterno de Deus,
nossa felicidade e nele a posse de todos os outros bens sem
mal algum; e merece o Céu quem é bom, isto é, quem ama e
serve fielmente a Deus e morre na sua graça."
A visão
direta de Deus, "cara a cara, tal como é em si mesmo"
(1Jo 3,2) enche a alma de uma felicidade tão imensa e
inarrável que nenhuma mente humana a pode conceber e da
qual, neste mundo jamais teremos a menor idéia.
A
felicidade celestial consiste na possessão e gozo fruitivo
do Bem absoluto e infinito que é Deus. O bem aventurado
torna-se participante da natureza divina. E é tal essa
felicidade que todos os outros prazeres, e que são imensos,
são uma gota de água no oceano. É como se a um
multimilionário lhe dessem alguns cêntimos.
Pois bem,
a felicidade humana, no seu gozo e prazer máximos aqui na
terra..., não passam de átomos de felicidade, quando
comparados com o universo desses cêntimos... E pensemos nos
cêntimos que é possuirmos um corpo glorioso, que brilhará
mais do que o nosso sol natural « Então os Justos
brilharão como o sol no reino de seu Pai. O que tem ouvidos,
ouça.» Mt 13,43.
O corpo
dos eleitos brilhará com um resplendor único, uns mais do
que outros, segundo o grau de glória que tiverem alcançado,
nesta vida. O dote da claridade manifestou-o também o Senhor
no dia de sua Transfiguração, em que os três apóstolos lhe
viram o rosto mais resplandecente que o sol, (Mt. 17,2.)
Relembro que o grau de glória no céu redundará do grau de
graça santificante atingido nesta vida ou se quisermos, quem
mais se pareceu com Cristo na terra, maior participação terá
na sua glória, no céu.
Além
disso os corpos dos eleitos possuirão o dom da Agilidade, em
virtude do qual, poderão deslocar-se à velocidade do
pensamento a locais remotíssimos, atravessando distâncias
fabulosas em um instante: « Mas os que põem a sua
esperança em Iahweh renovam as suas forças. abrem asas como
as águias, correm e não se fatigam, caminham e não se
cansam.» Is 40,31.
Este dote
do corpo glorioso, permitirá aos bem aventurados,
deslocarem-se sem estar presos às leis da gravidade ou
quaisquer outras leis materiais. Voarão diríamos nós, na
nossa linguagem humana. Mas voarão de forma perfeitíssima,
com completa e total liberdade!
A
Sutileza será outro dom espantoso que os bem aventurados
possuirão, pois o corpo glorioso dos eleitos estará
completamente espiritualizado, « O mesmo se dá com a
ressurreição dos mortos; semeado corruptível, o corpo
ressuscita incorruptível; semeado desprezível, ressuscita
reluzente de glória; semeado na fraqueza, ressuscita cheio
de força; semeado corpo psíquico, ressuscita corpo
espiritual.» 1 Cor 15,42-43.
Significa
a "espiritualização" do corpo glorificado. Existirá um
domínio absoluto da alma sobre a matéria; o corpo não
oferecerá a menor resistência à alma. O corpo que antes era
grosseiro e compacto, despirá no céu a mortalidade e
tornar-se-á sutil e espiritual e assim já não precisará de
alimentação ou sono ou de outras funções animais.
A matéria
corporal, perderá a sua pesadez e torpeza, ficando
espiritualizada, aptíssima para seguir em tudo os vôos ou
exigências da alma.
Além
disso o corpo dos bem aventurados será um corpo impassível;
esse dom da impassibilidade impedirá que os corpos sintam
qualquer dor, sofrimento ou incomodo. Tanto o fogo, como o
frio em graus absolutos não terão qualquer efeito sobre o
corpo glorioso dos eleitos, pelo que poderiam, literalmente
andar no sol, sem sofrerem qualquer incomodo com isso. Serão
corpos incorruptíveis e como tal impassíveis a qualquer dor
ou sofrimento.
Mas
repito, todos estes dotes do corpo glorioso, assim como
todos os deleites nos sentidos que os eleitos experimentarão
no seu corpo em completo delírio de felicidade e prazer,
serão meras sombras com aquela felicidade que advirá da
nossa união com a essência divina, que elevando
misteriosamente a nossas faculdades intelectuais,
permitir-nos-á, contemplar aquele que é o Amor e a Beleza
infinita...O nosso DEUS e PAI.
A
felicidade essencial do Céu que brota da visão imediata de
Deus acrescenta-se uma felicidade acidental procedente do
conhecimento natural e amor dos bens criados (sentença
comum)
É também
motivo de felicidade acidental para os bem aventurados,
conhecer as obras maravilhosas de Deus, encontrar-se na
companhia de Cristo (referente à sua humanidade), da Virgem
Imaculada, dos anjos e santos, e tornar a encontrar-se com
os seres queridos e com os amigos que se tiveram durante a
vida terrena. A união da alma com o corpo glorioso no dia da
ressurreição final significará um aumento acidental de
gloria celestial.
Eternidade
A
felicidade do Céu dura por toda a eternidade (de Fé )
O Papa
Benedito XII declarou « uma vez que haja começado
neles essa visão intuitiva, face a face, e esse gozo,
subsistirão continuamente neles essa mesma visão e esse
mesmo gozo sem interrupção, nem tédio de nenhuma classe, e
durará até ao Juízo Final e desde aí, indefinidamente, por
toda a eternidade» Dz 530
Jesus compara a recompensa pelas boas obras aos tesouros
guardados no céu, aonde não se podem perder
(Mt 6,20; Lc 12,33). Os justos irão à «vida eterna»
(Mt 25,46; cf Mt 19,29; Rom 2,7; Jo 3,15s.)
«Agora vemos através de espelho, de modo obscuro, mas então
veremos face a face»
1 Cor 13,12 ; «Alegrai-vos e exultai pois é grande a
vossa recompensa nos céus» Mt 5,12 ; «Dai e
dar-se-vos-á: retribuir-se-vos-á uma medida boa, batida,
sacudida e transbordante» Lc 6,38
Sto
Agostinho acrescenta : «Como podia falar-se de
verdadeira felicidade se faltasse a confiança da duração
eterna da mesma?» De Civ. Dei XII 13,1
A vontade
dos bem aventurados se encontra de tal modo confirmada no
bem por uma intima união de amor com Deus, que lhes é
moralmente impossível afastar-se Dele pelo pecado
Impecabilidade Moral.
Desigualdade
O
grau de felicidade celestial é distinto em cada um dos
bem-aventurados segundo a diversidade dos seus méritos (de
Fé)
As
alegrias do Céu não são igualmente intensas para todos os
bem-aventurados. Quem aqui na terra, amou mais a Deus e o
serviu mais fielmente, receberá no céu o amor de Deus em
medida mais abundante.
Jesus nos
assegura: « o Filho do Homem dará a cada um segundo as
suas obras» Mt 16,27. S. Paulo afirma, «cada
um receberá a sua recompensa conforme o seu trabalho»
1 Cor 3,8. «O que semeia com largura, com largura
colherá» 2 Cor 9,6; cf 1 Cor 15,41s.
Jesus fala-nos das muitas moradas que existem na casa do Pai ( Jo,14,2).
A Igreja
afirma no decreto " Decretum pro Graecis" do concílio de
Florença (1439) que as almas dos justos «intuem
claramente ao Deus Trino e Uno, tal qual é, ainda que uns
com mais perfeição do que outros, segundo a diversidade dos
seus merecimentos»; Dz 693, Dz 842.
O INFERNO
DOUTRINA DA IGREJA CATÓLICA
As
almas dos que morrem em estado de pecado mortal vão ao
inferno (de fé)
«Morrer
em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao
amor misericordioso de Deus é a mesma coisa que morrer
separado d'Ele para sempre, por livre escolha própria. E é
este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus
e com os bem aventurados que se designa pela palavra
«inferno». Catecismo da Igreja Católica nº 1033.
«A
doutrina da Igreja afirma a existência do inferno e a sua
eternidade. As almas dos que morrem em estado de pecado
mortal descem imediatamente depois da morte, aos infernos,
onde sofrem as penas do inferno, «o fogo eterno». A
principal pena do inferno consiste na separação eterna de
Deus, único em quem o homem pode ter a vida e felicidade
para que foi criado e a que aspira» Catecismo da Igreja
Católica nº 1035.
Quem até
ao último instante da sua vida na terra rejeita o amor e a
misericórdia de Deus e morre em pecado mortal separa-se de
Deus para sempre. O inferno aparece então como a «última
conseqüência do próprio pecado, que se vira contra quem o
cometeu. É a situação em que se coloca quem rejeita a
misericórdia do Pai, também no último instante da sua
vida... O inferno é o lugar de pena definitiva, sem
possibilidade de retorno ou de mitigação do sofrimento. cf
Lc 16,19-31»João Paulo II, Audiência Geral de 28 de Julho de
1999.
Jesus
ameaça os pecadores com o castigo eterno do inferno.
Chama-lhe Geena (Mt 5,29s;10,28;23,15 e 33;Mc 9,43,45 e 47;
Originariamente significa vale de Ennom), geena de fogo Mt
5,22;18,9; geena aonde o verme não morre nem o fogo se
extingue Mc 9,46s; fogo eterno ;Mt 25,41; fogo inextinguível
Mt 3,12; Mc9,42; forno de fogo Mt 13,42 e 50; Suplicio
eterno Mt 25,46. Ali existem trevas Mt 8,12; gritos e ranger
de dentes Mt 13 42 e 50; 24,51; Lc 13,28. S. Paulo dá o
seguinte testemunho: « esses [os que não conhecem a Deus
nem obedecem ao Evangelho] serão castigados a ruína
eterna, longe da face do Senhor e da glória do seu poder» 2
Tess 1,9; cf Rom 2, 6-9; Heb 10, 26-31.
Segundo
Ap. 21,8 os ímpios [os sem Deus na Sagrada Escritura]
terão a sua parte no «lago de fogo e de enxofre... Aí
serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos
séculos» Ap. 20,10; cf 2 Pd 2,4 «Com efeito,
Deus não poupou os anjos que pecaram mas, precipitando-os no
Inferno, entregou-os a um fosso de trevas...»; Lc
12,4-5.« Não temais os que matam o corpo e depois nada
mais podem fazer. Vou mostrar-vos a quem deveis temer: temei
aquele que, depois de matar, tem o poder de lançar na Geena.
Sim, eu vo-lo digo, a esse é que deveis temer.»
No inicio
do séc. II, S. Inácio da Antioquia (110 DC) afirma :« Todo
aquele que pela sua péssima doutrina, corromper a fé de Deus
pela qual foi crucificado Jesus Cristo, irá ao fogo
inextinguível, ele e aqueles que o escutam» (Eph 16,2).
A Igreja
ao longo dos séculos definiu dois elementos no suplicio
eterno do inferno: A "pena de dano" (suplicio da privação) e
a "pena dos sentidos" (suplicio dos sentidos). A "pena de
dano" é o que constitui propriamente a essência do castigo
do inferno e consiste em ver-se privado da visão de Deus e
de todos os bens que se seguem dela; cf Mt 25,41 «
Apartai-vos de mim, malditos!»; Mt 25,12 « não vos conheço».
A "pena
dos sentidos" consiste nos tormentos causados externamente
pelos meios sensíveis. A Sagrada Escritura fala com
freqüência do fogo do inferno, aonde são lançados os
condenados; designa o inferno como um lugar aonde reinam os
gritos e ranger de dentes, imagem de dor e desesperação.
O
Magistério da Igreja nunca se pronunciou abertamente sobre a
natureza do fogo do inferno, mas a maior parte dos padres,
escolásticos e quase todos os santos e teólogos supõem a
existência de um fogo físico ou agente de ordem material,
ainda que insistem que a sua natureza é distinta do fogo
atual.
A ação do
fogo físico, sobre os seres puramente espirituais a explica
S. Tomas de Aquino - seguindo o exemplo de S. Agostinho e
S.Gregório Magno - como sujeição dos espíritos ao fogo
material que é instrumento da Justiça Divina. Os espíritos
ficam sujeitos desta maneira à matéria não dispondo de livre
movimento; Suppl. 70,3.
É
impressionante, mas é de fé, que a pena de sentido principal
consiste no tormento do fogo e que este não é metafórico,
mas verdadeiro e real, apesar de desconhecermos a natureza
do mesmo. De qualquer natureza que seja o fogo do inferno
atormenta não somente as almas dos condenados, mas também
atormentará os corpos após a ressurreição final.
O fato
que o fogo do inferno atormenta as almas e após a
ressurreição final os corpos é uma verdade de fé! Consta
claramente na Sagrada Escritura que os demônios padecem a
pena do fogo (Mt 25,41) e o mesmo as almas separadas (Lc
16,24). A Igreja definiu que « as almas dos que morrem em
pecado mortal descem imediatamente ao inferno, aonde são
atormentadas com penas infernais» Dz 531
S. Afonso
Maria de Ligório afirma « ...e ainda diz algum insensato : "
Se vou para o inferno, não irei só..." Infeliz! Quantos mais
réprobos haja ali, maiores serão os teus tormentos. Ali -
diz S.Tomás - a companhia dos outros condenados não alivia,
antes aumenta a infelicidade comum. Muito mais sofrerão, sem
dúvida, pela fetidez asquerosa, pelos lamentos daquela
multidão desesperada e pela estreitez em que se encontrarão
amontoados e oprimidos, como ovelhas em tempo de inverno (Sl
48,15), como uvas prensadas no lagar da Ira de Deus (Ap
19,15).
Padecerão
do tormento da imobilidade (Ex 15,16). Tal como cai o
condenado no inferno, assim há de permanecer imóvel, sem que
lhe seja dado mudar de local nem mover uma mão ou pé
enquanto Deus seja Deus.» Preparação para a Morte, cap.26,
Das penas do inferno.
Diz a
Sagrada Escritura: « Quando o rei entrou para ver os
convidados, viu um homem que não trazia o traje nupcial. E
disse-lhe: "Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?"
Mas ele emudeceu. O rei disse, então aos servos: Amarrai-lhe
os pés e as mãos e lançai-o nas trevas exteriores; ali
haverá choro e ranger de dentes.» Mt 22,11-13; « É coisa
terrível cair nas mãos do Deus vivo» Heb 10,31; « Então o
Rei dirá também aos da esquerda: Apartai-vos de mim,
malditos para o fogo eterno, preparado para o diabo e os
seus anjos. E estes irão para o tormento eterno; mas os
justos, para a vida eterna» Mt 25,41,46
Muitos
infelizes minimizam as palavras de Cristo porque segundo
eles a Justiça Divina deveria ser do tamanho da sua tacanha
inteligência e fazem de Deus um "super-homem" ou um "um deus
à imagem da terra"... Esquecem-se que a Majestade de Deus e
a sua Santidade são infinitas e que o pecado é o supremo dos
males. A todos os infelizes que não querem pensar na Justiça
divina para poderem continuar a pecar, aplica-se a máxima de
Eusébio de Cesareia:
«
Infeliz daquele que agora se ri do inferno porque deverá
experimentá-lo pessoalmente antes mesmo de crer nele»
O inferno
é um lugar de tormentos (cf Lc 16, 19-31) é o conjunto de
todos os males sem mistura de bem algum e sem fim; ou como
dizia S.Pio X "o inferno é o sofrimento eterno, que
consiste na privação de Deus, nossa felicidade, e no fogo
com todos os outros males sem bem algum."
O PECADO MORTAL
«Deus não
predestina ninguém para o inferno. Para ter semelhante
destino, é preciso haver uma aversão voluntária a Deus
(pecado mortal) e persistir nela até ao fim.» Catecismo da
Igreja Católica nº 1037
«...Que
quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao
conhecimento da verdade.» 1Tim 2,4
O que é o pecado?
O
pecado é «uma transgressão voluntária da Lei de Deus».
Supõe
sempre 3 elementos essenciais:
Matéria
Proibida ou ao menos estimada como tal.
Advertência por parte do entendimento, isto é, conhecimento
que a matéria é grave.
Consentimento ou aceitação por parte da vontade, isto é,
querer o mal, sabendo que é mal e que é grave.
Se a
matéria é grave e a advertência e o consentimento são
plenos, comete-se pecado mortal. Só se comete pecado mortal
quando se peca em matéria grave. Mas também se requer que se
conheça claramente que se trata de uma coisa grave e que se
consinta plenamente. Só comete pecado mortal quem peca
voluntariamente, isto é, com pleno conhecimento e inteiro
consentimento, em matéria grave. Sem liberdade não existe
pecado.
Segundo
S.Tomás de Aquino o pecado é « um ato pelo qual nos
afastamos de Deus, nosso último fim, prendendo-nos livre e
desordenadamente a qualquer bem criado» S. Thom. I,II,
q.71-73. E diz-nos Santo Afonso Maria de Ligório, na sua
preparação para a morte, cap.26, das penas do inferno.
«Dois
males comete o pecador quando peca: abandona Deus, Bem
infinito e entrega-se às criaturas. «Porque o meu povo
cometeu um duplo crime: abandonou-me a Mim, nascente das
águas vivas, e construiu cisternas para si, cisternas rotas,
que não podem reter as águas» Jr 2,13. E porque o
pecador se entregou às criaturas, com ofensa a Deus,
justamente será atormentado no inferno por essas mesmas
criaturas, fogo, e os demônios; esta é a pena de sentido.
Mas como a sua maior culpa, na qual consiste a maldade do
pecado é afastar-se de Deus, a pena maior que há no inferno
é a pena de dano, o carecer da vista de Deus e tê-lo perdido
para sempre». (cf Antonio Royo Marin, Teologia da Perfeição
Cristã, acerca do pecado mortal)
O
pecado Mortal é um mal gravíssimo
- o supremo dos males - pois Deus o castiga terrivelmente.
Porque tendo presente que Deus é infinitamente justo não
pode infligir aos culpados castigo maior do que merecem; e
que é infinitamente misericordioso e que por sê-lo, castiga
sempre os culpados menos do que merecem, pois tempera o
rigor com a Bondade.
É
necessário, pois, que o pecado seja a suprema abominação,
para ser punido tão rigorosamente.
Assim por um só pecado mortal:
Milhões
de anjos do paraíso converteram-se em horríveis demônios
para toda a eternidade.
Expulsou
do paraíso aos nossos primeiros pais e submergiu a
humanidade num mar de lágrimas, doenças, guerras e morte.
Manterá
por toda a eternidade no fogo do inferno em castigo os
culpados a quem a morte surpreendeu em pecado mortal. É de
fé.
O Verbo
de Deus, Jesus cristo, o Filho muito amado, em quem o Pai
coloca todas as suas complacências (Mt 17,5) quando quis ser
fiador do homem culpável teve de sofrer os terríveis
tormentos da paixão e, sobretudo experimentado em si mesmo -
enquanto representante da humanidade pecadora - a indignação
da justiça divina, até ao ponto de fazê-lo exclamar no meio
de uma dor incompreensível : « Meu Deus, Meu Deus,
porque me abandonas-te?» Mt 27,46.
A razão
de tudo isto é porque o pecado é uma injúria tremenda,
contra Deus, cuja majestade é infinita e existe uma
distância infinita entre Deus e a criatura. Ora tendo em
conta a dignidade de Deus que é infinita, o pecado encerra
em si um malícia de certo modo infinita, porque a dignidade
do ofendido é infinita.
Daí o
castigo terrível que pesa sobre o pecador, quando este
livremente escolhe o pecado por malícia. Em lugar de
amar e adorar o Criador, este ama e reverencia as criaturas
e as coisas criadas fora do seu Criador e da sua Lei,
porque aspira a ser «como Deus» isto é a ser "livre" fora do
seu Criador, estabelecendo ele as «leis» pelas quais quer
existir, na sua sede de prazer e liberdade. Isto é, quer ele
próprio ser deus, pois quer definir o que deve ou não deve
fazer e dessa forma cai na velha tentação do Diabo «
Não, não morrereis; Porque Deus sabe que, no dia em que o
comerdes, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus,
ficareis a conhecer o bem e o mal» Gn 3,4.
O homem é
criatura de Deus e como tal deve obedecer, pois se têm algo
de bom, deve-o ao seu Criador. Mas na sua soberba, este para
não ser confrontado com o seu crime de desobediência às leis
do seu Criador - que é uma lei de amor e foi colocada para
garantir a felicidade de todos e não só de alguns - opta por
fazer-se a si mesmo de deus e definir o que é bem e o que é
mal. O pecado pressupõe uma ingratidão espantosa, pois por
ele, o homem usurpa os direitos divinos de honra e glória,
substituindo-se a Deus. Que aquele que é menos que um átomo,
se ensoberbeça perante o Criador Supremo de tudo e de todos,
é o supremo dos males e merece o supremo dos castigos: o
inferno.
«Todo
aquele que permanece em Deus não se entrega ao pecado; e
todo aquele que se entrega ao pecado não o viu nem o
conheceu... quem comete o pecado é do diabo, porque o diabo
peca desde a origem. Para isto se manifestou o Filho de
Deus: para destruir as obras do diabo... Nisto é que se
distinguem os filhos de Deus e os filhos do diabo» Cf 1Jo
3,6-10.
« Se
alguém vir que o seu irmão comete um pecado que não leva à
morte, peça, e dar-lhe-á vida. Não me refiro aos que cometem
um pecado que não leva à morte; é que existe um pecado que
conduz à morte; por esse pecado não digo que se reze. Toda a
iniqüidade é pecado, mas há pecados que não conduzem à
morte» 1 Jo 5,16-17.
Logo,
segundo S. João existe um pecado que conduz à morte! É a
este pecado que conduz à morte eterna da alma, que a Igreja,
desde o inicio da era cristã, chama o «pecado mortal»
- porque dá a morte à alma, fazendo-a perder a graça
santificante que é a vida da alma como a alma é a vida do
corpo. Aliás já dizia S.Paulo ao Hebreus «Pois, se
pecarmos voluntariamente e com pleno conhecimento da
verdade, já não há sacrifícios pelos pecados. Aguarda-nos
apenas um julgamento tremendo e o ardor de um fogo que
consumirá os adversários.» Hb. 10,26-27.
Eis os
efeitos que o pecado Mortal produz na alma do pecador:
1. Perda
da graça santificante, das virtudes infusas e dons do
Espírito Santo. Supressão do influxo vital de Cristo, como o
sarmento separado da vide. Priva a alma da graça de Deus e
da amizade de Deus.
2. Perda
de presença amorosa da Ssma. Trindade na alma.
3. Perda
dos méritos adquiridos em toda a vida passada e torna-a
incapaz de adquirir novos.
4.
Feíssima mancha na alma «mácula animae» que a deixa
tenebrosa e horrível, à visão divina.
5. Torna
a alma escrava de Satanás, aumento das más inclinações e
remorsos de consciência.
6. Fá-la
merecer o inferno e também os castigos desta vida. O pecado
mortal é o inferno em potência. É um verdadeiro suicídio da
alma e da vida da graça de Deus em nós.
A Eternidade do Inferno
As
penas do Inferno duram por toda a eternidade (de Fé)
O
capítulo Firmiter do concílio de Latrão (1215) declarou:
«Aqueles [os réprobos] receberão com o Diabo o suplício
eterno» Dz 429; cf Dz 40, 835, 840.
A Sagrada
Escritura coloca muitas vezes em relevo o caráter "eterno"
das penas do inferno, pois nos fala de «eterna vergonha e
confusão» Dn 12,2; cf Sb 4,19, de «fogo eterno» Mt
18,8;25,41; de «suplício eterno» Mt 25,46 e de «ruína
eterna» 2 Tess 1,9; O epíteto «eterno» não pode ser
entender-se no sentido de uma duração muito prolongada, mas
ao final de contas limitada. Assim o provam os lugares
paralelos que se fala de «fogo inextinguível» Mt 3,12; Mc
9,42,46. E igualmente o evidencia a antítese «suplício
eterno» e «vida eterna» em Mt 25,46. Segundo o Ap
14,11(19,3) «o fumo do seu tormento [do condenado] subirá
pelos séculos dos séculos», isto é, sem fim; cf Ap. 20,10.
A
«restauração de todas as coisas» da que se nos fala em At
3,21 não se refere à sorte dos condenados,
mas à renovação do mundo que terá lugar com a segunda
vinda de Cristo.
Desigualdade do sofrimento dos condenados
A
quantidade da pena de cada um dos condenados é diversa
segundo o grau diverso da sua culpa. (sentença comum)
Os
concílios de Lyon e Florença declararam que as almas dos
condenados são afligidas com penas desiguais. Dz 464,493.
Jesus
ameaça os habitantes de Corozain e Betsaida assegurando que
por sua impenitência hão de ter um castigo muito mais severo
que os habitantes de Tiro e Sidon; Mt 11,22; Lc 10,12-15. Os
escribas terão um juízo mais severo; Lc 20,47. Ver também Lc
12,47-48 ; Jo 19,11 ; Tg 3,1
S.
Agostinho ensina-nos que « a infelicidade será mais
suportável a uns condenados do que a outros» (Enchir.
III).
A justiça
exige que à magnitude do castigo corresponda à da gravidade
da culpa. E Deus, como diz S. Pio X, "premeia os bons e
castiga os maus porque é Justiça Infinita".
INFERNO SEGUNDO S. FAUSTINA KOWALSKA
« Hoje,
conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do Inferno.
É um cavernoso lugar de grandes suplícios - e como é abissal
a sua vastidão! Eis os diferentes tormentos que vi:
O
primeiro castigo que constitui o inferno é a perda de Deus;
o segundo é o perpétuo remorso da consciência; o terceiro o
de que essa condição nunca mudará; o quarto, é o fogo que
penetra a alma embora sem a destruir - é um sofrimento
terrível, um fogo puramente espiritual, aceso pela Ira de
Deus; o quinto, é a contínua treva, um horrível cheiro
sufocante - e, embora haja escuridão, os demônios e as almas
danadas vêem-se mutuamente e reconhecem todo o mal quer dos
outros, quer seu; o sexto é a constante companhia de Satã; o
sétimo, o tremendo desespero, ódio a Deus, maldições, pragas
e blasfêmias.
Estes são
os tormentos por que todos os condenados em conjunto passam,
mas não se acabam aqui os suplícios. Há outros dirigidos a
algumas almas em especial: são as penas dos sentidos. Cada
alma e atormentada com o que pecou, de maneira horrível e
indescritível. Existem pavorosas prisões subterrâneas,
cavernas e poços de tormento, onde cada tortura difere da
outra. Eu teria morrido só de ver essas terríveis expiações,
senão fora a Onipotência de Deus haver-me amparado. Que cada
pecador saiba que, naquele dos seus sentidos, com que pecou,
há de vir a ser atormentado por toda a eternidade. Escrevo
isto por ordem de Deus, para que nenhuma alma se desculpe,
dizendo, que não há inferno, ou que ninguém lá esteve e não
sabe como é.
Eu irmã
Faustina, por desígnio de Deus, visitei os abismos do
inferno, para que o possa noticiar às almas e testemunhar
que ele existe. Sobre ele, não me é permitido falar agora,
mas tenho ordem de Deus para deixar isto por escrito. Os
demônios estavam cheios de ódio por mim, todavia pela
vontade de Deus eram obrigados a obedecer-me. E o que acabei
de descrever dá apenas uma pálida imagem das coisas que vi.
Notei no entanto, uma coisa: a maior parte das almas que lá
estão é justamente daqueles que não acreditavam que o
inferno existia.
Quando
voltei a mim quase que não podia refazer-me do terror
daquela visão. Como as almas sofrem horrores ali! Por isso,
rezo com mais fervor ainda pela conversão dos pecadores.
Rogo incessantemente a Misericórdia de Deus para eles. Ó meu
Jesus, preferia sofrer a maior agonia, até ao fim do mundo
do que vos ofender com o menor que fosse dos pecados.»
Diário da Irmã Faustina, caderno II, 741.
A VISÃO DO INFERNO SEGUNDO OS VIDENTES DE FÁTIMA, PORTUGAL
« -
Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em
especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é
por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação
pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.
Ao dizer
estas últimas palavras, abriu de novo as mãos como nos dois
meses passados. O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos
como que um mar de fogo, mergulhados nesse fogo os demônios
e as almas como se fossem brasas transparentes e negras ou
bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio,
levadas pelas chamas que delas mesmas saiam, juntamente com
nuvens de fumo caindo para todos os lados, - semelhante ao
cair das fagulhas em grandes incêndios - sem peso nem
equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero, que
horrorizava e fazia estremecer de pavor (devia ser ao
deparar-me com essa vista que dei esse «ai» que dizem ter-me
ouvido). Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e
asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas
transparentes como negros carvões em brasa.
Assustados e como a pedir socorro levantamos a vista para
Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza:
Vistes o
inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para
as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao meu
Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser,
salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar,
mas, se não deixarem de ofender a Deus... Começará outra
pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz
desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de
que vai punir o mundo de seus crimes por meio da guerra, da
fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre. Para a
impedir, virei pedia a consagração da Rússia a meu Imaculado
Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se
atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão
paz; senão, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo
guerras e perseguições à Igreja; os bons serão martirizados;
o Santo Padre terá muito de sofrer; várias nações serão
aniquiladas. Por fim o meu Imaculado Coração triunfará. O
Santo Padre consagrar-me-á a Rússia que se converterá e será
concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal,
conservar-se-á sempre o Dogma da Fé, etc. Isto não o digais
a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo.
Quando
rezais o terço, dizei depois de cada mistério: - Ó meu
Jesus perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as
almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais
precisarem. » Aparição de 13 de Julho - Sexta Feira.
O INFERNO SEGUNDO S.Teresa de Ávila, Doutora da Igreja
Estando
um dia em oração achei-me de repente, sem saber como, e
segundo me parece, toda metida no inferno. Entendi que o
Senhor queria que visse o lugar que os demônios lá me tinham
preparado, e eu merecido, por meus pecados.
Foi de
brevíssima duração, mas embora eu vivesse muitos anos,
parece-me impossível esquecê-lo. Parecia-me a entrada à
maneira de um beco muito comprido e estreito, semelhante a
um forno muito baixo e escuro e apertado. O chão pareceu-me
duma água com lodo muito sujo e de cheiro pestilencial e
cheio de muitas sevandijas peçonhentas. No fundo havia uma
concavidade aberta numa parede a modo dum armário, aonde me
vi meter em muita estreiteza.
Tudo isto
era deleitoso à vista em comparação do que ali senti...
Senti um grande fogo na alma que eu não chego a entender
como poder dizer de que maneira é. As dores corporais são
tão insuportáveis que, apesar de eu as ter passado nesta
vida gravíssimas, tudo é nada em comparação do que ali
senti. E, segundo dizem os médicos, tive as maiores que aqui
se podem passar. Foi encolherem-se-me todos os nervos quando
fiquei tolhida, além de outras muitas e de muitas maneiras,
e até algumas, como tenho dito, causadas pelo demônio. Pois
tudo isso é nada em comparação do que ali senti e ver que
havia de ser sem fim e sem jamais cessar. E do agonizar da
alma: um aperto, uma sufocação, uma aflição tão sensível e
com um tão desesperado e aflitivo descontentamento, que eu
não sei explicar. Porque dizer que é um estar sempre
arrancando-se a alma, é pouco, pois que então ainda parece
que outro vos acaba com a vida; mas aqui é a própria alma
que se despedaça. O caso é que eu não sei como encarecer
aquele fogo interior e aquela desesperação sobrepostos a tão
gravíssimos tormentos e dores. Não via eu quem mos dava, mas
sentia-me queimar e retalhar, ao que me parece; e digo que
aquele fogo e desesperação interior é o pior.
Estando
em tão pestilencial lugar, tão desesperada de toda a
consolação, não há sentar-se, nem deitar-se, nem há lugar
porquanto me puseram neste como que buraco feito na parede;
porque estas paredes, que são espantosas à vista apertam por
si mesmas e tudo sufoca. Não há luz, mas tudo trevas
escuríssimas. Eu não entendo como pode ser isto, que, não
havendo luz, se vê tudo o que à vista há de causar pena.
Não quis
o Senhor que eu então visse mais nada de todo o inferno;
depois, porém, tive outra visão de coisas espantosas: o
castigo de alguns vícios. Quanto à vista, pareceram-me muito
mais espantosos, mas como não sentia a pena, não me fizera
tanto temor como na visão em que o Senhor quis que eu
verdadeiramente sentisse aqueles tormentos e aflição no
espírito, como se o corpo o estivesse padecendo. Eu não sei
como isso foi, mas bem compreendi ser grande mercê e que o
Senhor quis que eu visse - numa vista de olhos - donde me
tinha livrado a Sua misericórdia. Porque não é nada o
ouvi-lo dizer, nem eu ter meditado de outras vezes sobre
diversos tormentos - embora poucas vezes o fizesse, pois que
por caminho de temor, não ia bem a minha alma -, nem que os
demônios atanazem, nem outros diferentes suplícios que tenho
tido. Não, nada é como esta pena, porque é outra coisa.
Enfim, é tão diferente como a pintura o é da realidade; e
o queimar-se aqui na terra é muito pouco em comparação com
este fogo de lá...
E assim
não me recordo vez alguma em que tenha trabalhos ou dores
que tudo quanto cá na terra se pode passar não me pareça
ninharia e assim julgo que, em parte, nos queixamos sem
razão. Torno pois, a dizer que foi uma das maiores mercês
que o Senhor me tem feito, e me tem aproveitado muitíssimo,
tanto para perder o medo às tribulações e contradições desta
vida, como para esforçar-me a padecê-las e dar graças ao
Senhor que me livrou, ao que agora me parece, de males tão
perpétuos e terríveis.
De então
para cá, como digo, tudo me parece fácil em comparação dum
momento que se haja de sofrer o que eu ali padeci.
Espanta-me como, tendo lido muitas vezes livros que dão
alguma idéia das penas do inferno, como não as temia nem as
tinha no que elas são... Daqui cobrei a grandíssima pena que
me dão as almas que se condenam (destes luteranos em
especial, porque já eram pelo batismo membros da Igreja) e
os grandes ímpetos de salvar almas, que a mim me parece
certo que, para livrar uma só de tão gravíssimos tormentos,
padeceria eu muitas mortes de muito boa vontade.» Santa
Teresa de Jesus, Livro da Vida, cap. XXXII.
O INFERNO SEGUNDO SANTA JOSEFA MENENDEZ
«...Vi
muita gente do mundo cair dentro do inferno e agora as
palavras não podem descrever, nem por assombro, seus
horríveis e espantosos gritos: " Condenado para sempre...Eu
me enganava a mim mesmo...Estou perdido...Estou aqui para
sempre, jamais!"
«...Os
ruídos de confusão e blasfêmias não cessam por um instante.
Um nauseabundo odor asfixia e corrompe tudo; é como queimar
carne putrefata, misturada com alcatrão e enxofre... Uma
mistura a que nada na terra pode ser comparável.»
«...comecei a ouvir muitos gritos e de seguida encontrei-me
numa passagem muito estreita. Na parede existiam uma espécie
de nichos, donde sai muito fumo mas sem chama e muito mau
odor. Eu não posso dizer o que se ouve, toda a classe de
blasfêmias e de palavras impuras e terríveis. Uns maldizem o
corpo... Outros maldizem seu pai ou mãe... Outros
reprovam-se a si mesmos, não ter aproveitado tal ocasião,
tal luz, para abandonar o pecado. Enfim, é uma confusão
tremenda de gritos de raiva e desesperação... Mas o que não
têm comparação com nenhum tormento é a angústia que sente a
alma, vendo-se separada de Deus. Para poder livrar-me do
inferno, e eu sou tão medrosa para sofrer, eu não sei a que
estou disposta. »
«...Não
sei dizer o que sofro...É tremendo tanta dor...Parece que os
olhos saírem do seu lugar, é como se os tirassem,
arrancando-os...Os nervos contraem-se. O corpo está como
dobrado, não pode mover-se, nem um dedo... O odor que existe
é horrível, não se pode respirar, mas tudo isso é nada em
comparação da alma, que conhecendo a bondade de Deus, vê-se
obrigada a odiá-LO e sobretudo se o conheceu e amou, sofre
muito mais...» cf Josefa Menendez, Convite ao Amor
Divino.
O inferno segundo Santa Catarina de Sena
«... Filha, tua linguagem é incapaz de descrever os
sofrimentos destes infelizes...,
no inferno os pecadores padecem quatro tormentos principais.
Primeiro tormento é a ausência da minha visão. Um sofrimento
tão grande que os condenados, se fosse possível, prefeririam
sofrer o fogo vendo-me, que ficar fora dele sem me ver.
Segundo
tormento, como conseqüência, é o remorso que corrói
interiormente o pecador privado de mim longe da conversação
dos anjos, a conviver com os demônios. Aliás, a visão do
diabo constitui o terceiro tormento. Ao vê-lo, duplica-se o
sofrer... Os infelizes danados vêem crescer seus
padecimentos ao verem os demônios. Nestes, eles se conhecem
melhor, entendendo que por própria culpa mereceram o
castigo.
Assim o
remorso os martiriza e jamais cessará o ardor da
consciência. Muito grande é este tormento porque o diabo é
visto no próprio ser; tão horrível é sua fealdade, que a
mente humana não consegue imaginar... Segundo a Justiça
Divina ele é visto mais ou menos horrível pelos condenados,
segundo a gravidade das suas culpas. O quarto tormento é o
fogo. Um fogo que arde sem consumir, sem destruir o ser
humano. É algo imaterial, que não destrói a alma incorpórea.
Na minha Justiça, permito que tal fogo queime, faça padecer,
aflija; mas não destrua. É ardente e fere de modo
crudelíssimo em muitas maneiras. A uns mais, a outros menos,
segundo a gravidade dos pecados.» Santa Catarina de Sena, O
Diálogo, 14.3.2
PORQUE CRIOU DEUS O INFERNO?
Argumentos Teológicos e Racionais.
«
Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo do inferno,
preparado para o diabo e os seus anjos... E irão estes para
o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna»
Mt 25,41,46.
Aquele
que afirmou «Porque não entendeis a minha linguagem?
Porque não podeis ouvir a minha palavra? Vós tendes por pai
o diabo, e quereis realizar os desejos o vosso pai. Ele foi
assassino desde o principio, e não esteve pela verdade,
porque nele não à verdade... Por isso não acreditais em mim,
porque vos digo a verdade...Se digo a verdade, porque não em
acreditais? Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; vós
não as escutais porque não sois de Deus.» Jo,
8,42-47.
Jesus não
mente. Ele é a Verdade. Se ele afirmou que o inferno é uma
realidade, por que duvidar? Todo aquele que nega a realidade
do inferno, nega que Jesus seja a Verdade e todo aquele que
não crê em Jesus, está dito:
«Quem crê no Filho têm a vida eterna; quem se nega a crer no
Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus.»
Jo 3,36. E ainda « Quem nele crê não é condenado, mas
quem não crê já está condenado, por não crer no Filho
Unigênito de Deus» Jo3,18
Quem é
que não acredita no inferno? Quem lhe convém que ele não
exista!
«
De fato quem pratica o mal odeia a Luz e não se aproxima da
Luz para que as suas ações não sejam desmascaradas. Mas quem
pratica a verdade aproxima-se da Luz, de modo a tornar-se
claro que os seus atos são feitos segundo Deus» Jo 3,20-21.
Jesus
referencia aproximadamente 20 vezes o inferno no evangelho
S. Mateus e em cerca de 10 vezes fala em Fogo! E no Novo
Testamento afirma-se cerca de 23 vezes que existe fogo.
Porque esta preocupação, diria quase obsessiva, em
alertar-nos para a terrível realidade do inferno, se ele não
existisse?
Deus, o
Sumo Bem, afirma: « Porque quereis morrer, casa de
Israel? Pois eu não me comprazo com a morte de quem quer que
seja - oráculo do Senhor Deus. Convertei-vos e vivei.»
Ez 18,32. « Porventura me hei de comprazer com a morte
do pecador - oráculo do Senhor Deus - e não com o fato de
ele se converter e viver?» Ez 18,23.
Pergunta: Deus quis o inferno?
R: O
Inferno existe, porque existe o Pecado! O pecado é obra do
homem e do demônio; o inferno é o fruto do pecado. Deus não
quer o inferno, como nós não queremos as prisões, mas assim
como estas devem existir, pelo fato de os homens serem
livres e de poderem abusar dessa liberdade, da mesma forma
Deus teve de criar o inferno, para garantir a ordem e a
justiça. Caso contrário, Deus não seria Justo e se Deus não
fosse justo, seria injusto e como tal não seria Deus, o que
não faz sentido algum! Existe um abismo infinito entre a
criatura e o Criador.
Pergunta: Porque Deus criou o Inferno?
R: Para
castigar o Pecado
Pergunta: Porque o inferno é tão terrível?
R: A
justiça perfeita exige que exista uma proporção entre a
magnitude do crime e a magnitude do castigo. Sendo Deus, um
Deus de natureza infinita, e sendo o pecado mortal uma
ofensa voluntária contra Deus, encerra em si uma gravidade e
uma malícia infinitas; Logo mereceria um castigo infinito.
Como a criatura é finita, e não suportaria tal castigo,
proporcional à gravidade da sua culpa, este em lugar de ser
infinito em intensidade, por permissão divina, será infinito
na sua duração. Além disso, se Deus fizesse um inferno «light»
ou suave, como se diz agora, o pecador seria induzido a
pecar indiretamente pois seria induzido a não temer o
Senhor, nem os seus juízos, já que o castigo seria um
«castigo» light. E nesse caso Deus, de forma indireta, seria
agente de pecado. E se fosse assim, como poderia castigar o
pecado que ele próprio induziu? Deus já não seria Justo e
como tal não seria Deus.
Pergunta: Então o inferno é eterno?
R: Sim é
eterno. Deus não pode perdoar a quem não quer ser perdoado.
Seria uma monstruosidade e uma tirania. E como o pecador não
quis aceitar o perdão de Deus e dessa forma ultrajou a
Misericórdia Divina, pois a recusou, Deus deverá exercer a
sua Justiça. Ora Justiça é dar a alguém, aquilo que é seu e
que merece por direito. Como o pecador ofendeu a Deus, Deus
pela sua Justiça, retira ao pecador tudo aquilo que Lhe
pertence, ficando o pecador com aquilo que é seu por
direito, isto é o seu pecado. Como o fruto do pecado é o
inferno, e este têm uma gravidade infinita, tendo presente a
dignidade do ofendido, o pecador merece um inferno eterno.
Além
disso, faria algum sentido que depois de ser condenado, o
Diabo, que é a personificação da soberba, dissesse:
«condenaste-me a um milhão de milênios no inferno, mas
quando eu sair, ajustaremos contas...» Poderia uma justiça
assim ficar satisfeita? Nem a justiça humana, quanto mais a
divina. Além de que se as penas do inferno não fossem
eternas, por analogia a felicidade dos eleitos não seria
eterna, e estes ao saberem que o Céu não seria eterno, não
teriam felicidade perfeita, logo o céu deixaria de ser Céu,
o que não faz sentido algum.
Pergunta: Mas não existe proporção alguma entre 50 ou 60
anos de pecado e uma eternidade no inferno?
R: Quando
o assassino mata alguém e demora 5 segundos, significa isso
que só mereceria ser castigado por 5 segundos. E se um
violador demora-se uma hora a violar uma criança, mereceria
ser castigado uma hora? A Justiça humana diz que não e isso
repugna à inteligência humana. Então o castigo é dado não em
função do tempo que demorou a ser executado o crime, mas em
atenção à gravidade intrínseca do crime. Como um crime
[pecado mortal] cometido contra Deus é de gravidade
infinita, merece uma condenação proporcional à magnitude do
crime cometido.
Pergunta: Mas o objeto de um castigo não é a reforma daquele
que faz o mal?
R: Não.
Existem duas espécies de castigo: Um para corrigir e outro
para satisfazer a Justiça. Para corrigir, serve-se Deus das
tribulações desta vida « Meu filho, não desprezes a
disciplina de Iahweh, nem te canses com a sua exortação;
porque Iahweh repreende os que ele ama, como um pai ao filho
preferido» Pr. 3, 11-12; mas se mesmo assim o
pecador faz-se surdo ao apelos divinos, e despreza o seu
Criador e as sua Leis, implícita ou explicitamente a Justiça
exige que o mal efetuado seja satisfeito.
Se o
pecador não quis reparar o seu pecado, no tempo ,enquanto
podia, então deve satisfazê-lo na eternidade. Se Deus ameaça
o homem com as penas do inferno, Ele deve levar a cabo a Sua
ameaça se o homem não observa a sua Lei e continua a pecar.
Deus não é só Infinitamente Bom e Santo. É também
Infinitamente Justo e Sábio «...o senhor daquele servo
virá em dia imprevisto e hora ignorada. Ele o partirá ao
meio e lhe imporá a sorte dos hipócritas. Ali haverá choro e
ranger de dentes» Mt 24,50.
Pergunta: Mas a maioria dos homens só peca provisoriamente,
esperando arrepender-se depois. Por que condená-lo?
R: Quem
morre em pecado mortal significa que não se arrependeu. No
entanto essa esperança num arrependimento futuro é uma
ilusão vã e imoral. Vã, porque sem a graça de Deus o pecador
não pode sair do seu pecado, isto é, sem a graça do
arrependimento, que Deus não está obrigado a dar a ninguém e
que pode inclusive negá-la em face de tanta ingratidão do
pecador. O que se lança a um poço do qual não pode sair sem
que lhe estendam uma corda, resigna-se a permanecer nele
eternamente, se alguém de cima não lhe estender uma corda,
corda essa que ninguém está obrigado a estender em função da
sua temeridade. Imoral, porque se apóia precisamente na
misericórdia de Deus para ofendê-lo com maior tranqüilidade.
Pergunta: Mas Deus não é Infinitamente Bom e Pai de todos os
homens. Como pode então condenar alguém ao inferno?
R: Deus é
infinitamente Bom, mas também é infinitamente Justo e a sua
Justiça é infinitamente séria. A Justiça Divina assinalou um
prazo para o exercício incondicional e total da sua
misericórdia: a hora da morte. E a infinita Seriedade de
Deus o impede de voltar atrás, oferecendo ao pecador uma
nova oportunidade de salvação, depois deste ter injuriado a
Misericórdia Divina. Se Deus voltasse atrás na sua decisão,
estava a autorizar os pecadores a injuriá-Lo
indefinidamente. Se Deus perdoasse de todas as formas mesmo
para lá da morte, estava a induzir o pecador a pecar a
rir-se Dele eternamente, e então era um Deus pouco sério e
nada Justo, isto é, não era Deus.
Além
disso não é verdade que todos somos filhos de Deus: Todos
somos criaturas de Deus, mas não filhos. Jesus é bem claro
em Jo 8, 42,44,47 «...Se Deus fosse vosso pai, vós me
amaríeis, porque saí de Deus e dele venho...Vós sois do
Diabo, vosso pai, e quereis realizar os desejos do vosso
pai...Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso não
as ouvis: porque não sois de Deus»
E diz
S.João em 1 Jo 3, 8,10 «...Aquele que comete o pecado
é do diabo, porque o diabo é pecador desde o principio. Para
isto é que o Filho de Deus se manifestou: para destruir as
obras do diabo... Nisto se revelam os filhos de Deus e os
filhos do Diabo: todo o que não pratica a justiça não é de
Deus nem aquele que não ama o seu irmão.»
Então existem os filhos do diabo e os filhos de Deus. Quem
comete o pecado mortal e nele morre, renuncia
voluntariamente à paternidade divina, mesmo sabendo que fere
Deus infinitamente - Ver o Deus Vivo Crucificado no meio de
tormentos inarráveis numa cruz - e por isso não é Filho. Não
é filho porque não quis e para sempre será filho do Diabo.
Só é Filho de Deus, quem está na graça de Deus, quem se
esforça em cumprir os mandamentos de Deus e o invoca como
seu Pai.
Pergunta: Porque é que Deus então, sendo infinitamente Bom e
prevendo que uma alma iria para o inferno, a criou?
R:
Assumamos que Deus não tinha criado os "maus", mas só os
"bons"! Estes, "os bons", não poderiam ser livres, pois não
teriam possibilidade de escolha. Teriam de ser "bons" quer
quisessem ou não! Ora, isso significaria que Deus seria um
tirano e que tinha criado robôs, desprovidos de liberdade e
de livre arbítrio.
Aonde
pára a dignidade humana de sermos criados à imagem e
semelhança de Deus e de sermos livres? Qual a glória de Deus
em ser servido por seres desprovidos de vontade?
Ao
argumentarmos assim, estamos a colocar o homem ao nível do
animal irracional e repugna à inteligência humana e divina.
Além de que, se Deus levado pela sua infinita misericórdia
não criasse senão aqueles que se iriam salvar, mesmo que
estes fossem criados livres, se seguiria que os homens
podiam burlar-se de Deus, pecando incessantemente contra
cada um dos mandamentos divinos.
Não seria
necessário sequer arrepender-se dos seus pecados, já que
Deus teria forçosamente que perdoar-lhe mais tarde ou mais
cedo. Pelo que, depois de ter sofrido uma pena, mais ou
menos larga no purgatório, entraria finalmente no Céu sem
ter-se arrependido e sem ter pedido perdão a Deus! Quem não
vê nisto uma monstruosidade espantosa! Deus ficaria escravo
do pecador, pois estaria à mercê dos seus caprichos... Que
triste Deus seria o nosso. Um Deus escravo da sua criatura!
Numa palavra, deixava de ser Deus!
Pergunta: Então Deus não criava os homens e o mundo.
R: Mas aí
seria Deus que não seria livre... Pois para evitar que
algumas almas cometessem alguns crimes e fossem para o
Inferno, deixaria de criar aqueles que o serviriam e amariam
por toda a eternidade, voluntariamente, por sua livre
escolha. O mal triunfava sobre o bem. Para evitar o mal,
aniquilava-se o bem.
Onde
estaria liberdade divina? Seria Deus escravo do mal, que em
atenção a este não poderia criar o bem. Este argumento
também ele, repugna à nossa inteligência.
Pergunta: Nesse caso Deus deveria aniquilar o pecador, isto
é, fazê-lo voltar ao nada, de onde foi criado.
R: Com
este argumento, colocamos Deus abaixo de Hitler. Este matava
os corpos, mas Deus, por esta forma de pensar, mataria os
corpos e as almas, ao aniquilar o pecador. O Aniquilamento
pressupõe uma retificação da obra de Deus por parte de Deus,
e é a criatura culpável e não o Criador quem deve retificar.
Além de que Deus seria injusto ao dar o mesmo castigo a
todos os condenados que pecaram em graus muitos diferentes
de maldade e malícia.
O
aniquilamento, igualaria todos os condenados num mesmo
castigo e idêntico para todos. Ora a Justiça, exige que não
se castigue por igual aos que fizeram pecados em graus
desiguais variadíssimos.
Paralelamente, o aniquilamento impossibilitaria a glória de
Deus através da sua Justiça diante de toda a criação. Deus
nunca poderia receber Glória pelo fato de ser justo já que
esta com o aniquilamento não poderia ser exercida. O nosso
Deus seria um Deus finito e limitado e como tal não seria
Deus.
O
problema deste argumento é que desconhece na totalidade a
natureza divina. Deus é um ser infinito em todos os seus
atributos. Se é infinito em todos os seus atributos, também
o é na sua Bondade e Justiça. Assim quando Deus criou o
homem, criou-o à sua imagem e semelhança" Depois, Deus
disse: « façamos o ser humano à nossa imagem, à nossa
semelhança...» Gn 1,26.
Como Deus
é eterno, Deus ao criar o homem, não o criou para o tempo,
mas para a eternidade, pois criou-o à sua imagem e
semelhança, isto é, criou-o com uma alma imortal. Criou-o no
tempo, para eternidade.
«Assim
raciocinam [os ímpios= os sem Deus], mas se enganam porque a
sua maldade os cega. Eles ignoram os segredos de Deus, não
esperam o prêmio pela santidade, não crêem na recompensa das
vidas puras. Deus criou o homem para a incorruptibilidade e
o fez imagem de sua própria natureza; foi por inveja do
diabo que a morte entrou no mundo: experimentam-na quantos
são do seu partido!» Sb 2,21-24
Deus não
se contradiz a si mesmo. Depois de dar, Deus jamais volta
atrás. « Porque os dons e a vocação de Deus são sem
arrependimento» Rom 11,29 e em 1 Sm 15,29 diz
«A Glória de Israel não mente nem se arrepende, porque não é
homem para se arrepender».
Jamais
poderia chamar à existência um ser para a
incorruptibilidade, sua imagem e semelhança e de seguida,
porque as suas opções livres - liberdade oferecida por Deus
- não foram de acordo com a sua vontade, aniquilava o
pecador. Mas então não seria um Deus infinitamente Bom e
Justo, mas um déspota, pois que criava e destruía por
capricho... Se assim fosse o nosso Deus seria imperfeito e
como tal não seria Deus.
A morte
de que fala a Sagrada escritura quando fala dos ímpios ou
"sem Deus", não é o aniquilamento, mas a morte espiritual,
mais conhecida como, "morte eterna" ou inferno, na linguagem
cristã.
Paralelamente, se fosse verdade o aniquilamento dos ímpios a
bíblia estaria a mentir, pois afirma claramente : «O
fumo do seu tormento subirá pelos séculos dos séculos»
Ap 14,11 ; «O diabo, que os tinha enganado, foi
precipitado no lago de fogo e enxofre, onde também estão a
besta e o falso profeta. Aí serão atormentados de dia e de
noite, pelos séculos dos séculos» Ap 20,10
Se serão
atormentados pelos séculos dos séculos é sinal que não foram
aniquilados. Se fossem aniquilados, como defendem alguns
hereges e apóstatas, então a Palavra de Deus é mentirosa,
pois afirma o contrário. Em Mt 25,46 diz Jesus: « E
irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida
eterna». Como poderia o seu tormento ser eterno se
foram aniquilados por Deus. Além disso porque é que Deus não
destruiu o Diabo e os demônios?
Em lugar,
de os destruir, criou para eles um inferno...«Apartai-vos
de mim malditos, para o fogo eterno preparado para o diabo e
os seus anjos.» Mt 25,41. O homem foi criado livre,
à imagem e semelhança de Deus e como tal foi criado para o
mérito ou desmérito. Deus manifesta mais, o seu Poder e a
sua Glória, na conservação dos seres que criou do que na sua
destruição.
Só
acredita na aniquilação do pecador, quem está fora da
verdade e a caminho do inferno, pois um dos pecados
contra o Espírito Santo, que não têm perdão neste mundo nem
no outro é "negar a verdade conhecida como tal". Foi
o pecado dos Fariseus, pois conheciam a verdade mas não a
queriam aceitar enquanto tal...
«
Todos os pecados e todas as blasfêmias que proferirem os
filhos dos homens, tudo lhes será perdoado; mas quem
blasfemar contra o Espírito Santo, nunca mais terá perdão; é
réu de pecado eterno»
Mc 3,28-29
« A
todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do Homem,
há-de perdoar-se; mas, a quem tiver blasfemado contra o
Espírito Santo, jamais se perdoará»
Lc 12,10. E ainda
«
Se alguém disser uma palavra contra o filho do homem
ser-lhe-á perdoado, mas se disser contra o Espírito Santo,
não lhe será perdoado, nem neste mundo nem no vindouro»
Mt 12,32.
Reparem
na expressão, «nem no vindouro». Significa que
no mundo que há de vir estes infelizes, nem aí terão perdão!
E para ter perdão terão de existir, pois não se perdoa algo
ao que não existe!
O grande
mal, de alguns homens é a sua soberba descomunal! Julgam-se
melhores do que Deus. E querem impor ao Criador o que é ou
não é justiça, segundo a sua tacanha inteligência. Se Deus
nos revelou que o inferno existe e nos colocou de sobreaviso
em relação a ele, mais vale escutá-LO, do que construir
teorias no ar, e acabarmos por cair naquele abismo que não
têm fim, porque nos recusamos a crer no óbvio.
É
impressionante o relato da Irmã Faustina, pois constatou que
a maior parte dos que estavam no inferno não acreditavam
nele...E é lógico, pois como não acreditavam, não procuraram
evitá-lo e quando acreditaram já foi tarde demais.
O inferno
é um mistério! Mas um mistério é algo que existe, mas que
não pode caber na nossa inteligência limitada ou que não é
explicável por esta. O fato de eu não saber explicar o que é
o Amor, não significa que ele não exista. Sinto-o, mas não
sei explicá-lo. E no entanto o Amor existe. O Amor, é um
grande mistério e no entanto é profundamente real. O
inferno, segundo a revelação divina é algo real, mas como
desconhecemos os termos infinito, natureza divina, fealdade
do pecado, não conseguimos senão dar pálidas imagens que
ajudam a perceber o porquê da sua existência.
O grande
mistério do inferno é que apesar de Deus desejar loucamente
a nossa salvação - contemplemos Jesus Crucificado -, nós
somos capazes de nos condenar. Deus criou-nos livres e quer
que nos comportemos como tais. Negar a possibilidade de
alguém se condenar é negar a liberdade do homem. É anular o
homem. Se o homem não é livre para dizer NÃO a Deus também
não o seria para dizer SIM.
A
possibilidade de optar por Deus inclui a possibilidade de o
rejeitar. Afirmar que existe o inferno é levar a sério a
liberdade humana. Deus oferece a salvação, não a impõe. O
inferno é o respeito de Deus pela última vontade do homem.
Se o pecador livremente elege o pecado, Deus o respeita,
enquanto não se arrepende. E como com a morte
acaba a liberdade, assim o pecador ficará por toda a
eternidade.
O que fazer para não ir para o inferno
Jesus
disse: « Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém
vem ao Pai a não ser por mim.» Jo 14,6
«
Pilatos lhe disse: "Então, tu és rei?" Respondeu-lhe Jesus:
"Tu o dizes: eu sou rei. Para isso nasci e para isto vim ao
mundo: para dar testemunho da verdade. Quem é da verdade
escuta a minha voz."» Jo 18,37
Jesus o
Filho de Deus Vivo, foi claro como a água, ao afirmar que
era a Verdade e o Caminho. Ele próprio acrescentou :
«Disse-vos que morrereis em vossos pecados, porque se não
crerdes que EU SOU, morrereis em vossos pecados» Jo
8,24 e « Se alguém guardar a minha palavra , jamais
provará a morte» Jo 8,52 e ainda « Eu sou a
ressurreição. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E
quem vive e crê em mim jamais morrerá. Crês nisso?»
Jo 11,25-16.
S.Paulo
afirma em Hb 11,6 « Ora, sem a fé é impossível ser-lhe
agradável. Pois aquele que se aproxima de Deus deve crer que
ele existe e que recompensa os que o procuram.»
Então o que é preciso fazer para não ir para o Inferno?
Se Jesus
é a Verdade, ele não mente. Ele disse : « E o que
pedirdes em meu nome, eu o farei a fim de que o Pai seja
glorificado no Filho. Se me pedirdes algo em meu nome, eu o
farei» Jo 14,13-14
«
Em verdade, em verdade, vos digo: o que pedirdes ao Pai, ele
vos dará em meu nome. Até agora, nada pedistes em meu nome;
pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.»
Jo 16 23-24
«
Pedi e vos será dado; buscai e achareis; batei e vos será
aberto; pois todo o que pede recebe; o que busca acha e ao
que bate se lhe abrirá. Quem dentre vós, dará uma pedra a
seu filho, se este lhe pedir pão? Ou lhe dará uma cobra, se
este lhe pedir peixe? Ora, se vós que sois maus sabeis dar
boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai que
está nos céus dará coisas boas aos que lhe pedem.»
Mt 7,7-10
«E
tudo o que pedirdes com fé, em oração, vós o recebereis.»
Mt 21,22
«
...a fim de que tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome ele
vos dê.» Jo 15,16
Então
para não ir para o inferno devemos pedir ao Pai, em Nome de
Jesus, que salve eternamente a nossa alma.
É tão
simples como isso. Isto é, devemos rezar. Dizia S.João
Crisóstomo que « a oração é falar com Deus»
Orat I de. orat. dominic: MG 44,1125.
Então
devemos nas nossas «conversas com Deus» pedir
a graça da salvação eterna da nossa alma.
Pedir e
pedir incessantemente, eis o que Deus pede ao homem adulto
que faça, se quer salvar-se. Dizia Santo Afonso Maria de
Ligório que todos os condenados se perderam porque não
rezaram. Se tivessem rezado ter-se-iam salvo. E
acrescentava:
«
Quem reza salva-se, quem não reza perde-se».
E por que pedir? Porque a oração pressupõe humildade. Só
reza quem é humilde e se sente criatura de Deus. O pecador
não quer rezar, porque isso seria reconhecer-se criatura de
Deus e isso ele não suporta... Por isso não reza e por isso
se perde. Já dizia Santa Teresa de Ávila, « Quem pede
alcança, quem não pede, não alcança!».
Não
resisto a citar completamente Santo Afonso Maria de Ligório,
no seu tratado da "Preparação para a Morte" :
«Coloquemos, portanto, fim a este importante capítulo
resumindo todo o dito e deixando bem claro esta afirmação:
que o que reza, se salva certamente, e o que não reza,
certamente se condena».
Se
deixarmos de lado as crianças, «... todos os bem
aventurados se salvarão porque rezaram e os condenados se
condenaram porque não rezaram. E nenhuma outra coisa lhes
produzirá no inferno mais espantosa desesperação que pensar
que lhes tinha sido coisa fácil o salvar-se, pois o teriam
conseguido pedindo a Deus suas graças e que serão
eternamente desgraçados, porque passou o tempo da oração.»
cf Preparação para a morte, cap XXX, 2
Muitos
pedem, mas não pedem o essencial. Pedem dinheiro, riquezas,
saúde, amor, felicidade, solução para os problemas, mas não
pedem o essencial: a salvação eterna da sua alma.
E como não pedem o Deus das coisas criadas, mas as coisas
criadas de Deus, não terão umas nem as outras. «
Buscai , em primeiro lugar, o Reino de Deus e a sua justiça,
e todas essas coisas vos serão acrescentadas.» Mt
6,33 e « Pois onde está o teu tesouro aí estará também
teu coração» Mt 6,21
Pedir a graça da salvação eterna, pedir a graça de ser santo
e de ir para o céu.
E pedir incessantemente, enquanto durar a nossa vida sobre a
terra. Eis o que devemos fazer para não ir para o inferno,
isto é, ir para o Céu.
« E
quando orardes..., entra no teu quarto e, fechando tua
porta, ora ao teu Pai que está lá, no segredo; e o teu Pai,
que vê no segredo, te recompensará.»
Mt 6, 5-6
«
Entrai pela porta estreita, porque largo e espaçoso é o
caminho que conduz à perdição. E muitos são os que entram
por ele. Estreita porém, é a porta e apertado o caminho que
conduz à Vida. e poucos são os que o encontram.»
Mt 7,13-14
A Virgem Maria e o Inferno
«
Amar Maria é sinal de predestinação eterna.» S.Bernardo de Claraval.
Maria é
Mãe de Jesus, o filho do Deus Vivo. Qual seria o filho que
amasse a sua Mãe, e que podendo contentá-la, não o faria?
Jesus, porque é a Deus podendo fazer sua Mãe feliz, não pode
recusar nada, Aquela que nada lhe recusou. Faria sentido que
Jesus recusasse algo Aquela que venera e ama acima de todas
as criaturas a ponto de a ter escolhido para sua Mãe? Não
faria. Por isso dizemos que Maria é onipotente junto de
Deus, pelas suas súplicas.
Diz o
evangelho, «Desceu então com eles para Nazaré e
era-lhes submisso.» Se Jesus era submisso a Maria e
José, na sua vida terrena, porque razão agora que está
glorificado, à direita do Pai, não o continuará a ser na
ordem divina? Será que seria tão ingrato a ponto de se ter
esquecido de Maria e de José?
A
grandeza de Jesus, diz S.Paulo reside no fato de que
«Ele tinha condição divina, e não se considerou o ser igual
a Deus como algo a que se apegar ciosamente. Mas esvaziou-se
a si mesmo, e assumiu a condição de servo, tomando a
semelhança humana. E, achado em figura de homem, humilhou-se
e foi obediente até à morte e morte de cruz! Por isso Deus o
sobre exaltou grandemente e o agraciou com o Nome que é
sobre todo o Nome, para que ao nome de Jesus... toda a
língua confesse que Jesus é o Senhor» Fip 2,6-11
E se
Jesus é o Senhor, Maria a Mãe de Jesus, é a Mãe do Senhor.
Ora a Mãe de um Rei [ « Então, tu és Rei? Respondeu
Jesus: " Tu o dizes: eu sou rei"» Jo 18,37 ] é uma
Rainha. E é de senso comum, que o poder de uma Rainha junto
do coração de um Rei, é tremendo. Por isso, repito, os
cristãos afirmam que Maria é toda poderosa junto do coração
de Deus, isto é, junto de Jesus, pois Jesus, como filho
perfeito, deve obediência, no sentido estrito, à sua Mãe,
mesmo no Céu. Não porque Maria tenha poder algum por si só.
Mas o Poder de Maria, vem não dela mesmo, mas do seu poder
de intercessão, já que Deus não quer recusar nada de
legítimo, Aquela que venera e ama acima de todas as suas
criaturas. Assim, Não devemos recear venerar Maria, pois é
Deus que veneramos em Maria.
Então se
Maria é Onipotente nas suas súplicas junto do Deus
Altíssimo, quem melhor do que Ela, para livrar o pecador do
Inferno, senão aquela que imolou o próprio filho, para
satisfazer a Justiça Divina pelo pecado.
Por isso
dizia S.Bernardo: «Se levantam as tempestades das
tentações, se vos encontrais no meio dos escolhos das
tribulações, erguei os olhos para a estrela do mar, chamai
Maria em vosso auxílio; se sois sacudidos à mercê das vagas
da soberba, da ambição, da maledicência, da inveja, olhai
para a Estrela, invocai a Maria. Se, perturbados pela
grandeza dos vossos crimes, confusos pelo estado miserável
da vossa consciência, transpassados de horror com o
pensamento do juízo, começais a soçobrar no abismo da
tristeza e do desespero, pensai em Maria, invocai a Maria. A
sua invocação, o pensamento dela não se afastem nem do vosso
coração, nem dos vossos lábios; e para obterdes mais
seguramente o auxílio das suas preces, não vos descuideis de
imitar os seus exemplos. Seguindo-A, não vos extraviareis;
suplicando-A, não desesperais; pensando nela, não vos
perdeis. Enquanto Ela vos tem de sua mão, não podeis cair;
sob a sua proteção, não tendes nada que temer, sob a sua
guia, não há cansaço; com o seu favor, chega-se seguramente
ao termo» Homil. II. De Laudibus Virg.Matris,17
Então,
apoiemo-nos em Maria e supliquemos Aquela que é a nossa Mãe
na ordem da Graça, pois se «Ele nos predestinou para
sermos seus filhos adotivos por Jesus Cristo» Ef 1,
5 , então significa que somos irmãos de Jesus e se somos
irmãos de Jesus, somos filhos de Maria, pois Maria nos tomou
como seus filhos, quando Jesus disse:« Eis a tua Mãe!»
Jo 19,27 Em João, estavas tu e eu! Se somos filhos de Maria,
invoquemo-LA como Mãe, que o é. E qual é a Mãe quer
permanece surda às súplicas de um filho em perigo de morte?
Então,
supliquemos a Maria, dia e noite, que interceda por nós
junto do seu Divino Filho, para que sejamos contados no
número dos eleitos e dessa forma não caiamos naquele sítio
que a sagrada escritura descreve como o "horror eterno":
«O Senhor Todo-Poderoso as punirá no dia do juízo. Porá
fogo e vermes em suas carnes, e chorarão de dor eternamente»
Judite (Jt. 16,17)
Por isso
digamos como Jó « O Temor do Senhor, eis a Sabedoria;
fugir do mal, eis a Inteligência.» Jó 28,28. Pois os
olhos do Senhor estão voltados para « o pobre e para o
abatido, para aquele que treme diante da minha palavra»
Is 66,2
Síntese sobre o Inferno.
Deus não
é amor, para que nós sejamos maus. Se Deus fosse bom para
que nós fossemos maus, Deus não seria bom. O «Temor do
Senhor é o principio da sabedoria» Prov 1,7. Muitos,
esquecem-se que « a sua misericórdia perdura de
geração em geração, para aqueles que o temem.» Lc
1,50 E não para aqueles que abusam dessa mesma misericórdia.
Errar e pecar é humano. Amar o pecado e o erro e nele
persistir é diabólico. O Amor de Deus não é um jogo. Não se
é amado impunentemente por um Deus Infinito até à morte de
Cruz. Quem não está convencido da seriedade da eternidade,
não convence ninguém e prega um evangelho que não é o de
Cristo.
Alguns
dizem-se tão misericordiosos, mas no fundo são cruéis pois
ao não pregarem abertamente sobre o inferno e sobre as
conseqüências do pecado induzem o pecador em erro, levando-o
a adiar a sua conversão e dessa forma conduzem-no ao
inferno, pois este acumula, pecados sobre pecados,
obstinando-se no pecado, esperançado que um dia terá
perdão... Só que a muitos, a morte surpreende-os sem terem
tempo de se preparar convenientemente... Já dizia Deus a
Santa Catarina de Sena: « por presunção, erroneamente,
firmam-se na esperança de serem perdoados, continuam a
ofender-Me. Pensam poder contar com a misericórdia. Jamais
ofereci ou ofereço minha misericórdia para que me ofendam. A
finalidade do meu perdão é que, pela misericórdia, os
pecadores se defendam do demônio e da confusão de espírito.
Agem diversamente! Ofendem-Me porque sou bom!...»
S.Catarina de Sena, O diálogo, 14.14
Uma
eternidade sem ninguém que de fato se condenou ou se vá
condenar, é uma eternidade frívola, não séria, é um inferno
«light», suave . Não vale a pena lutar para evitá-lo. A
proposta dos modernistas é uma proposta demagógica e
autoritária. Autoritária, porque todos se salvam, ainda que
não queiram. Demagógica, porque como os políticos atuais
fazem promessas fáceis de eterna salvação, que logo não
cumprirão, muitos descobrirão o engano quando já seja tarde;
e a quem reclamarão? Não que não devamos ter esperança. Mas
esta, deve ser fundamentada numa procura incessante pelo
Rosto de Deus e um afastamento do pecado e das ocasiões que
levam a ele. Apelar à esperança, sem apelar para uma vida
séria segundo a moral cristã, longe do pecado e das suas
ocasiões é pura demagogia.
Se Deus
fosse misericordioso com todos os homens bons e maus, se
concedesse a todos a graça da conversão antes da morte,
seria ocasião de pecado até para os bons, pois induziria
estes a pecar e a esperar na sua misericórdia. Mas não,
quando chega ao fim das suas misericórdias, castiga e não
perdoa mais « Agora chegou o teu fim: vou desencadear
a minha ira contra ti e te julgarei de acordo com o teu
comportamento; farei cair sobre ti as tuas abominações de
acordo com o teu comportamento; farei cair sobre ti as tuas
abominações. Já não terei um olhar de compaixão para ti; não
te pouparei; antes, farei cair sobre ti o teu comportamento
e as tuas abominações ficarão expostas no meio de ti. então
sabereis que eu sou Iahweh.» Ez 7,3-4 e acrescenta
« O meu olhar não se compadecerá; eu não pouparei,
antes, pagar-te-ei de acordo com o teu comportamento»
Ez 7,9
Se Deus
quisesse com vontade eficaz a salvação de todos os homens,
para quê a encarnação de seu Filho? Para quê a morte na
cruz? Para quê a Igreja? Para quê o Papa, os bispos, os
padres, os diáconos? Para quê os sacramentos, a liturgia, a
palavra de Deus, a Bíblia...
O inferno
povoa-se mais com a Misericórdia do que com a Justiça. Os
modernistas de agora querem o inferno vazio até evitam falar
dele - e tudo o que conseguem fazer é povoá-lo mais. São os
colonizadores do inferno, pois como não avisam o homem do
perigo que é transgredir a Lei de Deus, induzem este a pecar
indiretamente e por isso mesmo a perder-se.
Escreve
Santo Afonso Maria de Ligório « Certo autor indicava que o
inferno se povoa mais pela Misericórdia do que pela Justiça
divina; e assim é, porque, contando temerariamente com a
misericórdia, prosseguem pecando e se condenam. Deus é
misericordioso, quem o nega? E apesar de isso, a quantos
hoje em dia manda a misericórdia ao inferno. Deus é
misericordioso mas também é justo e por isso está obrigado a
castigar a quem o ofende. Ele usa de misericórdia
com os pecadores, mas só com quem após o ofender o lamenta e
temem ofendê-LO outra vez: «a Sua Misericórdia perdura
de geração em geração, para aqueles que o temem.»
cantou a Mãe de Deus. Com os que abusam da sua misericórdia
para desprezá-lo, usa de justiça. O Senhor perdoa os
pecados, mas não pode perdoar a vontade de pecar.
Escreve S. Agostinho que quem peca com esperança de
arrepender-se depois de pecar, não é penitente, mas ri-se de
Deus.
Ora S.Paulo advertiu-nos que «de Deus não se zomba»
Gl 6,7 . Seria gozar Deus ofendê-lo como e quanto um quer e
depois ir ao céu.
Por muito
incômodo que seja para o homem moderno, o que está revelado,
revelado está. E não existe forma de nos evadirmos desta
realidade. Não é pelo fato de não falarmos no inferno que
este deixa de existir e de ser uma realidade assombrosa.
Infelizmente hoje ouvimos muitos cristãos e inclusive padres
dizer em matéria de fé e moral: « a minha opinião é que...»,
« eu acho que...» « parece-me que...» « eu penso que...»...
A esses digo:
- Mas
amigo, que nos interessa a tua opinião, o teu pensamento, o
teu... A nós cristãos interessa-nos o que Deus pensa, o que
Deus acha e o que Deus diz. E se Deus nos diz que há inferno
é porque há! ou achas que vamos ser estúpidos e fazer mais
caso das tuas "filosofias de treta " do que da Palavra de
Deus?
O
Relativismo é fruto da soberba humana!
Deus é Eterno. O que disse, está dito, quer gostemos ou não.
Assim, estamos a caminho ou do Céu ou do inferno... Não há
meios «que» nem «mas». Se não estamos a caminho do Céu, para
o inferno iremos... Por isso, trabalhemos na nossa salvação
com Amor e Temor a Deus, pois como diz S.Paulo, « meus
amados... operai a vossa salvação com temor e tremor»
Fil 2,12.
Que
diferença! Antes dizia-se: "os que aqui entrais abandonai
toda a esperança" agora afirma-se "Proibido aqui entrar".
Antes os maus iam para o inferno. Agora, se existe inferno,
Deus é mau! Agora, não são os homens que têm que obedecer a
Deus, Deus é que têm que se adaptar aos homens.
Os
modernistas de agora, resolveram re-inventar o evangelho e
suprimiram a doutrina do Inferno dos púlpitos e das
catequeses pois não querem "ferir susceptibilidades" ou "
instalar psicoses de medo"... Numa palavra, não querem
desagradar ao mundo, pois correriam o risco de serem
chamados de "loucos" e de "ultrapassados"! Não percebem que
a «sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus» 1 Cor
3,19.
Mas como
se identificaram com o mundo, a eles aplica-se aquela
palavra de Deus «Não ameis o mundo nem o que há no
mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. »
Jo 2,15 E senão está nele o amor do Pai, diz Jesus:
«Se alguém não permanece em mim é lançado fora, como o ramo
e seca; tais ramos são recolhidos, lançados ao fogo e se
queimam.» Jo 15,6 .
Hoje
prega-se um evangelho manco, um evangelho de moeda com uma
face, isto é, um evangelho deficiente pois já não se fala
dos novíssimos do homem " salvo raras
exceções", da graça santificante e atual, do pecado
mortal... E que se conseguiu com isso? Sempre que a luz se
ofusca, avançam as trevas! Queixam-se que, as igrejas estão
vazias, há falta de vocações, que os seminários estão
vazios... Mas senão acreditam na eternidade, como podem
convencer alguém a abandonar tudo por Cristo?
Sem
eternidade é impossível existir vocações à vida consagrada.
Humanizaram de tal maneira Jesus, que se esqueceram que ele
é Deus. Assim fizeram um cristianismo horizontal: do homem
para o homem. E se o homem é relativo nas suas posições
morais e de fé, Jesus Cristo porque é homem, também o é.
Então, segundo essa forma de pensar, tudo é relativo. E tudo
é de tal forma relativo que absolutizaram a relatividade. É
a ditadura de relatividade. A verdade é relativa, mesmo a
verdade de Cristo!!! E aí de quem prega novamente as
verdades eternas e os dogmas da Santa Igreja de Deus!
Esse é um fundamentalista, um tradicionalista, numa palavra,
um retógrado, estagnou no tempo...
Hoje só
se fala de amor mas esquecem-se os cupidos do Amor, que amar
para Deus têm significado diferente do que têm para o homem
« Quem tem meus mandamentos e os observa é que me ama»
Jo 14,21 Isto é: quem não os guarda e observa não me ama e
engana-se a si próprio! É claro como a água.
Sempre
existiram dois caminhos para chegar até Deus. Um mais
perfeito do que o outro. O
Amor e o Temor. Da mesma forma que um carro
tem um acelerador e um freio. Da mesma forma, na estrada da
vida, devemos acelerar no Amor de Deus e travar perante o
pecado, pelo temor de Deus. O que seria de um carro só com
acelerador? Na primeira curva despistava-se. De mesma forma,
não existe outra forma de caminharmos para Deus. Evitar o
pecado, pelo temor de ofender a Deus, Pai Infinitamente Bom
e se isso não chegar, pelo medo dos castigos do inferno, com
que nos ameaça a justiça divina; e pelo amor a Deus e aos
irmãos levado ao sacrifício.
«Se
Deus pudesse mudar os Seus ensinamentos não seria Deus. A
palavra de Deus não se modifica, não muda, não mudará
jamais; ela é eterna como Deus. Ora, Deus deu aos homens uma
norma de vida, o mandamento do Amor, mas disse também que o
amor a Deus deve estar unido ao Temor de Deus. Tal como o
amor é um dom que se deve pedir sem cessar, também o temor
de Deus é um grande dom. Teme o Senhor que passa! Mas os
homens desta geração verdadeiramente perversa deformaram
tudo e tentam demolir tudo. Do temor de Deus, hoje já não se
fala, fala-se de amor a Deus, mas do temor, não, porque eles
dizem que o temor não se concilia e não se pode conciliar
com o amor. Tal como na sua insensatez acham inconciliáveis
Misericórdia e Justiça, assim acham inconciliáveis o amor e
o Temor de Deus. Em suma, hoje aceitam-se as coisas que
convêm e repudiam-se as que perturbam...Quem fala ainda do
Temor de Deus? Quem fala ainda da Justiça Divina? Quem fala
ainda da presença de Satanás no mundo?... Deus é terrível na
sua Cólera. Ai dos que desafiam a cólera de Deus, repousando
na cômoda idéia de que em Deus não há senão Amor e
Misericórdia! Muitos condenados quereriam poder voltar atrás
para reformar as suas idéias, pois agora vêem e compreendem
claramente o astucioso engano de Satanás e a sua feroz
maldade... Os homens dizem que não temem a Deus; isto é uma
terrível blasfêmia, de que se pode prever as terríveis
conseqüências nesta Terra e para além da vida terrena, ...» Jesus a D.Ottavio Michellini, Jesus aos seus
Sacedotes e fieis.
Assim,
citando dois grande papas:
Ensinava
Pio XII « A pregação das primeiras verdades da fé e
dos fins últimos não só não perdeu oportunidade nos nossos
tempos, mas está a ser mais necessária e urgente do que
nunca. Incluindo a pregação sobre o inferno. Sem dúvida que
devemos tratar este assunto com dignidade e sabedoria. Mas
quanto à substância mesma dessa verdade, a Igreja tem,
diante de Deus e dos homens, o sagrado dever de anunciá-la,
de ensiná-la sem nenhuma atenuação, como Cristo a revelou e
não existe nenhuma condição temporal que possa diminuir o
rigor desta obrigação. Isto obriga em consciência a todo o
sacerdote a quem, no ministério ordinário ou extraordinário,
confiou-se o cuidado de governar, avisar e guiar os fiéis. É
verdade que o desejo do céu é um motivo em si mais perfeito
que o temor da pena eterna; mas de isso, não se segue que
seja também para todos os homens o motivo mais eficaz para
tê-los longe do pecado e convertê-los a Deus.» PIO
XII Exortação aos párocos e pregadores na Quaresma de 1949.
E João
Paulo II na Exortação Apostólica pós sinodal " Reconciliatio
et paenitencia" 26, diz: « A Igreja tampouco pode
omitir, sem grave mutilação da sua mensagem essencial, uma
constante catequese sobre o que a linguagem do cristão
tradicional designa como os quatro novíssimos do homem:
morte, juízo (particular e universal), inferno e glória.
Numa cultura, que tende a encerrar o homem na sua
vicissitude terrena mais ou menos acessível, se pede aos
pastores da Igreja uma catequese que abra e ilumine com a
certeza da fé no mais além da vida presente; mais além das
misteriosas portas da morte se perfila uma eternidade de
gozo na comunhão com Deus ou de dor longe dele. Somente
nesta visão escatológica se pode ter uma medida exata do
pecado e sentir-se impulsionado decididamente à penitência e
à reconciliação.»
Então há
que catequizar sobre estes temas de forma a que aqueles que
nos ouvem percebam que não queremos que vão para o inferno,
mas que a isso nos obriga por dever de sermos fiéis ao
evangelho e a Cristo. Pois como dizia S.João Crisóstomo
« Deus não nos ameaça com o inferno porque quer
condenar-nos, mas para que nos livremos de ele» De
poenit.hom.3
E termino
com a Palavra do Deus Vivo « Teme a Deus e observa
seus mandamentos, porque este é o dever de todo o homem.
Porque Deus julgará toda obra, até mesmo a que está
escondida, para ver se é boa ou má» Ecles 12,13-14.
Conclusão
Para
terminar quero só citar as revelações de Jesus a Santa
Josefa Menedez, tiradas da sua obra, "Convite a uma vida de
Amor", de Soror Josefa Menendez, que pela sua seriedade e
beleza fazem pensar...
(Revelações tiradas de Convite a uma Vida de Amor,
de Sóror Josefa Menendez, 2a. ed., 1948, das págs. 94 a
133).
Ensinar-te-ei os meus segredos de amor, e tu serás exemplo
vivo da minha Misericórdia, porque, se tenho tanto amor e
predileção por ti que não és mais que miséria e nada, que
não farei Eu por muitas outras almas mais generosas do que
tu?
Farei
conhecer que a minha obra repousa sobre o nada e a miséria,
e que esse é o primeiro anel da cadeia de amor que desde
toda a eternidade preparo às almas.
Farei
conhecer até que ponto o meu Coração as ama e lhes perdoa.
Vejo o íntimo das almas. .... O ato de humildade que fazem
reconhecendo sua fraqueza. .... Pouco se Me dá a fraqueza
delas. .... Supro o que lhes falta.
Farei
conhecer como é que o meu Coração se serve dessa fraqueza
para dar a vida a muitas almas que a perderam. Farei
conhecer que a medida do meu Amor e da minha Misericórdia
para com as almas caídas não tem limites. ....
Se tu és
um abismo de miséria, Eu sou um abismo de Bondade e
Misericórdia. O meu Coração é teu refúgio. Vem procurar nele
tudo aquilo de que precisas, ainda mesmo que se trate de
coisa que Eu te peça.
Não
julgues que deixarei de amar-te por causa das tuas misérias,
não: meu Coração ama-te e não te abandonará jamais. Bem
sabes que é propriedade do fogo abrasar e destruir: assim é
próprio do meu Coração perdoar, purificar e amar.
Não te
disse muitas vezes que o meu único desejo é que as almas Me
dêem as suas misérias? Se não ousas aproximar-te de Mim,
aproximar-Me-ei Eu de ti.
Quanto
mais fraquezas encontrares em ti, tanto mais Amor
encontrarás em Mim. Pouco Me importam as tuas misérias, o
que Eu quero é ser o Dono de tua miséria.
A tua
pequenez dá lugar à minha grandeza. .... A tua miséria e
mesmo os teus pecados dão lugar à minha Misericórdia. .... A
tua confiança atrai o meu Amor e a minha Bondade.
Não vos
peço senão aquilo que tendes. Dai-Me o vosso coração vazio e
Eu o encherei; dai-Mo despido de tudo e Eu o revestirei;
dai-Me as vossas misérias e Eu as consumirei. O que não
vedes, Eu vo-lo mostrarei ... Pelo que não tendes,
responderei Eu.
Há muitas
almas que crêem em Mim, mas poucas que acreditam no meu
Amor; e, entre as que acreditam no meu Amor, são
pouquíssimas as que contam com a minha Misericórdia. ....
Se peço
amor em correspondência ao que Me consome, não é o único
retomo que desejo das almas: desejo que creiam na minha
Misericórdia, esperem tudo da minha Bondade, e não duvidem
nunca do meu perdão.
Sou Deus,
mas Deus de Amor! Sou Pai, mas Pai que ama com ternura e não
com severidade. O meu Coração é infinitamente santo, mas
também é infinitamente sábio e, como conhece a miséria e a
fragilidade humanas, inclina-se para os pobres pecadores com
Misericórdia infinita.
Amo as
almas depois que cometeram o seu primeiro pecado se vêm
pedir-Me humildemente perdão. .... Amo-as ainda, quando
choram o seu segundo pecado e, se isso se repete, não digo
um bilhão de vezes, porém milhões de bilhões de vezes,
amo-as e perdôo-lhes sempre e lavo no meu Sangue o último,
como o primeiro pecado!
Não Me
canso das almas e o meu Coração espera sempre que venham
refugiar-se nEle, por mais miseráveis que sejam! Não tem um
pai mais cuidado com o filho que é doente, do que com os que
têm boa saúde? Para com esse filho, não são maiores as suas
delicadezas e a sua solicitude? Assim também o meu Coração
derrama sobre os pecadores, com mais liberalidade do que
sobre os justos, a sua compaixão e a sua ternura.
Quantas
almas encontrarão a vida nas minhas palavras! Quantas
cobrarão ânimo ao ver o fruto dos seus esforços: um pequeno
ato de generosidade, de paciência, de pobreza, pode vir a
ser um tesouro e ganhar para o meu Coração um grande número
de almas. .... Eu não atendo à ação: atendo à intenção. O
menor ato, feito por amor, pode adquirir tanto mérito e
dar-Me tanta consolação! O meu Coração dá valor divino às
menores ações. O que quero é amar. Não procuro senão amor.
.... Não peço senão amor.
O fogo
eterno do Inferno será a merecida paga pelo Amor de Deus
desprezado, calcado aos pés...»
O PURGATÓRIO
As
almas dos justos que no instante da morte têm pecados
veniais ou penas temporais devidas, vão ao purgatório. (de
fé.)
O
purgatório (= lugar de expiação) é um lugar e estado aonde
se sofrem temporariamente castigos de expiação.
Os
concílios de Lyon e Florença fizeram a seguinte declaração
contra os gregos cismáticos, que se opunham principalmente à
existência de um lugar especial de purificação , ao fogo do
purgatório e ao caráter expiatório das suas penas: «
As almas que partiram deste mundo em caridade com Deus, com
verdadeiro arrependimento dos seus pecados, antes de terem
satisfeito com verdadeiros frutos de penitência pelos seus
pecados por obras e omissões, são purificadas depois da
morte com as penas do purgatório»; Dz 464,693 ; cf
Dz 456,570s.
No Catecismo da Igreja Católica é dito:
1030 Os
que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão
completamente purificados, embora tenham garantida sua
salvação eterna, passam, após sua morte, por uma
purificação, a fim de obter a santidade necessária para
entrar na alegria do Céu.
1031
A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos
eleitos, que é completamente distinta do castigo dos
condenados. A Igreja formulou a doutrina da fé relativa ao
Purgatório sobre tudo no Concílio de Florença e de Trento.
Fazendo referência a certos textos da Escritura, a tradição
da Igreja fala de um fogo purificador: (Parágrafos
relacionados 954,1472). No que concerne a certas faltas
leves, deve-se crer que existe antes do juízo um fogo
purificador, segundo o que afirma aquele que é a Verdade,
dizendo, que, se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia
contra o Espírito Santo, não lhe será perdoada nem presente
século nem no século futuro (Mt 12,32). Desta afirmação
podemos deduzir que certas faltas podem ser perdoadas no
século presente, ao passo que outras, no século futuro
[a21].
1032 Este
ensinamento apóia-se também na prática da oração pelos
defuntos, da qual já a Sagrada Escritura fala: "Eis
por que ele (Judas Macabeu) mandou oferecer esse sacrifício
expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem
absolvidos de seu pecado" (2Mc 12,46). Desde os
primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e
ofereceu sufrágios em seu favor, em especial o
SACRIFÍCIO EUCARÍSTICO, a fim de que, purificados,
eles possam chegar à visão beatífica de Deus. A Igreja
recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de
penitência em favor dos defuntos: (Parágrafos
relacionados 958,1372,1479) Levemo-lhes socorro e celebremos
sua memória. Se os filhos de Jó foram purificados pelo
sacrifício de seu pai [a23] que deveríamos duvidar de que
nossas oferendas em favor dos mortos lhes levem alguma
consolação? Não hesitemos em socorrer os que partiram e em
oferecer nossas orações por eles.
E o concílio de Trento afirma: Decreto sobre o Purgatório
983. Já
que a Igreja Católica, instruída pelo Espírito Santo,
apoiada nas Sagradas Letras e na antiga Tradição dos Padres,
ensinou nos sagrados Concílios e recentemente também neste
Concílio Ecumênico, que existe purgatório [cfr. n° 840], e
que as almas que nele estão detidas são aliviadas pelos
sufrágios dos fiéis, principalmente pelo sacrifício do
altar [cfr. n° 940, 950], prescreve o santo Concílio
aos bispos que façam com que os fiéis mantenham e creiam a
sã doutrina sobre o purgatório, aliás transmitida pelos
santos Padres e pelos Sagrados Concílios, e que a mesma
doutrina seja pregada com diligência por toda parte. Sejam,
outrossim, excluídas das pregações populares à gente simples
as questões difíceis e sutis e as que não edificam (cfr. l.
Tim l, 4) nem aumentam a piedade» Sessão XXV (3 e 4-12-1563)
S.Pio X
no seu catecismo maior definia o purgatório como "o
sofrimento temporário da privação de Deus e outras penas que
apagam da alma todos os restos de pecado."
A Sagrada
escritura ensina diretamente a existência do purgatório
concedendo a possibilidade de uma purificação na vida
futura.
Segundo
2Mc 12,42-45 Os judeus oraram pelos caídos a fim de que o
Senhor lhes perdoasse os pecados; para isso enviaram 2000
dracmas de prata a Jerusalém para que se fizessem
sacrifícios pelo pecado. Estavam pois convencidos de que aos
defuntos, se lhes pode livrar do seu pecado por
meio da oração e sacrifício.
O próprio hagiógrafo do livro sagrado no versículo 45 diz
« Mas, se considerava que uma belíssima recompensa está
reservada para os que adormecem na piedade, então era santo
e piedoso o seu modo de pensar. Eis porque ele mandou
oferecer esse sacrifício expiatório pelos que haviam
morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado.»
As
palavras de Jesus em Mt 12,32 «Se alguém disser uma
palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado, mas se
disser contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem
neste mundo, nem no vindouro.» admitem a
possibilidade de que outros pecados se perdoem não só neste
mundo, mas também no outro. S.Gregório Magno comenta
«nesta frase se nos dá a entender que algumas culpas se
podem perdoar neste mundo e algumas também no futuro»
Dial. IV 39.
Natureza do suplício do Purgatório
No
Purgatório distingue-se de maneira análoga ao Inferno, uma
pena de dano e outra de sentido.
A Pena de
dano consiste no adiamento temporal da visão beatífica de
Deus. Como já aconteceu o juízo particular, a alma sabe que
a exclusão é somente de caráter temporal e possui a certeza
de que no fim possuirá a bem-aventurança. Dz 778
As almas
do purgatório têm consciência de ser filhos e amigos de Deus
e suspiram por unir-se intimamente com ele. De aí resulta
que essa separação temporal seja para elas mais dolorosa.
À pena de
dano, acrescenta-se a pena dos sentidos. Tendo em conta a
passagem bíblica de 1 Cor 3,15, a
generalidade dos santos e teólogos supõe a existência de um
fogo físico, diferente em natureza do nosso fogo terreno,
como instrumento externo de castigo. No entanto a
Igreja, nas suas declarações oficiais, nunca falou em fogo
do purgatório, mas somente nas penas do purgatório. Dz 464,
693.
Objeto da Purificação
Na vida
futura, a remissão dos pecados veniais ainda não perdoados,
efetua-se, segundo doutrina de S.Tomás de Aquino (De malo
7,11) de maneira semelhante que nesta vida: por um ato de
contrição perfeita realizada com ajuda da graça divina. Este
ato de arrependimento que se faz imediatamente depois de
entrar no purgatório, não causa supressão ou diminuição da
pena (na vida futura não existe possibilidade de merecer),
mas unicamente a remissão da culpa.
As penas
temporais devidas pelos pecados são cumpridas no purgatório
por meio de sofrimento expiatório, isto é, por meio da
aceitação voluntária dos castigos purificativos impostos por
Deus.
Duração do Purgatório
O
purgatório não subsistirá depois de ter tido lugar o juízo
universal (sentença comum).
Depois do
Soberano Juiz pronunciar a sua sentença no Juízo Universal
(Mt 25,34-41) não existirá mais do que dois estados: o do
Céu e o do Inferno.
Para cada
alma o Purgatório durará até que se atinja a completa
purificação de todo o vestígio de culpa e pena. Uma vez
terminada a purificação será recebida na bem-aventurança do
Céu. Dz 530,693.
Notas:
1) Cf
Manual de Teologia Dogmática, Ludwig Ott, Biblioteca Herder,
Escatologia
2) Cf
Artigo do R.P. Carlos M. Buela, Um inferno "Light", revista
Dialogo nº 15
Siglas:
s =
seguinte;
ss=
seguintes;
Dz =
Denzinger, Magistério da Igreja.
cf=
confere;
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