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A APARIÇÃO DE
NOSSA SENHORA DE FÁTIMA
E A GRANDE PROMESSA.
>
De
Fátima - Portugal à Pontevedra - Espanha
>
I. Pontevedra: As Aparições e a Mensagem
>
História de um prelúdio encantador (Novembro ou Dezembro de
1925)
>
15 de Fevereiro de 1926:
uma nova aparição do Menino Jesus.
>
II. A grande promessa e as suas condições.
>
1. O Primeiro Sábado de cinco meses seguidos
>
2. A Confissão.
>
3. A Comunhão reparadora dos Primeiros Sábados
>
4. Recitação do Terço
>
5. A meditação de quinze minutos sobre os Quinze Mistérios
do Rosário
>
6. A intenção de fazer reparação: "Tu, ao menos, vê de Me
consolar".
>
III. O espírito da Devoção de Reparação:
>
Os espinhos do Imaculado Coração de Maria
>
As blasfêmias de homens hereges, cismáticos e ímpios
>
A Devoção de Reparação: um segredo de misericórdia para com
os pecadores.
> Desta devoção depende a guerra ou a paz do Mundo.
>
O segredo capital.
>
A Irmã Lúcia explica a Devoção de Reparação dos Primeiros
Sábados.
>
De que modo faço as meditações?
>
O que é Fátima?
>
Fátima Hoje!
>
Uma mensagem de advertência e de esperança.
>
O que devo eu fazer?
> IV.
Histórico da
Devoção ao Imaculado Coração de Maria.
A Promessa dos Cinco
Primeiros Sábados do Mês.
... Disse Nossa Senhora de Fátima, no dia 13 de Junho de
1917.
"A
quem abraçar esta devoção, Eu prometo a salvação."
Que promessa tão admirável e assombrosa aquela que
foi feita no dia 13 de Junho de 1917! Mas apesar desta
promessa, ficamos ainda tentados a duvidar. Por uma graça
especial, a Beata Jacinta sentia o coração consumido por um
amor ardente ao Imaculado Coração de Maria. E nós? Ficamos
frios, ou o nosso fervor dura muito pouco. Poderíamos alguma
vez saber se a nossa devoção é assim tão grande para que
Nossa Senhora quisesse manter a Sua promessa para conosco?
É neste ponto que ficamos assombrados pela
ilimitada Misericórdia Divina e pelo caráter profundamente
católico das revelações de Fátima. Não há sequer, em toda a
mensagem, vestígios do subjetivismo protestante! Aqui, o Céu
vai até aos limites da indulgência, e as profecias mais
sublimes ("Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu
Imaculado Coração") transformam-se em pedidos muito
pequenos, claros e precisos, pedidos fáceis que não dão
lugar à dúvida. Todos podem saber se os conseguiram realizar
ou não. Uma "pequena devoção", praticada de coração
generoso, é suficiente para todos nós recebermos
infalivelmente esta graça, ex opere operato – quer
dizer, tal como acontece com os sacramentos. E a graça que
receberemos é a graça da salvação eterna! Vale a pena
estudar cuidadosamente esta promessa tão magnífica. Este é o
cumprimento e a expressão perfeita da primeira parte do
grande Segredo que, na sua totalidade, se refere à salvação
das almas.
De
Fátima - Portugal à Pontevedra - Espanha:
O cumprimento do Segredo.
Ao descrever as aparições e ao explicar a mensagem de
Pontevedra, falaremos apenas das palavras pronunciadas por
Nossa Senhora a 13 de Julho de 1917. São palavras concisas,
mas muito ricas em significado:
"Se
fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas ...
virei pedir ... a Comunhão reparadora nos Primeiros Sábados
de cada mês."
Portanto, é este o primeiro "Segredo de Maria" que
nós devemos descobrir e entender. É uma forma segura e fácil
de arrancar as almas aos perigos do inferno: primeiro, as
nossas almas; e também as dos nossos próximos; e até as
almas dos maiores pecadores – porque a misericórdia e o
poder do Imaculado Coração de Maria não têm limites.
I. Pontevedra: As Aparições e a Mensagem
Dia 10 de Dezembro de 1925: a Aparição do
Menino Jesus e de Nossa Senhora
Na noite de quinta feira, 10 de Dezembro, logo
depois do jantar, a jovem postulante Lúcia, que tinha apenas
18 anos, voltou à sua cela. Foi ali que recebeu a visita de
Nossa Senhora e do Menino Jesus. Escutemos a sua narração
(escrita no terceira pessoa):
"A 10 de Dezembro de 1925, apareceu-lhe a
Santíssima Virgem e, a Seu lado, suspenso numa nuvem
luminosa, o Menino Jesus. A Santíssima Virgem pousou a mão
no ombro de Lúcia e, nesse momento, mostrou-lhe um Coração
cercado de espinhos que tinha na outra mão. Ao mesmo tempo,
disse o Menino:
‘Tem pena do Coração de tua Mãe Santíssima, que está coberto
de espinhos que os homens ingratos a todo o momento Lhe
cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os
tirar’.
E a Santíssima Virgem disse-lhe:
‘Olha, Minha filha, o Meu Coração cercado de
espinhos que os homens ingratos a todo o momento Me cravam,
com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me
consolar e diz que a todos aqueles que durante cinco meses
seguidos, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a
Sagrada Comunhão, rezarem um Terço e Me fizerem 15 minutos
de companhia, meditando nos 15 Mistérios do Rosário com o
fim de Me desagravar, Eu prometo assistir-lhes à hora da
morte com todas as graças necessárias para a salvação.’
Que cena tão comovente e ao mesmo tempo tão singela, contada
com a sobriedade do próprio Evangelho! Que diálogo tão
encantador, em que o Menino Jesus e Sua Mãe falam
alternadamente — Ele para implorar por causa Dela, e Ela
para fazer os seus pedidos... que nos conduzem até Seu
Filho.
Como de costume, a vidente apaga-se a si mesma, e
não nos diz uma única palavra sobre os seus próprios
sentimentos. Não será este o sinal mais inequívoco de
autenticidade, que dá ao seu relato plena vigência? Ela está
ali para ver, para ouvir, para contar o que aconteceu, e
nada mais.
No entanto, quanta intimidade percebemos existir
entre a Santíssima Virgem e a Sua mensageira! Como Santa
Catarina Labouré, ela recebeu nesse dia o privilégio de ser
tocada por Nossa Senhora num gesto solene e afetuoso, tal
como quando uma mãe quer dar a um filho uma missão
confidencial. A Santíssima Virgem pôs a mão sobre o ombro de
Lúcia, permitindo-lhe contemplar o tristíssimo Coração de
Nossa Senhora e dá-lo a conhecer aos outros.
Finalmente, vejamos o tom e as palavras desta
grande promessa. São semelhantes às das aparições de 1917.
Tão concisas! Tal como as do Segredo do dia 13 de Julho,
onde nem uma só palavra se pode suprimir sem alterar
seriamente a seqüência do pensamento. Também esta é uma
mostra irrefutável de autenticidade.
A transmissão da Mensagem
De que maneira deu Lúcia a conhecer os pedidos do
Céu? Sabemos que ela imediatamente contou tudo à sua
Superiora, a Madre Magalhães, que se convenceu plenamente da
causa de Fátima e tinha agora um respeito sincero pela
vidente. Ela própria se mostrou disponível para obedecer aos
pedidos do Céu. Lúcia também informou o confessor da Casa,
Dom Lino García: "Este último – lembra Lúcia – ordenou-me
que escrevesse tudo o que dizia respeito (a esta revelação)
e que guardasse esses escritos, que talvez pudessem ser
necessários". No entanto, ele continuou à espera
...
Lúcia escreveu um reconto detalhado do
acontecimento em carta para o seu confessor, Monsenhor
Pereira Lopes, do Asilo de Vilar. Infelizmente esta carta
perdeu-se, e só sabemos da sua existência porque se faz
referência a ela numa carta posterior. A 29 de Dezembro, a
Madre Magalhães informou o Bispo da Silva acerca do que
havia acontecido, mas sem ser muito precisa.
Por essa altura, Lúcia recebeu finalmente resposta
de Monsenhor Pereira Lopes. Ele expressou certas reservas,
fez perguntas e aconselhou-a a esperar. Uns dias depois, a
15 de Fevereiro, Lúcia respondeu-lhe, fazendo-lhe uma
narração detalhada dos acontecimentos. Felizmente, esta
carta importantíssima foi-nos conservada. Vamos seguir passo
a passo esse precioso texto, adicionando os nossos próprios
subtítulos e comentários.
Uma espera dolorosa
"Revmo. Senhor Doutor:
Venho, com todo o respeito, agradecer a amável
cartinha que a caridade de Vossa Reverência fez o favor de
me escrever.
Quando a recebi, e vi que ainda não podia atender
aos desejos de Nossa Senhora, senti-me um pouco triste. Mas
logo refleti que os desejos de Nossa Senhora eram que eu
obedecesse às ordens de Vossa Reverência.
Fiquei tranqüila e, no dia seguinte, quando recebi
a Jesus Sacramentado, li-Lhe a carta e disse: ‘Ó meu Jesus!
Eu, com a Vossa graça, a oração, a mortificação e a
confiança, farei tudo quanto a Obediência me permitir e Vós
me inspirardes; e o resto fazei-o Vós.’
Assim fiquei até ao dia 15 de Fevereiro. Esses dias
foram duma contínua mortificação interior. Pensava se teria
sido um sonho, mas sabia que não; sabia que tinha sido
realidade. Mas se eu tinha correspondido tão mal às graças
recebidas até ali, como é que Nosso Senhor Se dignava
aparecer-me outra vez?
Chegava-se o dia de me ir confessar, e não tinha
licença de dizer nada! Podia dizê-lo à Madre
Superiora, mas durante o dia as minhas ocupações não mo
permitiam! À noite, estava com dores de cabeça! E eu,
temendo faltar à caridade, pensava: ‘Fica para amanhã!
Ofereço-Vos este sacrifício, minha querida Mãe!’ E assim se
passaram, um atrás do outro, todos os dias até hoje.
No dia 15, andava eu muito ocupada com o meu
trabalho, e quase nem disso me lembrava. E indo eu despejar
um caixote do lixo fora do quintal ..."
História de um prelúdio encantador (Novembro ou Dezembro de
1925)
"(No mesmo lugar) onde, alguns meses antes, tinha
encontrado um menino a quem tinha perguntado se sabia a
Ave-Maria, e, respondendo-me que sim, lhe mandei que a
dissesse para eu ouvir. Mas como se não resolvia a dizê-la
sozinho, disse-a eu com ele, três vezes. Ao fim das três
Ave-Marias, pedi-lhe que a dissesse sozinho. Mas como se
calou e não foi capaz de dizer a Ave-Maria sozinho,
perguntei-lhe se sabia onde era a igreja de Santa Maria.
Respondeu-me que sim. Disse-lhe que fosse lá todos os dias,
e que dissesse assim: ‘Ó minha Mãe do Céu, dai-me o Vosso
Menino Jesus!’ Ensinei-lhe isto, e vim-me embora."
Aqui, em virtude dos acontecimentos, Lúcia vê-se
obrigada a falar um pouco de si própria, e as suas poucas
confidências revelam-nos algo da sua alma maravilhosa.
Perto da porta do jardim, ela encontra um menino.
Lembra-se de lhe falar da Virgem Maria, para lhe ensinar a
rezar. Depois pede-lhe para rezar a Ave-Maria... só pela
alegria de a ouvir na sua voz. Como ele não conseguiu
dizê-la sozinho, Lúcia recita-a com ele três vezes, de
acordo com a prática antiga das três Ave-Marias em honra de
Nossa Senhora.
Como o menino parecia não querer recitar a
Ave-Maria sozinho, a nossa catequista – que não queria
perder esta oportunidade de cumprir a sua missão de fazer
conhecer e amar Nossa Senhora – sugeriu outra idéia:
convidou-o a ir todos os dias à igreja de Santa Maria. De
fato, a Basílica de Santa Maria Maior fica bastante perto da
Casa das Irmãs Dorotéias. Foi este acontecimento um pouco
antes ou depois da aparição do Menino Jesus, no dia 10 de
Dezembro? Não o sabemos. Em todo o caso, a jovem postulante
ensinou ao menino esta linda e breve oração, que certamente
era dela também: a sua oração mais freqüente e fervorosa do
Advento de 1925. "Ó Mãe do Céu, dai-me o Vosso Menino
Jesus". E depois foi-se embora.
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" Se Fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e
terão paz ... virei pedir ... a comunhão
reparadora nos primeiros sábados dos mês." ...
(Nossa Senhora à Irmã Lúcia, 13 de
Julho, 1917) |
15 de Fevereiro de 1926:
uma nova aparição do Menino Jesus
O emotivo relato de Lúcia, que estamos a citar
extensamente, continua:
"No dia 15 de Fevereiro de 1926, voltando eu lá (a
esvaziar um caixote do lixo), como é costume, encontrei de
novo um menino que me parecia o mesmo da outra vez, e
perguntei-lhe: ‘Então, tens pedido o Menino Jesus à Mãe do
Céu?’ A criança volta-se para mim, e diz: ‘E tu? Tens
espalhado pelo mundo aquilo que a Mãe do Céu te pediu?’
E, nisto, transforma-se num Menino resplandecente.
"Conhecendo, então, que era Jesus, disse-Lhe:
‘Meu Jesus! Vós bem sabeis o que o meu confessor me
disse na carta que Vos li. Dizia que era preciso que aquela
visão se repetisse, que houvesse fatos para ser acreditada;
e a Madre Superiora, sozinha, a espalhar este fato, nada
podia.’
‘É verdade que a Madre Superiora, só, nada
pode; mas, com a Minha graça, pode tudo. E basta que o teu
confessor te dê licença, e a tua Superiora o diga, para que
seja acreditado, até sem se saber a quem foi revelado.’
‘Mas o meu confessor dizia na carta que esta
devoção não fazia falta no mundo, porque já havia muitas
almas que Vos recebiam nos primeiros sábados (do mês), em
honra de Nossa Senhora e dos quinze Mistérios do Rosário.’
‘É verdade, Minha filha, que muitas almas os
começam, mas poucas os acabam; e, as que os terminam, é com
o fim de receberem as graças que aí são prometidas.
Agrada-Me mais quem fizer os cinco (Primeiros Sábados) com
fervor e com o fim de desagravar o Coração da tua Mãe do
Céu, do que quem fizer os quinze, tíbio e indiferente. ’
‘Meu Jesus, muitas almas têm dificuldade em se
confessar ao Sábado. Se Vós permitísseis que a confissão de
oito dias fosse válida... ’
‘Sim. Pode ser; e de muitos dias mais,
contanto que estejam em graça no primeiro sábado, quando Me
receberem; e que, nessa confissão anterior, tenham feito a
intenção de com ela desagravar o Sagrado Coração de Maria.’
‘Meu Jesus, e as que se esquecerem de formular essa
intenção?’
‘Podem-na formular logo na confissão
seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem para
se confessar. ’
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"É verdade, Minha filha, que muitas
almas os começam, mas poucas os acabam; e as que
os terminam, é com o fim de receberem as graças
que aí são prometidas. Agrada-Me mais quem fizer
os cinco (Primeiros Sábados) com fervor e com o
fim de desagravar o Coração da tua Mãe do Céu,
do que quem fizer os quinze, tíbio e
indiferente."
... Jesus falando à Irmã Lúcia de Fátima |
II. A grande promessa e as suas condições
O mais assombroso de Pontevedra é, certamente, a
incomparável promessa de Nossa Senhora: "A todos aqueles que
durante cinco meses, no primeiro Sábado...", cumprirem todas
as condições pedidas, "Eu prometo assistir-lhes à hora
da morte, com todas as graças necessárias para a salvação".
Com generosidade ilimitada, a Santíssima Virgem promete aqui
a maior, a mais sublime de todas as graças: a da
perseverança final. Ora esta graça, ninguém a pode garantir
para si próprio – nem com uma vida inteira de santidade,
empregada em oração e sacrifício –, porque se trata de um
dom puramente gratuito da Misericórdia Divina. E a promessa
é sem nenhuma exclusão, limitação ou restrição: "A todos
aqueles que... Eu lhes prometo...”.
1. O Primeiro Sábado de cinco meses seguidos
"Todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro
Sábado..." Este primeiro requisito do Céu não contém nada de
arbitrário, nem nada totalmente novo. Ajusta-se à tradição
imemorial da piedade católica que, havendo dedicado as
sextas-feiras para recordar a Paixão de Nosso Senhor Jesus
Cristo e honrar o Seu Sacratíssimo Coração, acha
perfeitamente natural dedicar os Sábados à Sua Mãe
Santíssima. É esta tradição venerável que motivou a escolha
do sábado.
Porém, isto não diz o suficiente: se virmos mais de
perto, o grande pedido de Pontevedra aparece como a
culminação feliz de um movimento completo de devoção. O que
começou espontaneamente e foi mais tarde encorajado e
codificado por Roma, não parece ser outra coisa senão a
preparação providencial para o que estava para vir.
Os quinze sábados em honra de Nossa Senhora do
Santíssimo Rosário. "Durante muito tempo, os membros das
várias Confrarias do Rosário tiveram o costume de dedicar
quinze sábados seguidos à Rainha do Santíssimo Rosário,
antes da Sua festa ou em alguma outra época do ano. Em cada
um destes sábados, todos recebiam os sacramentos e
realizavam exercícios piedosos em honra dos quinze mistérios
do Rosário". Em 1889, o Papa Leão XIII concedeu a todos os
fiéis uma indulgência plenária num destes quinze sábados. Em
1892, "concedeu também, àqueles que estavam legitimamente
impedidos ao sábado, a possibilidade de realizar este
exercício piedoso no Domingo, sem perder as indulgências".
Os doze Primeiros Sábados do mês. Com São
Pio X, a devoção dos primeiros sábados do mês foi
aprovada oficialmente: "Todos os fiéis que, no primeiro
sábado ou no primeiro domingo de doze meses seguidos,
dedicarem algum tempo à oração vocal ou mental em honra da
Imaculada Conceição da Santíssima Virgem ganham, em cada um
desses dias, uma indulgência plenária. As condições são:
confissão, comunhão e oração pelas intenções do Soberano
Pontífice".
A devoção reparadora dos Primeiros Sábados do
mês. Por fim, a 13 de Junho de 1912, São Pio X concedeu
novas indulgências a práticas que parece anteciparem
exatamente os pedidos de Pontevedra: "Para promover a
devoção dos fiéis para com a Imaculada Virgem Maria, Mãe de
Deus, e para fazer reparação pelos ultrajes dos homens
ímpios ao Seu Santíssimo Nome e aos Seus privilégios, São
Pio X concedeu ao primeiro sábado de cada mês uma
indulgência plenária, aplicável às almas do purgatório. As
condições são: confissão, comunhão, oração pelas intenções
do Soberano Pontífice e exercícios piedosos com o espírito
de reparação, em honra da Virgem Imaculada".
Exatamente cinco anos depois deste dia 13 de Junho de 1912,
aconteceu em Fátima a grande manifestação do Imaculado
Coração de Maria, "cercado de espinhos que O pareciam
cravar". A Irmã Lúcia disse depois: "Nós compreendemos que
era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da
humanidade, que exigia reparação".
A 13 de Novembro de 1920, o Papa Bento XV concedeu
novas indulgências a esta mesma prática, quando realizada no
primeiro sábado de oito meses seguidos.
Uma devoção tradicional... Que maravilhoso é
ver o Céu contente pela coroação dum grande movimento de
piedade católica, sem fazer mais nada senão dar precisão às
decisões de um Papa, sendo esse Papa São Pio X! Também a
Santíssima Virgem tinha vindo a Lourdes, confirmar as
declarações infalíveis do Papa Pio IX.
Ora bem: ao pedir ao Papa a aprovação solene da
Devoção de Reparação revelada em Pontevedra, Nossa Senhora
não estava realmente a pedir nada impossível. A Providência
tinha preparado tudo tão bem que, em 1925 -1926 esta devoção
concordava perfeitamente com uma série de decisões papais
que foram precursoras e que "anunciavam" a devoção do
Primeiro Sábado.
... E, no entanto, uma devoção novíssima...
Apesar do que foi dito, encontramos novos elementos na
mensagem de Pontevedra! Em primeiro lugar, a concessão de
excessos de generosidade que só o Céu pode ter a liberdade
de conceder: no dia 10 de Dezembro, a Virgem Maria já não
pede quinze, nem doze, nem sequer oito sábados a Ela
dedicados; Ela bem sabe da nossa falta de constância e pede
só cinco sábados – tantos como as dezenas do nosso Terço.
Porém, é sobretudo a promessa unida a esta devoção
que aumentou de um modo impressionante. Já não é um caso de
indulgências (ou seja, a remissão do castigo por pecados já
perdoados); trata-se, antes, de uma graça muito mais
notável: a certeza de receber, à hora da morte, "todas as
graças necessárias para a salvação". É difícil imaginar uma
promessa mais maravilhosa, porque se refere ao êxito ou ao
fracasso no "nossa única e mais importante tarefa: a da
nossa salvação eterna".
2. Confissão
Já vimos que não é necessário confessar-se no
primeiro sábado. Se há um impedimento qualquer, a confissão
pode fazer-se ainda passados oito dias; mas deve fazer-se,
pelo menos, uma confissão mensal. É claro que, tanto quanto
possível, é preferível que a confissão se faça num dia
próximo do primeiro sábado.
O pensamento de fazer reparação ao Imaculado
Coração de Maria deve estar igualmente presente. Desta
maneira, diz o Padre Alonso: "A alma anexa ao motivo
principal de arrependimento pelos nossos pecados – que será
sempre a idéia de que o pecado é uma ofensa contra Deus que
nos redimiu em Cristo – um outro motivo de arrependimento,
que sem duvida terá uma influência benéfica: arrependimento
pela ofensa feita ao Imaculado e Doloroso Coração da Virgem
Maria".
3. A Comunhão reparadora dos Primeiros Sábados
A Comunhão reparadora é, decerto, o ato mais
importante da Devoção de Reparação, e todos os outros atos
se concentram em seu redor. Para entender o significado e
importância desta devoção, devemos considerá-la em relação
com a Comunhão milagrosa do Outono de 1916 que, graças às
palavras do Anjo, já estava totalmente orientada para a
idéia de Reparação.19 A Comunhão reparadora
também deve relacionar-se com a Comunhão das nove Primeiras
Sextas-Feiras de cada mês, pedido pelo Sagrado Coração de
Jesus em Paray-le-Monial.
Alguém poderia objetar: receber a Comunhão no
primeiro sábado de cinco meses seguidos é quase impossível
para muitos fiéis, que não têm Missa na sua paróquia nesse
dia ... É essa mesma pergunta que o Padre Gonçalves,
confessor de Lúcia, lhe faz numa carta de 29 de Maio de
1930:
"E quem não puder cumprir com todas as condições no
sábado, não satisfará com os domingos? Os que trabalham nas
fazendas, por exemplo, não poderão com freqüência, porque
moram bastante longe...”.
Nosso Senhor deu a resposta à Irmã Lúcia na noite
de 29 para 30 de Maio de 1930: "Será igualmente aceite a
prática desta devoção no domingo seguinte ao primeiro
sábado, quando os Meus sacerdotes, por justos motivos, assim
o concederem às almas."21
Nesse caso, não só a Comunhão, mas também a reza do Terço e
a meditação sobre os mistérios se podem transferir para o
domingo, por motivos justificados que os sacerdotes deverão
avaliar. É fácil pedir essa autorização durante a confissão.
Repare-se, de novo, no caráter católico e eclesial da
Mensagem de Fátima: é aos Seus sacerdotes, e não à
consciência individual, que Jesus dá a responsabilidade de
outorgar esta concessão adicional.
Depois de tantas concessões, quem poderia ainda
argumentar que não pode cumprir os pedidos da Virgem Maria?
4. Recitação do Terço
Em cada uma das seis aparições em 1917, Nossa
Senhora pediu que rezassem o Terço todos os dias. Como se
trata de fazer reparação pelas ofensas cometidas contra o
Imaculado Coração de Maria, que outra oração vocal Lhe
poderia ser mais agradável?22
5. A meditação de quinze minutos sobre os Quinze Mistérios
do Rosário
Para além do Terço, Nossa Senhora pede quinze
minutos de meditação sobre os quinze mistérios do Rosário.
Isto não significa, evidentemente, que seja preciso um
quarto de hora para cada mistério! Não é necessário mais do
que um quarto de hora no total! Também não é indispensável
meditar cada mês sobre os quinze mistérios. Lúcia escreve ao
Padre Gonçalves: "Fazer quinze minutos de companhia a Nossa
Senhora, meditando nos mistérios do Rosário". À sua mãe,
Maria Rosa, Lúcia escreveu essencialmente o mesmo, a 24 de
Julho de 1927, sugerindo-lhe a meditação só sobre alguns dos
mistérios, que podem escolher-se livremente:
"Queria também que a mãe me desse a consolação de
abraçar uma devoção que sei é do agrado de Deus, e que foi a
nossa querida Mãe do Céu quem a pediu. Logo que tive
conhecimento dela, desejei abraça-la e fazer com que todos
os demais a abraçassem.
Espero, portanto, que a mãe me responderá a dizer
que a faz, e que vai procurar fazer com que todas essas
pessoas que aí vão a abracem também. Não poderá nunca dar-me
consolação maior do que esta.
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No dia 13 de Outubro de 1917 Nossa Senhora de
Fátima mostrou o Seu Escapulário do Carmo,
lembrando-nos solenemente a Sua promessa:
"Receba este Escapulário: qualquer pessoa que
morra com ele posto não sofrerá o fogo eterno.
Será um sinal de salvação, uma proteção no
perigo, e uma promessa de paz". Veja-se
Um Manto de Misericórdia e de Graça, página 43. |
Consta só em fazer o que vai escrito neste
santinho. A confissão pode ser noutro dia, e os quinze
minutos (de meditação) é o que me parece que lhe vai fazer
mais confusão. Mas é muito fácil. Quem não pode pensar nos
mistérios do Rosário? Na anunciação do Anjo e na humildade
da nossa querida Mãe que, ao ver-Se tão exaltada, Se chama
escrava? Na Paixão de Jesus, que tanto sofreu por nosso
amor? Na nossa Mãe Santíssima junto de Jesus, no Calvário?
Quem não pode assim, nestes santos pensamentos, passar
quinze minutos junto da Mãe mais terna das mães?
Adeus, minha querida mãe. Console assim a nossa Mãe
do Céu, e procure que muitos outros A consolem também; e
assim dar-me-á, também a mim, uma inexplicável alegria...
"Sou sua filha muito dedicada, que lhe beija a
mão."
Nesta bela carta, a Irmã Lúcia insiste na sexta
condição, que é a principal: cada uma destas devoções deve
cumprir-se "com o espírito de reparação" para com o
Imaculado Coração de Maria.
"Console assim a nossa Mãe do Céu...”, escreveu
ela.
6. A intenção de fazer reparação: "Tu, ao menos, vê de Me
consolar".
Sem esta intenção geral, sem esta vontade de amor
que quer fazer reparação a Nossa Senhora para A consolar,
todas as práticas externas são, por si só, insuficientes
para obter a magnífica promessa. Isto é claro.
A prática da Comunhão reparadora deve ser atenta e
fervorosa. Assim o explicou Nosso Senhor à Irmã Lúcia, na
Sua aparição do dia 15 de Fevereiro de 1926: "É verdade,
Minha filha, que muitas almas os começam (a prática dos
quinze sábados) mas poucas os acabam; e as que os terminam,
é com o fim de receberem as graças que aí são prometidas.
Agrada-Me mais quem fizer os cinco (Primeiros Sábados)
com fervor e com o fim de desagravar o Coração da tua Mãe do
Céu, do que quem fizer os quinze, tíbio e indiferente
... " Nossa Senhora pede-nos tão pouco,
precisamente para que possamos fazê-lo de todo o coração.
Mas isso não significa que o faremos sempre com muito fervor
sensível: segundo a grande máxima da espiritualidade,
"Querer amar é amar".
As breves palavras do Menino Jesus e de Nossa
Senhora no dia 10 de Dezembro de 1925 dizem tudo, e
fazem-nos compreender o verdadeiro espírito desta Devoção
Reparadora:
"Olha, Minha filha, o Meu Coração cercado de
espinhos que os homens ingratos a todo o momento Me cravam,
com blasfêmias e ingratidões... sem haver quem faça um ato
de reparação para os tirar ... Tu, ao menos, vê de Me
consolar".
Esta imagem, que é tão expressiva, diz tudo: as
blasfêmias e a ingratidão dos pecadores são como muitos
espinhos cruéis que só podemos retirar por meio dos nossos
atos de amor e de reparação. Porque o amor, ou "a
compaixão", é a alma de todas estas práticas. Trata-se de
consolar o Imaculado Coração da "Mãe mais terna", que se
sente muito ultrajada.
Lúcia compreendeu isto perfeitamente nesse mesmo
momento. A parte final da sua carta a Monsenhor Pereira
Lopes, onde descreve a aparição do Menino Jesus a 15 de
Fevereiro de 1926, é disso um testemunho eloqüente:
“Nisto, desapareceu, sem que até hoje eu tenha
sabido mais nada dos desejos do Céu”.
E, quanto aos meus, (ele continua) são que nas
almas se acenda a chama do amor divino e que, elevadas nesse
amor, consolem muito o Sagrado Coração de Maria. Eu tenho,
pelo menos, o desejo de consolar muito a minha querida Mãe
do Céu, sofrendo muito por Seu amor".
Deve prestar-se a devida atenção à originalidade
desta mensagem. Porque aqui não há duvida, pelo
menos na essência, de que se trata de consolar a Santíssima
Virgem, tendo compaixão do Seu Coração trespassado pelos
sofrimentos de Seu Filho. É certo que a Mensagem de Fátima
pressupunha já este aspecto tradicional da piedade católica:
a 13 de Outubro de 1917, Nossa Senhora das Sete Dores
apareceu no céu aos pastorinhos. Mas o significado mais
preciso da Devoção Reparadora pedida em Pontevedra não
consiste tanto na meditação sobre os mistérios dolorosos do
Rosário, como na consideração das ofensas que o Imaculado
Coração de Maria recebe – agora – dos homens ingratos e
blasfemos que recusam a Sua mediação maternal e desprezam as
Suas prerrogativas divinas*. Tudo isto são muitos espinhos
que devemos retirar do Seu Coração, por meio de práticas de
amor e de reparação, para A consolar e, ainda, para obter o
perdão para as almas que tiveram a audácia de A ofender tão
gravemente.
Nada pode ajudar-nos a entender melhor o verdadeiro
espírito da Reparação pedida por Nossa Senhora de Fátima do
que o relato de uma revelação importante feita à Irmã Lúcia
no dia 29 de Maio de 1930.
III. O espírito da Devoção de Reparação:
A Revelação do dia 29 de Maio de 1930
A Irmã Lúcia estava em Tuy nessa época. O seu
confessor, o Padre Gonçalves, tinha-lhe feito uma série de
perguntas por escrito. Lembramos aqui só a quarta: "Porque
hão de ser cinco sábados – perguntou ele – e não nove, ou
sete em honra das Dores de Nossa Senhora?" Nessa mesma
noite, a vidente implorou a Nosso Senhor que a inspirasse
com uma resposta a essas perguntas. Poucos dias depois, ela
enviou o seguinte ao seu confessor.
"Ficando na capela, com Nosso Senhor, parte da
noite do dia 29 para 30 deste mês de Maio de 1930 (sabemos
que era seu costume ter uma hora santa das onze à
meia-noite, especialmente às quintas-feiras, segundo os
pedidos do Sagrado Coração de Jesus em Paray-le-Monial), e
falando a Nosso Senhor das duas perguntas, quarta e quinta,
senti-me, de repente, possuída mais intimamente da Sua
Divina Presença. E, se não me engano, foi-me
revelado o seguinte:
‘Minha filha, o motivo é simples: são cinco
as espécies de ofensas e blasfêmias proferidas contra o
Imaculado Coração de Maria:
1. As blasfêmias contra a Imaculada Conceição;
2. As blasfêmias contra a Sua Virgindade;
3. As blasfêmias contra a Maternidade Divina,
recusando, ao mesmo tempo, recebê-La como Mãe dos homens;
4. Os que procuram publicamente infundir, no
coração das crianças, a indiferença, o desprezo e até o ódio
para com esta Imaculada Mãe;
5. Os que A ultrajam diretamente nas Suas
sagradas imagens.
Eis, Minha filha, o motivo pelo qual o
Imaculado Coração de Maria Me levou a pedir esta pequena
reparação ...’
Os espinhos do Imaculado Coração de Maria
Sigamos neste ponto o Padre Alonso que, no seu
estudo sobre a Mensagem de Pontevedra, faz um extenso e útil
comentário sobre as cinco ofensas contra o Imaculado Coração
de Maria enumeradas por Nosso Senhor.
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A Irmã Lúcia de Fátima conta a Visão do
Inferno da maneira seguinte: "Vimos como que um
mar de fogo. Mergulhados nesse fogo, os demônios
e as almas, como se fossem brasas transparentes
e negras, ou bronzeadas, com forma humana, que
flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que
delas mesmas saíam juntamente com nuvens de
fumo, caindo para todos os lados, semelhantes ao
cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem
peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de
dor e desespero, que horrorizavam e faziam
estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se
por formas horríveis e asquerosas de animais
espantosos e desconhecidos, mas transparentes
como negros carvões em brasa. Esta vista foi um
momento. E graças à nossa boa Mãe do Céu, que
antes nos tinha prevenido com a promessa de nos
levar para o Céu (na primeira aparição). Se
assim não fosse, creio que teríamos morrido de
susto e pavor. (Nossa Senhora disse) 'Vistes o
Inferno, para onde vão as almas dos pobres
pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer
no Mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração.' "
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As blasfêmias de homens hereges, cismáticos e ímpios
Cegos por um ecumenismo enganador, houve a
tendência, a partir de 1962, de esquecer que existe uma
verdade evidente, relembrada aqui pela Mensagem de Fátima:
aqueles que, obstinadamente e com pleno conhecimento, negam
abertamente as prerrogativas da Santíssima Virgem Maria,
cometem as blasfêmias mais odiosas respeitante a Ela.
Primeira blasfêmia: Contra a Imaculada
Conceição. O Padre Alonso pergunta: "Quem são aqueles que
podem cometer esta ofensa contra o Imaculado Coração de
Maria?" A resposta não deixa dúvida: "Em primeiro lugar e em
geral, as seitas protestantes que recusam receber o dogma
definido pelo Papa Pio IX e que continuam a sustentar que a
Santíssima Virgem foi concebida com a mancha do pecado
original e, ainda, de pecados pessoais. O mesmo poderia
dizer-se dos cristãos orientais (dissidentes), já que,
apesar da sua grande devoção Mariana, também recusam este
dogma".
Segunda blasfêmia: Embora os Ortodoxos a
admitam, a maioria dos Protestantes também recusa a
Virgindade perfeita e perpétua de Maria "antes, durante, e
depois de dar à luz".
Terceira blasfêmia: Embora, teoricamente,
eles aceitem a Maternidade Divina de Maria definida no
Concílio de Éfeso, negam-se a reconhecê-La como a Mãe dos
homens no sentido católico, o que implica a negação do Seu
papel como Co-redentora e Mediadora de Graça.
Quarta blasfêmia: Refere-se à perversão das
crianças pelos inimigos de Nossa Senhora, que tratam de lhes
inculcar indiferença, desprezo ou mesmo ódio para com a
Virgem Imaculada; e a quinta blasfêmia, pela qual A
ultrajam nas Suas imagens sagradas. Estes dois últimos
pecados não são mais do que a conseqüência lógica dos três
primeiros, e estão frequentemente unidos a eles. A
iconoclastia – ou, pelo menos, a recusa obstinada da
teologia católica em relação às imagens sagradas – está
muito longe de desaparecer.
Em resumo: durante três séculos e meio a
contra-igreja tem travado uma luta furiosa e sem descanso
contra a Imaculada Virgem Maria, contra a promoção da
devoção para com Ela, contra a Sua soberania nos corações e,
sobre todas as sociedades. Seguindo os passos do
protestantismo – depois do jansenismo e do seu frio desprezo
por uma verdadeira devoção à Santíssima Virgem, do
racionalismo dos séculos XVIII e XIX, assim como do
modernismo do século XX –, essas forças contrárias continuam
a atacar a doutrina e devoção Marianas com o mesmo desprezo
e perfídia. Por fim, é sabido o modo como o comunismo
bolchevique tentou, por todos os meios possíveis, destruir a
veneração profunda da Mãe de Deus ancorada na alma do povo
russo. Os ícones sagrados tiveram de desaparecer, foram
destruídos ou escondidos... e ainda estão à espera de
melhores dias.
As blasfêmias de filhos rebeldes e ingratos.
Há, porém, algo mais grave, muitíssimo mais sério do que
todas as ofensas de homens hereges, cismáticos, apóstatas e
ímpios. São as blasfêmias dos próprios filhos da Igreja
contra o Imaculado Coração de Maria. Com o passar do tempo,
a mensagem de Pontevedra parece assombrosamente profética.
O Padre Ricardo, diretor do Exército Azul em França
e que muito dificilmente poderia considerar-se suspeito de
pessimismo abusivo, comenta a este respeito: "Quem poderia
ter imaginado, há 50 anos atrás, que estas cinco grandes
ofensas contra Maria se estenderiam no seio do clero da
própria Igreja Católica, e que um grande número de batizados
e catequizados, até mesmo nas nossas paróquias, não sabe já
rezar a ‘Ave-Maria’?" O Padre Alonso viu-se na obrigação de
fazer observações semelhantes.
Esta situação é hoje tão visível que qualquer
comentário é supérfluo. Há certos teólogos, certos
sacerdotes e certos bispos que são culpados das cinco
blasfêmias! Não são só uns poucos casos excepcionais; são
centenas e talvez milhares. Não basta fazer uma observação
sobre o fato. Temos de descobrir as causas disto, e explicar
como foi possível chegarmos a tal ponto. Pelo menos o Padre
Alonso descreveu o acontecimento com exatidão: "A grande
‘era Mariana’, inaugurada em 1854 com a definição do dogma
da Imaculada Conceição – atreve-se ele a escrever –
terminou com o Concílio Vaticano Segundo.34
Mas como aconteceu isto? E porquê esta declinação
alarmante da devoção Mariana, que ainda estava em pleno
florescimento quando morreu o Papa Pio XII? É o que teremos
de examinar depois, no contexto do Terceiro Segredo.
Mas podemos desde já comentar que o elemento
primeiro da Mensagem de Fátima é a Fé – uma fé precisa e
dogmática. Uma devoção verdadeira à Santíssima Virgem
pressupõe, sempre e necessariamente, ter fé nos Seus
privilégios e prerrogativas, infalivelmente definidos pelo
Papa ou ensinados pelo magistério da Igreja, e unanimemente
acreditados pelos fiéis através dos séculos. É também certo
que os pecados mais graves contra a Santíssima Virgem são,
primeiro que tudo, pecados contra a Fé. Esta importante
leitura dos fatos deve ter-se sempre em mente.
A Devoção de Reparação: um segredo de misericórdia para com
os pecadores
Depois de enumerar as cinco blasfêmias que ofendem
gravemente a Sua Mãe Santíssima, Nosso Senhor deu à Irmã
Lúcia a explicação decisiva que nos permite penetrar no
segredo do Seu Imaculado Coração, transbordante de
misericórdia para com todos os pecadores, até mesmo para com
aqueles que A desprezam e ultrajam:
"Eis, Minha filha, o motivo pelo qual o
Imaculado Coração de Maria Me levou a pedir esta pequena
reparação e, em atenção a ela, mover a Minha misericórdia ao
perdão para com essas almas que tiveram a desgraça de A
ofender. Quanto a ti, procura sem cessar, com as tuas
orações e sacrifícios, mover-Me à misericórdia para com
essas pobres almas."
"O pecado contra o Espírito Santo". Aqui
temos um dos temas principais da Mensagem de Fátima. Uma vez
que Deus decidiu manifestar cada vez mais o Seu grande
desígnio de amor — que consiste em conceder aos homens todas
as graças, através da mediação da Virgem Imaculada — parece
que a recusa dos homens em se submeterem com docilidade à
vontade de Deus assim expressa é a falta que mais gravemente
fere o Seu Coração, que já não encontra em Si próprio
nenhuma inclinação para perdoar. Parece um pecado sem
perdão, porque para o Nosso Salvador não há crime mais
imperdoável que o de desprezar a Sua Mãe Santíssima e o de
"ultrajar o Seu Imaculado Coração, que é o Santuário do
Espírito Santo. Isto é cometer ‘a blasfêmia contra o
Espírito Santo, que não será perdoada neste mundo nem no
outro’."
Em 1929, na aparição de Tuy – que é o cumprimento
final de Fátima –, Nossa Senhora conclui a manifestação
extraordinária da Santíssima Trindade com estas palavras
surpreendentes: "São tantas as almas que a Justiça de
Deus condena, por pecados contra Mim cometidos, que venho
pedir reparação. Sacrifica-te por esta intenção e ora".
Estas palavras são tão fortes que vários tradutores tomaram
a liberdade de diluir o seu significado.
"Um pequeno ato de reparação" para salvar os
maiores pecadores. Sim, Nossa Senhora afirma tristemente
que muitas almas se perdem por causa do seu desprezo e das
blasfêmias contra Ela ... Assim, e para nos dar o exemplo de
amar os nossos inimigos, Ela própria intervém, porque só Ela
pode ainda salvar esses monstros de orgulho e ingratidão que
se revoltaram contra Ela. Como "Mãe de Misericórdia e Mãe do
Perdão", como cantamos na Salve Mater, Ela
intercede por nós ante Seu Filho. Que a devoção filial de
almas fiéis e as Comunhões reparadoras oferecidas nos Cinco
Primeiros Sábados possam consolar o Seu ultrajado Coração, e
ser aceites por Jesus como reparação pelos crimes dos
pecadores. Nossa Senhora ora para que Ele se digne aceitar
esta "pequena devoção" e assim, tendo em conta este "pequeno
ato de reparação" ao Seu Coração Imaculado, se digne
conceder o perdão, apesar de tudo, aos ingratos e blasfemos,
a todas as pobres almas que tiveram a ousadia de A ofender —
a Ela, Sua Mãe Santíssima!
E, como sempre, Nosso Senhor concede-Lhe o Seu
desejo. Deste modo, Ele faz com que a Devoção da Reparação
seja um meio seguro e eficaz de converter almas, muitas
almas, de entre aquelas que estão em maior perigo de se
perderem para sempre. Devemos citar aqui um texto
importante, no qual até a "grande promessa" é uma
consideração secundária, perante a intenção primeira do
Imaculado Coração de Maria que é a salvação de todos os
pecadores. Em Maio de 1930, a Irmã Lúcia escreveu ao Padre
Gonçalves:
"Parece-me que o nosso bom Deus, no fundo do meu
coração, insta comigo para que peça ao Santo Padre a
aprovação da devoção reparadora que o próprio Deus e a
Santíssima Virgem se dignaram pedir em 1925, para, em
atenção a esta pequena devoção, dar a graça do perdão às
almas que tiveram a desgraça de ofender o Imaculado Coração
de Maria, prometendo a Santíssima Virgem, às almas que
deste modo A queiram reparar, assistir-lhes, à hora da
morte, com todas as graças necessárias para se salvarem."
Reparação necessária. A salvação das almas,
de todas as almas – "principalmente as que mais precisarem"
–, arrebatando-as a todas do fogo do inferno que as ameaça
é, portanto, em última análise, a intenção principal da
prática dos Primeiros Sábados do mês. Foi essa mesma
intenção que Nossa Senhora já tinha indicado no dia 19 de
Agosto de 1917, quando recomendou aos pastorinhos a urgência
de rezarem e fazerem sacrifícios: "Rezai, rezai muito; e
fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para
o Inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas".
A Santíssima Virgem Maria foi chamada Mediadora
universal e Mãe da Divina Graça. Mas por um desígnio da
Providência que nos manda estar unidos a Ela, Nossa Senhora
não pode agir sozinha. Ela precisa de nós, do nosso amor
consolador e das nossas "pequenas devoções" de reparação,
para salvar as almas do Inferno. Excelso e grandioso é o
mistério da comunhão dos santos, que faz com que a salvação
de muitas almas dependa, realmente, da nossa própria
generosidade! E temos um bom motivo para demonstrarmos
generosidade! Como poderíamos recusar esta ação missionária
que Nossa Senhora espera de nós, que Ela fez tão fácil de
cumprir – com autorização de um sacerdote, tudo se pode
transferir para Domingo –, e quando as práticas requeridas
são tão eficazes e fecundas? É que, através desta devoção,
muitas almas em perigo iminente de se perderem para sempre
podem obter, no último momento e apesar delas próprias, a
graça da sua conversão.
Para consolar o Imaculado Coração de Maria
trespassado de espinhos, para fazer reparação pelos
ultrajes que o Seu Coração recebe dos pecadores por meio
da oração e do sacrifício – é este o requisito mais
preciso desta primeira parte do Segredo, que Nossa Senhora
veio lembrar e clarificar em Pontevedra, em 1925: "Tu, ao
menos, vê de Me consolar". O Santo Sacrifício da Missa e
a Sagrada Comunhão oferecidos a Deus com o espírito de
reparação são-nos agora apontados como o sacrifício mais
perfeito e a oração mais eficaz.
Tudo isto nos ajuda a entender a insistência
urgente de Nossa Senhora, o Seu ardente desejo de que esta
Devoção de Reparação seja praticada por toda a parte e com a
maior freqüência possível. Esta é a devoção mais apreciada
por Ela, porque é a mais perfeita e, por isso, a mais eficaz
para a salvação das almas. E porque a Santíssima Virgem
deseja a nossa cooperação a todo o custo, associou a esta
devoção as promessas mais maravilhosas...
"Desta devoção depende a guerra ou a paz do Mundo".
Com efeito, para além da conversão dos pecadores e da nossa
salvação eterna, Nossa Senhora determinou que a Comunhão
reparadora ficasse unida a outra promessa magnífica: o dom
da Paz.
A 19 de Março de 1939, a Irmã Lúcia escrevia:
"Da prática desta devoção, unida à consagração ao
Coração Imaculado de Maria, depende a guerra ou a paz do
Mundo. Por isso eu desejava tanto a sua propagação, e,
sobretudo, por ser essa a vontade do nosso bom Deus e da
nossa tão querida Mãe de Céu ..."
E no dia 20 de Junho do mesmo ano:
"Nossa Senhora prometeu adiar para mais tarde o
flagelo da guerra, se for propagada e praticada esta
devoção. Vemo-La afastando esse castigo à medida que se vão
fazendo esforços para a propagar; mas eu tenho medo que nós
possamos fazer mais do que fazemos e que Deus, pouco
contente, levante o braço da Sua Misericórdia e deixe o
mundo assolar-se com esse castigo, que será como nunca
houve, horrível, horrível."
Dois meses depois, era declarada guerra. Ainda nada
se tinha feito para corresponder aos pedidos do Céu.

"Quero em toda a Minha Igreja ...
pôr, ao lado da devoção
do Meu Divino Coração,
a devoção deste Imaculado Coração."
... Jesus à Irmã Lúcia
Do Primeiro Segredo ao Segundo
Este anúncio profético leva-nos diretamente a uma
tragédia. É a grande tragédia de caráter religioso e
político que, em vinte anos, levou a nossa Europa cristã a
uma guerra atroz, a mais mortífera de toda a história; e
depois a outra, mais sangrenta e ainda mais horrível nas
suas conseqüências devastadoras. Num curto espaço de tempo,
esta guerra entregou nações e quase continentes inteiros à
escravidão do barbarismo soviético. Vejamos agora a forma
como Nossa Senhora profetizou esta terrível tragédia,
identificando, a 13 de Julho de 1917, as suas fases mais
importantes e as suas causas secretas. É esta a segunda
parte do Seu grande Segredo.
O segredo capital:
o Imaculado Coração de Maria como salvação das almas.
Clarifiquemos desde já que este "segundo segredo" depende
estritamente do primeiro, cuja importância é primordial.
Porque, como descobriremos na segunda parte do nosso estudo,
a grande política divina revelada pela Rainha do Céu na Cova
da Iria, tanto com as promessas de paz universal e durável,
como com as ameaças de castigos espantosos — todo este plano
de ação divina é só um instrumento utilizado pela
Misericórdia de Deus para obter a salvação das almas, no
maior número possível.
Depois de tudo, é à primeira parte do Segredo que
devemos regressar sempre, por ser, indiscutivelmente, a
principal e a mais importante aos olhos de Deus: salvar as
almas, todas as almas, do único verdadeiro mal — porque é o
único mal eterno —, para as livrar a qualquer preço das
chamas do Inferno. É esta também a primeira preocupação do
Imaculado Coração de Maria. Em Fátima, a Senhora revelou
este Imaculado Coração como refúgio e último recurso dos
pecadores, mesmo dos mais odiosos e miseráveis, porque Ela é
a Mediadora de Misericórdia, a Porta do Céu. Esta é a
primeira parte do Seu grande segredo, porque é também o
primeiro segredo do Seu Coração. A Irmã Lúcia descreveu
o primeiro Segredo (a visão do Inferno) na sua
Autobiografia, e continuou:
"Assustados e como que a pedir socorro,
levantamos a vista para Nossa Senhora, que nos disse, com
bondade e tristeza:
‘Vistes o Inferno, para onde vão as almas dos
pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no
Mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração ...
‘... Se fizerem o que Eu vos disser,
salvar-se-ão muitas almas e terão paz ...
‘... virei pedir a comunhão reparadora nos
primeiros sábados.’ "
A pequena Jacinta entendeu perfeitamente esta
importante advertência de Nossa Senhora para a salvação das
almas. A sua alma ficou completamente penetrada por ela,
como mostra o episódio seguinte: "às vezes – lembra a Irmã
Lúcia –, andava a apanhar as flores do campo e a cantar, com
uma música arranjada por ela naquele momento:
"Doce Coração de Maria, sede a minha salvação!
Imaculado Coração de Maria,
convertei os pecadores,
livrai as almas do Inferno!"42
Com efeito, são estas as palavras que resumem a
essência do "primeiro Segredo": é através do Imaculado
Coração de Maria que a Santíssima Trindade quer salvar hoje
as nossas almas, todas as almas, para as arrebatar das
chamas do Inferno e lhes abrir as portas do Céu.
A Irmã Lúcia explica a Devoção de Reparação dos Primeiros
Sábados
A Irmã Lúcia tomou esta "devoção amorosa" tanto a
peito que constantemente volta a ela na sua correspondência.
Não há nada mais capaz, sem dúvida, de tocar os nossos
corações do que esta insistência da mensageira de Nossa
Senhora. Aqui ficam alguns destes belos textos:
Nunca me sinto tão feliz como quando chega o primeiro sábado
..."
No dia 1 de Novembro de 1927, Lúcia escreve à sua
madrinha do crisma, Dona Maria Filomena Morais de Miranda:
"Não sei se já tem conhecimento da devoção
reparadora dos cinco sábados ao Imaculado Coração de Maria;
mas como ainda é nova, lembrou-me de lha indicar, por ser
uma coisa pedida pela nossa querida Mãe do Céu, e por Jesus
ter manifestado desejo de que seja abraçada. Pareceu-me por
isso que a Madrinha estimará muito não só de ter
conhecimento dela, para dar a Jesus a consolação de a
praticar, mas também de a fazer conhecer e abraçar por
muitas outras pessoas.
"Consta no seguinte: durante cinco meses, no
primeiro sábado, receber Jesus Sacramentado, rezar um Terço,
fazer quinze minutos de companhia a Nossa Senhora meditando
nos mistérios do Rosário1 e fazer uma confissão.
Esta pode ser alguns dias antes e, se nesta confissão
anterior nos esquecermos de formular a intenção, (requerida)
podemos oferecer a confissão seguinte, contanto que no
primeiro, sábado se receba a Sagrada Comunhão em estado de
graça com o fim de reparar as ofensas que se proferem contra
a Santíssima Virgem, e que trazem amargurado o Seu Imaculado
Coração.2
Parece-me, minha boa Madrinha, que somos felizes
por poder dar à nossa querida Mãe do Céu esta prova de amor
que sabemos deseja que se Lhe ofereça. Quanto a mim,
confesso que nunca me sinto tão feliz como quando chega o
primeiro sábado. E não é verdade que a nossa maior
felicidade está em sermos todas de Jesus e Maria, em amá-Los
a Eles só, sem reserva? Vemos isto tão claro na vida dos
santos ... Eles eram felizes porque amavam, e nós, minha boa
Madrinha, havemos de procurar amar como eles, não só para
gozar a Jesus, que é o menos — se O não gozarmos cá, gozá-l’O-emos
lá — mas para darmos a Jesus e a Maria a consolação de
serem amados ... e que assim, em troca deste amor, salvassem
muitas almas. Adeus, minha boa madrinha; abraço-a nos
Corações Santíssimos de Jesus e Maria."
A 4 de Novembro de 1928, depois de várias
tentativas para obter uma aprovação oficial do Bispo da
Silva, a Irmã Lúcia escreve ao Padre Aparício:

"Espero, portanto, que o nosso bom Deus Se
dignará inspirar a Sua Ex.cia Rv.ma
uma resposta favorável, e que colherei, entre tantos
espinhos, esta flor, vendo ainda na terra amado e consolado
o maternal Coração da Santíssima Virgem. Agora é este o meu
desejo, porque é também esta a vontade do bom Deus. A
maior alegria que sinto é ver o Imaculado Coração da nossa
terníssima Mãe conhecido, amado e consolado, por meio desta
devoção".
No dia 31 de Março de 1929, a Irmã Lúcia escreve de
novo ao Padre Aparício, acerca do Cônego Formigão e do Padre
Rodríguez que desejam pregar a Devoção Reparadora:
"Espero que o nosso Divino Jesus irá fazer de
Suas Rv.cias, segundo o grande desejo que tem da
propagação desta amável devoção, dois apóstolos ardentes da
devoção reparadora ao Imaculado Coração de Maria. Não
imagina V. Rv.cia como é grande a minha alegria
em pensar na consolação que com esta devoção vão receber os
Sagrados Corações de Jesus e de Maria, assim como a
lembrança de um número imenso de almas que por meio desta
amável devoção se vão salvar. Digo ‘que se vão salvar’,
porque ainda não há muito tempo que o nosso bom Deus, na Sua
infinita misericórdia, me pediu para procurar forma de fazer
reparação com os meus sacrifícios e orações, e reparar de
preferência o Imaculado Coração de Maria e suplicar, para as
almas que contra Ele blasfemam, o perdão e a misericórdia,
pois que a estas almas a Sua divina misericórdia não
perdoa sem reparação ... "
"De que modo faço as meditações."
Nesta devoção que é tão simples e fácil, a Irmã
Lúcia escreve a sua mãe: "Os quinze minutos (de meditação) é
o que me parece que lhe vai fazer mais confusão. Mas é muito
fácil". Trata-se de "acompanhar a Nossa Senhora por
quinze minutos"; e não é necessário, de modo algum,
meditar sobre todos os quinze mistérios do Rosário: pode
escolher-se um deles, ou dois. Numa carta citada pelo Padre
Martins, a Irmã Lúcia escreve:
"De que modo faço as meditações sobre os
mistérios do Rosário, nos primeiros sábados: primeiro
mistério, a Anunciação do Anjo S. Gabriel a Nossa Senhora.
1.º Prelúdio: representar esse fato no meu espírito e ouvir
o Anjo a saudar Nossa Senhora com estas palavras ‘Ave,
Maria, cheia de graça!’.
2.º Prelúdio: pedir a Nossa Senhora que infunda
na minha alma um profundo sentimento de humildade.
"1.º Ponto: Meditarei no modo como o Céu
proclama a Santíssima Virgem cheia de graça, bendita entre
todas as mulheres e destinada a ser a Mãe de Deus.
"2.º Ponto: A humildade de Nossa Senhora,
reconhecendo-se e dizendo-se a escrava do Senhor.
"3.º Ponto: Como devo imitar Nossa Senhora na
Sua humildade; quais as faltas de orgulho e soberba com que
mais costumo desgostar a Nosso Senhor; e quais os meios que
tenho de empregar para os evitar, etc.
"No segundo mês faço a meditação do segundo
mistério gozoso; no terceiro mês, do terceiro, e assim
sucessivamente, seguindo o mesmo método de meditação. Quando
acabo estes Cinco Primeiros Sábados começo outros cinco, e
medito sobre os mistérios dolorosos; depois, os gloriosos e,
quando acabo estes, começo de novo com os mistérios
gozosos".
Desta forma, a Irmã Lúcia revela-nos que, sem se
contentar só com uma prática dos Cinco Primeiros Sábados,
ela pratica todos os meses "a amável Devoção Reparadora"
pedida por Nossa Senhora. Como se trata de "consolar a Nossa
Mãe do Céu" e de interceder eficazmente pela salvação das
almas, porque não seguir o seu exemplo e renovar esta
prática piedosa frequentemente? Poderíamos também pedir a
esta boa Mãe, com a firme esperança de sermos escutados, a
assistência especial à hora da morte, "com todas as graças
necessárias para a salvação", para esta ou aquela alma que
Lhe confiarmos – tal como Ela nos prometeu em
troca desta "pequena devoção", cumprida com amor e com
espírito de Reparação.
O que é Fátima?
Fátima é a intervenção do Céu para nos salvar da
perseguição, da guerra, da aniquilação, da escravidão e do
Inferno.
Fátima é uma visita de Maria, Nossa Mãe do Céu, na
nossa época e para a nossa época. É uma Mensagem de afeto,
um plano prático para a paz no mundo, uma promessa do Céu.
É a intervenção do Céu para nos salvar de
perseguições, martírios, guerras, escravidão ou aniquilação.
É, sobretudo, uma maneira de salvar as nossas almas do
Inferno. A Mensagem de Fátima é para si!
Hoje, por disposição da divina Providência, Nossa
Senhora convida-o a aprender toda a verdade sobre Fátima, ao
dar-lhe esta oportunidade de conhecer a Sua bela Mensagem.
A Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, apareceu
seis vezes aos três pastorinhos, Lúcia, Francisco e Jacinta,
entre 13 de Maio e 13 de Outubro de 1917. Ela desceu à
pequena aldeia de Fátima, que tinha permanecido
fiel à Igreja Católica durante as perseguições do
Governo de então.
A Mensagem de Nossa Senhora
Senhora trouxe uma mensagem de Deus para cada homem,
mulher ou criança do nosso século. Nossa Senhora de Fátima
prometeu que o mundo inteiro teria paz e que muitas almas
iriam para o Céu, se escutássemos e obedecêssemos aos Seus
pedidos.
Disse-nos que a guerra é um castigo pelo pecado;
que Deus castigaria o mundo – na nossa época – pelos seus
pecados, por meio da guerra, fome, perseguição à Igreja e ao
Santo Padre, o Papa, a menos que escutássemos e
obedecêssemos aos mandados de Deus.
Fátima Hoje!
Em Fátima, o Papa João Paulo II disse a 13 de Maio
de 1982: "a Mensagem de Fátima é mais pertinente e mais
urgente" hoje do que quando Nossa Senhora apareceu pela
primeira vez: é uma súplica angustiada da Nossa Mãe do Céu
que nos vê em grande perigo, e que vem oferecer a Sua ajuda
e o Seu conselho. A mensagem que traz é também uma profecia:
uma indicação clara do que ia acontecer no século XX, e do
que ainda irá infalivelmente acontecer num futuro próximo –
tudo dependendo da nossa resposta aos Seus pedidos.
A Igreja dá a sua aprovação a Fátima
A Igreja Católica ratificou a Mensagem de Fátima
desde 1930. Cinco Papas deram publicamente a conhecer a sua
aprovação às aparições de Nossa Senhora em Fátima e à Sua
mensagem. Dois Papas foram a Fátima em peregrinação. O Papa
João Paulo II foi lá duas vezes: uma, a 13 de Maio de 1982;
e outra, a 13 de Maio de 1991.
O próprio Deus dá a Sua ratificação a Fátima
Como um grande sinal de que a totalidade desta
mensagem vem, na verdade, de Deus, houve um milagre
maravilhoso no Céu de Fátima, perante 70.000 testemunhas, no
dia 13 de Outubro de 1917, na hora, data e lugar que Lúcia e
as outras duas crianças tinham indicado em nome de Nossa
Senhora de Fátima.
Tal como Nossa Senhora tinha dito, Francisco e
Jacinta morreram em cheiro de santidade, em 1919 e 1920.
Lúcia fez-se freira Carmelita. A Irmã Lúcia ainda vive: tem
hoje 94 anos.
E Nossa Senhora de Fátima continua hoje a fazer
milagres, através da ‘água de Fátima’ que dali é enviada
para todo o mundo. Brotou água em Fátima, na Cova da Iria,
muito perto do lugar onde Nossa Senhora apareceu (na Cova da
Iria) no lugar onde o Senhor Bispo disse para cavarem. E
também há pessoas que se curam das suas doenças ao fazerem
uma peregrinação a Fátima – que fica em Portugal, a uns 140
quilômetros a norte de Lisboa.
Quando esteve em Fátima, o Papa João Paulo II
disse: "A Mensagem de Fátima é dirigida a todos os seres
humanos".
Uma mensagem de advertência e de esperança
Se não fizermos caso a breve tempo, a tremenda
profecia de Nossa Senhora pode cumprir-se num futuro
próximo, e atingir-nos na proximidade das nossas casas.
Ela disse que Deus tinha querido usar a Rússia como
instrumento de castigo para o mundo inteiro, se não
obtivéssemos a conversão da Rússia à Fé Católica por meio de
orações e sacrifícios, e da obediência aos Seus pedidos
(especialmente aos de consagração e reparação).
Ela prometeu-nos: "Se atenderem aos Meus pedidos, a
Rússia converter-se-á e terão paz".
Mas também nos advertiu: "Se não, espalhará os seus
erros pelo mundo; haverá guerras e perseguições à Igreja. Os
bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que
sofrer, várias nações serão aniquiladas."
E disse também que todo o mundo (a parte que
escapar) será escravizado pelos tiranos ateus da Rússia.
Pela paz no mundo
Para evitar estes castigos, disse Nossa Senhora que
era necessário fazer reparação especial pelos pecados
cometidos contra o Imaculado Coração de Maria, sobretudo
através da Comunhão reparadora no Primeiro Sábado de cinco
meses seguidos, e da solene Consagração da Rússia ao
Imaculado Coração de Maria – feita, no mesmo dia e à mesma
hora, pelo Papa e por todos os Bispos Católicos do mundo.
Por fim, Nossa Senhora triunfará
Em conclusão: a Mensagem é uma promessa do triunfo
final do Seu Imaculado Coração sobre o mal. Ela prometeu
que, apesar do muito que o futuro possa ser difícil (e
parece que esta é a via hoje escolhida por quase toda a
humanidade...), por fim o Imaculado Coração de Maria
triunfará: a humanidade terá, finalmente, cumprindo os Seus
pedidos, e haverá paz no mundo.
O que devo eu fazer?
É responsabilidade de cada um de nós ouvir, ler,
aprender, e aplicar esta mensagem do Céu à nossa vida, em
especial pela reza diária do Terço. Devemos também fazer
todo o possível para, naquilo que pudermos, ajudar a
divulgar o verdadeiro significado da Mensagem de Fátima,
antes que seja tarde demais. Não devemos ficar passivos!
Temos a promessa do Seu triunfo final, e sabemos que esse
triunfo depende da nossa cooperação à Graça de Deus e ao Seu
plano, dado a conhecer em Fátima.
Ajude-nos a difundir a Mensagem Completa de Fátima
Apesar de todos estes milagres e sinais, da
aprovação oficial da Igreja Católica e do reconhecimento
dado a Nossa Senhora por centenas de milhões de peregrinos
que vão a Fátima, ainda existe muita oposição contra Nossa
Senhora de Fátima e a Sua mensagem profética – que vai
contra o ponto de vista e os interesses (particulares e
muito materiais) de certas pessoas.
Esta oposição a Nossa Senhora de Fátima
apresenta-se não só na forma de hostilidade aberta – tal
como o foi em 1917, quando as três crianças foram
seqüestradas e ameaçadas de morte por repetirem a mensagem
de Nossa Senhora, ou quando a primeira Capela construída em
Sua honra foi destruída por uma bomba em 1922 – mas também,
como hoje, em formas, mais subtis.
O demônio bem sabe que quando toda a Mensagem de
Fátima for amplamente proclamada e corretamente entendida,
apreciada e obedecida, o seu império de maldade no mundo
será destruído. Por isso, o demônio e os seus agentes
humanos, e até pessoas bem intencionadas (mas com outras
terrivelmente mal orientadas ao seu serviço) – lançaram uma
ofensiva contra a Mensagem de Fátima, para a obscurecer e
provocar a confusão suficiente para os Fiéis não obedecerem
a Nossa Senhora e não reagirem a tempo.
Mas Ela confia que todos nós façamos a nossa parte.
Pelo menos, todos podemos rezar o Terço, todos podemos falar
de Fátima a um amigo, ou passar uma cópia deste folheto a um
vizinho. E todos nós temos alguma necessidade ou intenção
para recomendar à intercessão poderosa de Nossa Senhora.
Reze a Nossa Senhora de Fátima e Ela o ajudará. E
também lhe dará a recompensa de todos os seus esforços para
fazer conhecer e amar a mensagem Maternal de amor e de
advertência que Ela veio revelar a Fátima.
> Leia
também a História das Aparições de Nossa Senhora de Fátima -
Portugal.
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